Imagem de Nossa Senhora Aparecida navega pelas águas do Rio Tietê

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22 de outubro de 2019

Na data em que se comemorou o dia da Padroeira do Brasil, a Arquidiocese de São Paulo realizou a 16ª edição do projeto “Tietê Esperança Aparecida”, encerrando a peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida pelas águas do Rio Tietê.
A peregrinação fluvial partiu da nascente do Tietê, em Salesópolis (SP), no dia 22 de setembro, dia do Rio Tietê, passou por diversas cidades, até chegar à capital paulista no sábado, 12. Na Ponte do Piqueri, antes das 7h, devotos de Nossa Senhora Aparecida se aglomeravam para aguardar a chegada da embarcação que trouxe a imagem conduzida pelas mãos do Padre Palmiro Carlos Paes, idealizador do projeto.
Um grupo carregando bandeiras da Festa do Divino Espírito Santo, tradição cultural e religiosa da igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora da Expectação, na Região Brasilândia, acompanhou a carreata que levou a imagem peregrina da Virgem Aparecida até a Catedral da Sé. 
“Entendemos ser extremamente importante essa ação em prol da recuperação do Rio Tietê. O rio fica muito próximo ao bairro da Freguesia do Ó. Sentimos o dever de apoiar essa causa e chamar a atenção de nossos governantes”, disse Vagner Antônio de Lima, integrante do grupo que participa do projeto desde a primeira edição, em 2004. 

POR UMA ECOLOGIA INTEGRAL 
Na Catedral da Sé, a imagem foi saudada pelos fiéis e recebida por Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, que presidiu a missa solene, concelebrada pelos Padres Luiz Eduardo Baronto, Helmo Cesar Faccioli e Palmiro Carlos Paes. 
Na homilia, o Bispo disse que o cuidado da “Casa Comum”, como propõe o Papa Francisco, diz respeito à Igreja, porque o ser humano faz parte da obra criadora de Deus. “O homem não é chamado a escravizar a obra da criação, mas a cuidar desta obra. Portanto, qualquer situação que desconfigure a criação de Deus, seja tirando a dignidade da pessoa humana, seja destruindo a obra da criação, é fruto do pecado.”  
Ao meditar sobre o Evangelho da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida (Jo 2,1-11), relato das Bodas de Caná da Galileia, quando Jesus transformou água pura em vinho, Dom Devair refletiu sobre a água que cada um teria a apresentar a Deus para que fosse transformada em vinho, e apontou a realidade das águas marcadas pela sujeira e pela poluição do Rio Tietê. Nesse sentido, o Bispo afirmou que o convite à conversão passa pelo respeito à natureza e exortou que, com coragem e disposição, todos possam caminhar com Nossa Senhora num mundo marcado pela presença de Deus. 

ESPERANÇA NASCIDA NAS ÁGUAS  
Águas límpidas, com peixes e animais, e águas sujas sem oxigênio e com odor fétido. Estas são as duas facetas do principal rio que corta o estado de São Paulo. Ao final da celebração, Padre Palmiro Paes recordou esse contraste encontrado ao longo do rio e que esse abandono reflete, de certo modo, o descuido com a cidade. Para o Sacerdote, a devoção a Nossa Senhora Aparecida renova a esperança de que, a exemplo da pesca milagrosa em 1717, “quem sabe as redes que vamos tirar do Rio Tietê não sejam redes de poluição, mas sejam redes cheias de esperança e alegria”.  

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