Papa anuncia 13 novos cardeais e mostra o rosto da Igreja missionária

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16 de outubro de 2019

Em um anúncio inesperado durante a oração do Ângelus, no domingo, dia 1º, o Papa Francisco afirmou que criará 13 cardeais da Igreja. Desses, dez serão cardeais eleitores, ou seja, têm menos de 80 anos de idade e podem participar de um eventual conclave para escolher o novo Papa. Os outros três têm mais de 80 anos e entram para o colégio cardinalício por causa de sua grande dedicação à Igreja, reconhecida pelo Pontífice.


A cerimônia em que entregará o barrete aos novos cardeais será em 5 de outubro, véspera do início do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia. O consistório é um encontro do Papa com todos os cardeais presentes em Roma.


Entre os novos escolhidos, está o Padre Michael Czerny, jesuíta, que é nascido na República Tcheca e foi criado no Canadá, e atualmente é responsável pela seção que cuida dos migrantes e refugiados no Vaticano. Ele também será o Secretário Especial do Sínodo sobre a Amazônia, e estava no Brasil quando soube da notícia de sua nomeação.

Igreja missionária
Além dele, o Arcebispo de Rabat, no Marrocos, Dom Cristóbal López Romero, tem forte trabalho de diálogo com a comunidade muçulmana, assim como o atual Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, e o ex-presidente do mesmo órgão, Dom Michael Fitzgerald. O Arcebispo de Bolonha, na Itália, Dom Matteo Zuppi, é membro de uma comunidade que trabalha com os pobres, a Comunidade de Santo Egídio; e o Arcebispo de Luxemburgo, Dom Jean-Claude Höllerich, jesuíta como o Papa, defende a unidade da Europa e viveu por anos no Japão.


Mais uma vez, a escolha dos nomes foi marcada pela intenção do Papa Francisco de dar mais espaço a membros de países pouco representados, na tentativa de internacionalizar o colégio de cardeais. (Veja, ao lado, a lista completa.)


“A proveniência [dos novos cardeais] exprime a vocação missionária da Igreja que continua a anunciar o amor misericordioso de Deus a todos os homens da Terra”, afirmou o Pontífice. Os dez novos eleitores vêm da Espanha, Portugal, Indonésia, Cuba, República Democrática do Congo, Luxemburgo, Guatemala, Itália, Marrocos e Canadá.


De acordo com o diretor editorial do site Vatican News, Andrea Tornielli, essa decisão do Papa mostra sua escolha de priorizar o caráter missionário da Igreja. “Desses 13, são oito os que pertencem a ordens religiosas missionárias”, observou Tornielli. “São pessoas que passaram suas vidas na fronteira da missão. O Papa, com isso, nos recorda que a Igreja é missionária”, explicou, em vídeo publicado no site.

 

Eleitores
1.    Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, mccj – Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso (Espanha).
2.    Dom José Tolentino Calaça de Mendonça – Arquivista e Bibliotecário da Santa Romana Igreja (Portugal).
3.    Dom Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo – Arcebispo de Jacarta (Indonésia).
4.    Dom Juan de la Caridad García Rodríguez – Arcebispo de San Cristóbal de la Habana (Cuba).
5.    Dom Fridolin Ambongo Besungu, o.f.m. cap – Arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo)
6.    Dom Jean-Claude Höllerich, sj – Arcebispo de Luxemburgo (Luxemburgo).
7.    Dom Álvaro Leonel Ramazzini Imeri – Arcebispo de Huehuetenango (Guatemala).
8.    Dom Matteo Zuppi – Arcebispo de Bolonha (Itália).
9.    Dom Cristóbal López Romero, sdb – Arcebispo de Rabat (Marrocos).
10.    Padre Michael Czerny, SJ, Subsecretário da Seção de Migrantes – Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (República Tcheca/Canadá)

Não eleitores
1.    Dom Michael Louis Fitzgerald, m. Afr. – Arcebispo Emérito de Nepte (Inglaterra).
2.    Dom Sigitas Tamkevičius, sj – Arcebispo Emérito de Kaunas (Lituânia).
3.    Dom Eugenio Dal Corso, psdp – Arcebispo Emérito de Benguela (Angola/Itália).

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Papa Francisco chega a Moçambique

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04 de setembro de 2019

O Papa Francisco já se encontra em território moçambicano. O avião da companhia de bandeira italiana chegou a Maputo, capital de Moçambique, às 18h07 (hora local) dando início à sua 31ª viagem apostólica, que o levará também a Madagascar e Maurício.

Depois de mais 10h30 de voo e de percorrer 7.836 quilômetros Francisco chegou à capital moçambicana. O avião papal sobrevoou, além da Itália, mais oito países: Grécia, Egito, Sudão, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia, Malauí e Zâmbia. 

No aeroporto, o Pontífice foi acolhido pelo presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e pela primeira-dama. Duas crianças vestidas com trajes tradicionais ofereceram flores ao Papa. Presentes também um grupo de fiéis e demais autoridades civis e eclesiásticas.

Depois da execução dos hinos e das honras militares, houve a apresentação das delegações e a saudação aos bispos de Moçambique. Não teve discursos.

Do aeroporto, Francisco percorre mais 7 quilômetros de papamóvel até a nunciatura apostólica, onde pernoitará durante sua visita ao país.

As atividades oficiais do Papa terão início nesta quinta-feira, com a visita de cortesia ao presidente no palácio presidencial "Ponta Vermelha" e o encontro com as autoridades, com a sociedade civil e o corpo diplomático. 

O encontro com 12 migrantes

Antes de deixar sua residência, a Casa Santa Marta, o Papa recebeu 12 pessoas acolhidas pelo Centro Astalli e pela Comunidade de Santo Egídio, provenientes de Moçambique, Madagascar e Maurício. O grupo estava acompanhado pelo Esmoleiro, cardeal Konrad Krajewski.

Consolidar a reconciliação

Na manhã desta quarta-feira, com um tuíte, Francisco convidou os fiéis a se unirem a ele em oração, para que "Deus, Pai de todos, consolide em toda a África a reconciliação fraterna, única esperança para uma paz sólida e duradoura". 

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O que esperar da viagem do Papa à África?

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16 de outubro de 2019

Três países numa só viagem. O Papa Francisco voltará ao continente africano em sua viagem apostólica a Moçambique, Madagascar e Ilhas Maurício entre 4 e 10 de setembro.


É a quarta vez que ele pisa na África como Papa. A primeira foi em novembro de 2015, quando visitou o Quênia, Uganda e a República Centro-Africana, onde abriu o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A segunda foi em abril de 2017, quando esteve no Egito. E, em maio deste ano, Francisco foi ao Marrocos – País onde também prevalece a cultura árabe, mas que, como o Egito, fica no norte da África.


Portanto, pode-se dizer que esta será a segunda ida do Papa à África chamada “subsaariana”, a região que está ao sul do deserto do Saara. Mas o que esperar desta viagem apostólica, que é a 31ª do Papa Francisco?

Peregrino da paz


Como sempre, o Papa Francisco viaja como peregrino da paz. Vários povos africanos enfrentam dificuldades, tanto do ponto de vista da pobreza e dos problemas sociais quanto dos conflitos étnicos e políticos.


Moçambique acaba de sair de um longo período de conflitos armados, no qual os rebeldes da milícia (e partido político) chamada Renamo lutavam contra o governo. A disputa pelo poder ainda estava relacionada com a sangrenta guerra civil do País, que terminou em 1994.


Após 16 anos de conflitos e mortes, um acordo de paz foi firmado em 1992, mas os confrontos recomeçaram diversas vezes até 1994; e, mais recentemente, em 2013, entre governo e oposição. Depois de muita negociação, no início de agosto deste ano, foi assinado um novo acordo de paz.


O atual presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, reuniu-se com o líder da Renamo, Ossufo Momade, e, finalmente alcançaram o cessar-fogo. O acordo pediu o desarmamento imediato e a reintegração de mais de 5 mil rebeldes na sociedade – segundo a agência de notícias Associated Press. O País realizará eleições em 15 de outubro deste ano, e Momade afirmou que participará do pleito de forma pacífica. Entretanto, poucos rebeldes realmente entregaram suas armas, o que deixa o acordo enfraquecido.


“Estamos em um momento de trégua”, lembrou o Padre Bernardo Suate, responsável pela seção Portuguesa da Rádio Vaticano/Vatican News, em conversa com jornalistas em Roma. “Esperamos que a chegada do Papa Francisco possa ser uma ocasião para estabelecer no País uma paz efetiva, sólida e duradoura”, disse, conforme relatou à agência italiana SIR, em 14 de junho.


A chegada do Papa ao País, acrescentou, é como “um bálsamo para as nossas feridas”. Moçambique também enfrenta ameaças isoladas e grupos terroristas islâmicos, o que agrava uma situação já delicada. “Em meio a tantos problemas, desafios e guerras, o povo de Deus perseverou na fé. Definimo-nos como uma Igreja das pequenas comunidades, uma Igreja-família”, declarou o Padre.

Novos ares na região


Vale lembrar que Moçambique, assim como Zimbábue e Malawi, acabou de passar pelo duro impacto de um ciclone, o Idai, que atingiu a região em março deste ano. Mais de 1,3 mil pessoas morreram e outras centenas de milhares perderam suas casas.


A visita do Papa, portanto, busca levar conforto a essa região. Em entrevista à revista norte-americana America Magazine, o Padre jesuíta Agbonkhianmeghe Orobator, que é Presidente da Conferência dos Superiores Gerais da África e de Madagascar, explicou que o Papa levará “novos ares” ao continente que tem 54 países e 1,3 bilhão de pessoas, que correspondem a 17% da população mundial.


“Pense no ciclone Idai e suas consequências devastadoras ou nas múltiplas tragédias que o povo Malagasy teve de sofrer recentemente. E as incertezas políticas nas Ilhas Maurício”, afirmou o Padre ao vaticanista irlandês Gerard O’Connell. 


O povo Malagasy é nativo de Madagascar, a quarta maior ilha do mundo. O País vem necessitando de ajuda humanitária frequente por causa da má distribuição de renda e de duras secas.


Cerca de 80% da população de Madagascar, que tem um total de 24 milhões de habitantes, está envolvida na agricultura. Contraditoriamente, quase metade de toda a população do País se encontra em situação de insegurança alimentar, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Esperança entre os líderes


Já as Ilhas Maurício têm 1,3 milhão de habitantes e são muito vulneráveis a eventos climáticos, como ciclones e enchentes. O País conseguiu atingir um nível econômico médio, mas enfrenta, cada vez mais, um aumento da desigualdade social.


Com um sistema parlamentarista de vários partidos, o País tem dificuldades de manter um governo estável. Diferentes coalizões vêm se intercalando no poder, em meio a escândalos financeiros e disputas internas.


De acordo com o Padre Agbonkhianmeghe, o Papa Francisco leva esperança a uma região do mundo onde faltam líderes capazes de entusiasmar o povo. O Sacerdote afirma, na entrevista à revista americana, que “tudo o que vai mal na África pode remeter ao seu déficit de liderança – seja a corrupção, a violência, a pobreza, o desemprego, a migração ou a desfuncionalidade política”.


“Nossos líderes têm muito a aprender do estilo de liderança pastoral do Papa Francisco”, disse à America Magazine. “A África é abençoada com uma abundância de recursos humanos, naturais e materiais. As pessoas são o maior ativo do continente.”

Principais momentos


Conforme a programação da viagem divulgada pelo Vaticano, o Papa partirá para a capital de Moçambique, Maputo, na tarde da quarta-feira, 4 de setembro. Além de se encontrar com autoridades civis e religiosas do País, ele terá um encontro inter-religioso com jovens moçambicanos na quinta-feira, 5 de setembro. Visitará, também, obras sociais e um hospital.


O Pontífice chegará a Antananarivo, capital de Madagascar, na manhã do sábado, 7 de setembro. Novamente vai se reunir com autoridades civis, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas do País. E, de novo, terá um encontro com jovens, sinalizando grande atenção à “Igreja jovem” da região africana e das ilhas vizinhas.


O Santo Padre visitará, ainda, o túmulo da Beata Victoire Rasoamanarivo, uma mulher leiga de Madagascar que dedicou sua vida aos mais necessitados. Também em Antananarivo, o Papa terá um encontro com trabalhadores e visitará uma obra social. A missa na manhã do domingo, 8 de setembro, será no “Campo Diocesano”.


Francisco chegará às Ilhas Maurício na segunda-feira, 9 de setembro, na capital, Port Louis. A visita ali será breve: ele só terá tempo para se encontrar com os bispos e as autoridades civis, mas uma missa pública será celebrada no “Monumento de Maria”. O retorno a Roma é previsto para a terça-feira, dia 10.

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‘Jovens, sejam educados à transcendência’, exorta Francisco

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15 de agosto de 2019

“A educação com horizontes abertos à transcendência ajuda os jovens a sonhar e a construir um mundo mais bonito. #IYD2019”. Com este tweet, o Papa Francisco recordou, na segunda-feira, 12, o Dia Internacional da Juventude. 


A data foi instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1999, 20 anos atrás, com a finalidade de promover o papel dos jovens como parceiros essenciais nos processos de transformação, e gerar um espaço para a conscientização sobre os desafios e problemas que a juventude enfrenta.


O tema deste ano é “Transformando a educação”, inspirado no Objetivo número 4 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: “Garantir uma educação de qualidade inclusiva e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem no decorrer da vida para todos”.
Atualmente, existe no mundo 1,8 bilhão de jovens entre 10 e 24 anos. Trata-se da maior população juvenil da História. Todavia, mais da metade das crianças entre 6 e 14 anos não sabe ler nem tem conhecimento básico de matemática, embora a maioria frequente a escola.
Em seus inúmeros pronunciamentos sobre o tema, o Papa Francisco destaca a importância do “acolhimento da diversidade” e que as diferenças devem ser consideradas como “desafios, mas desafios positivos, não problemas”. O desafio educativo, segundo o Pontífice, está ligado “ao desafio antropológico”.


Outro tema presente nos pilares educativos do Papa é “a inquietação entendida como motor de educação”. Por isso, “o apelo aos educadores para que sejam audaciosos e criativos” e para que nunca se tornem “funcionários fundamentalistas ligados à rigidez de planificações”. Enfim, para Francisco, “a educação não é uma técnica, mas uma fecundidade generativa”; “a educação é um fato familiar que implica a relação entre as gerações e a narração de uma experiência”. (JFF)
 

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Papa renova os estatutos do IOR

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15 de agosto de 2019

O Papa Francisco renovou, no sábado, 10, por dois anos, os estatutos do Instituto para as Obras de Religião (IOR), aprovados em 1990 por São João Paulo II, que, por sua vez, a fim de melhor adaptá-los “às exigências dos tempos”, havia dado uma nova configuração à instituição, constituída em 1942 por Pio XII. 


A finalidade do Instituto permanece inalterada: “prover à custódia e à administração dos bens móveis e imóveis transferidos ou confiados ao Instituto por pessoas físicas ou jurídicas e destinados a obras de religião ou de caridade”.


Uma das principais alterações é a estipulação de apenas um auditor externo, que pode ser uma pessoa física ou uma empresa. Assim, nos órgãos do Instituto não existem mais três auditores internos, cujos cargos eram sempre renovados. O auditor externo é nomeado pela Comissão de Cardeais, sob proposta do Conselho de Superintendência, e realiza suas funções por um período de três exercícios consecutivos, renováveis uma única vez. Ele é responsável pela revisão legal das contas: expressa “a sua opinião sobre as demonstrações financeiras do Instituto num relatório especial”; “examina todos os livros e documentos contábeis”; e “recebe do Instituto e a ele pode pedir qualquer informação útil para a sua atividade de auditoria”.


Em junho passado, o IOR publicou o balanço do exercício de 2018, que registrou um lucro de 17,5 milhões de euros (contra 31,9 milhões de euros em 2017) – montante que foi doado ao Papa. O resultado, embora muito inferior ao do ano anterior, foi, segundo o Instituto, alcançado “apesar da forte turbulência dos mercados” e “da persistência das taxas de juros ainda muito baixas”.


O IOR “continuou a realizar investimentos destinados a incentivar o desenvolvimento dos países mais pobres, no respeito de escolhas coerentes com a realização de um futuro sustentável para as gerações futuras” e “contribuiu com a implementação de numerosas atividades beneficentes e sociais, tanto por meio de doações de caráter financeiro quanto por meio de concessões em locações a uma taxa facilitada ou uso gratuito de imóveis de sua propriedade a entidades com fins sociais”.
 

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Francisco expressa proximidade e encorajamento aos sacerdotes

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08 de agosto de 2019

O Papa Francisco enviou uma carta a todos os sacerdotes do mundo no domingo, 4, por ocasião dos 160 anos da morte de São João Maria Vianney, patrono dos padres. 


O Santo Padre expressou seu encorajamento e proximidade aos “irmãos presbíteros, que, sem fazer alarde”, deixam tudo para se empenhar na vida diária das suas comunidades; que trabalham na “trincheira” e diariamente enfrentam desafios sem pensar em si mesmos, “para que o povo de Deus seja cuidado e acompanhado”.


“Dirijo-me a cada um de vós que tantas vezes, de forma imperceptível e sacrificada, no cansaço ou na fadiga, na doença ou na desolação, assumis a missão como um serviço a Deus e ao seu povo e, mesmo com todas as dificuldades do caminho, escreveis as páginas mais belas da vida sacerdotal”, afirmou o Pontífice.

TRIBULAÇÃO
Já no início, o Papa recordou que nos últimos tempos tem sido ouvido o clamor das vítimas de abusos de poder, de consciência e sexuais por parte de ministros ordenados. “Sem dúvida, é um período de sofrimento na vida das vítimas, que padeceram diferentes formas de abuso, e também para as suas famílias e para todo o povo de Deus”, ressaltou.


Contudo, Francisco enfatizou que mesmo sem “negar ou ignorar o dano causado”, seria “injusto não reconhecer que tantos sacerdotes, de maneira constante e íntegra, oferecem tudo o que são e que têm pelo bem dos outros”.  
“Estou convencido de que, na medida em que formos fiéis à vontade de Deus, os tempos da purificação eclesial que estamos a viver nos tornarão mais alegres e simples e, num futuro não muito distante, serão muito fecundos”, acrescentou. 

GRATIDÃO
O Papa continuou a carta recordando que a vocação é mais do que uma escolha de cada um, “é resposta de um chamado gratuito do Senhor”. Ele convidou os padres a retornar aos “momentos luminosos” em que experimentaram o chamado do Senhor para consagrar toda a sua vida ao seu serviço, voltar ao “sim” crescido no seio de uma “comunidade cristã”.


Em momentos de dificuldade, de fragilidade, de fraqueza, “quando a pior de todas as tentações é a de ficar a ruminar a desolação”, o Pontífice motivou a “não perder a memória cheia de gratidão da passagem do Senhor na nossa vida” que “nos convidou a apostar Nele e pelo seu povo”.


Francisco agradeceu os irmãos sacerdotes “pela fidelidade aos compromissos assumidos” e observou que é muito significativa a existência de pessoas que apostem na felicidade de doar a vida em uma sociedade e em uma cultura que transformou o “gasoso” em valor. 

ARDOR
O Pontífice manifestou o desejo de fazer companhia a todos os padres na renovação de seu “ardor sacerdotal”. 


“A missão a que fomos chamados não comporta ser imunes ao sofrimento, à dor e até à incompreensão; pelo contrário, pede-nos para os enfrentar e assumir, a fim de deixar que o Senhor os transforme e nos configure mais a Ele”, escreveu.


Ainda segundo o Papa, independentemente das fragilidades e pecados, Deus sempre “nos permite levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria”. “[Jesus] é o primeiro a dizer-nos: ‘Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para o vosso espírito’”, completou. 


Por fim, o Santo Padre afirmou que é impossível falar de gratidão e encorajamento sem contemplar a Virgem Maria, “mulher do coração trespassado”, que ensina o louvor capaz de abrir o olhar para o futuro e devolver a esperança ao presente.

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Papa Francisco: a mão de Jesus é a nossa mão, sempre estendida para ajudar o outro

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07 de agosto de 2019

O Papa Francisco, na primeira Audiência Geral depois da pausa de verão, retomou a série de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, comentando o milagre de Pedro da cura de um paralítico, em nome de Cristo. A nossa mão que ajuda o próximo a se levantar "é a mão de Jesus".

O Papa Francisco retoma as tradicionais Audiências Gerais das quartas-feiras. Neste dia 7 de agosto, na Sala Paulo VI e devido ao calor forte do verão italiano, os fiéis puderam acompanhar a catequese do Pontífice sobre os Atos dos Apóstolos, em continuidade à reflexão do final de julho quando fez uma pausa de férias.

“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6): a cura de um paralítico de nascença que agora caminha, anda e louva a Deus. O Papa Francisco refletiu sobre a primeira narração de cura do Livro dos Apóstolos e enalteceu a ação concreta dos Apóstolos Pedro e João que testemunharam a verdade do anúncio do Evangelho, demonstrando como agem em nome de Cristo.

A "relação" com o outro que acontece no amor

Francisco recordou que a lei da época impedia de oferecer sacrifícios a quem tinha algum tipo de deficiência física, em consequência de alguma culpa, e inclusive impedia o acesso ao Templo em Jerusalém. Mas, como narra o Evangelho, o paralítico, “paradigma de tantos exclusos e descartados da sociedade, estava ali para pedir a esmola de todos os dias”, quando os Apóstolos trocaram olhares com ele e Pedro disse: “Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6).

Essa foi a relação estabelecida entre o paralítico e os Apóstolos, o mesmo modo em que Deus ama se manifestar, ressaltou Francisco, “na relação”, sempre no diálogo, com a inspiração do coração, através de um encontro real entre as pessoas que pode acontecer só no amor.

Igreja pobre para os pobres

Ao tratar do Templo, onde na frente se encontrava o paralítico, o Papa explicou que, além de ser um centro religioso, era um lugar de trocas comerciais. E por essa dimensão do espaço, Jesus tinha se manifestado contrário várias vezes.

“ Mas quantas vezes eu penso a isso quando vejo alguma paróquia onde se pensa que é mais importante o dinheiro que os sacramentos! Por favor! Igreja pobre: peçamos ao Senhor isso. ”

A Igreja que não fecha os olhos, mas abre o olhar

Aquele mendigo paralítico, encontrando os Apóstolos, não encontrou aquele dinheiro, mas “o Nome que salva o homem: Jesus Cristo, o Nazareno”. Pedro invocou o seu nome e ordenou o paralítico a se levantar e andar, tocou no doente e o ajudou a ficar em pé.

“ E aqui aparece o retrato da Igreja, que vê quem está em dificuldade, não fecha os olhos, sabe olhar a humanidade no rosto para criar relações significativas, pontes de amizade e de solidariedade no lugar de barreiras. Aparece o rosto de ‘uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos’ (Evangelii gaudium, 210), que sabe pegar na mão e acompanhar para se levantar – não para condenar. Jesus sempre pega a mão, sempre procura levantar, fazendo com que as pessoas se curem, que sejam felizes, que encontrem Deus. ”

O Papa descreveu essa atitude como “a arte do acompanhamento”, que se caracteriza pela delicadeza com o próximo, dando sinais de proximidade, como a troca respeitosa e cheia de compaixão de olhares.

"E isso fazem os dois Apóstolos com o paralítico: olham ele, dizem ‘olhem para nós’, seguram a sua mão, o fazem se levantar e o curam. Assim faz Jesus com todos nós. Pensemos nisso quando estivermos em momentos ruins, em momentos de pecado, em momentos de tristeza. Aí está Jesus que diz: ‘Olhe para mim: eu estou aqui!’. Vamos pegar na mão de Jesus e deixar que nos levante.”

Estender a mão ao outro: sempre!

Os Apóstolos Pedro e João nos ensinaram a confiar na “verdadeira riqueza que é a relação com Jesus”, afirmou o Papa. Uma tarefa que também cabe a nós, acrescentou o Pontífice, ao finalizar a catequese de hoje:

“ E nós, cada um de nós, o que temos? Qual é a nossa riqueza, o nosso tesouro? Com que coisa podemos tornar ricos os outros? Peçamos ao Pai o dom de uma memória agradecida ao recordar os benefícios do seu amor na nossa, para dar a todos o testemunho de louvor e reconhecimento. Não esqueçamos: sempre a mão estendida para ajudar o outro a se erguer; é a mão de Jesus que, através da nossa mão, ajuda os outros a se levantar. ”

Veja o resumo da catequese de hoje:

O livro dos Atos dos Apóstolos mostra como o anúncio do Evangelho é confirmado pelos milagres e sinais que o acompanham. O primeiro deles é a cura dum paralítico de nascença que, todos os dias, era colocado à porta do Templo de Jerusalém para pedir esmola. Um dia, pelas três da tarde, Pedro e João sobem ao Templo e seus olhos cruzam-se com o olhar daquele mendicante que pede uma esmola. Os apóstolos acolhem aquele olhar, aceitam um encontro real com aquele homem enfermo, ativam uma relação: «Dinheiro, não temos! Mas damos-te o que temos: “Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” E ele de um salto, pôs-se de pé e começou a andar». Encontrando os Apóstolos, o mendicante não encontra dinheiro, mas o Nome que salva: Jesus Cristo Nazareno. Pedro e João ensinam-nos a confiar, não nos meios materiais – sem dúvida, necessários –, mas na verdadeira riqueza que é a relação com Jesus ressuscitado. De facto, como dirá o apóstolo Paulo, «somos tidos (…) por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). O nosso tudo é o Evangelho, que manifesta o poder do nome de Jesus que realiza prodígios. Prova disto é o paralítico curado: agora caminha, salta e louva a Deus. Pode viver celebrando o Amor de Deus que o criou para a vida e a alegria.

Fonte: vaticannews

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Angelus: ‘A compaixão é a chave da vida cristã’

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18 de julho de 2019

O Papa Francisco, no domingo, 14, dedicou a alocução que antecede a oração do Angelus à parábola do Bom Samaritano, proposta da liturgia do XV Domingo do Tempo Comum. Nesse episódio, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário para herdar a vida eterna.

“Ele nos faz entender que não somos nós, com base nos nossos critérios, que definimos quem é o próximo e quem não é, mas é a pessoa em situação de necessidade que deve poder reconhecer quem é o seu próximo, isto é, quem usou de misericórdia para com ele”, prosseguiu o Papa.

“Ser capazes de sentir compaixão: esta é a chave. Esta é a nossa chave. Se diante de uma pessoa necessitada você não sente compaixão, o seu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fique atento, estejamos atentos. Não nos deixemos levar pela insensibilidade egoísta. A capacidade de compaixão tornou-se a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus”, acrescenou.

O Pontífice tomou o exemplo dos moradores de rua e de como nos comportamos diante de alguém caído no chão. “Pergunte-se se o seu coração não endureceu, se não se tornou gelo. (...) A misericórdia diante de uma vida humana na situação de necessidade é a verdadeira face do amor.” “Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e, sobretudo, a viver sempre mais o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos, e nos dê a graça de ter e crescer na compaixão”, concluiu o Papa.

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Balanço 2018 do IOR: lucro de 17,5 milhões de euros doados ao Papa

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13 de junho de 2019

Em 2018, o Instituto para as Obras de Religião "continuou, com prudência, a prestar serviços financeiros à Igreja Católica presente em todo o mundo e ao Estado da Cidade do Vaticano".

É o que revela um comunicado de imprensa do IOR, especificando que em 2018 foram servidos 14.953 clientes representando 5 bilhões de euros de recursos financeiros  (foram 5,3 bilhões em 2017). Destes, 3,2 bilhões dizem respeito a "poupanças e valores depositados".

Foram 112 os países beneficiados por meio das atividades do Instituto, em 2018.

“ O dinheiro deve servir, não governar (a Exortação Apostólica do Papa Francisco de 2013 Evangelii Gaudium)”

Lucro de 17,5 milhões de euros

Em 2018, obteve-se um resultado líquido de € 17,5 milhões (€ 31,9 milhões em 2017), devolvidos ao Santo Padre. O lucro - conforme especificado na nota - foi alcançado "apesar da forte turbulência dos mercados no decorrer do ano e da persistência de taxas de juros ainda muito baixas".

Com relação ao "processo de otimização de custos",  eles foram reduzidos para 16 milhões de euros (18,7 milhões em 2017).

Investimentos e ética católica

Não deve ser esquecido - escreve o presidente da Comissão do IOR, cardeal Santos Abril y Castelló - que o Instituto "nos últimos tempos encontrou-se em uma fase de ajustes e esclarecimentos que envolveram por vezes  sacrifícios".  "Tudo com a resoluta vontade  - sublinha o purpurado - de criar uma situação totalmente alinhada com a prática de uma direção ética inalienável, como solicitado pelo Santo Padre".

Em 2018, o Instituto também “aperfeiçoou ainda mais a integração de critérios negativos e positivos de screening para a seleção das atividades financeiras nas quais realizar investimentos coerentes com a ética católica, selecionando exclusivamente empresas que realizam atividades em conformidade com a Doutrina Social da Igreja Católica".

Atividades benéficas

O IOR também "continuou a fazer investimentos destinados a fomentar o desenvolvimento dos países mais pobres, no respeito de escolhas coerentes com a realização de um futuro sustentável para as gerações futuras".

O Instituto – lê-se no final do comunicado - “contribuiu para a realização de inúmeras atividades de natureza beneficente e social, quer através de doações de carácter financeiro, quer através de concessões em arrendamentos com uma taxa facilitada ou comodato de uso gratuito de imóveis de sua propriedade a instituições com finalidade social".

O balanço foi submetido a uma revisão contábil pela empresa de auditoria independente Deloitte & Touche S.p.A.

 

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Na Romênia, Francisco faz apelo por unidade e fraternidade

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11 de junho de 2019

“Caminhemos juntos” foi o lema da 30ª Viagem Apostólica Internacional do Papa Francisco, que teve como destino a Romênia, entre os dias 31 de maio e 2 de junho. 
Durante os três dias de viagem ao País do Leste Europeu, o Pontífice teve uma intensa programação, passando por Bucareste, Sumuleu Ciuc, Iasi e Blaj. Ele encontrou-se com autoridades civis e religiosas e visitou diferentes comunidades católicas, que representam 7% da população do País de maioria cristã ortodoxa (86%).

A SERVIÇO DO BEM COMUM 
Logo após sua chegada à capital, Bucareste, na sexta-feira, 31 de maio, o Santo Padre foi recebido pelo presidente romeno, Klaus Werner Iohannis, no Palácio Presidencial. Em seu primeiro discurso, Francisco recordou a visita de São João Paulo II ao País, há 20 anos, e afirmou que a Igreja Católica quer se colocar a serviço da dignidade e do bem comum. 
O Pontífice relembrou os 30 anos da libertação da Romênia do regime comunista, que oprimia a liberdade civil e religiosa, e elogiou a reconstrução do País e o trabalho feito por meio “do pluralismo das forças políticas e sociais e do seu diálogo mútuo por meio do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do País no mais amplo cenário internacional”.
“É necessário caminhar juntos e que todos se comprometam, convictamente, a não renunciar à vocação mais nobre a que deve aspirar um Estado: ocupar-se do bem comum do seu povo”, afirmou o Papa. 

HERANÇA COMUM
O Papa Francisco foi recebido pelo Patriarca Ortodoxo Daniel Ciobotea, com o qual teve uma reunião privada, seguida de encontro com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena. 
Após a saudação de boas-vindas do Patriarca, o Pontífice fez um discurso, no qual recordou que os vínculos de fé que unem as duas Igrejas remontam aos apóstolos e “lembram-nos que existe uma fraternidade do sangue que nos antecede e que, ao longo dos séculos, como uma silenciosa corrente vivificante, nunca cessou de irrigar e sustentar o nosso caminho”. 
O Papa também disse que os sofrimentos e martírios sofridos por todos “é uma herança comum, que nos chama a não nos distanciarmos do irmão que a partilha”. 

SANTUÁRIO MARIANO
No sábado, dia 1º, o Papa presidiu missa no Santuário de Șumuleu Ciuc com a participação de cerca de 100 mil pessoas. Francisco ressaltou que “se, em Caná da Galileia, Maria intercedeu a Jesus para que realizasse o primeiro milagre, em cada santuário vela e intercede não só diante do seu Filho, mas também diante de cada um de nós, para não deixarmos que nos seja roubada a fraternidade pelas vozes e feridas que alimentam a divisão e a fragmentação”.

BEATIFICAÇÃO DE MÁRTIRES
No domingo, 2, o Santo Padre beatificou sete bispos greco-católicos mártires romenos, durante a Divina Liturgia, celebrada no Campo da Liberdade, em Blaj.
Os bispos Vasile Aftenie, Valeriu Traian Frenţiu, Ioan Suciu, Tit Liviu Chinezu, Ioan Bălan, Alexandru Rosu e Iuliu Hossu derramaram sangue por resistirem à perseguição do regime comunista nas décadas de 1950 e 1960. 
Na homilia, o Pontífice sublinhou que os mártires demonstraram uma fé e um amor exemplares pelo seu povo ao suportar “a feroz opressão do regime”. “Esses pastores, mártires da fé, recuperaram e deixaram ao povo romeno uma herança preciosa que podemos resumir em duas palavras: liberdade e misericórdia”, afirmou. 

COM OS CIGANOS
O último compromisso do Papa Francisco na Romênia foi o encontro com a comunidade cigana em Blaj.
“Em nome da Igreja, peço perdão, ao Senhor e a vocês, por todas as vezes que, ao longo da história, os discriminamos, maltratamos ou os consideramos de forma errada, com o olhar de Caim em vez do de Abel, e não fomos capazes de reconhecê-los, apreciá-los e defendê-los na sua peculiaridade”, manifestou o Papa. 

PRECE PELA EUROPA 
Na coletiva com os jornalistas a bordo do voo de volta para Roma, no domingo, o Papa fez um apelo pela unidade da Europa. O Pontífice ressaltou que os políticos que fazem apologia ao medo estão ameaçando a existência da União Europeia e fazendo com que o continente perca “o objetivo de trabalhar em conjunto”.
“Estamos vendo fronteiras na Europa, e isso não é bom. É verdade que cada país tem a sua própria identidade e deve preservá-la, mas, por favor, que a Europa não se deixe vencer pelo pessimismo e pelas ideologias”, completou.

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