Papa: a Igreja é mulher e mãe, como Maria

Por
21 de mai de 2018

“A Igreja é feminina”, “é mãe” e quando falta esta identidade ela se torna “uma associação beneficente ou um time de futebol”; quando “é uma Igreja masculina”, infelizmente se torna “uma Igreja de solteirões”, “incapaz de amor, incapaz de fecundidade”.

Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada nesta segunda-feira (21/05), na capela da Casa Santa Marta, dia em que a Igreja recorda a Beata Virgem Maria, Mãe da Igreja. Esta memória é celebrada pela primeira vez, este ano, após a publicação em 3 de março passado, do decreto “Ecclesia Mater” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

O Papa Francisco quis que esta memória fosse celebrada na segunda-feira depois de Pentecostes para “favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos pastores, nos religiosos e fiéis, como também a genuína piedade mariana”.

 

A Igreja é feminina

Na homilia, o Santo Padre ressaltou que nos Evangelhos, Maria sempre é indicada como “Mãe de Jesus”, não “a Senhora” ou “a viúva de José”: a sua maternidade percorre toda a Sagrada Escritura, desde a Anunciação até o fim. Uma especificidade que os Padres da Igreja entenderam rapidamente, bem que alcança e cinge a Igreja.

“A Igreja é feminina, porque é igreja, esposa: é feminina. É mãe, dá à luz. Esposa e mãe. E os Padres vão além e dizem: ‘A sua alma também é esposa de Cristo e mãe’. Nessa atitude de Maria, que é Mãe da Igreja, neste comportamento podemos entender essa dimensão feminina da Igreja que, quando não existe, a Igreja perde a verdadeira identidade e se torna uma associação beneficente ou um time de futebol ou qualquer outra coisa, mas não a Igreja.”

Somente uma Igreja feminina poderá ter “comportamentos de fecundidade”, segundo as intenções de Deus, que “quis nascer de uma mulher para nos ensinar este caminho de mulher”.

 

Não a uma Igreja de solteirões

“O importante é que a Igreja seja mulher, que tenha esta atitude de esposa e mãe. Quando nos esquecemos disso, é uma Igreja masculina, sem esta dimensão, e se torna tristemente uma Igreja de solteirões, que vivem no isolamento, incapazes de amor, incapazes de fecundidade. Sem a mulher, a Igreja não vai adiante, porque ela é mulher. Esta atitude de mulher vem de Maria, porque Jesus quis assim.”

 

A ternura de uma mãe

Uma das virtudes que mais distingue uma mulher, observou o Papa Francisco, é a ternura, como Maria que “deu à luz seu filho primogênito, o enfaixou e o colocou numa manjedoura”: cuidar, com mansidão e humildade são as qualidades fortes das mães”.

“Uma Igreja que é mãe segue o caminho da ternura. Conhece a linguagem da sabedoria do carinho, do silêncio, do olhar cheio de compaixão, que tem gosto de silêncio. E, também, uma alma, uma pessoa que vive essa pertença à Igreja, sabendo que também é mãe, deve seguir o mesmo caminho: uma pessoa afável, terna, sorridente e cheia de amor”.

Comente

Festival de Cannes: Filme sobre o Papa Francisco é exibido no maior festival de cinema do mundo

Por
18 de mai de 2018

Termina neste sábado, 19 de maio, a 71ª edição do Festival de Cannes 2018, a mais respeitada vitrine do cinema mundial. Durante esses dez dias, a festa francesa conta com competição de longas-metragens, sessões especiais e mostras paralelas como Um Certo Olhar, Semana da Crítica e Quinzena dos Diretores.

Em uma das sessões especiais da mostra foi exibido o filme “Papa Francisco: um homem de palavra” do cineasta alemão Wim Wenders. A obra não entrou na disputa pela Palma de Ouro. Ao apresentar o longa sobre o Pontífice no festival, o cineasta disse que Francisco é o exemplo vivo de um homem que luta pelo que fala.

“No nosso filme, se dirige diretamente ao espectador, de modo sincero e espontâneo. Queríamos que fosse um filme para todos os tipos de público, porque a mensagem do Papa é universal”, afirmou o diretor.

A agência italiana Sir – Serviço de Informação Religiosa, conversou com o assessor da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, mons. Dario Edoardo Viganò, que colaborou no projeto do filme. A matéria publicada em português pelo Vatican News traz detalhes do filme e de como se deu o início do projeto.

Viganò contou na entrevista que “o filme que Wenders realizou sobre o Papa é uma experiência do falar de si – por parte do Papa – através de um tecedor capaz de reconstruir e entrelaçar a narração – esta é a parte do diretor – de modo que surja a verdade e a profundidade do próprio ser”.

Para o monsenhor, não se trata de um documentário, mas de “um filme com o Papa”. “Papa Francisco é o protagonista da obra. Aceitou participar deste projeto com desejo de compartilhamento e de encontro com o próximo”.

Francisco visto de perto

O filme não tem um estilo narrativo e descritivo, sublinha mons. Viganò, “como nas primeiras tomadas sobre Leão XIII em 1896, ou no filme sobre Pio XII de 1942 Pastor Angelicus, ou mesmo nos documentários audiovisuais dedicados a João XXIII”, desta vez há um envolvimento direto. “Ele é o Papa da proximidade, do abraço inclusivo. Por isso participa como protagonista absoluto”. Uma intenção que se traduziu em “uma direção ao serviço do encontro com o Pontífice, nunca invasiva ou dominante, mas sim, discreta e poética”. “O Papa – afirma o assessor da Secretaria para a Comunicação – refletiu um bom tempo para avaliar o trabalho. Depois, aceitou de maneira convicta, consciente da grandiosidade comunicativa do projeto”.

Wenders, olhar poético

Recordando as obras-primas do cineasta como “As Asas do Desejo” com a particular presença dos anjos, e “Tão longe, tão perto” no qual se cita o Evangelho de Mateus, mons. Viganò recorda também a colaboração com o cineasta na cerimônia de abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia no Vaticano. Com o Centro Televisivo Vaticano – hoje Vatican Media – logo acreditamos no valor de um filme que falasse sobre o diálogo entre o Papa Francisco e a sociedade de hoje, com o encontro de homens e mulheres de todas as proveniências”. “O resultado foi uma experiência cinematográfica intensa, com encontro de pessoas de todas as fés, culturas, pertencentes a todas as classes sociais ou políticas”. A coluna sonora de Laurent Petitgand é enriquecida pela voz narrativa de Wim Wenders e da cantora Patti Smith.

(Com Vatican News)

Comente

Papa: evitar a intriga para caminhar na verdadeira unidade

Por
17 de mai de 2018

Na missa celebrada esta quinta-feira, 17, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma “unidade de salvação”, “que faz a Igreja”, uma unidade que vai rumo à eternidade. “Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou”, disse Francisco.

 

A falsa unidade divide

Porém, há uma “falsa unidade”, como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era “sagaz”, isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a “pedra da divisão”, dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos”.

Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir “ressurreição nem anjo nem espírito”, enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

 

De povo a massa anônima

Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são “os dirigentes” que sugerem o que gritar:

Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: “Crucifiquem-no”. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

 

Intrigar: um método usado também hoje

“Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”. Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

 

A fofoca é uma atitude assassina

O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um “ambiente de falsa unidade”, destacou Francisco.

Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro… E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a “reputação” das pessoas.

 

Caminhar na estrada da verdadeira unidade

“A intriga” foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:

Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

Comente

"A educação cristã é um direito das crianças"

Por
16 de mai de 2018

O Papa Francisco encerrou o ciclo de catequeses sobre o Batismo na Audiência Geral desta quarta-feira (16/05) falando sobre o tema “revestidos de Cristo”.

Os efeitos espirituais deste sacramento, explicou o Pontífice na Praça S. Pedro, são explicitados pela entrega da vesta branca e da vela acesa. São sinais visíveis que manifestam a dignidade dos batizados e sua vocação cristã.

 

Revestir-se de caridade

A veste branca anuncia a condição dos transfigurados na glória divina. Esta é símbolo da graça, que faz da pessoa batizada uma nova criatura, revestida de Cristo. Revestir-se de Cristo, como recorda São Paulo, é revestir-se de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade, de perdão e, sobretudo, de caridade.

 

Inflamar o coração

Também há o simbolismo da chama da vela, que recorda a luz de Cristo que venceu as trevas do mal. A chama do círio pascal inflama o coração dos batizados, enchendo-os de luz e calor. Desde a antiguidade, o sacramento do Batismo é dito também “iluminação” e os neófitos são chamados “iluminados”.

 

A educação cristã é um direito das crianças

De fato, esta é a vocação cristã: caminhar sempre como filhos ou filhas da luz, perseverando na fé. Quando se trata de crianças, cabe aos pais e aos padrinhos alimentar a chama da graça batismal. “A educação cristã é um direito das crianças”, repetiu duas vezes Francisco, citando o Rito do Batismo das Crianças.

“A presença viva de Cristo, a ser protegida, defendida e dilatada em nós, é lâmpada que ilumina os nossos passos, luz que orienta as nossas escolhas, chama que aquece os corações a ir ao encontro do Senhor, tornando-nos capazes de ajudar quem caminha conosco, até a comunhão inseparável com Ele.”

 

Gaudete et Exsultate

Ao final das catequeses sobre o Batismo, o Papa repetiu a cada fiel o convite que fez na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate:

“Deixe que a graça do seu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixe que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opte por Ele, escolha Deus sem cessar. Não desanime, porque tem a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na sua vida”.

Comente

Com “dor e vergonha”, bispos chilenos encontram o Papa

Por
15 de mai de 2018

Tem início esta terça-feira, no Vaticano, o encontro do Papa Francisco com os bispos do Chile sobre a questão dos abusos que se verificaram na Igreja daquele país. Os colóquios se encerram no dia 17 de maio, com a participação de 31 bispos diocesanos e auxiliares e três bispos eméritos.

 

Coletiva de imprensa

Às vésperas deste encontro, dois bispos chilenos realizaram uma coletiva de imprensa na sede do Vatican News: Dom Fernando Ramos, bispo auxiliar de Santiago e secretário-geral da Conferência Episcopal Chilena, e Dom Juan Ignacio González, bispo de San Bernardo.

 

Convocados pelo Papa

Citando a carta de convocação do Papa Francisco de 8 de abril passado, Dom Ramos explicou: “Em primeiro lugar, viemos a Roma para receber as conclusões do relatório de Dom Scicluna sobre sua visita ao Chile e também para fazer um discernimento para encontrar medidas a breve, médio e longo prazo para restabelecer a comunhão e a justiça. Estes são os dois grandes temas para os quais o Santo Padre nos convidou com a sua carta”.

 

Discernimento sobre as responsabilidades

“Esses encontros – prosseguiu Dom Ramos – referem-se às questões de abusos de poder, abusos de consciência e abusos sexuais que se verificaram nas últimas décadas na Igreja chilena, assim como os mecanismos que levaram em alguns casos à ocultação e a graves omissões em relação às vítimas. Um segundo ponto é compartilhar as conclusões que o Santo Padre tirou do relatório de Dom Scicluna. E um terceiro ponto é o convite do Papa a fazer um longo processo sinodal de discernimento para ver as responsabilidades de todos e de cada um nessas feridas terríveis que são os abusos e buscar as mudanças necessárias para que não se repitam mais”.

 

Dor e vergonha

Dom Ramos então afirmou: “A nossa atitude é de dor e vergonha, em primeiro lugar. Dor porque infelizmente existem as vítimas: existem pessoas que são vítimas de abusos e isso causa profunda dor. E vergonha porque esses abusos aconteceram em ambientes eclesiais que são justamente os locais onde estes tipos de abusos jamais deveriam acontecer”.

 

Perdão e reparação

Dom Ramos acrescentou: “Devemos pedir perdão 70 vezes 7. Creio que seja um imperativo moral para nós muito grande. O importante é que o pedido de perdão seja realmente reparador”. O prelado concluiu: “Com toda humildade ouviremos o que o Papa nos dirá”; este é “um momento muito importante” para a renovação da Igreja chilena.

 

Papa Francisco, exemplo para os bispos chilenos

Por sua vez, Dom González disse que os bispos chilenos veem o Papa Francisco como um exemplo por ter admitido os erros, ter pedido perdão e por ter encontrado as vítimas. O ponto central – reiterou – são as vítimas e por isso a Igreja deve fazer obra de reparação, com humildade e esperança, seguindo o ensinamento de Jesus.

 

Sala de Imprensa

Em comunicado de 12 de maio passado, a Sala de Imprensa afirmou que “é fundamental restabelecer a confiança na Igreja através de bons pastores que testemunhem com sua vida ter conhecido a voz do Bom Pastor e que saibam acompanhar o sofrimento das vítimas e trabalhar de modo determinado e incansável na prevenção dos abusos. O Santo Padre agradece a disponibilidade dos seus irmãos Bispos de se colocar à escuta doce e humilde do Espírito Santo e renova seu chamado ao Povo de Deus no Chile para continuar em estado de oração para que haja a conversão de todos”.

E concluiu: “Não está previsto que o Papa Francisco faça qualquer declaração nem durante nem depois dos encontros, que se realizarão em absoluta confidencialidade.”

Comente

Papa: nosso destino é viver como amigos de Jesus

Por
14 de mai de 2018

Recebemos como “destino” e não “casualmente” a amizade com Jesus e a nossa vocação é justamente permanecer amigos do Senhor. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã de segunda-feira, 14, na Casa Santa Marta. A reflexão do Pontífice foi inspirada na Liturgia do dia, em que várias vezes aparece a palavra “sorte”.

 

Nosso destino é viver como amigos de Jesus

Nós recebemos este dom como destino, a amizade do Senhor, esta é a nossa vocação: viver amigos do Senhor, amigos do Senhor. E o mesmo receberam os apóstolos, mais forte ainda, mas o mesmo. Todos nós cristãos recebemos este dom: a abertura, o acesso ao coração de Jesus, à amizade de Jesus. Recebemos na sorte o dom da sua amizade. O nosso destino é ser seus amigos. É um dom que o Senhor mantém sempre e Ele é fiel a este dom.

 

Jesus não renega a sua amizade nem mesmo com quem trai

Muitas vezes, porém, nós não agimos como amigos e nos afastamos “com os nossos pecados, com as nossas teimosias”, mas “Ele é fiel à amizade”. Como recorda o Evangelho de hoje (Jo 15,9-17), Jesus não nos chama mais “servos”, mas “amigos” e mantém esta palavra até o fim porque é fiel. Até mesmo com Judas: a última palavra que dirige a ele, antes da traição, é “amigo”, não lhe diz “vai embora”:

Jesus é o nosso amigo. E Judas, como diz aqui, seguiu sua nova sorte, seu destino que ele mesmo escolheu livremente, se afastou de Jesus. E a apostasia é isso: afastar-se de Jesus. Um amigo que se torna inimigo ou um amigo que se torna indiferente ou um amigo que se torna traidor.

 

Permanecer na amizade com Jesus

Como narra a Primeira Leitura (At 1,15-17.20-26), no lugar de Judas a sorte caiu em Matias “para ser testemunha da Ressurreição”, “testemunha deste dom de amor”. “O amigo – recordou o Papa – é quem compartilha os próprios segredos” com o outro. “Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”, diz de fato Jesus no Evangelho. Trata-se, portanto, de uma amizade que “recebemos como sorte, isto é, como destino”, como a receberam Judas e Matias:

Pensemos nisto, Ele não renega este dom, não nos renega, nos espera até o fim. E quando nós pela nossa fraqueza nos afastamos Dele, Ele espera, Ele espera, Ele continua dizendo: “Amigo, eu o espero. Amigo o que quer? Amigo, por que você me trai com um beijo?”. Ele é fiel na amizade e nós devemos pedir-Lhe esta graça de permanecer no seu amor, permanecer na sua amizade, aquela amizade que nós recebemos como dom na sorte por Ele.

Comente

Papa aos focolarinos: franqueza e perseverança para ir avante

Por
10 de mai de 2018

Depois de Nomadélfia, o Papa Francisco foi até Loppiano, “pequena cidade que nasceu do Evangelho”, como definiu o próprio Pontífice, por ser a sede principal do Movimento dos Focolares por inspiração de Chiara Lubich.

Em Loppiano, o Papa foi acolhido pelo bispo de Fiesole, Dom Mario Meini, e pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce.

Música e festa aguardavam o Pontífice, que assim que chegou fez um breve momento de oração no Santuário Maria Theotokos. Na sequência, diante do mesmo Santuário, se realizou o encontro com a Comunidade baseado em forma de diálogo.

Maria Voce fez sua saudação e os habitantes de Loppiano dirigiram três perguntas ao Pontífice relativas aos desafios que o Movimente enfrenta hoje passados 50 anos de sua fundação.

Francisco agradeceu aos “pioneiros” do Movimento e fez acréscimos improvisados para exemplificar melhor o discurso preparado.

 

Franqueza, perseverança e memória

O Papa os encorajou a serem “francos” e “perseverantes”, duas palavras-chave do caminho da comunidade cristã para ter “memória”.

“É preciso pedir ao Espírito Santo a franqueza – sempre unida ao respeito e à ternura – em testemunhar as grandes e belas obras que Deus realiza em nós e em meio a nós. E também nas relações dentro da comunidade é preciso ser sempre sinceros, abertos, francos, e não medrosos nem preguiçosos nem hipócritos. Não ficar de lado para semear cizânia e murmurar, mas se esforçar para viver como discípulos sinceros e corajosos em caridade e verdade.”

“Quem vive de fofoca é um terrorista”, recordou. Pelo contrário, é preciso pedir o senso de humor, “a atitude humana que mais se aproxima de Deus”.

Francisco recordou o início do Movimento, quando Chiara se inspirou na abadia benedetina de Einsiedeln para criar algo semelhante em Loppiano, de forma nova e moderna, em sintonia com o Concílio Vaticano II, a partir do carisma da unidade: um esboço de cidade nova no espírito do Evangelho, para ressaltar a beleza do povo de Deus na riqueza e variedade dos seus membros. Em síntese, “plasmar uma nova face da cidade dos homens segundo o desenho de amor de Deus”.

“Loppiano é chamada a ser isso”, disse o Papa e o pode se tornar, com confiança e realismo, a ser sempre melhor.

 

Em Loppiano não existem periferias

Em Loppiano, acrescentou, se vive a experiência da caminhar juntos, com estilo sinodal. E esta é a base sólida e indispensável de tudo: a escola do Povo de Deus onde quem ensina e guia é o único Mestre. Daqui derivam as “escolas de formação” típicas do local: formação ao trabalho, ao agir econômico e político, ao diálogo ecumênico e inter-religioso, formação cultural e eclesial, sobretudo a quem é relegado às periferias da existência.

“Loppiano cidade aberta, Loppiano cidade em saída. Em Loppiano não existem periferias”, ressaltou o Papa, pedindo um novo ímpeto a essas escolas de formação, abrindo-as a horizontes mais vastos e projetando-as nas fronteiras através de um novo “pacto formativo”.

Numa época de transformação, continuou o Papa, o desafio é o da fidelidade criativa, isto é, “ser fiéis à inspiração originária e, juntos, estar abertos ao sopro do Espírito Santo e empreender com coragem as novas vias que Ele sugere. “Ele”, reiterou Francisco, “e não o nosso bom senso, as nossas capacidades pragmáticas, não os nossos modos de ver sempre limitados.

 

Discernimento comunitário

Para isso, é necessário o discernimento comunitário. “È necessário escuta de Deus até ouvir com Ele o clamor do Povo e é preciso escuta do Povo até respirar a vontade à qual Deus nos chama. Os discípulos de Jesus devem ser contemplativos da Palavra e contemplativos do Povo de Deus.” O Papa então concluiu:

“Somos chamados todos a se tornar artesãos do discernimento comunitário. Este é o caminho para que também Loppiano descubra e siga passo a passo a via de Deus a serviço da Igreja e da sociedade.”

Francisco encerrou seu discurso falando de Maria, “uma leiga”, e que inspirou a Comunidade dos Focolares, cujo nome oficial é “Obra de Maria”.

“Eu os convido a olhar para Maria, mulher da fecundidade, da paciência, da coragem, de suportar as coisas. Olhem para esta leiga, primeira discípula, e vejam como reagiu em todos os passos conflituais da vida de seu filho.”

Comente

Papa: não dialogar com o diabo, é um grande mentiroso

Por
08 de mai de 2018

Não devemos nos aproximar do diabo nem dialogar com ele: é “um derrotado”, mas perigoso porque seduz e, como um cão raivoso encoleirado, morde se é acariciado. Esta é a advertência do Papa Francisco na homilia da Missa na Casa Santa Marta.

Toda a sua reflexão foi inspirada na figura do diabo que não morreu, mas “já foi condenado”, como diz o Evangelho da Liturgia do dia extraído de João (Jo 16,5-11). “Podemos dizer que é moribundo”- disse o Papa –, mas é em todo caso um “derrotado”.
Porém, não é fácil nos convencer, porque “o diabo é um sedutor”, “sabe quais palavras usar”, e “nós gostamos de ser seduzidos”, explicou Francisco:

E ele tem esta capacidade; esta capacidade de seduzir. Por isso é muito difícil entender que é um derrotado, porque ele se apresenta com grande poder, promete tantas coisas, traz presentes – bonitos, bem embrulhados– “Oh, que lindo!” – mas você não sabe o que tem dentro – “Mas o papel fora é bonito”. Ele nos seduz com o embrulho sem nos mostrar o que tem dentro. Sabe apresentar as suas propostas para a nossa vaidade, a nossa curiosidade.

 

Mentiroso

Os caçadores, de fato, dizem para não se aproximar do crocodilo que está para morrer porque com a cauda ele inda pode matar. “É perigosíssimo”: apresenta-se com todo o seu poder, “as suas propostas são mentiras” e “nós, tolos, acreditamos”.

O diabo, de fato, “é um grande mentiroso, o pai da mentira”. “Sabe falar bem”, “é capaz de cantar para enganar”: “é um derrotado, mas se move como um vencedor”. A sua luz é radiante “como fogos de artifício”, mas não dura, desaparece, enquanto a luz do Senhor é “tênue, mas permanente”.

 

Sedutor

O diabo – reiterou Francisco – “nos seduz, sabe tocar a nossa vaidade, a curiosidade e nós compramos tudo”, isto é, “caímos na tentação”. Portanto, é “um derrotado perigoso”. “Devemos estar atentos ao diabo”, exorta então o Papa, convidando, como diz Jesus, a vigiar, rezar e jejuar. Assim se vence a tentação. Depois, é fundamental “não se aproximar dele” porque, como dizia um Pai da Igreja, é como um cão “bravo”, “raivoso”, preso na corrente, mas que não se deve acariciar porque morde: 

Se eu sei que espiritualmente me aproximando daquele pensamento, daquele desejo, se vou daquele lado ou de outro, estou me aproximando do cão nervoso e encoleirado. Por favor, não faça. “Tenho uma grande ferida...” – “Quem fez isso?” – “O cão” – “Mas ele estava preso?” – “Eh, sim, aproximei-me para lhe fazer um carinho” – “Então você procurou”. É assim: jamais se aproximar, porque está preso. Deixe-o preso ali.

 

Recorrer à mãe

Por fim, devemos estar atentos a não dialogar com o diabo como fez, ao invés, Eva: “ela acreditou ser a grande teóloga e caiu”. Jesus não o faz: no deserto, responde com a Palavra de Deus. Expulsa os demônios, algumas vezes pergunta o nome, mas não dialoga com eles. A exortação do Papa, portanto, é muito clara: “Com o diabo não se dialoga, porque ele nos vence, é mais inteligente do que nós”. Ele se fantasia de anjo da luz, mas é “um anjo de sombra, um anjo de morte”:

É um condenado, é um derrotado, é um encoleirado que está para morrer, mas é capaz de fazer estragos. E nós devemos rezar, fazer penitência, não nos aproximar, não dialogar com ele. E no final, procurar a mãe, como as crianças. Quando as crianças têm medo, procuram a mãe: “Mãe, mãe… estou com medo!”, quando sonham... procuram a mãe. Procurar Nossa Senhora; ela nos protege. E os Pais da Igreja, sobretudo os místicos russos, dizem: nos tempos de turbamentos espirituais, refugiar-se sob o manto da grande Mãe de Deus. Procurar a Mãe. Que Ela nos ajude nesta luta contra o derrotado, contra o cão encoleirado para vencê-lo.

Comente

Papa Francisco em Tor de’ Schiavi: amar é cuidar das pessoas

Por
07 de mai de 2018

O Papa Francisco visitou, na tarde deste domingo, 06, a Paróquia do Santíssimo Sacramento, situada no bairro Tor de’ Schiavi, em Roma, onde inaugurou a “Casa da Alegria” para pessoas especiais.

Francisco foi acolhido pelo vigário do Papa para a Diocese de Roma, Dom Angelo De Donatis, pelo cardeal titular José Gregório Rosa Chávez, pelo Presidente da Caritas Internacional, Cardeal Luís Antônio Tagle, pelo pároco Pe. Maurizio Mirilli, alguns colaboradores e fiéis da paróquia.

Após as boas-vindas, o Papa encontrou-se com as pessoas especiais, seus familiares e abençoou os ambientes da “Casa da Alegria”.

A seguir, no oratório, respondeu quatro perguntas feitas por um pai, uma jovem, uma adolescente e uma criança.

Depois, presidiu a celebração eucarística durante a qual conferiu o Sacramento da Crisma a uma menina da paróquia, que sofre de uma doença mitocondrial, e sua mãe.

Em sua homilia, Francisco ressaltou que Jesus no Evangelho de hoje dá um forte conselho aos discípulos e também a nós: “Permaneçam no meu amor”.

“Cada um de nós pode se perguntar: permaneço no amor do Senhor ou vou buscar outros caminhos, outras condutas de vida? Permanecer no amor significa servir aos outros, estar a serviço dos outros. Não é como ver um filme de amor. O amor é outra coisa. O amor é cuidar dos outros. O amor não é soar um violino. Tudo romântico! O amor é trabalho. Vocês que são mães lembram de seus filhos pequenos e sabem que foi um trabalho, limpar, passar, amamentar. O amor se vê nas obras e não nas palavras. O amor é concreto.”

O Papa convidou cada um a “pensar no amor pela família, pelo trabalho, pelo bairro, no amor pelos outros”.

“Fui à “Casa da Alegria” que para mim deveria se chamar Casa do Amor, pois essa paróquia cuida de muitas pessoas que precisam ser curadas. Isso é amor e o amor é trabalho em prol dos outros. O amor se manifesta com mais força nas obras.”

“O que você faz pelos enfermos do bairro? Se eu amo, o que faço pelos outros? Alguém pode perguntar: Padre, onde aprendemos isso? De Jesus.”

O Papa sublinhou que na Segunda Leitura tem uma frase que pode abrir os nossos olhos:“Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.”

“Ele ama sempre por primeiro e nos espera com amor. Devo me perguntar: espero os outros com amor? A fofoca é amor? O falar mal dos outros é amor? Não, isso não é amor. Posso fazer cinco novena por mês, mas se falo mal dos outros, isso não é amor.”

Francisco disse que “o amor é gratuito e que o termômetro para saber a temperatura do amor é a língua. Antes de me confessar, faço um exame de consciência e penso como a minha língua se comportou. Faça o esforço para não falar mal dos outros. Para isso existe um remédio: morder a língua”.

O Papa concluiu a sua homilia, convidando os fiéis a pedirem ao Senhor a graça de “permanecer no amor e entender que o amor é serviço, é cuidar das pessoas”.

Comente

Proteger e vigiar: a missão do bispo, afirma o Papa

Por
04 de mai de 2018

O bispo e a sua missão: a este tema o Papa dedicou a sua homilia da missa matutina na Casa Santa Marta.

Francisco se inspirou na Primeira Leitura extraída dos Atos dos Apóstolos, que descreve um momento difícil dentro da comunidade de Antioquia.

“Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito”, escrevem Pedro e os apóstolos àqueles cristãos, dizendo, com o Espírito Santo, de reagir para restabelecer a paz.

Portanto, através de uma carta, enviam Barnabé e Paulo e outros homens de confiança até Antioquia. A carta causou alegria aos cristãos “pelo encorajamento que infundia”, narra ainda a Primeira Leitura.

Os que se apresentaram para defender as pessoas como “ortodoxos da verdadeira doutrina”, disse o Papa, “acreditando ser os verdadeiros teólogos do cristianismo”, tinham desorientado o povo: e os apóstolos, os bispos de hoje, o confirmam na fé.

 

Sentinela

“O bispo – afirmou Francisco – é aquele que supervisiona, que controla, é a sentinela, “que sabe guardar para defender o rebanho dos lobos que se aproximam”. A vida do bispo “está envolvida com a vida do rebanho”.

Mas o bispo faz algo a mais – prosseguiu Francisco. Assim como o pastor, vigia. “Uma bela palavra para descrever a vocação do bispo”:

Fazer a vigília significa envolver-se na vida do rebanho: Jesus distingue bem o verdadeiro pastor do empregado, daquele que recebe um salário e não se importa se o lobo vem e come uma ovelha: ele não se importa. Ao invés, o verdadeiro pastor que vigia, que está envolvido na vida do rebanho, defende não só todas [as ovelhas], defende cada uma, confirma cada uma e se uma vai embora ou se perde, ele vai atrás para trazê-la de volta. Está tão envolvido que não deixa que nenhuma se perca.

 

Proximidade

O verdadeiro bispo, portanto, conhece o nome de cada ovelha e isso, afirmou o Papa, nos faz compreender como Jesus concebeu o bispo: próximo. E o Espírito Santo deu ao povo cristão o faro, a capacidade de entender onde existe um verdadeiro bispo:

Quantas vezes ouvimos: “Ah, esse bispo! Sim, é bom, mas não cuida muito de nós, está sempre atarefado”, ou “este bispo se mistura nos negócios, é um pouco comerciante e isso não é bom”, ou “este bispo se ocupa de coisas que não tem a ver com a sua missão”, ou “este bispo está sempre com a mala pronta, sempre viajando, em todos os lugares”, ou “violão na mão”… O povo de Deus sabe quando o pastor é pastor, quando o pastor é próximo, quando o pastor sabe vigiar e dá a própria vida por eles. A proximidade.

 

Vigília

Assim deve ser a vida de um bispo, e assim a sua morte, concluiu o Papa, citando o exemplo de São Turíbio de Mogrovejo, que morreu num pequeno vilarejo indígena circundando pelos seus cristãos que tocavam a chirimía (um instrumento musical de sopro) para que morresse em paz:

Peçamos ao Senhor que nos dê sempre bons pastores, que não falte à Igreja a proteção dos pastores: não podemos ir avante sem isso. Que sejam homens assim, trabalhadores, de oração, próximos, próximos ao povo de Deus... digamos em um só palavra: homens que saibam vigiar.

Comente

Páginas

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.