Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe termina nesta sexta

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30 de mai de 2019

Termina nesta sexta-feira (31) a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, destinada a vacinar exclusivamente o público prioritário, entre eles, idosos, crianças, gestantes, profissionais de saúde e professores. De acordo com o Ministério da Saúde, a partir de segunda-feira (3), as doses restantes da campanha ficarão disponíveis para a população em geral. Até esta quarta-feira, 44,6 milhões de pessoas que buscaram os postos de vacinação, o que representa 75% da população-alvo.

“Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis, que inclui pessoas com deficiências específicas, devem apresentar prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do SUS deverão se dirigir aos postos em que estão registrados para receber a vacina, sem a necessidade de prescrição médica.

A meta do ministério é vacinar 90% do público-alvo, formado por 59,4 milhões de pessoas. Dois estados já bateram a meta de 90%: Amazonas (94,4%) e Amapá (94,7%). Os estados com menor cobertura vacinal são Rio de Janeiro (57,6%), Acre (64,9%) e São Paulo (65,4%). Segundo a pasta, a campanha mantém, em todo o país, uma estrutura com mais de 41,8 mil postos de vacinação e a participação de aproximadamente 196,5 mil pessoas.

Os dados divulgados pelo ministério indicam que, entre a população prioritária, os funcionários do sistema prisional registram a maior cobertura vacinal, com 94,2%, seguido pelas puérperas (91%), indígenas (86,7%), idosos (85,3%) e professores (82,8%). Os grupos que menos se vacinaram foram os profissionais das forças de segurança e salvamento (32,2%), população privada de liberdade (50,4%), pessoas com comorbidades (66,6%), crianças (69,9%), gestantes (70,8%) e trabalhadores de saúde (72,9%).

No Brasil, a escolha do público prioritário obedece recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Essa definição também é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias”, diz a pasta da Saúde.

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Fiocruz desenvolve teste para Zika mais barato e rápido

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15 de abril de 2019

Exames para identificar infecção pelo vírus da Zika em breve vão poder ser feitos em 20 minutos. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram um método simples e 40 vezes mais barato que o tradicional. A expectativa é que chegue aos postos de saúde antes do final do ano, beneficiando, principalmente, os municípios afastados dos grandes centros, onde o resultado do teste de Zika pode demorar até 15 dias. As informações são de um dos criadores da técnica, o pesquisador da unidade Jefferson Ribeiro.

“Tendo em vista que a técnica atual (PCR) é extremamente cara e o Brasil tem poucos laboratórios de referência que podem realizar o diagnóstico de Zika – até um tempo atrás eram apenas cinco, inclusive a Fiocruz de Pernambuco -, uma cidade pequena, no interior do estado, acaba prejudicada. A amostra precisa sair do interior, ir para a capital, para ser processada, enfim, se pensarmos nesses municípios, o resultado pode demorar 15 dias”, destaca Ribeiro.

Outra vantagem do novo teste é que pode ser feito por qualquer pessoa nos posto de saúde, não exige treinamento complexo. Com um kit rápido, basta coletar amostras de saliva ou urina, misturar com reagentes fornecidos em um pequeno tubo plástico e depois aquecer em banho maria. Vinte minutos depois, se a cor da mistura se tornar amarela, está confirmado o diagnóstico de Zika, se ficar laranja, o resultado é negativo. Hoje, o teste PCR (reação em da polimerase), com reagentes importados, é feito com material genético retirado das amostras, o que demora mais.

O teste elaborado pela Fiocruz Pernambuco é também mais preciso, ou seja, tem uma taxa de erro menor, acusando a doença mesmo em casos que não foram detectados pela PCR.

A expectativa dos pesquisadores é que o kit seja desenvolvimento pela indústria nacional, com a participação da Bio-manguinhos, e disponibilizado até o fim do ano. Testes semelhantes já são usados para o vírus da dengue e outras bactérias. “Essa é a nossa pretensão, para facilitar a disponibilidade para o Sistema Único de Saúde”, disse Ribeiro.

Zika

O número de casos de Zika, que pode causar microcefalia em bebês, vem diminuindo nos últimos anos. No entanto, o país ainda teve 8.680 diagnósticos em 2018 (em 2017 foram 17.593), com maior incidência no Norte e Centro-Oeste. A doença está relacionada à falta de urbanização e de saneamento básico e costuma aumentar nas estações chuvosas.

A Zika é transmitida principalmente por picadas de mosquito, mas também durante a relação sexual desprotegida e de mãe para filho, na gestação. Provoca complicações neurológicas como a microcefalia e a Síndrome de Guillain Barré. Começa com manchas vermelhas pelo corpo, olho vermelho, febre baixa e dores pelos corpos e nas juntas, geralmente, sem complicações.

O novo teste para a Zika foi desenvolvido no mestrado em Biociências e Biotecnologia em Saúde, com orientação do professor Lindomar Pena. Em breve, será publicado em detalhes em revista científica. Anteriormente, os pesquisadores publicaram artigo com os resultados dos testes para amostras de mosquitos infectados e não de secreções humanas.

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Postos de saúde da capital iniciam vacinação contra a gripe nesta quarta-feira (10)

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09 de abril de 2019

O município de São Paulo começa nesta quarta-feira (10) a 22ª campanha de vacinação contra Influenza. A vacina que estará disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital protege contra três subtipos do vírus da gripe (H1N1, H3N2 e Influenza B) e será destinada aos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, compostos por pessoas mais propensas a desenvolver complicações causadas pelo vírus influenza.

A campanha acontece anualmente, pois a proteção conferida pela vacinação é de aproximadamente um ano e a dose é oferecida nos meses que antecedem o inverno, quando a circulação do vírus é mais intensa. Em 2018, a cobertura entre os chamados grupos elegíveis foi de 81,5%. A meta é chegar a 90% de adesão.

A campanha de 2019 será realizada por etapas, assim como ocorreu em anos anteriores. De 10 a 19 de abril, a vacina será aplicada em gestantes, puérperas (mulheres que deram a luz até 45 dias após o parto) e crianças de 6 meses até 5 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De 22 de abril até 31 de maio (data prevista para o término da ação), serão incluídos os demais grupos: trabalhadores da área de saúde, povos indígenas, pessoas com 60 anos ou mais de idade, pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais, professores (escolas públicas e privadas), adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional. Durante todo o período da campanha, ocorrerá a atualização da caderneta de vacinação de crianças, gestantes e puérperas.

A coordenadora do Programa Municipal de Imunizações (PMI), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, Maria Lígia Nerger, explica que a vacina influenza é segura e que os rumores de que ela causa gripe não são verdadeiros.

“Há boatos de que a vacina provoca a gripe ao invés de preveni-la, mas essa informação é incorreta, já que a dose aplicada nas UBSs é composta por partículas de vírus morto, o que inviabiliza a contaminação. Uma parcela muito pequena da população vacinada pode apresentar febre baixa ou mal-estar alguns dias após receber a vacina, o que não contraindica a vacinação”, orienta a coordenadora.

Para se vacinar, é preciso levar documento de identificação e, se possível, a carteira de vacinação e cartão SUS até a unidade mais próxima. Os profissionais de saúde e educação precisam apresentar holerite ou crachá de identificação. Portadores de doenças crônicas e outras comorbidades devem levar a receita da medicação que faz uso com data dos últimos seis meses ou prescrição médica.

Para pessoas que já tiveram alergia grave em doses anteriores ou a algum componente da vacina, recomenda-se realizar avaliação médica criteriosa sobre risco-benefício da vacina antes da administração de uma nova dose. Pessoas com febre alta recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro.

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Vacinação contra febre amarela prossegue em estações da CPTM

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03 de abril de 2019

Nos próximos dias, o usuário que passar por algumas estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) terá a oportunidade de se vacinar gratuitamente contra a febre amarela. É necessário apresentar documento de identificação e, se houver, caderneta de vacinação atualizada.

Na terça-feira (19) e quinta-feira (21), a ação ocorrerá nas estações Corinthians-Itaquera, Dom Bosco, José Bonifácio, Guaianases, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Jardim Helena-Vila Mara e Jardim Romano, das 16h às 20h30. Na Estação Comendador Ermelino, as doses serão aplicadas nos mesmos dias, das 9h às 18h.

Na quarta-feira (20), haverá imunização nas estações Tamanduateí, das 11h às 16h, Piqueri, das 10h às 15h30, e Pirituba, das 9h às 16h. Vale destacar que, até 29 de março, a vacinação acontecerá todos os dias nas estações Brás e Tatuapé, das 11h às 16h. Na Estação Engenheiro Goulart, a imunização também é diária, exceto às segundas-feiras, em dois horários, das 9h às 12h e das 14h às 16h.

PREVENÇÃO

A febre amarela é uma doença infecciosa, sua transmissão ocorre por meio da picada do mosquito Aedes aegypti. Entre os sintomas estão o início súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômito, fadiga e fraqueza. Nos casos mais graves, a pessoa pode desenvolver hemorragia e insuficiência de múltiplos órgãos.

A ação é uma iniciativa da prefeitura de São Paulo e conta com o apoio da CPTM, que abre espaços nas estações para a realização de atividades ligadas a promoção da saúde e bem-estar dos usuários.

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Prefeitura mantém postos de vacinação contra a raiva até o fim de setembro

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13 de setembro de 2018

Mesmo com o fim da campanha na capital, donos de cães e gatos que não puderam vacinar seus animais durante a ação devem aproveitar e procurar uma das unidades que atenderão até o dia 29 de setembro. A vacina também está disponível em unidades fixas que oferecem a dose o ano todo.

A campanha de vacinação contra a raiva para cães e gatos na cidade de São Paulo teve início em 20 de agosto e terminou no último dia 2, contando com a atuação de mais de 1.900 postos espalhados pela cidade. Foram vacinados 855.027 animais, sendo 602.665 cães e 252.362 gatos. O objetivo agora é alavancar a cobertura vacinal e atingir a meta de 977.095 animais imunizados. No ano de 2017, a campanha vacinou 930.564 animais, sendo 666.693 cães e 263.871 gatos.

Animais com idade superior a 3 meses devem ser imunizados, com exceção dos doentes - diarreia, secreção ocular ou nasal, falta de apetite, convalescentes de cirurgias ou outras enfermidades. Em relação a cadelas e gatas prenhes, apesar de não haver contraindicação, a orientação é de que o responsável procure pela vacina nos postos fixos , devido ao risco com o transporte e manejo. Fêmeas no cio também podem causar transtornos nos postos volantes – é indicado que se procure por um dos postos fixos.

A vacinação por parte da  Prefeitura Municipal de São Paulo é gratuita e obrigatória para cães e gatos, conforme a Lei Municipal nº13.131/01, e é executada pela Divisão de Vigilância de Zoonoses (DVZ)/Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) e Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS), todos órgãos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo. O proprietário do animal deve ter atenção quanto ao transporte correto: no caso, cães na coleira e guia, e gatos em caixas de transporte apropriadas (ou similar), para evitar fugas e/ou acidentes.

A relação completa dos postos, com local e data da vacinação, pode ser conferida aqui ou pelo telefone 156.

 

Sobre a doença

A raiva é uma doença transmissível, caracterizada pelo contágio direto; ou seja, pela mordida, arranhões ou lambedura de cães, gatos ou outros mamíferos, como, por exemplo, morcegos infectados.

O proprietário deverá identificar, no comprovante de vacinação, os dados do animal, como o nome e nº do Registro Geral Animal (RGA). É importante destacar que somente adultos com condições de conter os animais devem conduzi-los ao local de vacinação, para evitar possíveis transtornos.

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Prorrogada a campanha de vacinação contra pólio e sarampo na capital paulista

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04 de setembro de 2018

A Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite e Sarampo será prorrogada até 14 de setembro no município de São Paulo. A ampliação tem como meta atingir os 95% de cobertura de ambas as vacinas. Até as 13h de segunda-feira, 3, foram aplicadas na cidade 520.846 doses contra pólio (paralisia infantil) e 516.554 doses de tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, que representam cobertura de 88% e 87,3%, respectivamente. É importante destacar que uma mesma criança pode ter tomado as duas vacinas na mesma ocasião.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo adotou diversas estratégias para aumentar a adesão da dose desde o início da campanha, em 4 de agosto. As ações incluíram a realização de dias “D” com abertura de postos fixos e volantes aos sábados, busca ativa casa a casa e vacinação em escolas de ensino infantil do município.

A campanha é voltada exclusivamente para crianças de 1 a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade. A orientação é que mesmo crianças com a carteirinha de vacinação em dia recebam as doses de reforço. O Brasil está livre da poliomielite desde 1989, enquanto que os últimos dois casos confirmados de sarampo no município de São Paulo, ambos importados, foram registrados em 2015. A adesão é fundamental para que essas doenças continuem fora de circulação.

Para se vacinar, é preciso levar documento de identificação e, se possível, carteira de vacinação e cartão SUS. As doses da campanha continuam disponíveis durante a semana nos postos de saúde de todo o município. Para saber qual a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência de seu endereço, basta consultar o Busca Saúde.

 

Recomendações

Crianças menores de 2 anos de idade NÃO devem tomar simultaneamente as vacinas contra o sarampo e a febre amarela. É recomendável um intervalo de 30 dias entre as doses, sendo que a da campanha deve ser priorizada.

As vacinas contra  o sarampo e a pólio são contraindicadas para: pessoas que apresentam imunodeficiência congênita ou adquirida, como portadores de neoplasias malignas, submetidos a transplantes de medula ou outros órgãos, infectados pelo HIV; que estão em tratamento com corticosteroides em dose alta; ou que tenham alergia grave a algum componente da vacina ou dose anterior. Crianças com febre muito alta também devem evitar a aplicação.

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Brasil em alerta: doenças já erradicadas ameaçam novamente

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30 de agosto de 2018

Segundo dados divulgados pelo Programa Nacional de Imunizações, do Governo Federal, pela primeira vez, desde 2002, a aplicação de todas as vacinas indicadas a crianças menores de um ano de idade no Brasil ficou abaixo da meta do Ministério da Saúde, que prevê imunização de 95% desse público. A maioria tem agora índices que variam entre 70% e 83%, com exceção da BCG, que é a vacina que previne contra as formas graves de tuberculose e é oferecida ainda nas maternidades aos recém-nascidos, o que faz com que seus índices de cobertura permaneçam em patamares considerados seguros.   

Em meio ao alerta do retorno de doenças quase esquecidas, Letícia Lastoria, médica infectologista do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais do Hospital das Clínicas da UNESP, de Botucatu, atribui o relaxamento com a vacinação por boa parte da população às seguintes razões: 

“Hoje nós temos muitas notícias circulando pela internet que dizem não haver necessidade dessas vacinas, o que não é verdadeiro. As vacinas são bastante seguras e todas elas, uma vez licenciadas, passam por diversas fases de avaliação até serem aprovadas para uso, sendo que a população precisa entender que a vacinação é uma forma muito importante de prevenção de doenças, que antes eram um problema de saúde pública e agora não são mais, justamente em decorrência da vacinação em massa. Como não temos mais a incidência de algumas doenças, isso ficou esquecido por parte da população”, avalia.

 

CONSENSO

A mesma opinião é compartilhada por Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, para quem há um aumento expressivo das fake news nas redes sociais, que apregoam que as vacinas causam efeitos prejudiciais à saúde e fazem parte de um plano de enriquecimento dos laboratórios farmacêuticos e companhias que produzem as vacinas. Tais ações desestimulam a população a procurar a proteção vacinal, o que agrava ainda mais a situação, com a reincidência não somente dos casos de sarampo, como também de caxumba, febre amarela e doença de Chagas. Segundo ele, o Brasil tem o privilégio de ter vacina gratuita e disponível a todos na rede pública de saúde e, portanto, trata-se de uma oportunidade a ser aproveitada. 

“Nós temos no Brasil um calendário de vacinação bastante completo, desde o recém-nascido até o idoso. Todas as vacinas são licenciadas e passam por um processo bastante complexo até serem aprovadas. Se os testes indicarem que uma determinada vacina não é se Brasil em alerta: doenças já erradicadas ameaçam novamente
gura, então ela não é licenciada, nem fabricada”, garante a Letícia. 

 

SARAMPO E POLIOMIELITE

Cerca de 4,1 milhões de crianças entre 1 ano e menores de 5 anos ainda não foram vacinadas contra o sarampo e a poliomielite. A campanha do Governo Federal termina na sexta-feira, 31, e tem o objetivo de alcançar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças brasileiras dessa faixa etária. 

Sem a devida cobertura, o Brasil pode tornar-se vulnerável a casos tanto de sarampo quanto de poliomielite, a paralisia infantil. Mesmo as crianças que já foram vacinadas em outro momento da vida devem receber doses de reforço nos postos de saúde.

Contra a poliomielite, a administração é oral, em gotinhas; contra o sarampo, a prevenção ocorre por meio da vacina tríplice viral injetável, independentemente de a criança já ter sido vacinada ou não.

 

REINCIDÊNCIA

Embora há quase 30 anos não haja registro de casos de poliomielite no País, levantamento da Organização Panamericana da Saúde indica que a região das Américas registrou, somente este ano, 2.472 casos confirmados de sarampo. O Brasil é o segundo país com o maior número de casos (mais de mil), atrás apenas da Venezuela. Os estados brasileiros com a maior incidência da doença são Roraima e Amazonas, porém foram contabilizados casos no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Pará.

A médica infectologista Marta Heloísa Lopes, professora associada do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, explica o que é essa doença e como é transmitida: 

“O sarampo é uma doença aguda [aquela que tem curso acelerado e termina com convalescença ou morte em menos de três meses], causada por um vírus, que se transmite de uma pessoa para outra e se manifesta, predominantemente, por um acometimento da pele, uma doença exantemática [ou seja, com erupção cutânea provocada por doença infecciosa], acompanhada de febre, tosse, coriza e olho lacrimejante. Essas são as manifestações clínicas iniciais do sarampo. Através da tosse, das gotículas, da secreção nasal ou da secreção ocular, esse contato próximo de pessoa a pessoa transmite a doença por via respiratória. Isso é muito comum, predominantemente nas épocas mais frias, em que as pessoas ficam mais próximas e aglomeradas, porém pode acontecer em qualquer período”, afirma.

A região das Américas foi a primeira em todo o mundo a ser declarada, em 2016, como livre do sarampo. Mesmo assim, a doença voltou a se manifestar e hoje se concentra na região Norte do País. “Temos um surto localizado de sarampo no norte do Brasil, especificamente em Roraima e no Amazonas, com aumento do número de casos em algumas localidades nesses estados”, informa Marta. 

 

PREVENÇÃO

Atualmente, na prática, trata-se a febre e isola-se a pessoa infectada para que não transmita o vírus para os outros. No entanto, uma terapia específica para o tratamento da doença ainda não existe, havendo a possibilidade de sequelas e até mesmo de morte, razão pela qual a imunização não deve ser desprezada. 

“O vírus do sarampo não está eliminado no mundo. Por isso é que precisamos manter uma vigilância muito importante nos países onde sua circulação já foi eliminada, como é o caso do Brasil. É necessário manter altas coberturas vacinais a fim de proteger as pessoas, justamente porque em outras regiões do mundo ainda há a incidência da doença, ou seja, o sarampo não está completamente erradicado e pode migrar novamente para nosso país”, conclui a médica. 

Para Eliseu Alves Waldmann, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, embora o País tenha dado grandes passos na erradicação de diversas doenças, o cenário atual em relação ao sarampo é de alerta: 

“No Brasil, o sarampo sempre chamou muito a atenção não somente por ser uma doença relacionada à infância, mas sobretudo por ser uma causa de óbitos no País. Na década de 1970, o sarampo situava-se como a quarta ou quinta causa de morte em crianças com idade inferior a cinco anos. Entre 1980 e 1985, tinha-se de 300 a 500 óbitos por sarampo, por ano, somente na cidade de São Paulo. É preciso evitar que tal situação se repita”. 

O problema do surto se dá principalmente, portanto, pelas baixas coberturas preventivas no País. Segundo ele, a importância da vacinação não é apenas para crianças, como também para jovens, adultos e idosos, motivo pelo qual se faz urgente a conscientização das pessoas e a mudança radical de comportamento quando o que está em jogo é a própria saúde e a manutenção da vida.

(Colaborou Cleide Barbosa)
(Com informações do Jornal da USP)
 

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Campanha de vacinação contra sarampo e pólio termina na sexta

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27 de agosto de 2018

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo termina na próxima sexta-feira, 31. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem receber as doses, independentemente de sua situação vacinal. Dados do Ministério da Saúde mostram que 4,1 milhões de crianças em todo país ainda precisam ser imunizadas.

De acordo com a pasta, até a última sexta-feira, 24, 62% do público-alvo havia sido vacinado. Foram aplicadas, ao todo, mais de 14 milhões de doses – cerca de 7 milhões de cada. A meta do governo federal é vacinar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças na faixa etária estabelecida e criar uma barreira sanitária de proteção da população.

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, o que significa que mesmo as crianças que já estão com esquema vacinal completo devem ser levadas aos postos de saúde para receber mais um reforço.

No caso da pólio, as crianças que não tomaram nenhuma dose ao longo da vida vão receber a vacina injetável e as que já tomaram uma ou mais doses devem receber a oral. Para o sarampo, todas as crianças com idade entre um ano e menores de 5 anos vão receber uma dose da tríplice viral, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Entre os estados com menor cobertura estão Rio de Janeiro, com 40,15% do público-alvo vacinado para pólio e 41,45% para sarampo, e Roraima, que tem 44,61% para pólio e 41,09% para sarampo. Já os estados com as melhores coberturas vacinais são Amapá, com 90,33% para pólio e 90,14% para sarampo, seguido por Rondônia, com 89,86% para pólio e 88,44% para sarampo. 

Casos de sarampo

Atualmente, o País enfrenta dois surtos de sarampo, em Roraima e no Amazonas. Até o último dia 21, foram confirmados 1.087 casos no Amazonas, enquanto 6.693 permanecem em investigação. Já Roraima confirmou 300 casos da doença e 67 continuam em investigação. 

Há ainda, de acordo com o ministério, casos isolados e relacionados à importação nos seguintes estados: São Paulo (2), Rio de Janeiro (18), Rio Grande do Sul (16), Rondônia (1), Pernambuco (2) e Pará (2).

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Secretaria da Saúde promove vacinação em escolas de educação infantil

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27 de agosto de 2018

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), conjuntamente com a Secretaria Municipal da Educação (SME), promove a partir desta segunda-feira, 27, até sexta-feira, 31, a vacinação dos alunos nos centros de educação infantil (CEI) e escolas municipais de educação infantil (EMEI) públicas e também em creches e escolas de ensino infantil privadas contra a pólio e o sarampo.

Entre quarta-feira, 22, e esta sexta-feira, 24, as Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) realizaram levantamento junto às unidades de educação solicitando autorização dos pais e responsáveis para aderir à ação, mediante envio da caderneta de vacinação para a aplicação das doses na próxima semana. Também estão distribuindo material informativo sobre a campanha nas unidades. 

A iniciativa é mais uma estratégia da SMS para atingir cobertura de 95% do público-alvo até o final da campanha. Entre o dia 4 de agosto (data de inicio da ação preventiva) e a última quinta-feira (23), foram aplicadas 697.568 vacinas no município de São Paulo, sendo 351.055 doses contra pólio (paralisia infantil) e outras 346.513 doses da vacina SCR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. É importante destacar que uma mesma criança pode ter tomado as duas vacinas na mesma ocasião.

Os dados representam uma cobertura de 59,3% para poliomielite e 58,5% da tríplice viral. A ação preventiva é voltada exclusivamente para público infantil e a adesão é fundamental para reduzir o risco de reintrodução da poliomielite no Brasil assim como o de circulação de sarampo e rubéola na capital paulista.

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Casos de sarampo nas Américas chegam a 5 mil e OPAS amplia recomendações aos países

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23 de agosto de 2018

O número de casos confirmados de sarampo na Região das Américas mais que dobrou em um mês, conforme a mais recente atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), publicada na terça-feira, 21.

Ao todo, 11 países do continente notificaram 5.004 casos confirmados de sarampo em 2018: Antígua e Barbuda (1), Argentina (8), Brasil (1.237, incluindo seis mortes), Canadá (19), Colômbia (60), Equador (17), Estados Unidos (107), Guatemala (1), México (5), Peru (4) e Venezuela (3.545, incluindo 62 óbitos). Em 20 de julho, esses mesmos países haviam confirmado 2.472 casos.

Tendo em vista a velocidade de propagação da doença pela região, a OPAS ampliou as recomendações que já vinham sendo feitas aos países. Entre elas, aumentar a cobertura vacinal e fortalecer a vigilância epidemiológica, a fim de aumentar a imunidade da população e detectar/responder rapidamente a casos suspeitos de sarampo.

Além disso, o organismo internacional orienta que, durante surtos, seja estabelecido um manejo correto de casos intra-hospitalares para evitar a transmissão nosocomial, com um fluxo adequado de pacientes para salas de isolamento (evitando o contato com outros pacientes em salas de espera e/ou locais de internação).

As demais recomendações são: vacinar a população para manter uma cobertura homogênea de 95% com a primeira e a segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todos os municípios; vacinar populações em risco (sem comprovação de vacinação ou imunidade contra sarampo e rubéola), como profissionais de saúde, pessoas que trabalham com turismo e transporte (hotelaria, aeroportos, motoristas de táxi, etc.) e viajantes internacionais.

Outras recomendações incluem manter uma reserva de vacinas contra sarampo e rubéola e de seringas para controle de casos importados em cada país da região; fortalecer a vigilância epidemiológica para detecção oportuna de todos os casos suspeitos de sarampo e garantir que as amostras sejam recebidas por laboratórios dentro de cinco dias após serem tomadas.

A OPAS também sugere fornecer uma resposta rápida frente aos casos importados de sarampo, com o objetivo de evitar o restabelecimento da transmissão endêmica (ou seja, que existe de forma contínua e constante dentro de uma determinada região). Uma vez ativada a equipe de resposta rápida, deve-se assegurar uma coordenação permanente entre os níveis nacionais e locais, com canais de comunicação permanentes e fluidos.

Também é necessário identificar fluxos migratórios do exterior (chegada de estrangeiros) e fluxos internos (movimentos de grupos populacionais) em cada país, a fim de facilitar o acesso aos serviços de vacinação, de acordo com os calendários nacionais de imunização.

A OPAS tem trabalhado diretamente, inclusive em atividades de campo, com vários dos países afetados. No Brasil, por exemplo, o organismo internacional está apoiando as ações de vacinação, vigilância, gestão, informação, educação, comunicação de risco e resposta rápida no estado do Amazonas, em coordenação com as autoridades de saúde nacionais, estaduais e municipais.

Já no estado de Roraima, a OPAS está auxiliando o governo federal do Brasil no fornecimento de seringas, na compra de materiais para manter a temperatura adequada das vacinas, na contratação de vacinadores, aluguel de veículos para transporte de equipes de saúde, planejamento de ações de imunização e no envio de especialistas para apoiar as autoridades nacionais e locais.

A atualização epidemiológica completa pode ser acessada em inglês ou espanhol.

Campanha

Para controlar os surtos e ampliar as coberturas vacinais, o Ministério da Saúde do Brasil está realizando uma Campanha Nacional Contra a Poliomielite e Sarampo (de 6 a 31 de agosto). Até esta segunda-feira (20) foi alcançado metade do público-alvo, com a vacinação de 51% das crianças de um a menores de cinco anos de idade.

A meta do Ministério é imunizar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças, independente da situação vacinal delas, e criar uma barreira sanitária de proteção da população brasileira.

Europa

A disseminação do sarampo tem se mostrado ainda mais crítica em outras áreas do mundo. Na Região da Europa, mais de 41 mil crianças e adultos foram infectados pela doença nos primeiros seis meses de 2018. O número total de casos para esse período excede os 12 meses reportados em todos os outros anos desta década.

Desde 2010, o ano com maior número de casos foi 2017: 23.927. Em 2016, registrou-se a menor quantidade: 5.273. Relatórios mensais de países também indicam que pelo menos 37 pessoas morreram devido à doença neste ano.

Informações essenciais para a população

O vírus causador do sarampo é espalhado por tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções nasais ou da garganta.

Entre os sintomas estão erupção cutânea (vermelhidão na pele), febre, nariz escorrendo, olhos vermelhos e tosse. Dentre as complicações mais graves estão cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia.

Pessoas com sinais de sarampo devem ser levadas para um centro de saúde imediatamente.

O vírus permanece ativo e contagioso no ar ou em superfícies infectadas por até duas horas e pode ser transmitido por uma pessoa infectada a partir de quatro a seis dias antes e quatro dias depois do aparecimento de erupções cutâneas (vermelhidão na pele).

No Brasil, quando a pessoa for se vacinar é importante levar junto o próprio cartão de vacinação e o das filhas ou filhos. Assim, os profissionais de saúde poderão ver se serão necessárias outras vacinas. Se a pessoa não tiver o cartão de vacinação, as vacinas também estarão disponíveis para ela. Mas é importante que se lembre de guardá-lo da próxima vez.

Às vezes, leve inchaço e vermelhidão podem ocorrer no local da injeção da vacina. Isso não deve ser motivo de preocupação e, normalmente, desaparece com compressas mornas e paracetamol.

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