Conselho Permanente da CNBB se manifesta sobre questões sociais atuais

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02 de novembro de 2017

A CNBB, por meio do seu Conselho Permanente, divulgou na quintafeira, 26 de outubro, durante coletiva de imprensa, em Brasília (DF), três notas nas quais se manifestou sobre a realidade político-social vivida no País; a Portaria 1.129, sobre o trabalho escravo; e a questão da intolerância religiosa.

Indignação com o momento político e social do País

Sobre o atual momento político, a Presidência da CNBB manifestou indignação com a gravidade da realidade político-social vivida no País, que afeta a população e as instituições brasileiras.
“Repudiamos a falta de ética, que há décadas se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros. A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, do Sistema Único de Assistência Social (Suas), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave”, descreve a nota.
O texto afirma também que “a apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares”. Os bispos concluem a nota afirmando que é preciso vencer a tentação do desânimo. “Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados.”

Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho

Sobre a Portaria 1.129, que regulamenta a questão do trabalho análogo à escravidão no Brasil, o Conselho manifestou seu veemente repúdio e considerou que a “iniciativa elimina proteções legais contra o trabalho escravo arduamente conquistadas, restringindo-o apenas ao trabalho forçado com o cerceamento da liberdade de ir e vir”.
No texto, a CNBB afirma que a Portaria permite “além disso, a jornada exaustiva e condições degradantes, prejudicando, assim, a fiscalização, autuação, penalização e erradicação da escravidão por parte do Estado brasileiro”.
Os Bispos recordam ainda que o flagelo do trabalho escravo continua sendo uma realidade inserida no tecido social, e consideram desumana a Portaria: “É um retrocesso que, na prática, faz fechar os olhos dos órgãos competentes do Governo Federal que têm a função de coibir e fiscalizar esse crime contra a humanidade e insere-se na perversa lógica financista que tem determinado os rumos do nosso País. O trabalho escravo é, hoje, uma moeda corrente que coloca o capital acima da pessoa humana, buscando o lucro sem limite.”
A nota recorda, ainda, que, por séculos, vigorou a chaga da escravidão de modo legalizado. “Reconhecendo a importância da decisão liminar no Supremo Tribunal Federal que suspende essa Portaria da Escravidão e somando-nos a inúmeras reações nacionais e internacionais, conclamamos a sociedade a dizer mais uma vez um não ao trabalho escravo.”

‘Vencer a intolerância e o fundamentalismo’

Com o título “Vencer a intolerância e o fundamentalismo”, o Conselho da CNBB também se manifestou sobre os fatos recentes que, “em nome da arte e da cultura, desrespeitaram a sexualidade humana e vilipendiaram símbolos e sinais religiosos, dentre eles o crucifixo e a Eucaristia, tão caros à fé dos católicos”.
Logo no início do texto, recorda-se que “em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé. Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da Criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores”.
Porém, os Bispos reconhecem que, “lamentavelmente, crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. O desrespeito e a intolerância, por parte de artistas para com esses valores, fecham as portas ao diálogo, constroem muros e impedem a cultura do encontro”.

Fonte: CNBB

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