Campeões e devotos da Padroeira do Brasil

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15 de outubro de 2017

Nas arquibancadas, campos, pistas e quadras não é incomum ver quem peça “a ajuda dos céus” na hora de uma competição esportiva. No Brasil, esse pedido muitas vezes vem acompanhado de alguma oração a Nossa Senhora Aparecida. Apresentamos, a seguir, algumas dessas histórias de devoção.

 

Santuário Nacional de Aparecida

A gratidão do ‘Fenômeno’ a Nossa Senhora

Superação é palavra chave na vida de Ronaldo Nazário de Souza, um dos maiores jogadores da história do futebol. Por três vezes, o ‘Fenômeno’ viu sua carreira perto do fim, mas, com muito esforço e fé, conseguiu superar os desafios.

Em 2002, a participação do jogador na Copa do Mundo era incerta, devido a lesões no joelho. Na véspera do Mundial, Ronaldo visitou o Santuário Nacional de Aparecida, onde rezou, acendeu velas e fez uma promessa para Padroeira do Brasil. O atleta foi para a Copa realizada no Japão e na Coreia do Sul e de lá voltou com a equipe pentacampeã mundial de futebol, sendo o artilheiro da competi- ção, com oito gols. De quebra, ainda foi escolhido como o melhor jogador do mundo naquele ano pela Fif

Em julho do mesmo ano, o ‘Fenômeno’ voltou ao Santuário e deixou uma peça de cera em formato de seu joelho, uma camisa autografada e a bola da Copa como forma de agradecimento. Recebeu de presente na ocasião uma réplica da imagem da Padroeira. Recentemente, o jogador esteve na Casa da Mãe Aparecida para inauguração do Museu de Cera, onde está retratado em uma das esculturas.

 

Arquivo pessoal

Campeã de atletismo carrega a devoção no sobrenome

Adriana Aparecida, esportista do atletismo, tem uma forte ligação com Nossa Senhora Aparecida e não é apenas pelo nome escolhido por sua mãe para homenagear a Padroeira do Brasil. A proximidade é também geográfica, já que a atleta nasceu e vive com a família na cidade de Cruzeiro (SP), no Vale do Paraíba, que fica a 50km de Aparecida.

Com um começo de carreira de bons resultados, Adriana fraturou o tornozelo esquerdo em 2005 e precisou realizar uma cirurgia. A fase de recuperação não estava apresentando o resultado esperado. Ela ficou dois anos afastada do esporte, sem conseguir treinar e competir, perdeu patrocinadores e enfrentou uma depressão, chegando até a pensar que sua carreira tinha acabado.

A atleta superou esse período apegada em sua devoção a Santo Antonio de Sant´Anna Galvão e a Nossa Senhora Aparecida. Ao retomar a carreira, foi medalhista de ouro nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, em 2011, e de Toronto, no Canadá, em 2015.

Após essa última conquista, a esportista, que já disputou edições dos Jogos Olímpicos, correu de sua cidade natal até o Santuário de Aparecida. Na Sala das Promessas, ela deixou itens em agradecimento pelas graças alcançadas, um deles o troféu que conquistou na Corrida de São Silvestre de 2004, além de fotos, tênis de competições e uniformes das olímpiadas que participou.

Ainda hoje, sempre que retorna de uma competição importante, ela vai ao Santuário para agradecer à Padroeira do Brasil.

 

Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Outras histórias de devotos

O atual técnico da seleção brasileira de futebol, Tite, também é um fervoroso devoto de Nossa Senhora Aparecida. Diariamente, ele realiza suas orações pedindo a intercessão de Nossa Senhora, especialmente nos dias de jogos.

Na Sala das Promessas do Santuário Nacional de Aparecida, há outros ex-votos deixados por atletas de diversas modalidades, como uma réplica do capacete e um par de luvas de Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1, morto em 1994. O também piloto Hélio Castroneves, da Fórmula Indy, que já foi campeão das 500 milhas de Indianápolis, trouxe em agradecimento um par de botas que está exposto no local.

 
(Colaborou: Daniel Gomes)
(Com informações dos portais G1 e A12)

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Sinal do amor da Mãe de Deus pelo Brasil

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13 de outubro de 2017

Todos os anos, o Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, recebe em média 12 milhões de peregrinos. De ônibus, de carro, a pé, a cavalo, de motocicleta ou bicicleta, homens e mulheres, de diferentes idades, vão à imensa Basílica atraídos por uma experiência de fé nascida em torno de uma pequena imagem da Virgem Maria de apenas 40 centímetros de altura, encontrada por pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717.

Nos dias de maior movimento, os fiéis chegam a levar horas em longas filas para poderem, por alguns instantes, elevar suas preces de súplica e agradecimento diante da Padroeira do Brasil. O compositor Renato Teixeira, em sua canção “Romaria”, descreveu com precisão a experiência simples e contemplativa dos romeiros com Nossa Senhora Aparecida: “Só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar”.

Leia também ‘Não tenham medo de ter a imagem de nossa senhora aparecida em suas casas’
'O restauro da imagem e de uma vida de fé'

E assim, há três séculos, tem crescido a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Diante dela se curvaram em prece escravos, imperadores, princesas, nobres, pobres, ricos, pontífices e santos.

 

Origem

Praticamente nada se sabe sobre a origem da imagem, apenas de se tratar de uma escultura em terracota de Nossa Senhora da Conceição. A devoção se popularizou no Brasil por influência dos colonizadores portugueses, especialmente os missionários franciscanos, grandes propagadores da imaculada conceição da Virgem Maria. Sabese, ainda, que no final do século XVII, os primeiros bandeirantes que passaram pelo Vale do Paraíba a caminho de Minas Gerais levavam consigo imagens sacras.

Alguns estudiosos defendem que a imagem encontrada pelos pescadores em 1717 revela forte influência das produzidas por dois artistas sacros daquela época, ambos monges beneditinos que trabalhavam com a técnica de barro semelhante à da imagem de Aparecida. O primeiro deles é Agostinho da Piedade (1580-1661), do Mosteiro de São Bento de Salvador (BA), considerado um dos pioneiros da arte religiosa brasileira. O segundo é Agostinho de Jesus (1600- 1661), provavelmente discípulo do primeiro, que viveu durante muitos anos em Santana do Parnaíba (SP).

Outra possibilidade é que a imagem tenha sido confeccionada por um “santeiro” anônimo da região, conhecedor da técnica de esculpir com a argila e talvez seguidor de Agostinho de Jesus. No entanto, não há comprovação da autoria.

Segundo informações do Centro de Documentação e Memória do Santuário Nacional de Aparecida, peritos constataram que a imagem primitiva era colorida, tinha a pele do rosto e das mãos brancas, um manto de cor azul escuro e o forro vermelho granada. Essas eram as cores oficiais, conforme determinação do Rei Dom João IV, em 1646, quando tornou Nossa Senhora da Conceição padroeira do Reino de Portugal e seus domínios. Acredita-se que a imagem perdeu a pintura original com deterioração causada pela água e a lama contida no fundo do rio. A coloração escura também se deve à fumaça das inúmeras velas acesas pelos devotos, especialmente nos primeiros anos de devoção.

 

Imagem sacra

A única coisa que se sabe com certeza é a circunstância do encontro da imagem e a experiência de fé vivida a partir desse fato histórico. Padre Valeriano dos Santos Costa, Teólogo e Professor de Liturgia da Faculdade de Teologia da PUC-SP, afirmou ao O SÃO PAULO que no encontro da imagem em si, há perguntas que não podem ser respondidas senão pelo horizonte da fé, tais como: “Por que os pescadores não descartaram uma imagem sem cabeça, coisa tão natural naquele tempo no fundo dos rios? Por que ao lançar as redes pela segunda vez, encontraram a cabeça da própria imagem em outro lugar do rio? Por que se seguiu uma pesca abundante em um período de escassez de peixes? Aliás, Paraíba, em língua indígena, significa rio imprestável para peixes”

O Teólogo explicou, ainda, que o tricentenário de Nossa Senhora Aparecida é uma oportunidade de refletir sobre a vivência religiosa a partir das imagens sacras. Desde os primeiros séculos do Cristianismo, as imagens sagradas fazem parte do culto e da arte cristã. Nas catacumbas romanas, por exemplo, havia inúmeras imagens e pinturas sacras. “A imagem do santo passa ser sagrada, na medida em que é proposta como sinal sensível para veneração ao santo na liturgia. Houve questionamentos, sobretudo no mundo oriental, sobre as imagens de santos. A oposição às imagens foi chamada de ‘iconoclastia’. A Igreja tratou dessa questão no II Concílio de Nicéia e aprovou o uso de imagens sagradas na veneração dos santos, costume que permanece até hoje”, disse.

 

Mediação visível do sagrado

Para o culto católico, os santos são heróis e exemplos de vida. “Então, cultuá-los implica reconhecer que sua imagem é sagrada, na medida em que se torna media- ção visível do próprio santo, como as fotografias e lembranças de pessoas queridas”, acrescentou Padre Valeriano.

Ainda sobre o culto aos santos, a Teologia católica ressalta que esse não se trata de um culto de latria, devido somente a Deus e que consiste em reconhecer nele a divindade. O que se presta aos santos é o culto de dulia, ou seja, veneração, respeito e devoção. No caso de Nossa Senhora, por seu papel e significado na história da salvação, é prestado o culto especial de hiperdulia.

“O fiel católico tem plena consciência de que a imagem não é o santo, mas simplesmente uma imagem com caráter simbólico. Porém, o caráter simbólico não permite banalização, pois o símbolo remete a algo transcendente, algo que supera o próprio objeto material do símbolo. Por isso, nenhum símbolo pode ser banalizado”, salientou Padre Valeriano, citando, como exemplo, o vídeo que circulou recentemente na internet, no qual o artista Antonio Obá aparece nu ralando uma imagem de gesso de Nossa Senhora Aparecida até transformá-la em pó. “Não importa o sentido que ele quis dar. O que importa é que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é uma das imagens mais sagradas deste País... Por isso, os internautas estão reagindo em peso contra o que consideram um gesto agressivo à fé e a um símbolo reconhecido pela maioria do povo brasileiro”

Padre Valeriano completou que a experiência de fé vivida em torno de Nossa Senhora Aparecida conduz a um encontro com Jesus Cristo, centro da fé. “Normalmente, ninguém vai a Aparecida sem participar de uma missa ou se confessar. E isso é voltar para Cristo. Não há nenhuma experiência verdadeiramente mariana que não seja cristológica”, afirmou o Teólogo, reforçando que acreditar na atuação da Virgem Maria no mistério pascal é também um ato de fé.

 

Manto e coroa para a Rainha do Brasil

Em 22 de agosto de 1822, 15 dias antes da proclamação da independência do Brasil, Dom Pedro I visitou Aparecida e prometeu, diante da imagem, consagrar o Brasil a Nossa Senhora, caso resolvesse favoravelmente a situação política que enfrentava com a coroa portuguesa. Anos mais tarde, em 1843, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina também visitaram a Capela de Aparecida para rezar diante da imagem.

Em 1868, a Princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, participou das festividades de Aparecida, na época celebrada no dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição. Acompanhada de seu esposo, o Conde d’Eu, a Princesa rezou para obter a graça de ter um filho. Como sinal de devoção, ela doou um manto ornado com 21 brilhantes, representando as 20 províncias do Império, mais a capital. Em 1884, a Princesa voltou a Aparecida, com seus três filhos, para agradecer a graça recebida, oferecendo, dessa vez, uma coroa de ouro 24 quilates, de 300 gramas, cravejada de brilhantes. Essa foi a coroa com a qual a imagem da Padroeira do Brasil foi coroada, em 1904, por decisão de São Pio X, papa à época.

Em 2004, na comemoração do centenário de coroa- ção, um concurso de design de coroas foi lançado pelo Santuário Nacional. A coroa vencedora, feita em prata dourada e pedras, foi projetada por artistas de Belo Horizonte (MG).

Ao longo da história, muitos foram os mantos que cobriram a Imagem da Padroeira, mas um em especial remete ao seu achado, feito pelas mãos de Filipe Pedroso, um dos pescadores presentes no milagre nas águas do rio Paraíba do Sul. O manto que atualmente cobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida, foi confeccionado por uma família de Aparecida, há quatro anos. Nele, estão destacadas as bandeiras do Brasil e do Vaticano, identificando a unidade da Igreja com o Papa.

Para celebrar o tricentenário, a imagem de Nossa Senhora Aparecida irá ganhar, no dia 11, uma nova coroa, confeccionada com ouro doado pelos devotos e desenhada por uma joalheria que doou 68 diamantes, quatro esmeraldas, quatro safiras e uma pérola de ouro. Na base da coroa, foram depositadas porções de terra dos estados brasileiros.

(Com informações do Santuário Nacional e A12)

 

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‘Não tenham medo de ter a imagem de nossa senhora aparecida em suas casas’

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11 de outubro de 2017

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu a liturgia do oitavo dia da Novena da Padroeira do Brasil, no domingo, 8, no Santuário Nacional de Aparecida (SP). A celebração teve como tema “Senhora Aparecida, das águas ao acolhimento no amor”. 

Na homilia, Dom Odilo recordou que logo que foi encontrada pelos pescadores, a imagem de Nossa Senhora passou a ser honrada e acolhida pelas famílias da região. “Não foi logo uma basílica ou um grande santuário que acolheu a imagem, foi a casa dos pescadores, foi a casa das famílias que acolheu a imagem de Nossa Senhora da Conceição e que logo começou a ser chamada de Aparecida”. 

“Trezentos anos depois, certamente em muitos lares brasileiros está presente a imagem ou algum quadro de Nossa Senhora Aparecida. Uma imagem que lembra aquela que é a Padroeira do Brasil, dos brasileiros, e, mais do que tudo, é nossa mãe, que nós, carinhosamente, invocamos como Aparecida, sinal da nossa devoção em nossas famílias... Por isso mesmo, famílias católicas, não tenham medo de ter a imagem ou um quadro de Nossa Senhora Aparecida em suas casas”, afirmou o Cardeal Scherer. 

Ainda segundo o Arcebispo, a presença da Padroeira do Brasil nos lares lembra a fidelidade a Jesus, pois ela sempre diz: “Fazei tudo que Jesus vos disser”. 

“Nossa Senhora sempre de novo nos apresenta Jesus e nos indica para Ele, pois é isso também que pedimos a ela. Na oração da Salve Rainha, quando pedimos ‘mostrai-nos o fruto bendito do vosso ventre, Jesus’, ela o faz certamente”, disse. 

Ao citar o evangelho proclamado na celebração, que narra a cura do cego Bartimeu, Dom Odilo destacou as cegueiras que assolam o coração humano. “Lembremos dos cegos do coração, dos cegos sem fé em Deus, dos cegos sem moral, capazes de fazer as maiores ofensas ao próximo e a Deus e não sentir nada. É uma grade cegueira, a cegueira moral”, assinalou.

“Lembramos também os cegos pelo ódio, que leva à guerra, que leva à violência, que leva a tirar a vida do próximo... Lembramos os cegos da ganância, que perderam o senso moral, o senso ético da justiça, da honestidade, mergulhados em corrupção, não se dando conta do quanto isso faz mal ao próximo. Quanta cegueira!”, acrescentou o Cardeal. 

Por fim, Dom Odilo pediu que, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, sejam curadas todas as cegueiras de todo Brasil e do mundo inteiro. 

 

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Arquidiocese ganha Santuário de Nossa Senhora Aparecida

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13 de outubro de 2017

Por ocasião das celebrações do tricentenário do encontro da imagem da Padroeira do Brasil, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, elevou a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, na zona Sul da Capital Paulista, à categoria de santuário arquidiocesano. Na quinta-feira, 12, às 16h, Dom Odilo presidirá uma missa solene para marcar a elevação do novo Santuário. 

A história da Paróquia está estreitamente ligada com o Santuário Nacional de Aparecida, quando a Arquidiocese de São Paulo recebeu uma imagem peregrina da Padroeira para a realização do IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942. Em seguida, o então Arcebispo Metropolitano, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, decidiu erguer uma igreja para abrigar a imagem. 

Leia o decreto de aprovação da elevação da paróquia 

No decreto de aprovação do Santuário, Dom Odilo destaca que “o Santuário possui um grande valor simbólico e a piedade popular, verdadeira ação missionária espontânea do povo de Deus, encontra nele um espaço privilegiado para sua manifestação”. 

“Determinamos que nesse Santuário, para fortalecer a fé e a piedade do povo, sejam divulgadas e promovidas a Palavra de Deus, a fé católica, a vida litúrgica, principalmente por meio da celebração da Eucaristia (cânon 1234§1) e a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Seja propiciado aos fiéis o encontro com a misericórdia de Deus através do Sacramento da Penitência, com confessores disponíveis para os penitentes (cânon 1234§1)”, continua o decreto. 

O Pároco, Padre Anísio Hilário, afirmou que ele e os paroquianos receberam a notícia com muita alegria e conscientes da responsabilidade que lhes foi confiada de acolher os inúmeros peregrinos que visitarão o novo santuário. 

 

Casa da Padroeira do Brasil há 75 anos

Por ocasião do IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942, o então Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, elegeu Nossa Senhora Aparecida como a primeira peregrina do Congresso. Uma réplica da imagem da Padroeira do Brasil veio de Aparecida (SP) e foi triunfalmente recebida na Praça da Sé.  A mesma imagem acompanhou todas as celebrações do Congresso realizado entre os dias 4 e 7 de setembro daquele ano. 

Após o Congresso, em 13 de setembro, a imagem foi levada em procissão até a Várzea do Ipiranga, onde Dom José Gaspar abençoou a pedra fundamental da futura igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida. 

Em 19 de setembro, foi criada oficialmente a nova paróquia, tendo como primeiro Pároco o Padre Mário Marques e Serra. 

Foram realizadas campanhas, rifas, festas para a arrecadação de recursos para que a obra do templo não ficasse parada. Campanhas do tijolo, do livro de ouro, entre outras, ainda são lembradas pelos moradores mais antigos do bairro. 

Em outubro de 1949, a nova igreja, ainda em construção, recebeu sua primeira celebração eucarística. A nave central do templo foi inaugurada em 1955, e em 1960 levou-se a imagem da Padroeira para a matriz-paroquial. 

Nos anos 1970, os sinos da torre começam a ser içados, obra que só teria encerramento na administração do segundo Pároco, Cônego Cosmo Maestri. A torre foi concluída em 1991. 

Em 2012, aos 81 anos, Cônego Cosmo foi sucedido pelo atual Pároco, Padre Anísio Hilário. 

 

Informações

Santuário Nossa Senhora Aparecida

Endereço: Rua Labatut, 781, Ipiranga
Telefone: (11) 2063-4654
E-mail: atendimento@aparecidaipiranga. com.br
 
Missas:
Segunda a sexta-feira: 19h30
Terça a sexta-feira: 7h30
Sábado: 16h
Domingo: 7h, 8h30, 10h e 18h.
 

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Papa Francisco concede mais uma Rosa de Ouro, a terceira, ao Santuário Nacional

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09 de outubro de 2017

Nesta segunda-feira, 9 de outubro, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes receberá uma Rosa de Ouro, presente do Papa Francisco ao Santuário Nacional, pelas comemorações dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida.

A honraria será prestada pelo representante do Papa durante as festividades do Jubileu dos 300 anos, o cardeal italiano Giovanni Battista Re, Prefeito emérito da Congregação para os Bispos e Presidente emérito da Pontifícia Comissão para a América Latina.

O anúncio dessa homenagem foi feito durante a celebração do 7º dia da Novena da Solene em preparação as festividades do Jubileu, por Dom Orlando Brandes.

Na carta de anúncio, emitida pelo Arcebispo, cita o agradecimento que fez ao Papa pelo reconhecimento desse momento especial para o povo brasileiro .

Significado

A Rosa de Ouro oferecida pelo Papa representa a estima do Pontífice, o reconhecimento de fatos históricos e personalidades que prestavam relevantes serviços à Igreja. O costume de se presentar com uma Rosa de Ouro teve início com o Papa Leão IX, no século XI.

A primeira Rosa de Ouro concedida ao Brasil foi em 1888, pelo Papa Leão XIII à Princesa Isabel, por ela ter assinado a lei Áurea, colocando fim a escravatura negra no Brasil.

No Santuário Nacional, essa é a terceira vez que o presente é enviado por um Papa, a primeira Rosa foi concedida Papa Paulo VI em 1967, em virtude do Jubileu de 250 anos do encontro da Imagem. Em 2007 o presente foi trazido pelo Papa Bento XVI, quando visitou a Aparecida.

 

(Texto: Portal a12.com)

 

Leia a Carta de dom Orlando

Aparecida, 4 de outubro de 2017

Papa Francisco envia a “Rosa de Ouro” ao Santuário Nacional. Para louvar e distinguir personalidades, santuários, cidades ou países, o Papa Leão IX iniciou o costume de entregar uma Rosa de Ouro. É uma homenagem, uma honraria, um presente que os Papas costumam enviar para registrar a importância de fatos históricos, de acontecimentos marcantes, de gestos significativos em relação a personalidades.

O Santuário Nacional recebeu duas Rosas de Ouro. A primeira foi concedida pelo Papa Paulo VI, em 1967, por ocasião da celebração dos 250 anos da existência do Santuário. Assim escreveu Paulo VI: “Esta flor é expressão de afeto por este grande povo que nasceu sob o signo da Cruz e para seu progresso espiritual e material e símbolo do grande amor que o Papa consagra ao Brasil e ao Santuário de Aparecida.” Assim, a Rosa de Ouro é uma manifestação
do grande amor que os Papas consagram ao Brasil e ao Santuário Nacional.

Ao receber a Rosa de Ouro das mãos do Legado Pontifício, Cardeal Cicogniani, assim se expressou o Cardeal Motta, Arcebispo de Aparecida: “Tu, Cidade de Belém, de nenhum modo és a mais pequenina das cidades de Judá (Mq 5,2). Tu, Cidade de Aparecida, cidade de Nossa Senhora, de modo algum és a mais pequenina das cidades do Brasil porque possuis a Rainha e Padroeira do Brasil.”

A Rosa de Ouro simboliza também o perfume das virtudes que nos santificam. Esperamos uma chuva de graças, de pétalas de rosas sobre o Brasil e o Santuário Nacional.

A segunda Rosa de Ouro foi-nos concedida pelo Papa Bento XVI em 2007, pedindo que “perseveremos na escola de Maria a fim de que sejamos discípulos missionários a serviço da vida.” Em 1888, o Papa Leão XIII enviou uma Rosa de Ouro à Princesa Isabel como reconhecimento de seu gesto humanitário pela abolição da escravatura, através da Lei Áurea.

Agradecemos ao Papa Francisco o envio da Rosa de Ouro, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem da Mãe Aparecida no rio Paraíba do Sul. Obrigado, Santo Padre, por mais esta demonstração de amor, devoção e carinho para com Nossa Senhora Aparecida. Escreve o Papa Francisco: “Quanta alegria me dá vir à Casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Venho bater à porta da casa de Maria que nos pede: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser.’” (Jo 2,5) (Rio de Janeiro 24/7/2013)

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Aparecida

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Hora de festejar os 300 anos da Padroeira do Brasil

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04 de outubro de 2017

Em comemoração ao jubileu dos 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Arquidiocese de São Paulo realizará, no dia 12, às 9h, uma missa campal no centro da cidade, no Largo Santa Ifigênia, que será seguida por procissão até o Vale do Anhangabaú.

Durante a celebração, será acolhida a imagem da Padroeira do Brasil que está peregrinando por cidades paulistas por meio do projeto Tietê Esperança Aparecida, que busca expressar a fé e a devoção a Nossa Senhora Aparecida e conscientizar a população sobre a importância da despoluição do rio Tietê. No dia 12, a imagem será conduzida pelo rio que atravessa a Capital Paulista até a Ponte do Piqueri, onde seguirá em carreata até o Largo Santa Ifigênia.

Leia também: ‘Peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida foi um momento de muita comunhão eclesial’

Haverá ainda celebrações em honra a Nossa Senhora Aparecida por toda a Arquidiocese, especialmente nas paróquias dedicadas à Virgem, com destaque para a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na rua Labatut, 781, no Ipiranga, onde na missa das 16h, a ser presidida pelo Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano, essa igreja será elevada a santuário mariano na Arquidiocese.

Apresentamos a seguir a programação de algumas das paróquias dedicadas a Nossa Senhora Aparecida na Arquidiocese:

REGIÃO BRASILÂNDIA 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Vila Souza

End: Rua Luciano D’Amore, 47
Tel: (11) 3851-1908
Novena: Entre os dias 3 e 11, com missas às 20h
Em 12/10: Missas às 9h (voltada para as crianças), às 15h (aos enfermos) e às 18h (celebração solene). Às 10h30, haverá carreata, e a partir das 15h, procissão, partindo da Comunidade Sagrado Coração de Jesus (avenida Inajar de Souza, 6.031). 
 

REGIÃO BELÉM 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Vila Carrão 

End: Rua Amarais, 470
Tel: (11) 2036-8472
Novena: Entre os dias 3 e 11, com missas durante a semana, às 19h30, e aos sábados e domingos, às 17h30
Em 12/10: 9h, Missa das Indulgências; 14h, Terço; 15h, Consagração de Nossa Senhora; 15h30, Encenação dos pescadores; 16h, Procissão pelas ruas; 16h30, Encenação dos escravos; 17h, missa solene e a consagração à Mãe Aparecida. 

 

REGIÃO LAPA 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Jardim Ester

End: Rua João Millam, 288 Tel: (11) 3782-7867
Novena: Entre os dias 2 e 10, com missas às 19h
Em 12/10: 11h, casamento comunitário; 14h, procissão pelas ruas do bairro com a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida que percorreu a Região Episcopal Lapa, seguida de celebração eucarística e show musical.
 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Vila Anglo Brasileira

End: Rua Félix Della Rosa, 524
Tel: (11) 3865-4047
Tríduo: Entre os dias 9 e 11, com missas às 20h
Em 12/10: Procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, às 16h, seguida de missa.
 

REGIÃO IPIRANGA 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Ipiranga

End: Rua Labatut, 781
Tel: (11) 2063-4654
Novena: Entre os dias 3 e 11, com missas às 19h30, durante a semana; às 16h, no sábado, 7; e às 18h, no domingo, 8
Em 12/10: Missas às 5h30, 7h, 8h30, 10h, 11h30, 13h, 14h30, 16h (presidida pelo Cardeal Scherer), 18h (campal) e às 19h30.
 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Vila Arapuá

End: Rua Epiacaba, 590
Tel: (11) 2946-0634
Em 12/10:  Missas às 8h e 10h; às 11h, carreata pelas ruas do bairro, seguida de almoço festivo. Às 18h30, missa e apresentação de documentário sobre Nossa Senhora Aparecida e sobre os 50 anos da Paróquia.
 

REGIÃO SANTANA 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Boa Viagem - Parque Novo Mundo

End: Rua Pistóia, 165
Tel: (11) 2967-5497
Novena: Entre os dias 3 e 11, com missa durante a semana às 20h, e no final de semana às 18h
Em 12/10: Missa às 9h (pelos enfermos); às 12h, almoço com bolo de Nossa Senhora,  e missa às 17h. 
 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Vila Albertina

End: Rua Maestro Bortolucci, 307
Tel: (11) 2203-4925
Novena: Entre os dias 1º e 9, com missa às 20h;
No dia 10, às 20h, haverá encenação da história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida
Em 12/10: Às 10h, missa da saúde; 16h, procissão e missa solene.
 

REGIÃO SÉ 

Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários - Mooca

End: Rua Almirante Brasil, 125
Tel: (11) 2796-6016
Novena: Entre os dias 3 e 11, com missas às 20h
Em 12/10: Missas às 9h e às 16h, esta última antecedida de procissão.
 
(Apuração: Júlia Cabral)
 

 

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‘Peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida foi um momento de muita comunhão eclesial’

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04 de outubro de 2017

O Santuário Nacional de Aparecida iniciou no domingo, dia 1º, a solene comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. A expectativa é que até 12 de outubro, Dia da Padroeira do Brasil, mais de 1 milhão de peregrinos visitem o maior templo mariano do mundo.

A maior concentração de fiéis deve acontecer no dia 12, quando são esperadas 200 mil pessoas, em especial para a missa solene das 9h30 em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem. Outras atividades culturais e celebrações estão programadas até lá, incluindo a missa do domingo, 8, às 19h, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. 

Leia também: "Hora de festejar os 300 anos da Padroeira do Brasil"

Os preparativos para a celebração do tricentenário da Padroeira do Brasil começaram em 2012 e, ao longo do tempo, imagens peregrinas fac-símile de Nossa Senhora Aparecida percorreram as dioceses brasileiras, mobilizando clérigos, religiosos e leigos de diferentes idades. “De norte a sul, de leste a oeste, pelas matas, pelas margens dos rios, pelos condomínios dos grandes centros, Nossa Senhora andou Brasil afora. Foi um momento de muita comunhão eclesial”, contou o Padre João Batista de Almeida, Reitor do Santuário Nacional de Aparecida, em entrevista ao Padre Edemilson Gonzaga, no programa “A Igreja em Notícia”, da rádio 9 de Julho , cuja íntegra reproduzimos a seguir.

 

O SÃO PAULO – EM OUTUBRO SÃO FESTEJADOS OS 300 ANOS DO ACHADO DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA. QUANDO COMEÇARAM OS PREPARATIVOS PARA ESSA CELEBRAÇÃO?

Padre João Batista de Almeida – Começaram já em 2012, quando o Santuário Nacional de Aparecida e a CNBB se reuniram para planejar uma celebração que fosse digna para a Padroeira do Brasil. Desde então, vários eventos já aconteceram, muita coisa boa, mas há algo por acontecer, o ponto alto da festa ainda está por vir.

 

COMO FOI O ENVOLVIMENTO DE TODA A IGREJA NO BRASIL PARA PREPARAR ESSE JUBILEU DOS 300 ANOS?

Foi algo espetacular! A CNBB solicitou a todas as dioceses que se fizesse a peregrinação da imagem de Nossa Senhora pelas paróquias, comunidades e também em algumas entidades e associações. Praticamente todas as dioceses fizeram isso. O Santuário doou a cada diocese uma imagem fac-símile e cada bispo veio aqui para o Santuário junto com o clero, algumas dioceses também vieram com muitos fiéis e houve celebrações transmitidas pela TV Aparecida e outros meios católicos do envio dessas imagens para as dioceses. Foi uma espécie de missão que Nossa Senhora fez junto a todo povo brasileiro. De norte a sul, de leste a oeste, pelas matas, pelas margens dos rios, pelos condomínios dos grandes centros, Nossa Senhora andou Brasil afora. Foi um momento de muita comunhão eclesial. Os testemunhos que nós recebemos é algo muito espetacular. A missão aconteceu pela presença da imagem de Nossa Senhora Aparecida. O povo a acolheu e em alguns lugares até foi renovada a vida de comunidades que estavam, assim digamos, um pouco apagadas.

 

EM ALGUMAS CAPITAIS DOS ESTADOS HOUVE O RECOLHIMENTO DE UM POUCO DE TERRA A SER USADA NA NOVA COROA. POR QUE SE PENSOU NESSA INICIATIVA?

A intenção foi permitir que todo Brasil esteja presente no Santuário Nacional. Como forma concreta dessa presença, durante a visita da imagem nas capitais, em uma celebração transmitida pela tevê, foi coletado um pouquinho de terra de cada estado. Dentro da coroa jubilar que foi feita, há um recipiente e ali se colocou um pouquinho dessa terra. No dia 11 de outubro, a imagem de Nossa Senhora Aparecida vai receber essa coroa, que é a coroa oficial do jubileu. Será uma forma de dizer que o Brasil todo está presente na imagem de Nossa Senhora. A primeira coroa da imagem foi dada pela Princesa Isabel [em 1884]. Agora, essa segunda coroa vai ser doada pelo povo brasileiro. Não é mais uma princesa, ou um rei, são os próprios brasileiros que estão coroando Nossa Senhora Aparecida.

 

NESSE JUBILEU, FOI REALIZADO AINDA O PROJETO “ROTA 300”, COM O PROPÓSITO DE APRESENTAR OS CAMINHOS DA JUVENTUDE MISSIONÁRIA NO BRASIL E MOSTRAR A FÉ E A DEVOÇÃO À PADROEIRA. COMO FOI A PRESENÇA DOS JOVENS NO SANTUÁRIO NACIONAL DE APARECIDA POR CONTA DISSO?

Nos últimos três anos, nós acolhemos muito a juventude aqui no Santuário Nacional, justamente por este projeto chamado de “Rota 300”, com a participação da juventude dentro dessa peregrinação que a imagem de Nossa Senhora fez pelas dioceses, também como forma de ações missionárias nas próprias dioceses. Tudo isso combinou com a grande missão aqui no Vale do Paraíba, nas cidades banhadas pelo rio Paraíba do Sul, desde São José dos Campos (SP) até Caratinga (MG). Esse projeto foi encerrado em 29 de julho aqui em Aparecida (SP), com um grande número de jovens de muitas dioceses e também de movimentos. A gente até brinca que todas as “tribos”, como dizem os jovens, estiveram presentes. Foi um momento muito forte de comunhão eclesial.

 

POR FIM, COMO ESTÁ O ANDAMENTO DAS OBRAS ESTRUTURAIS NO SANTUÁRIO POR CONTA DO TRICENTENÁRIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA?

Nós tivemos, nesses últimos anos, algumas obras que chamamos de presentes que os devotos entregaram a Nossa Senhora Aparecida. Primeiro foi o baldaquino, que são aquelas colunas que circundam o altar central. Houve o revestimento do baldaquino com temas ecológicos. A inauguração foi feita neste ano na abertura da Quaresma, porque a Campanha da Fraternidade de 2017 tratou sobre os biomas brasileiros. No baldaquino estão representados os biomas brasileiros, bem como as quatro estações do ano e quatro momentos da vida: concepção, geração, nascimento e, depois, o casal já adulto. O baldaquino sustenta a grande cúpula que será inaugurada no dia 11 de outubro. Ela já está pronta e vai ser descoberta como uma grande coroa que cobre o altar central, representando, assim, a coroa que Nossa Senhora recebeu da Princesa Isabel e que agora vai receber do povo brasileiro. A cúpula é a grande coroa do Santuário Nacional. Além disso, já ano retrasado, no Natal, aconteceu a inauguração do campanário, com os 13 sinos, sendo que 12 representam os apóstolos e um representa os devotos de Nossa Senhora Aparecida. Houve, também, a inauguração do Memorial dos Devotos, que é uma grande praça, onde as pessoas podem apreciar um pouco da cidade de Aparecida. Lá também estão os nomes daqueles que fazem parte da história do Santuário Nacional. Outras obras nós estamos ainda fazendo, como o Caminho do Rosário, que não vai ficar pronto este ano, mas, se Deus quiser, em 2018, vamos inaugurar mais esse presente para Nossa Senhora Aparecida. 

(Colaborou: Jenniffer Silva)
 

As opiniões expressas na seção “com a palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.




 

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Uma viagem pelo Santuário de Aparecida

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01 de agosto de 2017

Como eu não sei rezar, só queria mostrar, meu olhar, meu olhar, meu olhar...”. A frase é um verso da música “Romaria”, de Renato Teixeira, cantada em todo o País para expressar a sinceridade de um romeiro que visita o Santuário Nacional de Aparecida e sente-se iluminado pela fé em Nossa Senhora, Mãe de Jesus.

A visita a Aparecida (SP) é, por si, emocionante, mas quem conhece melhor o projeto artístico do Santuário compreende que, além de viver um momento de devoção, o peregrino pode também aprofundar os fundamentos da sua fé. Um dos artistas responsáveis pelo projeto, que compunha a equipe de decoração do espaço, era Claudio Pastro (1948-2016). São dele a maioria dos painéis e demais obras de arte que estão no interior do Santuário.

Zenilda Cunha trabalha no Santuário Nacional de Aparecida há 11 anos. Ela recebeu a reportagem do O SÃO PAULO e explicou o significado das obras nas principais capelas e na nave central, bem como o baldaquino, uma das últimas obras de Pastro, antes da morte do artista, em outubro de 2016.

“Nossa missão é fazer com que cada peregrino sinta a presença de Jesus por meio de Maria. É importante lembrar que fazemos a viagem para a eternidade junto com Maria”, disse Zenilda, que é formada em História, com ênfase em turismo cultural, e foi professora de história antes de ser chamada para trabalhar como assessora na “Casa da Mãe”, como ela disse.

E foi pelo Baldaquino, obra constituída por uma cúpula sustentada por colunas e que está acima do altar central que a visita do Santuário teve início, embora Zenilda tenha dito que prefere começar pelo local onde está a imagem de Nossa Senhora, a mesma que foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul, em 1717.

Ela é coordenadora do Grupo de Monitoria que, diariamente, a partir das 19 horas, faz visitas guiadas com grupos de pessoas que se hospedam no Hotel Rainha do Brasil. “A visita é uma cortesia para os hóspedes, e o número vem crescendo a cada mês. Só hoje, temos 120 pessoas inscritas”, contou Zenilda.

“Eu gosto de começar pela asa sul, onde está a imagem de Nossa Senhora, porque é ela que gera Jesus para nós”, afirmou. Zenilda escutou o próprio Claudio Pastro muitas vezes, e estudou suas obras por dois anos, “para ter segurança”, explicou ela.

 

SANTUÁRIO

As colunatas que levam do Santuário às capelas do Batismo e da Ressurreição lembram o colunato da Basílica de São Pedro em Roma: seu formato imita um abraço. Pedro, Paulo e os outros Apóstolos também estão ali, lado a lado, acolhendo os peregrinos que chegam. No mesmo espaço está o relógio, que conta quantos dias, minutos e segundos faltam para a comemoração dos 300 anos do encontro da pequena imagem de Nossa Senhora nas águas do rio. Na frente da Basílica, o relógio, com suas quatro fases, e a passarela, que leva para a Igreja-Matriz, são um sinal do ontem e do hoje harmonizados pela fé.

Já o Campanário, ao lado da Capela das Velas, é uma obra de Oscar Niemeyer, enquanto os sinos são obra de Pastro. Eles representam, de cima para baixo, os 11 apóstolos mais Paulo e o maior, a Sagrada Família. “Os sinos tocam de hora em hora nas horas cheias e também a cada quinze minutos. Eles são de bronze; e é interessante lembrar que o bronze é o único metal que, quando vibrado, toca as veias do coração. O som do sino emociona bastante, eu saio de casa para chegar mais perto dos sinos e escutá-los”, contou Zenilda, que mora há menos de dez minutos do Santuário.

“A gente sai do mundo buscando paz e aqui vemos todo este esplendor, que é a graça de Deus. Nossa Senhora Aparecida, ‘imagenzinha’ de terracota, é um sinal do que somos nós. Vasos moldados pelas mãos de Deus”, continuou ela.

Ao todo, contando com as de passagem, são dez capelas. Em cada missa, o Santuário pode acolher de 30 a 45 mil pessoas. “A visita guiada é um trabalho gratificante, pois as pessoas não estão acostumadas a contemplar um espaço tão magnífico, e se surpreendem pelo significado de cada elemento. Aqui, um rio não é só um rio. Foi no rio que houve o encontro da imagem. Um tijolo também representa a matéria divina, pois viemos do barro de Deus e estamos em constante construção rumo à eternidade”, afirmou.

 

BALDAQUINHO

“A gente percorre a vida terrena para encontrar Jesus. O encontro da imagem representa também esse encontro de cada peregrino com Jesus”, afirmou Zenilda. A maior parte dos painéis do Pastro foi idealizada para azulejos e a escolha do material não é aleatória, mas “remonta à nossa herança portuguesa”, disse, olhando fixamente para o teto. Enquanto falava, o coro continuava a entoar o canto final da missa, uma das muitas que são celebradas diariamente no Santuário.

O colorido em torno do altar é representação de festa, da saída de uma vida difícil, muitas vezes de sofrimento, para uma vida onde há graça em abundância. Os muiraquitãs, ou seja, as rãs na língua Tupi Guarani, fazem parte da ideia de que a mensagem é anunciada na cultura brasileira, composta de indígenas, negros e os mais diferentes povos que deram origem ao povo brasileiro.

“No Baldaquino está a representação dos biomas brasileiros, as diferentes regiões que também acolheram o Mistério Pascal de Jesus. Bem acima do altar, a cruz é uma extensão da árvore da vida, que será pela primeira vez mostrada no dia 11 de outubro deste ano, quando será a inauguração completa do Baldaquino. Nessa árvore, a imagem de alguns pássaros em extinção no Brasil simboliza os peregrinos acolhidos pela Sabedoria de Deus. É a Cruz do nada, como dizia o Pastro, uma cruz vazada, que lembra a entrega de Jesus por nós”, explicou Zenilda.  Ela seguiu pelos corredores para mostrar que quando as pessoas se posicionam nas laterais do altar, a cruz desaparece. “Feliz daquele que acredita sem ver”, lembrou ela, citando a passagem bíblica em que Jesus aparece aos discípulos, narrada pelo Evangelho de João.

 

MUITAS CORES E MÚLTIPLOS SIGNIFICADOS

Em torno do altar central, um risco vermelho no azul simboliza a passagem do Mar Vermelho; os Ipês simbolizam, em cada estação do ano, as fases da vida; europeus, indígenas, africanos e brasileiros estão ali, em torno do altar, como num imenso jardim, o jardim da Criação ou da Ressurreição, símbolos do mesmo mistério pascal.

“O povo brasileiro está representado por um homem que carrega o berrante e usa um chapéu de palha. No Outono, a família está formada. No inverno, há a fecundação; na primavera, o bebê é gerado; e no verão, ele nasce. Flora e fauna brasileira numa explosão de cores e detalhes”, enfatizou Zenilda.

Já na ala norte, a rosácea colorida representa a encarnação e o impulso da Palavra de Jesus. À esquerda, a primeira cena é do Batismo de Jesus e, na última, a Transfiguração. No painel principal há o Pantocrator – a representação de Jesus onipotente ladeado pelas mulheres da Igreja. Desde Madalena até Joana D’Arc, de Santa Teresa D’Ávila até Irmã Doroty Stang, elas representam o valor inestimável da mulher ao longo da história da Igreja. Abaixo do painel, as lamparinas recordam as virgens prudentes, aquelas que escolheram deixar tudo para seguir Jesus. Maria é a grande lua que reflete o Sol, ou seja, ela reflete o Cristo, luz do mundo.

Na ala oeste, o painel faz referência à evangelização do Brasil. Bem no centro está Cristo, que representa os cristãos que também em Cristo são gerados para anunciar a Boa Nova. Da esquerda para a direita, vêse de São José de Anchieta a Frei Damião e Dom Helder Câmara, Padre Vitor Coelho

 

CAPELA SÃO JOSÉ

Tudo começa com o sonho de José. Quando viu Maria, ele não queria recebê-la. Foi o Arcanjo Gabriel que disse a José, em um sonho, que ele não devia temer. Na Capela de São José, o chão está coberto por estrelas matutinas, que orientam quem quer se aproximar de Jesus e recebê-lo em sua vida. Ali acontecem os casamentos. “As noivas não precisam se preocupar com tapetes, eles caminham rumo ao altar num chão de estrelas”, disse Zenilda.

Um jardim de lírios também ornamenta o chão da capela: são os lírios de José, a pureza com a qual ele acolheu Maria. À frente, os painéis representam a Sagrada Família. José, com sua ferramenta de trabalho, Jesus com o cálice do seu sacrifício por nós, e Maria, que segura a Menorah, a luz plena de Deus. Na Apresentação de Jesus ao templo, há dois personagens, o velho Simeão e a profetiza Ana; e, lá em cima, o Santuário de Aparecida. Os painéis, de cimento armado, são de Adélio Sarro, e compõem harmoniosamente o espaço sagrado.

 

CAPELA DO SANTÍSSIMO

“Pão dos anjos, alimento dos viandantes”. A frase está escrita em latim e acolhe as pessoas que, silenciosamente, dirigem-se para a capela do Santíssimo que estava exposto para adoração, e assim continua durante todo o dia, desde a Páscoa. Os ícones que estão atrás do altar foram doados do acervo do Vaticano por São João Paulo II, quando esteve em Aparecida, ainda na década de 1980; são anjos com os evangelistas e o próprio Jesus, Cordeiro Pascal.

“Na lateral, os dois painéis de cimento armado, também de Adélio Sarro, recordam as cenas do Lava-Pés e do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Eles significam o serviço e a partilha”, explicou Zenilda, que, apontando para o chão, chamou atenção para os peixes.

“Esses peixes que vão e vêm lembram todas as pessoas que, ao serem alimentadas por Cristo, estão em busca precisamente desse verdadeiro pão que alimenta para a vida eterna”, continuou ela. Além disso, o peixe é símbolo eucarístico desde os primeiros cristãos. No teto, por sua vez, a porcelana dourada lembra a luz plena de Deus que se dá em alimento, bem como os feixes de trigo. Abaixo dela está a água, o Espírito Santo que age, o próprio Cristo.

Zenilda falou também sobre a representação de água que é colocada, inclusive, nas paredes do Santuário. “Quando estamos do lado de fora, nós só podemos ver o rio [no caso, o rio Paraíba do Sul], mas quando entramos no Santuário, estamos imersos nesta água da vida. Durante a vida terrena, estamos sendo conduzidos, mas ao entrar no Santuário, mergulhamos em Jesus”.

 

CAPELA DA RESSURREIÇÃO

Na Capela da Ressurreição, estão os restos mortais dos bispos que passaram pelo Santuário; há também um painel digital com os nomes e fotos dos devotos que ajudaram a construí-lo. “Lá há sete painéis que retratam o sofrimento de Jesus. É Jesus que desce à mansão dos mortos, passa pelo seu sofrimento e vem para redimir a humanidade. Ali, é a imagem de Jesus, o Bom Pastor que acolhe os peregrinos, a representação mais antiga daquele que veio para salvar a todos”, acrescentou Zenilda.

CAPELA DO BATISMO

Na Capela do Batismo, todos são convidados a ressurgir com Cristo. Por isso, a Capela fica do lado leste – o lado onde o sol nasce. “No Batismo, nascemos para a Igreja. No meio da capela há uma pia, um poço batismal, e algumas cenas bíblicas, que recordam a ressurreição, como a ressurreição de Lázaro”, contou Zenilda, que disse ser a Capela do Batismo uma das suas preferidas quando busca recolher-se para um momento de oração silenciosa.

A Cúpula dourada representa o Batismo como luz do mundo. Ali também está representado o Cordeiro e as ovelhas. Atrás da pia batismal estão os óleos consagrados. Também a Pomba da Paz e do Espírito Santo pode ser vista na Capela do Batismo, pois o cristão é batizado no Espírito Santo. Na entrada, a palavra “Pax” chama atenção de quem chega. “A primeira mensagem do Cristo Ressuscitado foi paz e, na porta, é Cristo, novo Adão, aquele que nos abre as portas do Paraíso. A gente sai do mundo para estar com Cristo na Igreja”, recordou a historiadora.

 

CAPELA DAS VELAS

“ A Capela das Velas revela-se como um lugar de luz: Jesus, a luz do mundo. No meio da capela, bem no alto, o “Tau”, a Cruz Franciscana, recorda o preço da Redenção, a Salvação, sinal da Cruz Vitoriosa. Abaixo dessa cruz, há dois castiçais de sete braços, a Menorah, um voltado para baixo e outro para cima, pois tudo aquilo que acontece na Terra é refletido no Céu e todas as graças e bênçãos do Céu são derramados na Terra. “A Menorah também representa a sarça ardente, pois assim como Moisés foi chamado no espaço sagrado, somos chamados por Cristo para a vida. Os círculos claros e escuros no chão são a representação das virgens prudentes e imprudentes, conforme a parábola narrada por Mateus, em seu Evangelho”, explicou Zenilda.

 

ZENILDA CUNHA

Era o próprio Claudio Pastro que fazia a visita guiada, com seus alunos e demais pessoas que queriam conhecer melhor suas obras no Santuário. Zenilda, assessora e monitora histórica e religiosa do Santuário, contou à reportagem que ele tinha sido convidado em 1997 para compor a equipe de decoração, mas, por questões de saúde, só aceitou depois de um segundo convite, em 1999.

“Quando eu cheguei, em 2006, fui convidada a fazer um projeto que reunisse as diversas atividades do Santuário e acabei me envolvendo também com essas monitorias que ele dava. Fiz a visita com o Pastro diversas vezes, e estudei sua biografia e obra durante dois anos para ter segurança e falar sobre ele”, afirmou.

Há um ano, foi criada uma equipe de monitoramento para apresentar o Santuário aos hóspedes do Hotel Rainha do Brasil, da qual Zenilda é coordenadora. Além disso, podem ser feitas visitas para grupos especiais, sempre com agendamento prévio. Os principais interessados são estudantes de Arquitetura e História Religiosa, bem como padres e religiosos.

 

MAIOR DO MUNDO

Sendo a maior igreja dedicada à Nossa Senhora do mundo, o Santuário Nacional de Aparecida atrai pessoas do Brasil e do mundo, inclusive pessoas de diferentes confissões religiosas. “A visita completa tem duração de cerca de oito horas e, além das obras de arte, falamos sobre a história do encontro da imagem, liturgia e outros assuntos referentes ao dia a dia do Santuário”, contou Zenilda.

Ela disse que o trabalho é muito interessante, pois há pessoas que nem sabem, por exemplo, que a imagem de Aparecida se trata de uma representação de Maria grávida de Jesus. “Ela é Nossa Senhora da Conceição e se tornou Aparecida porque foi encontrada”, acrescenta. Outros detalhes, como o formato do Santuário, que foi pensado como uma grande Cruz Grega, ou a divisão de temas por alas, são elementos que possivelmente passam despercebidos pela maioria dos peregrinos.

“O Santuário recorda a Jerusalém Celeste, e este espaço Sagrado se renova a cada peregrino que aqui passa em busca da coragem, da paz. Além disso, é importante lembrar que a obra do Pastro, presente em todos os lugares, é simples e as pessoas se identificam com as imagens”, ressaltou.

Zenilda lembrou ainda da última vez que se encontrou com Pastro, em setembro de 2016. “Ele me disse: ‘Hoje, entreguei todo o projeto do Santuário’. E falava que não estaria nos 300 anos do encontro da imagem. Ele sabia que estaria no céu. Claudio Pastro fez 55 cirurgias. Ele mesmo dizia que vivia pela graça de Deus. E quando dizia isto, ficava com os olhos cheios d’água”, recordou, ela que é uma de suas discípulas.

“Eu sinto a falta do Claudio, mas para mim ele vai chegar a qualquer momento, pois não consegui ir ao funeral e não me despedi dele. Ele me orientava, me dava dicas de livros, me incentiva a ir em frente. Sempre nos demos muito bem”, contou.

E Zenilda, cujo pai trabalhou como cozinheiro para os padres redentoristas durante muitos anos, lembrou ainda uma frase de Claudio Pastro da qual ela se recorda sempre: “Uma arte sacra que nos ajude a rezar verdadeiramente deve conter a verdade de Deus, a bondade de Deus que nos deu seu Filho e nos trouxe a vida e, ao mesmo tempo, o que é belo, porque para Deus nós somos belos”.

Tendo pensado em ser religiosa, e sendo parte de uma família onde há muitos padres e religiosas, a responsável por apresentar o Santuário de Aparecida às pessoas que querem encontrar-se com Jesus, por meio de Maria, como ela mesma repetiu várias vezes, sonha em morar algum tempo fora do Brasil e em constituir uma família. “Mas isso só depois da nossa celebração de 300 anos”,brincou ela.

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Papa envia carta aos jovens brasileiros que participaram Projeto “Rota 300”

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31 de julho de 2017

O Papa Francisco enviou, uma carta aos jovens brasileiros no encerramento do projeto Rota 300, que encerrou dia 29 julho com uma grande festa no Santuário Nacional de Aparecida (SP). A iniciativa celebrou os 300 anos do encontro da imagem de Aparecida, no Rio Paraíba do Sul (SP).

No texto, Francisco diz que Maria é um sinal de esperança e que conhece os desafios vividos pelos jovens. Além disso, o papa estimula a juventude a seguir com o espírito missionário.

“Caros amigos, em meio às incertezas e inseguranças de cada dia, em meio à precariedade que as situações de injustiça criam ao redor de vocês, tenham uma certeza: Maria é um sinal de esperança que lhes animará com um grande impulso missionário. Ela conhece os desafios em que vocês vivem. Com sua atenção e acompanhamento maternos, lhes fará perceber que não estão sozinhos”.

Leia a carta na íntegra:

Queridos jovens,

Saúdo afetuosamente a vocês, jovens do Brasil, reunidos em Aparecida para o encerramento do Projeto “Rota 300”, nesse Ano Mariano que comemora os 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Para tal ocasião, gostaria de ressaltar um aspecto da Mensagem que lhes escrevi este ano, para a XXXII Jornada Mundial da Juventude: a Virgem Maria é um precioso exemplo para a juventude e um auxílio na caminhada pela estrada da vida. Para que vocês possam perceber esta verdade, não são necessárias grandes reflexões; basta contemplar a imagem da Mãe Aparecida, durante a peregrinação que farão ao seu Santuário Nacional. Eu mesmo fiz essa experiência, quando aí estive em 2007, por ocasião da V Conferência do Episcopado Latino-americano e, depois em 2013, durante a JMJ no Rio de Janeiro.

Pude ali descobrir no olhar terno e maternal da Virgem morena e nos olhos da gente simples que a contemplava, o segredo da esperança que move o povo brasileiro a enfrentar com fé e coragem os desafios de cada dia. Pude também contemplar a força revolucionária de uma Mãe carinhosa que move o coração de seus filhos a saírem de si mesmos com grande ímpeto missionário, como aliás vocês fizeram durante a semana missionária, que acabam de concluir no Vale do Paraíba. Parabéns por este testemunho!

Caros amigos, em meio às incertezas e inseguranças de cada dia, em meio à precariedade que as situações de injustiça criam ao redor de vocês, tenham uma certeza: Maria é um sinal de esperança que lhes animará com um grande impulso missionário. Ela conhece os desafios em que vocês vivem. Com sua atenção e acompanhamento maternos, lhes fará perceber que não estão sozinhos. Nesse sentido, vale a pena recordar a história daqueles pescadores pobres, que depois de uma pesca sem grandes resultados, no rio Paraíba do Sul, lançaram mais uma vez as suas redes e foram surpreendidos com uma imagem partida de Nossa Senhora, coberta de lama. Primeiro acharam o corpo, logo em seguida a cabeça. Como comentei aos Bispos brasileiros em 2013, o fato traz em si um simbolismo muito significativo: aquilo que estava dividido, volta à unidade, como o coração daqueles pescadores, como o próprio Brasil colonial, dividido pela escravidão, que encontra sua unidade na fé que aquela imagem negra de Nossa Senhora inspirava (cf. Discurso aos Bispos do Brasil, 27/7/2013). Por isso, convido a que vocês também deixem que seus corações sejam transformados pelo encontro com Nossa Mãe Aparecida. Que Ela transforme as “redes” da vida de vocês – redes de amigos, redes socias, redes materiais e virtuais -, realidades que tantas vezes se encontram dividas, em algo mais significativo: que se convertam numa comunidade! Comunidades missionárias “em saída”! Comunidades que são luz e fermento de uma sociedade mais justa e fraterna.

Assim integrados nas suas comunidades, não tenham medo de arriscar-se e comprometer-se na construção de uma nova sociedade, permeando com a força do Evangelho os ambientes sociais, políticos, econômicos e universitários! Não tenham medo de lutar contra a corrupção e não se deixem seduzir por ela! Confiantes no Senhor, cuja presença é fonte de vida em abundância, e sob o manto de Maria, vocês podem redescobrir a criatividade e a força para serem protagonistas de una cultura de aliança e assim gerar novos paradigmas que venham a pautar a vida do Brasil (cf. Mensagem à Assembleia do CELAM, 8/5/2017).

Possa o Senhor, pela intercessão da Virgem Aparecida, renovar em cada um de vocês a esperança e o espírito missionário. Vocês são a esperança do Brasil e do mundo. E a novidade, da qual vocês são portadores, já começa a construir-se hoje. Que Nossa Senhora, que em sua juventude soube abraçar com coragem o chamado de Deus em sua vida e sair ao encontro dos mais necessitados, possa ir na frente de vocês, guiando-lhes em todos os seus caminhos! E para tal, lhes envio a cada um, extensiva aos seus familiares e amigos, a Bênção Apostólica, pedindo que, por favor, não deixem de rezar também por mim.

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