Manifesto a favor dos Autos

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20 de dezembro de 2019

Na minha infância e adolescência, cresci ouvindo nas aulas de catequese que ao ler o Evangelho devemos colocar-nos na cena, ou seja, imaginar que enquanto está ocorrendo a cena do nascimento de Jesus, eu deveria ler aquilo como se eu fosse um dos reis magos, um dos jumentinhos que ali estavam ou até a palha que esquentava a manjedoura de Cristo, ler aquilo como se eu estivesse presente. Essa indicação se dava para que eu pudesse contemplar e vivenciar a cena a partir de diferentes perspectivas.

Muito teatral, não acham? Hoje em dia, sou ator e professor de teatro. Penso nestas questões, a partir, das artes do palco. Atualmente, principalmente na cidade de São Paulo, temos pouquíssimas representações teatrais de cenas como o auto de natal, a paixão ou outros autos que nos levam, por meio da arte, a nos aproximar de Cristo. É importante que as paróquias se articulem mais e tragam ao fiel uma cena que o ajude a contemplar a Deus. Também é de extrema importância que esses autos saiam de suas igrejas e se aproximem de cada pessoas, seja ela ou não católica.

Pensando assim, a Mirante Cia de Arte montou dois espetáculos com diferentes elencos. Um era um pout-pourri de Ariano Suassuna, com o Santo e a Porca e Auto da Compadecida, montado com alunos da Fapcom. Já o outro, é um Auto de Natal, montado com a Cia Trinitas, cia gestada atualmente por Mariana Chiuso e Rafael Morais.

Ambos os trabalhos foram dirigidos por Mariana Chiuso. Este trabalho, com universitários da Fapcom apresenta um dos maiores escritores do Brasil, Ariano Suassuna. Em suas peças, morais e com um teor crítico, Suassuna consegue fazer um apelo espiritual, trazendo seu público para um estado de oração e contemplação, vide a cena do julgamento do Auto da Compadecida.

“Uma comédia altamente moral e um apelo à misericórdia” e “o julgamento de alguns canalhas, dentre os quais, um bispo, um padre e um sacristão”. Essas duas frases faladas pelo palhaço na peça do Auto da Compadecida são importantes para entendermos onde o escritor queria chegar. Ele queria criticar atitudes pontuais do clero e ao mesmo tempo mostrar a fé do povo brasileiro, um povo pobre e sofredor, mas que nunca vai perder a fé em Deus, porque sabe que apesar de todos os  problemas que a vida lhes traz, a felicidade não está em uma ideia, mas em uma pessoa, que é Cristo. Assim como diria a musica “Andar com Fé”, de Gilberto Gil, “Andar com fé eu vou, porque a fé não costuma faiar”. Em nossa vida, a única coisa que só depende de nós é o amor ao próximo e a fé em Deus, porque por si só Deus ama é todos nós, mas ele também precisa do nosso amor .

Já no Auto de Natal, da Cia Trinitas, cia fundada dentro do EJC da Paróquia Santíssimo, é possível ver um auto de Natal contemporâneo. Ou seja, as questões trabalhadas na peça estão presentes nos dias atuais. É possível verificar isso quando vemos que lá está o menino que tem medo de assumir a vocação, o traficante, o bêbado, a prostituta, só que, no final, todos pretendem mudar suas formas de vida quando encontram a Sagrada Família. Assim, pode-se verificar que o Cristianismo é o encontro com uma pessoa que é Cristo, e que este encontro é para todos que estão dispostos a mudar e procurar melhorar.

É interessante um auto que tenha questões tão contemporâneas, pois mostra para o individuo que Jesus é divino, mas, ao mesmo tempo, é homem. Ele está muito próximo de nós. Quando um grupo de teatro faz um auto pensando no cotidiano, no homem de agora, ele mostra que está mais preocupado em aproximar Cristo das pessoas, do que ganhar aplausos.

 

 

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Com texto de Walcyr Carrasco, musical ‘Aparecida’ estreia em São Paulo

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02 de abril de 2019

Em “Aparecida”, musical com texto de Walcyr Carrasco, a trama é composta pela história do casal Caio (Leandro Luna), um advogado ambicioso, e sua esposa, Clara (Bruna Pazinato), na São Paulo dos dias de hoje. Com a esperança de curar Caio, que perde a visão por causa do tratamento de um câncer, os jovens empreendem uma jornada física e espiritual até a Basílica da Padroeira do Brasil.

Paralelamente, é narrada a história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1717, desde uma pequena capela em Itaguaçu, no interior de São Paulo, até a Basílica na cidade de Aparecida (SP).

Com direção de Fernanda Chamma, a peça estreou no Teatro Bradesco, na sexta-feira, 22. O espetáculo tem música original e direção musical de Carlos Bauzys, letras de Ricardo Severo, cenografia de Richard Luiz, figurinos de Fábio Namatame, desenho de luz de César de Ramires, desenho de som de Gabriel D’Angelo e produção da MPCult.

 

MILAGRES

Com direção de Fernanda Chamma, a peça estreou no Teatro Bradesco, na sexta-feira, 22. O espetáculo tem música original e direção musical de Carlos Bauzys, letras de Ricardo Severo, cenografia de Richard Luiz, figurinos de Fábio Namatame, desenho de luz de César de Ramires, desenho de som de Gabriel D’Angelo e produção da MPCult.

O “Milagre dos Peixes” (a história dos pescadores que não conseguiam peixes em um rio e, depois de encontrar a estátua em suas redes, são surpreendidos por uma enorme quantidade de peixes); o “Milagre do Escravo Zacarias” (um escravo foragido que, ao entrar numa Capela de Nossa Senhora Aparecida, fugindo de seu feitor, roga à Virgem por sua liberdade e tem suas correntes rompidas de forma inexplicável); e o “Milagre do Cavaleiro Prepotente” (sobre um descrente cavaleiro que pretendia invadir montado em seu cavalo uma igreja e muda sua opinião depois que seu animal prende a ferradura na entrada do prédio).

O musical relembra, também, o atentado sofrido em 1978, quando um jovem quebrou a imagem de Nossa Senhora Aparecida em mais de 200 pedaços; a missa celebrada para reparar esse episódio, em cuja data se estabeleceu oficialmente o “Ato do Desagravo”; e a cuidadosa restauração feita no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Depois de restaurada, a imagem foi levada em peregrinação do Masp ao Santuário Nacional, onde foi recebida por milhares de devotos.

 

GRANDE ESPETÁCULO

Com um elenco de 33 artistas e 12 músicos, foram criadas 20 canções originais, dezenas de figurinos e cenários grandiosos para contar a história de Nossa Senhora Aparecida, cujo Santuário recebe mais de 12 milhões de fiéis por ano, de acordo com informações do Santuário.

“Nossa Senhora Aparecida faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Acredito que mesmo quem não seja católico saberá respeitar o espetáculo que, além disso, teve uma concepção cênica e musical muito original”, comentou Walcyr Carrasco sobre os motivos que o levaram a escrever a obra.

Walcyr se inspirou em uma história contemporânea real para mostrar ao público um exemplo em que a crença proporciona as transformações humanas mais difíceis. “Eu estava em busca de um milagre atual, que reafirmasse a fé. Ao conhecer o casal que protagoniza a história, entusiasmei-me para não criar um espetáculo simplesmente histórico”, revelou o dramaturgo no material de divulgação do evento.

 

CANÇÕES ORIGINAIS

Uma das novidades do espetáculo são as canções de Ricardo Severo, compositor e produtor musical, com músicas originais de Carlos Bauzys. Um dos mais atuantes compositores de trilhas sonoras para a cena, Ricardo trabalha com diretores como Jô Soares, Marco Antônio Pâmio, Fábio Assunção, Neyde Veneziano, Kleber Montanheiro e Otavio Martins.

Já foi contemplado com 20 prêmios por suas trilhas musicais, e suas canções foram interpretadas por artistas como Cida Moreira, Vânia Bastos, Adriana Calcanhotto, Clara Moreno, Branco Mello (Titãs), e, no teatro, por Amanda Acosta, Fafy Siqueira, Nany People e Gabriela Alves.

“Acho que um grande diferencial de nosso musical original está nas letras, que trazem um discurso mais próximo da estética da canção brasileira e não tão direto como nos musicais com estética da Broadway. Todas as letras foram compostas a partir de uma pesquisa intensa que fiz sobre a história de Nossa Senhora Aparecida, de seus milagres, sua mitologia, e dos significados e mensagens por trás de cada momento”, explica Ricardo.

 

EM MOVIMENTO

Uma encenação moderna, cheia de efeitos especiais e que explora bastante a interação do elenco com a cenografia, é resultado do trabalho de Fernanda Chamma. “Quero fazer uma encenação de acordo com as novas tendências do teatro musical atual. O cenário vai ser todo movimentado pelo elenco, inclusive durante as canções e cenas”, disse Fernanda.

“Eu não vou dançar a história de Nossa Senhora Aparecida, vou contá-la por meio do movimento. Vamos usar uma movimentação cênica contemporânea por todo o palco e durante todo o espetáculo, executada por bailarinos experientes do mercado”, acrescentou Fernanda.

Inspirada na arquitetura da Basílica de Aparecida, a cenografia mescla estruturas físicas grandiosas com projeções de vídeo mapeadas. Ao todo, serão 23 mudanças de cenários, com 15 vídeos produzidos para o musical.

Além dessa cenografia inovadora, o musical tem vários efeitos especiais e tecnológicos. Um deles é um cavalo em tamanho natural e todo articulado, feito especialmente para a produção.
 

FICHA TÉCNICA

Texto: Walcyr Carrasco;

Direção Artística e Coreografia 

Fernanda Chamma;

Músicas Originais, Arranjos e Direção Musical: 

Ricardo Severo;

Cenário e Projeções: Richard Luiz;

Figurinos: Fábio Namatame;

Visagismo: Rogério Pontes;

Desenho de Som: Gabriel D’Angelo;

Desenho de Luz: César de Ramires;

Realização: Ministério da Cidadania, Bradesco e MPCult.

 

SERVIÇO

APARECIDA

Duração: 2h15

Classificação: Livre (menores de 12 anos acompanhados pelos pais);

Ingressos: De R$ 75,00 a R$ 220,00 (com meia entrada);

Temporada: Até 28 de abril (sextas-feiras, às 21h; sábados, às 16h e 21h; domingos, às 15h e 19h30).

Teatro Bradesco – Bourbon Shopping (rua Palestra Itália, 500, loja 263 – 3° Piso, Perdizes). Bilheteria: de domingo a quinta-feira, das 12h às 20h; sexta-feira e sábado, das 12h às 22h. Capacidade: 1.439 lugares.

Informações: (11) 3670-4100.

Vendas em: site do teatro

 

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Jovens da Paróquia Nossa Senhora do Brasil encenam “O auto da Compadecida” no Tuca

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01 de março de 2019

A Companhia Mirante de Teatro, junto ao Grupo de Jovens Divino Coração de Jesus, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil apresentaram na terça-feira, 26, uma adaptação da peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, com direção de Thiago Domingues, ator e membro da Comunidade Católica CVXAVIER.

 

“A Companhia Mirante é um universo que promove arte, cultura e fé, desde o centro às periferias, sejam elas sociais ou humanas.” A definição é de Arthur Baldin, formado em Teatro e Artes do Corpo pela PUC-SP e um dos atores da Companhia.

 

O Tuca, Teatro da PUC-SP ficou lotado para a apresentação que começou às 21h e envolveu o público com um roteiro já conhecido por muitos, mas sempre cheio de surpresas e capaz de emocionar. Além disso, assistir “O auto da compadecida” é uma oportunidade de refletir sobre a vida e a coerência de vida cristã.

 

Com patrocínio e apoio da Paróquia Nossa Senhora do Brasil e incentivo do Vicariato para a Educação e a Universidade, da Arquidiocese de São Paulo, o Grupo destinará toda a renda do espetáculo para a Comunidade Missão Belém, que mantém várias casas para acolher pessoas em situação de rua no Brasil e em outros países como Itália e Haiti.

 

Diversidade

“Eu nunca vi uma peça de teatro reunir tantas pessoas diferentes. Acredito que isso faz parte da missão do teatro e tenho muito orgulho em participar da Mirante, porque ela é uma companhia aberta a todos” disse Arthur, que interpreta o Major Antonio Moraes no espetáculo. “Aprendi muito com essa experiência”, continou.

A história dos atores, sejam eles profissionais ou não, se mistura à história de jovens que, pela primeira vez, interpretaram uma obra teatral ou, pela primeira vez tiveram oportunidade de apresentarem-se com uma plateia tão numerosa num teatro prestigioso como o Tuca.

A experiência do grupo mostra, porém, que quando fé e arte se encontram, o resultado tanto para quem está no palco, quanto para quem participa na plateia é um momento de alegria, diversão e, ao mesmo tempo, de confronto da própria vida diante de Deus e de seus ensinamentos.

Bay Marthyn é ator e interpretou Severino de Aracaju no Auto. Ele é professor de teatro e há muito tempo não interpretava. Foi convidado para substituir uma atriz e para ele foi uma alegria voltar aos palcos. “Foi um processo muito lindo e sei que esta experiência não foi somente profissional, mas sobretudo espiritual”, disse

 

Grande família

Para María Elena Infante Malachias, que interpretou a cangaceira durante o Auto, esposa  de Célio Malachias, que interpretou Jesus Cristo e  Andrés Infante Malachias, que fez o papel de sacristão, o teatro foi o lugar em que seu filho se encontrou, depois de uma série de dificuldades de adaptação e bullying na escola por diferentes motivos.

“Foi uma alegria e uma emoção participarmos juntos em todos os momentos da realização desse teatro, sobretudo dos ensaios. Participar da apresentação foi algo muito importante para meu filho e ele está muito feliz”, contou María Helena.

 

Profissionalismo

Gustavo Henrique Costa, 27, é escritor e dramaturgo e interpretou o padeiro. O auto da compadecida” foi a peça que o despertou para o teatro há cerca de quatro anos. “Estar no elenco me fez brilhar os olhos e para mim, a pessoa do Ariano Suassuna é muito importante, por tudo o que ele representa para o País. Foi muito bom participar desse projeto”, afirmou.

Para Bia Sobreira, 17, que interpretou João Grilo no Auto, não é atriz profissional, mas já estudou teatro amador durante quase 5 anos, participar da peça foi um momento muito importante porque ela sonha em ser atriz profissional. “Os ensaios foram árduos, sobretudo nas semanas que antecederam a apresentação. Mas todas as pessoas são muito comprometidas e, desde a primeira apresentação, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, percebemos quantos frutos bons poderiam nascer dessa iniciativa.”

Aos 31 anos, Rafael de Brito Moraes, membro do elenco, disse que foi a primeira vez que estreou num teatro tão importante. Formado em engenharia civil, ele começou a participar de grupos de teatro na Paróquia em que participava em 2009 e desde então o teatro passou a fazer parte da sua vida. No Auto, fez o papel do demônio. “Aconteceram muitos contratempos, como perda de atores no meio do processo e outras dificuldades, mas o resultado que tivemos na apresentação do Tuca foi sensacional”, disse.

 

Fé e arte

Foi a primeira vez que Maria Aparecida Malachias assistiu a uma peça no Tuca e também a primeira vez que ela viu “O auto da compadecida”. Mãe de Célio Malachias, Maria Aparecida se emocionou ao ver o filho interpretar Jesus Cristo e disse que não imaginava que um dia veria o filho num projeto tão importante.

Antes de entrarem no Palco os atores receberam a bênção e rezaram junto ao Padre Alessandro Enrico de Borbón, Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Brasil. Ao palco eles entraram cantando, sinal da alegria de quem escolheu a arte, sem deixar de lado a fé.

 

(Colaborou Arthur Baldin)

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Trinitas: do EJC aos palcos da fé

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20 de dezembro de 2018

No início deste ano, a atriz Mariana Chiuso e o diretor Thiago Domingues, estudante da SP Escola de Teatro, em conjunto com participantes do Encontro de Jovens com Cristo (EJC) da Paróquia Santíssimo Sacramento, fundaram o grupo teatral Trinitas.

O EJC da Paróquia existe desde 2000 e foi iniciado por filhos de casais do movimento de Encontro de Casais com Cristo (ECC). Anualmente, o EJC realiza três encontros por ano, com o intuito de debater assuntos relacionados à família, drogas, sexualidade, entre outros.

Sempre no sábado seguinte ao encontro, acontece o chamado pós-encontro, que é uma revisão do que foi debatido no final de semana anterior, e nestes dias é encenada uma peça de teatro, abordando os temas tratados. As atividades são no Centro Comunitário Padre Luiz Ilk (Rua Said Aiach, 310, centro).

Um pouco diferente este ano

No mais recente pós-encontro, o teatro foi organizado não só pelos integrantes do EJC, mas também por Mariana e Thiago Domingues. A proposta foi a de fomentar um teatro de boa qualidade nas igrejas, valorizando a expressividade pelo corpo, voz e com outros elementos relacionados ao teatro.

Em 1º de dezembro, o grupo teatral Trinitas apresentou um auto de natal chamado “O Auto da Estrela de Natal”, escrito por Mariana Chiuso, mas até todos estarem em cena foi preciso passar por muitas etapas, uma delas o convencimento dos jovens.

“Eles queriam fazer uma escola de teatro aqui, e eles nos chamaram. Inicialmente eu não ia ficar, mas o pessoal veio, aí eu fui ficando”, contou o jovem Paulo César. “Divulgaram que ia ter oficina de teatro e eu me interessei desde então”, recordou Leticia Emanuela. “A troca é que motiva jovens não atores a subirem no palco”, garantiu Thiago Domingues.

Aproximação com Deus

Um dos princípios do grupo Trinitas é que o teatro pode conectar os jovens à fé e aproximar as pessoas, sendo, assim, um contraponto em uma sociedade em que os egos se se sobressaem. Por seu caráter coletivo, o teatro obriga a mútua escuta entre seus participantes. “Apesar de nossas diferenças, unimo-nos para que um trabalho de teatro seja montado, e, desta forma, leve a mensagem do nascimento de Jesus Cristo”, afirmou Arthur Acosta Baldin.

Para Rafael de Britto Moraes, “o teatro, além de trazer uma transformação pessoal, também traz uma transformação social”. Ele acredita, ainda, que “não é uma questão só de política ou religião, mas sim uma questão social, de convivência, de princípios. A partir do teatro, você consegue embasar pessoas em princípios”. E complementou: “O que fazemos é levar o teatro para quem não frequenta e, ao mesmo tempo, mostrar o amor e a misericórdia de Deus a essas pessoas”.

‘O amor nos move’

Essa foi a resposta conjunta dos membros dos Trinitas ao serem questionados sobre as motivações para ensaiar e se apresentar no teatro.

“Se gostamos da Igreja e de teatro, porque não juntamos os dois?”, disse Giovana Santos.

“Eu gosto muito de fazer tudo isso. Quando estou aqui, parece que nada lá fora está acontecendo. Eu acredito muito no que estou fazendo, no que estou dizendo, na personagem que estou fazendo”, comento Fernanda Gibelli, destacando que é importante observar como o teatro e a fé transformam a vida de uma pessoa.

Mudanças para melhor

Os jovens do Trinitas foram unânimes ao relatar que o teatro produziu uma extrema transformação em suas vidas, mudando a forma de conversar e se expressar.

“Entre os jovens, há sempre uma curiosidade em participar desse tipo de coisa, porque é uma aventura se colocar no palco, apresentar-se para as pessoas. Alguns jovens procuram isso por uma questão de autoconhecimento”, avaliou o sonoplasta Murilo Sotrati.

Mariana Chiuso afirmou que uma das coisas que mais a emociona é a dedicação dos jovens e a coragem que têm em se expor: “Ver jovens que, apesar de seus afazeres pessoais, dedicam-se para que a Trinitas exista. Jovens interessados em saber a técnica teatral e, principalmente, em servir a Deus”.

Novos projetos em vista

Mariana Chiuso e Thiago Domingues também fundaram este ano a companhia Mirante de Artes, composta por católicos, profissionais do teatro e de outras linguagens artísticas.

Essa companhia já fez dois trabalhos, em parceria com a empresa FDT: “Diário de Classe”, em abril; e “Religando-se”, em setembro. Ambas procuram falar de realidade de uma escola, porém a peça “Religando-se” é destinada às escolas confessionais.

Para 2019, a Mirante, em conjunto com jovens da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, está montando a peça “O Auto da Compadecida”, do escritor Ariano Suassuna (1957-2014), que deve estrear em fevereiro.

 

(Texto escrito por Arthur Acosta Baldin, do grupo de teatro Trinitas)

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Arte para todos no Theatro Municipal de São Paulo

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14 de outubro de 2018

Quem passa em frente ao Theatro Municipal de São Paulo e se depara com a construção imponente pode até pensar que a programação não é para todos ou que, para entrar e conhecer o teatro, é preciso um longo e difícil processo. 

O Theatro Municipal faz parte da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, que oferece opções para todos os públicos, desde os amantes de música clássica até os que gostam de dança ou de música popular: ensaios gratuitos, apresentações especialmente pensadas para as crianças e que dialogam com a contemporaneidade, corais, balé, escola de dança, museu e muitas outras opções de arte e cultura.

 

HISTÓRIA

O Theatro Municipal de São Paulo começou a ser construído em 1903 e apenas oito anos mais tarde foi concluído. Durante esse período, vários detalhes foram pensados para representar a elite paulistana, principalmente provinda do comércio do café. De lá para cá, diversos aspectos históricos foram preservados, mas outros sofreram alterações por causa de reformas e tentativas de representação contemporâneas.

Em 12 de setembro de 1911, com a ópera de Hamlet, de Ambrósio Thomas, o Theatro Municipal foi inaugurado e, desde então, passou a proporcionar as impressões artísticas vindas da Europa. Imponente e rebuscado, idealizado nos moldes do teatro da Ópera de Paris, na França, o teatro foi construído para satisfazer os parâmetros europeus de cultura da então aristocracia cafeeira. 

Com a instalação do teatro, a vida cultural de São Paulo tornou-se rota das grandes óperas internacionais. Em 1922, um evento mudou o rumo e a história de São Paulo e do Theatro Municipal. A Semana de Arte Moderna, um dos mais importantes acontecimentos artísticos brasileiros, aconteceu ali, e grandes nomes da literatura, das artes plásticas e da música nacional estiveram no local, tais como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati e Villa Lobos.

Entre 1986 e 1991, sob responsabilidade do Patrimônio Histórico do Município, houve uma recuperação de elementos decorativos internos e externos datados de sua inauguração, além da modernização dos equipamentos de palco, luz e som. Em 1991, a fachada do Theatro Municipal foi totalmente recuperada, e a construção foi reinaugurada para a comemoração de seus 80 anos de fundação.
 

MUSEU

O Museu do Theatro Municipal, por sua vez, está instalado em um espaço abaixo do Viaduto do Chá. No início, o museu ficava nas dependências do próprio teatro. Em 1985, o acervo foi abrigado pelo Edifício Martinelli, onde permaneceu por dez anos. Os arquivos reúnem mais de 20 mil programas, 6 mil fotos e o maior acervo de partituras de música erudita da América Latina. Em 1981, o Municipal foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). 

A história está publicada no site do próprio Theatro Municipal (www.theatromunicipal.org.br) e no site da Prefeitura de São Paulo e, além dos textos, o site do teatro oferece uma visita virtual, na qual é possível ouvir áudios que descrevem todos os detalhes do projeto artístico e arquitetônico do teatro, enquanto se observa as fotos dos espaços.

Uma equipe de quase 900 pessoas, entre técnicos, artistas e funcionários, é responsável por zelar pelo funcionamento do teatro. Além disso, o Theatro Municipal coordena escolas de música e dança. Fazem parte das equipes fixas do teatro a Orquestra Sinfônica Municipal, a Orquestra Experimental de Repertório, o Balé da Cidade de São Paulo, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, o Coral Lírico e o Coral Paulistano. 

 

PRAÇA DAS ARTES

Criada como extensão das atividades do Theatro Municipal, a Praça das Artes é um complexo cultural dedicado à música, dança, ao teatro e às exposições. É sede da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo, além de abrigar grupos artísticos da Fundação Theatro Municipal de São Paulo. Em contraponto à arquitetura e tradição do Theatro, a Praça conecta-se à cidade e busca apresentar, principalmente, iniciativas contemporâneas nas artes.

A Praça das Artes está localizada entre a Rua Conselheiro Crispiniano e a Avenida São João. A primeira parte do complexo foi inaugurada em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m² que passou a ser ocupada em 2013 e faz parte da revitalização cultural do centro histórico de São Paulo.

A Praça das Artes é palco de exposições, tanto de itens do acervo histórico do Theatro Municipal como também de mostras de arte contemporânea, dentre outras que reafirmam sua pluralidade artística.
 

PROGRAMAÇÃO

No domingo, 14, haverá um concerto cênico para crianças da Orquestra Experimental de Repertório João e Maria. Os ingressos custam de R$ 10,00 a R$ 20,00. Em outubro, o teatro retoma a temporada lírica com Pelléas et Mélisande, obra de Claude Debussy. A ópera será uma remontagem da produção de 2012, dirigida por Iacov Hillel, e marca o centenário de morte do compositor. Os ingressos custam de R$ 20,00 a R$180,00.

Com entrada gratuita, o Happy Hour, um recital de piano e violino, acontece na segunda-feira, 15, às 18h. Para participar, é preciso retirar os ingressos com uma hora de antecedência. 

Outras informações e a programação completa podem ser obtidas no site ou na bilheteria do teatro.

 

VISITAS EDUCATIVAS

Qualquer pessoa pode inscrever-se para realizar uma visita ao Theatro Municipal. A inscrição individual é realizada diretamente no guichê ao lado da bilheteria, uma hora antes do horário da visita, por ordem de chegada, e a entrada é totalmente gratuita.

As visitas acontecem de quarta-feira a sexta-feira às 11h, 13h, 15h e 17h, e aos sábados, às 14h e às 15h, e têm duração de aproximadamente uma hora e meia.

(Com informações do site www.theatromunicipal.org.br)
 

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Teatro: muito mais que entretenimento

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17 de setembro de 2018

Quem não se lembra da cena do “Auto da Compadecida” em que João Grilo e Chicó chegam ao céu com outras pessoas e apelam à intercessão de Nossa Senhora para falar com Jesus? “O Auto da Compadecida” é um auto (peça de curta duração em forma de versos) escrito por Ariano Suassuna, em 1955.

Encenada pela primeira vez em 1956, em Recife (PE), o Auto ganhou as telas da televisão brasileira ao ser adaptado em uma minissérie em 1999, pela Rede Globo de Televisão. No ano seguinte, a produção foi editada e exibida nos cinemas.

Questões religiosas estão, constantemente, presentes em roteiros teatrais, e o uso dessa arte para ajudar as pessoas a compreender melhor a relação entre vida e fé ou conhecer a vida dos santos, por exemplo, são recorrentes em produções nacionais e internacionais.

O teatro é, desde seu início, na Grécia, ou mesmo antes disso, nas sociedades orientais, muito mais que entretenimento: constitui-se numa arte que comunica dor e alegria, que reconta dramas, tragédias, comédias ou verdades de fé.

No Brasil, comemora-se em 19 de setembro o Dia Nacional do Teatro. A data surgiu após a sanção presidencial da Lei 13.442/2017, que instituiu o “Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos”. O comunicado foi publicado pela agência Senado em abril de 2017 e informa que o objetivo é ajudar a divulgar a cultura por meio de atividades cênicas que ofereçam práticas de acessibilidade física e comunicativa a pessoas com deficiência.

“A iniciativa surgiu após a campanha ‘Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos’, idealizada e lançada pela organização não governamental ‘Escola de Gente – Comunicação em Inclusão’, em junho de 2011, e de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em maio de 2013, quando diversos especialistas discutiram o tema”, continua o texto.

O Dia Mundial do Teatro, por sua vez, é comemorado em 27 de março e foi criado em 1961, em Viena, na Áustria, durante o 9º Congresso do Instituto Internacional de Teatro, quando da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, na França. Coincidentemente, o aniversário de Atenas, na Grécia, considerada por muitos o berço do teatro ocidental, também é comemorado em 27 de março, conforme explica o blog Teatro Plural, criado para divulgar notícias e informações sobre o teatro no Brasil.

 

TEATRO NA IDADE MÉDIA

Entre os séculos XI e XIII, era muito comum que dentro das igrejas houvesse a composição do coro enquanto os jogos aconteciam nos Adros (fora da igreja). Os jogos eram pequenas composições que tinham sempre uma moral da história e, na maior parte das vezes, eram inspirados na vida dos santos ou em relatos bíblicos, como o caso do “Jogo de São Nicolau” ou do “Jogo de Adão”

O drama cristão surgiu a partir da necessidade de falar sobre a fé católica para as pessoas que não sabiam ler nem compreendiam os textos que eram lidos durante as celebrações, à época, totalmente em Latim. Só após o Concílio Vaticano II, na década de 1960, a missa começou a acontecer em língua vernácula, ou seja, em diferentes idiomas.

“A conversão de São Paulo”, “Santa Maria Madalena”, “São Jorge” e “São Nicolau” são peças que permanecem dentro dos cânones bíblicos e que eram constantemente representadas. A encenação da Paixão de Cristo e as peças sobre a Ressurreição de Jesus foram desenvolvidas por volta do século XIII. Já os ciclos completos, incluindo tanto as peças de Natal como as de Páscoa, atingiram seu ápice no século XV.

As informações foram publicadas no blog Pequena História do Teatro e recordam, ainda, que, com o tempo, e ao longo dos séculos XV e XVI, o teatro começou a sair das dependências das igrejas e se misturar com contos e lendas populares. A partir de então, surgiram figuras como a do bufão, uma espécie de palhaço, ou dos mambembes, andarilhos que realizavam apresentações pelas ruas.

 

CONVITE À CONVERSÃO

Cláudio Santana Pimentel, em sua dissertação “Divinização do Humano e Humanização do Divino – Representações do imaginário religioso no teatro de Ariano Suassuna”, afirma que as peças de Suassuna trazem um convite à conversão. Ele diz que, “ao retirar a questão do mal dos estreitos limites das conveniências e opiniões humanas, e atribuir-lhe uma fundamentação transcendente, Suassuna faz de seu teatro um convite à reflexão e à conversão”

“Uma mulher vestida de Sol”, por exemplo, é uma tentativa de Suassuna de recriar o romanceiro popular nordestino. “Salientei, na época, a semelhança existente entre a terra da Espanha e o sertão, o romanceiro ibérico e o nordestino. Tomei um romance popular do sertão e tratei-o dramaticamente, nos termos da minha poesia - ela também filha do romanceiro nordestino e neta do ibérico. Procurei conservar na minha peça o que há de eterno, de universal e de poético no nosso riquíssimo cancioneiro, onde há obras primas de poesia épica, especialmente na fase denominada do pastoreio”, afirmou o próprio Suassuna no texto de apresentação do livro no qual o texto foi publicado.

 

ARTE E TEATRO NO BRASIL DE HOJE

Rita Grillo é atriz, diretora, professora de interpretação e mestranda em Artes do Espetáculo na Universidade de Paris. Realizou em 2013 sua primeira direção, o espetáculo “Ninguém no Plural”, inspirado em contos de Mia Couto e, desde setembro de 2017, é professora na escola de formação de atores École du Jeu, em Paris.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Rita recordou que, nas origens do teatro brasileiro, estão alguns rituais indígenas e o trabalho de catequese dos jesuítas que, desde a chegada ao Brasil, utilizavam-se do teatro. Porém, ela recordou que o teatro ampliou seu alcance quando artistas europeus, fugidos da 2ª Guerra Mundial, começaram a trazer seus conhecimentos para o Brasil.

“‘Vestido de Noiva’, de Nelson Rodrigues, é um marco para o teatro brasileiro”, afirmou Rita, que falou sobre a formação de grupos de teatro importantes como o “Arena”, o “Opinião” e o “Oficina”. A professora salientou que é justamente agora, neste momento do País, que o teatro se mostra fundamental.

“É importante investir em Arte porque ela cumpre um papel social fundamental. É óbvio que numa escala de prioridades, comer é mais importante do que refletir sobre a sociedade, mas isso não significa que num processo de transformação social, a Arte não seja necessária, porque ela não é só entretenimento, é fundamental para o desenvolvimento”, disse Rita.

 

ATRIZ POR VOCAÇÃO   

Miriam Jardim, 31, é atriz do Grupo Gattu há 13 anos, premiada recentemente pelo Prêmio Aplauso Brasil de teatro, como melhor atriz coadjuvante no espetáculo “A Falecida”, de Nelson Rodrigues, com direção de Eloisa Vitz. Há 21 anos, Miriam participa da encenação da Paixão de Cristo com o Grupo Teatral Arte de Viver (GTAV).

“Comecei a fazer teatro na Paróquia Nossa Senhora das Dores, quando o diretor Roberto Bueno me viu durante uma dança preparada para a celebração de Natal e convidou-me a integrar o grupo de teatro que ele estava montando”, contou Miriam.

Foi assim que nasceu o GTAV, que se inseria em diferentes atividades da Paróquia, desde missas, cursos de preparação para o Batismo, Catequese, curso de noivos, até na TV Canção Nova, rádio 9 de Julho, apresentações na Fundação Casa e outros lugares em que eram convidados para se apresentarem.

“A encenação da Paixão de Cristo começou dentro da igreja, depois era apresentada atrás dela e hoje acontece em estacionamentos de hipermercados, atacadistas e shoppings centers. A peça ganhou as ruas, o público cresceu, e o bairro da Parada de Taipas também. Hoje, temos um público que ultrapassa 10 mil pessoas todos os anos”, afirmou Miriam, que contou ter descoberto sua vocação por meio da participação no Grupo.

A atriz disse que não saberia falar sobre sua vida sem o teatro. “Tenho 31 anos e foram 21 de encenações da Paixão de Cristo. Cada apresentação é única, faça chuva ou faça sol, o público está lá, muitos em pé, em cima de muros, compartilhando cadeiras, idosos, crianças, pessoas com deficiência, pessoas de religiões diferentes, pessoas sem religião, todas juntas em silêncio, vivendo o mistério da fé conosco. Todos sabem o enredo e, mesmo assim, assistem todos os anos com a fé que move montanhas e faz a gente crer na humanidade”, continuou.

 

ENLACE – A LOJA DO OURIVES

Em 2012, aconteceu na Capital Paulista uma temporada da peça “Enlace: a Loja do Ourives”, adaptação da obra de Karol Józef Wojtyła, São João Paulo II, escrita quando ainda era Bispo em Cracóvia, na Polônia.

Antes da pré-estreia, em maio de 2012, a atriz Françoise Fourton, os atores Claudio Lins e Rafael Almeida e os produtores da peça visitaram o Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB. A notícia foi publicada no site da CNBB à época e recordou a motivação que levou Maria de Lourdes Muniz de Mello, idealizadora do projeto, a levá-lo adiante.

Maria de Lourdes disse que se interessou pela peça durante a visita do já Papa João Paulo II ao Brasil em 1980. “Foram muitos anos para se obter do Vaticano os direitos para encenar essa peça, e muitas pessoas me ajudaram. Agora esse sonho está sendo realizado”, afirmou.

 

SÃO JOÃO DA CRUZ

Inspirado nos escritos de São João da Cruz, poeta e místico espanhol do século XVI, o espetáculo “João da Cruz” foi apresentado em janeiro, na Casa das Rosas, em São Paulo. A montagem é um solo de Conrado Caputo, com dramaturgia e encenação de Helder Mariani.

A ação se passa durante o período em que o Frei João da Cruz, canonizado pela Igreja Católica em 1726, foi preso pelos seus próprios confrades, numa cela minúscula do Convento de Toledo, na Espanha. O monólogo retrata a obra literária do Santo, com suas ideias radicais, expressas pela palavra escrita e por sua prática de vida. Ele também carrega as contradições existenciais da humanidade que, depois da Idade Moderna, tornar- -se-ão cada vez maiores.

A proposta de Helder Mariani é discutir sobre o homem, o poeta e o místico. “Nosso propósito não é apresentar uma narrativa biográfica de cunho didático”, afirmou Helder, em texto publicado no site da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

A encenação de Mariani apresenta o ator solitário e revela os aspectos frágil e forte de todo ser humano. Com uma trilha sonora contemporânea que dialoga com a narrativa, valendose de poucos recursos cenográficos ou de iluminação, o ator se despoja em cena e abre espaço para a palavra. O espetáculo foi apresentado durante o 16° Curso de Atualização Teológica e Pastoral do Clero, em agosto. Informações para novas apresentações e montagens podem ser obtidas pelo telefone (11) 97283 - 2727.

 

NOMES DO TEATRO BRASILEIRO SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

Considerado um grande manifestante da cultura medieval no Brasil, José de Anchieta chegou ao País em 1553. Seus autos tinham como objetivo a catequese dos povos indígenas e continham características tanto indígenas quanto religiosas. Além disso, sua poesia em verso medieval merece destaque, bem como a primeira gramática do Tupi-Guarani – uma das únicas escritas até hoje.

JOÃO CAETANO

Nascido no Rio de Janeiro, foi um grande ator do século XIX no País e, além de empresário e ensaiador, era autodidata na arte dramática. Seu trabalho é visto como grande referência na reforma do cenário teatral do País e suas ideias estão em seus dois livros: “Reflexões Dramáticas” (1837) e “Lições Dramáticas” (1862).

ARTUR AZEVEDO

Maranhense, Azevedo chegou ao Rio de Janeiro aos 18 anos (em 1873) e foi crítico teatral. Sua carreira nesse ramo começou com a tradução e a adaptação de peças teatrais francesas — foram cerca de 40 comédias que retratavam os costumes da sociedade. Participou da construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e tornou-se o nome mais conhecido do cenário dramático nacional daquela época.

MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis, autor de romances como “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, teve importante participação no desenvolvimento da dramaturgia nacional. Ele traduziu diversas peças de teatro francesas e foi crítico atuante no Conservatório Dramático. Escreveu, também, poesias, contos, comédias e algumas peças de teatro.

Fonte: Macunaíma        

 

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Encenações marcam a Paixão de Cristo na Região Santana

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05 de abril de 2018

A Sexta-Feira Santa, celebrada em 30 de março, foi marcada por encenações teatrais sobre a Paixão de Jesus Cristo em paróquias da Região Episcopal Santana.

No Setor Pastoral Tremembé, a juventude da Paróquia São Domingos Sávio realizou a representação da morte de Jesus Cristo. Ainda com a participação dos jovens, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, da Vila Dionísia, encenou a peça da Paixão de Cristo, organizada pelos Ministérios Jovem e de Artes.

Na Paróquia Jesus no Horto das Oliveiras e na Comunidade Bom Pastor, após a encenação da Paixão de Cristo, mesmo sob chuva, os paroquianos seguiram a procissão do Senhor Morto.

Refletindo a violência, tema da Campanha da Fraternidade deste ano, os jovens da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Jaçanã, representaram a morte de Cristo e da juventude nas lágrimas de uma mãe ao encontrar seu filho baleado.

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1º Festival de Teatro de Colégios Católicos acontece na Região Belém

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15 de setembro de 2017

No sábado, 2 de setembro, o Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade realizou o 1º Festival de Teatro dos Colégios Católicos da Região Belém.

A Etapa Eliminatória começou às 13h e terminou às 18h. Participaram do Festival os alunos dos Colégios Nossa Senhora Auxiliadora, São Francisco de Assis, Mary Ward, Nossa Senhora de Lourdes e João e Rafaela Passalacqua. Por ocasião do Ano Mariano Nacional, o tema do Festival foi “Mãe de Todos os Povos, Maria de tantas Marias”, para que os alunos pudessem apresentar peças que homenageassem a Mãe de Deus.

O Festival contou com a presença de três jurados: a atriz, professora e pesquisadora Roberta Bechara Ventura, que estudou em Nova York, trabalhou com Antunes Filho e, atualmente, pesquisa sobre aspectos vocais do trabalho do ator e do texto na performance da cena; Lucas Ribeiro, diretor Geral de Set e Editor do curta-metragem “Shadow Figures”, selecionado para o New Media Film Festival em Los Angeles (EUA), em junho; e o Padre Vandro Pisaneschi, Coordenador de Pastoral do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade.

Todos os colégios apresentaram belíssimas homenagens a Nossa Senhora que surpreenderam não só os jurados, mas todos os presentes. Aproximadamente 200 pessoas compareceram ao Festival durante todo o dia.

Três colégios foram selecionados para a final, que acontecerá no dia 27 de setembro, às 18h, no Tuca e a banca de jurados é composta pelo ator e professor de Artes Cênicas da Unicamp, Roberto Mallet; a atriz Eva Wilma e Dom Carlos Lema Garcia, Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade. A final é aberta ao público e a entrada é gratuita.

 

CONHEÇA O TRABALHO DO VICARIATO EPISCOPAL PARA A EDUCAÇÃO E A UNIVERSIDADE

 

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