Ao menos 220 cristãos são presos por ‘blasfêmia’

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22 de fevereiro de 2019

Um dos casos mais famosos de perseguição anticristã é o de Asia Bibi, que ficou na prisão durante nove anos por ter supostamente blasfemado contra Maomé. Mas Asia Bibi é apenas um caso entre muitos: atualmente, existem pelo menos 220 cristãos no País presos por crimes de blasfêmia contra o profeta do Islã.

A denúncia foi feita pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, da Itália, que visitou o Paquistão e pôde comprovar a situação dos cristãos presos. Segundo Cecil Chaudhry, diretor da Comissão Nacional de Justiça e Paz, as decisões judiciais demoram cada vez mais porque os juízes “têm medo de errar e também de serem atacados por fundamentalistas” muçulmanos.

Fonte: ACI
 

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Relatório sobre liberdade religiosa mostra que situação se agrava em âmbito mundial

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28 de novembro de 2018

A Suprema Corte do Paquistão revogou no dia 31 de outubro a sentença de morte de Asia Bibi, proferida em 2010. Asia foi a primeira mulher condenada por blasfêmia, pois, segundo a Corte, ela teria insultado o profeta Maomé. 

“Estou feliz que a justiça finalmente tenha sido cumprida. No entanto, diante da atual situação de protestos de grupos extremistas, devido à absolvição de Asia Bibi, peço a Deus que proteja e abençoe Asia Bibi e sua família, mantendo todos os nossos irmãos e irmãs cristãos a salvo aqui no Paquistão”, disse Padre Emmanuel Yousaf, Diretor Nacional da Comissão Católica para Justiça e Paz do Paquistão. 

O caso foi lembrado durante a apresentação do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo, lançado oficialmente em São Paulo, na quinta-feira, 22, no Auditório do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), na Vila Mariana, na zona Sul de São Paulo. O documento também foi apresentado em Roma, Paris, Santiago, Nova York e Madri. 

Publicado há 20 anos pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) – atualmente com uma nova edição a cada dois anos – o Relatório traz uma análise sobre a liberdade religiosa em 196 países, incluindo o Brasil, e abrange não apenas os cristãos, mas todos os grupos religiosos.

Em São Paulo, o lançamento contou com um Painel de Discussão com os convidados: Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo; Iyalorixá Carmen de Oxum, representante das religiões de matriz africana no comitê gestor da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo; e Professor Edin Sued Abumanssur, Doutor em Ciências Sociais e integrante do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP. 

O Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo é uma compilação de análises da situação legal e constitucional sobre a liberdade religiosa em cada um dos 196 países estudados e até que ponto a lei é realmente respeitada neles. Descreve, também, os incidentes de perseguição religiosa registrados em cada nação, que são diferenciados em três categorias e classificados como: 1) Intolerância; 2) Discriminação; 3) Perseguição. Por fim, observase no período em análise (julho de 2016 a junho de 2018) se a liberdade religiosa melhorou, permaneceu igual ou piorou, além de trazer perspectivas futuras. 

O Relatório de Liberdade Religiosa da ACN está disponível pra consulta.

DISCRIMINAÇÃO E PERSEGUIÇÃO

Graves violações à liberdade religiosa foram encontradas em 38 países. E, em 17 deles, prevalece a discriminação com base na fé; enquanto no restante dos 21 países, há perseguição das minorias religiosas e, em alguns casos, até assassinatos. 

De modo geral, o respeito à liberdade religiosa se agravou em âmbito global, sobretudo nos países mais carentes. Em alguns países da África, por exemplo, a liberdade religiosa é ameaçada pelo avanço do islamismo jihadista. 

O Relatório aponta que, no dia 2 de março de 2018, houve uma série de ataques coordenados na capital de Burkina Faso, Ouagadougou, incluindo vários carros e homens-bomba contra a embaixada da França e a sede do Exército burquinense. Houve pelo menos 16 mortos e cem feridos. O “Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos”, liderado por malineses e ligado à Al-Qaeda, reivindicou os ataques. 

“A Igreja Católica em Burkina Faso e nos países vizinhos está há muito tempo promovendo ativamente a paz e a reconciliação. O Cardeal Philippe Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou, apelou para que as pessoas enfrentem a crise de segurança em Burkina Faso com coragem. E explicou: ‘Nesta situação, todos os cidadãos são responsáveis pelo futuro do País’”, relata o texto.

Entretanto, em países como a Índia, há uma preocupação real com o crescimento do “ultranacionalismo” hindu, que, por sua vez, resultou em um declínio acentuado na liberdade religiosa nos últimos dois anos. 

O que acontece no País é que, do ponto de vista legislativo, a conversão está no centro do discurso público. O debate sobre a necessidade de uma lei anticonversão no âmbito federal data, pelo menos, de 1978 e tem estado sempre ligado ao Partido Bharatiya Janata e ao seu antecessor, o Partido Janata. Os líderes do Bharatiya Janata defendem a ideologia de hindutva, segundo a qual a nação indiana é, na sua essência, hindu. Recentemente, ministros do Partido expressaram por repetidas vezes apoio às medidas para “proteger a religião hindu”, aparentemente ameaçada pelo crescimento das minorias religiosas, de muçulmanos e cristãos em particular.

O nacionalismo e o ultranacionalismo em diferentes países foram ressaltados pelo Professor Edin Sued como fatores que têm contribuído consideravelmente para o agravamento da situação em âmbito global. 

Em sua fala, durante o lançamento, o Cardeal Scherer destacou que o Relatório faz parte de uma iniciativa mundial e que os números apresentados são impressionantes. “Estamos num País onde isso não se apresenta como uma situação grave, mas existe sim intolerância religiosa e é bom que se crie uma cultura contra essa intolerância, para que não venha a se aprofundar esse problema, que é claramente contrário aos direitos humanos”, afirmou. Dom Odilo observou ainda que os cristãos são o grupo religioso mais perseguido na atualidade.

 

BRASIL

No início do lançamento do Relatório em São Paulo, falou-se sobre o panorama geral que, no Brasil, mantém as mesmas características dos relatórios anteriores, sobretudo no que se refere à intolerância com as religiões de matriz africana. 

A ACN apresentou dados atuais sobre o processo de reconhecimento da intolerância religiosa que pode ser prejudicado pela crise que o País atravessa. 

A Mãe Carmen de Oxum, representando as religiões afro-brasileiras, disse que “é muito triste ver uma criança levar uma pedrada porque ela está vestida de acordo com a sua religião [citando o caso em que uma menina foi xingada e agredida com uma pedra em junho de 2015, enquanto seguia para um centro espiritualista de Candomblé, na cidade do Rio de Janeiro]. Ninguém quer ser tolerado, nós queremos apenas ser respeitados, ou seja, conviver numa cultura de paz e de liberdade de crença”, afirmou.

O Professor Edis Sued acredita que a liberdade religiosa “é uma das questões prementes vivenciadas hoje no mundo”.  Da mesma forma, lembrou da importância do estado laico como garantidor de liberdade religiosa e não como indiferente à religião. “Quando falamos em estado laico, precisamos matizar um pouco o que chamamos de estado laico. O estado laico foi pensado justamente para garantir o direito de as pessoas professarem a sua fé. Há ainda países em que o Estado é laico, mas há uma religião oficial assumida pelo Estado”, disse ele, ao salientar o fato de que o Estado deve garantir o respeito de as pessoas professarem sua fé, independentemente de qual seja.

MANIPULAÇÃO

Dezenas de pessoas morreram após o ataque contra a Catedral do Sagrado Coração, de Alindao, localizada na República Centro-Africana, alcançando também um campo de refugiados próximo. Dom Juan José Aguirre, Bispo de Bangassou, assegurou que “não se deve só denunciar o massacre dos cristãos”, mas também “perguntar- -se por que aconteceu”. O ataque ocorreu no dia, 15, e entre os falecidos estão o Vigário Geral da Diocese, Padre Abad Blaise Mada, e o Padre Celestine Ngoumbango.

Segundo os meios de comunicação locais, esse ataque contra os cristãos foi perpetrado por ex-rebeldes Seleka das UPC, siglas correspondentes à ‘Unité pour la Paix en Centrafrique’, que são predominantemente muçulmanos e que se enfrentam historicamente com os rebeldes anti-Balaka. As UPCs são milícias que nasceram após uma separação dos rebeldes Seleka e se estabeleceram na região de Alindao, há cerca de cinco anos. 

Dom Juan afirmou que “o evento que provocou o massacre foi o assassinato de um mercenário nigeriano da UPC”, e explicou que a maioria dos membros desse grupo procede de países vizinhos, como o Níger. Os rebeldes da UPC estão instalados na região ocidental da cidade de Alindao, e a missão católica está no leste, onde, segundo explicou o Bispo, “há um campo de deslocados para não muçulmanos, que acolhe aproximadamente 26 mil pessoas”. 

“Todos foram embora, exceto Dom Cyr-Nestor Yapaupa, Bispo de Alindao, e três sacerdotes que quiseram permanecer perto da população. Conversei com eles, estão exaustos, mas tiveram força suficiente para enterrar os dois sacerdotes mártires e as 42 pessoas que foram massacradas no campo de acolhida”, sublinhou. 

O Bispo assinalou que “grupos como a UPC são formados por pessoas que são pagas por alguns países do Golfo e dirigidos por alguns países africanos vizinhos. Entram no Chade por meio de Birao, com armas vendidas à Arábia Saudita pelos Estados Unidos. Querem dividir a República Centro-Africana, alimentando o ódio entre muçulmanos e não muçulmanos. Dessa maneira, podem aproveitar e saquear as riquezas do país, como o ouro, os diamantes e o gado. No entanto, deve-se destacar, sobretudo, que alguns países estrangeiros e não africanos querem usar a República Centro-Africana como porta de entrada para a República Democrática do Congo e o resto do continente, manipulando o islã radical. Esse é o jogo por trás do massacre de Alindao”, declarou.

 

CRISTÃOS PERSEGUIDOS

Estima-se que cerca de 327 milhões de cristãos vivam em países onde enfrentam perseguição religiosa, além dos 178 milhões em países em que a discriminação existe por motivos religiosos. Como resultado um em cada cinco cristãos no mundo vive em países onde há perseguição ou discriminação religiosa. 

O governo chinês destruiu, recentemente, dois santuários marianos no País, apenas um mês após a assinatura de um acordo com a Igreja Católica, por meio do qual os bispos aprovados pelo Partido Comunista foram oficialmente reconhecidos pelo Vaticano. 

Um relatório publicado pela agência Fides, em outubro, mostra que entre 2000 e 2017 morreram 447 missionários católicos: cinco bispos, 313 sacerdotes, três diáconos, dez religiosos, 51 religiosas, 16 seminaristas e 49 leigos.

“A perseguição religiosa se agravou nestes últimos tempos e custa a ser superada em muitos países. Os cristãos são o grupo que mais sofre perseguição. É muito importante que valorizemos e defendamos a liberdade que temos no Brasil e, por outro lado, deve ser feito um trabalho em todo o mundo para que o direito à liberdade religiosa se afirme”, afirmou o Cardeal Scherer à imprensa. 

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Valter Callegari, presidente da ACN, salientou que um dos objetivos do lançamento do Relatório é, em última instância, provocar o debate sobre a liberdade religiosa. Callegari recordou, ainda, situações pontuais recorrentes na América Latina, como a perseguição aos cristãos no México, que, só em 2018, foi responsável pela morte de sete sacerdotes.

(Com informações de ACN, ACI Digital e Mondo e Missione)
 

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300 milhões de cristãos perseguidos no mundo, diz AIS

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04 de dezembro de 2018

Um cristão a cada sete, vive em um país onde a perseguição é uma realidade dramática, para um total de mais de 300 milhões de fiéis que sofrem discriminação e perseguição. São carne e sangue de nossos irmãos na fé os números divulgados pelo XIV relatório da Fundação de direito pontifício "Ajuda à Igreja que Sofre", apresentado na quinta-feira em Roma, na Embaixada da Itália junto à Santa Sé.

 

Cristãos os mais perseguidos

No relatório, que examina o período de junho de 2016 a junho de 2018, emerge o fato de que o cristianismo é a comunidade de fé que sofre, mais do que qualquer outra, formas de opressão e intolerância.

No entanto, as violações da liberdade religiosa em muitas outras confissões também estão aumentando. O estudo apresenta incidentes e episódios significativos que foram coletados e relatados graças ao trabalho dos parceiros do projeto, presentes em mais de 150 países.

São casos de conversões e matrimônios forçados, atentados, sequestros, destruição de locais de culto e de símbolos religiosos, prisões arbitrárias, acusações de blasfêmia, regulamentos para o controle de assuntos religiosos e várias medidas para a limitação do culto público.

 

Violações graves em 38 países

O estudo da AIS identifica, portanto, 38 países em que são registradas violações graves ou extremas da liberdade religiosa. 21 deles são classificados como locais de perseguição: Afeganistão, Arábia Saudita, Bangladesh, Birmânia, China, Coréia do Norte, Eritreia, Índia, Indonésia, Iraque, Líbia, Níger, Nigéria, Paquistão, Palestina, Síria, Somália, Sudão, Turcomenistão , Uzbequistão e Iêmen. 17, por outro lado, são considerados lugares de discriminação: Argélia, Azerbaijão, Butão, Brunei, Egito, Federação Russa, Irã, Cazaquistão, Quirguistão, Laos, Maldivas, Mauritânia, Catar, Tadjiquistão, Turquia, Ucrânia e Vietnã.

 

Situação piorada em muitos países

A situação piorou durante o período em análise em 17 dos 38 Estados assinalados. Em outros - como Coreia do Norte, Arábia Saudita, Nigéria, Afeganistão e Eritreia - a situação se manteve inalterada, porque, segundo a Fundação pontifícia, é tão grave que não pode piorar.

O relatório também reserva sinais de esperança: uma queda brusca das violências cometidas pelo grupo islâmico al-Shabaab, fazendo com que a Tanzânia e o Quênia - anteriormente classificados como "países de perseguição" no período de 2016 a 2018 - voltassem à categoria de "não classificados”.

Depois, há o sucesso de campanhas militares contra o Estado Islâmico e outros grupos hiper-extremistas que de alguma forma "ocultaram" a disseminação de outros movimentos militantes islâmicos em regiões da África, Oriente Médio e África. Ásia.

 

Entre o fundamentalismo e o ultranacionalismo

Em vários países, a perseguição é incentivada e alimentada pelo fundamentalismo de matriz islâmica, mas outra "tendência" definida como "preocupante" é a do aumento do nacionalismo agressivo contra as minorias e, em alguns casos, contra todas as crenças religiosas, degenerado a tal ponto que pode ser definido como ultranacionalismo.

 

O caso da Índia

Este fenômeno tem se desenvolvido de diferentes maneiras, dependendo do país, lê-se ainda no texto, que indica o caso da Índia como "particularmente significativo”, pois relatório após o relatório foram evidenciados cada vez mais atos de violência contra as minorias religiosas, com motivações que incluem claramente o ódio religioso.

As minorias são consideradas - como recentemente declarado por um deputado indiano - "uma ameaça à unidade do país". Estas declarações são indicativas de uma mentalidade nacionalista que identifica o Estado federal exclusivamente com o hinduísmo.

Segundo a AIS, o ultranacionalismo não necessariamente se identifica com uma religião: "Muitas vezes, de fato, ele se manifesta como uma hostilidade geral do Estado em relação a todos os credos e se traduz em medidas restritivas que limitam fortemente a liberdade religiosa". A tal propósito, o relatório recorda que na China ao longo dos últimos dois anos, o governo adotou novas medidas para reprimir grupos religiosos percebidos como resistentes ao domínio das autoridades comunistas.

 

Antissemitismo em aumento no Ocidente

Por fim, o Relatório também ressalta os problemas críticos encontrados no Ocidente. "O período em análise viu um aumento do antissemitismo na Europa, um fenômeno frequentemente ligado ao crescimento do islamismo militante".

"Na França, onde a comunidade judaica é a mais populosa da Europa, cerca de 500.000 judeus, foi registrado um pico bem documentado de ataques antissemitas e de violência contra centros culturais e religiosos judaicos".

A aversão às minorias islâmicas também aumentou significativamente. O período de dois anos analisado também viu uma onda de ataques terroristas no Ocidente, particularmente na Europa. A AIS também aponta que "a maioria dos governos ocidentais não conseguiu fornecer a assistência necessária e urgente aos grupos religiosos minoritários, em particular às comunidades de deslocadas que desejam voltar para casa nas respectivas nações, das quais foram forçadas a fugir".

 

Presença na conferência de imprensa de hoje

Na apresentação do Relatório estavam presentes o embaixador da Itália junto à Santa Sé, Pietro Sebastiani, o presidente da AIS-Itália, Alfredo Mantovano, o presidente executivo internacional da AIS, Thomas Heine-Geldern, e o diretor AIS-Itália, Alessandro Monteduro.

Pronunciaram-se o cardeal Mauro Piacenza, presidente internacional da AIS; Dom Botros Fahim Awad Hanna, bispo copta católico de Minya (Egito); Tabassum Yousaf, advogado do Supremo Tribunal de Sindh e defensor das vítimas de perseguição religiosa (Paquistão) e Marta Petrosillo, porta-voz da AIS-Itália.

 

Manter alta a atenção

O presidente da ACS-Itália Mantovano falou sobre a importância de manter  alta a atenção sobre a liberdade religiosa, porque "a indiferença mata mais do que terrorismo", e salientou que o Relatório encarna a missão de denunciar a perseguição, mas também a de ajudar as Igrejas que sofrem discriminação.

 

Liberdade religiosa refere-se a todos os direitos humanos

O cardeal Piacenza recordou que os cristãos contribuíram para o correto amadurecimento da ideia de liberdade e tiveram um papel não somente em nível religioso, mas também histórico cultural. "De fato, a liberdade religiosa não é um direito dos muitos - acrescentou o cardeal - é antes uma rocha sobre a qual todos os direitos humanos se agarram firmemente, porque se refere à dimensão transcendente da pessoa humana". "Na liberdade religiosa - continuou ele - há liberdade de pensamento e até mesmo a liberdade para se distanciar do elemento religioso".

 

Colocar a liberdade religiosa entre as prioridades da política

O diretor Monteduro, por sua vez, retornou aos dados apresentados no relatório e ressaltou que 61% dos cristãos vivem em países onde a liberdade religiosa não é respeitada, e voltou-se para "um Ocidente analfabeto", pedindo que a liberdade religiosa seja colocada entre as prioridades da política internacional.

O encontro concluiu-se com o testemunho de Dom Hanna, que falou sobre o Egito, onde a liberdade religiosa foi colocada na Constituição, embora na prática ainda exista muito a ser feito para sua plena aplicação, e de Tabassum Yousaf, que falou sobre as dramáticas intimidações sofridas pelos cristãos no Paquistão.

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Relatório de Liberdade Religiosa na Mundo será lançado nesta quinta-feira

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22 de novembro de 2018

O Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo, uma compilação de análises da situação legal e constitucional sobre a liberdade religiosa em 196 países, será lançado pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) nesta quinta-feira, 22, às 20h, em São Paulo, no Auditório do PIME (Rua Joaquim Távora, 686, na Vila Mariana).

Publicado há 20 anos pela ACN – atualmente com uma nova edição a cada dois anos – o Relatório abrange não apenas os cristãos, mas todos os grupos religiosos.

O lançamento terá um painel de discussão com os convidados: Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; Iyalorixá Carmen de Oxum, representante das religiões de matriz africana no comitê gestor da secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo; e professor Edin Sued Abumanssur, Doutor em Ciências Sociais e integrante do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC-SP.

O Relatório também descreve os incidentes de perseguição religiosa registrados em cada nação, que são diferenciados em três categorias e classificados como: Intolerância; Discriminação; e Perseguição. 

Por fim, observa-se no período em análise (julho de 2016 a junho de 2018) se a liberdade religiosa melhorou, permaneceu igual ou piorou, além de informar as perspectivas para um futuro próximo.

Em todo mundo, a apresentação do relatório será acompanhada por uma série de campanhas publicitárias; reuniões de oração e conferências ao redor do mundo, programadas para ocorrer entre 22 de novembro e 4 de dezembro. Neste ano, mais uma vez, vários edifícios públicos emblemáticos serão iluminados em vermelho, a fim de chamar a atenção para a situação das pessoas que sofrem perseguição religiosa.

 

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Papa: nestes tempos o Grande Acusador parece perseguir os bispos

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11 de setembro de 2018

Nestes tempos parece que o Grande Acusador está perseguindo os bispos e portanto, para eles é importante recordar que a sua força é ser homens de oração, saber terem sido escolhidos por Deus e permanecer próximos às pessoas.

Na homilia da missa celebrada esta manhã na capela da Casa Santa Marta, o Papa refletiu sobre esse ministério, inspirando-se no Evangelho de Lucas (Lc 6, 12-19) proposto pela liturgia do dia. A passagem narra que Jesus passa a noite em oração, e depois escolhe os Doze Apóstolos - ou seja, os "primeiros bispos" - e então desce para as planícies e está em meio às pessoas que vêm para ouvi-lo e serem curadas de doenças.

 

Cursos para bispos

Francisco fez esta reflexão sobre a escolha dos bispos como Jesus fez pela primeira vez, também à luz do fato de que, neste período em Roma, estão sendo realizados três cursos para bispos: um de atualização para os bispos que completaram 10 anos de episcopado – concluído nestes dias  - um para 74 bispos que  estão à frente das dioceses de territórios de missão – que portanto fazem referência  à Congregação de Propaganda Fidei - e um com 130-140 bispos que pertencem à Congregação dos Bispos. Portanto, novos bispos: mais de 200 nesses dois cursos.

 

Homem de oração

O primeiro aspecto fundamental é ser homens de oração. A oração é, de fato, "a consolação que um bispo tem nos momentos difíceis" - observa o Papa - isto é, saber que "neste momento Jesus reza por mim", "reza por todos os bispos".

Nessa consciência, o bispo encontra aquela "consolação" e aquela força que o leva por sua vez a rezar por si mesmo e pelo povo de Deus.  Esta é sua primeira tarefa. São Pedro também confirma que o bispo é um homem de oração quando diz: "Para nós, a oração e o anúncio da Palavra". Ele não diz: "Para nós, a organização dos planos pastorais ...", enfatiza Francisco.

 

Um homem que se sente escolhido e é humilde

O segundo aspecto que o Papa ressalta é que Jesus escolhe os Doze e o bispo fiel sabe que não foi ele que escolheu:

O bispo que ama Jesus não é um galgador que segue em frente com sua vocação como se fosse uma função, talvez olhando para outra possibilidade de seguir em frente e de subir: não. O bispo se sente escolhido. E ele tem a certeza de ter sido escolhido. E isso o leva ao diálogo com o Senhor: "Você me escolheu, que sou pouca coisa, que sou pecador ...": tem humildade. Porque ele, quando se sente escolhido, sente o olhar de Jesus sobre a própria existência e isso lhe dá força.

 

Não fica distante das pessoas

Por fim, como Jesus no Evangelho de hoje, o bispo desce a um lugar plano para estar perto do povo e não se afasta:

O bispo que não permanece distante do povo, que não usa atitudes que o levam a estar distante do povo; o bispo que toca as pessoas e se deixa tocar pelas pessoas. Ele não vai procurar refúgio nos poderosos, nas elites: não. Serão as elites que irão criticar o bispo; o povo tem essa atitude de amor para com o bispo, e tem essa  - por assim dizer – esta unção especial: confirma o bispo na vocação.

 

O Grande Acusador quer escandalizar as pessoas

Várias vezes durante a homilia o Papa reafirma que a força do bispo é precisamente ser "homem de oração", "homem que se sente escolhido por Deus" e "homem em meio ao povo":

É bom recordar, nestes tempos, em que parece que o Grande Acusador tenha se soltado e persegue os bispos. É verdade, existem, todos  somos pecadores, nós bispos. Mas, procura desvendar os pecados, para que sejam vistos, para escandalizar as pessoas. O Grande Acusador que, como ele mesmo diz a Deus no primeiro capítulo do Livro de Jó, "vaga pelo mundo procurando como acusar". A força do bispo contra o Grande Acusador é a oração, aquela de Jesus sobre ele e a própria; e a humildade de sentir-se escolhido e de permanecer próximo ao povo de Deus, sem ir em direção a uma vida aristocrática que lhe tira essa unção.

Rezemos hoje  por nossos bispos: por mim, por estes que estão aqui  e por todos os bispos do mundo.

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