‘A poliomielite não é uma doença pontual’

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06 de dezembro de 2019

Doença contagiosa aguda [agudas são as doenças que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou morte em menos de três meses] que pode ser contraída por crianças e adultos, a poliomielite é responsável por provocar, nos casos graves, paralisia dos membros. De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de infecção por este poliovírus selvagem no Brasil ocorreu em 1989, na cidade de Sousa (PB). 
Em todo o território nacional, existe uma estratégia de prevenção pautada em campanhas de vacinação em massa. Essa é a única forma de evitar a contaminação. Entretanto, seguundo a pasta, atualmente, cem municípios brasileiros apresentam coberturas vacinais abaixo de 50%, muito inferior aos 95% recomendáveis. 
O médico infectologista do Hospital Emílio Ribas, Jamal Suleiman, falou ao O SÃO PAULO sobre como os baixos índices de vacinação preocupam e devem servir de alerta para um possível retorno da doença no País. 

O SÃO PAULO – Em termos gerais, como pode ser definida a poliomielite?
Jamal Suleiman – É uma doença viral, de transmissão entre pessoas, fundamentalmente orofecal, ou seja, pelo contato com águas contaminadas ou fezes. Uma situação de mau saneamento básico aumenta, substancialmente, o risco de transmissão entre pessoas. Essa doença pode comprometer os movimentos por meio de uma paralisia flácida, quando o sujeito perde a capacidade de se movimentar, e provocar a impossibilidade de respiração.

QUAIS SÃO AS CAUSAS E SINTOMAS MAIS COMUNS
Pode ser uma perda súbita ou gradual dos movimentos musculares em qualquer localização, que compromete o sistema nervoso. O sujeito perde a movimentação, dependendo do nível de comprometimento. Pode ocorrer na parte inferior do corpo – da cintura para baixo –, ou superior – da cintura escapular [dos ombros para baixo].
É uma doença relacionada ao saneamento básico precário. A reemergência, em um primeiro momento, diz respeito às crises humanitárias ao redor do mundo [guerra civil, revoluções, desastres naturais], em que a população necessita se descolar de um lugar para outro. 
Algumas pessoas têm o vírus e podem não sofrer nenhum tipo de problema, mas, a partir do momento em que ele chega à comunidade e ocorre o contato com os indivíduos suscetíveis [que são muitos], a infecciosidade se torna relativamente grande.

AS CAMPANHAS NACIONAIS DE VACINAÇÃO MUDARAM O PANORAMA DE ENFRENTAMENTO DA POLIOMIELITE NO BRASIL?
O Brasil sempre teve campanhas extensas e maciças de vacinação. A poliomielite está no calendário vacinal, mas, ainda assim, realizam-se campanhas extras para, exatamente, quebrar completamente a cadeia de transmissão.
A doença dispõe de uma vacina altamente eficaz e simples há décadas – com apenas uma dose o cidadão está protegido. O problema é que, atualmente, vivemos uma situação muito grave: a redução intensa da cobertura vacinal desta e de outras doenças, o que aumenta o risco de reemergência.
O que acontece agora é uma negação das vantagens dessas vacinas. É um pensamento completamente equivocado, pois não se observa como a vida melhorou quando as pessoas começaram a se vacinar. 
Um problema muito sério é a incapacidade de uma leitura crítica de textos. Tem um filósofo que diz que a internet deu voz aos idiotas e, com isso, o sujeito publica algo sem nenhum embasamento técnico, científico ou humanitário, que encontra eco na sociedade e rompe todo um trabalho eficaz de proteção à população. As políticas públicas acabam ficando comprometidas em virtude da disseminação de notícias falsas. Isso é muito triste e não ocorre apenas com a vacina da poliomielite, pois o que aconteceu com o sarampo é o exemplo mais evidente em São Paulo. 
Além disso, algumas coisas mudaram. Durante muito tempo, para efetuar matrícula na rede pública de educação, era necessário levar a carteira de vacinação de seu filho atualizada. Com isso, havia um controle das escolas, e a família tinha cuidado nesse aspecto. Essa determinação caiu. Esse fato e as fake news colaboraram substancialmente para a baixa na imunização. 

MESMO APÓS TANTOS ANOS SEM REGISTRO DA DOENÇA, O BRASIL DEVE SE PREOCUPAR COM OS BAIXOS ÍNDICES DE VACINAÇÃO? 
O Brasil não é um destino procurado para populações que vivem situações de catástrofes. Entretanto, é bom lembrar que de 90% a 95% das infecções são assintomáticas, o que significa que não haverá nenhuma manifestação clínica, mesmo quando contraído o vírus. Ao considerar lugares onde a cobertura vacinal é ainda mais baixa, o risco é muito maior. 
Eu não tenho como prever, em um intervalo de tempo, qual será esse risco; o que se sabe é que as distâncias estão mais curtas. Mesmo que o Brasil não tenha muito contato com países da África, onde a doença não foi erradicada, o risco existe. 
A questão principal é que um único indivíduo doente deve ser considerado grave, pois a forma paralítica da poliomielite é extremamente limitante. Na minha geração, muitas pessoas contraíram o vírus, sobretudo crianças que passaram a vida inteira sofrendo com um déficit provocado por uma doença absolutamente prevenível. 

ALÉM DA PARALISIA, QUAIS OUTRAS COMPLICAÇÕES A PESSOA CONTAMINADA PODE SOFRER?
A doença pode ser abortiva, ou seja, uma mulher grávida, quando contaminada, corre o risco de sofrer um aborto espontâneo. Essa 
realidade corresponde a 5% dos casos. Outra fórmula clínica é a meningite, que soma 1% dos diagnósticos. Existe, ainda, a síndrome pós-pólio, que piora, substancialmente, a funcionalidade de um indivíduo, pois ele terá uma grande fraqueza, fadiga, artrite degenerativa, dores nas articulações etc. Um total de 2% dos casos de contaminação do vírus resulta na forma paralítica, com sequelas graves.
Os três sorotipos do vírus da poliomielite são capazes de promover a paralisia. Existe uma frequência maior de um sorotipo para outro, mas isso, do ponto de vista de impacto na população, não é considerado em relação à infecciosidade, pois os três se alojam e se multiplicam no organismo.
Existem os indivíduos que não apresentarão nenhuma manifestação ou, no máximo, uma diarreia nos primeiros dias de contaminação, pois eles contêm uma baixa patogenicidade, que é a capacidade de promover a doença logo na infecção. Deste grupo, a cada 100 infectados, apenas dois terão paralisia. 
Não é uma doença pontual, da qual o sujeito irá se recuperar. A poliomielite, quando provoca a paralisia, traz uma complicação que será para toda a vida. E, nesse caso, a taxa de mortalidade é de 60%.

CRIANÇAS E ADULTOS TÊM IGUAIS RISCOS DE CONTRAIR POLIOMIELITE?
As crianças sofrem um risco maior e, por isso, a vacinação ocorre nessa faixa etária. Quando o adulto está em contato com o vírus, pode desenvolver anticorpos, de acordo com determinantes genéticos, mas a criança exposta ao vírus não desenvolve imunidade. Quando infectada, pode vir a óbito ou sofrer com sequelas graves. Os adultos têm uma capacidade melhor de responder ao vírus do que as crianças.

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Definidas as diretrizes para a assistência espiritual e religiosa em saúde

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16 de outubro de 2019

“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda a criatura” (Mc 16,15). Esse mandado de Nosso Senhor, destinado a todos os cristãos, traz consigo o compromisso de tornar concreto, nas mais variadas dimensões, o Evangelho na vida cotidiana de todos os homens. 


Tal imperativo se baseia no próprio exemplo de Jesus: durante sua vida terrena, dentre as mais diversas situações vividas por Ele que demonstram a observância da prática evangélica, estão o apreço e o cuidado para com as pessoas enfermas. A elas Jesus se dirigia e as acolhia a todo instante, proporcionando-lhes a cura dos males, de maneira a lhes devolver não somente a saúde do corpo e da alma, mas também a própria dignidade.


O Senhor confiou à Igreja o zelo por aqueles que estão com a saúde debilitada: “Estive enfermo e me visitastes...” (Mt 25,36). Essa atividade se constitui, portanto, como parte do anúncio de Sua mensagem, além de ser uma das obras de misericórdia corporais. 

RESPALDO NA LEI


De forma paralela ao que estabelece a Igreja, a vida em sociedade requer que se leve em consideração o que determina o Estado a esse respeito. Dessa forma, sabe-se que ao Estado democrático cabe a tutela das condições que garantam o pleno exercício da cidadania. Nesse contexto, incluem-se também as políticas voltadas à saúde pública, de forma a salvaguardar que a assistência médica e hospitalar seja acessível a todas as camadas da população, independentemente de sua condição social.  


Analogamente, a assistência espiritual àqueles que se encontram internados em unidades de saúde é assegurada por lei, uma vez que tal atividade se enquadra na inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença de cada cidadão, garantindo o seu livre exercício.


Nesse sentido, a legislação é bastante abrangente, não somente com dispositivos nos âmbitos municipal, estadual e federal, como também na própria Constituição Federal, a fim de garantir os direitos e deveres, tanto de quem recebe quanto de quem oferece a assistência espiritual e religiosa.

ORGANIZAÇÃO


A fim de organizar o serviço de assistência religiosa e espiritual católica nas unidades de saúde presentes na Arquidiocese, oferecer formação aos agentes da Pastoral da Saúde e promover a proximidade e o diálogo entre esta pastoral e as unidades de saúde, foram elaboradas e publicadas recentemente, com a aprovação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, as Diretrizes da Arquidiocese de São Paulo para a Assistência Espiritual e Religiosa nas Unidades Hospitalares. 


Essas diretrizes determinam que os interessados em integrar a Pastoral da Saúde, além da ciência de que exercerão um trabalho voluntário, devem fazer um curso de formação de, no mínimo, três meses, contando um período de experiência, treinamento e acompanhamento. Além disso, após esse curso, devem estar em contato permanente com as atividades propostas pela Pastoral, de forma a ter uma formação constante. 


Entre os requisitos pessoais, devem possuir idoneidade moral e participação ativa na Igreja, ter mais de 18 anos, estar no exercício de seus direitos e responsabilidades civis, ser maduros, equilibrados e compassivos diante do sofrimento do próximo. 

DISPOSIÇÕES


Cumprir as deliberações e o regimento das unidades de saúde, saber dialogar com os profissionais da saúde – sem interferir nos seus trabalhos –, respeitar a individualidade e as crenças religiosas de cada paciente, evitar o proselitismo, bem como orações, gestos e outros sacramentais sem que haja o consentimento do enfermo, além de não prometer curas milagrosas: essas são algumas das disposições estabelecidas pelas diretrizes.  


Além dessas, vale destacar que a visita aos enfermos deve ser realizada com espírito colaborativo, sem o desejo de domínio ou imposição. A postura de escuta, a simplicidade, a atenção e o respeito para com os enfermos são fundamentais para a realização de um ótimo trabalho, bem como saber respeitar seus momentos de descanso e alimentação. 

FUTURO DE ESPERANÇA


A reflexão e o enfoque que vêm sendo dados à saúde como qualidade de vida, bem-estar integral e direito fundamental de toda pessoa evidenciam as condições essenciais para o desenvolvimento pessoal e comunitário.


No âmbito da Igreja, há um despertar de iniciativas e trabalhos organizados para promover a humanização dos serviços de saúde, das estruturas e das instituições hospitalares e educativas, fomentando a formação, a capacitação e a atualização dos profissionais da saúde em nível humano, ético e bioético.


Torna-se motivo de satisfação o surgimento de grupos de pastoral da saúde, de associações de enfermos, de organizações populares de saúde comunitária que formulam propostas no âmbito das políticas públicas de saúde, conforme estimula a Campanha da Fraternidade deste ano, como requisito indispensável para melhorar as condições de vida dos cidadãos.


A presença evangelizadora da Igreja por meio de numerosos leigos comprometidos, profissionais da saúde, sacerdotes e religiosos é fundamental para que se promovam, animem e apoiem essas iniciativas. 

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‘A mulher que conhece o próprio corpo pode identificar alterações nas mamas’

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16 de outubro de 2019

Até o fim deste ano, 60 mil pessoas no Brasil, em sua maioria mulheres, serão diagnosticadas com câncer de mama, conforme projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em todo o mundo, 2 milhões de casos são descobertos por ano, e 627 mil mulheres morrem vítimas da doença. Em 2017, no Brasil, o câncer de mama foi a causa de óbito de 16,7 mil mulheres.


O maior conhecimento da mulher sobre o próprio corpo e a adoção de hábitos de vida saudáveis são armas fundamentais na luta contra o câncer de mama, como destaca nesta entrevista a oncologista Fabiana Baroni Makdissi, diretora do Departamento de Mastologia do A.C. Camargo Cancer Center, hospital referência em tratamento e diagnóstico de câncer.

O SÃO PAULO – QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS FATORES QUE EXPLICAM A QUANTIDADE DE CASOS DE CÂNCER DE MAMA NO BRASIL?


Fabiana Baroni Makdissi – O câncer de mama é extremamente frequente na população feminina. O risco de uma mulher ter câncer de mama é cem vezes maior do que de um homem. A segunda questão é que o câncer é uma doença degenerativa. Assim, conforme a população envelhece e mais tem acesso aos métodos diagnósticos, haverá mais registros. Hoje, um grande número de mulheres sobrevive e continua tendo filhos. O que a gente sempre lamenta é a mortalidade. A incidência crescente acontece e a mortalidade depende de como se está  tratando as pacientes. Em países onde há uma incidência maior da descoberta de casos mais precocemente, a mortalidade é menor.

EM 15 ANOS, O BRASIL AVANÇOU DE UM PERCENTUAL DE 17,3% DE DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA, EM 2000, PARA 27,6%, EM 2015. O QUANTO AS INICIATIVAS COMO O ‘OUTUBRO ROSA’ COLABORAM PARA ESSA MELHORIA?


Falar da doença já é um alerta. Por isso, é importante haver um mês em que este assunto seja mais valorizado, mais tratado na mídia, e em que haja mais discussões em relação às políticas públicas e mais acesso a exames. Hoje a vida é muito corrida, cheia de tarefas, de modo que marcar um mês para que o assunto seja abordado faz com que as pessoas prestem atenção à própria saúde. No meu consultório, disponibilizo um ímã de geladeira: eu coloco a data da próxima consulta e dou à paciente para que ela grude na própria geladeira e preste mais atenção naquilo. A cada Outubro Rosa, há uma procura muito maior aqui no A.C. Camargo, o que demonstra que, quando há uma visibilidade maior, as pessoas prestam atenção e os governos também, porque um número maior de mulheres vai procurar pelos seus direitos em relação ao diagnóstico e tratamento da doença. 

O QUANTO O AUTOEXAME DAS MAMAS É EFICAZ? HÁ UMA IDADE EM QUE SEJA MAIS RECOMENDADO?
O nome “autoexame” é uma referência para as pessoas, mas estamos tentando mudar esse conceito para “autoconhecimento”. Conhecer o próprio corpo faz sentido para todas as faixas etárias. A mulher que conhece o próprio corpo pode identificar alterações nas mamas, que, na maioria das vezes, são alterações benignas. Se essa mulher ainda não está na fase de rastreamento mamográfico – pois não se recomenda que a mulher com menos de 40 anos faça a mamografia anual –, o sinal de alerta de que algo está diferente poderá salvar a sua vida. Então, que ela conheça o próprio corpo, apalpe as mamas e identifique alguma eventual modificação é importante em qualquer fase e, talvez, mais importante antes da mamografia, e ainda mais importante antes dos 40 anos, pois, possivelmente, seja o único método que a mulher terá disponível. O autoconhecimento deve ser estimulado nas mulheres em qualquer idade, para que elas saibam reconhecer o que é normal ou não no seu corpo e para que, identificando alguma alteração – uma secreção, afundamento da pele, inchaço, vermelhidão, mudança no formato da mama, um nódulo –, usem esse alerta e procurem um médico, que é quem vai garantir se essa alteração é um câncer de mama ou não. 

OS HÁBITOS DE VIDA PODEM DEIXAR A MULHER MAIS PROPENSA AO CÂNCER DE MAMA?
Esse é um aspecto interessante. Muitas pessoas falam da mamografia como se fosse prevenção, mas na verdade é um diagnóstico precoce. Prevenção são os hábitos de vida. Escolher um horário do dia para fazer uma atividade física regular, por exemplo, isso sim é prevenção ao câncer. Outras prevenções são: não fumar, não beber em excesso, estar atenta à obesidade, que é um dos grandes fatores de risco para o câncer de mama. Se o objetivo é a prevenção de câncer, é importante fazer atividade física, comer de forma saudável – reduzindo a ingestão de alimentos processados, de açúcar, de carne vermelha e ingerindo uma maior quantidade de frutas, legumes e verduras. 

A GESTAÇÃO PROTEGE A MULHER DO CÂNCER DE MAMA? 
Como o câncer de mama está relacionado à quantidade hormonal e exposição hormonal, quanto mais tempo exposta a hormônios, maior o risco para a mulher. A gestação funciona como que uma pausa. Assim, as mulheres que têm filho, principalmente em uma idade mais precoce, têm risco menor de desenvolvimento de câncer, mas não significa que isso blinde a mulher de ter o câncer um dia. Mas, de fato, a gestação, em idade mais jovem, é fator de proteção, assim como a amamentação: quanto mais tempo de amamentação melhor. Não usar hormônios adicionais, ou seja, não usar anticoncepcional ou reposição hormonal também reduz riscos. 

O QUE HÁ DE NOVIDADES NOS PROCEDIMENTOS TERAPÊUTICOS ?
Há uma quantidade grande de possibilidades que vão sendo adicionadas ano a ano. Há muitas coisas relacionadas à própria cirurgia. No A.C. Camargo, nós fazemos um tipo de cirurgia com radioterapia intraoperatória, para algumas mulheres com mais de 50 anos com determinados tumores em estágio inicial: é a cirurgia mais a radioterapia no mesmo tempo operatório. Há, ainda, outras técnicas de radioterapia mais avançadas, aparelhagens que causam melhor tratamento com menor morbidade, com menos efeitos colaterais; além de métodos de imagem que podem adicionar melhorias. E há o uso de drogas específicas, conforme o tipo de tumor, além do apoio multidisciplinar, proporcionando uma jornada contínua de tratamento.

DE QUE MANEIRA O ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO PODE AUXILIAR A PACIENTE AO LONGO DO TRATAMENTO?
No A.C. Camargo, temos os grupos da mama, em que as mulheres participam de uma espécie de roda de conversa. Temos os apoios personalizados, seja quando as pessoas ficam internadas, seja durante o atendimento ambulatorial, seja na realização da quimioterapia.

Existe esse apoio do grupo da Psicologia em toda e qualquer fase do tratamento. Não são todos os pacientes que aceitam ou que precisam disso, pois depende muito do apoio que recebem no contexto familiar, de amizade e, mesmo, da sua bagagem no enfrentamento de problemas. Conforme identifiquemos uma mulher que tenha um pouco mais de ansiedade, que venha sempre sozinha, que peça esse auxílio psicológico ou que sintamos a necessidade, encaminhamos para a Psicologia. 

QUEM CONVIVE PRÓXIMO A UMA MULHER COM CÂNCER DE MAMA PODE AJUDÁ-LA DE QUE MANEIRA?
Muitas mulheres se queixam da falta de apoio, de compreensão. As mulheres já passam por esse momento de estresse, medo de perder o marido, de perder o trabalho, e existe uma necessidade de compreensão e apoio de toda a sociedade, das empresas também. Eu sempre falo para as minhas pacientes para que elas conversem abertamente com as pessoas próximas, colocando o que sentem e do que têm necessidade. Assim, os colegas, o marido e toda a família precisam participar, pois o câncer não é de uma pessoa, é de todos os que estão por perto. 

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O esporte entra em ação para melhorar a vida das pessoas com deficiência

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23 de setembro de 2019

Reabilitação, resgate da autoestima e inclusão social são alguns dos benefícios observados na prática esportiva para as pessoas com deficiência. Especialistas incentivam a realização de atividades físicas regulares, que, além de prevenir doenças, promovem a integração social e mostram que, mesmo com as limitações da deficiência, é possível ter uma vida normal e saudável. 


“A atividade física gera inúmeros benefícios para todas as pessoas, tenham elas ou não alguma deficiência. Mas quando pensamos em uma pessoa com algum tipo de deficiência, ela terá uma considerável melhora na agilidade, equilíbrio, força, coordenação motora, e todas as capacidades físicas serão desenvolvidas dentro do aspecto e limitação que ela possui”, disse o professor e preparador físico Lucas Vilas Boas ao O SÃO PAULO.

SUPERAR LIMITES

 
O esporte adaptado surgiu no início do século XX, para deficientes auditivos, e a partir de 1920 muitas modalidades esportivas passaram a ser adaptadas. O grande pioneiro que utilizou o esporte como meio de reabilitação física foi o médico alemão Ludwig Guttmann, que em 1944 abriu um centro especializado em lesões na coluna, o Stoke Mandeville Hospital, a pedido do governo britânico.


O local foi utilizado para a recuperação dos soldados feridos após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), e passou a valer-se do esporte como meio de reabilitação física. Guttmann começou a promover competições locais com os militares recuperados. Devido ao grande sucesso, outros países se juntaram às competições, que culminaram na realização dos primeiros Jogos Paralímpicos, em Roma, na Itália, em 1960.

INCLUSÃO E AUTOESTIMA


No Brasil, o primeiro esporte adaptado praticado foi o basquete em cadeira de rodas. Enquanto realizavam tratamento médico nos Estados Unidos, brasileiros com deficiência conheceram a modalidade e a trouxeram ao País. Em 1958, foi fundado o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Robson Sampaio de Almeida e pela ação do técnico Aldo Miccolis, dois pioneiros do paradesporto no Brasil.


A exclusão da sociedade é um dos principais desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência, e fator gerador de desânimo e baixa autoestima. Segundo Rodrigo Scialfa Falcão, psicólogo especialista em Psicologia do Esporte, a atividade física é um importante instrumento, mas convém que seja acompanhada por um profissional especializado. 


“Uma das principais contribuições é com relação à autoestima de quem pratica esporte e possui alguma deficiência. Além de melhorar a saúde em geral, há toda essa questão da superação dos limites e confiança. Caso seja praticado um esporte coletivo, também há a inclusão social e a integração”, afirmou Falcão à reportagem.

BASE PARA A FELICIDADE


Por proporcionar reabilitação, desenvoltura, autoestima e inclusão social, o esporte é uma ferramenta extremamente útil para a superação dos desafios existenciais que podem advir de uma deficiência, uma vez que auxilia o deficiente a compreender que suas limitações não o impedem de encontrar um autêntico sentido para sua existência. A superação de si mesmo e a doação ao outro, isto é, a realização dos valores fundamentais para a felicidade do ser humano, estão ao alcance de qualquer pessoa, como bem mostrou o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, fundador da Logoterapia. Apoiando-se nas bases proporcionadas pelo esporte, a pessoa com deficiência pode abrir-se a uma nova esperança, e vir a descobrir na sua deficiência uma oportunidade, mais do que uma limitação.

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O gesto da escuta faz toda a diferença

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15 de setembro de 2019

As estatísticas apontam que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no planeta, o que resulta numa média de 800 mil mortes por ano. O problema é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade, sendo que para cada suicídio há 26 tentativas. 
Os números fazem parte de um levantamento efetuado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ganham relevância mundial em decorrência do Dia de Prevenção do Suicídio, lembrado todos os anos em 10 de setembro. 
De acordo com o organismo internacional, todos os países, sejam ricos ou pobres, registram casos de suicídio. No entanto, quase 80% desses óbitos são identificados em nações de renda baixa e média. A maioria das ocorrências acontece em zonas rurais e agrícolas, sendo que o envenenamento por pesticida é o método usado em 20% de todas as mortes. Outros meios comuns são o enforcamento e o uso de arma de fogo.
A OMS lembra que, nos países de renda alta, já foi reconhecido um vínculo entre suicídio e problemas de saúde mental, como depressão e transtornos de uso de álcool. Contudo, muitos suicídios, aponta a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), são cometidos por impulso, em momentos de crise.

SETEMBRO AMARELO
A fim de intensificar esforços na prevenção do suicídio em nível mundial, teve início, em 2003, a campanha “Setembro Amarelo”. Articulada pela Organização Mundial da Saúde, Federação Mundial para a Saúde Mental e pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio, está presente em cerca de 40 países. No Brasil — cujas estatísticas apontam que a cada 45 minutos uma pessoa põe fim à própria vida —, as entidades responsáveis por sua organização e divulgação, desde 2015, são o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

SAÚDE PÚBLICA
A OMS considera a prática do suicídio um problema de saúde pública e recomenda que países identifiquem os principais métodos que algumas pessoas usam para pôr fim à própria vida. Com isso, é possível restringir o acesso a tais meios. Outras medidas para prevenir esse tipo de morte é a implementação de políticas para limitar o consumo abusivo de álcool e drogas.
O organismo internacional defende ainda o fornecimento de serviços de saúde mental eficazes. Analogamente, governos também devem oferecer acompanhamento médico após tentativas de suicídio.
Na avaliação da agência das Nações Unidas, é necessária uma abordagem integrada, que mobilize não apenas a saúde, mas também a educação, os meios de comunicação, instituições trabalhistas e o setor agrícola.
Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros, afirma a OMS. Em muitos países, o tema é um tabu — o que impede pessoas que tentaram se suicidar de procurar ajuda. Até hoje, apenas alguns países incluíram a prevenção do suicídio em suas prioridades de saúde e apenas 28 nações relataram ter uma estratégia nacional de prevenção.

MISERICÓRDIA 
Em 16 de outubro de 2018, o Papa Francisco falou para a televisão da Conferência Episcopal Italiana sobre o suicídio e a misericórdia de Deus. Na ocasião, o Santo Padre afirmou: “O suicídio seria como fechar a porta à salvação, mas tenho consciência de que nos suicídios não há plena liberdade. Pelo menos acredito nisso. Ajuda-me o que o Cura D’Ars disse à viúva cujo esposo se suicidou jogando-se de uma ponte em um rio. Disse: ‘Senhora, entre a ponte e o rio está a misericórdia de Deus”.
É fazendo desta misericórdia uma inspiração divina que, cada vez mais, a Igreja demonstra preocupação com os altos números de suicídio e vem, juntamente, com seus fiéis buscando maneiras de contribuir para que a vida seja cultivada. 
Em Divinópolis (MG), Janaina Nunes é missionária consagrada da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré. Todos os dias, ela e outros missionários da comunidade atendem pessoas com o serviço de escuta por meio do projeto “Eu quero você vivo”.
A comunidade foi fundada há 14 anos e, desde então, realiza o trabalho de ouvir e rezar por aqueles que a procuram. Entretanto, o aumento no número de suicídios na cidade mineira fez com que os missionários percebessem a necessidade de organização e divulgação do projeto.

ESCUTA
“Todas as pessoas são, carinhosamente, muito especiais. Para mim, o que marca é poder fazer algo tão simples, que é escutar. Algo extremamente simples e que faz uma enorme diferença para as pessoas, tanto que elas desejam voltar”, continuou a missionária. 
Janaina reforçou que não se trata de um tratamento profissional, mas que diariamente pessoas com sintomas de depressão frequentam o local. Em geral, os atendimentos ocorrem uma vez por semana, mas em casos mais complexos é possível a escuta mais de uma vez por semana. 
Ela recordou, ainda, o caso de um homem que já frequentava o espaço e que, ao se divorciar da esposa, pensou em interromper a própria vida, mas, graças à ajuda dos missionários, não cometeu o suicídio. 

CONVERSA EM GRUPO
A Paróquia Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo, localizada na Praça Doutor João Mendes, no centro histórico de São Paulo, abre suas portas todas as quartas-feiras, das 14h às 16h, para quem deseja atendimento profissional.
A inciativa partiu do então Pároco, Padre Lourenço Gomes, já falecido, há oito anos, para que a Paróquia pudesse oferecer uma ação social para a comunidade. Doutor Bruno Predomo, psicanalista que, a pedido do Padre Lourenço, iniciou o trabalho, contou ao O SÃO PAULO que os atendimentos ocorrem por meio do diálogo em grupo e, em casos específicos, há o tratamento individual. 
Para ele, o principal de um tratamento é a permanência nos encontros, o que, ainda, é uma dificuldade no atendimento realizado na paróquia do centro da capital paulista. Não há requisitos para a participação e não é necessária inscrição prévia.

Algumas Paróquias que têm Pastoral da Escuta

PARÓQUIA SANTÍSSIMA TRINDADE
Avenida Marechal Fiuza de Castro, 861 - Vila São Domingos – Telefone: 3735-0461
Segundas e sextas-feiras, das 18h às 20h30
Quartas-feiras, das 18h30 às 20h30
Quintas-feiras, das 14h às 20h30


PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Praça Silvio Romero, S/N - Tatuapé - Telefone: 2093-1920
Segundas-feiras, das 10h às 12h e das 14h às 17h
Terças-feiras, das 9h às 12h
Quartas-feiras, das 13h às 16h
Quintas-feiras, das 9h às 11h e das 13h às 15h
Sextas-feiras, das 14h às 18h30


PARÓQUIA SÃO GERALDO
Largo Padre Péricles, S/N – Perdizes - 3667-0660
Terças e quintas-feiras das 15h às 18h

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Estado de São Paulo regulamenta direito das gestantes a cesáreas

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06 de setembro de 2019

Gestantes a partir da 39ª semana de gravidez, no estado de São Paulo, têm o direito de optar pelo parto cesariana, mesmo sem indicação médica, seja na rede pública de saúde, seja em hospitais particulares. A definição está na Lei 17.137/2019, sancionada pelo governador João Doria (PSDB), em 23 de agosto, a partir de um projeto de lei da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL), aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado  de São Paulo. 


A medida é alvo de polêmicas entre os que defendem que se dê autonomia à gestante para escolher o parto normal ou a cesárea e aqueles que apontam as possíveis complicações desse procedimento obstétrico para a mulher e o bebê. 

Igualdade de condições e preservação da vida


De acordo com Janaina Paschoal, a lei dá igualdade de condições para a autonomia das parturientes no Sistema Único de Saúde (SUS), onde há, conforme já afirmou em entrevistas, uma “ditadura do parto normal”.


“O projeto atende, num primeiro momento, as mulheres, mas garante a vida e a integridade física das famílias. Muitos bebês morrem em virtude da imposição de um parto normal que, muitas vezes, é inviável; e, também, para preservar a saúde psicológica, física e emocional das mulheres. Atendi muitas mulheres que não tiveram seus desejos respeitados e perderam seus bebês, perderam seu desejo de ser mães”, afirmou Janaina, na cerimônia em que a lei foi sancionada. 


Também o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) defende a medida, por entender que “a avaliação de qualidade da assistência perinatal é multifatorial e não deve se basear nos ‘índices ideais de cesáreas’, desconsiderando as indicações médicas e a vontade materna”. 


Ainda segundo nota da instituição divulgada em julho, “o Cremesp tem instruído e julgado vários processos ético-profissionais em que os eventos adversos foram decorrentes da demora em se realizar cesariana e pelas complicações da insistência em ultimar partos vaginais”. 

Não recomendado pela OMS


A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o procedimento cirúrgico da cesariana seja feito apenas com indicação médica e quando a opção pelo parto normal represente risco para a saúde da parturiente e do bebê.


Em 2018, a OMS publicou um guia para incentivar a redução na quantidade de cesarianas em todo o mundo, com a meta de que se chegue a um percentual que não seja superior a 15%. No Brasil, a taxa de partos cirúrgicos do SUS é de 40%, enquanto na rede particular chega a 84%. Conforme dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, o Brasil possui a segunda maior taxa de cesáreas do planeta, 55,6% do total de partos, atrás apenas da República Dominicana (58,1%). 

Procedimento arriscado


Uma das entidades contrárias à nova lei é a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp). 


“A cesárea traz mais risco de morte materna, mais risco de hemorragia, de infecção, de mais sequelas para futuras gestações da mulher. É por isso que os países que têm as mais baixas taxas de mortalidade materna, como a Noruega, Suécia e Dinamarca, encontram-se com taxa de cesárea de 12% a 15%, e acham um percentual alto. Uma lei como essa vem na contramão de todo o trabalho para reduzir as taxas de cesárea, tanto no âmbito privado quanto no âmbito público”, avaliou, ao O SÃO PAULO, o obstetra André Malavasi, diretor da Sogesp. 


Para o médico, o único ponto benéfico da nova lei é a garantia de que a gestante possa receber analgesia durante o trabalho de parto. “Muitas vezes, por medo da dor, a mulher opta pela cesárea, que é uma cirurgia de médio porte, quando, na verdade, ela deveria estar recebendo uma analgesia para esta dor”, comentou, defendendo, ainda, que se promova a visita prévia da gestante ao hospital onde dará à luz, e a ela seja informado o direito de, no momento de uma contração dolorosa, receber uma analgesia farmacológica, popularmente conhecida como anestesia, ou contar com métodos não farmacológicos, como acupuntura ou massagens, por exemplo. 

Prejudicial ao bebê
Malavasi também alertou sobre os prejuízos que a cesárea traz ao bebê, como o acúmulo de mais líquido nos pulmões, pelo fato de não sofrer a compressão da bacia pélvica da mãe, como se dá no parto normal. Também pode haver problemas decorrentes da dificuldade de ingestão do leite materno.


“O bebê que nasce de cesariana tem uma pega de amamentação de qualidade inferior à criança que nasce de parto normal. Isso pode fazer, em alguns casos, que a mãe desista de amamentar. Sem a amamentação, a criança é mais propensa a infecções, a ter desnutrição e outras complicações, como um retardo do desenvolvimento neuromotor”, detalhou à reportagem. 

Sem estrutura para mais cesáreas?
O obstetra também avaliou que, com a nova lei, haverá aumento na quantidade de cesáreas no SUS: “Não haverá leito nem para as parturientes nem para os recém-nascidos, especialmente na rede pública. Não existe hoje uma estrutura no serviço público que dê conta de um aumento no número de cesáreas. Além disso, deve-se considerar as complicações que haverá, já que uma parte desses partos pode evoluir para infecção, as  pacientes precisarão ser internadas para tratamento ou para fazer uma nova cirurgia”. 


O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, garantiu, na cerimônia de sanção da lei, que a rede pública de saúde em São Paulo está preparada para um eventual crescimento do número de cesáreas, mas considerou ser precoce prever um grande aumento: “Hoje, temos 43% de cesáreas [na rede pública estadual]. Dizer que vai para 60%, 65%, eu não acredito”. 


Doria também garantiu que a rede pública de saúde estadual está preparada para mais cesáreas, porém assegurou que a lei não tem o objetivo de incentivar esse procedimento. “A ideia não é que se faça a cesárea indiscriminadamente, mas que ela seja uma opção. O ideal é que, tanto quanto possível, o parto seja natural, comprovadamente melhor para a mãe e o bebê. A analgesia peridural é uma forma de a mulher vivenciar a experiência de ser mãe de maneira mais humana e indolor, com mais conforto e, o melhor, na companhia do pai do bebê ou outro acompanhante de sua escolha”, afirmou. 

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Surto de sarampo preocupa autoridades em São Paulo

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15 de agosto de 2019

O número de casos de sarampo no Brasil não para de subir. Segundo o Ministério da Saúde, 43 cidades dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia estão com surtos ativos da doença. 


Em São Paulo, o balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde mostra que até 31 de julho foram registrados 967 casos de sarampo nas cidades paulistas. O número saltou 53% em relação à semana anterior, que tinha 633 registros.


A maioria dos casos é de pessoas de 15 a 29 anos e bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias. Por isso, a campanha de vacinação foi intensificada. Contudo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, apenas 71% do público-alvo foi imunizado. 

HISTÓRICO
Embora no passado fosse considerado algo comum da infância, o sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa. Com histórico de surtos em 2013, em Pernambuco, e em 2014, no Ceará, o Brasil recebeu em 2016 o Certificado de Eliminação do Sarampo, emitido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), após o controle dos surtos com as medidas de bloqueio vacinal. 


No entanto, a partir de 2018, alguns casos começaram a vir da Venezuela, causando surtos nos Estados do Amazonas e Roraima, regiões onde a cobertura vacinal estava muito abaixo dos 95% recomendados. Com isso, o Pará também registrou aumento de casos em janeiro de 2018, e agora a doença tem se espalhado de forma muito rápida, o que levou o Brasil a perder o certificado emitido pela Opas.  

VACINAÇÃO
Para evitar o crescimento do surto, desde 10 de junho acontece uma campanha de vacinação nas regiões onde há aumento de casos. A campanha, que já havia sido lançada na Capital Paulista, em Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul, também passou a abranger as cidades de Barueri, Carapicuíba, Diadema, Mairiporã, Mauá, Santana de Parnaíba, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Taboão da Serra, todas na região metropolitana.


A campanha, que termina na sexta-feira, 16, prevê a vacinação de 4,4 milhões de jovens, de 15 a 29 anos, em todo o Estado, 2,9 milhões só na Capital. Além das unidades básicas de saúde, a vacinação também está acontecendo nas creches e escolas da rede pública estadual e municipal, para alunos e funcionários. 


O Ministério da Saúde pediu que bebês de 6 meses a 1 ano tomem vacina, em caso de viagem para cidades com surto da doença, com antecedência de 15 dias. 

INFORMAÇÕES 
Roberta de Castro, especialista em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal Fluminense, afirmou que a única forma de se prevenir do sarampo é por meio da vacinação: “Na rede pública, são utilizadas vacinas tríplices que protegem, inclusive, contra rubéola e caxumba. No caso de crianças com menos de 1 ano de idade, os pais devem evitar levá-las para ambientes aglomerados”, recomendou. 


 A Médica explicou, ainda, que as doses da campanha e dos bloqueios vacinais não substituem as do calendário de imunização nacional, pois são um reforço pontual. Ela ressaltou que os pacientes que não conhecem o histórico de vacinas também devem ser vacinados. “Para amenizar o risco de novos casos, todas as pessoas devem procurar a vacinação, especialmente as crianças pequenas e a população de 15 a 29 anos”, disse. 


Roberta também chamou a atenção para o hábito de não vacinação que tem se propagado entre algumas famílias. “Há pessoas que propagam informações sobre a não eficácia da vacina e acabam defendendo a ideia de que as vacinas causem efeitos colaterais sérios. Porém, esses efeitos são raros, e as complicações que podem ser ocasionadas pelo sarampo são muito maiores que qualquer efeito colateral da vacina”, reforçou. 

SINTOMAS
Os primeiros sintomas do sarampo podem incluir febre, tosse e coriza, como se fosse um resfriado. A perda de apetite também se manifesta e surgem manchas esbranquiçadas na boca, como se fossem grãos de sal. Após os primeiros sintomas, muitos pacientes apresentam conjuntivite (olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia), manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham para o corpo, além de dor de garganta.

COMPLICAÇÕES
As complicações mais comuns ocorrem em crianças e pacientes que estão comprometidos imunologicamente. A diarreia é a mais frequente, porém o sarampo também é capaz de causar otite aguda, pneumonia, hepatite e inflamações no cérebro. 

TRATAMENTO
A Especialista afirmou que não há um tratamento específico para o sarampo. Repouso e ingestão de líquidos é bastante importante, além de medicamentos para dor e febre. “Os casos que forem reconhecidos como sarampo devem ser isolados em casa de 4 a 6 dias após o início da erupção”, enfatizou a Médica.

(Com informações de pebmed.com.br)

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Bebês devem ser imunizados contra o sarampo em 39 cidades de SP

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12 de agosto de 2019

A partir desta segunda-feira (12), São Paulo vai vacinar contra o sarampo bebês com idade entre 6 meses a menores de 12 meses de 39 cidades paulistas que registraram casos da doença. A lista de municípios pode ser conferida abaixo.

Vale lembrar que a medida também inclui a aplicação de doses em crianças nessa faixa etária que vão se deslocar para essas cidades. Nesses casos, a vacinação deve ser feita pelo menos 15 dias antes das viagens.

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, rubéola e caxumba. A aplicação da chamada “dose D” tem o objetivo de proteger as crianças e não será contabilizada no calendário nacional de vacinação. Ou seja, os pais ou responsáveis deverão levar as crianças aos postos para receber a tríplice viral aos 12 meses e também aos 15 meses para aplicação do reforço com a tetraviral, que protege também contra varicela.

Após a aplicação da “dose D”, é preciso aguardar pelo menos 30 dias para aplicação da tríplice aos 12 meses, como prevê o calendário. A relação dos municípios com indicação será atualizada semanalmente, com base na situação epidemiológica. Se necessário, novas cidades serão incluídas na estratégia.

Casos

As notificações entre crianças menores de 12 meses de idade representam 13,6% dos 967 casos existentes no Estado hoje. É importante frisar que 80% do total de casos se concentram na capital, com 778.

Paralela a essa nova medida, segue a campanha de vacinação contra sarampo focada em jovens de 15 a 29 anos em 15 municípios da Grande São Paulo. Desde 10 de junho, 1,2 milhão de pessoas nessa faixa etária foram imunizadas. A meta é vacinar 4,4 milhões até o dia 16 de agosto, data de encerramento da campanha.

Relação das cidades que requerem imunização de bebês de 6 meses a menores de 12 meses:

Atibaia
Barueri
Caçapava
Caieiras
Campinas
Capital – São Paulo
Carapicuíba
Diadema
Embu
Estrela D’Oeste
Fernandópolis
Francisco Morato
Guarulhos
Hortolândia
Indaiatuba
Itapetininga
Itaquaquecetuba
Jales
Jundiaí
Mairiporã
Mauá
Mogi das Cruzes
Osasco
Peruíbe
Pindamonhangaba
Praia Grande
Ribeirão Pires
Ribeirão Preto
Rio Grande da Serra
Santo André
Santos
São Bernardo do Campo
São Caetano do Sul
São José do Rio Preto
São José dos Campos
Sorocaba
Sumaré
Taboão da Serra
Taubaté

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Com empréstimo do BID, Prefeitura estrutura melhorias em saúde

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10 de agosto de 2019

Em até cinco anos, os moradores da Capital Paulista devem contar com melhorias nos serviços de saúde, a partir da adoção de inovações tecnológicas, capacitação de profissionais e construção e reforma de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além da inauguração de um hospital municipal. 


Esses são os principais pontos do programa “Avança Saúde São Paulo”, que começou a ser estruturado em 2018, mas só agora dá os primeiros passos. 


Em julho, a Prefeitura conseguiu assinar um contrato de empréstimo de US$ 100 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no qual também se comprometeu a destinar igual montante para o programa, totalizando, assim, um investimento de US$ 200 milhões (R$ 800 milhões), em cinco anos. 


Na semana passada, equipes técnicas da Secretaria Municipal de Saúde participaram de um workshop de três dias promovido pelo BID em São Paulo. Ainda este mês, deve ocorrer a formalização do cronograma de implantação das etapas do “Avança Saúde”. 

Quatro eixos
O programa está estruturado em quatro bases: apoio à modernização, reorganização e integração das redes locais de atenção à saúde; melhoria da eficiência e da qualidade do sistema de saúde; fortalecimento da gestão da informação e incentivo à inovação e ao uso de novas tecnologias em saúde; e administração e validação do projeto. 


“O contrato com o BID também estabelece melhorias de índices e metas de saúde a serem atingidas no setor da Saúde nos próximos cinco anos. Entre elas, redução da taxa de mortes prematuras em decorrência de doenças como Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças coronarianas e diabetes em homens e mulheres. Também é esperado redução do tempo médio de internações hospitalares”, informa a Prefeitura em seu site.

Investimento necessário
Em conversa com jornalistas, em 31 de julho, o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que, apesar de a Prefeitura já gastar com saúde mais do que o mínimo estabelecido pela Constituição e a Lei Orgânica do Município, não tem sido possível atender todas as demandas nessa área. 


Na avaliação do médico Stephan Sperling, especialista em Medicina de Família e Comunidade, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS), os eixos do “Avança Saúde São Paulo” contemplam as principais urgências, e o investimento chega em um momento oportuno.

 “Uma das coisas que mais temos enfrentado no SUS é o subfinanciamento das ações em saúde, em especial após a Emenda Constitucional 95 [que limita os investimentos federais pelos próximos 20 anos, em algumas áreas, como a saúde]. Isso é preocupante, porque o orçamento acaba ficando refém de medidas provisórias, emendas parlamentares e dos gestores”, observou.


Sperling considerou que o ideal é que as ações em saúde sejam estruturadas em projetos de lei e planos de gestão, que transpassem governos e levem à produção de uma política pública em saúde, para que “quando o dinheiro se extinguir, não acabe o projeto e a educação continuada. Deve-se ver o que a Prefeitura tem feito para amarrar uma política que dê sustentabilidade a essas mudanças que vão ocorrer com esse dinheiro, para que não seja um investimento pontual e isolado na rede de atenção à saúde no município”. 

Novas tecnologias e capacitação profissional
Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o programa contempla a aquisição de equipamentos para a rede hospitalar municipal, investimento em tecnologias como prontuário eletrônico, telemedicina e compartilhamento de dados clínicos, além da capacitação de 60 mil funcionários. 


“É por meio das pessoas que trabalham na rede, com foco na integralidade da assistência e na promoção à saúde da população paulistana, que se dará a maior transformação promovida pelo Avança Saúde”, escreveu Edson Aparecido, em artigo publicado no site do PSDB paulista. 


Para Paulo Moura, conselheiro municipal de saúde e membro da Pastoral da Saúde da Arquidiocese de São Paulo, a ampliação do uso da telemedicina – que permite, por meio de computadores, tablets e smartphones conectados à internet, monitorar os pacientes, trocar informações médicas e analisar resultados de diferentes exames em tempo real – “irá enxugar a fila por exames. Há algumas pessoas que hoje estão nesta fila e que não precisariam estar. Vai se dar rapidez àquilo que o paciente precisa”, opinou. 


Sperling enalteceu o fato de o projeto contemplar o uso do prontuário eletrônico. Sobre a capacitação dos profissionais, lembrou que a Prefeitura não precisa reinventar métodos, pois já existem bons projetos oferecidos em âmbito federal: “Soluções mágicas não se sustentam, são mais caras, não atingem o objetivo e acabam virando mais casos para descrever que se tentou mudar alguma coisa na realidade de saúde do município”.  

Ouvir a comunidade local
Paulo Moura acredita que o sucesso do “Avança Saúde São Paulo” passará por uma escuta atenta do governo à população, para saber sobre as urgências específicas de cada região da cidade. 


“Há lugares que, de fato, necessitam de mais uma UBS, em outros não: o que a população, precisa é que sejam dadas condições de qualidade para as unidades que já existem, para que supra o que é indispensável: bom atendimento, atenção básica e todos os meios possíveis de informação para que a população entenda o que é, como, e de que forma ocorre o atendimento em saúde”, comentou. 


Stephan Sperling, assim como Moura, enfatizou que os cidadãos devem participar mais do controle social da saúde. “A população precisa se articular nos conselhos locais, distritais e no conselho municipal de saúde, e aprender a debater para além das questões mais específicas da unidade de saúde e de um projeto que a Prefeitura irá implantar. Deve-se pensar no orçamento municipal e em toda política pública”, avaliou o médico.

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Obesidade no Brasil cresce em 12 anos

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01 de agosto de 2019

A taxa de obesidade no Brasil passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018, conforme dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde, no dia 24.


Foram ouvidas, por telefone, 52.395 pessoas acima de 18 anos, entre os meses de fevereiro e dezembro de 2018, nas 26 capitais do País, mais o Distrito Federal.


Em sete anos, houve um crescimento no índice de obesidade em duas faixas etárias: em pessoas com idades que variam de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos. 


Apesar do aumento significativo de pessoas obesas, os brasileiros têm seguido uma linha de hábitos mais saudável. A mesma pesquisa revelou que o consumo regular de frutas e hortaliças passou de 20% para 23,1%, entre 2008 e 2018, uma variação de 15,5%.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão de, ao menos, cinco porções diárias desses alimentos, cinco vezes por semana. 


Fonte: Agência Brasil

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