Homens são os mais atingidos pelo câncer de pele no Brasil

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14 de novembro de 2019

Com a chegada do período de temperaturas altas, as pessoas ficam mais expostas à radiação ultravioleta (UV) do sol e nem sempre a proteção da pele é feita de forma adequada. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos dessa doença no Brasil. Estima-se que, em 2018, mais de 165 mil casos de câncer de pele não melanoma foram registrados, sendo que mais de 85 mil foram em homens. 
Em dezembro, visando conscientizar a população sobre a importância da prevenção, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove a campanha “Dezembro Laranja”.

OS MAIS ATINGIDOS
O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas e, de acordo com as que forem afetadas, são definidos os diferentes tipos da doença. Os classificados como não melanoma são os mais comuns e têm baixa letalidade. Seus números, porém, são muito altos. Já o melanoma é mais raro, letal e o tipo mais agressivo de câncer de pele, tendo sido registrados 6,2 mil casos em 2019, dos quais 2.920 em homens. 
“A população masculina acaba se expondo mais ao sol. Quando falamos de câncer de pele, lembramos das antigas gerações expostas durante muitos anos na infância. É a atual população, com cerca de 70 ou 80 anos, que hoje possui o maior risco. Os homens dessa geração trabalhavam mais expostos ao sol do que as mulheres, e isso faz com que o índice de câncer de pele em homens seja maior”, explicou, ao O SÃO PAULO, o médico Caio Lamunier, dermatologista responsável pelo tratamento do câncer de pele no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). 

TIPOS 
O não melanoma tem alta chance de cura, desde que seja detectado e tratado precocemente, pois é o tipo mais frequente e de menor mortalidade, mas pode deixar mutilações bastante expressivas se não for medicado adequadamente, uma vez que apresenta tumores de diferentes tipos. O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais, e tem alta possibilidade de disseminação para outros órgãos.
“O melanoma é o câncer de pele que mais mata, sendo responsável por 75% das mortes. Há diversos outros tipos da doença, que, juntos, correspondem a 25% da mortalidade que chamamos de câncer não melanoma. Entre eles, temos o carcinoma e outros tipos de câncer de pele variados”, reforçou Lamunier. 

ATENÇÃO DIÁRIA
O médico alerta que a grande preocupação são as queimaduras solares, que muitas vezes são adquiridas na praia, piscina ou até mesmo no dia a dia. Por isso, como prevenção, deve-se evitar um grande período de exposição ao sol. 
“Como qualquer câncer, quanto antes descoberto, maior é a chance de cura. Se o câncer for descoberto em um estado avançado, a chance de cura diminui. Por isso, sempre que aparecer uma nova lesão, que sangra ou que não cicatriza, deve-se procurar um especialista”, recomendou.

PREVENÇÃO E CUIDADOS
Qualquer pessoa pode desenvolver o câncer de pele, mas aquelas com pele mais claras são mais sensíveis ao sol. A doença é mais comum em pessoas acima de 40 anos e é considerada rara em crianças e pessoas negras, mas, apesar desse índice, a média da idade vem diminuindo com o passar dos anos, tendo em vista que pessoas jovens têm se exposto constantemente aos raios solares.
A principal recomendação para a prevenção do câncer de pele é evitar a exposição ao sol, principalmente nos horários em que os raios solares são mais intensos (entre 10h e 16h), bem como utilizar óculos de sol com proteção UV, roupas que protegem o corpo, chapéus de abas largas, sombrinhas e guarda-sol.
“O câncer de pele tem uma relação íntima com proteção solar e com atividade genética. Os principais fatores de risco são pessoas que têm um histórico familiar ou pessoal de câncer de pele e aquelas mais sensíveis a danos solares ou que se expõem sem proteção, ou têm uma pele clara. A principal medida preventiva é educacional e a proteção solar”, explicou o dermatologista Caio Lamunier.

DESCOBERTA E TRATAMENTO
O diagnóstico do câncer de pele é feito pelo dermatologista por meio de exame clínico. Em determinadas situações, é possível utilizar o exame conhecido como dermatoscopia, que consiste em usar um aparelho que permite visualizar camadas da pele não vistas a olho nu. Em casos mais específicos, é necessário fazer a biópsia.
A cirurgia oncológica é o tratamento mais indicado para tratar o câncer de pele com vistas à retirada da lesão, que, em estágios iniciais, pode ser realizada em nível ambulatorial (sem internação).
“O tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer de pele, da localização, da extensão e da gravidade. Normalmente, 95% do tratamento é cirúrgico, sendo o melhor, pois consegue-se retirar completamente e curar o paciente. Mas nem sempre o tratamento é cirúrgico, pois também são utilizadas quimioterapia, radioterapia ou pomadas. Os tratamentos são muito variados e individuais”, concluiu o dermatologista.

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Hospital promete desligar aparelho que mantém bebê vivo

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14 de novembro de 2019

Um hospital do estado norte-americano do Texas prometeu remover o ventilador que mantém viva uma criança de 9 meses, Tinslee Lewis Sunday, enquanto sua família luta para impedir a morte da menina. 
Tinslee possui uma doença congênita no coração devido ao seu parto prematuro e necessita de um ventilador que a ajude a respirar. Ela é a última vítima de uma lei estadual que permite que comitês de ética de hospitais decidam ou não manter tratamentos em pacientes. O hospital informou em 31 de outubro a decisão de desligar o aparelho e que a família teria apenas dez dias para encontrar um hospital que aceitasse tratar a criança. 
De acordo com fontes próximas ao caso, o comitê do hospital não citou qualquer razão médica para negar o tratamento, mas simplesmente decidiu que, na sua opinião, a qualidade de vida de Tinslee Lewis não era suficientemente boa para continuar o tratamento. 
A mãe da criança pediu a ajuda da Associação Texas Right to Life, uma organização pró-vida do estado norte-americano. A associação disponibilizou um advogado para defender a vida da menina. O intervalo de dez dias dado pelo hospital – previsto, também, naquela lei estadual –, é criticado por não dar tempo suficiente à família para procurar um outro hospital ou assistência jurídica. 
Horas antes do momento marcado para o desligamento dos aparelhos, o advogado conseguiu uma medida judicial que obrigou o hospital a manter o tratamento até, pelo menos, o dia 22 deste mês, quando foi marcada uma audiência pública para o caso.  
Fontes: The Texan/ NBC

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Amor além da pele

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12 de novembro de 2019

A pele é o maior órgão do corpo humano, por meio do qual as pessoas são percebidas pelas outras e podem ter um contato sensorial com o mundo exterior. Contudo, há pessoas que são praticamente invisíveis aos olhos da sociedade, justamente por causa da sua pele. São as vítimas das genodermatoses, doenças genéticas raras que afetam a pele e, por vezes, órgãos e sistemas. 

Atualmente, são conhecidas cerca de 300 doenças desse tipo. Elas podem ser congênitas ou manifestar-se ao longo dos primeiros anos de vida, e não têm cura. Seu tratamento consiste apenas em amenizar o sofrimento e o desconforto, buscando garantir o mínimo possível de qualidade de vida. 

Por essa razão, as vítimas dessas doenças, a maioria crianças e adolescentes, geralmente vivem isoladas em suas casas, de onde saem apenas para ir ao hospital. Isso se deve, em grande parte, ao preconceito e falta de informação da população a respeito das genodermatoses, que, muitas vezes, são confundidas com doenças contagiosas, fazendo com essas pessoas sejam tratadas como os “leprosos” da Antiguidade. 

Com o objetivo de combater o preconceito contra os portadores de genodermatoses e articular ações que promovam a melhoria de sua qualidade de vida, nasceu a Casa Santa Teresinha, inaugurada no dia 1º de outubro, fruto de uma história iniciada há nove anos. 

HISTÓRIA

Tudo começou quando a médica dermatologista Régia Patriota resolveu fazer um curso de fotografia em 2011. Para concluí-lo, ela produziu uma série de fotografias que deu origem à exposição “Além da Pele: a Beleza da Alma e da Família”, na qual retratou cenas de relação de amor e carinho de mães com seus filhos portadores de genodermatoses. 

“Meu objetivo era dar visibilidade a essas pessoas, romper com o preconceito, devolver a autoestima às vítimas dessas doenças e mostrar o amor das famílias que enxergam além da enfermidade”, explicou Régia ao O SÃO PAULO

Após conhecer o drama vivido por aquelas famílias, a médica sentiu que era preciso fazer algo por elas. Católica, a dermatologista procurou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, para manifestar esse desejo, e ele a abençoou e a incentivou a seguir em frente com o propósito.  

Então, em 2013, Régia reuniu um grupo de pessoas de diferentes áreas profissionais e fundou o Instituto Brasileiro de Apoio aos Portadores de Genodermatoses (Ibagen), do qual ela é presidente. 

ENTIDADE

Contudo, ainda faltava um lugar para desenvolver as atividades da entidade. Chegaram a alugar uma casa, no bairro de Santa Cecília. O imóvel, porém, era pequeno e logo não conseguia mais acolher a demanda de pacientes. 
“Foi quando conhecemos o publicitário Nizan Guanaes, devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se tornou o nosso grande benfeitor. Então, iniciamos a procura de uma nova sede. Não foi fácil. Até que conseguimos um local exatamente ao lado da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Higienópolis”, relatou a médica. 

Nizan pediu ajuda a seu irmão, André Guanaes, que administra o Instituto Sócrates Guanaes, organização sem fins lucrativos voltada à área da saúde, que auxiliou o Ibagen no início da implantação do projeto. Além disso, o publicitário atua na captação de recursos, criando uma verdadeira corrente de solidariedade para a manutenção da obra. 

ATIVIDADES

A Casa Santa Teresinha oferece atendimento complementar às crianças, adolescentes, jovens e adultos que fazem tratamento no Instituto da Criança, Hospital das Clínicas e Santa Casa de Misericórdia, por meio de uma equipe multidisciplinar nas áreas de Dermatologia, Psicologia, Assistência Social, Fisioterapia, Nutrição, cuidados com curativos. 

“A casa foi equipada com espaços para atividades lúdicas, como brinquedoteca e área de leitura infantil, e de inclusão social, por meio de aulas de dança, teatro, música, idiomas, e, futuramente, a capacitação profissional. O objetivo maior é a inclusão social por meio da inserção na vida da comunidade”, acentuou a presidente da entidade.

ALÍVIO

Leila Samara de Souza, 38, é uma das mães que sonhavam com espaços como a Casa Santa Teresinha para poder acompanhar seu filho, Sidney Francisco de Souza, 18, portador de epidermólise bolhosa. Quando perguntada sobre a maior dificuldade para lidar com a doença do filho, ela foi enfática na resposta: “Todas!”. 

“É muito sofrimento: além do problema de pele em si, há complicações decorrentes da doença, como dificuldade para se locomover e no seu próprio desenvolvimento”, acrescentou Leila. 
Sidney chegou a estudar em uma escola pública de seu bairro, contudo por pouco tempo, pois a instituição de ensino ficava longe de sua casa e a mãe não tinha condições de pagar transporte escolar para levá-lo. Diante de realidades como estas, a Casa Santa Teresinha também auxilia na conscientização sobre as políticas públicas e direitos que os portadores de genodermatoses têm, como, por exemplo, a rede de transporte municipal gratuita.

ESPERANÇA

Manuella Luz Mussadis de Macedo, 6 meses, também tem epidermólise bolhosa, que só foi diagnosticada no momento do parto. “Ela nasceu sem a pele das pernas, pescoço, cotovelo, algumas partes das mãos e pés. Nem mesmo os médicos conhecem essa doença. Tanto que a médica que fez o parto disse que nunca tinha visto um caso assim”, contou a mãe da bebê, Jackelline Vasilios Mussadis, 25. 

Após 50 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Manuella continua o tratamento em casa, que se resume a paliativos para tentar amenizar a dor e o sofrimento. Para Jackelline, tudo é muito recente, e a inauguração da Casa Santa Teresinha foi providencial. 
“É muito bom haver um lugar em que alguém saiba o que é epidermólise bolhosa. Aqui tenho a oportunidade de conhecer outras mães que enfrentam a mesma realidade que eu e já têm seus filhos grandes. Isso alimenta a nossa esperança de que é possível amenizar o sofrimento de nossas crianças. Essa troca de experiências me dá forças para enfrentar esse desafio, que eu sei que será para a vida toda”, afirmou a mãe de Manuella. 

SUPERAÇÃO

Augusto Francisco da Silva, 27, é um exemplo de superação. Portador do tipo mais grave de ictiose, ele hoje dá palestras para ajudar crianças e adolescentes a aceitar a doença e a lidar com o preconceito. 
“Um dos maiores desafios para enfrentar essas doenças é o complexo de rejeição, além da dificuldade de entender o que acontece com elas. Muitas vezes, essas pessoas não sabem lidar com a frustração causada pela rejeição”, destacou o jovem. 

Ainda segundo Silva, a partir do momento que recebeu o atendimento adequado, ele pôde compreender como lidar com o preconceito, e o tratamento começou a ter mais efeito. “Os resultados são bastante positivos, os dermatologistas que me acompanham estão bastante otimistas. Quando nos conhecemos melhor e aceitamos quem somos, o tratamento tem sentido e nossa vida passa a ter um novo significado”, completou.  


CARIDADE ORGANIZADA

A inauguração da Casa Santa Teresinha aconteceu durante a festa da padroeira e contou com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, que abençoou as instalações. Na ocasião, ele destacou que a entidade é uma oportunidade para os cristãos refletirem sobre sua reação diante do sofrimento do próximo. “Aqui temos uma grande e bela ocasião de pôr em prática o Evangelho”, afirmou.

O Cardeal enfatizou, ainda, que esse é o sentido das obras caritativas da Igreja. “A caridade organizada, além de ser expressão coletiva do amor ao próximo, é ocasião para que muitos se unam para fazer o bem.”

A presidente da Casa Santa Teresinha explicou que a entidade está em fase de implantação e agora começa a atender o público gradativamente. Ela reforçou que para a obra continuar é necessária a generosidade das pessoas. Nesse sentido, ressaltou o apoio dado pelos frades carmelitas descalços, responsáveis pela Paróquia Santa Teresinha, que mobilizam a comunidade para a arrecadação de doações materiais. 

Além da doação financeira, a entidade necessita de pessoas que possam doar o seu tempo. O voluntariado também ajuda na redução de custos para a manutenção dos trabalhos, uma vez que boa parte da receita é destinada aos recursos humanos. 
 

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O futebol em campo na luta contra o câncer de mama

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01 de novembro de 2019


O futebol entrou em campo para mobilizar suas torcedoras sobre a prevenção ao câncer de mama no contexto do Outubro Rosa. Diversas iniciativas para exames gratuitos, consultas, acompanhamento e até doação de cabelos foram promovidas pelos clubes paulistas.
A Federação Paulista de Futebol (FPF), em parceria com a ONG Meninas de Peito, realizou a campanha “Marque Esse Gol”, que disponibilizou, durante o mês de outubro, nos arredores dos estádios do São Paulo, Santos, Guarani, Ponte Preta e Botafogo de Ribeirão Preto (SP), unidades móveis de atendimento à mulher, equipadas para realizar mamografias e exames complementares gratuitos e conscientizá-las sobre a importância do diagnóstico precoce, para uma maior eficácia do tratamento.

AMAR O CLUBE E A VIDA 
O Corinthians também participou do Outubro Rosa, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e o Hospital Santa Marcelina. Uma carreta ficou estacionada em frente à Arena Corinthians para que as mulheres pudessem realizar a mamografia gratuita. Caso fosse detectado alguma anormalidade, as pacientes eram encaminhadas para o Hospital Santa Marcelina, para uma avaliação minuciosa e outros exames. 
“A importância dessa campanha é que ela é a favor da vida, do diagnóstico precoce e da orientação para essas mulheres. Nós conseguimos conversar com elas enquanto aguardam para fazer os exames e orientamos sobre a importância de fazer o autoexame. Elas saem daqui e nos dizem o quanto aprenderam coisas sobre o câncer de mama que elas não sabiam”, disse ao O SÃO PAULO Eliane Pegoraro, coordenadora do voluntariado do Hospital Santa Marcelina.
Para realização da mamografia, as mulheres precisavam fazer um cadastro pela internet. Em apenas três dias, 34 mil se inscreveram. Foram realizados 65 exames diariamente. No sábado, 26, para encerrar a campanha, o Corinthians promoveu uma caminhada que saiu do Hospital Santa Marcelina e foi até a Arena Corinthians, onde aconteceram diversas atividades.

MULHERES AMPARADAS 
Segundo Eliane, existem muitos casos de pacientes que descobriram a doença por meio dessa parceria realizada desde 2015. O grande diferencial da campanha é o apoio oferecido pelos médicos e pelo voluntariado que fornecem o suporte e acompanhamento desde a primeira consulta até o tratamento e cirurgia, caso necessário. Um grupo de apoio também oferece palestras e oficinas após o tratamento. 
“Não adianta apenas oferecer a mamografia e, caso haja alguma alteração nos exames, deixar a mulher desamparada. Nessa campanha, em parceria com o Hospital Santa Marcelina, a mulher tem um respaldo para o tratamento. Caso ela tenha alguma alteração, é acolhida pela médica, que faz exames e realiza todo o acompanhamento o que for preciso”, concluiu Eliane. 

DOAÇÃO DE CABELOS
O Palmeiras também promoveu iniciativas para prevenção do câncer de mama durante o mês de outubro. No dia 16, na partida contra a Chapecoense, no Allianz Parque, os jogadores entraram em campo com 11 mulheres que estão em tratamento contra a doença. Do lado de fora do estádio, uma tenda foi montada para as pessoas doarem cabelos para confecção de perucas a pacientes em tratamento do câncer, que foram direcionadas para a ONG Cabelegria.
A equipe de futebol feminino também participou da campanha nas redes sociais por meio de várias iniciativas. Desde 2015, o Palmeiras promove ações para mostrar a importância do Outubro Rosa, além de ofertar exames gratuitos que já ajudaram diversas pessoas a descobrir a existência do tumor. 
 

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Para regulamentar as pesquisas clínicas com seres humanos

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25 de outubro de 2019

Diante do diagnóstico de uma doença incurável, surge, de repente, o convite para participar de uma pesquisa clínica. Muitos dizem sim à proposta, com a esperança de cura, e muitas vezes nem pensam nas consequências futuras do tratamento, que podem ser negativas.
Para proteger os pacientes nessas situações, há em muitos países sistemas de regulação ética e legal para tais pesquisas. No Brasil, existem decretos e portarias a respeito do tema, mas se tem buscado a construção de uma legislação específica. Nesse sentido, já tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 7082/17, que tem a meta de orientar as pesquisas clínicas com seres humanos, assegurando direitos e princípios éticos na relação entre o pesquisador e o paciente, além de conferir agilidade na análise e no registro de medicamentos no País.
O texto, originário do Senado e que já sofreu alterações na Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara, está sendo analisado pelos deputados na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), que, no dia 16, realizou uma audiência pública. 

RESPEITO AO PACIENTE
Um dos pontos centrais do projeto de lei é que o participante da pesquisa clínica só o fará por “consentimento livre e esclarecido”, ou seja, precisará manifestar por escrito a vontade de colaborar com o estudo científico, após ter sido informado sobre todos os aspectos envolvidos. Crianças, adolescentes e pessoas incapazes só poderão participar caso a pesquisa não possa ser aplicada em adultos. 
Também será assegurado o anonimato e a privacidade ao participante, bem como sigilo de informações e o direito de desistir de colaborar com o estudo a qualquer momento. Ele não receberá qualquer remuneração pela participação, e, no caso de eventuais danos, se prevê que a indenização seja feita pela instituição que patrocina a pesquisa clínica. 

CONTROLE DAS AÇÕES
Atualmente, a realização de ensaios clínicos com medicamentos no Brasil precisa ser previamente aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) – há mais de 850 deles no País – e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). No caso do uso de medicamentos e produtos fabricados fora do Brasil, é necessária, ainda, uma autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
O projeto de lei prevê a criação do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa Clínica com Seres Humanos, formado por uma instância nacional, com função normativa e administrativa – atribuição que deverá ficar a cargo da Conep –, e uma instância local, responsável pela aprovação prévia da pesquisa e por assegurar direitos e o bem-estar dos participantes, tarefa que caberá aos CEPs.  

AGILIDADE NOS PARECERES 
Com a futura legislação, também se buscará dar celeridade para o início das pesquisas clínicas. Antoine Souheil Daher, presidente da Federação Brasileira de Associações de Doenças Raras (Febrararas), alertou, na audiência pública, que a demora para o registro de novas terapias na Anvisa pode ser determinante para o óbito dos pacientes ou para que o tratamento comece a tempo de surtir efeito. 
Também para o oncologista Romualdo Barroso de Souza, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, ter o menor tempo de espera possível é fundamental “quando estamos diante de um paciente com uma doença incurável, com uma doença rara [aquelas que incidem, em média, em até 65 pessoas em um grupo de 100 mil habitantes]. Vários pacientes precisam de celeridade nos processos de investigação biomédica para que tenham uma chance de acesso a medicações efetivas contra suas enfermidades.” 
O texto do PL 7082/17 indica que estes pareceres devem ser feitos em até 30 dias, a partir da apresentação de todos os documentos necessários. 

E QUANDO A PESQUISA ACABAR?
Um dos pontos sob os quais ainda não há amplo consenso é se caberia ao pesquisador ou financiador da pesquisa clínica garantir gratuitamente e de modo ininterrupto o tratamento para o participante do estudo que esteja obtendo melhoria em sua condição clínica. 
“Acredito que se deva manter a medicação, pois a pessoa ajudou a testar aquele medicamento. Portanto, ela deu uma contribuição ao patrocinador e ao conjunto da sociedade. Essa situação não tem trazido prejuízos substanciais para as pesquisas no País. Imagine uma pessoa com câncer: ela entra na pesquisa, melhora, mas passados dois anos a pesquisa acaba, e vai se fazer o quê? Mandar a pessoa se virar? Seria uma desumanidade”, enfatizou Jorge Alves de Almeida Venâncio, coordenador da Conep. 
Já para Regina Próspero, vice-presidente do Instituto Vidas Raras, essa obrigatoriedade poderá impor dificuldades para que se consiga financiadores. Ela defendeu que passado o período da pesquisa clínica e comprovada a eficácia do tratamento, que o Governo Brasileiro regulamente o medicamento para que possa ser comercializado. 

ATRAENTE PARA OS FINANCIADORES 
Segundo dados da Anvisa, 90% dos estudos clínicos no Brasil em 2018 foram patrocinados por empresas estrangeiras. 
Paulo Fernandes, da Associação Brasileira das Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (Abraco), ressaltou que a aprovação do PL 7082/17 deixará o País mais competitivo no cenário da pesquisa mundial, já que atualmente apenas 2,1% do total de estudos clínicos no mundo são realizados no Brasil. “No campo da segurança jurídica, de previsibilidade, o projeto de lei vai conferir a todos os atores envolvidos um arcabouço legal que garanta responsabilidades bem delimitadas”, avaliou.
Para Valdiléa Gonçalves Veloso dos Santos, diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, uma vez que o Ministério da Saúde reconheça a importância de uma pesquisa, deve se prever na futura lei “um dispositivo que permita que a instituição colaboradora, responsável pela pesquisa no País, possa assumir a responsabilidade e isentar o financiador de ser obrigado a cobrir indenização ou de manter a medicação por cinco ou mais anos”. 

(Com informações da revista de Associação Médica Brasileira, Anvisa e Câmara Notícias)

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Sábado será "Dia D" de vacinação contra o sarampo

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18 de outubro de 2019

Neste sábado (19), será realizado em todo o país o “Dia D de Vacinação contra o Sarampo”. A data é uma mobilização para estimular pessoas a se imunizarem contra a doença, cujos casos vêm crescendo no país nos últimos meses. Postos de saúde estarão abertos para receber os interessados em se proteger contra o sarampo ou que não tenham tomado todas as doses.

O “Dia D” faz parte da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, lançada no dia 7 de outubro pelo Ministério da Saúde, em parceria com secretarias estaduais e municipais.

A mobilização nacional de amanhã integra a primeira fase da campanha, até 25 de outubro, voltada a crianças com idade entre seis meses e 4 anos. Os bebês de até um ano apresentam coeficiente de incidência da doença de 92,3 a cada 100 mil habitantes, 12 vezes maior do que as demais faixas.

Na segunda etapa, programada para o período entre 18 e 30 de novembro, o foco será em pessoas de 20 a 29 anos. Essa faixa inclui a maioria do número de casos confirmados da doença, com 1.694, embora com coeficiente menor (13,2 casos a cada 100 mil habitantes) devido ao número de brasileiros nessa faixa de idade.

Devem ser vacinados os bebês de seis meses a 1 ano, que tomarão a chamada “dose 0”. As crianças de 1 a 5 anos devem receber duas doses, uma aos 12 meses e outra aos 15 meses. Em caso de aplicação de apenas uma das doses, é preciso se dirigir aos postos para realizar o complemento da segunda.

O objetivo é vacinar 39 milhões de pessoas ao longo da campanha, cerca de 20% dos brasileiros. Foram disponibilizadas neste ano 60,2 milhões de doses da tríplice viral, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. Para o próximo ano, o ministério anunciou a aquisição de mais 65,2 milhões de doses. O público-alvo será ampliado, abrangendo também as faixas de 50 a 59 anos.

Casos

Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre Sarampo, de janeiro até outubro deste ano já haviam sido confirmados 6.640 casos e seis mortes. No período de 7 de julho a 29 de setembro, foram registrados 5.404 casos confirmados, enquanto 22.564 ainda estão em investigação. Outras 7.554 suspeitas foram descartadas. O período concentrou 81% dos casos confirmados neste ano.

Esses episódios ocorreram em 19 unidades da Federação, sendo a quase totalidade em São Paulo, com 5.228 casos (96,74%), em 173 cidades, principalmente na região metropolitana da capital paulista. Em seguida vêm o Paraná (39 casos, em 10 cidades), o Rio de Janeiro (28, em 9 municípios), Minas Gerais (25, em 8 localidades) e Pernambuco (24, em 8 cidades).

Como os registros estão em municípios específicos, quem quiser mais informações deve buscar a Secretaria de Saúde do estado para saber se a sua cidade está entre os locais de ocorrência da doença. Entre as mortes, cinco foram em São Paulo e uma em Pernambuco.

Sarampo

Causado por vírus, o sarampo é uma doença infecciosa grave, que pode levar à morte. A transmissão ocorre por via aérea, ou seja, quando a pessoa infectada tosse, fala ou respira próximo de outras pessoas.

Mesmo quando o paciente não morre, há possibilidade de a infecção ocasionar sequelas irreversíveis. Quando a doença ocorre na infância, o doente pode desenvolver pneumonia, encefalite aguda e otite média aguda, que pode gerar perda auditiva permanente.

Os sintomas do sarampo são febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, coriza (nariz escorrendo ou entupido) e mal-estar intenso. Quando o quadro completa de três a cinco dias, podem aparecer manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas.

A prevenção ao sarampo, feita por meio da vacinação, é fundamental, já que não há tratamento para a doença. O tipo de vacina varia conforme a idade da pessoa e a situação epidemiológica da região onde vive, ou seja, é necessário levar em conta a incidência da doença no local. Quando há um surto, por exemplo, a dose aplicada pode ser do tipo dupla viral, que protege contra sarampo e rubéola.

Existem ainda as variedades tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela, mais conhecida como catapora). As vacinas estão disponíveis em unidades públicas e privadas de vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece doses gratuitamente em mais de 36 mil salas de vacinação, localizadas em postos de saúde de todo o Brasil.

O governo brasileiro recomenda que pessoas na faixa de 12 meses a 29 anos de idade recebam duas doses da vacina. Para a população com idade entre 30 a 49 anos, a indicação é de uma dose.

Recentemente, o Brasil perdeu o certificado de eliminação da doença. Na semana passada, passaram a apresentar semelhante condição quatro países da Europa: o Reino Unido, a Grécia, República Tcheca e Albânia. De acordo com o ministério, no primeiro semestre deste ano, o Cazaquistão, a Geórgia, Rússia e Ucrânia concentraram 78% dos casos registrados na Europa.

Com informações de Letycia Bond

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Ministério da Saúde registra 570 novos casos de sarampo no Brasil

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20 de setembro de 2019

Nos últimos 90 dias, o Brasil registrou 3.909 casos confirmados de sarampo em todo o território nacional, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo a pasta, houve aumento de 570 casos (85%) em relação ao último boletim epidemiológico divulgado em 12 de setembro

Conforme os registros, há 17 estados na lista de transmissão ativa da doença. Tiveram casos confirmados os estados de São Paulo, do Maranhão, do Piauí, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Pernambuco, do Pará, do Rio Grande do Norte, do Espírito Santo, de Goiás, da Bahia, de Sergipe e no Distrito Federal. A maioria dos casos (97,5%) foi registrada em 153 municípios localizados na região metropolitana de São Paulo. 

Segundo o Ministério da Saúde, R$ 10,5 milhões foram liberados para os estados nesta semana para reforçar ações de imunização da população. 

O ministério também alerta que a vacina é a principal forma de proteção contra o sarampo e informa que a tríplice viral está disponível em mais de 36 mil postos de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil. 

Para interromper o ciclo de transmissão do sarampo, o ministério realizará a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, que será feita em duas etapas. A primeira fase será de 7 a 25 de outubro e terá crianças de 6 meses a menores de 5 anos como alvo. A segunda, de 18 a 30 de novembro, será destinada à população de 20 a 29 anos.

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ANS: planos de saúde de 10 operadoras estão suspensos a partir de hoje

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06 de setembro de 2019

A partir desta sexta-feira (6), 51 planos de saúde de dez operadoras estão com sua comercialização suspensa por determinação da Agência Nacional de Saúde (ANS), em função de reclamações feitas pelos clientes, durante o segundo trimestre. De acordo com a ANS, a medida é resultado do Programa de Monitoramento de Garantia de Atendimento, que monitora a qualidade do serviço prestado pelo setor e atua na proteção dos beneficiários.

Somados, os 51 planos atendem a 278,6 mil beneficiários, que terão mantida a garantia à assistência regular.

Segundo a agência, o programa avalia as operadoras tomando por base as queixas feitas pelos beneficiários nos canais de atendimento da ANS. “O objetivo do programa é estimular as empresas a garantir o acesso do beneficiário aos serviços e procedimentos definidos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde de acordo com o que foi contratado.”

O diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Rogério Scarabel, disse que a suspensão evita que esses planos sejam comercializados ou recebam novos clientes até que comprovem melhoria do atendimento prestado. “As reclamações que são consideradas nesse monitoramento se referem ao descumprimento dos prazos máximos para realização de consultas, exames e cirurgias ou negativa de cobertura. É uma medida importante para proteger quem já está no plano, além de obrigar a operadora a qualificar a assistência prestada."

Paralelamente à suspensão, a agência vai liberar a comercialização de 28 planos de saúde de 11 operadoras. Eles haviam sido suspensos em ciclos anteriores, mas melhoraram os resultados do monitoramento e, com isso, poderão voltar a ser vendidos para novos clientes a partir de hoje.

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Programa Médicos pelo Brasil vai substituir Mais Médicos

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06 de agosto de 2019

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, lançaram na quinta-feira, 1º, o programa Médicos pelo Brasil, que vai substituir o Mais Médicos, criado em 2013, no governo de Dilma Rousseff. O lançamento ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, marcada para as 11h.

O principal objetivo do novo programa continua sendo a interiorização de médicos pelo país, especialmente nas regiões mais remotas e desassistidas. "O programa prevê a priorização da prestação de serviços médicos na atenção primária de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em municípios pequenos e remotos do Brasil, locais de difícil provimento ou alta vulnerabilidade, além de aprimorar o modelo de atendimento médico federal. O programa objetiva também desenvolver e intensificar a formação de profissionais médicos, especialistas em medicina de família e comunidade", afirmou o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, na entrevista diária concedida no dia 30 de julho, a jornalistas.

Uma das principais novidades do Médicos pelo Brasil é a contratação dos profissionais pelo regime de Conslidação das Leis do Trabalho (CLT). Até então, os contratos eram temporários de até três anos. O valor do salário, atualmente em R$ 11,8 mil, também deve aumentar. Estão previstas gratificações de acordo com o local de lotação do médico. A seleção para o programa será feita, segundo o governo, por meio de prova objetiva. O programa também pretende intensificar a formação de profissionais médicos como especialistas em medicina de família e comunidade.

A substituição do Mais Médicos pelo Médicos pelo Brasil deverá ser gradual, respeitando os atuais contratos em vigor. A expectativa é manter as cerca de 18 mil vagas em mais de 4 mil municípios de todo o país.

O governo espera que o novo programa seja mais atrativo na alocação de profissionais médicos em áreas de baixa cobertura de saúde pública. "Eles [Ministério da Saúde] estudaram alguns aspectos que vão favorecer a chamada, a seleção desses novos médicos. Nós estamos bastante esperançosos que isso possa suplantar as dificuldades que nós tínhamos no passado", acrescentou Rêgo Barros.  

Cubanos

A incorporação dos cerca de 1,8 mil médicos cubanos que permaneceram no país, após o fim do acordo com o governo de Cuba, não está prevista no novo programa. "A situação dos médicos cubanos está sendo analisada pelo ministério, buscando alternativas para o seu exercício profissional", disse o porta-voz do governo.

Portaria publicada essa semana pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores regulamentou a residência de cubanos que participaram do programa Mais Médicos no Brasil. A apresentação do requerimento de autorização de residência em território brasileiro deverá ser feita junto à Polícia Federal.

De acordo com a portaria, o imigrante poderá requerer a autorização de residência – que poderá ter prazo indeterminado – no período de 90 dias anteriores à expiração do prazo de 2 anos, previsto para que as autoridades brasileiras concluam o processo de autorização de residência. A autorização de residência implicará na “desistência expressa e voluntária de solicitação de reconhecimento da condição de refugiado”.

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Governo fecha 21 hospitais administrados pela Igreja Católica

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24 de junho de 2019

Milhares de doentes em toda a Eritreia foram privados de cuidados médicos vitais depois do governo ter interditado três hospitais, dois centros de saúde e 16 clínicas, na última semana. As informações chegaram por meio de uma fonte da Igreja Católica local, que informou à Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) sobre o ocorrido.

De acordo com a fonte, as pessoas correm risco de morte caso os serviços não sejam retomados rapidamente, sendo que muitos pacientes expulsos tiveram de percorrer até 25 quilômetros para acessar outra clínica.

O fechamento levou os quatro bispos da Eritreia a condenar a ação por meio de uma carta enviada ao ministro da Saúde da Eritreia, Amna Nurhusein. A carta enfatiza que o programa de confisco, que fechou todas as instalações do serviço de saúde da Igreja Católica, alguns deles com mais de 70 anos de atividade, é “profundamente injusta”.

A carta declara: “Privar a Igreja de cuidar dessas instituições é minar sua própria existência e expor seus trabalhadores à perseguição religiosa. Declaramos que não entregaremos nossas instituições e equipamentos de livre e espontânea vontade”, confirmando o que uma outra fonte local disse: “A equipe de algumas das clínicas se recusou a entregar as chaves para que os soldados invadissem as mesmas”.

O contato da ACN acrescentou: “Nossa mensagem ao governo é simples: deixe-nos em paz. É dever da Igreja cuidar dos doentes, dos pobres e moribundos. Ninguém, nem mesmo o governo, pode dizer à Igreja para não fazer o seu trabalho. Nossas instalações médicas estavam seguindo fielmente as diretrizes do ministério da saúde e, na maioria das vezes, os supervisores do ministério apreciavam muito o trabalho realizado”.

A fonte católica disse que o governo queria ser o único provedor de assistência médica, mas que a maioria das pessoas preferia institutos administrados pela Igreja, já que os serviços estatais geralmente têm equipamentos precários e falta de pessoal, e muitos procuram asilo no exterior. “Ao fornecer esses serviços, a Igreja não está competindo com o governo, mas está simplesmente complementando e auxiliando o que o governo faz”.

Não está claro se o regime pretende reabrir os institutos mais tarde. O contato da ACN disse que os centros de saúde católicos confiscados pelo governo há dois anos continuam fechados até hoje. Ele apelou à comunidade internacional, incluindo o governo do Reino Unido, para pedir ao governo do presidente Isaías Afewerki que procure o caminho da reconciliação.

Sobre a ACN (Ajuda à Igreja que Sofre)

A ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) é uma instituição de caridade católica que auxilia a Igreja por meio de informações, orações e projetos de ajuda a pessoas ou grupos que sofrem perseguição e opressão religiosa e social ou que estejam em necessidade. Fundada no Natal de 1947, a ACN tornou-se uma Fundação Pontifícia da Igreja em 2011.

Todos os anos, a instituição atende mais de 5.000 pedidos de ajuda de bispos e superiores religiosos em cerca de 140 países, incluindo: formação de seminaristas, impressão de Bíblias e literatura religiosa, incluindo a Bíblia da Criança do ACN, com mais de 51 milhões de exemplares impressos em mais de 180 línguas; apoia padres e religiosos em missões e situações críticas; construção e restauração de igrejas e demais instalações eclesiais; programas religiosos de comunicação; e ajuda aos refugiados de conflitos e vítimas de desastres naturais.

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