Memória de São Jorge, onomástico do Papa: as felicitações do mundo inteiro

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23 de abril de 2018

Hoje, 23 de abril, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jorge, onomástico do Papa Jorge Mario Bergoglio. Felicitações estão chegando a ele de todo o mundo nestas horas.

 

A luta de São Jorge contra o dragão

Nascido na Capadócia, oficial do exército de Diocleciano, São Jorge morre mártir em 303, entre atrozes torturas, por não negar sua fé durante as perseguições anticristãs desencadeadas pelo imperador romano. Famoso o episódio lendário em que, protegido pela Cruz, mata o dragão que devorava as pessoas: símbolo de fé que triunfa sobre o mal.

 

Reflexões do Papa sobre a luta contra o mal

A oração do Pai nosso termina com esta invocação: livrai-nos do mal. Na realidade, explica Francisco, o mal não é algo abstrato, é uma pessoa: satanás. O Papa frequentemente cita o diabo em suas homilias e seus discursos. “A vida de Jesus foi uma luta - disse na Santa Missa em Santa Marta, no dia 11 de abril de 2014 - Ele veio para vencer o mal, para vencer o príncipe deste mundo, para vencer o demônio”. É uma luta que todo cristão deve enfrentar. E aqueles que querem seguir a Jesus devem “conhecer bem esta verdade”.

 

A luta contra a tentação

“Nós somos alvo do ataque do demônio - acrescentara o Papa - porque o espírito do Mal não quer a nossa santidade, não quer testemunho cristão, não quer que sejamos discípulos de Jesus. E como faz o espírito do Mal para nos afastar do caminho de Jesus com a sua tentação? A tentação do demônio tem três características e devemos conhecê-las para não cair nas armadilhas. Como faz o demônio para nos afastar do caminho de Jesus? A tentação começa levemente, mas cresce: cresce sempre. Em segundo lugar, cresce e contagia outro, se transmite para outro, tenta ser comunitária. E no final, para tranquilizar a alma, se justifica. Ela cresce, contagia e se justifica”.

 

Nós não devemos ser ingênuos

O Papa continua: “Alguns de vocês, talvez, eu não sei, pode dizer: 'Mas, padre, mas que antigo é o senhor: falar do diabo no século XXI!' Mas olhem que o diabo existe! O diabo existe. Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingênuos. Devemos aprender do Evangelho como se luta contra ele”.

 

O ataque à unidade da Igreja

A palavra "diabo" deriva do grego "dia-bolos", é "aquele que divide". Satanás quer separar de Deus, quer separar os irmãos, ataca a unidade da Igreja. "A autodestruição ou o fogo de soldados companheiros – afirma o Papa Francisco - é o perigo mais sutil. É o mal que atinge de dentro; e, como Cristo diz, todo reino dividido em si mesmo vai em ruínas" (Saudações à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2014). O diabo procura destruir a Igreja. A sua "é uma guerra suja" e "nós ingênuos participamos do seu jogo" (missa em Santa Marta, 12 de setembro de 2016). "O diabo tenta criar guerra interna, uma espécie de guerra civil e espiritual. Uma guerra que não é feita com armas, que nós conhecemos: é feita com a língua" (Homilia para a Gendarmaria do Vaticano, 28 de setembro de 2013).

 

Nunca ceda ao desânimo: nossa alegria é Jesus

Esta é a exortação de Francisco: "Nunca ceder ao pessimismo, àquela amargura que o diabo nos oferece todos os dias; nunca ceder ao pessimismo e ao desânimo: temos a firme certeza de que o Espírito Santo dá à Igreja, com seu sopro poderoso, a coragem de perseverar "(Audiência aos Cardeais, 15 de março de 2013). "A nossa não é uma alegria que vem do possuir muitas coisas, mas nasce de ter encontrado uma Pessoa: Jesus, que está entre nós; nasce de saber que com Ele nunca estamos sozinhos, mesmo em momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida se depara com problemas e obstáculos que parecem intransponíveis, e há muitos! E neste momento vem o inimigo, vem o diabo, disfarçado de anjo muitas vezes, e insidiosamente nos diz a sua palavra. Não dê ouvidos a ele! Vamos seguir Jesus! "(Homilia do Domingo de Ramos, 24 de março de 2013).~

Esta é a exortação de Francisco: "Nunca cedemos ao pessimismo, àquela amargura que o diabo nos oferece todos os dias; não cedemos ao pessimismo e ao desânimo: temos a firme certeza de que o Espírito Santo dá à Igreja, com seu sopro poderoso, a coragem de perseverar "(Audiência aos Cardeais, 15 de março de 2013). "Nossa não é uma alegria que vem de possuir muitas coisas, mas nasce de ter encontrado uma Pessoa: Jesus, que está entre nós; vem de saber que nunca estamos sozinhos com ele, mesmo em momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida se depara com problemas e obstáculos que parecem intransponíveis, e há muitos! E neste momento o inimigo vem, o diabo vem, disfarçado de anjo muitas vezes, e insidiosamente nos diz sua palavra. Não dê ouvidos a isso! Vamos seguir Jesus! "(Homilia do Domingo de Ramos, 24 de março de 2013).

 

A luta cristã é vencer o mal com o bem

São Jorge derrotou o dragão, símbolo de uma vitória da fé que tem modalidades precisas. O Papa aponta para algumas com o convite "a não criar muros, mas pontes, a não para retribuir o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão - o cristão nunca pode dizer: você vai me pagar por isso! nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa se vence com o perdão – a viver em paz com todos. Esta é a Igreja! E isso é o que a esperança cristã faz quando assume as características fortes e ao mesmo tempo ternas do amor. O amor é forte e terno. É lindo" (audiência geral de 8 de fevereiro de 2017).

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Papa Francisco: o Batismo "cristifica" o fiel

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11 de abril de 2018

Na audiência geral desta quarta-feira, 11, o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses, ao concluir semana passada as reflexões sobre a Santa Missa.

O novo tema escolhido pelo Santo Padre é o Batismo, o fundamento da vida cristã. Trata-se do primeiro dos Sacramentos, enquanto é a porta que permite a Cristo Senhor fixar morada na nossa pessoa e, a nós, de nos imergir no seu Mistério.

O verbo grego “batizar” significa “imergir” (cfr CCC, 1214). Banhar-se com água é um rito comum a várias crenças para expressar a passagem de uma condição a outra, sinal de purificação para um novo início.

“Mas para nós cristãos não deve passar desapercebido que se é o corpo a ser imergido na água, é a alma a ser imersa em Cristo para receber o perdão do pecado e resplandecer de luz”, explicou o Papa, citando o escritor romano Tertuliano.Novo aniversário

Como em outras ocasiões, o Papa perguntou aos fiéis quem sabe a data do próprio batismo, dando uma "lição de casa" a todos: perguntar aos familiares a data em que Cristo entrou em nossa vida. "É outro aniversário", disse Francisco, é o aniversário do renascimento, que também deve ser comemorado agradecendo ao Senhor.

 

Regeneração

Através do lavacro batismal, quem crê em Cristo é imerso na própria vida da Trindade. A água do batismo, prosseguiu Francisco, não é uma água qualquer, mas a água sobre a qual o Espírito é invocado. Por isso, o batismo é chamado também “regeneração”: acreditamos que Deus nos salvou por sua misericórdia, com uma água que regenera e renova no Espírito.

Por isso, o batismo é sinal eficaz de renascimento, para caminhar em novidade de vida. Imergindo-nos em Cristo, o Batismo nos torna também membro do seu Corpo, que é a Igreja, e partícipes da sua missão no mundo.

Este Sacramento, acrescentou o Papa, permite a Cristo viver em nós e a nós viver unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo. Recebido uma única vez, o Batismo ilumina a nossa vida, guiando os nossos passos até a Jerusalém do Céu.

 

Um marco

“Há um antes e um depois do Batismo”, frisou Francisco.

O Sacramento supõe um caminho de fé, que chamamos catecumenato, evidente quando é um adulto a pedir o Batismo. Mas também as crianças, desde a antiguidade, são batizadas na fé dos pais. A este ponto, o Pontífice respondeu a quem questiona o porquê batizar as crianças e não esperar que, uma vez adultas, sejam elas mesmas a pedir o Sacramento. "Isso significa não ter confiança no Espírito Santo", respondeu, porque é Ele que faz crescer e amadurecer as virtudes cristãs. Todos devem ter esta oportunidade, "não esqueçam de batizar as crianças", recomendou o Papa.

 

"Cristificar"

“Ninguém merece o Batismo”, explicou ainda o Pontífice, pois é sempre um dom gratuito para todos, adultos e recém-nascidos. “As promessas batismais que todos os anos renovamos na Vigília Pascal devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo “cristifique” quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo.”

 

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Papa: missionários da misericórdia são embaixadores do amor de Deus

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10 de abril de 2018

A manhã dessa terça-feira, 10/04, Papa Francisco esteve em companhia dos missionários da misericórdia, que concluem na quarta-feira uma jornada de reflexões e catequeses passados dois anos da experiência do Jubileu da Misericórdia.

Os missionários da misericórdia são sacerdotes indicados pelas várias dioceses do mundo, para que com suas capacidades pastorais e espirituais, especialmente a escuta, sejam anunciadores da Misericórdia de Deus.

 

Isaías e Paulo

O discurso do Pontífice foi longo, estruturado sobretudo a partir do texto do profeta Isaías e da experiência do Apóstolo Paulo.

De fato, a primeira indicação oferecida pelo Apóstolo é que os sacerdotes são colaboradores de Deus. A mensagem que levamos como embaixadores em nome de Cristo é a de fazer as pazes com Deus. O nosso apostolado é um a buscar e receber o perdão do Pai. Como se vêm Deus necessita de homens que levem ao mundo o seu perdão e a sua misericórdia.”

Esta responsabilidade, acrescentou o Papa, requer um estilo de vida coerente com a missão recebida. Ser colaboradores da misericórdia pressupõe, portanto, reconhecer a misericórdia de Deus primeiramente na própria existência pessoal.

“ É preciso partir sempre deste ponto firme: Deus me tratou com misericórdia. Esta é a chave para se tornar colaboradores de Deus. ”

Os ministros, portanto, não devem se colocar acima dos outros como se fossem juízes dos irmãos pecadores. Um verdadeiro missionário da misericórdia se espelha na experiência de Paulo: Deus escolheu a mim; depositou a sua confiança em mim não obstante eu seja um pecador para ser um seu colaborador.

 

Primeirar

Francisco prosseguiu usando um de seus neologismos: a palavra primeirar, que expressa a dinâmica do primeiro ato com o qual Deus vem ao nosso encontro. “A reconciliação não é, como se pensa frequentemente, uma nossa iniciativa privada ou o fruto do nosso empenho”, recordou. A primeira iniciativa é do Senhor; é Ele que nos precede no amor.

Portanto, diante de um penitente, os ministros devem reconhecer alguém que já realizou o primeiro fruto do encontro com o amor de Deus. E a tarefa dos confessores consiste em não tornar vã a ação da graça de Deus, mas ampará-la e permitir que chegue à sua realização.

Mas infelizmente, admitiu o Papa, pode acontecer que o sacerdote, com o seu comportamento, afaste ao invés de aproximar o penitente.

“Não é preciso que faça sentir vergonha a quem já reconheceu o seu pecado e sabe que errou, não é preciso investigar lá onde a graça do Pai já interveio; não é permitido violar o espaço sagrado de uma pessoa no seu relacionar-se com Deus.”

Pelo contrário, quando se acolhe o penitente, é preciso olhar em seus olhos e ouvi-lo para permitir que perceba o amor de Deus que perdoa apesar de tudo. O sacerdote não o culpa pelo mal do qual se arrependeu, mas o encoraja a olhar para o futuro com novos olhos, de olhar novamente para a vida com confiança e empenho.

“ A misericórdia abre à esperança, cria esperança e se nutre de esperança.. ”

Afinal, o Deus que amou o mundo a ponto de dar o seu Filho jamais poderá abandonar ninguém: o Seu amor estará sempre ali, próximo, maior e mais fiel do que qualquer abandono. E os missionários da misericórdia são chamados a ser intérpretes e testemunhas deste Amor.

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Coleta da Sexta-feira Santa: solidariedade à Síria

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27 de março de 2018

Na manhã desta terça-feira, 27, 43 refugiados sírios desembarcaram no aeroporto romano de Fiumicino graças aos corredores humanitários.

Trata-se de núcleos familiares provenientes de Aleppo, Homs, Raqqa e Edlib; mais da metade são crianças. Na quarta-feira, está prevista a chegada de mais 47 cidadãos sírios.

Os corredores humanitários são um programa de acolhimento na Itália dirigido a migrantes em especiais condições de vulnerabilidade. A iniciativa nasceu em 2016 de uma parceria entre o Ministério das Relações Exteriores e a Comunidade de Santo Egídio, a Federação das Igrejas Evangélicas e os valdeses. A finalidade é garantir uma imigração segura, sem que tenham que recorrer a traficantes de seres humanos.

 

As pedras vivas do Oriente Médio: os cristãos

A guerra na Síria completou sete anos. Nos últimos dias, organizações como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Save the Children lançaram apelos em prol da infância no país.

Segundo Fr. Bruno Varriano, reitor e guardião da Basílica da Anunciação, em Nazaré, uma parte da coleta da Sexta-feira Santa é destinada à população da Síria.

 

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Há tempos, Papa planeja Sínodo para Amazônia, diz Cardeal Baldisseri

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06 de novembro de 2017

A atenção especial do Papa Francisco à região da Amazônia já é de longa data. Conforme explicou o Cardeal Lorenzo Baldisseri ao O SÃO PAULO , em breve entrevista por e-mail, há mais de um ano o Pontífice já pensava em uma assembleia do Sínodo dos Bispos dedicada especialmente às questões da região Pan- Amazônica. “Cerca de um ano e meio atrás, recebi uma ligação telefônica do Papa, na qual me expressou a intenção de um possível Sínodo especial sobre a Amazônia”, contou Dom Lorenzo, que foi Núncio Apostólico no Brasil por dez anos e hoje é Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos.

“Depois, passou bastante tempo e o Papa me disse que, naquele momento, era só uma ideia. Agora, como podemos ver, é um programa concreto”, afirmou o Cardeal. A chamada região da “Pan- Amazônia” inclui todo o território da floresta que se estende pelo Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guianas e Suriname. 

Segundo Dom Lorenzo, foi o Arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes, quem estimulou esse projeto do Papa Francisco. “Já faz um bom tempo que o Santo Padre falava de uma atenção especial para a Amazônia e o Cardeal Hummes foi quem percebeu melhor do que ninguém esse desejo do Papa.” O Cardeal Baldisseri explicou que o objetivo é levar a Amazônia ao centro das atenções de toda a Igreja. “É uma terra de missão, no sentido clássico, onde houve a ‘ implantatio Ecclesiae ’, mas ainda carente de estruturas, de pessoal, de novas ideias.”

A associação entre problemas sociais e problemas ambientais que o Papa Francisco fez de forma inovadora na Encíclica Laudato Si’ se manifesta de forma explícita no contexto amazônico. De acordo com Dom Lorenzo, a Encíclica pode ajudar a orientar propostas para a região. “Para o mundo, é uma região única com problemáticas que dizem respeito à sobrevivência. O clima e o ecossistema foram fragilizados pela intervenção insensata e catastrófica do homem.” A Laudato Si ’ poderá ajudar a identificar “a urgência de uma intervenção positiva em favor dessa região”, diz.

O Papa Francisco anunciou em 15 de outubro sua decisão de convocar uma reunião especial do Sínodo para a Amazônia, que deve acontecer em outubro de 2019, no Vaticano. Ele disse que o objetivo é encontrar novas formas de evangelização, especialmente para indígenas, um povo esquecido e sem perspectiva. 

“Temos dois anos para preparar, mas os tempos ‘amazônicos’ são diferentes dos ritmos de outras regiões da terra. Temos que trabalhar desde já!”, disse o Cardeal Baldisseri. “A reação ao anúncio foi de entusiasmo e grande interesse, inclusive na Europa e na Ásia, onde se começa a aumentar a conscientização”, afirmou. 

Até o momento, desde 2014, existe a Rede Eclesial Pan-Amazônica, da qual Dom Cláudio Hummes é Presidente. A instituição reúne as conferências episcopais dos nove países da região. Dom Cláudio também é Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Em breve, teremos encontros na região com sucessivo e imediato contato da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos”, contou Dom Lorenzo.
 

 

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Um brasileiro na ‘Rádio do Papa’

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26 de julho de 2017

Há 27 anos como jornalista na rádio Vaticano, o brasileiro Silvonei José Protz acompanhou três pontificados. Natural de Guarapuava (PR), Silvonei é doutor em Comunicação, formado em Jornalismo, Economia e Sociologia. Atual diretor do “Programa Brasileiro” da rádio Vaticano , Silvonei também é professor de comunicação nas pontifícias universidades Gregoriana e Urbaniana e no Centro Cultural da Embaixada do Brasil junto ao Governo italiano. Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, o jornalista falou sobre seu trabalho e destacou as mudanças que estão acontecendo na comunicação da Santa Sé. Confira a entrevista

O SÃO PAULO – Como você foi parar na Rádio Vaticano? Você começou no jornalismo laico?

Silvonei José – Minha experiência com o jornalismo laico foi breve, pois desde o início da minha carreira, com exceção de Angra dos Reis (RJ) e Pato Branco (PR), eu sempre militei na mídia católica. Mas tenho um grande contato com a mídia leiga pelo fato de ser o Diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano. Posso dizer que, mesmo quando navegava na imprensa leiga, a minha preocupação sempre foi a utopia da verdade, o desejo de ser ponte entre os eventos e as pessoas.

A minha experiência no jornalismo ligado à Igreja Católica foi desde o início um crescendo de aprendizagem. Temos sempre algo a aprender. Iniciei na Rádio da minha Diocese, Rádio Cultura de Guarapuava, e dali fui para a Rádio Aparecida, SP. Depois de uma breve passagem por Angra e Rio de Janeiro fui para Pato Branco e depois Roma, Rádio Vaticano. Momentos diferentes, realidades diferentes, mas sempre um caminho de aprendizagem. Tive ao longo de minha vida profissional muitos professores que se tornaram e ainda são meus amigos. Não cito nomes, mas cada um deles sabe o quanto foram importantes na minha vida. Recordo somente dois deles: Padre Zezinho com quem trabalhei na Rádio Aparecida e Padre Ronoaldo Pelaquin que na época era o Diretor Artístico da emissora.

Foi o Padre Pelaquin quando se tornou Diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano a me convidar a fazer parte da equipe. Eu tinha ido a Roma para fazer um curso de Marketing e ali encontrei Padre Pelaquin que estava fazendo um curso de cinema. Ele ainda não estava na Rádio Vaticano. Quando voltei ao Brasil, depois de alguns meses ele me telefonou convidando a retornar a Roma e a fazer parte da equipe da Rádio do Papa. Aceitei por 6 meses e já são 27 anos. Hoje poder comunicar de Roma para o mundo o magistério de Pedro, a vida da Igreja nos quatro cantos do planeta e ter uma visão de conjunto dos países é um privilégio que procuro corresponder com o meu trabalho.

Como foi acompanhar três diferentes pontificados?

Como disse antes é um privilégio servir o Papa e a Santa Sé. Passaram-se 27 anos e 3 papas. Exercer o trabalho jornalístico no meio eclesial, e principalmente papal, é um sentimento difícil de descrever, pois, é uma honra poder cumprir minha missão na Rádio do Papa. Sentimento de gratidão certamente a Deus pelo dom que ele me deu, mas também às pessoas que acreditaram em mim e no meu trabalho. Sinto uma grande alegria em poder servir a minha Igreja através do serviço prestado, hoje, ao Papa Francisco. Mas também é uma grande responsabilidade com a qual eu me confronto todos os dias.

Foram pontificados diferentes: João Paulo II, o homem que abriu a Igreja ao mundo, o peregrino incansável que visitou todos os ângulos da terra. Uma grande gama de trabalho para nós jornalistas. Já o Papa Bento XVI, além de suas viagens, foi o homem que trouxe para todos o significado real de ser cristão, ser católico, o homem que nos fez interrogar sobre a nossa fé. E agora Francisco, como o próprio nome diz, é o homem dos gestos concretos, da humildade que contagia, da misericórdia, do perdão. Francisco nos faz trabalhar muito porque é um Papa que não párar, está sempre em movimento, sempre em diálogo com o mundo.

Para você qual é a diferença de fazer comunicação no Vaticano?

Respondo esta pergunta citando o primeiro encontro de Francisco com a imprensa no dia 16 de março de 2013. Naquela ocasião, o Papa recordou o sempre maior papel da mídia, a ponto de se tornar indispensável para narrar ao mundo os acontecimentos da história contemporânea.

Quase sempre os acontecimentos da história reclamam uma leitura complexa, podendo eventualmente incluir também a dimensão da fé. Certamente os acontecimentos eclesiais não são mais complicados do que os da política ou da economia; mas possuem uma característica fundamental própria: seguem uma lógica que não obedece primariamente a categorias por assim dizer mundanas e, por isso mesmo, não é fácil interpretá-los e comunicá-los a um público amplo e variado. É importante, disse Francisco, ter em devida conta este horizonte interpretativo, esta hermenêutica, para identificar o coração dos acontecimentos.

O Papa e o Vaticano têm uma grande consideração para com o mundo da comunicação, para com os comunicadores. O nosso trabalho, como de todos os jornalistas requer estudo, uma sensibilidade própria e experiência, como tantas outras profissões, mas implica também um cuidado especial pela verdade, a bondade e a beleza, recordou certa vez Francisco. Deveria resultar claramente que todos somos chamados, não a comunicar-nos a nós mesmos, mas esta tríade existencial formada pela verdade, a bondade e a beleza. Essa é sem dúvida uma abordagem que procuramos ter todos os dias no nosso trabalho e que deveria fazer refletir a todos aqueles que estão envolvidos com o mundo da comunicação. A diferença da nossa comunicação com as demais é que a nossa especificidade é levar ao mundo o magistério petrino e a boa nova do Evangelho, junto com a ação da Igreja no mundo e nas realidade locais.

Você pode compartilhar alguma experiência marcante do seu trabalho no Vaticano?

Creio que um dos momentos principais tenha sido a morte de João Paulo II. Eu trabalhei com ele 16 anos, e foram 16 anos muito intensos, seja como jornalista que o acompanhou no seu dia-a-dia e nas suas viagens, seja também espiritualmente, pois ele era uma pessoa que tocava seu coração. Jamais pude permanecer indiferente diante da sua pessoa. A sua morte, - mesmo sendo esperada – causou uma grande dor em todos nós que tivemos a alegria de trabalhar com ele e para ele. Mas ao mesmo tempo invadiu-nos uma alegria pela certeza, que “da janela do céu” ele continuaria a nos guiar e conduzir. A morte de JPII é um marco na minha vida de jornalista.

Atualmente tem acontecido mudanças na comunicação vaticana. Como você tem vivido esse processo?

O Vaticano procura estar presente em todos os meios de comunicação por meio do rádio, TV, redes sociais, jornais. Falo, por exemplo, da Rádio Vaticano, que neste momento está passando por um processo de integração com o Centro Televisivo Vaticano, já que ambos fazem parte da nova Secretaria para a Comunicação. A RV possui 40 redações linguísticas com 40 línguas diferentes, e ela é um modo concreto de levar o magistério petrino e a mensagem do Papa a todos os quadrantes do planeta. 40 línguas que nos possibilitam comunicar com todas as Igrejas locais presentes nos 5 continentes. Existe hoje uma grande preocupação de levar a voz do Papa, da Santa Sé a todas as realidades, por isso a utilização das redes sociais está ganhando cada vez mais importância, devido ao grande número de usuários. Rádio, TV, jornal, continuam sendo instrumentos importantes de comunicação do Vaticano e que, num breve futuro, estarão interligados em um único portal, para facilitar o acesso a todas as informações provenientes do Vaticano, seja das atividades do Papa, seja da atuação da Santa Sé e da Igreja em todo o mundo.

Com o nascimento da Secretaria para a Comunicação, todos os setores de comunicação vaticanos (Rádio, CTV, Jornal, Sala de Imprensa, Livraria Editora, Tipografia, Serviço Fotográfico, Internet) fazem parte da mesma família, e será um trabalho em sinergia, evitando duplos ou triplos trabalhos.

Qual é o futuro da Rádio Vaticano nesse processo?

Nós, como Programa Brasileiro da Rádio Vaticano, estamos nos reinventando para podermos atuar em todos os campos da mídia. Seremos cada vez mais multimídia. Nós já somos uma redação multimídia, mas agora com a Secretaria, faremos parte de uma grande redação central com 6 línguas (inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, português) que dará a linha editorial para as demais línguas presentes na Rádio do Papa. Teremos também no futuro a participação do jornal L’Osservatore Romano. O nosso futuro como Rádio é estar cada vez mais perto das atividades do Papa e da Santa Sé e interagir cada vez mais com as redes de rádio no Brasil, para podermos chegar ainda mais facilmente às realidades locais. Traremos através dos nossos programas e do nosso site informações ainda mais abalisadas sobre o Vaticano e a Igreja dispersa em todo o mundo.

O Programa Brasileiro tem investido bastante nas redes sociais. Isso tornou a Rádio Vaticano mais conhecida entre as novas gerações?

Os nossos jovens estão nas redes sociais, são nativos do mundo digital, e nós temos a obrigação de estar ali, com eles, levando uma palavra de esperança, de fé. Investimos muito nas redes sociais pois temos a obrigação de estar presente no meio das novas gerações. Sem dúvida, a Rádio Vaticano se tornou muito conhecida no meio da nossa juventude e isso nos deixa muito feliz. Temos sempre respostas positivas das nossas matérias e postagens.

Recordo que a Igreja está presente nos meios de comunicação e deve aumentar a sua presença na mídia e nas redes sociais. Por isso é importante que a Igreja saiba dialogar, entrando nos ambientes criados pelas novas tecnologias, nas redes sociais, para tornar visível a sua presença. Esse é um mundo onde a Igreja deve estar presente e deve fazer ouvir a sua voz.

Sabemos que os nossos jovens estão cada vez mais presentes no mundo digital, nas Redes, muitos em busca de algo que possa ser útil para as suas vidas. É nesta busca que a Igreja deve ajudar.

Esse novo modelo de comunicação proposto pelo Vaticano poderá inspirar mudanças também na comunicação das igrejas locais?

Creio que cada realidade local tem as suas necessidades particulares. A Santa Sé está criando um modelo de comunicação para facilitar a divulgação da mensagem de “Pedro” e da Santa Sé. Em uma escala menor, em uma realidade menor, creio que é a mesma coisa. Penso em uma Diocese ou Arquidiocese que tem Rádio, TV, jornal, portal e não trabalham em sinergia, certamente teremos um trabalho dobrado e nem sempre com a eficiência que se poderia ter trabalhando juntos.

Há também uma grande preocupação de que os meios de comunicação da Santa Sé, não sejam somente visto como instrumentos de comunicação, mas como fonte de informação.

Tudo o que diz respeito à atividade do Papa, da Santa Sé e da Igreja no mundo, passa pela Secretaria de Comunicação, e através dela chega à grande mídia mundial. É cada vez mais importante esta ligação com a mídia mundial, pois a mídia mundial representa o acesso a bilhões de pessoas que talvez não conheçam ou não possam ter acesso aos meios de comunicação vaticanos. Uma ligação que também deveríamos aumentar no Brasil no que diz respeito aos meios de comunicação da Igreja.

Outra coisa. É necessária uma continuidade, pois as tecnologias se evoluem com uma velocidade impressionante. Mas junto com a evolução tecnológica, devemos também aprender a comunicar com uma nova linguagem, com uma linguagem mais adequada. Devemos chegar às pessoas de modo diferente para que a nossa mensagem seja bem recebida e possa contribuir na caminhada deste nosso mundo que passa por tantas dificuldades.

Que conselho você dá para aqueles que, como você, tem a missão de comunicar a vida e a missão da Igreja?

Temos como slogan na Redação brasileira “informar bem para formar bem”. Creio muito nisso, na qualidade da informação e na importância que ela tem. Graças a Deus temos hoje pastores na nossa Igreja que dão grande importância à comunicação e aos meios de comunicação. São dois aspectos que gostaria de sublinhar bem. Temos uma grande “notícia” para comunicar, a “boa Notícia”, e devemos, como cristãos ser comunicadores. A igreja nasceu para comunicar. Por isso, se não comunica, não corresponde à sua missão. Mas devemos aprender (se não sabemos) a comunicar, a dialogar com o coração e pensamento das pessoas. Todos estão sedentos da “boa Nova”, por isso, vamos comunicá-la bem. E os meios de comunicação são hoje os instrumentos que utilizamos para melhor comunicar e chegar às pessoas. Utilizar bem os meios é um desafio cotidiano. Um desafio que a nossa Igreja acolheu e hoje entrega esse desafio também nas nossas mãos, nas mãos dos leigos. Dai, a importância da formação que é essencial para responder às existências da nossa sociedade, que muitas vezes, está surda e cega aos apelos do ser humano.

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Publicadas orientações sobre pão e vinho para Eucaristia

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13 de julho de 2017

A pedido do Papa Francisco, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos dirigiu aos Bispos diocesanos uma carta-circular a respeito do pão e do vinho da Eucaristia.

O documento, divulgado no sábado, 8, recorda aos prelados que cabe a eles providenciar “dignamente” tudo aquilo que é necessário para a celebração da Ceia do Senhor. “Compete-lhe vigiar a qualidade do pão e do vinho destinado à Eucaristia e, por isso, também, aqueles que o fabricam”, lê-se no texto.

O Dicastério manifesta preocupação com a venda da matéria eucarística em supermercados, lojas ou até mesmo pela internet. “O Ordinário deve recordar aos sacerdotes, em particular aos párocos e aos reitores das igrejas, a sua responsabilidade em verificar quem é que fabrica o pão e o vinho para a celebração e a conformidade da matéria”, mediante inclusive a apresentação de certificados.

A Congregação recorda que o pão deve ser ázimo, unicamente feito de trigo. “É um abuso grave introduzir, na fabricação do pão para a Eucaristia, outras substâncias como frutas, açúcar ou mel. Já as hóstias completamente sem glúten são inválidas, sendo tolerado hóstias parcialmente providas desta substância. Já o Mosto, isto é, o sumo de uva, é matéria válida para a eucaristia”.

Leia a íntegra do documento:

Carta-circular aos Bispos sobre o pão e o vinho para a Eucaristia

A Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, por determinação do Santo Padre Francisco, dirige-se aos Bispos diocesanos (ou aqueles que pelo direito lhe são equiparados) recordar-lhes que lhes compete providenciar dignamente tudo aquilo que é necessário para a celebração da Ceia do Senhor (cf. Lc 22,8.13). Ao Bispo, primeiro dispensador dos mistérios de Deus, moderador, promotor e garante da vida litúrgica na Igreja que lhe está confiada (cf. CIC can. 835 §1) compete-lhe vigiar a qualidade do pão e do vinho destinado à Eucaristia e, por isso, também, aqueles que o fabricam. A fim de ser uma ajuda, lembramos as normas existentes e sugerem-se algumas indicações práticas.

Enquanto até agora, de um modo geral, algumas comunidades religiosas dedicavam-se a preparar com cuidado o pão e o vinho para a celebração da Eucaristia, hoje estes vendem-se, também, em supermercados, lojas ou mesmo pela internet. Para que não fiquem dúvidas acerca da validade desta matéria eucarística, este Dicastério sugere aos Ordinários que dêem indicações a este respeito; por exemplo, garantindo a matéria eucarística mediante a concessão de certificados.

O Ordinário deve recordar aos sacerdotes, em particular aos párocos e aos reitores das igrejas, a sua responsabilidade em verificar quem é que fabrica o pão e o vinho para a celebração e a conformidade da matéria.

Compete ao Ordinário informar e advertir para o respeito absoluto das normas os produtores de vinho e do pão para a Eucaristia.

As normas acerca da matéria eucarística indicadas no can. 924 do CIC e nos números 319 a 323 da Institutio generalis Missalis Romani, foram já explicadas na Instrução Redemptionis Sacramentum desta Congregação (25 de Março de 2004):

a) “O pão que se utiliza no santo Sacrifício da Eucaristia deve ser ázimo, unicamente feito de trigo, confeccionado recentemente, para que não haja nenhum perigo de que se estrague por ultrapassar o prazo de validade. Por conseguinte, não pode constituir matéria válida, para a realização do Sacrifício e do Sacramento eucarístico, o pão elaborado com outras substâncias, embora sejam cereais, nem mesmo levando a mistura de uma substância diversa do trigo, em tal quantidade que, de acordo com a classificação comum, não se pode chamar pão de trigo. É um abuso grave introduzir, na fabricação do pão para a Eucaristia, outras substâncias como frutas, açúcar ou mel. Pressupõe-se que as hóstias são confeccionadas por pessoas que, não só se distinguem pela sua honestidade, mas que, além disso, sejam peritas na sua confecção e disponham dos instrumentos adequados” (n. 48).

b) “O vinho que se utiliza na celebração do santo Sacrifício eucarístico deve ser natural, do fruto da videira, puro e dentro da validade, sem mistura de substâncias estranhas… Tenha-se diligente cuidado para que o vinho destinado à Eucaristia se conserve em perfeito estado de validade e não se avinagre. Está totalmente proibido utilizar um vinho de quem se tem dúvida quanto ao seu caráter genuíno ou à sua procedência, pois a Igreja exige certeza sobre as condições necessárias para a validade dos sacramentos. Não se deve admitir sob nenhum pretexto outras bebidas de qualquer género, pois não constituem matéria válida” (n. 50).

A Congregação para a Doutrina da Fé, na sua Carta-circular aos Presidentes das Conferências Episcopais acerca do uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística (24 de Julho de 2003, Prot. n. 89/78-17498), indicou as normas para as pessoas que, por diversos e graves motivos, não podem consumir pão normalmente confeccionado ou vinho normalmente fermentado:

“As hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a eucaristia. São matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, sem acréscimo de substâncias estranhas e sem recorrer a procedimentos tais que desnaturem o pão” (A. 1-2).
“Mosto, isto é, o sumo de uva, quer fresco quer conservado, de modo a interromper a fermentação mediante métodos que não lhe alterem a natureza (p. ex., o congelamento), é matéria válida para a eucaristia” (A. 3). “Os Ordinários têm competência para conceder a licença de usar pão com baixo teor de glúten ou mosto como matéria da Eucaristia em favor de um fiel ou de um sacerdote. A licença pode ser outorgada habitualmente, até que dure a situação que motivou a concessão” C. 1).

Por outro lado, a mesma Congregação decidiu que a matéria eucarística confeccionada com organismos geneticamente modificados pode ser considerada válida (cf. Carta ao Perfeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 9 de Dezembro de 2013, Prot. n. 89/78 – 44897).

Aqueles que confeccionam o pão e produzem o vinho para a celebração, devem ter a consciência de que o seu trabalho destina-se ao Sacrifício Eucarístico, e por isso, é-lhes requerido honestidade, responsabilidade e competência.

Para que sejam observadas as normas gerais, os Ordinários podem utilmente meter-se de acordo ao nível da Conferência Episcopal, dando indicações concretas. Considerando a complexidade de situações e circunstâncias, como é o facto da negligência pelo sagrado, adverte-se para a necessidade prática de que, por incumbência da Autoridade competente, haja quem efetivamente garanta a autenticidade da matéria eucarística da parte dos produtores como da sua conveniente distribuição e venda.

Sugere-se, por exemplo, que a Conferência Episcopal encarregue uma ou duas Congregações religiosas, ou um outro Ente com capacidade para verificar a produção, conservação e venda do pão e do vinho para a Eucaristia num determinado país ou para outros países para os quais se exporta. Recomenda-se, ainda, que o pão e o vinho destinados à Eucaristia tenham um tratamento conveniente nos lugares de venda.

Da sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, 15 de Junho de 2017.

Cardeal Robert Sarah

Prefeito

Arthur Roche

Arcebispo Secretário

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Seminário esclarece Acordo Brasil - Santa Sé

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07 de julho de 2017

Com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre o Decreto Legislativo 7.107/10, (Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil), foi realizado, entre os dias 4 e 5 de julho, o seminário Acordo Brasil – Santa Sé: Implicações Jurídicas e Administrativas, em Florianópolis (SC).

A iniciativa foi do Instituto Superior de Direito Canônico de Santa Catarina (ISDCSC), em parceria com a Arquidiocese de Florianópolis e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Participaram cerca de 300 pessoas, entre bispos, padres, leigos e religiosos vindos de todo o Brasil.

Durante o dia 4, esteve presente o  Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida e atual Presidente da Comissão Episcopal para o Acordo Brasil – Santa Sé. Ele ressaltou que os objetivos deste acordo são desafiadores ao colocados em prática.

No mesmo dia, o advogado Hugo José Sarubbi Cysneiros de Oliveira, assessor jurídico canônico da CNBB, que falou a respeito da personalidade jurídica da Igreja e os aspectos tributários das organizações religiosas.

No último dia, três palestrantes se revezaram para tratar de temas conexos ao Acordo, tais como a Proteção dos Bens Culturais da Igreja, a Legislação de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural-Religioso e a Natureza jurídica do vínculo de trabalho de clérigos, leigos e religiosos com instituições eclesiásticas.

O seminário foi encerrado na quinta-feira, após um longo cronograma de palestras.  “Estamos muito contentes com o resultado do Seminário. Tanto os palestrantes quanto os que por aqui passaram nesses dois dias, certamente sairão com uma visão ampliada desse importante Acordo”, ponderou Pe. Tarcísio Pedro Vieira, diretor do ISDCSC e um dos idealizadores do evento.

O acordo

No dia 13 de novembro de 2008, na Cidade do Vaticano foi assinado pelo então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Papa Emérito Bento XVI, o acordo Brasil Santa Sé, aprovada pela Comissão de Relações Exteriores em 7 de outubro de 2009.

O acordo é formado por vinte artigos referentes a inúmeros assuntos como por exemplo: representação diplomática, personalidade jurídica das instituições eclesiásticas e integração ao patrimônio histórico. Tem a perspectiva de unir em um só documento o Estatuto Jurídico da Igreja Católica consolidado diante de atos legais do Brasil. Tornou-se válido efetivamente em 2010, por meio de um decreto, passando a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro.

Santa Sé

A Santa Sé significa a sede da Igreja Católica no mundo em relação a questões legais, é a personificação da igreja para sobre questões de direito internacional. É distinta ao Vaticano, e por isso todo acordo de ordem diplomática com outro órgão soberano deve ser estabelecido com ela, uma vez, que a Santa Sé tem soberania sobre o Vaticano.

Fontes: CNBB e Arquidiocese de Florianópolis

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Solenidade de São Pedro e São Paulo: O chamado ao apostolado

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05 de julho de 2017

Na quinta-feira, 29, o Papa Francisco presidiu a Solenidade de São Pedro e São Paulo no Vaticano, comemorando os padroeiros de Roma e os alicerces da Igreja. Na homilia, o Pontífice retomou três aspectos essenciais para a vida de um apóstolo: a confissão, a perseguição e a oração.

Sua pregação começou a partir da pergunta que Cristo fez aos seus apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Esta pergunta, segundo o Papa, “Jesus dirige a todos nós e, de modo particular, a nós pastores. É a pergunta decisiva, face à qual não valem respostas de circunstância, porque está em jogo a vida: e a pergunta da vida pede uma resposta de vida.”

Francisco continuou questionando se somos ‘Seus’ não só por palavras, mas com os fatos e a vida.

“Somos cristãos de parlatório, que conversamos sobre como andam as coisas na Igreja e no mundo, ou apóstolos em caminho, que confessam Jesus com a vida, porque O têm no coração? Quem confessa Jesus, faz como Pedro e Paulo: segue-O até o fim; não até um certo ponto, mas até o fim”.

E assim como os apóstolos foram capazes de sofrer perseguições e o próprio martírio por Cristo, “também hoje, em várias partes do mundo, por vezes num clima de silêncio – e, não raro, um silêncio cúmplice –, muitos cristãos são marginalizados, caluniados, discriminados, vítimas de violências mesmo mortais, e, não raro, sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados”, prosseguiu o Pontífice.

Por fim, Francisco alertou que somente com uma vida de oração, o apóstolo é capaz de suportar tudo por Cristo: “A vida do apóstolo, que brota da confissão e desagua na oferta, flui dia a dia na oração. A oração é a água indispensável que irriga a esperança e faz crescer a confiança. A oração faz-nos sentir amados e permite-nos amar. Faz-nos avançar nos momentos escuros, porque acende a luz de Deus. Na Igreja, é a oração que nos sustenta a todos e nos faz superar as provações.”

Ainda nessa missa, o Romano Pontí-fice abençoou e entregou os pálios - símbolo de serviço e de comunhão entre os bispos da província eclesiástica - para os arcebispos metropolitanos nomeados desde o ano passado - são 36 ao todo, sendo cinco provenientes do Brasil: Dom Julio Akamine, de Sorocaba (SP); Dom João José da Costa, de Aracajú (SE); Dom Delson Pereira da Cruz, de Campina Grande (PB); Dom Orlando Brandes, de Aparecida (SP); e Dom Geremias Steinmetz, de Londrina (PR). Cada arcebispo, posteriormente, entregará seu pálio ao Núncio Apostólico, que o imporá sobre cada um em suas respectivas catedrais.

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