‘É o próprio Jesus que entra na casa do doente e vai para junto do leito’

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15 de março de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu a missa de abertura dos cursos da Pastoral da Saúde, na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Vila Mariana, no sábado, 9.

Neste ano, são oferecidos os cursos de “Formação Inicial para Agentes da Pastoral da Saúde”, nas regiões episcopais, e de “Formação para a Pastoral Hospitalar”, no Mosteiro de São Bento, no Centro.

 

PREOCUPAÇÕES DE JESUS

Na homilia, Dom Odilo disse que a Quaresma é tempo oportuno para abrir o coração à escuta dos apelos de Deus e da Igreja, apresentados de muitas formas por meio da liturgia.

“A Liturgia quaresmal é uma grande Catequese, uma mistagogia, que nos repropõe o itinerário da nossa fé, recorda- -nos os mistérios de Deus em que cremos e nos torna sensíveis ao apelo de Deus”, afirmou.

O Cardeal Scherer lembrou que as pessoas enfermas nas casas e hospitais são preocupação central do serviço da Igreja e que o recado missionário da Quaresma é o de “termos as mesmas preocupações de Jesus, para que muitos possam receber essa visita salvadora”

Ainda segundo Dom Odilo, “nossa missão é também ajudar os outros para que possam ter a alegria do encontro com Jesus por meio de uma visita, de uma palavra ou de uma oração. É o próprio Jesus que entra na casa do doente e vai para junto do leito. A pessoa se sente exatamente visitada por Jesus”, concluiu.

 

PASTORAL E SÍNODO

Após a celebração, Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo e membro da Comissão de Coordenação Geral do sínodo arquidiocesano, conduziu a aula inaugural dos cursos, na qual apresentou os dados da pesquisa realizada por ocasião do sínodo.

Conforme dados da pesquisa, há grupos de Pastoral da Saúde em 166 das 295 paróquias da Arquidiocese, e, em 217 paróquias, há grupos da Pastoral do Enfermo. Ao todo, a ação pastoral das paróquias atendeu mais de 33 mil doentes no ano de 2017.

 

FORMAR AGENTES

Segundo Padre João Inácio Mildner, Assessor Eclesiástico da Pastoral da Saúde arquidiocesana, a perspectiva para este ano é formar os agentes para uma ampla ação da Pastoral na Arquidiocese de São Paulo.

“Nossa expectativa é que seja um ano muito fecundo e produtivo na formação de agentes, para que todos os doentes da Arquidiocese ou que estão internados aqui nos hospitais tenham assistência religiosa não só nos hospitais católicos, mas também nos filantrópicos e públicos”, disse ao O SÃO PAULO.

 

MÉDICO E SACERDOTE

Padre João também falou sobre a chegada do Padre Tiago Gurgel do Vale para a Pastoral da Saúde. Este sacerdote, formado em Medicina com Doutorado em Bioética, retornou ao clero arquidiocesano após um período de estudos em Roma.

Padre Tiago se diz muito feliz em contribuir com a Pastoral e na formação de novos agentes. “Quando eu trabalhava como médico, eu tinha esse contato com o doente, mas percebi que o contato com o doente, não mais como médico, era um contato na profundidade do ser humano. Uma relação entre almas, porque o paciente quanto fala com o médico, fala da dor física, mas, com o padre, ele fala de toda a sua enfermidade espiritual”, disse à reportagem.

 

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‘Os missionários vivem a pobreza com os pobres e no lugar dos pobres’

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07 de fevereiro de 2019

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, falou sobre sua visita ao Haiti, entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro. Na sua segunda viagem ao país mais pobre das Américas, Dom Odilo visitou os trabalhos apostólicos que a Missão Belém realiza em uma comunidade localizada junto a um lixão na periferia da capital, Porto Príncipe, desde o terremoto que devastou o país em 2010.

O Cardeal destacou que, embora as feridas mais visíveis do terremoto já foram cicatrizadas, ainda há muitas coisas à espera de reconstrução no País. “O papel da Igreja é muito importante para promover, além da ação caritativa e religiosa, também a possibilidade de mudança social e cultural”, salientou o Arcebispo, destacando o trabalho da Missão Belém como admirável, “de uma abnegação e dedicação enormes”.

“No Haiti, a Missão Belém está com os ‘descartados’ e abandonados à própria sorte”, afirmou, ressaltando que a esperança semeada pela Comunidade é percebida pelo sorriso das crianças acolhidas. Leia a íntegra da entrevista.

 

O SÃO PAULO – COMO FOI A VISITA DO SENHOR AO HAITI?

Dom Odilo Pedro Scherer – Vim ao Haiti depois de participar da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, com o principal objetivo de visitar a comunidade missionária da Missão Belém no Haiti e a sua obra, iniciada após o grande terremoto que abalou o país em 2010. Foram quatro dias de programação intensa, com visitas às salas da creche e da escola, que já contam juntas com mais de 1.800 alunos. Além disso, visitei o canteiro de obras da nova escola e do início da construção de um hospital para a Missão Belém no mesmo local da escola. Mas também visitei o Núncio Apostólico no Haiti e o Arcebispo de Porto Príncipe; tive contatos com outros religiosos brasileiros que trabalham na Capital, celebrei com o povo e participei de uma tocante via sacra no meio da favela.

 

O QUE O SENHOR DESTACA DO TRABALHO REALIZADO PELA MISSÃO BELÉM NESSE PAÍS?

É um trabalho voltado para uma população muito pobre, que vive sobre um lixão na periferia de Porto Príncipe. A Missão Belém dedica-se, sobretudo, às crianças e adolescentes, para lhes oferecer condições de saúde, alimentação e educação para um futuro melhor. Os missionários vivem no meio dessa população, partilhando sua pobreza e inteiramente dedicados a ela. O testemunho dos missionários da Missão Belém é muito edificante, e a obra ali iniciada consegue agregar a colaboração de muitas pessoas da própria favela e a solidariedade de muitos benfeitores do Brasil e da Itália, graças aos quais o trabalho vai acontecendo como verdadeira obra da Providência.

 

QUAL É O PAPEL DA IGREJA NA TRANSFORMAÇÃO DA VIDA DAQUELE POVO?

O papel da Igreja é muito importante para promover, além da ação caritativa e religiosa, também a possibilidade de mudança social e cultural. O Haiti ainda precisa muito de ajuda internacional concreta e inserida, que envolva a própria população local, não devendo ser paternalista, pois criaria dependência e não estimularia o povo a superar seus problemas. A Missão Belém está fazendo isso. Os pais dos alunos, especialmente as mães, são envolvidos no trabalho da Missão; muitos dos 250 funcionários pagos e dos voluntários são da comunidade da favela. A obra da educação e da evangelização são extremamente importantes nesse contexto.

 

O QUE MUDOU NO HAITI DESDE A ÚLTIMA VISITA DO SENHOR?

As feridas mais visíveis do terremoto já foram cicatrizadas e o povo voltou à normalidade de sua vida. Ainda há muitas coisas à espera de reconstrução, inclusive a catedral metropolitana. Das muitas ONGs que atuaram no país restaram poucas em ação, porém, muitas iniciativas da Igreja, não apenas do Brasil, consolidaram sua presença e continuam empenhadas ali, na sua ação missionária, educativa e de ação transformadora. A pobreza ainda continua muito grande e, com a ausência das tropas da ONU, lideradas pelo Brasil, para assegurar a ordem e a estabilidade política, o Haiti vai fazendo suas experiências na consolidação do regime democrático.

 

O QUE MAIS O MARCOU NO CONTATO COM A SITUAÇÃO DO PAÍS?

O contato foi muito breve e seria temerário fazer um julgamento sobre a situação do país. O certo é que o Haiti ainda precisa dar muitos passos na consolidação da ordem democrática, na superação da pobreza e de injustiças sociais arraigadas. Em geral, as condições de vida da população ainda carecem de muitos avanços. Nas questões da segurança e da transparência na administração pública, o Haiti não difere dos outros países da região do Caribe, da América Central e do Sul. Mas se nota que o povo luta como pode, é criativo para encontrar modos de resolver as necessidades básicas cotidianas. Além disso, é um povo que tem um senso estético e artístico bem afinado.

 

E COMO AVALIA O TRABALHO DA MISSÃO BELÉM NO HAITI?

É um trabalho admirável, de uma abnegação e dedicação enormes. Os missionários vivem a pobreza com os pobres e no lugar dos pobres. Olhando para o contexto onde atuam, lembrei-me das frequentes referências do Papa Francisco às “periferias existenciais e humanas” e aos “descartados” da sociedade. No Haiti, a Missão Belém está com os “descartados” e abandonados à própria sorte, que vivem em cima de um grande lixão (material descartado). Mas a Missão Belém faz brotar a esperança, que aparece no sorriso das crianças ali acolhidas e atendidas e na sua algazarra alegre nas salas da escola. É um trabalho que precisa e merece o apoio de muitos benfeitores.

 

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Cardeal Odilo Pedro Scherer preside missa na festa de Santo Agnelo

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21 de dezembro de 2018

Os fiéis da Paróquia Santo Agnelo comemoraram neste mês a festa do Padroeiro, que foi iniciada com novena, tendo uma das missas presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. 

Na sexta-feira, 14, no dia do Padroeiro, a missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. Na homilia, o Cardeal destacou a importância dos trabalhos missionários e de ter como centro a Cruz de Cristo na perspectiva de o caminho ser árduo, mas com esperança na Ressurreição. 

Padre Renato Braga, Pároco, ressaltou que com o sínodo, a Paróquia Santo Agnelo iniciou as pastorais da Comunicação, da Catequese de adulto e da Juventude.
 

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