Em Roraima, Cardeal Scherer ressalta ‘situação de emergência’ dos imigrantes venezuelanos

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21 de janeiro de 2020

Entre os dias 7 e 13 de janeiro, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, realiza uma visita missionária à Diocese de Roraima (RR).

Acolhido pelo Bispo Diocesano, Dom Mário Antonio da Silva, o Cardeal Scherer está conhecendo o trabalho de acolhida dos milhares de imigrantes venezuelanos que cruzam a fronteira após o agravamento da crise política e humanitária no país vizinho.

Nesta terça-feira, 7, Dom Odilo se reuniu com os membros das organizações eclesiais e civis que atuam na acolhida a apoio aos imigrantes.

“São iniciativas muito bonitas de solidariedade. Cada organização ajuda de alguma maneira e, assim, é um trabalho em rede, um trabalho de 'formiguinha'. Cada um faz alguma coisa e, no fim, muitas coisas para socorrer as situações de necessidade de tantos venezuelanos que aqui estão”, relatou o Cardeal, no programa “Encontro com o Pastor”, da rádio 9 de Julho.

MUITAS NECESSIDADES

O Arcebispo destacou, ainda, que a situação na fronteira é muito mais séria. “A situação é de grande emergência. Há carência de tudo. As pessoas estão com fome, desnutridas, cansadas, procuram trabalho, alguma forma de viver com dignidade, sustentar a família”, disse.

“A multidão é grande e as necessidades são muitas. Por isso, o Brasil todo precisa se envolver na ajuda a essas pessoas”, manifestou o Cardeal, ressaltando que Roraima é um estado pequeno e não consegue absorver a multidão que procura trabalho. “De toda forma, a primeira coisa que se faz é acolher, ver onde podem se abrigar, alimentar”, completou.

Pela manhã, Dom Odilo presidiu uma missa na casa dos Missionários da Consolata, onde, diariamente, é servido café da manhã aos imigrantes. Nós próximos dias, o Cardeal visitará a cidade Caracaraí, na fronteira com com a Venezuela. 

CAMINHOS DA SOLIDARIEDADE

Com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade – gesto concreto da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – o projeto Caminhos da Solidariedade reúne diversas organizações que atuam em três eixos: articulação conjunta com a Igreja na Venezuela, integração e meios de vida.

Entre as entidades estão a Cáritas Brasileira, o Serviço Pastoral do Migrante (SPM), Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH), Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR).

Leia a reportagem completa na próxima edição do jornal O SÃO PAULO.

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Visita missionária a Pemba

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16 de outubro de 2019

                       

Há alguns anos, o Bispo da Diocese de Pemba, no norte de Moçambique, é um missionário passionista brasileiro: Dom Luís Fernando Lisboa, nascido em Osasco (SP). Vista a falta de pessoal missionário na sua imensa diocese, equivalente à metade do Estado de São Paulo, ele apelou por ajuda aos bispos brasileiros. E foram justamente os bispos do Estado de São Paulo que abraçaram a missão de Pemba, enviando sacerdotes, religiosos e leigos para trabalhar na Igreja na Diocese de Pemba. Ao todo, já são 12 sacerdotes, e um grupo de consagrados, leigos e leigas. Também a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Regional de São Paulo, participa da missão com uma comunidade intercongregacional. E há várias congregações religiosas, como os Saletinos e Passionistas, que também mantêm missionários brasileiros nesta mesma Diocese.


O projeto missionário das dioceses do Regional Sul 1 da CNBB, correspondente ao Estado de São Paulo, além de enviar pessoal missionário, providencia a ajuda financeira para manter a missão. Cada diocese participa com uma cota anual. De fato, além de manter os próprios missionários, também são necessários os meios para a realização da missão, como veículos para os deslocamentos, a alimentação, a manutenção das casas, a saúde e, é claro, as múltiplas ajudas à população local. 


Moçambique foi colônia portuguesa desde o século XVI até a década de 1970. Houve uma longa guerra pela independência e, uma vez conseguida esta, houve uma dura guerra civil pela tomada efetiva do poder. Depois de um período de governo marxista, o País vive hoje uma realidade democrática ainda em evolução. Possui muitas riquezas, mas a população é, em geral, muito pobre e vive de uma maneira bem simples. Os analfabetos ainda são muitos e há problemas de saúde endêmicos, como a malária, lepra e Aids. A economia popular é feita de agricultura de subsistência e de pequeno comércio. Base da alimentação diária são o arroz, a mandioca, o milho, do qual fazem uma espécie de polenta.


A população é jovem e as mulheres, geralmente, têm muitos filhos, começando a tê-los bem cedo, até com 13 ou 15 anos de idade. Há crianças e jovens por toda a parte!


O trabalho dos missionários é imenso, e vai desde o atendimento religioso aos cuidados à saúde e à educação do povo. Em cada paróquia ou sede da missão, há também escolas e várias formas de promoção humana e assistência social. As reuniões e celebrações das comunidades são muito bem participadas, sempre com muita música, ritmo e bailado. O povo é profundamente religioso e conserva, além da fé cristã recebida, certos ritos e costumes religiosos ancestrais. Além da Igreja Católica, há uma forte presença muçulmana e também alguns grupos evangélicos. A convivência, até agora, tem sido pacífica e harmônica. Infelizmente, porém, nos anos mais recentes, houve alguns atentados e ataques a aldeias, atribuídos a grupos religiosos extremistas, que arriscam perturbar  essa convivência religiosa harmônica.


Dom Luís Fernando recebe, na casa episcopal de Pemba, os missionários e sacerdotes locais com grande hospitalidade. Sua casa é um centro de apoio missionário, onde sempre há movimento. Isso é importante para o apoio ao serviço missionário, além de facilitar os cuidados da saúde e o abastecimento das missões espalhadas pelo vasto território. Há paróquias com mais de 400km de distância da sede da Diocese, que fica à beira do Oceano Índico. Pemba é a capital política da Província de Cabo Delgado, que já faz divisa com a Tanzânia.


Em Maputo, a Capital do País, tive a ocasião de visitar a comunidade missionária da Aliança de Misericórdia, que ali atua com um padre e alguns leigos consagrados. Estão dedicados a uma comunidade muito pobre, onde também cuidam da assistência religiosa, da saúde, alimentação e formação humana geral. Além deles, outros numerosos missionários brasileiros atuam em Maputo e em outras dioceses do País. 


Em visita ao Núncio Apostólico local, Dom Piergiorgio Bertoldi, que foi secretário da Nunciatura no Brasil, pude perceber a movimentação para preparar a visita do Papa Francisco a Moçambique, no próximo dia 4 de setembro. De fato, também na Diocese de Pemba essa preparação é sentida por toda a parte. Delegações de todas as dioceses do País já estão se organizando para o encontro com o Papa Francisco na capital, Maputo. A visita do Papa em Moçambique, além do seu significado missionário, também tem importância para a unidade e a consolidação da paz no País. Acompanhemos essa importante visita com a nossa oração.

 

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