Sínodo dos Bispos: o que diz o Documento Final

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30 de outubro de 2018

É o episódio dos discípulos de Emaús, narrado pelo evangelista Lucas, o fio condutor do Documento Final do Sínodo dos Jovens. Lido na Sala alternando vozes do relator geral, cardeal Sérgio da Rocha, e os secretários Especiais, padre Giacomo Costa e padre Rossano Sala, juntamente com Dom Bruno Forte, membro da Comissão para a Redação do texto, o documento é complementar ao Instrumentum laboris do Sínodo, do qual toma a subdivisão em três partes.

Acolhido com aplausos, o texto - disse o cardeal Sérgio Da Rocha - é "o resultado de um verdadeiro trabalho de equipe" dos Padres Sinodais, juntamente com os outros participantes no Sínodo e "em modo particular os jovens." O Documento, portanto, recolhe as 364 formas, ou emendas, apresentadas. "A maior parte delas - acrescentou o Relator geral - foi precisa e construtiva". Todos os parágrafos do texto foram aprovados com pelo menos dois terços dos votos.

 

"Caminhava com eles"

Em primeiro lugar, portanto, o Documento Final do Sínodo olha para o contexto em que vivem os jovens, destacando os pontos de força e desafios. Tudo parte de uma escuta empática que, com humildade, paciência e disponibilidade, permite de dialogar realmente com os jovens, evitando "respostas pré-concebidas e receitas prontas". Os jovens, de fato, querem ser "ouvidos, reconhecidos, acompanhados" e querem que sua voz seja "considerada interessante e útil no campo social e eclesial". A Igreja nem sempre teve essa atitude, reconhece o Sínodo: muitas vezes sacerdotes e bispos, sobrecarregados por muitos compromissos, lutam para encontrar tempo para o serviço da escuta. Daí a necessidade de preparar adequadamente também leigos, homens e mulheres, capazes de acompanhar as jovens gerações. Diante de fenômenos como a globalização e a secularização, além disso,  os jovens movem-se em direção a uma redescoberta de Deus e da espiritualidade e isso deve ser um estímulo para a Igreja, para recuperar a importância do dinamismo da fé.

 

A escola e a paróquia

Outra resposta da Igreja às questões dos jovens vem do setor educacional: as escolas, as universidades, as faculdades, os oratórios, permitem uma formação integral dos jovens, oferecendo ao mesmo tempo um testemunho evangélico de promoção humana.

Em um mundo onde tudo está conectado - família, trabalho, tecnologia, defesa do embrião e do migrante - os bispos definem como insubstituível o papel desempenhado pelas escolas e universidades onde os jovens passam muito tempo. As instituições educacionais católicas, em particular, são chamadas a enfrentar a relação entre a fé e as demandas do mundo contemporâneo, as diferentes perspectivas antropológicas, os desafios técnico-científicos, as mudanças nos costumes sociais e o compromisso com a justiça. Também a paróquia tem o seu papel: "Igreja no território", é preciso um repensar na sua vocação missionária, pois muitas vezes resulta pouco significativa e pouco dinâmica, especialmente na área da catequese.

 

Migrantes, um paradigma do nosso tempo

O documento sinodal se concentra então no tema dos migrantes, "paradigma do nosso tempo",  como um fenômeno estrutural, e não uma emergência transitória. Muitos migrantes são jovens ou menores desacompanhados, fugindo da guerra, violências, perseguição política ou religiosa, desastres naturais, pobreza e acabam se tornando vítimas de tráfico, drogas, abusos psicológicos e físicos. A preocupação da Igreja é acima de tudo em relação a eles - diz o Sínodo – na ótica de uma autêntica promoção humana que passa pela acolhida de refugiados, e seja ponto de referência para tantos jovens separados de suas famílias de origem. Mas não só: os migrantes - recorda o Documento - são também uma oportunidade de enriquecimento para as comunidades e sociedades em que chegam e que podem ser revitalizados por eles. Ressoam, portanto, os verbos sinodais "acolher, proteger, promover, integrar" indicados pelo Papa Francisco para uma cultura que supere a desconfiança e o medo. Os bispos também pedem mais empenho em garantir àqueles que não desejam migrar, o direito de permanecer em seu próprio país. A atenção do Sínodo também se dirige àquelas Igrejas ameaçadas em sua existência, pela emigração forçada e pelas perseguições sofridas pelos fiéis.

 

Firme compromisso contra todo tipo de abuso. Dizer a verdade e pedir perdão

Bastante ampla, também, a reflexão sobre os "diversos tipos de abuso" (de poder, econômicos, de consciência, sexuais) feitos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos: nas vítimas – lê-se no texto – eles provocam sofrimentos que "podem ​​durar toda a vida e aos quais nenhum arrependimento pode colocar remédio".

Daí o apelo do Sínodo ao "firme compromisso com a adoção de rigorosas medidas de prevenção que impeçam o repetir-se, a partir da seleção e da formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidades e educativas". Por conseguinte, será necessário extirpar as formas - como a corrupção e o clericalismo – sob as quais estes tipos de abusos estão enraizados, contrastando também a falta de responsabilidade e transparência com que muitos casos foram geridos. Ao mesmo tempo, o Sínodo se diz agradecido a todos aqueles que "têm a coragem de denunciar o mal sofrido", porque ajudam a Igreja a "tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão". "A misericórdia, de fato, exige a justiça". Mas não devem porém ser esquecidos os numerosos leigos, sacerdotes, pessoas consagradas e bispos que a cada dia se dedicam, com honestidade, a serviço dos jovens, os quais podem verdadeiramente oferecer "uma ajuda preciosa" para uma "reforma de dimensão epocal" nesta área.

 

A Família "Igreja Doméstica"

Outros temas presentes no Documento dizem respeito à família, principal ponto de referência para os jovens, primeira comunidade de fé, "Igreja doméstica": o Sínodo chama a atenção, em particular, ao papel dos avós na educação religiosa e na transmissão da fé, e alerta para o enfraquecimento da figura paterna e  para aqueles adultos que assumem estilos de vida "juvenis". Além da família, para os jovens, a amizade com os colegas é muito importante, pois permite a partilha da fé e a ajuda recíproca no testemunho.

 

Promoção de justiça contra "cultura de desperdício"

O Sínodo concentra-se também em algumas formas de vulnerabilidade vividas pelos jovens em vários setores: no trabalho, onde o desemprego torna as jovens gerações pobres, minando a sua capacidade de sonhar; as perseguições até a morte; a exclusão social por motivos religiosos, étnicos ou econômicos; as deficiências. Diante dessa "cultura de descarte", a Igreja deve lançar um apelo à conversão e à solidariedade, tornando-se uma alternativa concreta às situações de dificuldade. Na frente oposta, não faltam áreas onde o comprometimento dos jovens consegue se expressar com originalidade e especificidade: por exemplo, o voluntariado, a atenção às questões ecológicas, o compromisso na política com a construção do bem comum, a promoção da justiça, pela qual os jovens pedem à Igreja "um compromisso firme e coerente".

 

Arte, música e esporte, "recursos pastorais"

Também o mundo do esporte e da música oferece aos jovens a possibilidade de expressarem-se da melhor forma: no primeiro caso, a Igreja convida a não subestimar a potencialidade educacional, formativa e inclusiva da atividade esportiva; no caso da música, por outro lado, o Sínodo fala sobre sobre seu “ser recurso pastoral" que interpela também a uma renovação litúrgica, porque os jovens têm o desejo de uma "liturgia viva", autêntica, alegre, momento de encontro com Deus e com o comunidade.

Os jovens apreciam celebrações autênticas em que a beleza dos sinais, o cuidado da pregação e o envolvimento da comunidade falem realmente de Deus": portanto, precisam ser ajudados a descobrir o valor da adoração eucarística e a compreender que" a liturgia não é puramente expressão de si mesma, mas ação de Cristo e da Igreja".

As jovens gerações, ademais, querem ser protagonistas da vida eclesial, colocando seus talentos e assumindo responsabilidades. sujeitos ativos da ação pastoral, eles são o presente da Igreja, devem ser encorajados a participar na vida eclesial, e não impedidos com autoritarismo. Em uma Igreja capaz de dialogar de uma forma menos paternalista e mais sincera, de fato, os jovens sabem ser muito ativos na evangelização de seus coetâneos, exercendo um verdadeiro apostolado, que deve ser apoiado e integrado na vida da comunidade.

 

"Seus olhos se abriram"

Deus fala à Igreja e ao mundo por meio dos jovens, que são um dos "lugares teológicos" onde o Senhor está presente. Portadora de uma santa inquietude que a torna dinâmica – lê-se na segunda parte do Documento – a juventude pode estar "mais à frente dos pastores" e isso deve ser acolhida, respeitada, acompanhada. Graças a ela, de fato, a Igreja pode se renovar, sacudindo "o peso e a lentidão". Assim, o chamado do Sínodo para o modelo de "Jesus jovem entre os jovens" e ao testemunho dos santos, entre os quais estão muitos jovens, profetas da mudança.

 

Missão e vocação

Outra "bússola segura" para a juventude é a missão, dom de si que leva a uma felicidade verdadeira e duradoura: Jesus, de fato, não tira a liberdade, mas a liberta, porque a verdadeira liberdade só é possível em relação à verdade e à caridade. Intimamente relacionado com o conceito de missão, está aquele da vocação: cada vida é vocação em relação com Deus, não é fruto do acaso ou um bem privado para gerir por conta própria - afirma o Sínodo - e cada vocação batismal é um chamado para todos para a santidade. Para isso, cada um deve viver a própria vocação específica em cada área: a profissão, a família, a vida consagrada, o ministério ordenado e o diaconato permanente, que representa um "recurso" a ser ainda desenvolvido mais plenamente.

 

O acompanhamento

Acompanhar é uma missão para a Igreja a ser realizada em um nível pessoal e de grupo: em um mundo "caracterizado por um pluralismo sempre mais evidente e por uma disponibilidade de opções cada vez mais ampla," buscar junto com os jovens um percurso voltado a fazer escolhas definitivas é um serviço necessário. Os destinatários são todos os jovens: seminaristas, sacerdotes ou religiosos em formação, noivos e recém-casados ​​envolvidos. A comunidade eclesial é um lugar de relações e contexto em que na celebração eucarística se é tocados, instruídos e curados pelo próprio Jesus. O Documento Final enfatiza a importância do Sacramento da Reconciliação na vida de fé e encoraja os pais, professores, lideranças, animadores, sacerdotes e educadores a ajudar os jovens, por meio da da Doutrina Social da Igreja, a assumir responsabilidades no âmbito profissional e sócio-político. O desafio em sociedades cada vez mais interculturais e plurirreligiosas, é indicar na relação com a diversidade uma oportunidade para a comunhão fraterna e o enriquecimento mútuo.

 

Não a moralismos e falsas indulgências, sim à correção fraterna

O Sínodo, portanto, promove um acompanhamento integral centrado na oração e no trabalho interior que valorize também a contribuição da psicologia e da psicoterapia, quando abertas à transcendência. "O celibato pelo Reino" – é a recomendação - deve ser entendido como um "dom a ser reconhecido e verificado na liberdade, alegria, gratuidade e humildade", antes da escolha definitiva. Que se invista e aposte em acompanhadores de qualidade: pessoas equilibradas, de escuta, fé, oração, que tenham se deparado com as próprias fraquezas e fragilidades, e sejam por isto acolhedoras "sem moralismos e falsas indulgências", sabendo corrigir fraternalmente, longe de comportamentos possessivos e manipuladores. "Esse profundo respeito – lê-se o texto - será a melhor garantia contra os riscos de plágio e abusos de qualquer tipos".

 

A arte de discernir

"A Igreja é o ambiente para discernir e a consciência – escrevem os Padres sinodais - é o lugar onde se colhe o fruto do encontro e da comunhão com Cristo": o discernimento, por meio de "um regular confronto com um diretor espiritual", apresenta-se portanto como o sincero trabalho de consciência", "pode ser entendido somente como autêntica forma de oração” e “requer a coragem de empenhar-se na luta espiritual". Banco de prova das decisões assumidas é a vida fraterna e o serviço aos pobres. De fato, os jovens são sensíveis à dimensão da diakonia.

 

“Partiram sem demora"

Maria Madalena, primeira discípula missionária, curada das feridas, testemunha da Ressurreição é o ícone de uma Igreja jovem. Dificuldades e fragilidades dos jovens "nos ajudam a ser melhores, seus questionamentos – lê-se - nos desafiam, as críticas nos são necessárias porque muitas vezes através deles a voz do Senhor nos pede conversão e renovação". Todos os jovens, mesmo aqueles com diferentes visões de vida, nenhum excluído, estão no coração de Deus. Os Padres ressaltam o dinamismo construtivo da sinodalidade, ou seja, o caminhar juntos: o final da Assembleia e o Documento final são apenas uma etapa porque as condições concretas e as necessidades urgentes são diferentes entre países e continentes. Daí o convite às Conferências Episcopais e às Igrejas particulares para prosseguir no processo de discernimento com o objetivo de elaborar soluções pastorais específicas.

 

Sinodalidade, estilo missionário

"Sinodal" é um estilo para a missão que exorta a passar do “eu” ao “nós” e a considerar a multiplicidade de rostos, sensibilidades, origens e culturas diferentes. Neste horizonte são valorizados os carismas que o Espírito dá a todos, evitando o clericalismo que exclui muitos dos processos de decisão e a clericalização dos leigos, que freia o ímpeto missionário.

Que a autoridade – são os votos - seja vivida a partir de uma perspectiva de serviço. Sinodal seja também a abordagem ao diálogo inter-religioso e ecumênico destinado ao conhecimento recíproco e à superação de preconceitos e estereótipos, e a renovação da vida comunitária e paroquial, para que encurte as distâncias jovens-igreja e mostre a íntima conexão entre fé e experiência concreta de vida. Formalizado o pedido diversas vezes feito na Aula para instituir, em nível de Conferências Episcopais, um "Diretório de pastoral da juventude em chave vocacional”, que possa ajudar os responsáveis diocesanos e os agentes locais a qualificar a sua educação e ação com e para os jovens", contribuindo  a superar uma certa fragmentação da pastoral da Igreja. Reiterada ainda a importância da JMJ, bem como a dos centros da juventude e oratórios, que precisam no entanto ser repensados.

 

O desafio digital

Há alguns desafios urgentes que a Igreja é chamada a enfrentar. O Documento Final do Sínodo aborda a missão no ambiente digital: parte integrante da realidade cotidiana dos jovens, "praça" em que eles passam muito tempo e se encontram facilmente, um lugar irrenunciável para alcançar e envolver os jovens também nas atividades pastorais, a web apresenta luzes e sombras.

Se por um lado permite o acesso à informação, ativa a participação sociopolítica e a cidadania ativa, por outro apresenta um lado obscuro - a assim chamada dark web - em que se encontram a solidão, a manipulação, a exploração, a violência, cyberbullying, pornografia. Daí o convite do Sínodo para habitar o mundo digital, promovendo o seu potencial comunicativo em vista do anúncio cristão e a "impregnar" de Evangelho as suas culturas e dinâmicas.

Faz-se votos de que sejam criados Escritórios e organismos para a cultura e a evangelização digital que, além de “favorecer a troca e e a disseminação de boas práticas, possam gerenciar sistemas de certificação de sites católicos, para conter a disseminação de notícias falsas (fake news) sobre a Igreja", emblema de uma cultura que "perdeu o sentido da verdade", encorajando a promoção de "políticas e instrumentos para a proteção dos menores na web".

 

Corpo, sexualidade e carinho

Então, o Documento enfoca o tema do corpo, da afetividade, da sexualidade: diante de desenvolvimentos científicos que levantam questionamentos éticas, de fenômenos como a pornografia digital, o turismo sexual, a promiscuidade, exibicionismo online, o Sínodo recorda às famílias e às comunidades cristãs da importância de fazer descobrir aos jovens que a sexualidade é um dom. Muitas vezes a moral sexual da Igreja é percebida como "um espaço de juízo e condenação", enquanto os jovens buscam "uma palavra clara, humana e empática" e "expressam um explícito desejo de confronto sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, à homossexualidade".

Os bispos reconhecem a dificuldade da Igreja em transmitir no atual contexto cultural "a beleza da visão cristã da corporeidade e da sexualidade": é urgente buscar "modalidades mais adequadas, que se traduzam concretamente na elaboração de caminhos formativos renovados". "É preciso propor aos jovens uma antropologia da afetividade e da sexualidade capaz de dar o justo valor à castidade" para o crescimento da pessoa, “em todos os estados de vida". Nesse sentido, é pedido que se preste atenção à formação de agentes pastorais que sejam críveis e maduros do ponto de vista afetivo-sexual.

O Sínodo constata ademais a existência de "questões relativas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que necessitam de uma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais aprofundada, a ser realizada nas modalidades e níveis mais convenientes, daqueles locais aos mais universais.  Entre estes emergem aqueles relacionados à diferença e harmonia entre identidade masculina e feminina e às inclinações sexuais".

"Deus ama cada pessoa pessoas e assim faz a Igreja renovando seu compromisso contra qualquer discriminação e violência com base sexual". Da mesma forma - prossegue o Documento - o Sínodo "reafirma a determinante relevância antropológica da diferença e reciprocidade homem-mulher e considera redutivo definir a identidade das pessoas com base unicamente na sua orientação sexual".

Ao mesmo tempo, recomenda-se "favorecer" os "caminhos de acompanhamento na fé, já existentes em muitas comunidades cristãs", de "pessoas homossexuais". Nestes caminhos as pessoas são ajudadas a ler sua própria história; a aderir livremente e responsavelmente ao próprio chamado batismal; a reconhecer o desejo de pertencer e contribuir para a vida da comunidade; a discernir as melhores formas para que isso se realize. Desta forma, se ajuda a cada jovem, nenhum excluído, a integrar cada vez mais a dimensão sexual na própria personalidade, crescendo na qualidade das relações e caminhando para o dom de si".

 

Acompanhamento vocacional

Entre outros desafios apontados pelo Sínodo, encontra-se também a questão econômica: o convite dos Padres é o de investir tempo e recursos nos jovens com a proposta de oferecer a eles um período para o amadurecimento da vida cristã adulta, que "deveria prever uma separação prolongada de ambientes e relações habituais".
Além disso, enquanto se faz votos de um acompanhamento antes e depois do casamento, se encoraja a criação de equipes educativas, que incluam figuras femininas e casais cristãos, para a formação de seminaristas e consagrados, também com o objetivo de superar tendências ao clericalismo. Atenção especial é pedida à acolhida dos candidatos ao sacerdócio, que às vezes ocorre "sem um conhecimento adequado e uma releitura aprofundada da própria história": "a instabilidade relacional e afetiva, e a falta de raízes eclesiais são sinais perigosos. Negligenciando a normativa eclesial a este respeito – escrevem os Padres sinodais - constitui um comportamento irresponsável, que pode ter consequências muito graves para a comunidade cristã".

 

Chamado à santidade

"As diversidades vocacionais - conclui o Documento Final do Sínodo sobre os jovens – inserem-se no único e universal chamado à santidade. Infelizmente o mundo está indignado com os abusos de algumas pessoas da Igreja, antes que animados pela santidade de seus membros”. Por isso a Igreja é chamada a "uma mudança de perspectiva": por meio da santidade de tantos jovens dispostos a renunciar à vida em meio a perseguições para permanecerem fiéis ao Evangelho, pode renovar seu ardor espiritual e seu vigor apostólico.

 

O dom do Papa aos participantes do Sínodo

Por fim, como recordação do Sínodo dos Jovens, o Santo Padre deu a todos os participantes uma placa de bronze, com um baixo-relevo representando Jesus e o jovem discípulo amado. É uma obra do artista italiano Gino Giannetti, cunhada pela Casa da Moeda do Estado da Cidade do Vaticano, emitida em apenas 460 exemplares.

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Sínodo dos Bispos: "sentimos a força do Espírito Santo"

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26 de outubro de 2018

A esperança é de que o que foi afirmado pelos jovens e bispos sobre as situações de sofrimento e de injustiça presentes em seus países, encontre também um  eco público. "Faço cotos que também exista uma voz forte para dizer ao mundo político-econômico quantas injustiças existem no mundo". Assim expressou-se nesta sexta-feira o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena e presidente da Conferência Episcopal Austríaca, ao falar se pronunciar no encontro com os jornalistas na sala de Imprensa da santa Sé.

 

Da escuta ao discernimento

"O caminho sinodal - disse o cardeal - é a do discernimento". "No final falará o Papa, como já falou. Mas primeiro vem a escuta". "O Sínodo - sublinhou o arcebispo de Viena - é um grande sinal, por isso faço votos de que seja visto, ouvido e transmitido". Ele recordou, em particular, o que lhe disse um jovem africano proveniente de um país abalado pela guerra civil: "a Igreja é a nossa única esperança, lugar de acolhida e de compreensão,  onde podemos nos sentir em casa."

 

Embaixadores do Sínodo

Para Dom Eamon Martin, arcebispo de Armagh e presidente da Conferência dos Bispos irlandeses, o Sínodo foi “um momento de graça” em que se sentiu “a presença e o poder do Espírito Santo.” Agora – observou - essa força e essa alegria devem ser transferidas para as várias dioceses.

"Quando eu retornar ao meu país - afirmou o prelado - terei que ser um embaixador do Sínodo". "A Igreja - sublinhou o Arcebispo de Armagh - quer dirigir-se a todos os jovens do mundo". "Quer trabalhar com jovens, não somente para os jovens". "Eu volto para casa - concluiu Dom Martin - com a ideia de que serão os jovens os agentes de evangelização ".

 

Uma grande sinfonia

No briefing a voz da África elevou-se graças às reflexões de Dom Anthony Muheria, arcebispo de Nyeri (Quênia): "Esperamos - disse ele - que deste Sínodo possa surgir uma nova chama que entusiasme os jovens". "Nós, bispos - acrescentou - esperamos poder “incendiar" os jovens com o amor de Deus".

Para o prelado, participar do Sínodo foi "como ouvir uma maravilhosa orquestra". "No início, talvez parecia estar um pouco desafinada." "Mas depois -  sublinhou - o Espírito Santo nos guiou em direção a uma grande sinfonia".

 

Será o Espírito Santo a guiar a Igreja

Na mesma linha, o padre Enrique Figaredo Alvargonzalez, prefeito apostólico de Battambang (Camboja): do Sínodo vem "uma nova energia" "Certamente o Sínodo tem no próprio coração os jovens, a vocação, o discernimento e, portanto,  teremos uma nova energia para os jovens entre os jovens "." Esperamos - concluiu - que a Igreja seja rejuvenescida, mas  será o Espírito Santo a nos guiar".

 

Jovens não são espectadores

Erduin Alberto Ortega Leal, jovem auditor e membro da Comunidade de Sant'Egidio (Cuba), sublinhou que na Igreja  "os jovens  não devem ser considerados como espectadores, mas verdadeiros protagonistas". "O mundo – acrescentou ele - é atormentado por tantos  problemas". "Mas este mundo está focado apenas no presente". "Os jovens, pelo contrário,  - observou o jovem cubano - precisam olhar para o futuro": "O Sínodo nos deu a oportunidade de ouvir e ser ouvidos".

 

No sábado, a votação no Documento Final

Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para Comunicação, recordou que no sábado, 27 de outubro, será lido o Documento final. Será votado parágrafo por parágrafo. O texto  - especificou Ruffini  - "necessita de uma maioria qualificada para aprovação".

Para a parte da tarde, um encontro com poemas, espetáculos, danças e músicas. Neste encontro, conforme especificado pelo prefeito, participam padres sinodais e jovens.

No briefing também foram apresentadas as estatísticas gerais sobre o Sínodo e dados sobre as redes sociais, além de dados sobre o L’Osservatore Romano durante o Sínodo.

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Briefing sobre o Sínodo: a sabedoria dos idosos orienta as energias dos jovens

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23 de outubro de 2018

Durante o briefing na Sala de Imprensa da Santa Sé, foi recordado que não se pode separar o caminho dos jovens daquele dos idosos. Também através de metáforas ligadas ao mar e ao universo, pode-se apreender o sentido do Sínodo e o caminho da Igreja.

 

Cultura de corresponsabilidade

Joseph Sapati Moeono-Kolio jovem auditor e membro da Caritas Internationalis para a Oceania (Samoa), recordou que seu povo navegou por milhares de anos pelos mares, graças à sabedoria dos idosos, capazes de se orientarem pelas estrelas. Os idosos – afirmou o jovem -  setntavam-se no fundo das canoas e os jovens remavam seguindo suas preciosas indicações. Esta sinergia se repete na Igreja: os idosos - afirmou Joseph Sapati Moeono-Kolio - têm a sabedoria para interpretar e orientar. Mas são os jovens que têm a energia para ir às periferias.

 

Um caminho em convivência

Para Dom Bienvenu Manamika Bafouakouahou, bispo de Dolisie (República do Congo), o Sínodo é "uma espécie de lançamento em órbita". Os bispos, disse ele, são como satélites que enviam sinais aos jovens da terra. O Sínodo tem sido um caminho no convívio. O Papa Francisco, explicou o prelado, com sua presença, "nos encorajou a trazer o que estava borbulhando em nossos corações". E os jovens, acrescentou Dom Bafouakouahou, "nos rejuvenescem através de seus pronunciamentos".

 

Sonhos e visões

Padre Antonio Spadaro, diretor da revista "La Civiltà Cattolica", destacou que os sonhos dos idosos abrem aos jovens  as portas do futuro: "Para Papa - afirmou - entrou na alma um versículo do Profeta Joel e percebeu que se os idosos não sonham, os jovens não podem ver o futuro". O Sínodo "é um modo de ser e de agir da Igreja". A participação do povo de Deus na vida da Igreja, explicou ele, é um elemento essencial.

 

A sabedoria do tempo

O sacerdote jesuíta também recordou que, à tarde, o Papa Francisco encontra os jovens e idosos de diferentes países no Salão Nobre do Augustinianum, em Roma. A ocasião é a apresentação do livro "Francisco. A sabedoria do tempo. Em diálogo com o Papa Francisco sobre as grandes questões da vida".

O livro, organizado pelo diretor da Civiltà Cattolica, contém 250 entrevistas realizadas em mais de trinta países. Os anciãos relatam suas experiências aos jovens. O livro, disse o padre Spadaro, nasceu de uma intuição do Papa: como observado por Francisco no prefácio, "precisamos de avós sonhadores  e memoriosos".

 

Que a Igreja seja uma comunidade acolhedora

O cardeal Luis Antonio G. Tagle, arcebispo de Manila, declarou então que "a Igreja deve ser sempre acolhedora". Uma comunidade "que considera sempre a humanidade de todos e está sempre presente ao lado de todos".

"O olhar humano da Igreja para as pessoas, independentemente de sua orientação sexual - acrescentou ele - estava muito presente nas discussões".

Este Sínodo, acrescentou, foi uma escola. "Os jovens - também sublinhou o arcebispo de Manila - ensinaram muito". "Devemos partir dos jovens e de suas experiências concretas, depois se vai à pesquisa".

 

Ouvir as vozes das mulheres

Respondendo a uma pergunta sobre o quanto a voz das mulheres era ouvida pelos padres sinodais, o cardeal Tagle disse: "Em meu Círculo Menor,  percebemos que a força da sabedoria que vem das mulheres deve ser ouvida." "Houve propostas muito concretas que se referiam também à necessidade de ter mais em conta as figuras das mulheres presentes nas Sagradas Escrituras, para usá-las como figuras interpretativas das experiências dos jovens e lançar uma nova luz sobre elas."

 

Uma fonte de inspiração

O cardeal Charles Maung Bo, arcivescovo Yangon (Myanmar), disse que o Sínodo "tem sido uma fonte de inspiração" que impele os pastores da Igreja a se perguntarem: o que devo fazer pelos jovens de hoje? Concentrando-se nos jovens, disse o cardeal Bo, toda a Igreja "evolui no caminho certo". "Espero - sublinhou o purpurado - que cada diocese siga as recomendações do Papa; espero uma infinidade de frutos do Sínodo".

 

Apresentado o esboço do documento final

Por fim, o Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, recordou que hoje foi entregue aos Padres Sinodais o projeto do documento final. O texto também foi brevemente ilustrado na Sala do Sínodo.

Amanhã de manhã e à tarde, anunciou por fim Ruffini, os Padres Sinodais poderão propor acréscimos ou modificações. O documento será então entregue ao Papa

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Apresentado projeto do documento final Sínodo dos Bispos

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23 de outubro de 2018

Um longo e caloroso aplauso, marcado pela aclamações dos jovens, saudou a apresentação esta manhã na Sala do Sínodo do Documento Final, um trabalho cansativo, entusiasmante, atento a uma verdadeira corrida contra o tempo: assim pode ser resumida a atividade realizada até tarde de segunda-feira pela Comissão para a Redação.

Foi um exemplo bem sucedido de sinodalidade, cuja demonstração é o entendimento perfeito nascido entre um jesuíta e um salesiano, comentaram brincando os dois secretários especiais – os padres Giacomo Costa e Rossano Sala, com referência aos dois instituto religiosos de proveniência.

 

Instrumentum Laboris, texto base de referência

O projeto do documento final – explicou na Sala do Sínodo o Relator Geral cardeal Sérgio da Rocha, foi elaborado a partir do Instrumentum Laboris, texto base de referência. Todavia, enquanto este último é fruto dos dois anos de escuta do mundo juvenil, o Documento Final é fruto do discernimento realizado pelos Padres no decorrer do Sínodo.

Trata-se, portanto, de documentos diferentes e complementares, que juntos dão “uma visão da complexidade das questões levantadas e dos dinamismos em ato no caminho para enfrentá-los: são lidos juntos – prosseguiu o purpurado – porque entre eles há uma referência contínua e intrínseca”.

Fontes do Documento Final são, além do Instrumentum Laboris, também os pronunciamentos, os relatórios e as emendas surgidas dos trabalhos do Sínodo.

 

O caminho com os discípulos de Emaús

A estrutura fundamental do Instrumentum Laboris é conservada na subdivisão nas três partes "reconhecer, interpretar, selecionar", todavia o documento reflete a estrutura da passagem dos discípulos de Emaús: "Caminhava com eles", "seus olhos se abriram", e por fim, "partiram sem demora".

Os temas do Instrumentum Laboris portanto, encontram-se no Documento Final, mas aparecem mais aqueles que foram mais debatidos ao longo destas três semanas.

O texto, subdividido em 173 parágrafos – recordou o cardeal Sérgio da Rocha - é "o resultado de um trabalho de equipe, os autores são os padres sinodais, os participantes do Sínodo e, em particular, os jovens. O Projeto, ainda reservado, foi entregue aos Padres Sinodais que agora terão tempo para lê-lo, podendo apresentar propostas de acréscimos e emendas.

O primeiro e principal destinatário do Documento Final - recordou o Relator Geral - é o Papa. Com a aprovação do Pontífice, de fato, "ele será disponibilizado a toda a Igreja, às Igrejas particulares, aos jovens e a todos aqueles que estão comprometidos com os jovens na pastoral da juventude e vocacional."

 

Povo de Deus, ponto de partida e chegada

O ponto de partida e o ponto de chegada é o povo de Deus "na variedade de situações socioculturais e eclesiais" que os trabalhos fizeram emergir. O caminho sinodal de fato – acrescentou o cardeal Sérgio da Rocha - ainda não terminou, porque prevê uma fase de implementação.

"Será importante que as Igrejas particulares e as Conferências Episcopais possam assumir de maneira criativa e fiel a dinâmica do Documento, a fim de adaptar ao seu contexto o que surgiu durante os trabalhos". O processo do Sínodo, portanto, não termina com "receitas pastorais a serem assumidas (seria o oposto do discernimento)" e, se a linguagem do texto elaborado não é propriamente jovem, recorda-se que foi decidido preparar uma Carta dirigida a todos os jovens por parte dos Padres Sinodais.

 

A Igreja vive uma oportunidade de conversão

Na meditação durante a oração que abriu a Congregação esta manhã, um Padre Sinodal, refletindo sobre os tempos difíceis vividos pela Igreja, convidou os presentes a viver o Sínodo como um kairos, como uma ocasião para conversão.

Os jovens, de fato,  querem uma Igreja transparente e pobre e as palavras do Crucifixo de São Damião a São Francisco de Assis, "Vai e reconstrói a minha Igreja",  são hoje um estímulo para todos. Uma árvore plantada ao longo de um riacho - foi meditação inspirada na liturgia de hoje - não tem medo quando o calor vem. Mesmo em uma época de seca, o fruto da árvore não será menor se suas raízes estão plantadas ao longo do rio de água viva que é Jesus. Que neste tempo de kairos, sofrimento e graça – foram os votos - a Igreja prossiga corajosa, cheio de esperança e empatia. Opção preferencial pelos jovens quer dizer dedicação em termos de tempo, pessoas e recursos financeiros nas paróquias e nas dioceses de todo o mundo.

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Sínodo dos Bispos: testemunho dos jovens santos e mártires de nosso tempo

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17 de outubro de 2018

Realizou-se na tarde de terça-feira (17/10), a 13ª Congregação Geral do Sínodo dos Bispos para os Jovens, prosseguindo o debate iniciado na manhã do mesmo dia, sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris: Escolher, caminhos de conversão pastoral e missionária.

A santidade não é somente um ideal e são vários os testemunhos de jovens oferecidos em nossos dias. Os Padres sinodais que se pronunciaram na 13ª Congregação Geral ofereceram exemplos comoventes sobre pessoas que vivem em áreas do mundo onde os cristãos são minoria, muitas vezes perseguida.

Foi recordado também o Oriente Médio onde várias pessoas morrem por causa da fé em Jesus Cristo, depois os dálits, na Índia, últimos da sociedade, pessoas sem direitos que mantendo a fé e a dignidade de filhos de Deus, suas únicas riquezas, vão ao encontro do martírio.

Testemunho cristão suscita novas conversões

Do exemplo desses santos dos nossos dias, surgem novas conversões. Todo jovem, observa o Sínodo, deseja a santidade. É exigente, precisa de testemunhas autênticas, pontos de referência aos quais se inspirar, deseja encontrar pastores que vivam o espírito das Bem-aventuranças, que rezam, meditam e não sejam simples trabalhadores ou funcionários de uma instituição. Os bispos exortam a Igreja à transparência e a dizer com alegria que o celibato e a castidade são opções possíveis com a graça de Deus.

Igreja no mundo, não do mundo

No mundo, sem ser do mundo. A Igreja deve ser menos discursiva e mais acolhedora, dedicando aos jovens tempo e recursos. Verdade e misericórdia, sublinham fortemente os Padres sinodais, são indissolúveis e têm como centro Jesus Cristo. Nesse sentido, é importante a figura de um bom diretor espiritual que mesmo condenando o pecado, acompanhe com amor: “Deus nos aceita como somos, mas não nos deixa como somos”. Ele nos transforma em homens e mulheres novos. Incisivo o paralelo da Igreja como âncora que não deixa naufragar.

Igreja não renuncie a falar da cruz

Os bispos denunciam a cultura atual materialista e hedonista que procura tirar Deus do coração do ser humano, propondo falsos ídolos como o dinheiro, dependências (vício de jogo, pornografia, etc) e prazeres efêmeros, rejeitando ideais e valores cristãos como a família. São desafios diante dos quais a Igreja não pode deixar de indicar a força de Cristo ressuscitado e o anúncio do kerigma. A cruz não espanta os jovens. Pelo contrário, eles desejam um anúncio do Evangelho claro e não vazio. O chamado de Jesus crucificado deve ressoar forte, não fraco ou anêmico. Para ter uma Igreja revigorada, o Sínodo encoraja os jovens a rezar o Terço e a receber os Sacramentos da Confissão e da Eucaristia.

Drama do desemprego e da imigração

A atenção da assembleia sinodal voltou-se também para o drama do desemprego. Que a Igreja seja uma família que ajude aqueles que não têm trabalho. Um exemplo virtuoso é o apoio eclesial a projetos de microcrédito, na convicção de que o trabalho ajuda a dar sentido à vida e proporciona um futuro sereno da sociedade.

Os pastores devem pedir às instituições para dar mais atenção às novas gerações, sobertudo a quem é obrigado a imigrar, abandonando sua famíla e raízes. É uma obrigação tornar os jovens protagonisas do desenvolvimento humano integral da sociedade. Em várias partes do mundo eles mostram ter responsabilidade pelos desfavorecidos e pelo ambiente.

Igreja não renuncie à educação cristã

O Sínodo pede à Igreja para não renunciar ao direito de educar os jovens nas escolas e universidades: lugares de abertura, diálogo, formação das consciências e reforço dos valores morais. Recomenda-se salvar as escolas já existentes antes de criar outras. Dizer não ao proselitismo, mas os programas das escolas católicas devem ser reforçados, pois, “não se acende uma lâmpada para colocá-la sob um alqueire”, afirmam os Padres sinodais. Além disso, pede-se para não se esquecer das famílias pobres e desfavorecidas que por motivos econômicos não podem oferecer aos filhos uma boa instrução.

Testemunhos dos auditores

Enfim, tomaram a palavra na Congregação alguns auditores que partilharam com a assembleia sua experiência de conversão amadurecida dentro dos novos movimentos eclesiais. Outros evidenciaram a necessidade de dar mais responsabilidade aos leigos, às mulheres e famílias. Dentre as propostas que emergiram, a ideia de incentivar formas de residência comunitária, formadas por jovens engajados em regras de vida comuns e que se dedicam a iniciativas de evangelização. Foi feito um apelo a renovar o modelo de formação nos seminários numa chave menos teórica de conteúdo e mais experiencial, próxima à realidade juvenil.

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Sínodo dos Bispos: "evangelizar a rede digital tornando-a mais humana"

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17 de outubro de 2018

A Igreja acompanhe os jovens no habitar a rede digital: embora não seja isenta de aspectos críticos, ela não é uma ameaça, mas um novo caminho de evangelização a ser percorrido com liberdade, prudência e responsabilidade, afirmaram os padres sinodais na manhã desta quarta-feira (17/10) em que o verbo “escolher” – terceira parte do Instrumentum Laboris – esteve no centro da décima quarta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. Em andamento no Vaticano desde o dia 3 de outubro, o encontro sinodal prosseguirá até o próximo dia 28 deste mês.

Era digital: ser o Apóstolo Paulo do Terceiro Milênio

Somos chamados a tornar-nos “o Apóstolo Paulo do Terceiro Milênio”, afirmam, lançando a proposta de um “Setor especial para a pastoral e a missão digital”, com a finalidade de evangelizar, mas também de indicar aqueles sitos internet que defendem posições não fiéis ao ensino oficial e ao magistério. Nesse sentido, poderá ser útil a criação de aplicativos, jogos e instrumentos interativos que ajudem a conhecer o Evangelho e a Igreja.

Os bispos expressam também preocupação com aqueles jovens que transcorrem tempo demais no tablet, e smartphone, tornando-se dependentes e condenando-se à solidão de um mundo irreal onde as amizades são apenas virtuais.

A Igreja quer favorecer o encontro concreto entre pessoas mediante peregrinações e grandes eventos como as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) criadas por São João Paulo II. O olhar se volta desde já para a JMJ Panamá 2019.

Mais formação para a cidadania ativa e para a política

Foi dado amplo espaço na Sala do Sínodo ao tema da formação: Igreja e sociedade precisam dos jovens, mas sem improvisações. Segundo os padres sinodais, levar adiante um projeto educacional significa evitar que o laxismo ético, o individualismo e o relativismo enfraqueçam o entusiasmo das novas gerações.

É preciso uma pedagogia para a cidadania ativa e para a política: é necessário propor a Doutrina social da Igreja, um estilo de vida sóbrio, uma ecologia humana integral e contrastar a corrupção galopante. Para esse fim é importante, num mundo sempre mais multicultural, a colaboração entre as religiões.

Família, ambiente educacional mais importante

Não existe um ambiente educacional mais importante do que a família, academia de escuta e diálogo recíproco entre gerações, de aprendizagem das primeiras regras da convivência social.

A Sala do Sínodo faz votos de que a autoridade dos pais seja tutelada e seja promovida uma pedagogia familiar que encoraje mais as virtudes do que as emoções e estimule a disposição à dedicação e ao sacrifício.

A família hoje é ameaçada pelas colonizações ideológicas que condicionam as ajudas econômicas aos países menos desenvolvidos à introdução de políticas contrárias à vida e ao matrimônio entre homem e mulher, denuncia o Sínodo. A Igreja é chamada a fazer-se família de muitos jovens órfãos ou que vivem em contextos familiares desfavoráveis, acrescentam os bispos.

Jovens buscam respostas claras e concretas

Os participantes dos trabalhos da assembleia constatam que muitos jovens se distanciam da Igreja porque inconsistentes nas convicções de fé. Daí, a exigência de uma catequese que considere as interpelações de sentido e a sede de amor como objetivos aos quais responder.

Com efeito, os jovens querem indicações claras, não confusas, sem desvios da linguagem de Cristo ou em conformidade com as tendências modernas das mídias.

A formação para o matrimônio representa muitas vezes uma ocasião de reaproximação à comunidade eclesial, mas é preciso intervir antes. A resposta é uma pastoral vocacional mais eficaz e finalizada a um envolvimento dos jovens nos processos de decisão e na evangelização de seus coetâneos, sugere o Sínodo.

A amizade é lugar privilegiado para a transmissão da fé no cotidiano. Deve-se levar em consideração na catequese que a teoria precisa ser harmonizada com a vida concreta: uma evangelização que não alcança o coração é como uma verniz que fica somente na superfície. Também nos seminários a formação deve ser conjugada numa dimensão mais humana.

Igreja é ponto de referência para os jovens migrantes

Foi dado espaço também para o tema da imigração: “o encontro entre culturas encoraja a buscar o melhor do outro e a corrigir algum defeito nosso, afirmam os participantes na Sala do Sínodo.

Os sacerdotes são pontos de referência essenciais para muitos jovens refugiados. Se a Igreja for atenta às carências dos necessitados e abrir o coração a Deus e a todos os jovens, independentemente de sua história de vida, permanecerá sempre jovem.

A palavra chave permanece sendo “testemunho”, porque uma testemunha de Cristo tem poder atrativo mais do que mil palavras. De fato, os jovens pedem autenticidade e quando a encontram no exemplo de vida de mártires e santos, no sorriso límpido dos consagrados, na dedicação de um sacerdote, na alegria e na fadiga de ser família, então se interrogam, se colocam em caminho e decidem assumir as rédeas da própria vida.

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Sínodo dos Bispos: Igreja deve ir aonde os jovens estão

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11 de outubro de 2018

“A Igreja deve mudar muitíssimo, abrindo-se aos espaços onde os jovens estão presentes, fazer-se missionária sobretudo no mundo digital. E depois acompanhá-los na vida, mas respeitando a liberdade deles.”

O arcebispo de Cidade do México, cardeal Carlos Aguiar Retes, antecipou assim, no briefing desta quarta-feira (10/10) na Sala de Imprensa da Santa Sé referente à sexta e sétima Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, as considerações que o nortearão em seu trabalho na Comissão para a redação do documento final na qual representa a América.

Sem valores partilhados jovens encontram-se em dificuldade

O arcebispo primaz do México citou o filósofo espanhol José Ortega y Gasset para recordar que todas as gerações jovens, na história, fizeram um esforço para adaptar-se à cultura do próprio tempo, mas hoje é difícil identificar valores partilhados e uma cultura comum. “Desse modo, os adolescentes acabam não entendendo bem para onde ir”, ressaltou.

Respondendo a uma pergunta dos jornalistas, o purpurado disse que no México existem quarenta casas de acolhimento para os migrantes que batem à porta dos EUA, “e os jovens encontram-se em sua maioria entre os voluntários”.

O “totalitarismo anônimo” das redes sociais

Em seguida, explicou que durante os trabalhos do Sínodo se falou de um “novo totalitarismo”, do “anonimato nas redes, que é manipulado e gera ideologias de modo escondido”. As primeiras vítimas desta forma inédita de totalitarismo são exatamente os jovens, alguns dos quais “são levados até mesmo ao suicídio baseando-se em instruções nas redes”.

Portanto, uma “educação integral, sobretudo dos jovens, é fundamental para construir uma sociedade baseada em relações fraternas e solidárias”.

Dom Hollerich: primeiro os pobres, assim se freia o populismo

Após o cardeal Aguiar Retes, o arcebispo de Luxemburgo e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (Comece), Dom Jean-Claude Hollerich, ressaltou que com seu aplauso e seu entusiasmo os jovens, no Sínodo e no pré-Sínodo, “nos indicaram as coisas que são mais importantes para eles”.

Respondendo a uma pergunta, o prelado explicou que como bispo europeu está muito preocupado com os totalitarismos, “que podem destruir a construção europeia que nos deu a paz”.

Em todo totalitarismo, observou, “há sempre um certo egoísmo: há uma preocupação com a felicidade somente dos próprios cidadãos, não se cuida dos outros”. “Se nós, como Igreja, nos concentrarmos mais sobre os mais fracos, sobre os marginalizados, faremos prevenção contra o populismo”.

Briana: meu discernimento pela vida consagrada

Por fim, a auditora Briana Santiago, 27 anos, estadunidense de Sant’Antonio, no Texas, há cinco anos em formação com a comunidade de consagradas Apóstolas de vida interior, e estudante de filosofia e teologia na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, recordou ter sido a primeira jovem a dar seu testemunho na Sala do Sínodo.

Ela partilhou seu caminho de discernimento por uma vocação à vida consagrada, e a partir daquele momento em “toda pausa dos trabalhos me aproximava dos cardeais, dos bispos e dos jovens para discutir alguns pontos de meu pronunciamento”, ressaltou.

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‘O Sínodo dos Bispos tem preocupação com todos os jovens’

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11 de outubro de 2018

Até o próximo dia 28, no Vaticano, acontece o Sínodo dos Bispos, com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. 

Entre os leigos brasileiros que participam do Sínodo está o jornalista Filipe Domingues, 31. Ele é um dos colaboradores dos secretários especiais da assembleia sinodal. 

Doutorando em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, especialista em Ética da Mídia e colaborador do O SÃO PAULO, Filipe concedeu entrevista à rádio 9 de Julho e ao semanário da Arquidiocese de São Paulo, falando sobre sua participação no Sínodo dos Bispos e os principais pontos que deverão ser debatidos na atividade iniciada no último dia 3. 

A seguir, leia a entrevista, cuja íntegra pode ser vista em vídeo no facebook da Rádio 9 de Julho.

 

O SÃO PAULO – QUAIS OS PROPÓSITOS DA IGREJA AO ESCOLHER O TEMA “OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL” PARA ESTE SÍNODO DOS BISPOS?

Filipe Domingues – Trata-se de um tema amplo, porque se deseja falar de alguma forma para toda a Igreja e para quem está fora da Igreja. Na reunião pré-sinodal que estive em março e que me levou a ser convidado a participar agora do Sínodo dos Bispos, havia jovens do mundo inteiro, mais de 300 pessoas e outras 15 mil participaram pelo Facebook. Muitos nem católicos eram. Havia jovens de outras tradições cristãs, religiões e até alguns ateus. Havia quem já tinha passado por realidades difíceis, como o tráfico humano, e vítimas de exploração sexual, de modo que a variedade de experiências das pessoas era muito ampla. O Sínodo é dos Bispos. Os jovens são o tema. O Papa Francisco quis que os jovens fossem escutados. O tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” leva a várias perguntas que foram apresentadas aos jovens no começo desse processo, e eles as responderam conforme cada realidade. O documento ao final da reunião pré-sinodal foi escrito pelos jovens que estavam ali, com base em tudo que se ouviu na reunião ao longo de uma semana.

 

DESSE DOCUMENTO PRÉ-SINODAL, QUE NÃO DEVE SER CONFUNDIDO COM O INSTRUMENTUM LABORIS , QUE SERIA PUBLICADO APENAS EM JUNHO, O QUE EMERGE SOBRE AS PERCEPÇÕES E A PREOCUPAÇÃO DOS JOVENS COM A IGREJA?

Das muitas coisas que emergem, uma que me marcou muito é que os jovens pedem uma Igreja autêntica. Essa palavra aparece várias vezes no documento da reunião pré-sinodal. Os jovens querem uma Igreja que viva aquilo que ela prega. Os jovens estão um pouco cansados de ouvir discursos bonitos, explicações prontas, nos moldes do “é assim, acredite”. É necessário que haja um processo de caminhar na fé, de entender essas respostas e senti-las também. Os jovens desejam que religiosos, padres e bispos sejam testemunhas daquilo que pregam e reconheçam eventuais erros, porque isso também é ser autêntico: uma Igreja que, quando comete erros, os reconhece e caminha para superá-los.

 

NO EVENTO PRÉ-SINODAL, OS JOVENS DEMONSTRARAM ALGUMA PREOCUPAÇÃO SOBRE O SOFRIMENTO DOS MAIS POBRES EM TODO MUNDO?

Sim. Os jovens demonstram preocupação com a questão migratória, um dos temas mais fortes sobre justiça social na Europa. O tema do trabalho também apareceu. Os jovens nunca tiveram tanta oportunidade como hoje em termos de acesso ao conhecimento e à formação, ainda que essas oportunidades sejam desiguais nos diferentes lugares do mundo. Antes, eles precisavam receber de outros esta formação; hoje, podem ir à internet para isso, mas, ao mesmo tempo, não encontram aquelas respostas que atendiam a geração de seus pais e avós, em termos de trabalho, de objetivo de vida, ou seja, o jovem tem uma capacidade enorme, energia, potencial, meios, mas ao se deparar com o mundo, ele se pergunta: “O que eu faço com isso? Eu sei tudo isso, mas onde eu vou trabalhar? O que eu vou fazer?”. Também a questão da pobreza apareceu nas conversas, algo que a Igreja aqui na América Latina já discutiu bastante. Quando as pessoas estão preocupadas primeiro em ter o que comer, elas, às vezes, não conseguem parar para pensar em Deus, elas precisam atender aquela necessidade material. 

 

E QUAIS FORAM AS BASES PARA A ELABORAÇÃO DO INSTRUMENTUM LABORIS DESTE SÍNODO DOS BISPOS?

Foram usadas quatro fontes principais para elaborar o Instrumentum laboris : uma foi a reunião pré-sinodal de março; outra, os questionários enviados para as conferências episcopais em todo o mundo; também as considerações das Igrejas orientais, pois não basta olhar a realidade ocidental; por fim, houve um evento que aconteceu antes da reunião pré-sinodal de onde saíram algumas sugestões.
 

OS DESTINATÁRIOS DESTE SÍNODO SÃO APENAS OS JOVENS CATÓLICOS?

O Sínodo dos Bispos tem preocupação com todos os jovens. É uma reflexão sobre o que a Igreja pode fazer para chegar a todos os jovens, inclusive os de outras religiões. No fundo, é um momento em que a Igreja para e pensa como atua. Neste momento, insere-se também a questão do discernimento vocacional. Na reunião pré-sinodal, os jovens manifestaram muito claramente que na Igreja a palavra vocação ainda está muito marcada com a vocação à vida consagrada, ao sacerdócio. Muitos jovens consideram bom que muitas pessoas entrem na vida consagrada, rezam pelas vocações, mas lembram que existem muitas outras vocações, de modo que o sentido de vocação precisa ser pensado de maneira mais ampla, um chamado profundo, de modo que mesmo quem não acredita em Deus ou em alguma religião tem uma vocação, um chamado que sai de dentro, aquela coisa sobre o que eu vou fazer na vida. Assim, os jovens dizem que é preciso pensar na vocação de forma mais ampla.

 

AO ACOMPANHAR AS NOTÍCIAS DO SÍNODO PELA MÍDIA CONVENCIONAL, QUAIS ATENÇÕES AS PESSOAS DEVEM TER?

A mídia secular geralmente enfatiza muito os temas polêmicos, as discussões mais polêmicas e nem sempre reflete aquilo que efetivamente foi discutido na assembleia sinodal. Não que não se deva falar de temas difíceis, mas tem de se apresentar as diferentes partes e de forma correta. Portanto, sugiro que as pessoas fiquem atentas ao que é o centro da discussão, como está descrito no tema: os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Podem surgir questões difíceis como a migração, a sexualidade, questões sobre trabalho, economia e família. Neste último tópico, o Sínodo dos Bispos sobre os jovens é uma continuação do Sínodo sobre a família, pois não há como olhar os jovens fora do contexto familiar. 

 

EM SETEMBRO, O PAPA FRANCISCO PUBLICOU A CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA EPISCOPALIS COMUNIO, SOBRE A FUNÇÃO E ESTRUTURA DO SÍNODO DOS BISPOS. ESSA CONSTITUIÇÃO APONTA PARA A POSSIBILIDADE DE QUE O DOCUMENTO FINAL DE CADA SÍNODO JÁ POSSA SER CONCLUSIVO, SEM QUE HAJA A NECESSIDADE DA PUBLICAÇÃO DE UMA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL. PODE NOS EXPLICAR MELHOR ESSA MUDANÇA?

Ao final do Sínodo, vai ser publicado um documento redigido por seus participantes e caberá ao Papa decidir se simplesmente assina embaixo sobre o conteúdo que ali está, tornando-se esse documento o resultado final e, portanto, Magistério da Igreja, o que dispensaria uma nova redação a ser feita pelo Pontífice; ou o Papa pode decidir por pensar melhor sobre algum tema específico tratado no Sínodo para enfatizar algum aspecto e contextualizá-lo melhor. É uma decisão a ser tomada apenas pelo Papa, e ainda não se sabe como ele irá proceder. 

 

LEIA TAMBÉM: Primeiros dias no Sínodo tocam na necessidade de ‘escutar os jovens’

 


 

 

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Sínodo dos Bispos: jovens, sismógrafo da realidade e protagonistas da Igreja

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09 de outubro de 2018

Catorze sínteses, seis línguas, e um tema: a escuta. Deste modo articula-se o trabalho dos Círculos Menores sinodais, centrado na primeira parte do Instrumentum Laboris, na quinta Congregação geral do Sínodo, realizada na manhã desta terça-feira (09/10).

A necessidade de uma Igreja empática, em diálogo, que evite auto-referencialidade, preconceitos, e pontos sobre a credibilidade do testemunho. “Os jovens devem ser valorizados”, dizem os Padres Sinodais. “A sua participação ativa na vida eclesial deve ser promovida e relançada, o seu compromisso deve ser bem aproveitado numa perspectiva de verdadeira sinodalidade, para que sejam protagonistas, com responsabilidade, de processos e não de eventos individuais. Deste modo, eles serão evangelizadores de seus coetâneos.

Os jovens, “sismógrafo” da realidade

“Sismógrafo da realidade, os jovens são Igreja”, reitera o Sínodo. É preciso oferecer-lhes com alegria, as razões para viver e esperar, evitando moralismos e mostrando que a vida é a resposta à vocação que Deus dá a cada um de nós. “No fundo, a vida é bonita porque tem sentido. Os jovens são capazes de tomar decisões, mas é preciso ajuda-los a tomar decisões a longo prazo”, afirmam os Padres sinodais.

O risco de “demência digital”

Os Círculos menores se detêm sobre o tema da cultura digital, presente na vida dos jovens, rica de luz, mas também de sombras, como o aumento do sentimento de solidão, o risco de uma atitude compulsiva para com a “cultura da tela”, de uma “demência digital” que implica a incapacidade de concentração e compreensão de textos complexos, de uma “migração virtual” que transporta os jovens para um mundo próprio, às vezes fruto da invenção. Nesse contexto, a presença da Igreja é essencial para acompanhar os jovens, ensinando-lhes que a internet deve ser usada, mas sem que sejam usados. É bom recordar que muitos jovens “não conectados” vivem em áreas rurais sem internet.

Enfrentar o escândalo dos abusos

O tema dos abusos também foi examinado pelos 14 Círculos menores: escândalo que ameaça a credibilidade da Igreja e deve ser abordado de forma profunda, reconquistando a confiança dos fiéis, sem se esquecer o que já foi feito pela Igreja para combater e prevenir esse crime e evitar outras faltas catastróficas. É importante ajudar os sobreviventes dos abusos a encontrar o caminho do perdão e da reconciliação. Os Círculos menores sublinham a necessidade de uma articulação melhor da questão da sexualidade, que deve ser enfrentada com clareza e humanidade, sem negligenciar a linguagem teológica.

Migrantes: defender a sua causa no âmbito internacional

O olhar da Sala Sinodal se dirige ao tema da migração, que também afeta  muitos jovens: a migração é o paradigma do interesse que os jovens dedicam ao compromisso da Igreja no campo da justiça e da política. Por isso, é necessário uma pastoral adequada ao setor e um envolvimento conjunto das Conferências Episcopais afetadas diretamente por esse fenômeno. É necessário defender a causa do migrante internacionalmente, criando canais de legalidade e segurança. É importante promover oportunidade nos países de proveniência e nos de acolhimento. Não devemos esquecer as pessoas deslocadas e os migrantes internos nas nações, assim como os perseguidos e martirizados em muitas áreas do mundo.

Educação seja sólida, interdisciplinar e integral

Os Padres sinodais enfrentam o tema da formação e da educação que deve ser sólida, interdisciplinar e integral. Recordando a importância das escolas e universidades católicas, que devem ser valorizadas, e não instrumentalizadas, para que possam formar os jovens na fé e na vida cristã, se reitera que o ensinamento é uma das tarefas principais da Igreja e que muitas vezes, diante de fenômenos como o fundamentalismo e a intolerância, a resposta melhor está na promoção de uma educação ao respeito e ao diálogo inter-religioso e ecumênico.

Reforçar a família

A questão da formação passa também através do desafio de uma pastoral familiar adequada, que ajude na transmissão da fé entre as várias gerações. “Hoje”, afirmam os participantes do Sínodo, “a família está passando por uma fase de crise, devido à sua desestruturação e ao enfraquecimento da figura paterna”.

Os adultos, em geral, muito jovens e individualistas, não ajudaram a percepção da Boa Nova entre os adolescentes. Em vez disso, é responsabilidade de todo fiel acompanhar os jovens ao encontro pessoal com Jesus, porque a juventude se constrói com base no que recebe na família. Por isso, a Igreja, “família de famílias”, deve oferecer aos jovens uma verdadeira experiência familiar, na qual se sintam acolhidos, amados, cuidados e acompanhados em seu crescimento, em seu desenvolvimento integral e na realização de seus sonhos e esperanças.

A Igreja, escola de ensino

A formação correta também diz respeito aos pastores, afirma o Sínodo: na verdade, é necessário um novo estilo de vida sacerdotal e são necessários bispos que saibam acompanhar de maneira competente os jovens, porque no momento parecem faltar estratégias pastorais eficazes, capazes de se confrontar com o secularismo, e com a globalização, que apresenta oportunidades para conciliar modernidade e tradição. No fundo, a Igreja, mãe e mestra, deve ser uma escola de ensino para cada jovem, superando a falta de sintonia entre ela e os adolescentes.

Proposta uma mensagem para os jovens

Além disso, de vários Círculos surge a proposta de que do Sínodo saia uma mensagem aos jovens e que tenha um estilo narrativo adequado para transmitir-lhes a esperança cristã com palavras proféticas que relatam o olhar de Deus sobre a juventude. Desta ótica, o uso de multimídia também é sugerido, a fim de se dirigir aos jovens não apenas com um texto escrito, mas também com vídeos e imagens.

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Novo documento do Papa: Sínodo dos bispos a serviço do Povo de Deus

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18 de setembro de 2018

Faltando poucos dias para o início do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, foi publicada esta terça-feira, 18, a Constituição Apostólica do Papa Francisco Episcopalis communio sobre a estrutura do organismo instituído por Paulo VI em 1965.

Pelo bem de toda a Igreja

Francisco define a instituição do Sínodo como uma das “heranças mais preciosas do Concílio Vaticano II”, e destaca a “eficaz colaboração” do organismo com o Romano Pontífice nas questões de maior importância, isto é, que “requerem uma especial ciência e prudência pelo bem de toda a Igreja”. Neste momento histórico em que a Igreja abarca uma nova “etapa evangelizadora”, através de um estado permanente de missão, o Sínodo dos bispos é chamado a se tornar sempre mais um canal adequado para a evangelização do mundo de hoje.

 

A Secretaria Geral

Paulo VI havia previsto que, com o passar do tempo, esta instituição poderia ser aperfeiçoada; a última edição do Ordo Synodi é de 2006, promulgada por Bento XVI. Diante da eficácia da ação sinodal, nesses anos cresceu o desejo de que o Sínodo se torne sempre mais “uma peculiar manifestação e uma eficaz atuação da solicitude do episcopado para com todas as Igrejas”.

 

A escuta

O bispo, reitera o Papa, é contemporaneamente “mestre e discípulo”, num compromisso que é ao mesmo tempo missão e escuta da voz de Cristo que fala através do Povo de Deus. Também o Sínodo então “tem que se tornar sempre mais um instrumento privilegiado de escuta do Povo de Deus”, através da consulta dos fiéis nas Igrejas particulares, porque mesmo que seja um organismo essencialmente episcopal, não vive “separado do restante dos fiéis”.

Portanto, é “um instrumento apto a dar voz a todo o Povo de Deus justamente por meio dos bispos”, “custódios, intérpretes e testemunhas da fé”, mostrando-se, de Assembleia em Assembleia, uma expressão eloquente da “sinodalidade” da própria Igreja, em que se espelha uma comunhão de culturas diferentes. Também graças ao Sínodo dos bispos, ficará mais evidente que nela vige uma “profunda comunhão”, seja entre os pastores e fiéis, seja entre os bispos e o Pontífice.

 

A unidade do todos os cristãos

A esperança do Papa Francisco é que a atividade do Sínodo possa “a seu modo contribuir ao restabelecimento da unidade entre todos os cristãos, “segundo a vontade do Senhor”. Deste modo, o organismo ajudará a Igreja Católica, segundo o auspício de São João Paulo II expresso na encíclica Ut unum sint, a “encontrar uma forma de exercício de primado que, não renunciando de modo algum à essência de sua missão, se abra a uma nova situação”.

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