Angelus: ‘A compaixão é a chave da vida cristã’

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18 de julho de 2019

O Papa Francisco, no domingo, 14, dedicou a alocução que antecede a oração do Angelus à parábola do Bom Samaritano, proposta da liturgia do XV Domingo do Tempo Comum. Nesse episódio, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário para herdar a vida eterna.

“Ele nos faz entender que não somos nós, com base nos nossos critérios, que definimos quem é o próximo e quem não é, mas é a pessoa em situação de necessidade que deve poder reconhecer quem é o seu próximo, isto é, quem usou de misericórdia para com ele”, prosseguiu o Papa.

“Ser capazes de sentir compaixão: esta é a chave. Esta é a nossa chave. Se diante de uma pessoa necessitada você não sente compaixão, o seu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fique atento, estejamos atentos. Não nos deixemos levar pela insensibilidade egoísta. A capacidade de compaixão tornou-se a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus”, acrescenou.

O Pontífice tomou o exemplo dos moradores de rua e de como nos comportamos diante de alguém caído no chão. “Pergunte-se se o seu coração não endureceu, se não se tornou gelo. (...) A misericórdia diante de uma vida humana na situação de necessidade é a verdadeira face do amor.” “Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e, sobretudo, a viver sempre mais o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos, e nos dê a graça de ter e crescer na compaixão”, concluiu o Papa.

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Balanço 2018 do IOR: lucro de 17,5 milhões de euros doados ao Papa

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13 de junho de 2019

Em 2018, o Instituto para as Obras de Religião "continuou, com prudência, a prestar serviços financeiros à Igreja Católica presente em todo o mundo e ao Estado da Cidade do Vaticano".

É o que revela um comunicado de imprensa do IOR, especificando que em 2018 foram servidos 14.953 clientes representando 5 bilhões de euros de recursos financeiros  (foram 5,3 bilhões em 2017). Destes, 3,2 bilhões dizem respeito a "poupanças e valores depositados".

Foram 112 os países beneficiados por meio das atividades do Instituto, em 2018.

“ O dinheiro deve servir, não governar (a Exortação Apostólica do Papa Francisco de 2013 Evangelii Gaudium)”

Lucro de 17,5 milhões de euros

Em 2018, obteve-se um resultado líquido de € 17,5 milhões (€ 31,9 milhões em 2017), devolvidos ao Santo Padre. O lucro - conforme especificado na nota - foi alcançado "apesar da forte turbulência dos mercados no decorrer do ano e da persistência de taxas de juros ainda muito baixas".

Com relação ao "processo de otimização de custos",  eles foram reduzidos para 16 milhões de euros (18,7 milhões em 2017).

Investimentos e ética católica

Não deve ser esquecido - escreve o presidente da Comissão do IOR, cardeal Santos Abril y Castelló - que o Instituto "nos últimos tempos encontrou-se em uma fase de ajustes e esclarecimentos que envolveram por vezes  sacrifícios".  "Tudo com a resoluta vontade  - sublinha o purpurado - de criar uma situação totalmente alinhada com a prática de uma direção ética inalienável, como solicitado pelo Santo Padre".

Em 2018, o Instituto também “aperfeiçoou ainda mais a integração de critérios negativos e positivos de screening para a seleção das atividades financeiras nas quais realizar investimentos coerentes com a ética católica, selecionando exclusivamente empresas que realizam atividades em conformidade com a Doutrina Social da Igreja Católica".

Atividades benéficas

O IOR também "continuou a fazer investimentos destinados a fomentar o desenvolvimento dos países mais pobres, no respeito de escolhas coerentes com a realização de um futuro sustentável para as gerações futuras".

O Instituto – lê-se no final do comunicado - “contribuiu para a realização de inúmeras atividades de natureza beneficente e social, quer através de doações de carácter financeiro, quer através de concessões em arrendamentos com uma taxa facilitada ou comodato de uso gratuito de imóveis de sua propriedade a instituições com finalidade social".

O balanço foi submetido a uma revisão contábil pela empresa de auditoria independente Deloitte & Touche S.p.A.

 

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Na Romênia, Francisco faz apelo por unidade e fraternidade

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11 de junho de 2019

“Caminhemos juntos” foi o lema da 30ª Viagem Apostólica Internacional do Papa Francisco, que teve como destino a Romênia, entre os dias 31 de maio e 2 de junho. 
Durante os três dias de viagem ao País do Leste Europeu, o Pontífice teve uma intensa programação, passando por Bucareste, Sumuleu Ciuc, Iasi e Blaj. Ele encontrou-se com autoridades civis e religiosas e visitou diferentes comunidades católicas, que representam 7% da população do País de maioria cristã ortodoxa (86%).

A SERVIÇO DO BEM COMUM 
Logo após sua chegada à capital, Bucareste, na sexta-feira, 31 de maio, o Santo Padre foi recebido pelo presidente romeno, Klaus Werner Iohannis, no Palácio Presidencial. Em seu primeiro discurso, Francisco recordou a visita de São João Paulo II ao País, há 20 anos, e afirmou que a Igreja Católica quer se colocar a serviço da dignidade e do bem comum. 
O Pontífice relembrou os 30 anos da libertação da Romênia do regime comunista, que oprimia a liberdade civil e religiosa, e elogiou a reconstrução do País e o trabalho feito por meio “do pluralismo das forças políticas e sociais e do seu diálogo mútuo por meio do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do País no mais amplo cenário internacional”.
“É necessário caminhar juntos e que todos se comprometam, convictamente, a não renunciar à vocação mais nobre a que deve aspirar um Estado: ocupar-se do bem comum do seu povo”, afirmou o Papa. 

HERANÇA COMUM
O Papa Francisco foi recebido pelo Patriarca Ortodoxo Daniel Ciobotea, com o qual teve uma reunião privada, seguida de encontro com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena. 
Após a saudação de boas-vindas do Patriarca, o Pontífice fez um discurso, no qual recordou que os vínculos de fé que unem as duas Igrejas remontam aos apóstolos e “lembram-nos que existe uma fraternidade do sangue que nos antecede e que, ao longo dos séculos, como uma silenciosa corrente vivificante, nunca cessou de irrigar e sustentar o nosso caminho”. 
O Papa também disse que os sofrimentos e martírios sofridos por todos “é uma herança comum, que nos chama a não nos distanciarmos do irmão que a partilha”. 

SANTUÁRIO MARIANO
No sábado, dia 1º, o Papa presidiu missa no Santuário de Șumuleu Ciuc com a participação de cerca de 100 mil pessoas. Francisco ressaltou que “se, em Caná da Galileia, Maria intercedeu a Jesus para que realizasse o primeiro milagre, em cada santuário vela e intercede não só diante do seu Filho, mas também diante de cada um de nós, para não deixarmos que nos seja roubada a fraternidade pelas vozes e feridas que alimentam a divisão e a fragmentação”.

BEATIFICAÇÃO DE MÁRTIRES
No domingo, 2, o Santo Padre beatificou sete bispos greco-católicos mártires romenos, durante a Divina Liturgia, celebrada no Campo da Liberdade, em Blaj.
Os bispos Vasile Aftenie, Valeriu Traian Frenţiu, Ioan Suciu, Tit Liviu Chinezu, Ioan Bălan, Alexandru Rosu e Iuliu Hossu derramaram sangue por resistirem à perseguição do regime comunista nas décadas de 1950 e 1960. 
Na homilia, o Pontífice sublinhou que os mártires demonstraram uma fé e um amor exemplares pelo seu povo ao suportar “a feroz opressão do regime”. “Esses pastores, mártires da fé, recuperaram e deixaram ao povo romeno uma herança preciosa que podemos resumir em duas palavras: liberdade e misericórdia”, afirmou. 

COM OS CIGANOS
O último compromisso do Papa Francisco na Romênia foi o encontro com a comunidade cigana em Blaj.
“Em nome da Igreja, peço perdão, ao Senhor e a vocês, por todas as vezes que, ao longo da história, os discriminamos, maltratamos ou os consideramos de forma errada, com o olhar de Caim em vez do de Abel, e não fomos capazes de reconhecê-los, apreciá-los e defendê-los na sua peculiaridade”, manifestou o Papa. 

PRECE PELA EUROPA 
Na coletiva com os jornalistas a bordo do voo de volta para Roma, no domingo, o Papa fez um apelo pela unidade da Europa. O Pontífice ressaltou que os políticos que fazem apologia ao medo estão ameaçando a existência da União Europeia e fazendo com que o continente perca “o objetivo de trabalhar em conjunto”.
“Estamos vendo fronteiras na Europa, e isso não é bom. É verdade que cada país tem a sua própria identidade e deve preservá-la, mas, por favor, que a Europa não se deixe vencer pelo pessimismo e pelas ideologias”, completou.

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‘A caridade é o abraço de Deus, nosso Pai, a todo homem’

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05 de junho de 2019

O Papa Francisco recebeu, em audiência, na segunda-feira, 27, cerca de 400 pessoas que participaram da 21ª Assembleia Geral da Cáritas Internacional, encerrada na terça-feira, 28.

A 21ª Assembleia é eletiva e teve início no dia 23, em Roma, com a missa presidida pelo Papa. Participam delegados enviados das 168 organizações nacionais, entre os quais representantes da Cáritas Brasileira. O tema refletido no encontro foi “Uma família humana, uma casa comum”.

Entre os representantes brasileiros esteve Lena Machado, Secretária Executiva Regional da Cáritas no Maranhão. Ao O SÃO PAULO, Lena falou sobre a participação na Assembleia e do encontro com o Papa.

“Tive a oportunidade ímpar de participar da audiência papal como delegada da Assembleia. Estar frente a frente com Papa Francisco foi dádiva, graça, reafirmação da Igreja onde aprendi a amar a vida e onde tenho plena convicção, a certeza de que Deus caminha com seu povo. O Papa Francisco é uma voz importante que nos convoca para o exercício da caridade que transforma”, disse Lena.

Aos participantes, Francisco afirmou: “O que jamais devemos esquecer é que a caridade tem a sua origem e a sua essência em Deus mesmo; a caridade é o abraço de Deus, nosso Pai, a todo homem, de modo particular aos últimos e aos sofredores, os quais ocupam no seu coração um lugar preferencial”.

Fonte: Vatican News

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Papa Francisco recebe Raoni Metuktire, líder indígena caiapó

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30 de mai de 2019

O encontro entre o Papa Francisco e o líder indígena da etnia caiapó, Raoni Metuktire, aconteceu na segunda-feira, 27, na Casa Santa Marta, em Roma. O líder indígena está em viagem pela Europa desde o dia 14, para se encontrar com chefes de Estado e falar sobre as crescentes ameaças à Amazônia.

“A audiência insere-se no contexto da preparação para a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, que se realizará, de 6 a 27 de outubro, no Vaticano, sobre o tema ‘Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral’”, afirmou Alessandro Gisotti, diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé. 

Líder da etnia caiapó, o cacique de 87 anos ganhou visibilidade internacional nas últimas décadas em sua luta pela preservação dos povos indígenas e da Amazônia. Ele tentará arrecadar 1 milhão de euros para proteger o Parque Nacional Indígena do Xingu, reserva onde vivem vários povos indígenas. Raoni viaja acompanhado de outros três líderes indígenas que vivem naquela região.

Os fundos que Raoni pretende arrecadar devem ser usados para sinalizar melhor os limites da reserva do Xingu e comprar drones e equipamentos para vigiar a região e protegê-la contra incêndios. Além disso, algumas comunidades no Xingu necessitam de recursos para saúde, educação e conhecimentos técnicos para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos na floresta.

Fontes: Vatican News e Instituto Humanitas Unisinos

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Mensagem para o 105º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

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30 de mai de 2019

Foi divulgada na segunda-feira, 27, a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será comemorado em 29 de setembro. A Igreja celebra a data desde 1914. Com o tema “Não se trata apenas de migrantes”, o Papa inicia sua mensagem recordando que “conflitos violentos, verdadeiras e próprias guerras não cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injustiças e discriminações; tribula-se para superar os desequilíbrios econômicos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequências de tudo isto são, sobretudo, os mais pobres e desfavorecidos”. 

O Papa lembra ainda que “os migrantes, os refugiados, os desalojados e as vítimas do tráfico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incômodos inerentes à sua condição, acabam, muitas vezes, alvo de juízos negativos que os consideram como causa dos males sociais”.

Por fim, Francisco considera: “Queridos irmãos e irmãs, a resposta ao desafio colocado pelas migrações contemporâneas pode-se resumir em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Esses verbos, contudo, não valem apenas para os migrantes e os refugiados; exprimem a missão da Igreja em favor de todos os habitantes das periferias existenciais”, informa um dos trechos do texto.

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Dom João Inácio Muller é nomeado Arcebispo de Campinas

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15 de mai de 2019

Ao meio-dia, hora de Roma, a Santa Sé publicou a nomeação feita pelo Papa Francisco para o novo Arcebispo para a Diocese vacante de Campinas (SP). O escolhido foi Dom João Inácio Muller, transferindo-o da Diocese de Lorena(SP).

Dados biográficos

Dom João Inácio Müller, nasceu em 15 de junho de 1960, em Santa Clara do Sul-RS, Diocese de Santa Cruz do Sul. Fez a profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores no dia 14 de abril de 1985 e foi ordenado sacerdote aos 3 de dezembro de 1988. Estudou Filosofia na Faculdade Imaculada Conceição, na cidade de Viamão, na Arquidiocese de Porto Alegre-RS, e Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e no Studium Theologicum em Jerusalém.

Obteve a Licenciatura em Teologia Espiritual no Antonianum em Roma. Durante seu presbiterado desempenhou os seguintes cargos: de 1988 a 1990 foi Promotor Vocacional e Membro da Equipe dos Formadores no Seminário Seráfico São Francisco de Assis, em Taquari; posteriormente foi Promotor Vocacional, Membro do Secretariado Vocacional e do Conselho de Formação, Membro da Fraternidade no Seminário Menor em Arroio do Meio, de 1990 a 1992; foi Secretário de Pastoral, Promotor Vocacional, Guia dos Candidatos ao Postulantado em Lomba do Pinheiro, de 1992 a 1994; em 1997 e 1998 foi Guardião do Convento São Boaventura; Vigário Paroquial da Paróquia São João Batista em Daltro Filho, de 1997 a 2004;

Também foi Mestre de Noviços, de 1997 a 2004; Secretário da Formação e Estudos da Província e Definidor Provincial, de 1999 a 2007; de 2005 a 2007 foi Vigário da Fraternidade, Mestre dos Estudantes de Filosofia, Agente de Pastoral na Rede de Comunidade da Paróquia Santa Clara no Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. De 2007 a 2013 foi Ministro Provincial da Província Franciscana São Francisco de Assis, que compreende o Estado do Rio Grande do Sul e presidente da Conferência dos Frades Menores do Brasil.

No dia 25 de setembro de 2013, Papa Francisco o nomeou bispo da Diocese de Lorena, recebendo a Sagração Episcopal pelas mãos do Dom Cláudio Hummes OFM, Cardeal Arcebispo de São Paulo, em Santa Clara do Sul, sua terra natal, escolhendo com lema do seu episcopado: Amor Dei Glória.

Saudação da CNBB

Dom Joel Portella Amado, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nome de todo o episcopado brasileiro, envia a seguinte saudação a dom João Inácio:

Saudação da CNBB a dom João Inácio Muller

Brasília, 15 de maio de 2019

Prezado Irmão, dom João Inácio Muller.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se alegra com sua nomeação como novo arcebispo de Campinas (SP). Agrademos, nessa ocasião, o cuidado do Papa Francisco em prover pastores para as nossas Igrejas Particulares.

O senhor percorreu uma trajetória em seu ministério episcopal servindo, desde 2013, o Povo de Deus, em Lorena (SP) e esse tempo de realizações no serviço do Reino de Deus o envia à Igreja que está em Campinas.

Como sinal da nossa saudação, lembrando a missão que o aguarda, recorremos às palavras de Papa Francisco aos bispos da América Central, em janeiro deste ano: “O pastor não pode estar longe do sofrimento do seu povo; mais ainda, poderíamos dizer que o coração do pastor se mede pela sua capacidade de deixar-se comover à vista de tantas vidas feridas e ameaçadas. Fazê-lo segundo o estilo do Senhor significa deixar que este sofrimento toque e marque as nossas prioridades e gostos, toque e marque o uso do tempo e do dinheiro e inclusive a forma de rezar, para podermos ungir tudo e todos com a consolação da amizade de Jesus numa comunidade de fé que possua e abra um horizonte sempre novo que dê sentido e esperança à vida”

Enviamos o nosso abraço e nossa oração.

Em Cristo,

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro (RJ)

Secretário-geral da CNBB

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Novas normas para toda a Igreja contra quem abusa ou encobre

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09 de mai de 2019

 

«Vos estis lux mundi, Vós sois a luz do mundo Nosso Senhor Jesus Cristo chama cada fiel a ser exemplo luminoso de virtude, integridade e santidade».

Do Evangelho de Mateus foram extraídos o título e as primeiras palavras do novo Motu proprio do Papa Francisco dedicado à luta aos abusos sexuais cometidos por clérigos e religiosos, e às ações ou omissões dos bispos e dos superiores religiosos «tendentes a interferir ou contornar» as investigações sobre os abusos. O Papa recorda que os «crimes de abuso sexual ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade dos fiéis», e menciona a responsabilidade particular que têm os sucessores dos apóstolos em prevenir tais crimes. O documento representa um fruto ulterior do encontro sobre a proteção dos menores realizado no Vaticano em fevereiro de 2019. Estabelece novas normas para combater os abusos sexuais e garantir que bispos e superiores religiosos prestem contas de suas ações. É uma normativa universal, que se aplica a toda a Igreja Católica.

Um “guichê” para as denúncias em cada diocese

Entre as novidades previstas está a obrigatoriedade, para todas as dioceses do mundo de dotarem-se até junho de 2020 de «um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público para apresentar as assinalações» a respeito dos abusos sexuais cometidos por clérigos e religiosos, o uso de material pornográfico infantil e o acobertamento dos próprios abusos. A normativa não especifica no que consistem esses «sistemas», para deixar às dioceses a escolha operativa, que poderá ser diferente de acordo com as várias culturas e condições locais. O que se quer é que as pessoas que sofreram abusos possam recorrer à Igreja local certas de que serão bem acolhidas, que serão protegidas de represálias e que suas denúncias serão tratadas com a máxima seriedade.

A obrigatoriedade de denunciar

Outra novidade diz respeito à obrigatoriedade para todos os clérigos, os religiosos e as religiosas de «assinalar prontamente» à autoridade eclesiástica todas as notícias de abusos das quais tiverem conhecimento, assim como as eventuais omissões e acobertamentos na gestão dos casos de abusos. Se até hoje esta obrigação chamava em causa, num certo sentido, somente a consciência individual, de agora em diante se torna um preceito legal estabelecido universalmente. A obrigatoriedade em si é sancionada somente para os clérigos e religiosos, mas todos os leigos também podem e são encorajados a utilizar o sistema para assinalar abusos e moléstias às autoridades eclesiásticas competentes.

Não somente abusos contra menores

O documento compreende não somente as moléstias e as violências contra os menores e os adultos vulneráveis, mas diz respeito também à violência sexual e às moléstias que derivam do abuso de autoridade. Esta obrigatoriedade inclui também qualquer caso de violência contra religiosas por parte de clérigos, assim como também o caso de moléstias a seminaristas ou noviços de maior idade.

Os “acobertamentos”

Entre os elementos de maior relevo está a identificação, como categoria específica, da chamada conduta de acobertamento, que consiste «em ações ou omissões tendentes a interferir ou contornar as investigações civis ou as investigações canónicas, administrativas ou criminais, contra um clérigo ou um religioso relativas aos delitos» de abuso sexual. Trata-se daqueles que, exercendo cargos de particular responsabilidade na Igreja, ao invés de investigar os abusos cometidos por outros, os esconderam, protegendo o suposto réu ao invés de tutelar as vítimas.

A proteção das pessoas vulneráveis

Vos estis lux mundi acentua a importância de tutelar os menores (pessoas com menos de 18 anos) e as pessoas vulneráveis. De fato, é ampliada a noção de “pessoa vulnerável” , não mais restrita somente às pessoas que não têm “o uso habitual” da razão, mas compreende também os casos ocasionais e transitórios de incapacidade de entender e querer, além das desabilidades de ordem física. Nisto, o novo Motu proprio se inspira na recente Lei vaticana (n. CCXCVII de 26 de março de 2019).

O respeito das leis dos Estados

A obrigatoriedade de assinalar ao ordinário do local ou ao superior religioso não interfere nem modifica qualquer outra obrigação de denúncia eventualmente existente nas leis dos respectivos países: as normas, de fato, «aplicam-se sem prejuízo dos direitos e obrigações estabelecidos em cada local pelas leis estatais, particularmente aquelas relativas a eventuais obrigações de assinalação às autoridades civis competentes».

Proteção a quem denuncia e às vítimas

Também são significativos os parágrafos dedicados a tutelar quem se oferece para fazer as denúncias. Quem refere notícias de abusos, segundo prevê o Motu proprio, não pode, de fato, ser submetido a «danos, retaliações ou discriminações» em decorrência daquilo que assinalou. Uma atenção também ao problema das vítimas que, no passado, foram reduzidas ao silêncio: essas normas universais preveem que «não pode ser» imposto a elas «qualquer ônus de silêncio a respeito do conteúdo » da assinalação. Obviamente, o segredo de confissão permanece absoluto e inviolável e, portanto, não é de modo algum tocado por esta normativa. Vos estis lux mundi estabelece ainda que as vítimas e suas famílias devem ser tratadas com dignidade e respeito e devem receber uma apropriada assistência espiritual, médica e psicológica.

As investigações a cargo dos bispos

O Motu proprio disciplina as investigações a cargo dos bispos, dos cardeais, dos superiores religiosos e daqueles que têm a responsabilidade, mesmo que temporariamente, de guiar uma diocese ou outra Igreja particular. Esta disciplina deverá ser observada não somente se essas pessoas forem investigadas por abusos sexuais realizados diretamente, mas também se forem denunciadas por terem «acobertado» ou não terem investigado abusos dos quais tiveram conhecimento e que cabia a elas combater.

O papel do metropolita

É significativa a novidade a respeito do envolvimento na investigação prévia do arcebispo metropolita, que recebe da Santa Sé o mandato de investigar caso a pessoa denunciada seja um bispo. O seu papel, tradicional da Igreja, fica assim reforçado e comprova a vontade de valorizar os recursos locais inclusive para questões acerca da investigação dos bispos. Aquele que for encarregado de investigar, depois de trinta dias deve transmitir à Santa Sé « um relatório informativo sobre o estado das investigações », que «devem ser concluídas no prazo de noventa dias» (são possíveis adiamentos por «fundados motivos »). Isso estabelece tempos precisos e, pela primeira vez, pede-se que os Dicastérios interessados ajam com tempestividade.

Envolvimento dos leigos

Citando o artigo do Código canônico, que destaca a preciosa contribuição dos leigos, as normas do Motu proprio prevêem que o metropolita, ao conduzir as investigações, possa contar com a ajuda de «pessoas qualificadas», segundo « as necessidades do caso e, em particular, tendo em conta a cooperação que pode ser oferecida pelos leigos ».

O Papa afirmou mais de uma vez que as especializações e as capacidades profissionais dos leigos representam um recurso importante para a Igreja. As normas preveem agora que as conferências episcopais e as dioceses possam preparar listas de pessoas qualificadas disponíveis a colaborar, mas a responsabilidade última sobre as investigações permanece confiada ao metropolita.

Presunção de inocência

Reitera-se o princípio da presunção de inocência da pessoa investigada, que será avisada da existência da própria investigação quando for solicitado pelo Dicastério competente. A acusação, de fato, deve ser notificada obrigatoriamente somente quando houver a abertura de um processo formal e, se considerada oportuna para garantir a integridade da investigação ou das provas, pode ser omitida na fase preliminar.

Conclusão da investigação

O Motu proprio não traz modificações às penas previstas para os delitos, mas estabelece o procedimento para fazer a assinalação e realizar a investigação prévia. No encerramento da investigação, o metropolita (ou em determinados casos o bispo da diocese sufragânea com maior ancianidade de nomeação) encaminha os resultados ao Dicastério vaticano competente e cessa, assim, a sua tarefa. O Dicastério competente procede então « nos termos do direito, de acordo com o previsto para o caso específico», agindo, portanto, com base nas normas canônicas já existentes. Com base nos resultados da investigação prévia, a Santa Sé pode imediatamente impor medidas preventivas e restritivas à pessoa investigada.

Empenho concreto

Com este novo instrumento jurídico desejado por Francisco, a Igreja Católica realiza um novo e incisivo passo na prevenção e combate dos abusos, que enfatiza ações concretas. Como escreve o Papa no início do documento: «Para que tais fenómenos, em todas as suas formas, não aconteçam mais, é necessária uma conversão contínua e profunda dos corações, atestada por ações concretas e eficazes que envolvam a todos na Igreja».

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Papa Francisco convida bispos no Panamá a “Sentir com a Igreja”

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25 de janeiro de 2019

“Sentir com a Igreja.” O lema criado por Santo Inácio de Loyola e difundido na igreja latino-americana por Santo Óscar Romero foi elemento central no encontro do Papa Francisco com bispos da América Central nesta quinta-feira, 24.

Chegando ao país na tarde de ontem, o Papa foi recebido pelo presidente do país, Juan Carlos Varela, e sua esposa, Lorena Castillo. Descansou pelo resto do dia. Ele fica no país até o dia 27, participando dos encontros da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

No fim da manhã de hoje, na Igreja de São Francisco de Assis, o Papa Francisco recordou a forte tradição colegial da Igreja latino-americana. O Secretariado Episcopal da América Central e do Panamá (Sedac) é a instituição que reúne os bispos de toda a região. “Os pastores desta região foram os primeiros a criarem na América um organismo de comunhão e participação que deu abundantes frutos, e continua dando”, recordou o Pontífice.

ROMERO COMO EXEMPLO

Foi nesse contexto que Francisco recorreu à figura de Dom Óscar Romero, Arcebispo e mártir de São Salvador por ele canonizado em outubro de 2018, durante o Sínodo dos Bispos sobre os jovens. “Sua vida e ensinamento são fonte constante de inspiração para nossas Igrejas, e, de modo especial, para nós bispos”, disse.

“Sentir com a Igreja” era o lema episcopal de Santo Óscar Romero. Nas palavras do Papa Francisco, remete à sua sintonia e aprendizado dentro da Igreja, que Dom Romero amava “com suas entranhas”.

“Nós não inventamos a Igreja. Ela não nasce conosco e seguirá sem nós”, lembrou aos bispos, dizendo que esse pensamento despertava uma “insondável e inimaginável gratitude” no Santo salvadorenho. “Romero sentiu com a Igreja porque, em primeiro lugar, amou a Igreja como mãe que o gerou na fé e se sentiu membro e parte dela.”

Da mesma forma, o Papa convidou os bispos a levarem “nas entranhas” o amor de Cristo: “É importante, irmãos, que não tenhamos medo de tocar e nos aproximarmos das feridas de nossa gente, que também são nossas feridas”, disse.

“E fazer isso com o estilo do Senhor. O pastor não pode estar longe do sofrimento de seu povo. E mais, poderíamos dizer que o coração do pastor se mede por sua capacidade de deixar-se comover diante de tantas vidas feridas e ameaçadas.”

JOVENS COMO "LUGAR TEOLÓGICO"

Santo Inácio de Loyola criou o lema “Sentir com a Igreja” no contexto de seus exercícios espirituais. Era uma forma de ajudar o exercitante a “superar qualquer tipo de falsas dicotomias ou antagonismos que reduzam a vida do Espírito à habitual tentação de acomodar a Palavra de Deus ao próprio interesse”, explicou o Papa Francisco.

Saber que fazemos parte de um “corpo apostólico” maior que nós mesmos nos faz “sentir parte de um todo que será sempre mais que a soma das partes”.

Durante a JMJ, essa perspectiva torna-se oportunidade única para “sair ao encontro e se aproximar ainda mais da realidade dos jovens, cheia de esperanças e desejos, mas também profundamente marcada por tantas feridas”.

Referindo-se ao último Sínodo dos Bispos sobre os jovens, Francisco observou que a juventude é um “lugar teológico”, ou seja, com ela “podemos visualizar como fazer mais visível e crível o Evangelho no mundo”. Os jovens “são como um termômetro para saber onde estamos como comunidade e sociedade”, alertou.

UNIDADE NA DIVERSIDADE

Em editorial publicado no jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, o diretor Andrea Monda comentou a viagem do Papa ao Panamá dizendo que vai em meio a “sonhos e esperanças”. No texto, ele nota que uma das características do Panamá que agradam Francisco é o fato de ser um canal que une duas partes importantes do mundo, os oceanos Pacífico e Atlântico.

O artigo recorda que São João Paulo II esteve no Panamá em 1983. “Mas hoje o Panamá se torna por cinco dias o centro do mundo, como deixou evidente a multidão festiva que acompanhou ininterruptamente todo o percurso do papamóvel do aeroporto até a sede da nunciatura”, onde o Papa está hospedado, diz o texto. “Unidade, esperança, sonho, são as três notas de abertura desta JMJ que agora pode começar a fazer sentir o seu canto.”

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Panamá vira a ‘capital da juventude’

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23 de janeiro de 2019

O Papa Francisco chega ao Panamá nesta quarta-feira, 23, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). No Twitter, ele escreveu: “Estou partindo para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá. Peço a vocês que rezem por este evento tão lindo e importante no caminho da Igreja.”

Mesmo antes da chegada do Santo Padre, JMJ já começou. A missa de abertura, tipicamente celebrada pelo bispo local, foi presidida ontem por Dom José Domingo Ulloa Mendieta, no Campo Santa Maria la Antigua.

Em sua pregação, Dom Ulloa saudou os peregrinos e disse que eles souberam superar todos os obstáculos para se reunir no Panamá, uma “pequena igreja que hoje se converte em capital da juventude”. Nas suas palavras, “falar de jovens é falar de esperança, porque a mudança no mundo, a mudança na Igreja só virá das mãos de vocês, queridos jovens”.

MARIA COMO MODELO

Esta é a primeira Jornada na qual o exemplo de Maria, mãe de Jesus, foi colocado no centro de todas as reflexões. O tema é seu “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”, conforme o Evangelho de São Lucas. Dom Ulloa apontou para essa novidade, chamando Maria de “estrela da evangelização”.

“Foi proposta do Papa Francisco para vocês, como modelo de valentia e coragem. Ela, a jovem, esteve disponível para cumprir o projeto de Deus”, disse. O Arcebispo acrescentou que esta é uma JMJ das periferias existenciais e geográficas.

“Queridos jovens, este encontro de vocês com Jesus Cristo deve levá-los a um confronto consigo mesmos e com o adoutrinamento desse sistema antivalores que impera, sustentado na busca de uma falsa felicidade. Ela é tão fugaz que os leva a experimentar, desesperadamente, coisas que lhes fazem mal à mente e ao espírito. No final só alcançam um vazio espiritual”, alertou, dizendo que o único chamado perene e verdadeiro é aquele de Jesus Cristo.

ACOLHIDA CALOROSA

O bispo de Imperatriz, Dom Vilsom Basso, presidente da Comissão para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou ao O SÃO PAULO sobre sua expectativa para este grande encontro internacional.

“A minha primeira impressão, chegando ao Panamá, é muito bonita. A acolhida, as pessoas cantando, rezando com a gente.”, disse. “Para mim, é muito especial também porque é a primeira vez que fico hospedado em uma casa de família.”

É tradição na JMJ que famílias e jovens locais acolham participantes estrangeiros. “Vemos muita gente trabalhando, o povo do Panamá acolhendo muito bem, a cidade inteira enfeitada para acolher o Papa e os milhares de jovens que virão participar”, conta.

“Queremos viver estes dias no espírito mariano de acolhida do chamado de Deus: uma resposta alegre, corajosa, criativa e generosa, para servir a Deus, a Igreja e especialmente a juventude”, comentou Dom Vilsom, que defende uma priorização pastoral para os jovens. “[A Jornada] é a Igreja na sua pluralidade, unida ao redor de Jesus Cristo e do Papa Francisco, para levar uma mensagem de vida e de esperança a toda a juventude.”

JMJ EM NÚMEROS

Oficialmente, são mais de 100 mil inscritos até o momento, provenientes de 156 países. A expectativa é de que número total de participantes fique entre 500 e 700 mil. Além disso, participam 480 bispos, dos quais 380 farão catequeses diárias em 25 línguas, em 137 centros de encontro.

O número de voluntários chega a 20 mil panamenhos e outros 2,4 mil estrangeiros. O Brasil está em segundo lugar no número de voluntários, após a Colômbia. Também Costa Rica, México e Polônia têm muitos voluntários. Os jornalistas credenciados são 2,5 mil.

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