Documento final: conversão integral, pastoral, ecológica e sinodal

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31 de outubro de 2019

Conversão, missionariedade, defesa da vida e da criação são as palavras-chave do Documento Final da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, aprovado e divulgado no sábado, 26. 
No texto, que não é deliberativo, mas apenas consultivo, os padres sinodais fazem um diagnóstico sobre a realidade dos povos amazônicos e apresentam ao Papa sugestões para a ação evangelizadora da Igreja nessa região. 
O jornal O SÃO PAULO apresenta a seguir uma síntese dos principais assuntos do documento: 

CAPÍTULO I
Conversão integral

O texto ressalta a beleza da vida na Amazônia, que hoje é “ferida e deformada” pela dor e violência. Dentre as ameaças elencadas, estão: apropriação e privatização dos bens da natureza; modelos predatórios de produção; desmatamento; poluição das indústrias extrativistas; mudanças climáticas; narcotráfico; alcoolismo; tráfico de seres humanos; a criminalização de líderes e defensores do território; grupos armados ilegais. 
Migração – O crescente fenômeno migratório também está presente no texto, que indica três níveis: mobilidade de grupos indígenas em territórios de circulação tradicional; deslocamento forçado de populações indígenas; migração internacional e refugiados.
Os bispos reforçam que é necessário um cuidado pastoral nas regiões de fronteira, voltado para os migrantes e vítimas do tráfico humano. Em relação ao deslocamento forçado de famílias indígenas para os centros urbanos, sugere-se a criação de equipes missionárias que favoreçam a integração dessas comunidades nas cidades.

CAPÍTULO II
Conversão pastoral

Enfatizando a natureza missionária da Igreja, o documento recorda que a comunidade eclesial deve ser “samaritana”, indo ao encontro de todos; “Madalena”, amada e reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; e “Mariana”, geradora de filhos para a fé entre os povos a que serve.
A assembleia sinodal não deixa de mencionar os muitos missionários que deram a vida para anunciar o Evangelho na Amazônia e sugere que as congregações religiosas do mundo estabeleçam pelo menos um posto missionário em um dos países da Amazônia. 
Ecumenismo – O documento considera o diálogo ecumênico e inter-religioso como “caminho indispensável da evangelização na Amazônia”. Reconhece que “as relações entre católicos e pentecostais, carismáticos e evangélicos não são fáceis” na região. “O fato de que alguns fiéis católicos se sintam atraídos por essas comunidades é motivo de atrito, mas pode converter-se, da nossa parte, em um motivo de exame pessoal e renovação pastoral”, aponta-se no texto. 
No âmbito inter-religioso, o documento incentiva um maior conhecimento das tradições religiosas dos povos locais, a fim de que cristãos e não cristãos possam agir juntos em defesa da “casa comum”. 
Indígenas e jovens – O documento também recorda a urgência de uma pastoral indígena que tenha um lugar específico na Igreja, especialmente para os jovens, imersos em uma crise de valores, vítimas da pobreza, violência, desemprego, novas formas de escravidão e dificuldade de acesso à educação. Muitos desses, alertam os bispos, acabam na prisão ou até no suicídio.
O texto conclusivo do Sínodo também se dedica ao tema da pastoral urbana, com um foco particular nas famílias, que, sobretudo nas periferias, sofrem com a pobreza, desemprego, falta de moradia e problemas de saúde. 

CAPÍTULO III
Conversão cultural

Para os padres sinodais, inculturação e interculturalidade são instrumentos importantes para alcançar uma conversão cultural que leva o cristão a ir ao encontro do outro e aprender com ele. 
Na perspectiva da inculturação, é dado espaço à piedade popular, cujas expressões devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e, às vezes, “purificadas”, pois são momentos privilegiados de evangelização que devem conduzir ao encontro com Cristo.
O documento propõe que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as tradições, as línguas, as crenças e as aspirações dos povos indígenas, encorajando o trabalho educativo a partir da sua própria identidade e cultura.

CAPÍTULO IV
Conversão ecológica

A expressão conversão ecológica teve grande destaque neste Sínodo, que indica a ecologia integral, apontada pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si’, como o único caminho possível para a Amazônia. A esperança é que, reconhecendo “as feridas causadas pelo ser humano” ao território, sejam procurados “modelos de desenvolvimento justo e solidário”.  
O documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida “desde a concepção até o seu fim” e em promover o diálogo intercultural e ecumênico para conter as estruturas de morte, pecado, violência e injustiça. 
Os padres sinodais propõem a definição de “pecado ecológico” como “ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade, o meio ambiente”, as futuras gerações e a virtude da justiça.

CAPÍTULO V
Conversão sinodal     

Superar o clericalismo e as imposições arbitrárias, reforçar uma cultura do diálogo, da escuta e do discernimento espiritual e responder aos desafios pastorais são características apontadas pelo documento para definir a conversão sinodal à qual a Igreja é chamada na Amazônia.
Ministérios – Incentiva-se maior participação dos leigos na vida e missão da Igreja, que deve ser reforçada e ampliada a partir da promoção e concessão de ministérios leigos a homens e mulheres. Pedem, inclusive, que se estude a concessão do leitorato e do acolitato a mulheres, ministérios que até o momento só são concedidos a homens leigos. 
O Sínodo aposta, ainda, em uma vida consagrada com rosto amazônico, a partir de um reforço das vocações 
autóctones. 
Foram definidos como urgentes a promoção, formação e apoio aos diáconos permanentes, salientando importância de insistir em uma formação contínua, marcada pelo estudo acadêmico e prática pastoral, na qual sejam envolvidos também esposas e filhos do candidato.
O documento relata que em inúmeras consultas foi solicitado “o diaconato permanente para as mulheres”. O desejo dos padres sinodais é que sejam compartilhadas as experiências e reflexões emergidas até agora com a “Comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres”, criada pelo Papa Francisco em 2016, para “aguardar seus resultados”.
Eucaristia e sacerdócio – Ao refletirem sobre a centralidade da Eucaristia à vida cristã, os padres sinodais ressaltaram a dificuldade de algumas comunidades terem acesso a este sacramento, assim como à Reconciliação e à Unção dos Enfermos, devido à falta de sacerdotes. 
Reforçando o apreço pelo celibato como dom de Deus e renovando a oração “para que haja muitas vocações” celibatárias, o documento final propõe “estabelecer critérios e regras por parte da autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado, permitindo ter uma família legitimamente constituída e estável”. O documento reitera, contudo, que, a esse propósito, “alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal ao argumento”.
Rito amazônico – O Sínodo também pede a constituição de uma comissão competente para estudar a elaboração de um rito amazônico, que se acrescentaria aos 23 ritos já existentes na Igreja Católica. De igual modo, expressa a urgência de formar comitês para a tradução e a elaboração de textos bíblicos e litúrgicos nas línguas dos diferentes locais, “preservando a matéria dos sacramentos e adaptando-os à forma, sem perder de vista o essencial”. 

(Com informações de Vatican News)

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Olhar para os outros como irmãos e rejeitar a religião do ‘eu’

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30 de outubro de 2019

Na conclusão da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, o Papa Francisco refletiu sobre a parábola do fariseu e do publicano, recordando que a oração deve vir do coração para agradar a Deus. No domingo, 27, ele também alertou para o risco de que alguém olhe para os outros como “inferiores e descartáveis”, pensando ser superior e mais santo do que as pessoas ao seu redor.
Conforme o relato bíblico no Evangelho segundo São Lucas, enquanto o fariseu dizia em sua oração “Agradeço-te, ó Deus, porque não sou como os outros homens”, o publicano, ao contrário, fala mais de suas fraquezas e pede a ajuda de Deus. A religião do fariseu, comenta o Papa, é a “religião do eu”, enquanto o publicano faz uma oração que sai do coração e, por isso, é a mais verdadeira.

O CASO DO FARISEU
“[O fariseu] conta vantagem porque cumpre da melhor forma alguns preceitos especiais. Mas esquece o principal: amar a Deus e ao próximo”, disse o Santo Padre, na homilia. “Ele está centrado só sobre si mesmo. O drama desse homem é que está sem amor. Mas até mesmo as coisas melhores, sem amor, não levam a nada”, acrescentou.
Ao final, o fariseu somente faz um elogio a si mesmo, contente com seu próprio mérito. “Ele está no tempo de Deus, mas pratica outra religião, a religião do eu. E tantos grupos ‘ilustres’, ‘cristãos católicos’ [de hoje], vão pela mesma estrada”, alertou.
Além de se esquecer de colocar Deus no centro de sua oração, o fariseu acaba se esquecendo de amar os outros, e, pior ainda, os despreza. “Para ele, o próximo não tem valor. Ele se considera melhor do que os outros”, observa Francisco.

A ORAÇÃO DO PUBLICANO
Nas palavras do Papa Francisco, a oração do publicano ajuda a compreender o que é agradável a Deus. Embora os publicanos fossem coletores de impostos, e, portanto, detestados pelas outras pessoas, esse personagem bíblico não fala só de seus próprios méritos, mas se apresenta de forma humilde. Ele se sente em uma “pobreza de vida”, ainda que fosse rico.
“Aquele homem que se aproveita dos outros se reconhece pobre diante de Deus e o Senhor escuta a sua oração, feita somente de sete palavras, mas de comportamentos verdadeiros”, afirma o Papa. “Ele bate no peito, porque no peito está o coração. Sua oração nasce precisamente do coração, é transparente, coloca diante de Deus o coração, não as aparências.”
Da mesma forma, hoje vivemos um momento histórico em que muitos se dizem cristãos, mas se comportam mais como os fariseus, segundo Francisco. Mas, na verdade, “encontramos em todos nós” ambos os personagens. “Somos um pouco publicanos, porque pecadores, e um pouco fariseus, porque presunçosos.”
A saída, portanto, é pedir a graça de Deus para “sentir-se necessitado de misericórdia, pobres por dentro”, e recordar que só assim será possível chegar mais perto de Deus, pois “o grito dos pobres é o grito de esperança da Igreja”, declarou.

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Documento final do Sínodo é presentado aos padres sinodais

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25 de outubro de 2019

Durante a 15ª Congregação Geral do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, realizada na tarde desta sexta-feira, 25, no Vaticano, com a presença do Papa Francisco, foi apresentado o texto do documento final dos trabalhos sinodais.

O texto, apresentado pelo Relator-geral do Sínodo, Cardeal Cláudio Hummes, foi elaborado por uma comissão de redação e reúne os frutos dos pronunciamentos apresentados durante os trabalhos e as numerosas emendas elaboradas pelos círculos menores, a partir da primeira versão, apresentada na segunda-feira, 21.

A manhã do sábado, 26, será reservada a releitura individual do texto pelos padres sinodais. À tarde, durante a 16ª Congregação Geral, acontecerá a votação de cada parte do documento ao qual não cabem mais emendas.

Esse documento não tem um caráter deliberativo, pois o Sínodo dos Bispos é um organismo consultivo do Papa. O texto contém as conclusões das reflexões e trabalhos realizados pelos padres sinodais desde o dia 6.

Após aprovado pela Sìnodo, o documento final será entregue ao Papa Francisco, para que ele possa discernir e decidir quais encaminhamentos dará a Igreja, podendo, inclusive, escrever uma exortação pós-sinodal sobre o tema.

 

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'O Espírito Santo é o protagonista do Sínodo', afirma Papa

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07 de outubro de 2019

Os trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia começaram na manhã desta segunda-feira, 7, com um momento de oração diante do túmulo de São Pedro, na Basílica Vaticana, com a presença do Papa Francisco, seguido de uma procissão dos participantes do sínodo até a sala sinodal.

Na saudação inicial da Assembleia, o Santo Padre destacou que o Sínodo para a Amazônica tem quatro dimensões: pastoral, cultural, social e ecológica.

“A primeira [dimensão] é essencial porque abarca tudo e vemos a realidade da Amazônia com olhos dos discípulos, porque não existem hermenêuticas neutras, ascéticas, sempre estão condicionadas a uma opção prévia, e a nossa opção prévia é a dos discípulos. Mas também com olhos missionários, porque o amor que o Espírito Santo colocou em nós nos impulsiona ao anúncio de Jesus Cristo”, disse o Papa.

PERIGO DAS IDEOLOGIAS

O Pontífice advertiu para o que chamou de “colonizações ideológicas” que destroem ou reduzem os costumes e identidades dos povos originários.  “As ideologias são uma arma perigosa”, afirmou, porque levam a visões redutivas, a entender sem admirar, sem assumir, sem compreender.

Contra o risco de medidas pragmáticas, o Papa propõe a contemplação dos povos, a capacidade de admiração e um pensamento paradigmático. “Se alguém veio com intenções pragmáticas, converte-se para atitudes paradigmáticas, que nasce da realidade dos povos”, destacou.

ESPÍRITO SANTO

O Sando Padre reiterou que não se reuniram em sínodo para “para inventar programas de desenvolvimento social ou custódia de culturas, do tipo museu, ou de ações pastorais com o mesmo estilo não contemplativo com o qual se estão levando adiante as ações de sentido oposto: desmatamento, uniformização, exploração”. “Viemos para contemplar, compreender, servir os povos e fazemos percorrendo um caminho sinodal, não numa mesa-redonda, em conferências ou em discursos, mas em sínodo. Porque um Sínodo não é um parlamento, um locutório, é um caminhar juntos sob a inspiração do Espírito Santo e o Espírito Santo é o protagonista do Sínodo”, afirmou.

INSTRUMENTO DE TRABALHO

Sobre o Instrumento de Trabalho do Sínodo, documento feito pelo conselho pré-sinodal, fruto das consultas às comunidades amazônicas, o Papa o definiu como um texto “mártir”, destinado a ser destruído, pois é o ponto de partida para os trabalhos da Assembleia. “Vamos caminhar sob a guia do Espírito Santo, deixar que Ele se expresse nesta assembleia, entre nós, conosco, através de nós e se expresse apesar da nossa resistência”, destacou.

Para assegurar que a presença do Espírito Santo seja fecunda, Francisco indicou antes de tudo a oração: “Rezemos muito”. “É preciso também refletir, dialogar, escutar com humildade, sabendo que eu não sei tudo e falar com coragem, com paresia, “mesmo que tenha que passar vergonha”, discernir e tudo isso dentro, custodiando a fraternidade que deve existir aqui dentro”, enfatizou.

ORAÇÃO

Para favorecer a atitude de reflexão, oração, discernimento, depois das intervenções haverá um espaço de quatro minutos de silêncio. “Pois estar no Sínodo é entrar num processo, não é ocupar um espaço na sala, e os processos eclesiais têm necessidade de ser custodiados, cuidados com delicadeza, com o calor da Mãe Igreja”, reiterou o Papa.

O Pontífice, então, indicou prudência ao falar com os jornalistas, para não se criar a impressão de que exista um “Sínodo dentro, que segue um caminho da Igreja Mãe, de cuidado dos processos”, e um “Sínodo fora que, por uma informação dada com rapidez, dada com imprudência,  que move os jornalistas a equívocos”.  “Uma informação imprudente leva a equívocos”, alertou.

Por fim, Francisco agradeceu a todos pelo trabalho. “Obrigado por rezar uns pelos outros e ânimo”.

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Papa Francisco abre Sínodo para a Amazônia

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06 de outubro de 2019

O Papa Francisco presidiu a missa de abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica na manhã deste domingo, 6, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Entre os concelebrantes estavam os 185 padres sinodais, 58 do Brasil. Também estavam na Eucaristia os 13 novos cardeais, criados no Consistório presidido pelo Pontífice no sábado, 5. Na assembleia,  havia, ainda, representantes de comunidades indígenas.

O evento eclesial que se realizará até o dia 27 deste mês, tem como tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

CAMINHAR JUNTOS

Na homilia, dirigindo-se aos padres sinodais, bispos provenientes não só da região Pan-Amazônica, mas também de outras regiões, o Papa partiu da leitura da a Segunda Carta de São Paulo a Timóteo para ressaltar que o apóstolo Paulo, o maior missionário da história da Igreja os ajudará a “fazer Sínodo”, a “caminhar juntos”.

O Santo Padre chamou a atenção para o dom que cada um recebeu para serem dons na vida dos outros. “Um dom não se compra, não se troca nem se vende: recebe-se e dá-se de prenda. Se nos apropriarmos dele, se nos colocarmos a nós no centro e não deixarmos no centro o dom, passamos de pastores a funcionários: fazemos do dom uma função, e desaparece a gratuidade; assim acabamos por nos servir a nós mesmos, servindo-nos da Igreja”, afirmou.

REACENDER O DOM DA MISSÃO

Francisco ainda ressaltou que para serem fiéis à missão, São Paulo recorda a necessidade de se reacender o dom recebido. “O dom que recebemos é um fogo, é amor ardente a Deus e aos irmãos. O fogo não se alimenta sozinho; morre se não for mantido vivo, apaga-se se a cinza o cobrir”, disse.

“Se tudo continua igual, se os nossos dias são pautados pelo ‘sempre se fez assim’, então o dom desaparece, sufocado pelas cinzas dos medos e pela preocupação de defender o status quo. Mas ‘a Igreja não pode de modo algum limitar-se a uma pastoral de “manutenção” para aqueles que já conhecem o Evangelho de Cristo’, acrescentou o Papa, afirmação do Papa Emérito Bento XVI, de que “o ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial”.

O Pontífice convidou os participantes do Sínodo a pedirem a graça de serem “fiéis à novidade do Espírito”. “Ele, que faz novas todas as coisas, nos dê a sua prudência audaciosa; inspire o nosso Sínodo a renovar os caminhos para a Igreja na Amazônia, para que não se apague o fogo da missão”, reiterou.

FOGO DO EVANGELHO

O Santo Padre enfatizou que o fogo de Deus, como no episódio da sarça ardente, arde mas não consome. “Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo. Contudo quantas vezes o dom de Deus foi, não oferecido, mas imposto! Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos”, alertou.

“O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros”, completou Francisco.

OLHAR PARA O CRUCIFICADO

Por fim, o Papa convidou todos a olharem para Jesus crucificado e para seu coração aberto. Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”.

 

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'Toda a Igreja mostra a sua solicitude pela Amazônia', diz Cardeal Baldisseri

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03 de outubro de 2019

Faltando três dias para o início da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, aconteceu na manhã desta quinta-feira, 4, a coletiva de imprensa de apresentação do evento.

A Sala de Imprensa da Santa Sé, no Vaticano, ficou lotada para a conferência que contou com a participação do Secretário-geral, Cardeal Lorenzo Baldisseri, o Relator-geral, Cardeal Cláudio Hummes, e o Sub-secretário, Dom Fabio Fabene.

O Cardeal Baldisseri explicou que essa assembleia convocada pelo Papa Francisco em 2017, é “especial”, isto é, diz respeito a uma área geográfica específica e, portanto, irá reunir todos os bispos da região pan-amazônica, que compreende nove países.

Participarão 184 padres sinodais, dentre os quais, prelados de outras regiões, chefes de dicastérios da Cúria Romana, representantes de congregações religiosas e membros de nomeação pontifícia. Do Brasil, serão 57 participantes. Entre os participantes, dos quais 35 mulheres, há também representantes de outras comunidades cristãs, de povos originários e especialistas, como consultores e ouvintes.

“É toda a Igreja que mostra a sua solicitude pela Amazônia: pelas dificuldades, os problemas, as preocupações e os desafios que encontra”, afirmou Dom Lorenzo.

MISSÃO EVANGELIZADORA

O Secretário-geral destacou, ainda, o foco deste Sínodo, contido já no tema – “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Os padres sinodais, portanto, se concentrarão em dois aspectos: a missão evangelizadora da Igreja na Amazônia, tendo no centro o anúncio da salvação em Jesus Cristo, e a questão ecológica.

O Cardeal Hummes ressaltou que o contexto amplo do Sínodo é a grave e urgente crise socioambiental de que fala a Encíclica do Papa Francisco Laudato si’: “a) A crise climática, ou seja, o aquecimento global pelo efeito estufa; b) a crise ecológica em consequência da degradação, contaminação, depredação e devastação do planeta, em especial na Amazônia; c) e a crescente crise social de uma pobreza e miséria gritante que atinge grande parte dos seres humanos e, na Amazônia, especialmente os indígenas, os ribeirinhos, os pequenos agricultores e os que vivem nas periferias das cidades amazônicas e outros.”

“Trata-se de cuidar e defender a vida, tanto de todos os seres humanos, quanto da biodiversidade. Jesus disse: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo, 10,10)”, acrescentou Dom Cláudio.

O Relator-geral citou mais de uma vez a Laudato si’ e o seu convite a uma conversão. “É importante o que o Papa Francisco chama de ‘ecologia integral’, para dizer que tudo está interligado, os seres humanos, a vida comunitária e social, e a natureza. O que se faz de mal à terra, acaba fazendo mal aos seres humanos e vice-versa. Há necessidade de uma conversão ecológica, inspirada em São Francisco de Assis”, afirmou.

SOBERANIA É INTOCÁVEL

Respondendo às perguntas dos jornalistas, o Cardeal brasileiro ressaltou a “presença heroica” da Igreja no território amazônico há quatro séculos. “Não se pode falar da Amazônia sem falar da história da Igreja na região”., disse Dom Cláudio, reivindicando a bagagem eclesial acumulada no decorrer dos séculos. “A Igreja não é competente em determinações técnicas, mas apresentará princípios para orientar os que buscam essas soluções”.

O Cardeal Hummes falou das críticas recebidas do governo brasileiro, afirmando que “em parte foram superadas” depois de encontros com membros governamentais. E reiterou: “Para a Igreja, a soberania da Amazônia é intocável”.

Outro ponto questionado foi quanto ao Instrumento de Trabalho. Dom Cláudio recordou que não se trada de um documento do Sínodo, mas para o Sínodo, que contém “a voz do povo local”.  O Cardeal Baldisseri complementou que não se trata de um “documento pontifício”, mas de uma coleta das expressões do povo da Amazônia. “É o ponto de partida para começar a trabalhar.”

METODOLOGIA

Já o Sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fabio Fabene, explicitou as fases de elaboração da Assembleia, com ênfase no andamento dos trabalhos durante o Sínodo. Tratando-se de uma Assembleia Especial, a metodologia em relação aos Sínodos precedentes foi parcialmente renovada.

O Secretário-geral abrirá os trabalhos ilustrando o percurso sinodal. Depois, o relator apresentará os conteúdos que emergiram na fase preparatória e traçará os argumentos principais para a discussão na Sala e nos círculos menores. As intervenções na Sala terão a duração de quatro minutos. E nos dias de congregações gerais, haverá um tempo ao final para pronunciamentos livres dos padres sinodais.

COMUNICAÇÃO

A comunicação do Sínodo será confiada ao Dicastério para a Comunicação. Diariamente, serão realizados briefings com a participação dos padres sinodais e de outros participantes. As redes sociais (Twitter, Facebook e Instagram) de Vatican News e da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos contribuirão para a difusão das notícias. Está ativa a mesma hashtag #SinodoAmazonico para todas as línguas para uma informação mais adequada sobre o Sínodo.

Os padres sinodais estarão disponíveis para entrevistas fora da sala sinodal. Como nos últimos Sínodos, as intervenções na Sala não serão publicadas oficialmente no Boletim da Sala de Imprensa. Já os pronunciamentos dos círculos serão divulgados através da Sala de Imprensa da Santa Sé.

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Andrea Tornielli: ‘O Sínodo não quer transformar a Igreja em uma ONG’

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26 de setembro de 2019

Dando continuidade à série “Vatican News rumo ao Sínodo da Amazônia”, o editor-chefe da agência de notícias da Santa Sé, Andrea Tornielli, esclareceu dúvidas de internautas referentes à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que acontecerá entre os dias 6 e 27 de outubro, no Vaticano.

No terceiro vídeo o jornalista respondeu a acusaões de críticos nas redes sociais de que "o Sínodo quer transformar a Igreja em uma ONG", além de temas relacionados à inculturação, Teologia da Libertação e a influência do marxismo na preparação e discussões da assembleia sinodal. 

Confira o terceiro vídeo da série:

VEJA TAMBÉM:

Vatican News esclarece dúvidas sobre Sínodo para a Amazônia

Andrea Tornielli: acusar a Laudato si’ de ‘herética’ é uma ‘blasfêmia’

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Andrea Tornielli: acusar a Laudato si’ de ‘herética’ é uma ‘blasfêmia’

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26 de setembro de 2019

No segundo vídeo da série "Vatican News rumo ao Sínodo da Amazônia", o editor-chefe da agência de notícias do Vaticano, Andrea Tornielli, comenta afirmações feitas por internautas a respeito da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que acontecerá entre os dias 6 e 27 de outubro, no Vaticano.

O jornalista explicou o conteúdo da Encíclica Laudato si’, sobre o cuidado da casa comum, rebatendo a comentários de que o documento do Papa Francisco seria “herético” e reiterou que o texto faz parte da tradição das encíclicas sociais do Magistério da Igreja.

Tornielli, citou ainda, afirmações do Papa Emérito Bento XVI contidas na Encíclica de Francisco, para reforçar que o documento é expressão do magistério não apenas do atual pontífice como também de seus predecessores. “A salvaguarda do meio ambiente, a tutela dos recursos do clima, exigem que os responsáveis internacionais ajam de forma conjunta, no respeito pela lei e pela solidariedade, principalmente em relação às regiões mais frágeis da terra. Em conjunto, podemos construir um desenvolvimento humano integral, em benefício dos povos, presentes e futuros, um desenvolvimento inspirado nos valores da caridade na verdade”.

E acrescentou: “A fim de que isto se verifique, é indispensável transformar o atual modelo de desenvolvimento global em uma tomada de responsabilidade, maior e mais compartilhada em relação à Criação: exigem-no não só as emergências ambientais, mas inclusive o escândalo da fome e da miséria”.

Por fim, o editor afirmou que chamar a Laudato si’ de herética significa dizer uma falsidade e, ao mesmo tempo “uma pequena blasfêmia”.

Confira o segundo vídeo da série:

VEJA TAMBÉM:

Vatican News esclarece dúvidas sobre Sínodo para a Amazônia

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Vatican News esclarece dúvidas sobre Sínodo para a Amazônia

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26 de setembro de 2019

Com a proximidade da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, o Vatican News, agência de notícias da Santa Sé, iniciou uma série de vídeos nos quais o editor-chefe, Andrea Tornielli, responde e comenta questões acerca do evento que acontecerá entre os dias 6 e 27 de outubro, no Vaticano.

Confira o primeiro vídeo da série:

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