Pesquisadores criam biossensor para detectar câncer de pâncreas

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02 de outubro de 2018

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), em parceria com o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Hospital de Câncer de Barretos, e a Universidade do Minho, de Portugal, criaram um biossensor capaz de diagnosticar precocemente o câncer de pâncreas, considerado um tipo de tumor raro no Brasil, porém altamente letal por ter sintomas que demoram para aparecer e quando dão sinais indicam que a doença já está em estágio avançado, tornando o tratamento mais difícil.

Segundo informações da Fapesp, que apoia o projeto, os cientistas construíram um dispositivo de baixo custo que consegue de detectar o biomarcador do câncer de pâncreas com alta sensibilidade e seletividade. “Conseguimos fazer um biossensor de baixo custo que demonstrou ser capaz de detectar o biomarcador do câncer de pâncreas em amostras reais de sangue e de células tumorais em uma faixa de relevância clínica”, disse um dos criadores do marcador e professor do IFSC-USP, Osvaldo Novais de Oliveira Junior.

De acordo com a Fapesp, o dispositivo é formado por duas lâminas em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro), compostas por ácidos e anticorpos que reconhecem o antígeno CA19-9, proteínas existentes nas células cancerígenas. “O antígeno CA19-9 não é completamente específico para detecção de câncer de pâncreas. Pacientes com pancreatite (inflamação do pâncreas) também podem apresentar alteração na produção dessa proteína”, explicou Oliveira Junior.

Atualmente a detecção do CA19-9 é feita por meio do teste Elisa, que é um exame de sangue de alto custo e sensibilidade limitada, sendo difícil para detectar câncer de pâncreas em estágio inicial. “Produzimos o imunosensor com arquitetura mais simples possível para imobilizar anticorpos da proteína CA19-9. Para conseguir obter alta sensibilidade ao antígeno, a arquitetura de imunossensores que foi desenvolvida antes era mais complicada, utilizava mais materiais e tinha mais etapas de construção”, explicou Oliveira Junior.

Segundo o pesquisador, os resultados dos testes mostram que já é possível utilizar o imunossupresor na prática, mas há dois desafios: o de produzir os dispositivos em larga escala com os mesmos resultados e as análises de dados gerados pelos testes para estabelecer os padrões de detecção.

“Essas análises poderão ser feitas por meio de técnicas de computação, que permitem visualizar os dados em gráficos, e de seleção de atributos, que possibilitam escolher parte de um sinal gerado pelos testes para fazer distinções de padrões. Esse trabalho exigirá pesquisas com a participação de cientistas da computação”, disse.

 

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Países das Américas fecham acordo para prevenir doenças transmitidas por vetores

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01 de outubro de 2018

Autoridades de saúde da região das Américas concordaram na segunda-feira, 24, a implementar uma série de ações nos próximos cinco anos para controlar de forma mais efetiva os vetores que transmitem doenças como malária, dengue, zika e Chagas. O objetivo do plano é prevenir a ocorrência e reduzir a propagação desse tipo de enfermidades transmissíveis.

O plano de ação sobre entomologia e controle de vetores, apresentado ao 56º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que se reúne nesta semana em Washington (EUA), concentra-se na prevenção, vigilância e controle integrado dos vetores transmissores de arbovírus, malária e certas doenças infecciosas negligenciadas, por meio de intervenções eficazes, sustentáveis, de baixo custo e baseadas em evidências.

“As populações mais afetadas por doenças transmitidas por vetores são aquelas que vivem em condições de vulnerabilidade e distantes dos serviços de saúde. São essas populações que mais frequentemente sofrem consequências e danos para a saúde pela falta de medidas sanitárias e de controle de vetores”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne.

“Essas são as populações onde a OPAS concentra seus esforços e onde é necessário que os governos e as comunidades tenham um papel ativo na prevenção e controle de vetores, para que juntos, possamos reduzir a carga dessas doenças infecciosas.”

As doenças infecciosas têm um impacto significativo na saúde pública na região das Américas e em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que doenças transmitidas por vetores, como a dengue, febre amarela, malária, esquistossomose, leishmaniose, doença de Chagas e peste, representam mais de 17% das doenças infecciosas no mundo, causando mais de 700 mil mortes por ano.

Desde 2010, alguns surtos importantes de dengue, chikungunya, febre amarela e vírus zika – bem como surtos locais de malária, leishmaniose, doença de Chagas, leptospirose e peste – tiraram vidas e prejudicaram os sistemas de saúde da região.

O Plano de Ação sobre Entomologia e Controle de Vetores (tradução livre de Plan of Action on Entomology and Vector Control) inclui cinco linhas de ação para os países, entre elas: fortalecer o trabalho multissetorial em vários programas e setores, a fim de aumentar os esforços colaborativos de prevenção e controle de vetores; engajar e mobilizar governos e comunidades locais, incluindo serviços de saúde; melhorar a vigilância dos vetores e a avaliação das medidas de controle, incluindo monitoramento e manejo da resistência aos inseticidas.

Outras ações incluem avaliar e incorporar abordagens comprovadas ou inovadoras para o controle de vetores e ampliá-las quando possível; fornecer capacitação contínua sobre entomologia e controle de vetores não apenas para especialistas, mas também para agentes de saúde pública.

A exposição das pessoas aos vetores e às doenças que eles transmitem ocorre em nível local e é frequentemente associada a fatores como faixa etária, sexo, etnia e profissão ou ocupação e desigualdade, entre outros. Nesse sentido, o plano de ação enfatiza a necessidade de que as autoridades nacionais de saúde e controle de vetores planejem e façam parcerias com organizações comunitárias locais para trabalhar de forma mais efetiva com as populações afetadas.

Em termos de ferramentas para o controle de vetores, o plano enfatiza que abordagens inovadoras, como mosquitos infectados por bactérias, geneticamente modificados ou novos inseticidas devem ser submetidos a uma avaliação cuidadosa em estudos-piloto antes de serem incorporados ao arsenal de manejo de vetores.

As doenças transmitidas por vetores são enfermidades infecciosas propagadas por organismos intermediários, que podem ser mosquitos, carrapatos ou roedores, que por sua vez as transmitem aos humanos. Eles são responsáveis por uma alta carga de doenças e mortalidade na região das Américas, especialmente em países e áreas onde fatores de risco sociais, econômicos e ecológicos foram documentados e onde a população vive em condições de vulnerabilidade. Contribuem para o absenteísmo escolar, aumento da pobreza, custos elevados de saúde e sistemas de saúde sobrecarregados, ao mesmo tempo em que reduz a produtividade econômica geral.

 

Sobre doenças transmitidas por vetores nas Américas

Estima-se que, atualmente, 145 milhões de pessoas em 21 países da região vivem em áreas de risco para a malária. Somente em 2017, cerca de 680 mil casos foram registrados. Ao menos oito países das Américas estão trabalhando para eliminar essa doença.

As epidemias de dengue ocorreram em ciclos de três a cinco anos nas Américas. Os casos aumentaram desde 2000; somente em 2017, mais de 483 mil casos e 253 mortes foram notificados.

Em 2017, houve mais de 180 mil casos de chikungunya, uma doença viral transmitida por mosquitos que atingiu a região no final de 2013.

O número cumulativo de casos suspeitos e confirmados de zika no período de 2015 a 4 de janeiro de 2018 foi de 583 mil e 223.477, respectivamente, com 20 mortes confirmadas e 3.720 casos de síndrome congênita do zika confirmados.

Quase 6 milhões de pessoas na região das Américas ainda sofrem os efeitos crônicos da doença de Chagas; isto é especialmente prevalente entre famílias cujas habitações estão desprotegidas e em más condições, e dentro de algumas comunidades indígenas.

A leishmaniose está aumentando, com cerca de 60 mil casos cutâneos e mucocutâneos e 4 mil casos viscerais da doença relatados anualmente.

Atualmente, a oncocercose é transmitida apenas na área habitada pelos povos Yanomami e ao longo da extensão do Brasil-Venezuela. A filariose linfática foi praticamente eliminada no Brasil e se limita a poucos focos na Guiana, no Haiti e na República Dominicana.

A transmissão ativa da esquistossomose é limitada a poucos focos no Brasil, Suriname e Venezuela.

O Conselho Diretor da OPAS reúne ministros da Saúde e delegados de alto nível dos países membros da Organização em Washington para debater e analisar políticas de saúde regionais e fixar prioridades de cooperação técnica e de colaboração entre países.

A OPAS trabalha com os países das Américas para melhorar a saúde e a qualidade de vida de sua população. Fundada em 1902, é a organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo. Atua como oficina regional para as Américas da OMS e é a agência especializada em saúde do sistema interamericano.

 

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Papa: Cuidar dos nossos irmãos doentes abre o nosso coração

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01 de outubro de 2018

Nesta segunda-feira, 1, o Papa Francisco recebeu os participantes do IV Seminário de Ética na gestão de Serviços de Saúde organizado pela Pontifícia Academia para a Vida, que contou com a presença de Dom Alberto Bochatey, Bispo Auxiliar de La Plata e presidente da Comissão de Saúde da Conferência Episcopal Argentina e do senhor Cristian Mazza, presidente da Fundação “Consenso Salud”.

Papa Francisco falou aos presentes que embora estejamos em uma época marcada pela crise econômica que leva a muitas dificuldades no atendimento dos pacientes desde o desenvolvimento da ciência médica ao acesso à terapias e remédios. “O cuidados dos nossos irmãos abre nosso coração para acolher um dom maravilhoso”. Neste contexto Francisco propõe três palavras para reflexão: milagre, cuidado e confiança.

 

Milagre: valorizando a dignidade do ser humano

Os responsáveis pelas instituições dirão que é impossível fazer milagres para manter os custos-benefícios... “Sem dúvida - disse o Papa - um milagre não é fazer o impossível, o milagre é encontrar no doente, no desamparado que temos diante de nós, um irmão. Somos chamados a reconhecer no doente o receptor das prestações de imenso valor de sua dignidade como ser humano, como filho de Deus”. O Papa esclarece que por si só não “desata todos os nós”, mas criará disposição para desatá-los na medida de nossas possibilidades levando a uma mudança  interior e de mentalidade em nós mesmos e na sociedade.

A consciência de valorizar a dignidade do ser humano “permite que sejam criadas estruturas legislativas, econômicas e médicas necessárias para enfrentar os problemas irão surgindo”.

Francisco observou que “o princípio inspirador deste trabalho deve ser absolutamente a busca do bem. E este bem não é um ideal abstrato, mas uma pessoa concreta, um rosto, que muitas vezes sofre". Em seguida o Papa disse aos participantes: "Sejam valentes e generosos nas intenções, planos, projetos e no uso dos meios econômicos e técnicos-científicos”.

 

Cuidado: para o doente se sentir amado

Sobre este ponto o Papa disse que cuidar dos doentes não é simplesmente a aplicação asséptica de medicamentos ou terapias apropriadas, mas especificou que o verbo latim “curare” quer dizer atender, preocupar-se, cuidar, ser responsável pelo outro, pelo irmão.

“Este cuidado deve ter maior intensidade nos cuidados paliativos", por atravessarmos neste momento uma forte tendência à legalização da eutanásia, sabemos o quanto é importante um acompanhamento sereno e participativo. “Quando o paciente terminal - diz o Papa - sente-se amado, respeitado e aceito, a sombra negativa da eutanásia desaparece ou é quase inexistente, pois o valor do seu ser se mede pela sua capacidade de dar e receber amor e não pela sua produtividade”.

 

Confiança: relação baseada na responsabilidade e lealdade

A terceira palavra no contexto de cuidados dos enfermos é confiança que pode ser distinguida em vários âmbitos. Antes de tudo, a confiança do próprio doente em si mesmo, na possibilidade de se curar que garante boa parte do êxito da terapia. Em seguida o Papa refere-se aos trabalhadores: “É importante para o trabalhador da área de saúde poder realizar suas funções em um clima de serenidade, estando ciente de que está fazendo o certo, o humanamente possível em função dos recursos disponíveis”.

“Não há dúvida de que se colocar nas mãos de uma pessoa, principalmente quando a vida está em jogo, é muito difícil, a relação com o médico ou o enfermeiro sempre se baseou na responsabilidade e na lealdade”. Francisco alerta aos riscos de que a burocracia e a complexidade do sistema de saúde altere a estreita relação paciente/médicos e enfermeiros e possa se tornar um simples “termos do contrato”, interrompendo desta maneira esta confiança.

O Papa conclui dizendo que “temos que lutar para manter íntegro este vínculo de profunda humanidade, pois nenhuma instituição assistencial pode por si substituir-se ao coração humano”.

“ Portanto a relação com o doente exige respeito em sua autonomia e grande disponibilidade, atenção, compreensão, cumplicidade e diálogo, para ser expressão de um compromisso assumido como serviço ”

 

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No Brasil, mais de 82% dos atendimentos cardiológicos são de emergência

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22 de setembro de 2018

Os atendimentos de emergências cardiovasculares nos hospitais do Brasil representam 82,2%, e apenas 17,8% referem-se a uma cirurgia ou procedimento agendado com antecedência. A conclusão está no levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A pesquisa mostra que os homens acima dos 60 anos predominam nos atendimentos.

No ano passado, houve 1.130.692 internações por doenças cardiovasculares, das quais 82,2% foram de urgência. A incidência de pacientes do sexo masculino é maior: 84% foram internados em caráter de emergência, enquanto o mesmo tipo de procedimento envolveu 79% de mulheres.

Para o coordenador do Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares da SBC, Sergio Timerman, há uma demanda excessiva nos atendimentos hospitalares. “Não podemos esquecer que uma pessoa que entra num hospital de forma emergencial, normalmente, fica hospitalizada por um tempo maior.”

 

FAIXA ETÁRIA

A pesquisa mostra que há um aumento no número de atendimentos, conforme a idade avança e uma porcentagem maior nos atendimentos de emergência. “[Há] um pico nos atendimentos entre 60 e 69 anos”, disse o cardiologista. Essa faixa etária somou 235 mil atendimentos de urgência em 2017.

Segundo a SBC, o Brasil registra 360 mil mortes por doenças cardiovasculares todos os anos, sendo a principal causa de mortes no país.

 

PREVENÇÃO

“Precisamos investir em prevenção cardiovascular e ainda ampliar o número de profissionais de saúde e de pessoas leigas em conhecer as manobras de ressuscitação. Menos de 2% das vítimas chegam com vida aos hospitais”, diz Timerman.

O cardiologista orienta que o atendimento via 192 é a melhor alternativa quando há suspeita de parada cardíaca para iniciar as manobras de ressuscitação imediatamente. “São dez minutos entre a vida e a morte. Uma pessoa com parada cardíaca, a cada minuto sem atendimento, perde 10% de chance de sobreviver.”

 
Fonte: Agência Brasil

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Quase 35% das cidades tiveram casos de doenças ligadas ao saneamento

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19 de setembro de 2018

Em 2017, 34,7% dos 5.570 municípios brasileiros relataram casos de endemia ou de epidemia de doenças relacionadas a condições deficientes de saneamento básico.

A dengue foi a doença mais citada, com registro em 1.501 cidades, ou 26,9% do total, seguida da diarreia, com 23,1%. Em terceiro lugar, aparecem as verminoses e a chikungunya, com registro em 17,2% municípios cada, e depois zika, citada por 14,6% das prefeituras. Os dados estão na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2017, divulgados hoje, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram levantados de abril a setembro do ano passado e se referem aos 12 meses anteriores à data que o município respondeu ao questionário. A Munic investiga aspectos gerais da gestão pública municipal e quem responde a pesquisa é a prefeitura.

A proporção de municípios que declararam ter sofrido endemias ou epidemias de dengue, zika e chikungunya foi maior nas regiões Nordeste e Norte. No Norte do país, 38,9% dos municípios tiveram casos de dengue, 19,8% de zika e 20,2% de chikungunya. No Nordeste, os índices são de 43,2% com epidemia ou endemia de dengue, 29,6% de zika e 37,3% de chikungunya. A Região Sul tem os menores índices, com 6% das cidades registrando dengue, 1,7% zika e 1,8% chikungunya.

Já a febre amarela teve mais ocorrência no Sudeste, em 5,1% dos municípios da região. Em todo o país, a febre amarela ocorreu em 2,9% dos municípios em 2017.

As endemias são caracterizadas como doenças que aparecem constantemente em determinado local, enquanto as epidemias acometem um grande número de pessoas de uma região em curto espaço de tempo. Dengue, zika e chikungunya são transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada. Já as verminoses e a diarreia têm causas diversas, mas também estão associadas à ingestão ou contato com água e alimentos contaminados.

A gerente da Munic, Vânia Pacheco, alega que essas doenças podem ter outras causas, não necessariamente associadas à falta de saneamento básico.

“Dengue e diarreia foram as duas doenças mais mencionadas pelos municípios. Isso é falta de saneamento? Não necessariamente. Talvez seja falta de aprimorar um pouco mais os cuidados municipais, mas falta de saneamento não dá para dizer que é. Pode ser falta dos serviços que englobam o saneamento de uma maneira geral. Mas a gente tem que prestar atenção também que não é só a gestão pública municipal que tem que fazer o serviço, existe uma parte do cidadão também nessa história toda”, afirma, citando atenção do cidadão para não jogar lixo na rua ou deixar água acumulada.

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Obesidade: risco individual, com amplos impactos sociais

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15 de setembro de 2018

Desde 1975, o número de pessoas obesas ou com sobrepeso quase triplicou no mundo, segundo Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2016, mais de 1,9 bilhão de pessoas com 18 anos ou mais, estavam com excesso de peso, e 650 milhões se enquadravam no quesito obesidade.

No Brasil, a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2017, que foi divulgada pelo Ministério da Saúde em 18 de agosto deste ano, mostrou que um, em cada cinco pessoas, são obesas – isso corresponde à 18,9% e, que mais da metade, 54% demostraram estar acima do peso.

Em dez anos (2007 a 2017), o número de jovens de 18 a 24 anos, que apresentaram quadro de obesidade cresceu 110%, o resultado final mostrou que os mais jovens representam 60% do número total. O grupo de 45 e 54 anos apresentou acréscimo um pouco mais baixo, de 45%, e dos 55 a 64 anos, o indicie foi ainda menor, com 26%.

Neste mesmo período, o sobrepeso cresceu 26,8% - novamente, o maior número ocorreu entre os mais jovens – representando 56%, seguido dos brasileiros de 25 a 34 anos, com 33% e de 35 a 44 anos, com 25%. Pessoas a partir dos 65 anos, somam 14%.  

A pesquisa Vigetel é feita via telefone com brasileiros maiores de 18 anos, nos 26 estados, mais Distrito Federal, abordando questões de saúde.

PRIMEIRO PROTOCOLO NACIONAL

O Ministério da Saúde realizou até  11 de setembro uma enquete pública com a proposta de elaborar o primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento de casos de obesidade e sobrepeso. Com isto, o Ministério pretende aprimorar o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) solicitou a participação de endocrinologistas e nutricionistas na pesquisa.

O Ministério Público defende que o uso da nova diretriz dará a possibilidade de maior controle e prevenção do aumento de peso entre os brasileiros. A escolha de elaborar o protocolo, a partir de uma enquete pública, tem efeito na divulgação e transparência da elaboração do documento. O objetivo é de que as repostas cadastradas possam contribuir de maneira integral para a finalização do protocolo, que ainda deve passar por consulta pública.

O aumento de peso tem gerado impacto direto no SUS. Em 2012, foram realizadas pouco mais de mil cirurgias bariátricas. Já em 2016, o número intervenções chegou a 8,1 mil, de acordo com o próprio Ministério da Saúde.

MUDANÇAS PREVISTAS

Na contramão dos dados alarmantes, a pesquisa Vigitel apresentou ainda que os brasileiros estão mais preocupados com os riscos recorrentes da obesidade e do excesso de peso, e que para evitá-los têm realizado mais exercícios físicos e consumido mais frutas e hortaliças, menos refringentes e sucos artificiais.

Em março deste ano, durante Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil em Brasília (DF), o Governo Federal, por meio do Ministério Público, adotou, internacionalmente, recursos para conter o aumento destes casos.

Nesta perspectiva, o País tem como compromisso deter o acréscimo de obesidade em adultos até 2019. O resultado deve vir por meio de inciativas políticas Inter setoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional. Também para o próximo ano, é previsto a redução do consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% e ampliar, em no mínimo 17,8%, o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.

Um guia alimentar para a população brasileira já foi publicado. Nele há orientações de como se alimentar de forma saudável ou de  pelo menos com menor processamento. Em quatro anos, o Ministério da Saúde, em parceria com Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), conseguiu retirar 17 mil toneladas de sódio em alimentos processados.

É POSSÍVEL!

Jamilly Lorusso Scheidt, 23, é Assistente Social. Ela decidiu aderir a reeducação alimentar quando chegou ao sobrepeso, alcançando 80 quilos e por sua família ter tendência a obesidade, ela também temia um possível procedimento de cirurgia bariátrica.

Incialmente, a Assistente Social começou uma dieta que previa a eliminação total de carboidratos. Nos primeiros dias, a perda de peso foi evidente, entretanto, depois de alguns meses, a saúde ficou fragilizada, ela ficou com olheiras, unhas quebradiças e teve queda de cabelo. Ao parar com a dieta, se viu com outro problema, o chamado efeito sanfona.

Foi então que ao conversar com uma nutricionista, aderiu ao procedimento. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Jamilly lembrou das dificuldades no início do processo da reeducação, mas afirmou que a perda de peso de forma sadia e a recuperação da autoestima foram responsáveis por sua perseverança: “Todo início é complicado, mas só você pode ser responsável por para melhorar a qualidade de vida, mudança interior e exterior, não pelo que impõe a sociedade, mas verdadeiramente mudar o que não nos agrada”.

“Me sinto mais ágil, contente comigo mesmo por a cada dia me superar e tenho cada vez mais motivação a cada quilo eliminado, fora a qualidade de vida que está incrível. Eu consigo subir uma escada, correr, andar em ladeiras sem ficar ofegante, aprendi a escolher o mais saudável pensando sempre no bem-estar do corpo e da mente”, concluiu.

CONTROLE DA ALIMENTAÇÃO

A nutricionista Amanda Costa explicou à reportagem que para tratar um paciente com sobrepeso ou já em nível de obesidade, é necessário trabalhar, entre outras coisas, o aspecto comportamental. Mais do que oferecer uma estratégia de diminuição de alimentos ou de quantidade de consumo, é mais eficaz investir na qualidade do que é ingerido. A nutricionista falou também da relação do ser humano com a comida, o que para ela, deixa de ser apenas um ato de ingerir nutrientes.

“Quando nós tratamos um indivíduo obeso, é importante salientar que quando temos uma organização comportamental dele, temos mais sucesso com o processo de emagrecimento”, reiterou.

Amanda disse ainda que outro caminho que pode ser adotado pelos profissionais de nutrição é oferecer aos pacientes prazos menores. Essa estratégia pode contribuir para que não ocorram frustrações e, ao mesmo tempo, a qualidade de vida seja adquirida.

(Com informações de Ministério da Saúde e Agência Brasil)

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Prefeitura mantém postos de vacinação contra a raiva até o fim de setembro

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13 de setembro de 2018

Mesmo com o fim da campanha na capital, donos de cães e gatos que não puderam vacinar seus animais durante a ação devem aproveitar e procurar uma das unidades que atenderão até o dia 29 de setembro. A vacina também está disponível em unidades fixas que oferecem a dose o ano todo.

A campanha de vacinação contra a raiva para cães e gatos na cidade de São Paulo teve início em 20 de agosto e terminou no último dia 2, contando com a atuação de mais de 1.900 postos espalhados pela cidade. Foram vacinados 855.027 animais, sendo 602.665 cães e 252.362 gatos. O objetivo agora é alavancar a cobertura vacinal e atingir a meta de 977.095 animais imunizados. No ano de 2017, a campanha vacinou 930.564 animais, sendo 666.693 cães e 263.871 gatos.

Animais com idade superior a 3 meses devem ser imunizados, com exceção dos doentes - diarreia, secreção ocular ou nasal, falta de apetite, convalescentes de cirurgias ou outras enfermidades. Em relação a cadelas e gatas prenhes, apesar de não haver contraindicação, a orientação é de que o responsável procure pela vacina nos postos fixos , devido ao risco com o transporte e manejo. Fêmeas no cio também podem causar transtornos nos postos volantes – é indicado que se procure por um dos postos fixos.

A vacinação por parte da  Prefeitura Municipal de São Paulo é gratuita e obrigatória para cães e gatos, conforme a Lei Municipal nº13.131/01, e é executada pela Divisão de Vigilância de Zoonoses (DVZ)/Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) e Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS), todos órgãos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo. O proprietário do animal deve ter atenção quanto ao transporte correto: no caso, cães na coleira e guia, e gatos em caixas de transporte apropriadas (ou similar), para evitar fugas e/ou acidentes.

A relação completa dos postos, com local e data da vacinação, pode ser conferida aqui ou pelo telefone 156.

 

Sobre a doença

A raiva é uma doença transmissível, caracterizada pelo contágio direto; ou seja, pela mordida, arranhões ou lambedura de cães, gatos ou outros mamíferos, como, por exemplo, morcegos infectados.

O proprietário deverá identificar, no comprovante de vacinação, os dados do animal, como o nome e nº do Registro Geral Animal (RGA). É importante destacar que somente adultos com condições de conter os animais devem conduzi-los ao local de vacinação, para evitar possíveis transtornos.

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ONU anuncia plano para eliminar doenças transmissíveis nas Américas até 2030

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12 de setembro de 2018

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), agência regional das Nações Unidas, afirmou neste mês, dia 3, que planeja lançar em 2019 um novo plano de ação contra as doenças transmissíveis. Estratégia visa garantir o acesso universal a serviços de diagnóstico e tratamento. O organismo da ONU está mapeando todas as enfermidades na região das Américas para avaliar estatísticas e investigar causas socioambientais dos surtos.

“Estamos trabalhando em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para ter gerações futuras livres de doenças transmissíveis nas Américas. Para isso, precisamos conseguir o acesso universal a medidas de detecção dessas enfermidades e tratamento precoce”, defendeu o subdiretor da OPAS, Jarbas Barbosa, em participação no 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP), realizado em Olinda.

O especialista explicou que o novo marco da OPAS para as doenças transmissíveis será constituído por quatro linhas de atuação: serviços de saúde integrados; geração, análise e disseminação de estratégias robustas; abordagem dos determinantes ambientais e sociais; e a integração com a atenção primária à saúde.

“Está sendo feito um mapeamento de todas as doenças e as dimensões de cada uma delas, que terá um conjunto de indicadores construídos com uma abordagem multissetorial”, acrescentou Barbosa. Segundo o gestor, as consultas com os países devem ocorrer no fim do ano. A aprovação do plano no Conselho Diretivo da OPAS está prevista para 2019.

O representante da OPAS também traçou um panorama da atual situação das doenças transmissíveis nas Américas, entre elas, o sarampo.

“Neste ano, a Venezuela completou mais de 12 meses de transmissão sustentada de sarampo e, com isso, perdeu o certificado de eliminação da doença. Os outros países da região continuam com sua certificação individual, mas existem riscos. O Brasil vem fazendo campanhas de vacinação junto com estados e municípios, mas se não interromper a transmissão da doença até fevereiro de 2019, também pode perder seu certificado”, disse.

Um desafio brasileiro, de acordo com Barbosa, é quebrar as barreiras no acesso da população às vacinas. “Mães e pais que trabalham não conseguem levar seus filhos para se vacinar durante o horário comercial, em dias de semana. A vacina está no posto de saúde, mas as pessoas não conseguem chegar a ela.”

 

Controle de insetos

Um dos temas do congresso foi a transmissão de doenças por vetores, como os mosquitos. Ana Carolina Faria e Silva, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) no Brasil, ressaltou que 80% da população mundial está suscetível a contrair patologias causadas por animais portadores de vírus e outros agentes infecciosos. Entre essas enfermidades, estão a malária, dengue, zika, chikungunya, doença de Chagas e oncocercose.

Renato Vieira, coordenador-geral de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) conta com orientações fundamentais para o controle de vetores. Adotadas em 2017, as recomendações permitiram ao Brasil fortalecer suas capacidades de emergência. Em dois anos, o Brasil teve mais de 2 mil casos de febre amarela – mais do que foi registrado em 36 anos, de 1980 a 2016 –, lembrou o especialista.

De acordo com o gestor, um dos avanços brasileiros mais recentes foi a criação do Comitê Técnico Assessor do Ministério da Saúde para Vetores, do qual a OPAS/OMS participa.

“Essa iniciativa tenta trazer, do ponto de vista científico e técnico, um suporte à tomada de decisão do Ministério da Saúde e a integração não só dos programas, mas entre o setor de saúde, sociedades científicas e poder público, para nos trazer propostas de respostas práticas”, explicou.

 

Gripe

Outra pauta do encontro em Olinda foi a preparação do Brasil para lidar com epidemias de gripe. Walquiria Aparecida Ferreira de Almeida, técnica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, afirmou que a pandemia da influenza H1N1, em 2009, foi um marco importante para melhorar a vigilância no país.

“Precisamos conhecer os vírus da influenza e o comportamento da doença. Temos que lembrar que eles podem dizimar populações”, afirmou a gestora.

Um dos desafios, segundo a especialista, é conseguir uma maior adesão às campanhas de vacinação em massa. “Toda a população está exposta, então as medidas preventivas são extremamente importantes”, acrescentou.

Roberta Andraghetti, assessora regional em Regulamento Sanitário Internacional da OPAS, apresentou algumas ferramentas de saúde pública que auxiliam países a conter e prevenir a gripe.

O Programa Mundial de Influenza da OMS existe há 70 anos e tem como principais componentes a resposta e a vigilância dessa enfermidade. A iniciativa conta atualmente com uma rede de 144 laboratórios nacionais, seis centros colaboradores, quatro laboratórios reguladores essenciais, 13 laboratórios de referência, um centro colaborador para vigilância epidemiológica e outro para estudos ecológicos.

Em nível mundial, a vigilância é realizada com base em fatores epidemiológicos e virológicos. O controle virológico é feito por meio da plataforma online FluNet, que gera tabelas, gráficos e mapas com dados nacionais, atualizados semanalmente. O portal também serve para rastrear o movimento dos vírus da influenza globalmente e interpretar indicadores epidemiológicos.

Já a vigilância epidemiológica é realizada pela plataforma FluMart, criada para facilitar a troca de dados sobre gripe. “Os produtos gerados nessa ferramenta trazem mapas com análises e relatórios com a distribuição dos vírus gripais e dos casos, entre outros (dados)”, explicou Roberta.

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ANS suspende a comercialização de 26 planos de saúde de 11 operadoras

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05 de setembro de 2018

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou hoje, 5, a suspensão temporária da comercialização de 26 planos de saúde de 11 operadoras do país em decorrência das queixas relativas à cobertura assistencial. Os 26 planos, juntos, têm 75.500 beneficiários. A medida começará a valer na próxima segunda-feira, 10.

A ANS informou também que os usuários terão a assistência regular garantida. No entanto, para que os planos voltem a ser comercializados para novos clientes, as operadoras deverão comprovar melhorias no atendimento.

 

Monitoramento

As operadoras são avaliadas por meio do Monitoramento da Garantia de Atendimento partir das reclamações registradas pelos beneficiários nos canais da ANS. Nessa etapa, foram consideradas as queixas sobre cobertura e demoras de atendimento no segundo trimestre de 2018.

De acordo com a ANS, o objetivo da suspensão é também estimular que as operadoras qualifiquem o atendimento prestado aos consumidores.

Paralelamente, houve a reativação de 20 planos de 11 operadoras, que ficarão liberados para comercialização a partir de segunda-feira, 10.

 

Queixas

No trimestre compreendido entre 1º de abril a 30 de junho de 2018, a ANS recebeu 17.171 reclamações de natureza assistencial. Desse total, 16.189 foram consideradas para análise pelo Programa de Monitoramento.

No período, 93,2% das queixas foram resolvidas pela mediação feita pela ANS via Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), garantindo respostas aos problemas dos consumidores.

 

Lista

A lista completa dos 26 planos que serão suspensos está disponível no site da ANS.

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Prorrogada a campanha de vacinação contra pólio e sarampo na capital paulista

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04 de setembro de 2018

A Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite e Sarampo será prorrogada até 14 de setembro no município de São Paulo. A ampliação tem como meta atingir os 95% de cobertura de ambas as vacinas. Até as 13h de segunda-feira, 3, foram aplicadas na cidade 520.846 doses contra pólio (paralisia infantil) e 516.554 doses de tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, que representam cobertura de 88% e 87,3%, respectivamente. É importante destacar que uma mesma criança pode ter tomado as duas vacinas na mesma ocasião.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo adotou diversas estratégias para aumentar a adesão da dose desde o início da campanha, em 4 de agosto. As ações incluíram a realização de dias “D” com abertura de postos fixos e volantes aos sábados, busca ativa casa a casa e vacinação em escolas de ensino infantil do município.

A campanha é voltada exclusivamente para crianças de 1 a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade. A orientação é que mesmo crianças com a carteirinha de vacinação em dia recebam as doses de reforço. O Brasil está livre da poliomielite desde 1989, enquanto que os últimos dois casos confirmados de sarampo no município de São Paulo, ambos importados, foram registrados em 2015. A adesão é fundamental para que essas doenças continuem fora de circulação.

Para se vacinar, é preciso levar documento de identificação e, se possível, carteira de vacinação e cartão SUS. As doses da campanha continuam disponíveis durante a semana nos postos de saúde de todo o município. Para saber qual a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência de seu endereço, basta consultar o Busca Saúde.

 

Recomendações

Crianças menores de 2 anos de idade NÃO devem tomar simultaneamente as vacinas contra o sarampo e a febre amarela. É recomendável um intervalo de 30 dias entre as doses, sendo que a da campanha deve ser priorizada.

As vacinas contra  o sarampo e a pólio são contraindicadas para: pessoas que apresentam imunodeficiência congênita ou adquirida, como portadores de neoplasias malignas, submetidos a transplantes de medula ou outros órgãos, infectados pelo HIV; que estão em tratamento com corticosteroides em dose alta; ou que tenham alergia grave a algum componente da vacina ou dose anterior. Crianças com febre muito alta também devem evitar a aplicação.

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