Sobre armas nucleares, Papa afirma que ‘estamos no limite da legalidade’

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08 de dezembro de 2017

“É lícito manter arsenais nucleares ou, para salvar a humanidade, não seria necessário voltar atrás?”, questionou-se o Papa Francisco na coletiva de imprensa durante o voo de retorno de Bangladesh a Roma no domingo, 3. “Estamos no limite da legalidade de ter e usar as armas nucleares. Por quê? Porque hoje, com um arsenal nuclear assim sofisticado, arrisca-se a destruição da humanidade,  ou, ao menos, de grande parte.” 

Ao responder a perguntas dos jornalistas, o Pontífice disse que nas últimas três décadas aumentou a “irracionalidade” sobre o uso e a posse de armas nucleares. Citando o teólogo Romano Guardini, explicou que há duas formas de “incultura”: a primeira, é a capacidade do ser humano de produzir cultura a partir daquilo que recebeu; a segunda, é a capacidade de destruição do ser humano. “E isso acontece quando não se consegue ter todo o controle da energia atômica”, recordou, mencionando o desastre de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia. “As armas existem para vencer destruindo. Portanto, digo que estamos no limite da legalidade.” 

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‘Nunca se cansem de rezar pelos seus padres’, diz Pontífice em ordenação

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08 de dezembro de 2017

Assim com fez São João Paulo II, o Papa Francisco presidiu na sexta-feira, 1º, uma missa de ordenação de 16 sacerdotes durante sua visita a Bangladesh. Na homilia, o Papa agradeceu ao povo presente e pediu: “Rezem sempre pelos seus sacerdotes.” 

Segundo ele, “o povo de Deus sustenta os sacerdotes com a oração” e “é responsabilidade de vocês apoiar os sacerdotes”. Para saber como ajudar os padres, é preciso “confiar na própria generosidade”, disse. “O coração generoso que vocês têm lhes dirá como apoiar os sacerdotes. Mas, o primeiro apoio é a oração. O povo de Deus, quer dizer, todos, apoia o padre com a oração. Não se cansem, jamais, de rezar pelos seus padres! Sei que o farão. Muito obrigado.” 

Aos padres que seriam ordenados, o Papa recomendou: “Conscientes de terem sido escolhidos entre os homens e constituídos para atender às coisas de Deus, exercitem, com alegria e a caridade sincera, a obra sacerdotal de Cristo, intencionados unicamente em agradar a Deus, e não a vocês mesmos.” 

Também aos religiosos e religiosas, agradeceu o testemunho de missionários e pediu que continuem a transmitir a alegria que recebem do encontro com Cristo. O País foi visitado uma vez também pelo Beato Paulo VI, mas ainda não era independente do Paquistão. 

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Em Bangladesh, Papa chama atenção do mundo para a periferia

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08 de dezembro de 2017

A viagem do Papa Francisco a Bangladesh, após Mianmar, foi principalmente para encontrar a comunidade católica presente no pequeno país de 163 milhões de habitantes. Mas, o fato de que os cristãos não chegam nem a 1% da população mostra, mais uma vez, como Francisco tem alcançado as periferias da Igreja e, ao viajar, obriga o mundo a olhar para os problemas do país visitado. Na quinta-feira, 30 de novembro, Francisco elogiou os esforços de Bangladesh que, mesmo sendo um país pobre, recebe cerca de 700 mil refugiados Rohingya de Mianmar. 

“É necessário que a comunidade internacional tome medidas decisivas para fazer frente a esta grave crise [dos refugiados em Bangladesh], não só trabalhando para resolver os problemas políticos que provocaram o deslocamento massivo de pessoas, mas também oferecendo assistência imediata a Bangladesh em seu esforço para responder eficazmente às urgentes necessidades humanas”, disse.

Perguntado no voo papal sobre a pobreza e a exploração da mão de obra em Bangladesh, onde trabalhadores da indústria têxtil se submetem a condições precárias e salários muito baixos ao prestar serviço para grandes empresas multinacionais, o Papa declarou que “este é um dos problemas mais sérios” do País.

“Falei disso nos encontros pessoais [com autoridades]. Eles estão conscientes disso e do fato de que a liberdade deles é condicionada não só pelos militares, mas também pelos grandes trustes internacionais. Apontaram para a educação, e creio que seja uma escolha sábia”, analisou. “Há planos educativos, e me mostraram os percentuais dos últimos anos. Diminuiu a carência de educação.” 

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Papa Francisco e a questão Rohingya

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08 de dezembro de 2017

 

A viagem do Papa Francisco a Mianmar e Bangladesh, de 27 de novembro a 2 de dezembro, começou com uma sinuca diplomática: falar ou não falar da perseguição à minoria étnica muçulmana Rohingya? Esse povo, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos mais sofridos do mundo, vem sendo massacrado pelo regime militar de Mianmar, um país asiático de maioria budista. Chamava-se Birmânia. “Ousaria o Papa usar a palavra Rohingya em Mianmar?”, perguntavamse os vaticanistas e observadores. Sim e não. Na verdade, as cartas dessa viagem já estavam marcadas. Na primeira visita de um Papa a Mianmar, ele e a diplomacia da Santa Sé já sabiam o que fazer. 

 
 

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O Papa Francisco já rezou pelos Rohingya publicamente no Vaticano e inúmeras vezes chamou a atenção do mundo para a “globalização da indiferença” diante de minorias perseguidas. A dúvida, entretanto, era se ele tocaria no assunto em solo birmano, pois a questão é extremamente delicada no País. Os Rohingya eram cerca de 1 milhão até o ano passado, mas foram reduzidos a menos da metade, mortos ou expulsos. São vistos pelos birmanos como um povo estrangeiro, embora vivam na região há milhares de anos. São tratados como cidadãos de segunda classe, marginalizados e, quando têm sorte, são simplesmente ignorados na pobreza.

A Governante do País, Aung San Suu Kyi, tem um prêmio Nobel da Paz na prateleira (1991) e vem tentando liderar uma transição rumo à democracia após décadas de ditadura militar. Mas, à custa de evitar conflitos com os militares e perder o que já foi conquistado, evita o problema Rohingya. E vem sendo acusada de omissão pela comunidade internacional. A ONU e países como os Estados Unidos falam de uma “limpeza étnica” desse povo, que pode sofrer um genocídio.

 

Em vez de uma palavra, um encontro

Nesse contexto, o Papa não comentou explicitamente dos Rohingya em Mianmar. Mas, falou com os Rohingya em Bangladesh, país vizinho, pobre e superpopuloso, que abriga cerca de 700 mil refugiados Rohingya. Segundo o Papa, ter um encontro com pessoas dessa etnia marginalizada era “uma condição para que essa viagem acontecesse”. Não se sabia no início como ou onde realizá- lo, mas, por fim, decidiu-se por um encontro inter-religioso em Bangladesh, do qual participaram 16 representantes dos refugiados Rohingya.

O protocolo previa que o grupo simplesmente cumprimentasse o Papa, mas o encontro foi conduzido por ele de forma mais espontânea. O Papa os cumprimentou, mas quis conversar com cada um. “Queriam tirá-los logo do palco. Eu ali fiquei um pouco nervoso e gritei um pouco, sou pecador, e disse muitas vezes a palavra ‘respeito’, ‘respeito’. Parei a coisa e eles ficaram ali”, contou Francisco, na coletiva de imprensa realizada na viagem de retorno a Roma. Ele pediu o microfone para falar: “Naquele momento, eu chorava. Fazia em modo que não se visse. Eles também choravam.”

Improvisando, o Papa disse em claro e bom tom: “A presença de Deus, hoje, também se chama Rohingya”, pois todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus. “Eles também são a imagem de Deus vivente.” Afirmou, ainda, que “todos estamos próximos de vocês” e que “há espaço para vocês nos nossos corações”. Francisco lhes pediu perdão “em nome de todos os que os perseguem, aqueles que lhes fizeram mal, especialmente pela indiferença do mundo”. O Pontífice convidou líderes de outras religiões, presentes, a saudá-los e pediu que um dos representantes Rohingya liderasse uma oração.

 

Em vez de acusações, valores 

Como escreveu o comentarista de religião da rede norte-americana CNN , Daniel Burke, o Papa raramente faz acusações contra o país que o acolhe em uma viagem apostólica. E o Vaticano acaba de estabelecer relações diplomáticas com Mianmar, que ainda é politicamente instável. Em vez de criticá-los pelo que fazem de errado, o Pontífice procura lembrar o povo anfitrião dos valores e virtudes que os guiam. E não foi diferente em Mianmar. 

“O difícil processo de construir a paz e reconciliação nacional só pode avançar por meio do compromisso com a justiça e o respeito dos direitos humanos”, declarou o Papa em encontro com autoridades de Mianmar, inclusive a Conselheira de Estado, San Suu Kyi. “A sabedoria dos antigos definiu a justiça como vontade de reconhecer a cada um o que lhe é devido”, acrescentou. 

E continuou: “O futuro de Mianmar deve ser a paz, uma paz baseada no respeito da dignidade e dos direitos de cada membro da sociedade, o respeito por cada grupo étnico e sua identidade, em respeito pelo Estado de direito e uma ordem democrática que permita a cada indivíduo e a cada grupo – sem excluir ninguém – oferecer sua contribuição legítima ao bem comum.”

 

Em vez de uma estratégia, uma mensagem 

Na coletiva de imprensa, o Papa Francisco explicou que a estratégia diplomática adotada por ele é, na verdade, tomar o cuidado de usar as palavras certas para transmitir uma mensagem central, e não insistir em pontos que fechariam canais de diálogo. “Para mim, a coisa mais importante é que a mensagem chegue e, para isso, preciso procurar dizer as coisas passo a passo, e escutar as respostas, para que a mensagem chegue”, disse aos jornalistas.

“Eu vi que, se no discurso oficial [em Mianmar], eu tivesse usado aquela palavra [Rohingya], teria fechado a porta na cara dos outros. Mas, descrevi as situações, os direitos de cidadania, ‘ninguém excluído’, para me permitir, nas conversas privadas, ir além.” 

Segundo Francisco, o resultado desses colóquios privados com as autoridades de Mianmar foi positivo. “Fiquei muito, muito satisfeito, porque não tive, digamos, o prazer de bater a porta na cara publicamente, com uma denúncia, mas tive a satisfação de dialogar, de fazer o outro falar, de dizer a minha parte e, assim, a mensagem chegou.” 

Para ele, o verdadeiro comunicador deve ter a preocupação “que a mensagem chegue”, e, às vezes, no discurso midiático, a agressividade, muitas vezes, fecha as portas do diálogo. Com os militares, “não negociei a verdade”, afirmou, justificando ter usado as palavras necessárias para fazer-lhes compreender melhor seu pensamento, que já conheciam.

Além de cuidar das palavras com os políticos, o Papa fez o mesmo com o clero budista, que é muitas vezes um dos principais canais de difusão do nacionalismo birmano. O Bispo de Roma os lembrou do compromisso do Buda com a compaixão e a não violência. Discursou: “As palavras de Buda nos oferecem a todos uma guia: ‘Conquiste um homem irritado por meio do amor; conquiste o homem de má vontade por meio da bondade. Conquiste o avarento por meio da generosidade. Conquiste o mentiroso por meio da verdade.” 

E continuou: “São sentimentos parecidos aos que se expressam na oração atribuída a São Francisco de Assis: ‘Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão... Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.”
 

 

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Com os jovens, Papa conclui viagem a Mianmar: coragem e alegria

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30 de novembro de 2017

O Papa dedicou aos jovens seu último compromisso em terras birmanesas.

Com a missa celebrada na Catedral Santa Maria, em Yangun, Francisco se despediu de Mianmar com uma mensagem de encorajamento à futura geração.

Com a capacidade para acolher 1.500 pessoas, inúmeros fiéis acompanharam a celebração do lado de fora da Catedral e até mesmo pelas ruas.

Comoventes cantos da tradição local animaram a cerimônia, vivida em espírito de recolhimento pelos jovens vestidos todos com trajes típicos. 

“Vocês são uma boa-nova, porque são sinais concretos da fé da Igreja em Jesus Cristo, que nos traz uma alegria e uma esperança que jamais terão fim”, disse o Papa em italiano, intercalando a homilia com a tradução em birmanês.

Mas é possível falar de boas-novas quando tanta injustiça, pobreza e miséria estende a sua sombra sobre nós e o nosso mundo?, questionou Francisco.

“Contudo gostaria que deste lugar partisse uma mensagem muito clara. Gostaria que as pessoas soubessem que vocês não têm medo de acreditar na boa-nova da misericórdia de Deus, porque essa boa-nova tem um nome e um rosto: Jesus Cristo.”

O Pontífice pediu que os jovens sejam mensageiros desta boa-nova a todos que precisam de suas orações, solidariedade e paixão pelos direitos humanos, pela justiça e pelo crescimento daquilo que Jesus dá: amor e paz.

Comentando a primeira Leitura, em que São Paulo formula perguntas sobre o anúncio da boa-nova, Francisco disse que como “avô” gostaria de apontar aos jovens o caminho para serem mensageiros de Cristo.

Antes de tudo, que falem com Deus na oração, compartilhando com Ele os medos e as preocupações, os sonhos e as esperanças.

“Não tenham medo de colocar perguntas que façam as pessoas a pensar! Gostaria de pedir para gritar, mas não com a voz; gostaria que gritassem com a vida, com o coração, de modo a ser sinais de esperança para quem está sozinho.”

Não se atirem para a frente com as próprias forças, acrescentou Francisco, mas sigam Cristo. “Seja qual for a vocação, eu os exorto: sejam corajosos, sejam generosos e, sobretudo, sejam alegres!”

O Papa confiou todos os jovens à intercessão de Maria e com a saudação em birmanês – Myanmar pyi ko Payarthakin Kaung gi pei pa sei (Deus abençoe Mianmar) – concluiu sob aplausos a sua homilia. 

A Catedral Santa Maria ficou pequena para acolher todos os que gostariam de participar da Missa com Francisco, de modo que ao saír da igreja o Papa foi acolhido com alegria contagiante destes jovens que o aguardavam.

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Papa em Mianmar: só o perdão cura as feridas da violência

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29 de novembro de 2017

“O caminho da vingança não é o caminho de Jesus”: num país ferido por conflitos internos, o Papa falou do perdão e da compaixão na missa desta quarta-feira, 29, que marcou o tão aguardado encontro de Francisco com a comunidade católica de Mianmar.

Cerca de 150 mil fiéis participaram da celebração no complexo esportivo de Kyaikkasan Ground, a poucos quilômetros do Arcebispado de Yangun, para a primeira e única missa pública no país.

Caravanas de inúmeras partes do país compareceram cedo ao local e, mesmo após horas de espera, saudaram calorosamente Francisco do papamóvel, antes do início da cerimônia.

Em sua homilia, comentando as leituras do dia, o Pontífice recordou que Jesus não nos ensinou a sua sabedoria com longos discursos ou por meio de grandes demonstrações de poder político ou terreno, mas com a oferta da sua vida na cruz. O Senhor crucificado é a nossa bússola segura.

E da cruz vem também a cura, acrescentou o Papa. “Sei que muitos em Mianmar carregam as feridas da violência, quer visíveis quer invisíveis. A tentação é responder a estas lesões com uma sabedoria mundana que, como a do rei na primeira leitura, está profundamente deturpada. Pensamos que a cura possa vir do rancor e da vingança. Mas o caminho da vingança não é o caminho de Jesus.”

O caminho de Jesus é radicalmente diferente, afirmou Francisco, pois quando o ódio e a rejeição conduziram Cristo à paixão e à morte, Ele respondeu com o perdão e a compaixão.

O Pontífice falou do empenho da Igreja em Myanmar, que faz o que pode para levar o “bálsamo salutar da misericórdia de Deus” aos outros, especialmente aos mais necessitados.

“Há sinais claros de que, mesmo com meios muito limitados, numerosas comunidades proclamam o Evangelho a outras minorias tribais, sem nunca forçar ou constringir, mas sempre convidando e acolhendo. No meio de tanta pobreza e inúmeras dificuldades, muitos de vocês prestam assistência prática e solidariedade aos pobres e aos doentes”, destacou o Papa.

Ressaltando a missão caritativa “sem distinções de religião ou de origem étnica” da Caritas local e das Pontifícias Obras Missionárias, Francisco encorajou os católicos a continuarem a partilhar com os demais “a inestimável sabedoria” de Deus, que brota do coração de Jesus.

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Em encontro extraoficial, Papa recebe líderes religiosos em Yangun

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28 de novembro de 2017

Depois de presidir a celebração da missa na sede do Arcebispado, a terça-feira,28, do Papa Francisco em Yangun começou com um evento extraoficial: o Pontífice recebeu 17 líderes das diferentes religiões presentes em Mianmar.

Tratou-se de um reunião inserida sucessivamente à programação para ressaltar o valor que o país atribui ao diálogo inter-religioso – uma das finalidades desta 21ª viagem apostólica seja em Mianmar, seja em Bangladesh.

“Como é bonito ver irmãos unidos” foi o versículo de um Salmo citado por Francisco logo ao início, acentuando porém, que isto não quer dizer “iguais”.

“A unidade não é uniformidade, mesmo dentro da mesma Confissão (...). Somos todos diferentes e cada Confissão tem suas riquezas, suas tradições, suas riquezas para dar, para compartilhar. E isto somente pode existir, quando se vive em paz. E a paz se constrói no coro das diferenças. A unidade sempre se dá com as diferenças”, insistiu Francisco, e “a paz é isto, a harmonia”.

O Pontífice alertou sobre a tendência mundial à uniformidade, de fazer tudo igual. “Isto é matar a humanidade. Isto é uma colonização cultural”.

Nós devemos entender a riqueza de nossas diferenças, e é a partir destas diferenças que se dá o diálogo, enfatiza o Papa.

“Não tenhamos medo das diferenças. Um é o nosso Pai. Nós somos irmãos, disse Francisco. Nos queiramos como irmãos. E se discutimos entre nós, que seja como irmãos. Que em seguida se reconciliam. Sempre voltam a ser irmãos. Eu penso que somente assim se constrói a paz”.

“Obrigado, construam a paz, exortou Francisco. Não se deixem uniformizar pela colonização das culturas. A verdadeira harmonia divina se faz por meio das diferenças. As diferenças são uma riqueza para a paz”.

Ao concluir, o Papa “"permitiu-se" uma oração, de irmãos para irmãos”, rezando a Bênção Apostólicas contida no Livro dos Números.

No total, foram 40 minutos de encontro, no qual estavam presentes líderes budistas, hinduístas, muçulmanos, judeus, batistas e anglicanos.

Depois do almoço, o Papa regressou ao aeroporto de Yangun rumo à capital, Nay Pyi Taw, para a cerimônia oficial de boas-vindas e o encontro com as autoridades. Nesta ocasião, Francisco pronuncia seu primeiro discurso em terras birmanesas.

Em Nay Pyi Taw, o Pontífice se reúne também com “A Senhora”, como é conhecida a histórica ativista Aung San Suu Kyi, hoje Conselheira de Estado e a figura mais emblemática deste momento de transição da política birmanesa.

No final da tarde, o Papa volta a Yangun.

 

Imprensa

A imprensa local, seja os jornais em inglês, seja em birmanês, dedicou a primeira página à chegada do Pontífice, ressaltando a multidão em festa pelas ruas de Yangun.

“Milhares de pessoas lotam as avenidas para receber o Papa”, “multidão colorida acolhe o Santo Padre” foram algumas manchetes.

Os jornalistas prontamente noticiaram a visita inesperada ao Pontífice do Chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing, e as palavras dirigidas a Francisco de que “não existe opressão ou discriminação religiosa em Mianmar”. 

 

A capital

A cidade foi construída e planejada para ser a sede do governo, e é assim oficialmente desde 2006. Nay Pyi Taw também é conhecida pela desproporção entre a densidade populacional e o seu tamanho, suas avenidas largas e longas. Pelas ruas, se alternam momentos de vida ordinária com o absoluto silêncio e a ausência total de movimento. 

Com a capital, cresce também a Igreja Católica. Na cidade, existem somente duas paróquias. A reportagem do Programa Brasileiro visitou uma delas: a de São Miguel Arcanjo. Dois sacerdotes conduzem esta paróquia frequentada apenas por 30 famílias. Enquanto a igreja está em construção, as missas são celebradas só aos domingos num templo improvisado e a única atividade é a catequese para as crianças.

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Viagem do Papa ao Chile e Peru: 6 cidades em 6 dias

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14 de novembro de 2017

 A viagem do Papa Francisco ao Chile e Peru, de 15 a 22 de janeiro de 2018, já tem um programa detalhado, e foi divulgado nesta segunda-feira, 13, pelo Vaticano. 

Atividades começam dia 16 em Santiago

De Roma, o Papa voa direto, dia 15 para Santiago, no Chile, onde chega à noite. Terça-feira, pela manhã, está marcado o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio de La Moneda, onde está previsto o primeiro pronunciamento do Papa. A seguir, haverá um encontro de cortesia com o presidente, no Salão Azul do Palácio.

Ainda no mesmo dia, o Francisco presidirá a missa no Parque O’Higgins e fará uma breve visita ao Centro Penitenciário Feminino Santiago. Ele fará uma saudação aos presentes.

Depois o Papa irá à Catedral de Santiago para o encontro com sacerdotes, religiosos, consagrados e seminaristas. Na sacristia, sucessivamente, o Papa se reunirá com os bispos. A programação do dia 16 se encerra com uma visita ao Santuário de San Alberto Hurtado e um encontro a portas fechadas com os sacerdotes da Companhia de Jesus.

Quarta-feira, 17 de janeiro: Temuco

No dia seguinte, quarta-feira, 17, Francisco parte do aeroporto de Santiago e depois de 1h30 de voo, chega a Temuco, onde presidirá a Santa Missa no aeroporto de Maquehue e almoçará com moradores de Aracaunia na casa Madre de la Santa Cruz.

Na volta a Santiago, os jovens o esperam no Santuário de Maipu e enfim, fechando o dia, irá à Pontifícia Universidade Católica do Chile, último compromisso na capital chilena.

Quinta-feira, 18 de janeiro: Iquique

A terceira e última cidade visitada pelo Papa no Chile será Iquique. Ali, no dia 18, preside uma missa no Campus Lobito. Em seguida almoça na casa de retiros dos padres oblatos no Santuário Nossa Senhora de Lourdes. Após a cerimônia de despedida, o Papa segue às 17h para a segunda etapa de sua viagem apostólica: Lima, capital do Peru.

Chegando ao aeroporto, o protocolo prevê a tradicional cerimônia de boas-vindas, que encerra o programa oficial do dia.

No Peru, 19 de janeiro, de Lima para Puerto Maldonado 

Sexta-feira, 19, o dia começa bem cedo, com o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, seguido da visita de cortesia ao presidente do país. Às 10h, depois de 2 horas de voo, um dos eventos mais aguardados da viagem: o encontro no Coliseu Regional Madre de Dios com os povos da Amazônia, na cidade fronteiriça de Puerto Maldonado e com a população local, além de uma visita à casa infantil Principito. Retornando a Lima, Francisco terá um encontro privado com os membros da Companhia de Jesus na Igreja de São Pedro, último compromisso do dia.

Sábado, 20 de janeiro: Trujillo

Sábado, 20 de janeiro, Francisco faz outro voo, de 1h30, até a cidade de Trujillo, onde preside a missa na esplanada costeira de Huanchaco, faz uma volta em papamóvel pelo bairro “Buenos Aires” e visita a Catedral. Estão previstos ainda um encontro com os sacerdotes, religiosos e seminaristas no Colégio Seminário SS. Carlos y Marcelo e uma celebração mariana na Praça das Armas, antes de retornar para a capital.

Domingo, 21 de janeiro: Lima

Domingo,21, último dia da viagem, o Papa rezará a oração da Hora Média com religiosas de vida contemplativa no Santuário do Senhor dos Milagres  na catedral de Lima, fará uma oração junto às relíquias dos santos peruanos. No final da manhã terá um encontro com os bispos no Palácio Arquiepiscopal e rezará o Angelus na Praça das Armas. O almoço com a comitiva será na Nunciatura.

À tarde, a última missa do Papa no Peru, na Base Aérea “Las Palmas”, de onde segue para o aeroporto e parte para Roma. A chegada está prevista para segunda-feira, 22 de janeiro, no aeroporto romano de Ciampino. 

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