PUC-SP oferece curso de introdução ao canto gregoriano

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08 de janeiro de 2019

Com o objetivo de tornar mais conhecido uma das modalidades de música mais antigas da Igreja Católica, será oferecido, de 28 a 31 de janeiro, na Faculdade de Teologia da PUC-SP, um curso de extensão cultural de Introdução ao Canto Gregoriano e à Polifonia Sacra, em parceria com a São Paulo Schola Cantorum

Segundo Delphim Rezende Porto, regente da São Paulo Schola Cantorum e um dos coordenadores do curso, a formação tem o objetivo de tornar mais conhecido essa modalidade de canto, oferecendo subsídios teóricos e práticos, mostrando que o canto gregoriano é acessível a todas as comunidades eclesiais. “Entendemos que o caminho não é apenas restaurar o acervo de canto gregoriano em nossas igrejas, algo que já fazemos, mas coloca-la novamente à serviço de nossas celebrações. Para isso, é importante que haja formação”, destacou. 

CANTO GREGORIANO

Embora seja popularmente chamado de canto gregoriano, o nome mais adequado para esse estilo musical é o cantochão. “Até o século XIX, ninguém falava em canto gregoriano, mas em cantochão, ou, do latim, cantos planos, que era justamente a música cujo ritmo é o da palavra”, explicou Delphin. Essa prática foi herdada da tradição judaica da récita dos salmos. “Nessa modalidade, a música é muito menos importante do que o texto. Isso é muito significativo, porque, para o culto, a música deve estar em segundo plano e, ao mesmo tempo, consegue criar uma atmosfera que conecta o fiel com o sagrado e aprofunda a meditação da Palavra de Deus”, acrescentou.

TÉCNICA

Do ponto de vista técnico, o gregoriano trabalha com “modos”, ou seja, diferentes escalas musicais, que retratam diferentes atmosfera que descrevem o sentido próprio do texto entoado, distinguindo por exemplo um “Glória”, hino de louvor da missa, de um “Kyrie”, ato penitencial. 
Ao contrário do que muitos imaginam, o cantochão não usa apenas o latim como idioma em suas composições. “Há uma grande produção de cantos em latim, uma vez que essa é a língua oficial do rito romano. Mas o cantochão pode ser utilizado para textos em vernáculo”, destacou o Professor, mencionando que há mosteiros em diversos países, inclusive no Brasil, em que o Ofício Divino é entoado com as línguas locais usando essas melodias. 

POLIFONIA SACRA

Outra tradição legada pelos antigos cristãos é a prática do canto com o registro de harmonias que permitem o desenvolvimento de determinado texto de uma maneira potencializada a partir de várias vozes com tonalidades diferentes. “Esse estilo de canto permite que homens e mulheres possam cantar juntos, em harmonia, cada um no seu próprio tom. Há pessoas que têm a voz mais aguda e outras, mais graves. Na polifonia, é possível combinar essas diferenças de maneira muito equilibrada e o resultado sonoro é impressionante”, observou Delphin. 

PRIVILÉGIO DA VOZ 

Esses estilos de canto não apenas privilegiam a palavra meditada como também a voz dos fiéis que entoam suas melodias. Tanto que o órgão foi introduzido nas celebrações cristãs tardiamente. “Até o ano 1000, não se admitia instrumentos musicais nos cultos cristãos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, porque os instrumentos sempre foram associados aos ambientes profanos”, explicou o Professor. 

O órgão só foi admitido pelo fato de ter a capacidade de “imitar a onipotência de Deus”. “Se sustentarmos um acorde do órgão ele permanece enquanto a mão estiver no teclado. Enquanto em outros instrumentos isso não é possível. Assim como Deus não muda, o acorde também não”. 
O gregoriano é um canto comunitário, mesmo quando se canta sozinho nunca é para exibição, mas é sempre para valorizar a dimensão da oração. Outros estilos musicais têm mais dificuldades de retratar essa dimensão sacra de maneira objetiva. 

CANTO DA IGREJA

“Não há dúvidas que o canto gregoriano é da Igreja. Outros estilos se baseiam na música comercial e não foram feitos especificamente para conduzir ao mistério sagrado ou retratar o divino de algum modo”, acrescentou o Regente, lembrando que essa modalidade musical era exclusiva na liturgia da Igreja até bem recentemente. O Concílio Vaticano II, por meio da Constituição Sacrossantum Concilium, sobre a liturgia, afirma: “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar”. 
“Muitos santos celebraram missas com essas músicas. Muitos deles se converteram meditando a Palavra de Deus por meio desses cantos. As grandes catedrais e as comunidades mais simples cantavam assim, justamente pelo fato de o cantochão estar ligado ao texto. Quando um padre, hoje, entoa o Evangelho na missa, ele está usando uma forma de canto plano. Isso faz com que o texto ganhe mais dignidade, solenidade, do que se fosse apenas lido”, recordou o Regente.  

BELEZA

Outro objetivo do curso é mostrar que essas modalidades de canto são acessíveis às comunidades eclesiais. Delphin Resende chama a atenção para o risco de uma noção “utilitarista” da música pela música na liturgia. “Sim, precisa-se cantar uma música na celebração. Mas precisa ser uma música bonita, porque Deus é belo. Precisamos deixar o utilitarismo de uma música que precisa cumprir uma função, para permitir que a Palavra de Deus se desenvolva de uma maneira mais ampla”, acentuou. 

“O nosso repertório católico é tão bom que um ateu faz em salas de concerto, cobra ingressos e as salas ficam lotadas. Muitas vezes, nossas comunidades são valorizam nossa música”, salientou o Regente. No entanto, Delphin reconhece que existe uma demanda por esse tipo de música sacra, mas como há pouco conhecimento e formação, nem sempre isso se viabiliza.  

PÚBLICO ALVO

O curso é destinado a músicos, clérigos, agentes pastorais e demais interessados no tema são bem-vindos. Por ser um curso de extensão cultural, não há obrigatoriedade de possuir diploma de cursos superior para frequentá-lo. 
Embora se recomende conhecimentos musicais e litúrgicos prévios, não há impedimento para quem não tem tais conhecimento. É importante, no entanto, ter disposição para cantar e praticar exercícios vocais. 

Serão ofertadas 24 horas de atividades presenciais e 6 horas na modalidade de ensino à distância (EAD), completando um total de 30h. Segundo os organizadores, há inscritos de todo o Brasil. 

INFORMAÇÕES

Outras informações sobre inscrições e valores estão disponíveis no link: http://liturgiacatolica.com.br/cursos

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Canções do álbum ‘Eis-me aqui, Senhor’ serão executadas na Igreja do Pateo do Collegio

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01 de novembro de 2018

“Os louvores de Deus abrem o nosso coração à beleza do Senhor e nos ajudam a elevar a alma em direção a Ele, com a oração cantada que envolve a alma, o coração, a mente e o corpo, trazendo-os à presença de Deus”, disse monsenhor Marco Frisina sobre o CD “Eis- me aqui, Senhor”, gravado nos estúdios Paulinas-COMEP, que reuniu o Coro da Arquidiocese de Campinas e Schola Cantorum do Pateo do Collegio.

Frisina é um padre católico italiano, compositor, diretor da Pastoral Worship Center do Vaticano e autor de músicas que fizeram parte da trilha sonora de grandes filmes e de canções interpretadas por corais de todo o mundo.

O autor, que estará no Brasil em março de 2019, descreve a importância do canto na liturgia: “Cantar não significa nunca se exibir ou embelezar a liturgia com o nosso canto; significa, em vez disso, testemunhar com tudo de si a nossa fé e o nosso amor. A música eleva os corações e nos une aos nossos irmãos, fazendo-os experimentar o milagre da comunhão. O canto molda em nós a imagem do orante perfeito, daquele que faz da própria vida um canto de amor a Deus”.

Um dos destaques do CD é o hino composto em homenagem a padroeira do Brasil. Uma súplica à mãe de Deus para que intervenha por nossas mazelas e proteja a nossa nação.

O álbum “Eis-me aqui, Senhor”, da gravadora Paulinas-COMEP, lançado em parceria com o Coro da Arquidiocese de Campinas e com a Schola Cantorum do Pateo do Collegio, chega às plataformas digitais e às Paulinas Livrarias de todo o Brasil.

Para celebrar e agradecer este novo trabalho, a Schola Cantorum convida para a Missa em Ação de Graças no dia 21 de outubro, às 10h, na Igreja do Pateo do Colégio. A missa contará com as canções do álbum em sua liturgia, acompanhada pelo órgão de tubos da igreja.

A Schola Cantorum, fundada em 2005 pelo Pe. Carlos Alberto Contieri, sj, é composta por membros da Comunidade do Pateo do Collegio, local de fundação da cidade de São Paulo. Por meio do canto na liturgia e de concertos de música sacra, a Schola se tornou referência de qualidade neste cenário. Desde 2009, está sob a direção do mestre de capela e organista titular do Pateo do Collegio, Felipe Bernardo.

(Com informações Schola Cantorum do Pateo do Collegio)

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