“Não amemos com palavras, mas com obras”

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14 de novembro de 2017

Inspirado pelo Ano Santo da Misericórdia, o Papa Francisco instituiu, em 21 de novembro de 2016, por meio de uma carta apostólica, o “Dia Mundial dos Pobres”.

A festa será celebrada no penúltimo domingo do ano litúrgico.

“Intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres”, escreveu Francisco, no documento ‘Misericórdia e mísera’, que encerrou o Jubileu.

O Pontífice declarou ser essa a “mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, para isso propõe-se a reflexão sobre o compromisso de ajudar os pobres

O I Dia Mundial dos Pobres será celebrado, neste ano de 2017, em 19 de novembro, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”

Em 13 de junho, Francisco escreveu uma mensagem para a primeira celebração da festividade:

 

MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA O I DIA MUNDIAL DOS POBRES

         (XXXIII Domingo do Tempo Comum – 19 de novembro de 2017)

                   Tema: «Não amemos com palavras, mas com obras»

 

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo, não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sal 34/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6, 3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

 

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca palpavelmente a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminhar atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2545).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Sabemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, para se poder identificar claramente a pobreza. E, todavia, esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos vincados pelo sofrimento, a marginalização, a opressão, a violência, as torturas e a prisão, pela guerra, a privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Antecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.

Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.

8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário. Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.

 

9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.

Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.

 

Vaticano, Memória de Santo António de Lisboa,

13 de junho de 2017.

Franciscus

(Fontes: Canção Nova, A12 e Rádio Vaticano)

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Paróquia Santa Bernadette testemunha a fecundidade da Igreja na cidade

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07 de novembro de 2017

A Paróquia Santa Bernadette, na Vila IVG, zona Leste de São Paulo, promoveu uma série de inciativas para celebrar os 60 anos de criação, completados na segunda-feira, 30 de outubro. O ponto alto das festividades foi a missa solene presidida por Dom Luiz Carlos Dias, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, no domingo, 29, na Escola Joaquim Braga de Paula.  

Criada em 30 de outubro de 1957 pelo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, então Arcebispo de São Paulo, essa Paróquia cresceu praticamente junto com o bairro localizado entre a Vila Industrial e o Parque São Lucas. 

Pároco há sete anos, o Padre José Antonio Tejada definiu a Paróquia, ao O SÃO PAULO , como uma comunidade muito viva e fecunda, caracterizada pela presença das famílias e dos jovens. Desde 1978, a Paróquia conta com a marcante presença do Caminho Neocatecumenal que atraiu inúmeras famílias. “Com o processo de iniciação cristã permanente, própria do movimento, começaram a surgir os frutos de casais abertos à vida e famílias verdadeiramente missionárias”, destacou Padre José Antonio, mencionando, ainda, as muitas vocações. “Atualmente, temos 11 padres ‘filhos da Paróquia’ e nove seminaristas em diferentes seminários”. Além dos consagrados, há na Paróquia famílias missionárias. “Hoje nós temos um casal missionário em Palmas (TO) e outro na China”, contou. 

 

Juventude

A presença significativa de jovens na Paróquia estimulou a criação, há quatro anos, da Pastoral do Pós-Crisma, com grupos que se reúnem semanalmente para o aprofundamento da formação cristã e partilha de experiências. São aproximadamente 130 jovens em 17 grupos, acompanhados por casais chamados de “padrinhos”, que recebem os jovens em suas casas. 

A presença dos jovens se deve especialmente à participação das famílias na vida eclesial. “Muitos cresceram acompanhando seus pais e hoje continham a sua caminhada na Igreja. E aqueles que não vêm por causa dos pais, vêm por causa dos amigos e depois acabam trazendo seus pais. Há muitos pais que estão hoje na Paróquia, porque os filhos os trouxeram”, destacou Padre Túlio.

Em relação aos jovens, é uma tradição da Paróquia participar das jornadas mundiais da juventude. Para isso, há uma mobilização de toda a comunidade com a promoção de eventos e iniciativas para arrecadar fundos para a viagem dos jovens. Os paroquianos correspondem bastante. Na última jornada, em Cracóvia, na Polônia, em 2016, a Paróquia enviou 54 jovens. 

 

Família de Famílias

A Vila IVG é um bairro que tem sua origem nas muitas famílias que migraram do Nordeste ou do interior de São Paulo para a Capital Paulista. Bastante residencial e com poucos prédios, até hoje as relações de parentesco entre os moradores são muito marcantes, o que faz da comunidade eclesial uma família de famílias.

Esse clima familiar também reflete no espírito solidário da Paróquia. “Quando alguém adoece, vemos uma mobilização das pessoas, seja pelas orações ou pelas ajudas prestadas”, relatou Padre José Antonio. “Aqui há muitas pessoas em condições de vida mais precárias e há uma solidariedade muito forte entre os moradores. Nós montamos e distribuímos uma média de 30 cestas básicas por mês. Nem todas as pessoas que recebem esse auxílio são membros ativos da comunidade paroquial, mas veem na Paróquia uma referência e socorro em suas necessidades”, acrescentou. 

 

Grupos de rua

Outra realidade pastoral marcante na Paróquia há décadas é a dos grupos de rua, expressão concreta da “comunidade de comunidades”, ressaltada no Documento de Aparecida. Esses grupos se reúnem semanalmente para celebrarem em torno da Palavra de Deus. O Pároco salientou que o desafio atual em relação a esses grupos é conscientizar as novas gerações a continuarem o trabalho. “A maioria dos membros das famílias não tem conseguido manter os filhos como continuadores da tradição. Essa é uma realidade não só desta Paróquia, mas do Setor e da Região Episcopal”, disse.

 

Festividades

As comemorações do aniversário de 60 anos começaram em abril, com a realização de um festival de músicas, em que foram apresentadas 14 canções compostas por paroquianos sobre a história da Paróquia ou relacionadas à devoção à padroeira. Em maio, aconteceu um evento no qual foi apresentada a história da vida de Santa Bernadette Soubirous, testemunha das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, na França. A pesquisa e apresentação foram feitas pelo Padre Túlio Felipe de Paiva, Vigário Paroquial. 

Além da tradicional festa junina, a programação dos 60 anos também contou com uma exposição histórica da Paróquia, durante o mês de julho. Em agosto, o destaque foi a Semana Nacional da Família, com a realização de palestras sobre o tema e presença de diversos bispos. Em setembro, os jovens apresentam um musical sobre a vida da padroeira. 

No sábado, 28 de outubro, foram lançados um CD comemorativo, com as canções apresentadas no festival de música, e um livro de poesias sobre os 60 anos da Paróquia, escritas por paroquianos ao longo do ano. Nessa mesma ocasião, foi inaugurado o novo sino da igreja. Devido a uma rachadura, o sino anterior ficou por 22 anos parado. Segundo o Pároco, a volta do toque do sino tem um grande significado para a presença da Igreja no bairro, uma vez que esse é um dos mais antigos sinais de convite ao povo para o encontro com o Senhor. 

 

Sínodo

Ao completar 60 anos, a comunidade da Paróquia Santa Benadette está animada para celebrar o primeiro sínodo arquidiocesano, convocado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. “Já formamos uma comissão paroquial para levar em frente os trabalhos e temos participado das reuniões promovidas pela Arquidiocese. Estamos acompanhando os passos e orientações da Arquidiocese. Estamos unidos à Igreja e aos nossos bispos”, garantiu o Padre José Antonio.
 

 

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A dignidade do sepultamento Cristão

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01 de novembro de 2017

A morte foi percebida, desde sempre, como um drama para a humanidade. Ao longo dos anos, muitas tradições foram sendo incorporadas ao velório e ao sepultamento, de acordo com a realidade cultural de cada país ou região. Mas, afinal, o que a Igreja Católica orienta para que uma pessoa seja sepultada dignamente?  Nos primeiros tempos do Cristianismo, por exemplo, os cristãos construíam igrejas sobre os túmulos dos santos e mártires e, assim, mantinham viva não só a memória daqueles santos, mas também a esperança na vida eterna. 

No dia 2 de novembro, toda a Igreja celebra a Comemoração dos Fiéis Defuntos, popularmente conhecido como Dia de Finados. Nessa data, muitas pessoas recordam, uma vez mais, seus entes queridos e por eles rezam. O Catecismo da Igreja Católica, dos artigos 1680 a 1690, fala sobre os funerais cristãos e indica que “todos os sacramentos, principalmente os da iniciação cristã, têm por finalidade a última Páscoa do Filho de Deus, aquela que, pela morte, o fez entrar na vida do Reino”. 

O texto continua recordando que “o sentido cristão da morte é revelado à luz do mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, em que repousa nossa única esperança”. Nessa perspectiva, a morte é sempre vista a partir da Páscoa de Cristo e, como disse Paulo à comunidade de Corinto, “assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” (1 Coríntios 15, 20-21).

O Catecismo insiste, ainda, que a Celebração Eucarística é o “coração da realidade pascal da morte cristã”, mas que existem outros ritos realizados por ocasião dos funerais para que o mistério da morte seja iluminado pela Ressurreição de Cristo. “Ela [a Igreja] oferece ao Pai, em Cristo, o filho de sua graça e deposita na terra, na esperança, o germe do corpo que ressuscitará na glória. Essa oferenda é plenamente celebrada pelo Sacrifício Eucarístico. As bênçãos que a precedem e a seguem são sacramentais.” 

Dois são os objetivos principais da Igreja ao realizar o rito das exéquias: “exprimir a comunhão com o defunto e fazer a comunidade reunida participar das exéquias e lhe anunciar a vida eterna”. As missas – de corpo presente ou as de aniversário de sétimo ou trigésimo dia –  também são, de acordo com o Catecismo, “um acontecimento que deve fazer ultrapassar as perspectivas deste mundo e levar os fiéis às verdadeiras perspectivas da fé em Cristo Ressuscitado”.

 Já os costumes como a colocação das coroas de flores, o tempo destinado ao velório ou outros tipos de homenagens não fazem parte das orientações da Igreja acerca dos rituais de despedida. Eles são organizados de acordo com a disponibilidade de cada grupo familiar ou comunitário.

 

Dignidade sim, exagero não

Quando Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, morreu, vítima do terremoto que aconteceu no Haiti, em janeiro de 2010, seu corpo foi translado para o Brasil, onde aconteceu o funeral. Os familiares, comovidos e emocionados pela morte de uma pessoa tão conhecida e amada, pediram que todos os que tivessem o desejo de prestar uma homenagem a ela destinassem o dinheiro que, provavelmente, seria gasto na compra de flores, para a conta da Pastoral da Criança. O pedido foi atendido e a Pastoral arrecadou um valor significativo para dar continuidade à missão do organismo junto as crianças de todo o Brasil. 

Rafael Alberto, 33, passou por uma experiência que o fez pensar sobre o quanto a carga emocional vivida no momento da morte de um ente querido pode fazer com que as pessoas se preocupem mais com questões práticas e materiais do que com as questões espirituais. 

Quando morreu seu tio-avô, na manhã do dia 15 de outubro, Rafael ficou, durante todo o dia, tratando de questões, como a espera da liberação do corpo do Instituto Médico Legal (IML) e do atestado de óbito. “Quando, às 20h, fui até a agência para realizar a escolha da urna funerária e a taxa de sepultamento, no nosso caso, do crematório, eu estava exausto e nem questionei ao agente que me ofereceu os pacotes qual era o valor de cada item. Sei que o conjunto dos serviços ficou em torno de R$ 2 mil – o pacote mais barato. Uma parte – R$ 932 – eu paguei ali e a outra deveria pagar no local onde seria o velório”, contou Rafael à reportagem. 

Quando Rafael e seus familiares chegaram ao lugar do velório era quase meia-noite e apenas às 2h viria o carro que levaria o corpo para o Crematório de Vila Alpina. “Antes de chegarem as flores, perguntei aos funcionários que estavam colocando o caixão na sala, para quem eu deveria pagar o restante e eles me mostraram o recibo onde constava que todas as taxas estavam já pagas. O valor que faltava, de R$ 1 mil, era pelo serviço de floricultura. Foi quando me dei conta de que pagaria R$ 1mil por duas coroas de flores que seriam colocadas numa sala minúscula e ficariam ali por não mais que duas horas. Quando as flores chegaram, não duvidei. Disse que não tinha ficado claro para mim que pagaria tanto por aquele serviço e o dispensei”, continou.

Depois de uma conversa com o dono da floricultura, o serviço foi enfim dispensado e, logo em seguida, chegou o carro que faria o translado do corpo. “Quando passou tudo, me dei conta de que o caixão e todas as taxas – como o transporte, a cremação, as velas e até mesmo as flores postas sobre o corpo ou o véu que foi colocado sobre o rosto do meu tio – ficaram no valor de R$ 932. Pensei em quanto, por desconhecimento, as pessoas acabam pagando muito mais e não têm noção sobre o quanto, de fato, custa realizar um funeral na cidade de São Paulo”. 

Rafael comentou, também, que, ainda hoje, para muitas pessoas, a dignidade e a homenagem prestada à uma pessoa querida são medidas pelo luxo do caixão ou o tipo de flores colocadas ao redor do morto. “Nós chamamos um padre para que ele realizasse o rito das exéquias e todos estávamos muito unidos naquele momento. Tudo foi simples, mas bonito e digno e a situação me fez pensar muito sobre o quanto as pessoas podem até ser enganadas, porque, no momento de dor e emoção, nem sabem exatamente o que estão pagando”, comentou ao O SÃO PAULO.

 

Máfia das funerárias em São Paulo

Desde 2012, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga pessoas que podem estar envolvidas na “máfia do serviço funerário na cidade de São Paulo”. De acordo com a reportagem publicada em junho de 2015, pelo site de notícias G1 , o que acontece é a ação de atravessadores que “tentam ganhar dinheiro oferecendo a quem perdeu parentes ou amigos serviços funerários mais caros e feitos por empresas particulares, o que é considerado ilegal [pois no município de São Paulo este serviço é prestado exclusivamente pela Prefeitura]. A ação acontece em agências funerárias municipais, cemitérios, hospitais e ocorre com a ajuda de funcionários públicos”. 

A reportagem procurou o Ministério Público de São Paulo para saber sobre o andamento da investigação e recebeu a seguinte resposta, via assessoria de imprensa: “Chegou até o MPSP uma representação no dia 15 de setembro [de 2017] para apurar o Serviço Funerário de São Paulo em relação ao favorecimento a cooperativas funerais. A apuração está no começo para cumprimento de algumas diligências. Ainda não é inquérito civil e sim representação.”  Sobre a investigação que começou em 2012, não houve resposta até o fechamento desta edição.

 

A Igreja Católica proíbe a cremação? 

Quando o assunto é morte, muitas dúvidas surgem e algumas delas precisam ser respondidas com rapidez para ajudar familiares e amigos a compreenderem e viverem o momento do luto, para além do desespero ou da dor.

Uma questão que tem sido vivenciada pelas famílias, principalmente nas grandes cidades, é a opção por sepultar ou cremar o corpo do falecido. Na cidade de São Paulo, para as famílias que não têm jazigos próprios, a Prefeitura disponibiliza covas em cemitérios que devem ser utilizadas por prazos determinados. Após um tempo de três anos, por exemplo, a família precisa retirar os restos mortais – caso o corpo já tenha se decomposto inteiramente – e dar outra destinação para os ossos.

Em relação à cremação, contudo, no dia 25 de outubro de 2016, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu a Instrução Ad resurgendum cum Christo (para ressuscitar com Cristo), sobre o sepultamento dos falecidos e a conservação das cinzas da cremação.

Na apresentação da Instrução, o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, explicou que a norma vigente em matéria de cremação de cadáveres é regulada pelo Código de Direito Canônico e diz que “a Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã”.

A Igreja recomenda, contudo, que os corpos dos falecidos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado. Em entrevista ao O SÃO PAULO , escrita logo após a publicação da Instrução, em novembro de 2016, o Cônego Antonio Manzatto, Doutor em Teologia e Professor da PUC-SP, falou sobre a importância de se tratar, com o máximo respeito, os restos mortais de uma pessoa. “É verdade que as pessoas não estão resumidas no corpo, mas o corpo foi a sua maneira de estar no mundo. Portanto, respeitar seus restos mortais é, de alguma forma, respeitar as pessoas e sua dignidade”, explicou.

Na ocasião, ele disse, ainda, que “se tratamos de qualquer maneira os restos mortais, isso significa que não valorizamos nada daquilo que está no mundo. E a Igreja sempre foi favorável de que se valorizem as coisas que estão no mundo, uma vez que o ser humano existe nele. É uma maneira de ter presente que o mundo não começou conosco. Não somos as primeiras pessoas do mundo, viemos não só de alguns lugares, mas de algumas pessoas, de seus projetos e suas ideias. Nós somos antecedidos por pessoas que prepararam o mundo, que nos testemunharam sua fé. Respeitar seus restos mortais é uma forma de respeitar sua memória”, acrescentou o Cônego.

 

Sobre a Conservação Das Cinzas

•  Em relação ao sepultamento, a Igreja recorda que independentemente da escolha feita – enterro do corpo ou cremação – não se pode ofender os ritos próprios, ou seja, comportamentos e ritos que envolvam concepções errôneas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fusão com a mãe natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reencarnação; seja ainda, como a libertação definitiva da “prisão” do corpo;
•  Outra recomendação é a de que as cinzas sejam conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica. A conservação das cinzas em casa não é consentida. Somente a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais poderão autorizar a conservação das cinzas em casa em casos especiais;
•  As cinzas, por sua vez, também não podem ser divididas entre núcleos ou membros familiares, e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação delas;
•  Por fim, não é permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda, a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos.

Quanto Custa morrer em São Paulo?

As informações sobre os custos da realização de funerais na Capital Paulista estão disponíveis no site da Prefeitura. Ao procurar por “Serviço Funerário” e clicar em “tabela de preços”, o usuário terá a opção de acessar as páginas do Diário Oficial da União, onde estão publicados os valores. O preço de uma urna funerária, por exemplo, varia de R$ 138 a R$ 10.889, e as demais taxas estão relacionadas proporcionalmente ao valor da urna. O atestado de óbito é sempre gratuito, além disso, as pessoas que comprovarem baixa renda e não tiverem condições de arcar com as despesas de funeral são dispensadas das taxas. Com um valor em torno de R$ 1 mil é possível pagar todas as despesas com velório e sepultamento ou cremação.



 

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