Bispos: ‘Tratado de paz deve falhar’

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07 de março de 2019

Um tratado de paz entre o governo e opositores do regime deve falhar porque os problemas básicos não foram tratados. É o que dizem os bispos que se reuniram entre terça, 26, e quinta, 28 de fevereiro. “Tememos que esse acordo de paz é fatalmente falho em si mesmo e não pode trazer a paz verdadeira; tememos também que a liderança atual não tem a disposição necessária para implementar a paz”, afirmaram os bispos.

Os bispos explicam que os políticos continuam a trabalhar pela guerra, e as ações de paz, previstas no acordo, não têm sido implementadas. “As partes não estão criando as condições sustentáveis para a paz que impediriam o desencadear ou retorno do conflito violento mais uma vez”, declararam.

Os bispos também denunciaram as duras condições de vida da população civil no País, desolado pela guerra civil: “O valor da vida humana foi esquecido e os abusos contra os direitos humanos continuam com impunidade, incluindo assassinatos, estupros e violências sexuais desenfreadas, pilhagem e ocupação de terras e propriedades civis”.

Para promover a paz, os bispos propuseram 17 medidas e afirmaram poder participar dos esforços pela paz promovendo o diálogo entre as partes, assegurando que a Igreja “continuará a usar a sua rede de pregação, ensino e pastoral para criar uma atmosfera que conduza à paz e à reconciliação”.

Fonte: CNA

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Cardeal Scherer participa de ato inter-religioso em São Paulo

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15 de dezembro de 2018

Com a temática “Paz e Solidariedade”, aconteceu na manhã da quinta-feira, 13, um ato inter-religioso no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), reunindo membros e servidores da instituição.

Líderes de diferentes confissões cristãs e outras tradições religiosas, como do Islamismo, Espiritismo e religiões de matriz-africana deixaram sua mensagem pela paz e solidariedade, bem como o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que representou a Igreja Católica no ato.

“Este é um dia muito importante, pois nos permite, com o tema paz e solidariedade, ouvirmos os líderes religiosos que são pessoas que inspiram a realizar o nosso trabalho e a nossa vida. Aproximam-nos de Deus e de nós mesmos”, disse o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio, ao abrir o encontro.

Paz e dignidade humana

Dom Odilo destacou que o Natal é um tempo repleto de significados para os cristãos e é um período propício para praticar a solidariedade e reunir as pessoas em torno da mesa, mas que o alimento partilhado não deve ser apenas o físico, mas o espiritual.

“Este momento é sem dúvida alimento para a alma, alimento para o coração. Por isso, fico feliz com a iniciativa e faço votos que se possa continuar neste tempo, que para nós cristãos é a grande festa do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo que também reconhecemos com filho de Deus Salvador”, salientou o Cardeal.

O Arcebispo de São Paulo recordou os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, enfatizou que “a paz está relacionada com a dignidade humana e sem isso a solidariedade seria apenas algo formal."

Promessas de Deus

O Cardeal concluiu recordando que a Igreja celebra em 1º de janeiro o Dia Mundial da Paz. Ele reiterou que o mundo carece de paz e que muitas situações de conflitos têm motivações insignificantes.  

“Nós católicos, neste tempo de Advento, recordamos as promessas de Deus, sua fidelidade com a humanidade – que estamos em caminhada para a realização plena de suas promessas. Jesus, quando veio entre nós, convidou-nos a participar do caminho com Ele, o reino de paz, fraternidade, justiça e solidariedade”, concluiu.

O ato inter-religioso contou ainda com a participação do Canto do Coral do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Coral Somos Iguais, integrado por crianças refugiadas no Brasil.

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Líderes das Coreias assinam acordo pela desnuclearização

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27 de abril de 2018

Os líderes das duas Coreias se reuniram na sexta-feira, 27, pela primeira vez em 11 anos. Kim Jong-un e Moon Jae-in participaram da histórica cúpula na fronteira entre os dois países. “Sul e Norte confirmam seu objetivo comum de alcançar uma península livre de armas nucleares, através da completa desnuclearização.” diz a declaração conjunta assinada pelos líderes, após o termino das conversas.

O relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Tomás Ojea Quintana, disse na quarta-feira, 25, aos Estados envolvidos em negociações pela desnuclearização do país que evitar o tema dos direitos humanos pode comprometer futuros acordos sustentáveis.

“Qualquer acordo de desnuclearização que marginalize os direitos e as necessidades da população norte-coreana será frágil. A paz e a segurança não podem ser alcançadas somente sob a forma de acordos intergovernamentais, mas também, e sobretudo, sob a forma de políticas domésticas que garantam os direitos humanos, sem discriminação”, disse o especialista em comunicado.

Enquanto isso, esforços estão sendo intensificados para uma cúpula entre Coreia do Norte e Estados Unidos no fim de maio. A Coreia do Sul já deu indicações de que preocupações de direitos humanos não estiveram na agenda de sexta-feira. Contudo, para o relator da ONU, a questão deveria voltar ao foco.

“Em linha com o que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, tem defendido, peço que todos os governos interessados defendam os direitos humanos como um mecanismo para a prevenção de conflitos e um dispositivo para a construção da paz”, disse. “A Coreia do Norte tem provado ser um negociador difícil, e se os direitos humanos não forem sequer mencionados neste primeiro estágio de negociações, seria um passo em falso e uma oportunidade perdida”, completou.

(Com informações de ONU Brasil e Agência EFE)

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Em busca da paz, esporte une as Coreias e o mundo

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29 de janeiro de 2018

Após meses de crescente tensão militar entre os dois vizinhos, a Coreia do Norte decidiu retomar o diálogo com a Coreia do Sul, o que não acontecia desde dezembro de 2015. Nesse diálogo histórico, foi revelada a intenção dos nortecoreanos de enviar uma delegação de atletas aos Jogos Olímpicos de Inverno, que terão início em 9 de fevereiro, no condado sul-coreano de PyeongChang. 

“A Trégua Olímpica é tão relevante atualmente como era nos tempos antigos. Mais do que nunca, o mundo precisa do espírito olímpico de paz e solidariedade”, afirmou Thomas Bach, Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

COREIA DO NORTE NOS JOGOS DE INVERNO

No sábado, 20, foi realizada uma reunião entre os representantes dos dois países, na sede do COI, em Lausanne, na Suíça, na qual o Comitê autorizou o envio da delegação de atletas norte-coreanos, por meio da assinatura da “Declaração Olímpica na Península da Coreia”. 

“Os Jogos Olímpicos nos mostram o que o mundo poderia parecer se fôssemos guiados pelo espírito olímpico de respeito e compreensão - essa é a mensagem olímpica que PyeongChang está prestes a transmitir ao mundo”, afirmou Bach. 

A Coreia do Norte enviará 22 atletas, que irão competir em três esportes: esqui, patinação artística e hóquei sobre gelo - que pela primeira vez na história terá uma seleção feminina mista, com atletas dos dois países. Também ficou acordado que os atletas da Coreia do Sul e os da Coreia do Norte marcharão juntos sobre uma mesma bandeira na cerimônia de abertura.

AS COREIAS EM JOGOS OLÍMPICOS

As Coreias que estiveram em guerra entre 1950 e 1953, mais uma vez decidiram se unir pelo esporte. A Coreia do Sul participou pela primeira vez das Olimpíadas em 1948, e enviou participantes em todos os Jogos de Verão desde então, com exceção de 1980, em Moscou, na Rússia. 

Nos Jogos de Inverno, os sul-coreanos participaram de todas as edições desde 1948, com exceção de 1952 em Oslo, na Noruega. Os atletas conquistaram um total de 246 medalhas, somadas as participações nos Jogos Olímpicos. 

A primeira participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Inverno foi em 1964, e a partir de 1972 participou dos Jogos de Verão. O País esteve em quase todos os Jogos, exceto em 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e em 1988, em Seul, capital da Coreia do Sul. 

Já nos Jogos de Inverno, os nortecoreanos não mantiveram a mesma fre- quência, tendo apenas sete participações nas últimas 12 edições. Os atletas conseguiram um total de 43 medalhas, somadas as participações nos Jogos. 

TRÉGUA OLÍMPICA 

A Trégua Olímpica não se limita ao recente diálogo entre as Coreias, mas é uma tradição que tem origem na Grécia antiga, berço dos Jogos Olímpicos em 776 a.C. Junto com os Jogos, surgiu o primeiro tratado de paz que se tem registro, prevendo que sete dias antes e sete dias depois dos Jogos Olímpicos qualquer guerra ou disputa estava proibida. Assim, atletas e espectadores podiam viajar para Olimpíada para participar das festividades e voltar para casa em segurança. 

Em 1896, ocorreram em Atenas os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, por iniciativa do francês Barão Pierre de Coubertin, que esperava que os Jogos ajudassem a fomentar a comunicação e a paz internacional. Foi o renascimento dos Jogos, interrompidos na Grécia antiga.

Uma parceria da ONU com o COI negociou o retorno da tradição da Trégua Olímpica, permitindo, assim, que os atletas da extinta Iugoslávia, que enfrentava uma guerra civil, participassem dos Jogos em Barcelona, na Espanha, em 1992.

“Desde a Antiguidade, o esporte age pela paz. Os Jogos Olímpicos da Antiguidade foram criados, e, para o deslocamento, alojamento e retorno ao lar dos atletas, espectadores e comerciantes, foi instituída a Trégua Olímpica.” afirmou Marcos Wilson, colaborador da Pastoral do Esporte da Arquidiocese do Rio de Janeiro durante os Jogos Rio 2016.

Em outubro de 2015, a Assembleia Geral da ONU aprovou a observação da Trégua Olímpica durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, juntamente com a resolução “Esporte para o desenvolvimento e a paz: construindo um mundo mais pacífico e melhor por meio do esporte e do ideal olímpico”. 

“A resolução foi apoiada por 180 dos 193 países membros da ONU, e teve como fato mais relevante o apelo para a ajuda dos países membros para identificar os atletas de alto rendimento que se encontram em situação de refugiados.” concluiu Marcos Wilson.

(Com informações de G1, Agência Brasil, Univesp, ONU e COI) (Colaborou: Daniel Gomes)
 

 

 

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A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2018

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01 de janeiro de 2018

"Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz" é o tema da Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial da Paz, a ser celebrado em 1° de janeiro de 2018. Eis a íntegra do texto:

"MIGRANTES E REFUGIADOS: HOMENS E MULHERES EM BUSCA DE PAZ

1.     Votos de paz

Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal,[1] é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados.

Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz».[2] E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.

Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.

Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados.

Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração»[3]. Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir.[4]

2.     Porque há tantos refugiados e migrantes?

Na mensagem para idêntica ocorrência no Grande Jubileu pelos 2000 anos do anúncio de paz dos anjos em Belém, São João Paulo II incluiu o número crescente de refugiados entre os efeitos de «uma sequência infinda e horrenda de guerras, conflitos, genocídios, “limpezas étnicas”»[5] que caraterizaram o século XX. E até agora, infelizmente, o novo século não registou uma verdadeira viragem: os conflitos armados e as outras formas de violência organizada continuam a provocar deslocações de populações no interior das fronteiras nacionais e para além delas.

Todavia as pessoas migram também por outras razões, sendo a primeira delas «o desejo de uma vida melhor, unido muitas vezes ao intento de deixar para trás o “desespero” de um futuro impossível de construir».[6] As pessoas partem para se juntar à própria família, para encontrar oportunidades de trabalho ou de instrução: quem não pode gozar destes direitos, não vive em paz. Além disso, como sublinhei na Encíclica Laudato si’, «é trágico o aumento de migrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental».[7]

A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas.

Em muitos países de destino, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus.

Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.[8]

Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz.

3.     Com olhar contemplativo

A sabedoria da fé nutre este olhar, capaz de intuir que todos pertencemos «a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha».[9] Estas palavras propõem-nos a imagem da nova Jerusalém.

O livro do profeta Isaías (cap. 60) e, em seguida, o Apocalipse (cap. 21) descrevem-na como uma cidade com as portas sempre abertas, para deixar entrar gente de todas as nações, que a admira e enche de riquezas. A paz é o soberano que a guia, e a justiça o princípio que governa a convivência dentro dela.

Precisamos de lançar, também sobre a cidade onde vivemos, este olhar contemplativo, «isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças (...), promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça»,[10] por outras palavras, realizando a promessa da paz.

Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos.

Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos «limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido»,[11] isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles.

Quem estiver animado por este olhar será capaz de reconhecer os rebentos de paz que já estão a despontar e cuidará do seu crescimento. Transformará assim em canteiros de paz as nossas cidades, frequentemente divididas e polarizadas por conflitos que se referem precisamente à presença de migrantes e refugiados.

4.     Quatro pedras miliárias para a ação

Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar.[12]

«Acolher» faz apelo à exigência de ampliar as possibilidades de entrada legal, de não repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências, e de equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais. Recorda-nos a Sagrada Escritura: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos».[13]

«Proteger» lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável daqueles que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração. Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas. Deus não discrimina: «O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva».[14]

«Promover» alude ao apoio para o desenvolvimento humano integral de migrantes e refugiados. Dentre os numerosos instrumentos que podem ajudar nesta tarefa, desejo sublinhar a importância de assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução: deste modo poderão não só cultivar e fazer frutificar as suas capacidades, mas estarão em melhores condições também para ir ao encontro dos outros, cultivando um espírito de diálogo e não de fechamento ou de conflito. A Bíblia ensina que Deus «ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário»; daí a exortação: «Amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiro na terra do Egito».[15]

Por fim, «integrar» significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe, numa dinâmica de mútuo enriquecimento e fecunda colaboração na promoção do desenvolvimento humano integral das comunidades locais. «Portanto – como escreve São Paulo – já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus».[16]

5.     Uma proposta para dois Pactos internacionais

Almejo do fundo do coração que seja este espírito a animar o processo que, no decurso de 2018, levará à definição e aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas.

Por isso, é importante que sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz: só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença.

De facto, o diálogo e a coordenação constituem uma necessidade e um dever próprio da comunidade internacional. Mais além das fronteiras nacionais, é possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários.

A Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral sugeriu 20 pontos de ação[17] como pistas concretas para a implementação dos supramencionados quatro verbos nas políticas públicas e também na conduta e ação das comunidades cristãs.

Estas e outras contribuições pretendem expressar o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais das Nações Unidas. Um tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias.

6.     Em prol da nossa casa comum

Inspiram-nos as palavras de São João Paulo II: «Se o “sonho” de um mundo em paz é partilhado por tantas pessoas, se se valoriza o contributo dos migrantes e dos refugiados, a humanidade pode tornar-se sempre mais família de todos e a nossa terra uma real “casa comum”».[18] Ao longo da história, muitos acreditaram neste «sonho» e as suas realizações testemunham que não se trata duma utopia irrealizável.

Entre eles conta-se Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo centenário do nascimento para o Céu ocorre em 2017. Hoje, dia 13 de novembro, muitas comunidades eclesiais celebram a sua memória. Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua Padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs. Pela sua intercessão, que o Senhor nos conceda a todos fazer a experiência de que «o fruto da justiça é semeado em paz por aqueles que praticam a paz».[19]

Vaticano, 13 de novembro – Memória de Santa Francisca Xavier Cabrini, Padroeira dos migrantes – de 2017.

Franciscus

_____________________________

[1] Cf. Evangelho de Lucas 2, 14.

[2] Alocução do Angelus (15/I/2012).

[3] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106.

[4] Cf. Evangelho de Lucas 14, 28-30.

[5] Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, 3.

[6] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013.

[7] N.º 25.

[8] Cf. Francisco, Discurso aos Diretores nacionais da Pastoral dos Migrantes, participantes no Encontro promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (22/IX/2017).

[9] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2011.

[10] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 71.

[11] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106.

[12] Francisco, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2018, (15/VIII/2017).

[13] Carta aos Hebreus 13, 2.

[14] Salmo 146, 9.

[15] Livro do Deuteronómio 10, 18-19.

[16] Carta aos Efésios 2, 19.

[17] «20 Pontos de Ação Pastoral» e «20 Pontos de Ação para os Pactos Globais» (2017). Cf. também Documento ONU A/72/528.

[18] Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2004, 6.

[19] Carta de Tiago 3, 18.

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Imagem de Nossa Senhora Aparecida representa a fé do povo brasileiro em Taiwan

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27 de dezembro de 2017

Na segunda-feira, 25, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida foi levada à Reunião de Associações Religiosas em Taiwan, no continente asiático

A Padroeira do Brasil foi conduzida pelo Reitor do Santuário Nacional, Padre João Batista de Almeida, ao tradicional festival, sediado no Museu Fo Guang Shan de Buda.

O evento contou com representantes de Taiwan, China continental, Hong Kong, Filipinas, Malásia e do Brasil. O objetivo foi celebrar a harmonia religiosa e a paz mundial.

A Basílica Nacional de Aparecida recebeu o convite para levar a imagem da Padroeira a Taiwan em outubro deste ano durante um evento no templo Zu Lai, em Cotia (SP), do qual também participou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. O local é o maior santuário budista no Brasil.

Após as comemorações do Festival, a imagem foi levada a igreja “Zhen Fu San”, popularmente conhecida como “Igreja das bem-aventuranças”, e doada para Igreja Católica de Taiwan, que conta com cerca de 300 mil fiéis.

(Com informações do Portal A12)

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Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares é a vencedora

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10 de outubro de 2017

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2017. O anúncio da premiação foi feito na manhã da sexta-feira, 6, em Oslo, na Noruega.

A campanha foi premiada por chamar a atenção para as consequências humanitárias catastróficas do uso de armas nucleares e pelos seus esforços inovadores para conseguir uma proibição da utilização dessas armas.

A iniciativa foi lançada em 2007 e conta hoje com 468 organizações parceiras em 101 países. O tratado é o primeiro acordo internacional juridicamente vinculativo a proibir de forma abrangente as armas nucleares.

Atualmente mais de 120 países assinam o tratado de não-proliferação deste tipo de armamento, mas de acordo com a ONU, existem ainda cerca de 15 mil armas nucleares em todo o mundo.

Papa: ‘Comprometamo-nos por um mundo sem armas nucleares’

Em 26 de setembro, o Papa utilizou sua conta na rede social ‘twitter’ para fazer um apelo ao abandono das armas nucleares “Comprometamo-nos por um mundo sem armas nucleares, aplicando o Tratado de não-proliferação para abolir estes instrumentos de morte”, escreveu Francisco.

Em 2014, na primeira mensagem do Papa Francisco para a celebração do Dia Mundial da Paz, o Pontífice a necessidade de um desarmamento “nuclear e químico”, pedindo total respeito pelos Direitos Humanos.

Também Dom Paul Gallagher, Secretário do Vaticano para as relações com os Estados, recentemente, em discurso em Nova York, falou que “armas nucleares não podem criar um mundo estável e seguro. A paz e a estabilidade não podem ser fundadas numa garantia de destruição mútua ou na ameaça da aniquilação”, referiu

 (Informações de Uol e Agência Ecclesia)

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