Celebração em Moema pelo tricentenário de bênçãos e obras de fé

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23 de outubro de 2017

Em preparação para a celebração do Jubileu de 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul, a primeira paróquia de Nossa Senhora Aparecida construída em São Paulo, localizada em Moema, passou por uma readequação em seu espaço e restauração em seu campanário. 

A reinauguração ocorreu na quinta-feira, 12, durante a sexta celebração do dia, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, também com a presença dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, que peregrinaram a pé até a Praça Nossa Senhora Aparecida, onde foi celebrada a missa campal.

Na homilia, Dom Odilo destacou a importância da experiência da peregrinação realizada por tantos brasileiros em razão do jubileu, e relembrou o vínculo da Basílica de Aparecida com a Arquidiocese de São Paulo, o que justifica a devoção de tantos paulistanos à Padroeira do Brasil.

 

Sinos: um chamado das pessoas para o sagrado

Durante a celebração, o Padre Ederaldo Macedo, Pároco, disse que há 40 anos os sinos de Nossa Senhora Aparecida, São José e Santa Rita “pararam de conversar”. Esses são os sinos que integram o campanário da Paróquia em Moema. Sinos são considerados sinais e representam a igreja de Deus no lugar onde são badalados. Antigamente, as pessoas organizavam suas agendas diárias por meio do toque dos sinos. Segundo o Pároco, o som que se transmite por intermédio deles é um chamado: “Hoje, por incrível que pareça, em uma cidade barulhenta como São Paulo, o sino tem a função de chamar as pessoas para o sagrado. Ainda existe uma ilha de sagrado no meio de uma selva de pedra, no meio de tanto compromisso. É extremamente importante, o sino nos remete a Deus, é um abrir de portas”, concluiu o Padre.

O Pároco entregou a Dom Odilo, no altar, um botão para acionar o campanário da Paróquia. Quando o Cardeal o acionou, os fiéis fizeram silêncio aguardando o primeiro toque. De repente, luzes coloridas e um som alto vieram da torre central, que precederam as palmas dos fiéis. 

O restauro do campanário foi patrocinado pelo Grupo Comolatti, por ocasião dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida. Na missa, Sérgio Comolatti, Presidente do Grupo, esteve acompanhado da esposa, Ana Lúcia. A automação dos sinos coube ao engenheiro Márcio Tamura, da empresa Beltec Sinos e Relógios Ltda. Essa é a 10ª igreja que tem os sinos restaurados pelo Grupo Comolatti. Anteriormente, foram restaurados os sinos da Catedral da Sé, da Basílica Nossa Senhora da Assunção - Mosteiro de São Bento, da Paróquia San Gennaro, da Paróquia São Vito Mártir, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, da Igreja da Boa Morte, da Paróquia Bom Jesus do Brás e da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate.
 

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Igreja Nossa Senhora Aparecida é elevada a santuário

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19 de outubro de 2017

Centenas de fiéis participaram na tarde da quinta-feira, 12, da celebração que marcou a criação do Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, localizado no número 781 da rua Labatut, no bairro do Ipiranga. O ato de elevação da igreja aconteceu durante a sétima celebração do dia no templo, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer. 

Na saudação inicial, Dom Odilo recordou que a decisão de elevar a igreja a santuário é decorrente de dois marcos: o Jubileu Tricentenário da Padroeira do Brasil e os 75 anos de fundação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Na sequência, foi lido o decreto de aprovação do Santuário, e o Padre Anísio Hilário, Pároco há quase seis anos, foi nomeado pelo Cardeal para exercer a função de Reitor do Santuário. 

O Cardeal Scherer rememorou a importância histórica da edificação que remonta o IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942: “Aqui foi trazida a imagem de Nossa Senhora Aparecida que está aí e que esteve durante todo o Congresso lá no Vale do Anhangabaú”. Terminado o Congresso, o então Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d’Affonseca e Silva, confiou ao Padre Mário Marques e Serra a incumbência de construir uma igreja que acolhesse a primeira imagem peregrina do Congresso Eucarístico de 1942: uma réplica da imagem da Santíssima Virgem de Deus, sob a invocação de Nossa Senhora Aparecida. 

A memória histórica de Nossa Senhora Aparecida, do Congresso e da fundação da igreja está retratada nas paredes do templo e no coração de paroquianos como Maria Aparecida Scapuccin, 78. A Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão participa da comunidade há mais de 60 anos, desde que esta ainda era uma Capela. Ela recordou, com muita alegria, as iniciativas do Padre Mário e do Padre Cosmo Maestri, segundo Pároco, para angariar recursos que pudessem financiar a construção da igreja que iria abrigar a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Campanhas do tijolo, do alumínio, do livro de ouro, rifas de carros vêm facilmente à memória dos moradores mais antigos do bairro, como Maria Aparecida, que se regozija por fazer parte de uma grande obra de Deus e de homens em honra à Padroeira do Brasil.

 

Maria: importante para os católicos e para a Igreja

Na homilia da celebração, Dom Odilo destacou momentos significativos do Ano Mariano Nacional, que se concluía, como a carta pastoral “Viva a Mãe de Deus e nossa”, que serviu de motivação e orientação para a vivência do Ano Mariano; e as visitas às paróquias e comunidades da Arquidiocese de São Paulo da imagem peregrina da Padroeira do Brasil.  O Cardeal afirmou que para a Igreja, a Santíssima Virgem Maria foi a verdadeira discípula de Jesus Cristo e, por isso, modelo para o discipulado com seu testemunho de oração, de escuta da Palavra de Deus e de união de sua vida à vida de Jesus. 

Pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Dom Odilo exortou que o novo Santuário seja “um sinal de esperança para o povo, sinal de consolo, sinal de conforto na hora da dor, e também um sinal de alegria e solidariedade fraterna”, finalizou. 

 

Novo santuário: 75 anos de história no Ipiranga

O Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida é uma das edificações mais antigas do bairro do Ipiranga, que traz na identidade as marcas da história do Brasil. O templo da rua Labatut faz parte do patrimônio artístico e cultural da região e da cidade. De estilo gótico, é uma verdadeira obra de arte e considerada, por isso, monumento histórico da Capital, conforme decreto municipal 4.104, de 19 dezembro de 1958. 

O Coordenador de Pastoral da Região Ipiranga, Padre Pedro Luiz Amorim, considera que a igreja “é um verdadeiro monumento, um esforço do povo e do padre, uma igreja que demorou mais de 30 anos para ser construída... e que mostra, justamente, a comunhão do povo, esse sinal de um povo que ama muito a Igreja, ama muito a Mãe de Nosso Senhor e que, por isso, se esforçou muito para ter o melhor lugar para receber essa herança do Congresso Eucarístico Nacional”. 

Morador do bairro há 35 anos, o Padre José Oscar Beozzo, que também é historiador, concelebrou a missa do dia 12. Ele afirma que a igreja é um marco do Congresso Eucarístico de 1942 e acredita que a grande mudança com a elevação a Santuário é que “a vocação de animar a devoção a Nossa Senhora Aparecida agora se estende a todo o território da Arquidiocese”. 

 

Igreja: povo de Deus 

Apenas no dia 12 de outubro, mais de 30 mil pessoas passaram pelo local para reverenciar Nossa Senhora Aparecida, de acordo com o Padre Anísio Hilário. “Com a elevação a Santuário, a atenção e os serviços aos romeiros vão concentrarse, sobretudo, nas bênçãos, celebrações, confissões e gestos de caridade”, destacou o Sacerdote que atualmente conta com o auxílio do Vigário, Padre Messias de Moraes. 

A primeira obra do novo Santuário já está em andamento: a sala dos milagres, espaço onde os objetos deixados pelos devotos, além de cartas contando milagres atribuídos a Nossa Senhora, entre tantas outras recordações, serão expostos. 

Com uma comunidade bastante atuante, toda a festa, que teve início com a novena no dia 3, foi preparada pelo Conselho de Pastoral. O casal Antônio Mota e Maria Cristina, que coordena a Pastoral Catequética, está na função há quatro anos e comemora os frutos da dedicação: no início, a Pastoral atendia 23 crianças e hoje são 150. Antônio, 56, considera que o resultado positivo do trabalho se deva à integração das famílias à Iniciação a Vida Cristã.  Morador do bairro há 40 anos, o Coordenador observa a vocação peregrina da Igreja há muito tempo e diz que as pessoas lá chegam com muita fé, do Panamá, do Chile, da Argentina, para citar alguns exemplos. “Com essa bênção, espero que possamos receber ainda mais os peregrinos”, comemora. 

Maria da Conceição, 60, integra a Pastoral da Caridade. Devota de Nossa Senhora Aparecida, encontrou na Paróquia um espaço e acolhida para vivenciar a herança de fé transmitida pelo pai, desde que chegou da cidade de Lins (SP). Com olhos marejados pelas lembranças despertadas das idas ao Santuário Nacional, no Vale do Paraíba, ela alargou um sorriso ao contar da alegria de pertencer a uma comunidade fraterna que todos os meses assiste 120 famílias carentes com cestas básicas, fruto das doações. 

 

A Arquiudiocese de São Paulo tem 6 santuários:

-  Nossa Senhora Aparecida (Ipiranga)
- Santa Edwiges (Ipiranga)
- São Judas Tadeu (Ipiranga)
- Sagrado Coração de Jesus (Sé)
- Nossa Senhora de Fátima (Sé)
- São Francisco (Sé)
 

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Em testemunho de fé, arquidiocese festeja os 300 anos da Mãe Aparecida

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25 de outubro de 2017

A Arquidiocese de São Paulo celebrou solenemente os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, com uma missa campal no Largo Santa Ifigênia, no centro da cidade, na manhã da quinta-feira, 12. 

Trazida em carreata desde a Ponte do Piqueri, na zona Noroeste, a imagem peregrina da Padroeira do Brasil foi acolhida com uma salva de palmas pelos fiéis. Desde setembro, a imagem foi levada em procissão pelas águas do rio Tietê a 11 cidades paulistas, no projeto Tietê Esperança Aparecida. 

“Em todo lugar que a imagem passou, houve essa manifestação de fé, de esperança e de alegria. Esse projeto tem como objetivo dizer que o rio Tietê não é esgoto, onde se joga tudo que não presta, mas sim um presente de Deus, que tem de ser cuidado pelo governo e por todos nós”, disse, ao O SÃO PAULO , o Padre Palmiro Carlos Paes, criador e organizador da iniciativa desde 2004. 

 

Nossa Senhora junto aos fiéis e à Igreja

“A imagem de Nossa Senhora Aparecida está no meio do povo, é parte do povo de Deus”, disse o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, no começo da missa, quando também lembrou que os católicos não adoram imagens marianas ou de santos: “Nós as honramos, veneramos, mas não as adoramos, pois adoramos só a Deus”.

O Arcebispo, na homilia, lembrou que Maria intercede junto a Deus por toda a humanidade e pela Igreja, e convida ao seguimento a Cristo. “Ela nunca vai querer tomar o lugar de Deus ou de Jesus, pois sabe que é intercessora. É a Mãe mestra, catequista e evangelizadora, que sempre nos ajuda a acertar o passo. Por isso, recorrendo a Ela, somos levados a ser melhores cristãos, pessoas mais éticas e corretas, pessoas de fé, que realizam o bem na vida”, afirmou.

 

Profanação da fé e cuidado com as crianças

Ainda na homilia, Dom Odilo criticou, de modo enfático, os recentes episódios de profanações aos símbolos da fé católica, alguns como supostas manifestações de “arte”. 

“As imagens sagradas representam Maria, Nosso Senhor Jesus Cristo e os santos. Elas são uma forma de visibilizar aquilo que cremos e que temos afeto. Por isso, as profanações das imagens sagradas, dos objetos de devoção, da Eucaristia e do crucifixo, devem ser profundamente questionadas publicamente, também na Justiça, porque a nossa Constituição protege os objetos de culto, as devoções e as expressões religiosas. A profanação ofende profundamente a Deus e as pessoas que creem. Por isso, digo hoje, publicamente e claramente: não podemos aceitar!”, enfatizou.

Fazendo menção ao Dia das Crianças, o Cardeal lamentou “a exposição de crianças a situações inconvenientes e fora de propósito”, como nos recentes episódios de intervenções consideradas artísticas. Ele lembrou, ainda, que é dever do Estado e da sociedade garantir o bem estar das crianças, e fez um pedido aos pais: “Pelos seus filhos, em primeiro lugar, vocês respondem diante da sociedade e diante de Deus. Não terceirizem seus filhos! Não terceirizem a responsabilidade pela educação dos seus filhos!” 

 

Com Maria pelas ruas do centro 

Na parte final da celebração, foi lido o decreto de aprovação do Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida (leia mais na página 12), e o Cardeal rezou para que a Padroeira do Brasil interceda pelas necessidades do povo brasileiro, pelo fim da corrupção no País e para que as decisões políticas sejam sempre tomadas em favor da população.

Após a missa, durante quase uma hora, aconteceu a procissão com a imagem da Padroeira pelo centro da cidade, concluída no Vale do Anhangabaú, onde Dom Odilo rezou com os fiéis a oração de Consagração a Nossa Senhora Aparecida e pediu a intercessão da Virgem Maria pelo bom êxito do sínodo arquidiocesano. 

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Sinal do amor da Mãe de Deus pelo Brasil

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13 de outubro de 2017

Todos os anos, o Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, recebe em média 12 milhões de peregrinos. De ônibus, de carro, a pé, a cavalo, de motocicleta ou bicicleta, homens e mulheres, de diferentes idades, vão à imensa Basílica atraídos por uma experiência de fé nascida em torno de uma pequena imagem da Virgem Maria de apenas 40 centímetros de altura, encontrada por pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717.

Nos dias de maior movimento, os fiéis chegam a levar horas em longas filas para poderem, por alguns instantes, elevar suas preces de súplica e agradecimento diante da Padroeira do Brasil. O compositor Renato Teixeira, em sua canção “Romaria”, descreveu com precisão a experiência simples e contemplativa dos romeiros com Nossa Senhora Aparecida: “Só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar”.

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'O restauro da imagem e de uma vida de fé'

E assim, há três séculos, tem crescido a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Diante dela se curvaram em prece escravos, imperadores, princesas, nobres, pobres, ricos, pontífices e santos.

 

Origem

Praticamente nada se sabe sobre a origem da imagem, apenas de se tratar de uma escultura em terracota de Nossa Senhora da Conceição. A devoção se popularizou no Brasil por influência dos colonizadores portugueses, especialmente os missionários franciscanos, grandes propagadores da imaculada conceição da Virgem Maria. Sabese, ainda, que no final do século XVII, os primeiros bandeirantes que passaram pelo Vale do Paraíba a caminho de Minas Gerais levavam consigo imagens sacras.

Alguns estudiosos defendem que a imagem encontrada pelos pescadores em 1717 revela forte influência das produzidas por dois artistas sacros daquela época, ambos monges beneditinos que trabalhavam com a técnica de barro semelhante à da imagem de Aparecida. O primeiro deles é Agostinho da Piedade (1580-1661), do Mosteiro de São Bento de Salvador (BA), considerado um dos pioneiros da arte religiosa brasileira. O segundo é Agostinho de Jesus (1600- 1661), provavelmente discípulo do primeiro, que viveu durante muitos anos em Santana do Parnaíba (SP).

Outra possibilidade é que a imagem tenha sido confeccionada por um “santeiro” anônimo da região, conhecedor da técnica de esculpir com a argila e talvez seguidor de Agostinho de Jesus. No entanto, não há comprovação da autoria.

Segundo informações do Centro de Documentação e Memória do Santuário Nacional de Aparecida, peritos constataram que a imagem primitiva era colorida, tinha a pele do rosto e das mãos brancas, um manto de cor azul escuro e o forro vermelho granada. Essas eram as cores oficiais, conforme determinação do Rei Dom João IV, em 1646, quando tornou Nossa Senhora da Conceição padroeira do Reino de Portugal e seus domínios. Acredita-se que a imagem perdeu a pintura original com deterioração causada pela água e a lama contida no fundo do rio. A coloração escura também se deve à fumaça das inúmeras velas acesas pelos devotos, especialmente nos primeiros anos de devoção.

 

Imagem sacra

A única coisa que se sabe com certeza é a circunstância do encontro da imagem e a experiência de fé vivida a partir desse fato histórico. Padre Valeriano dos Santos Costa, Teólogo e Professor de Liturgia da Faculdade de Teologia da PUC-SP, afirmou ao O SÃO PAULO que no encontro da imagem em si, há perguntas que não podem ser respondidas senão pelo horizonte da fé, tais como: “Por que os pescadores não descartaram uma imagem sem cabeça, coisa tão natural naquele tempo no fundo dos rios? Por que ao lançar as redes pela segunda vez, encontraram a cabeça da própria imagem em outro lugar do rio? Por que se seguiu uma pesca abundante em um período de escassez de peixes? Aliás, Paraíba, em língua indígena, significa rio imprestável para peixes”

O Teólogo explicou, ainda, que o tricentenário de Nossa Senhora Aparecida é uma oportunidade de refletir sobre a vivência religiosa a partir das imagens sacras. Desde os primeiros séculos do Cristianismo, as imagens sagradas fazem parte do culto e da arte cristã. Nas catacumbas romanas, por exemplo, havia inúmeras imagens e pinturas sacras. “A imagem do santo passa ser sagrada, na medida em que é proposta como sinal sensível para veneração ao santo na liturgia. Houve questionamentos, sobretudo no mundo oriental, sobre as imagens de santos. A oposição às imagens foi chamada de ‘iconoclastia’. A Igreja tratou dessa questão no II Concílio de Nicéia e aprovou o uso de imagens sagradas na veneração dos santos, costume que permanece até hoje”, disse.

 

Mediação visível do sagrado

Para o culto católico, os santos são heróis e exemplos de vida. “Então, cultuá-los implica reconhecer que sua imagem é sagrada, na medida em que se torna media- ção visível do próprio santo, como as fotografias e lembranças de pessoas queridas”, acrescentou Padre Valeriano.

Ainda sobre o culto aos santos, a Teologia católica ressalta que esse não se trata de um culto de latria, devido somente a Deus e que consiste em reconhecer nele a divindade. O que se presta aos santos é o culto de dulia, ou seja, veneração, respeito e devoção. No caso de Nossa Senhora, por seu papel e significado na história da salvação, é prestado o culto especial de hiperdulia.

“O fiel católico tem plena consciência de que a imagem não é o santo, mas simplesmente uma imagem com caráter simbólico. Porém, o caráter simbólico não permite banalização, pois o símbolo remete a algo transcendente, algo que supera o próprio objeto material do símbolo. Por isso, nenhum símbolo pode ser banalizado”, salientou Padre Valeriano, citando, como exemplo, o vídeo que circulou recentemente na internet, no qual o artista Antonio Obá aparece nu ralando uma imagem de gesso de Nossa Senhora Aparecida até transformá-la em pó. “Não importa o sentido que ele quis dar. O que importa é que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é uma das imagens mais sagradas deste País... Por isso, os internautas estão reagindo em peso contra o que consideram um gesto agressivo à fé e a um símbolo reconhecido pela maioria do povo brasileiro”

Padre Valeriano completou que a experiência de fé vivida em torno de Nossa Senhora Aparecida conduz a um encontro com Jesus Cristo, centro da fé. “Normalmente, ninguém vai a Aparecida sem participar de uma missa ou se confessar. E isso é voltar para Cristo. Não há nenhuma experiência verdadeiramente mariana que não seja cristológica”, afirmou o Teólogo, reforçando que acreditar na atuação da Virgem Maria no mistério pascal é também um ato de fé.

 

Manto e coroa para a Rainha do Brasil

Em 22 de agosto de 1822, 15 dias antes da proclamação da independência do Brasil, Dom Pedro I visitou Aparecida e prometeu, diante da imagem, consagrar o Brasil a Nossa Senhora, caso resolvesse favoravelmente a situação política que enfrentava com a coroa portuguesa. Anos mais tarde, em 1843, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina também visitaram a Capela de Aparecida para rezar diante da imagem.

Em 1868, a Princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, participou das festividades de Aparecida, na época celebrada no dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição. Acompanhada de seu esposo, o Conde d’Eu, a Princesa rezou para obter a graça de ter um filho. Como sinal de devoção, ela doou um manto ornado com 21 brilhantes, representando as 20 províncias do Império, mais a capital. Em 1884, a Princesa voltou a Aparecida, com seus três filhos, para agradecer a graça recebida, oferecendo, dessa vez, uma coroa de ouro 24 quilates, de 300 gramas, cravejada de brilhantes. Essa foi a coroa com a qual a imagem da Padroeira do Brasil foi coroada, em 1904, por decisão de São Pio X, papa à época.

Em 2004, na comemoração do centenário de coroa- ção, um concurso de design de coroas foi lançado pelo Santuário Nacional. A coroa vencedora, feita em prata dourada e pedras, foi projetada por artistas de Belo Horizonte (MG).

Ao longo da história, muitos foram os mantos que cobriram a Imagem da Padroeira, mas um em especial remete ao seu achado, feito pelas mãos de Filipe Pedroso, um dos pescadores presentes no milagre nas águas do rio Paraíba do Sul. O manto que atualmente cobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida, foi confeccionado por uma família de Aparecida, há quatro anos. Nele, estão destacadas as bandeiras do Brasil e do Vaticano, identificando a unidade da Igreja com o Papa.

Para celebrar o tricentenário, a imagem de Nossa Senhora Aparecida irá ganhar, no dia 11, uma nova coroa, confeccionada com ouro doado pelos devotos e desenhada por uma joalheria que doou 68 diamantes, quatro esmeraldas, quatro safiras e uma pérola de ouro. Na base da coroa, foram depositadas porções de terra dos estados brasileiros.

(Com informações do Santuário Nacional e A12)

 

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‘Não tenham medo de ter a imagem de nossa senhora aparecida em suas casas’

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11 de outubro de 2017

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu a liturgia do oitavo dia da Novena da Padroeira do Brasil, no domingo, 8, no Santuário Nacional de Aparecida (SP). A celebração teve como tema “Senhora Aparecida, das águas ao acolhimento no amor”. 

Na homilia, Dom Odilo recordou que logo que foi encontrada pelos pescadores, a imagem de Nossa Senhora passou a ser honrada e acolhida pelas famílias da região. “Não foi logo uma basílica ou um grande santuário que acolheu a imagem, foi a casa dos pescadores, foi a casa das famílias que acolheu a imagem de Nossa Senhora da Conceição e que logo começou a ser chamada de Aparecida”. 

“Trezentos anos depois, certamente em muitos lares brasileiros está presente a imagem ou algum quadro de Nossa Senhora Aparecida. Uma imagem que lembra aquela que é a Padroeira do Brasil, dos brasileiros, e, mais do que tudo, é nossa mãe, que nós, carinhosamente, invocamos como Aparecida, sinal da nossa devoção em nossas famílias... Por isso mesmo, famílias católicas, não tenham medo de ter a imagem ou um quadro de Nossa Senhora Aparecida em suas casas”, afirmou o Cardeal Scherer. 

Ainda segundo o Arcebispo, a presença da Padroeira do Brasil nos lares lembra a fidelidade a Jesus, pois ela sempre diz: “Fazei tudo que Jesus vos disser”. 

“Nossa Senhora sempre de novo nos apresenta Jesus e nos indica para Ele, pois é isso também que pedimos a ela. Na oração da Salve Rainha, quando pedimos ‘mostrai-nos o fruto bendito do vosso ventre, Jesus’, ela o faz certamente”, disse. 

Ao citar o evangelho proclamado na celebração, que narra a cura do cego Bartimeu, Dom Odilo destacou as cegueiras que assolam o coração humano. “Lembremos dos cegos do coração, dos cegos sem fé em Deus, dos cegos sem moral, capazes de fazer as maiores ofensas ao próximo e a Deus e não sentir nada. É uma grade cegueira, a cegueira moral”, assinalou.

“Lembramos também os cegos pelo ódio, que leva à guerra, que leva à violência, que leva a tirar a vida do próximo... Lembramos os cegos da ganância, que perderam o senso moral, o senso ético da justiça, da honestidade, mergulhados em corrupção, não se dando conta do quanto isso faz mal ao próximo. Quanta cegueira!”, acrescentou o Cardeal. 

Por fim, Dom Odilo pediu que, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, sejam curadas todas as cegueiras de todo Brasil e do mundo inteiro. 

 

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Arquidiocese ganha Santuário de Nossa Senhora Aparecida

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13 de outubro de 2017

Por ocasião das celebrações do tricentenário do encontro da imagem da Padroeira do Brasil, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, elevou a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, na zona Sul da Capital Paulista, à categoria de santuário arquidiocesano. Na quinta-feira, 12, às 16h, Dom Odilo presidirá uma missa solene para marcar a elevação do novo Santuário. 

A história da Paróquia está estreitamente ligada com o Santuário Nacional de Aparecida, quando a Arquidiocese de São Paulo recebeu uma imagem peregrina da Padroeira para a realização do IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942. Em seguida, o então Arcebispo Metropolitano, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, decidiu erguer uma igreja para abrigar a imagem. 

Leia o decreto de aprovação da elevação da paróquia 

No decreto de aprovação do Santuário, Dom Odilo destaca que “o Santuário possui um grande valor simbólico e a piedade popular, verdadeira ação missionária espontânea do povo de Deus, encontra nele um espaço privilegiado para sua manifestação”. 

“Determinamos que nesse Santuário, para fortalecer a fé e a piedade do povo, sejam divulgadas e promovidas a Palavra de Deus, a fé católica, a vida litúrgica, principalmente por meio da celebração da Eucaristia (cânon 1234§1) e a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Seja propiciado aos fiéis o encontro com a misericórdia de Deus através do Sacramento da Penitência, com confessores disponíveis para os penitentes (cânon 1234§1)”, continua o decreto. 

O Pároco, Padre Anísio Hilário, afirmou que ele e os paroquianos receberam a notícia com muita alegria e conscientes da responsabilidade que lhes foi confiada de acolher os inúmeros peregrinos que visitarão o novo santuário. 

 

Casa da Padroeira do Brasil há 75 anos

Por ocasião do IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942, o então Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, elegeu Nossa Senhora Aparecida como a primeira peregrina do Congresso. Uma réplica da imagem da Padroeira do Brasil veio de Aparecida (SP) e foi triunfalmente recebida na Praça da Sé.  A mesma imagem acompanhou todas as celebrações do Congresso realizado entre os dias 4 e 7 de setembro daquele ano. 

Após o Congresso, em 13 de setembro, a imagem foi levada em procissão até a Várzea do Ipiranga, onde Dom José Gaspar abençoou a pedra fundamental da futura igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida. 

Em 19 de setembro, foi criada oficialmente a nova paróquia, tendo como primeiro Pároco o Padre Mário Marques e Serra. 

Foram realizadas campanhas, rifas, festas para a arrecadação de recursos para que a obra do templo não ficasse parada. Campanhas do tijolo, do livro de ouro, entre outras, ainda são lembradas pelos moradores mais antigos do bairro. 

Em outubro de 1949, a nova igreja, ainda em construção, recebeu sua primeira celebração eucarística. A nave central do templo foi inaugurada em 1955, e em 1960 levou-se a imagem da Padroeira para a matriz-paroquial. 

Nos anos 1970, os sinos da torre começam a ser içados, obra que só teria encerramento na administração do segundo Pároco, Cônego Cosmo Maestri. A torre foi concluída em 1991. 

Em 2012, aos 81 anos, Cônego Cosmo foi sucedido pelo atual Pároco, Padre Anísio Hilário. 

 

Informações

Santuário Nossa Senhora Aparecida

Endereço: Rua Labatut, 781, Ipiranga
Telefone: (11) 2063-4654
E-mail: atendimento@aparecidaipiranga. com.br
 
Missas:
Segunda a sexta-feira: 19h30
Terça a sexta-feira: 7h30
Sábado: 16h
Domingo: 7h, 8h30, 10h e 18h.
 

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