No Ipiranga, fiéis lotam o Santuário Nossa Senhora Aparecida

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13 de outubro de 2018

Desde as primeiras horas da manhã da sexta-feira, 12, os devotos da Padroeira do Brasil chegavam ao Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, para a primeira das dez celebrações no dia em que se festeja os 301 anos do achado da imagem mariana nas águas do rio Paraíba do Sul.  

Este ano, os devotos dirigiram-se ao templo no tradicional bairro do Ipiranga para, além de render graças a Mãe Santíssima, celebrar o primeiro aniversário de elevação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida a santuário arquidiocesano, em 12 de outubro de 2017 pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano.

Durante todo o dia, foi intenso o movimento de fiéis para participar das celebrações, fazer confissões, visitar o velário do Santuário e aproveitar a quermesse com o tradicional bolo de Nossa Senhora.

VEJA FOTOS DO DIA DA PADROEIRA NO SANTUÁRIO

Às 17h, teve início a procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida pelas ruas próximas ao Santuário, seguida da missa solene campal, presidida por Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e Universidade, e por Dom Eduardo Vieira dos Santos, também bispo auxiliar e Vigário Episcopal na Região Sé.

Ao longo da missa, Dom Carlos resgatou fatos importantes da fundação do Santuário, vinculado a história da Arquidiocese de São Paulo, e recomendou o Brasil à proteção de Maria, de maneira especial neste momento de eleições em que se define o futuro do País.

Com a Padroeira pelas águas do rio Tietê

Outra celebração arquidiocesana nas comemorações do Dia da Padroeira do Brasil aconteceu na Catedral da Sé, pela manhã, quando houve a recepção da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida que percorreu as cidades que margeiam o rio Tietê. Trata-se do projeto Tietê, Esperança, Aparecida, realizado anualmente desde 2004.

VEJA FOTOS DA CHEGADA DA IMAGEM PEREGRINA

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DO O SÃO PAULO, A PARTIR DE 17/10

(Colaborou: Cleide Barbosa/rádio 9 de Julho)

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Brasileiros festejam Nossa Senhora Aparecida em Nova York

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24 de outubro de 2018

Uma parte da comunidade brasileira residente nos Estados Unidos se reuniu no sábado, 6, na Catedral de São Patrício, em Nova York, nos Estados Unidos, para celebrar uma missa em honra a Nossa Senhora Aparecida. A missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, a convite do Cardeal Timothy Dolan, Arcebispo de Nova York. 

A celebração contou com a participação de 500 pessoas, dentre as quais o embaixador Enio Cordeiro, Cônsul-Geral do Brasil em Nova York; a Ministra Lúcia Maria Maierá, Cônsul-Geral Adjunta; Ricardo Lima, Presidente do Conselho da Comunidade Brasileira em Nova York, e o Padre José Carlos da Silva, Pároco da Paróquia Santa Rita, que reúne os brasileiros da cidade.  

Na homilia, Dom Odilo expressou sua alegria e gratidão aos sacerdotes que acompanham a comunidade brasileira em Nova York e em outras localidades dos Estados Unidos, e ressaltou que a celebração era ocasião de se unir a todas as comunidades do Brasil na novena preparatória da festa de sua padroeira. Ele também recordou as eleições que aconteceriam no dia seguinte, domingo, 7, na qual os brasileiros residentes no exterior também votaram para o cargo de Presidente da República. 

“Nossa Senhora Aparecida é para nós a padroeira, a mãe dos brasileiros, a quem recorremos nos momentos alegres e difíceis. A ela cantamos: ‘Ó, velai pelo povo Brasileiro, Senhora Aparecida’”, afirmou o Cardeal, motivando os fiéis a nunca deixarem de expressar a alegria da fé e as riquezas da cultura católica e brasileira:  “É uma riqueza muito grande que podemos compartilhar com outros povos e culturas”. 

 

MÚSICAS BRASILEIRAS

Os cânticos da missa foram entoados em Português pelo coro “Brazilian Schola Cantorum”, acompanhados pelo grande órgão de tubos da Catedral, tocado pelo músico brasileiro Delphim Rezende Porto. Para ele, a missa em honra a Nossa Senhora Aparecida é uma oportunidade de mostrar ao povo a devoção brasileira da melhor e mais bela maneira possível. “Tive a oportunidade de estar em Nova York a convite da Columbia University e atuar como visiting scholar no Departamento de Música, pesquisando e produzindo conhecimento científico. Doutorei-me em Música na USP e desde então tenho me dedicado a projetos que usem a música para melhorar a vida do nosso povo dentro e fora dos limites geográficos do Brasil. Cultura e fé é uma parceria que pode dar muitos frutos”, afirmou. 

 

TRADIÇÃO

O costume da missa anual pela festa da padroeira do Brasil começou em 2012, embora em anos anteriores já houvesse missas organizadas pelo Consulado Brasileiro em datas como os dias da Independência e do Descobrimento do Brasil. O idealizador da tradição foi o Padre Amarilo Checom, já falecido. Atualmente, há 350 mil brasileiros residentes em Nova York, Nova Jersey e na Pensilvânia. No fim da missa, o CônsulGeral do Brasil agradeceu aos membros da comunidade brasileira “que seguem mantendo viva, ao longo de tantos anos, essa tradição que nos reúne para celebrar a devoção a Nossa Padroeira e Protetora”, disse. “A devoção mariana faz parte da nossa identidade como País”, completou.

O empresário Edgar Alves, 60, mora nos Estados unidos há 28 anos. Ele relatou ao O SÃO PAULO que há uma participação significativa de católicos brasileiros nas igrejas norte-americanas. “Creio que Nova Jersey tem uma concentração maior de brasileiros católicos. Já visitei comunidades católicas da Flórida e Massachusetts, e a participação da comunidade é bem ativa e presente. A receptividade americana ao povo brasileiro, na minha visão, é bem amigável”, disse.

 

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Santuário Nossa Senhora Aparecida no Ipiranga terá programação especial em 12 de outubro

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05 de outubro de 2018

“A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, nos lembra que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça.” 

O trecho acima é do Papa Francisco e foi pronunciado em outubro de 2017, ao saudar os fiéis brasileiros na Praça de São Pedro, em Roma. A devoção a Nossa Senhora Aparecida, lembrada a cada 12 de outubro, une os fiéis de todo o País, e sua imagem pode ser encontrada tanto nas grandes igrejas e santuários quanto nas casas mais humildes, bares, hospitais e associações.

Em São Paulo, na rua Labatut, 781, no bairro do Ipiranga, o Santuário Nossa Senhora Aparecida, único dedicado à Virgem Aparecida na Capital Paulista, tem expansão de suas atividades e projetos pastorais desde que foi elevado à condição de santuário arquidiocesano no dia 12 de outubro de 2017. 

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Padre Anísio Hilário, Reitor, comentou que, neste primeiro ano, a comunidade está concentrando os esforços para adequar-se à condição de santuário. “Mantemos as atividades que existiam e acrescentamos outras, como, por exemplo, uma missa diária às 12h e a ampliação dos horários para atender confissões”, explicou o Padre, que salientou também que o trabalho tem sido feito continuamente com o objetivo de tornar o Santuário conhecido e que ele seja, cada dia mais, um lugar de peregrinação para os fiéis de São Paulo.

 

HISTÓRIA

A construção da Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro do Ipiranga, está intimamente ligada ao Santuário Nacional de Aparecida. Por ocasião do IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em 1942, a Arquidiocese de São Paulo acolheu a réplica da imagem da Padroeira do Brasil. 

O Arcebispo Metropolitano à época, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, a escolheu como primeira peregrina do Congresso. A imagem foi trazida do próprio Santuário Nacional, e, após ser recebida na Praça da Sé, esteve em todas as celebrações ocorridas entre os dias 4 e 7 de setembro do mesmo ano.

Após o encerramento do Congresso, Dom José decidiu erguer uma igreja para abrigar a imagem de Nossa Senhora Aparecida e, em 13 de setembro, ela foi conduzida em procissão até a Várzea do Ipiranga, local onde o Arcebispo abençoou a pedra fundamental da futura construção, obra que duraria 30 anos.

A nova paróquia foi oficialmente criada em 19 de setembro de 1942, e seu primeiro Pároco foi o Padre Mário Marques e Serra. Para que as obras não ficassem paradas, membros da comunidade e moradores do bairro estiveram empenhados em campanhas como a do tijolo, do livro, além de rifas e festas para angariar recursos financeiros.

A primeira missa, quando o prédio ainda estava sendo construído, aconteceu em outubro de 1949. A inauguração da nave central do templo se deu em 1955, e cinco anos depois a imagem da Padroeira chegou à matriz-paroquial, e até hoje pode ser vista no altar do Santuário. Os sinos da torre começaram a ser içados em 1970, mas a obra só se concluiu em 1991, quando o Cônego Cosmo Maestri já exercia a função de Pároco, o segundo da história da Paróquia.

 

O CONGRESSO QUE MUDOU UMA HISTÓRIA

Em 2011, Reny Avancini Peixoto, que durante o Congresso Eucarístico Nacional de 1942 tinha apenas 15 anos, falou ao O SÃO PAULO para a série de reportagens sobre as paróquias da Arquidiocese. À época, ela estava com 84 anos, quando contou à reportagem suas lembranças: “As procissões eram realizadas ali no centro, as adorações ao Santíssimo Sacramento, as confissões ao ar livre, missas e, sobretudo, o grande espetáculo que formava aquela multidão vista do alto. O fato tornava-se ainda mais impressionante, tendo em vista que a cena narrada apontava a participação de estimadas 500 mil pessoas, levando em consideração que São Paulo, no início da década de 40, tinha população que não passava de 1,5 milhão de pessoas”.

Ainda é Dona Reny quem conta como foi a chegada da imagem à região. “Após o término do Congresso, ela seguiu em procissão até a Várzea do Ipiranga, em 13 de setembro.” 

Nas paredes laterais do templo, está registrada toda a rica história, em pinturas em azulejo. De um lado, o aparecimento da imagem de Nossa Senhora, em Aparecida. Do outro, a construção da igreja, com a bênção da pedra fundamental, além de uma homenagem aos muitos leigos que ajudaram a construir a história, com seus nomes gravados para sempre. 

De concreto revestido de cobre, o altar da igreja tem a forma do globo terrestre, com a abertura no centro, onde está entronizada a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Nas laterais, foram esculpidas, no próprio cobre, as bandeiras do Brasil e do Vaticano.  De acordo com Dona Reny, olhando para ele, ainda é possível ouvir o refrão do hino do Congresso, que teve a autoria de Furio Franceschini: “Brasileiros! Levantemos/ Nosso Cântico jucundo/Cristo vive, Cristo Reina/ Cristo impera em todo mundo./Cristo impera em todo mundo”.

 

ELEVAÇÃO À CATEGORIA DE SANTUÁRIO

Em decorrência das celebrações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e dos 75 anos de fundação da Paróquia, o Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, elevou, no dia 12 de outubro de 2017, a igreja à categoria de santuário.

No decreto, o Arcebispo Metropolitano reiterou a relevância histórica dessa igreja e da persistência dos fiéis para a construção do templo. Dom Odilo salientou, também, no mesmo documento, que a fé, a piedade, a Palavra de Deus e presença da Igreja Católica necessitariam ser intensificadas em toda a Arquidiocese com o Santuário. 

A igreja, que ainda passa por reformas, como a que está sendo feita na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, foi, em 19 dezembro de 1958, pelo decreto municipal número 4.104, classificada como patrimônio artístico e cultural da cidade. 

Na celebração do dia 12 de outubro de 2017, em entrevista ao O SÃO PAULO publicada à época, Maria da Conceição, 60, que integra a Pastoral da Caridade e é devota de Nossa Senhora Aparecida, disse que na Paróquia encontrou um espaço de acolhida para vivenciar a herança de fé transmitida pelo pai, desde que ele chegou à cidade de São Paulo, vindo de Lins, no interior do Estado de São Paulo. 

Emocionada, a paroquiana lembrou as idas ao Santuário Nacional, no Vale do Paraíba, e com alegria enalteceu sua felicidade em pertencer a uma comunidade fraterna que todos os meses assiste 120 famílias carentes com cestas básicas, fruto de doações. 

 

PASTORAIS, GRUPOS E MOVIMENTOS

Em agosto deste ano, membros do Santuário Nossa Senhora Aparecida reuniram-se para a implantação da Pastoral do Menor. Em entrevista ao O SÃO PAULO , Sueli Camargo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral, comentou que o objetivo da Pastoral na Região Ipiranga foi estruturar os trabalhos para atender, sobretudo, a população de rua, formada por famílias em sua maioria. Padre Rodrigo Felipe da Silva, Vigário Paroquial, explicou que pretende, com a implementação da Pastoral, fazer exercitar a caridade e aplicar isso no Santuário com o envolvimento de paroquianos nas ações pastorais. “Estamos pensando na participação no Natal dos Sonhos, numa missão a ser realizada junto com a Comunidade Missão Belém e em outras atividades para que os agentes de pastoral do Santuário envolvam-se nas ações caritativas que já estão sendo realizadas na Arquidiocese e desenvolvam esse trabalho pastoral sempre mais intensamente na região em que está localizado o Santuário”, disse o Padre.

 

HORÁRIOS DO SANTUÁRIO

Missas: Segunda a sexta-feira, às 12h e às 19h30; Terça a sexta-feira, às 7h30; Sábado, às 7h30 e 16h; Domingo, às 7h, 8h30, 10h e 18h.

Dia 12 de cada mês:

Missas às 9h e às 15h em louvor a Nossa Senhora Aparecida na intenção dos enfermos, desempregados e pessoas idosas.

Novena Perpétua de Nossa Senhora Aparecida:

Quarta-feira, às 15h.

Horário de funcionamento da Secretaria:

Segunda a sexta-feira, das 8h às 19h.

Mais informações no site do Santuário ou pelo telefone: (11) 2063 4654.

 

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Igreja recorda 40 anos do restauro da imagem de Nossa senhora Aparecida

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23 de agosto de 2018

A Catedral Metropolitana de São Paulo ficou lotada no domingo, 19, para a celebração dos 40 anos do restauro da imagem da Nossa Senhora Aparecida, após o atentado que a destruiu em 1978. A missa, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, contou com a presença da uma réplica da imagem da Padroeira do Brasil trazida do Santuário Nacional de Aparecida, que, em seguida, foi levada em carreata para Aparecida (SP), reproduzindo o caminho percorrido há 40 anos pela imagem original após ser restaurado na capital paulista.

Na homilia, Dom Odilo destacou que ao celebrar as quatro décadas do restauro da imagem encontrada pelos pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717, todos são convidados a refletir sobre a restauração da imagem de Deus impressa em cada cristão. “Somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Quantas vezes essa imagem em nós é desrespeitada, manchada, humilhada”, afirmou. 

O Cardeal ressaltou, ainda, que o restauro da imagem da padroeira também é oportunidade de olhar para a imagem da sociedade brasileira. “Talvez a imagem do Brasil não esteja tão bonita e precise de um restauro em muitos sentidos. Há tantas coisas feias e bastante quebradas na imagem do nosso País que necessitam ser superadas e recuperadas, como a dignidade da vida social, da vida pública, política, as humilhações de tantos brasileiros que vivem na miséria, na violência. Tudo isso são manchas na imagem do Brasil”, completou.

 

EM APARECIDA 

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi conduzida em um caminhão do Corpo de Bombeiros até a saída da cidade, quando passou para os cuidados da Polícia Rodoviária Federal e seguiu pela rodovia Presidente Dutra até o Santuário Nacional. 

Em Aparecida, cerca de 140 mil peregrinos acolheram a imagem da padroeira, por volta das 14h. Esse foi o maior movimento de peregrinos no santuário mariano registrado até o momento em 2018. 

 

POR QUE RESTAURAR?

Em 16 de maio de 1978, na Basílica Velha de Aparecida (SP), um jovem, visivelmente transtornado, pegou a imagem original de Nossa Senhora Aparecida e a atirou ao chão, deixando-a despedaçada em mais de 200 partes. Diante do fato, os padres redentoristas buscaram ajuda no Museu Vaticano, mas foram orientados a procurar o Museu de Arte de São Paulo para o restauro da imagem. À época, a artista plástica Maria Helena Chartuni trabalhava como chefe do Departamento de Restauração do museu e foi a responsável pelo restauro da estátua de barro. Trabalho esse que durou exatos 33 dias ininterruptos. 

Além do valor histórico e artístico da imagem, qual seria o significado de empenhar tantos esforços para a restauração de uma pequena escultura de barro de 40 centímetros? Antes é preciso recordar que, na Tradição católica, as imagens sacras são mediações visíveis de uma realidade sobrenatural, no caso, os santos e santas, venerados como heróis e exemplos de seguimento a Jesus Cristo. O Catecismo da Igreja Católica destaca que “a honra prestada às santas imagens é uma ‘veneração respeitosa’, e não uma adoração, que só se deve ser prestada a Deus”. 

Quanto às aparições da Virgem Maria, o mesmo Catecismo as define como “revelações privadas”, isto é, não têm o papel de “aperfeiçoar” ou “completar” a Revelação definitiva de Cristo, “mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história”. 

Mesmo assim, a imagem destruída há 40 anos não poderia ter sido simplesmente substituída por uma nova escultura? Ao contrário das inúmeras representações artísticas da Virgem Maria nos seus diversos títulos, a imagem venerada em Aparecida não é apenas a representação sacra de uma aparição da Mãe de Jesus, como em Fátima ou em Lourdes, por exemplo. O próprio encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição pelos pescadores, há três séculos, é a experiência da manifestação de Deus por meio da Virgem Maria. Por isso, desde o início ela é chamada de “a Aparecida”.

 

MENSAGEM ESCULPIDA

“A mensagem de Nossa Senhora Aparecida está em sua própria imagem”, afirmou o Padre João Batista Almeida, Reitor do Santuário Nacional, destacando, por exemplo, as características da imagem, como o convite à oração expresso por suas mãos postas, sua representação da Imaculada Conceição, cujo dogma foi proclamado apenas em 1854, ou seja, mais de um século depois. A própria cor da imagem e a circunstância do seu encontro também dizem muito ao povo daquela época, marcado pela escravidão e sofrimento. Para o Reitor, o fato de ser uma imagem de barro também lembra a origem do ser humano criado por Deus, e seu encontro nas águas recorda o Batismo, pelo qual todos são mergulhados no Cristo. 

“Essa imagem é o grande símbolo do catolicismo no Brasil”, completou Padre João Batista, destacando que, em torno da imagem da Virgem Aparecida, os fiéis se reuniram, testemunharam a fé e alcançaram graças. Ao longo desses três séculos, o Santuário Nacional de Aparecida se tornou um lugar de restauração do povo. “Quem visita a sala das promessas, no subsolo do santuário, por exemplo, vê quantas histórias de restauração de vidas, de famílias, de realidades”, acrescentou Padre João Batista.

 

CURAR A FERIDA DA INTOLERÂNCIA

O atentado contra a imagem da Padroeira do Brasil foi uma manifestação de intolerância religiosa e do desiquilíbrio humano que feriu o sentimento religioso de todos os católicos. “O ser humano, ao mesmo tempo que é criativo, também é capaz de destruir. Esse clima de intolerância que ainda se vive nos dias de hoje é destruidor”, enfatizou Padre João Batista, considerando que a restauração da imagem também foi uma forma de curar a ferida causada pela intolerância religiosa. 

 

‘ELA RESTAUROU A MINHA VIDA’

O próprio restauro da imagem pode ser considerado uma graça sobrenatural. “Quando vi o estado em que estava a imagem, realmente eu levei um susto interiormente”, relatou a restauradora, em entrevista ao O SÃO PAULO, publicada em 11 de outubro de 2017. 

“Quando esse restauro chegou na minha vida, não tive aquela emoção de um devoto, e foi até melhor, porque com uma distância do objeto a ser restaurado, você pode lidar melhor com ele. No entanto, eu sentia que durante o restauro aconteciam fatos estranhos, como pedaços pequenos que eu pegava ao ‘acaso’ e achava o lugar certo para colocá-los. Eu tinha pedido a Nossa Senhora, sozinha, antes de começar a restaurar: ‘eu estou com problema. Você me deu esse problema para resolver, e eu gostaria que você me ajudasse”, contou Maria Helena. 

A artista plástica afirmou que só teve plena noção do que representava aquele restauro quando a imagem retornou a Aparecida, em 19 de agosto de 1978, quando viu o corredor humano formado de São Paulo a Aparecida. “Todo mundo se emocionava, rezava, chorava, e aquilo realmente me tocou”, completou Maria Helena, que foi enfática ao dizer que não só a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi restaurada em 1978. “Ela realmente restaurou a minha vida!”, garantiu.

 

 

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Casa da Mãe Aparecida acolhe Romaria Arquidiocesana

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10 de mai de 2018

No primeiro domingo do mês de maio, 6, a Arquidiocese de São Paulo realizou sua 117ª Romaria Arquidiocesana ao Santuário Nacional de Aparecida (SP). 

Com o tema “Leigos com Maria, rumo ao sínodo arquidiocesano”,  cerca de 12 mil fiéis participaram da celebração, que teve início às 10h, no altar central da Basílica, presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Odilo Pedro Scherer, e concelebrada pelos bispos auxiliares. 

A Romaria da Arquidiocese de São Paulo, uma das mais antigas e numerosas na história das romarias à “Casa da Mãe”, contou com a presença de romeiros das seis regiões episcopais da Arquidiocese, do Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, além de representantes de movimentos, associações e pastorais, que se uniram a outros tantos peregrinos do Brasil. 

Ao saudar os romeiros, Dom Odilo disse que além da temática da peregrinação anual, uma intenção em especial foi trazida pelos peregrinos da Arquidiocese de São Paulo: os atingidos pelo incêndio e desabamento do prédio, no centro da Capital Paulista, na madrugada do dia 1º, e todos os que sofrem com a falta de moradia. A preocupação com os cerca de 200 moradores desabrigados foi expressa por romeiros como Maria Inês, 50, da Comissão Organizadora da Romaria. “São pessoas que estão em praça pública e que precisam de um teto permanente, não provisório. Não é só a realidade de um povo, é nossa, porque são povo de Deus e nós trouxemos este povo na alma, aqui na Casa da Mãe”, afirmou.

 

MANDAMENTO DO AMOR

Nessa peregrinação anual, duas motivações principais foram apresentadas diante de Nossa Senhora Aparecida: o Ano Nacional do Laicato e o sínodo arquidiocesano. Na homilia, Dom Odilo ressaltou que o Ano Nacional do Laicato diz respeito a todos os batizados e que a vocação fundamental e primeira de todos os cristãos é a de serem discípulos e missionários de Jesus Cristo, chamados a darem testemunho na família e na sociedade, “nas muitas maneiras de serem cidadãos cristãos católicos”. 

O sínodo arquidiocesano também foi colocado no coração de Maria Santíssima, venerada como Nossa Senhora Aparecida. “Queremos por meio do sínodo colocar-nos a escutar melhor o apelo de Deus, sobre a nossa realidade, sobre a nossa Arquidiocese. Para isso é o sínodo. E por isso queremos fazer esse caminho de comunhão, de esforço conjunto, todos juntos caminhando nessa mesma direção, nessa mesma preocupação de ouvir melhor a voz de Deus”, explicou o Cardeal. 

Ao refletir sobre as leituras proclamadas no 6º Domingo da Páscoa, Dom Odilo afirmou que a Palavra de Deus, expressa no relato de São João, sobre o mandamento do amor, põe a todos no coração do Evangelho, e destacou dois aspectos essenciais. “Primeiro ponto, o centro da nossa fé, da nossa religião: Deus nos ama, de amor infinito, e Deus nos amou primeiro. E vem o segundo ponto da nossa fé, da nossa religião, o núcleo central da nossa fé: a nossa correspondência ao amor de Deus, retribuir com nossa atitude a esse amor que nos amou primeiro”. Dom Odilo exortou que todos aprendam de Nossa Senhora – que viveu essa verdadeira comunhão com Deus e com seu filho Jesus - essa lição fundamental da prática da vida cristã. “Que Ela nos ensine assim a também amarmos a Deus, amar a Jesus Cristo, Nosso Senhor, amar ao próximo como Jesus nos ama...Nossa fé, nossa religião é a religião do amor a Deus, do amor ao próximo, aqui está o centro de tudo”, concluiu.

 

MARIA, SENHORA DOS POBRES E DOS EXCLUÍDOS

O Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua marcou presença significativa na Romaria Arquidiocesana. Dois ônibus levaram cem pessoas, entre colaboradores e acompanhados pelas entidades coordenadas pelo Vicariato. 

Na procissão de entrada da celebração, juntamente com outras representações da Arquidiocese de São Paulo, o pernambucano Evandro de Oliveira, 56, conduziu a bandeira do Vicariato. Morador em situação de rua desde criança, Evandro recordou que saiu de casa, ainda no Recife (PE), depois de conflitos com os pais. A partir daí, viveu está nas ruas em muitos locais, passando pela cidade do Rio de Janeiro e Aparecida (SP), onde participava das missas, e atualmente está nas ruas do centro da Capital Paulista. O devoto de Nossa Senhora Aparecida também recomendou seu pedido à Padroeira do Brasil pelo fim da violência contra todos que sofrem, e apontou a falta de direitos como uma de suas formas: “Só em tirar o direito das pessoas, da educação, da moradia, essa é a maior violência”, enfatizou.
 

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13 milhões de fiéis no Santuário Nacional de Aparecida em 2017

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13 de janeiro de 2018

Cerca de 13 milhões de fiéis passaram pelo Santuário Nacional de Aparecida em 2017, maior número de público registrado na história. As celebrações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida contribuíram para os altos números. 

“Sem dúvida, a celebração do Jubileu de Nossa Senhora Aparecida fez com que este número fosse alcançado. Muitos romeiros falavam conosco que vinham para celebrar este momento marcante para a Igreja no Brasil”, destacou o Reitor do Santuário Nacional, o Padre João Batista de Almeida. 

O dia de maior movimento no ano passado foi o 12 de outubro, data em que se comemorou a festa da Padroeira do Brasil. Nesse dia, 177 mil peregrinos marcaram presença no templo mariano. 

A grande afluência seguiu nos fins de semana de novembro, que registrou por três domingos seguidos mais de 160 mil pessoas. Entretanto, o mês mais movimentado foi dezembro, com grande fluxo de fiéis também no meio da semana. 

O local é mais visitado que outros importantes centros de peregrinação mundiais como Fátima, que estimou em 8 milhões de pessoas as visitações do último ano; e Lourdes, com 6 milhões de peregrinos. Entre os santuários marianos, apenas Guadalupe concentra mais fiéis do que Aparecida, com aproximadamente 20 milhões de pessoas por ano.

 

Fonte: A12
 

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Celebração em Moema pelo tricentenário de bênçãos e obras de fé

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23 de outubro de 2017

Em preparação para a celebração do Jubileu de 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul, a primeira paróquia de Nossa Senhora Aparecida construída em São Paulo, localizada em Moema, passou por uma readequação em seu espaço e restauração em seu campanário. 

A reinauguração ocorreu na quinta-feira, 12, durante a sexta celebração do dia, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, também com a presença dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, que peregrinaram a pé até a Praça Nossa Senhora Aparecida, onde foi celebrada a missa campal.

Na homilia, Dom Odilo destacou a importância da experiência da peregrinação realizada por tantos brasileiros em razão do jubileu, e relembrou o vínculo da Basílica de Aparecida com a Arquidiocese de São Paulo, o que justifica a devoção de tantos paulistanos à Padroeira do Brasil.

 

Sinos: um chamado das pessoas para o sagrado

Durante a celebração, o Padre Ederaldo Macedo, Pároco, disse que há 40 anos os sinos de Nossa Senhora Aparecida, São José e Santa Rita “pararam de conversar”. Esses são os sinos que integram o campanário da Paróquia em Moema. Sinos são considerados sinais e representam a igreja de Deus no lugar onde são badalados. Antigamente, as pessoas organizavam suas agendas diárias por meio do toque dos sinos. Segundo o Pároco, o som que se transmite por intermédio deles é um chamado: “Hoje, por incrível que pareça, em uma cidade barulhenta como São Paulo, o sino tem a função de chamar as pessoas para o sagrado. Ainda existe uma ilha de sagrado no meio de uma selva de pedra, no meio de tanto compromisso. É extremamente importante, o sino nos remete a Deus, é um abrir de portas”, concluiu o Padre.

O Pároco entregou a Dom Odilo, no altar, um botão para acionar o campanário da Paróquia. Quando o Cardeal o acionou, os fiéis fizeram silêncio aguardando o primeiro toque. De repente, luzes coloridas e um som alto vieram da torre central, que precederam as palmas dos fiéis. 

O restauro do campanário foi patrocinado pelo Grupo Comolatti, por ocasião dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida. Na missa, Sérgio Comolatti, Presidente do Grupo, esteve acompanhado da esposa, Ana Lúcia. A automação dos sinos coube ao engenheiro Márcio Tamura, da empresa Beltec Sinos e Relógios Ltda. Essa é a 10ª igreja que tem os sinos restaurados pelo Grupo Comolatti. Anteriormente, foram restaurados os sinos da Catedral da Sé, da Basílica Nossa Senhora da Assunção - Mosteiro de São Bento, da Paróquia San Gennaro, da Paróquia São Vito Mártir, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, da Igreja da Boa Morte, da Paróquia Bom Jesus do Brás e da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate.
 

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Igreja Nossa Senhora Aparecida é elevada a santuário

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19 de outubro de 2017

Centenas de fiéis participaram na tarde da quinta-feira, 12, da celebração que marcou a criação do Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, localizado no número 781 da rua Labatut, no bairro do Ipiranga. O ato de elevação da igreja aconteceu durante a sétima celebração do dia no templo, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer. 

Na saudação inicial, Dom Odilo recordou que a decisão de elevar a igreja a santuário é decorrente de dois marcos: o Jubileu Tricentenário da Padroeira do Brasil e os 75 anos de fundação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Na sequência, foi lido o decreto de aprovação do Santuário, e o Padre Anísio Hilário, Pároco há quase seis anos, foi nomeado pelo Cardeal para exercer a função de Reitor do Santuário. 

O Cardeal Scherer rememorou a importância histórica da edificação que remonta o IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942: “Aqui foi trazida a imagem de Nossa Senhora Aparecida que está aí e que esteve durante todo o Congresso lá no Vale do Anhangabaú”. Terminado o Congresso, o então Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d’Affonseca e Silva, confiou ao Padre Mário Marques e Serra a incumbência de construir uma igreja que acolhesse a primeira imagem peregrina do Congresso Eucarístico de 1942: uma réplica da imagem da Santíssima Virgem de Deus, sob a invocação de Nossa Senhora Aparecida. 

A memória histórica de Nossa Senhora Aparecida, do Congresso e da fundação da igreja está retratada nas paredes do templo e no coração de paroquianos como Maria Aparecida Scapuccin, 78. A Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão participa da comunidade há mais de 60 anos, desde que esta ainda era uma Capela. Ela recordou, com muita alegria, as iniciativas do Padre Mário e do Padre Cosmo Maestri, segundo Pároco, para angariar recursos que pudessem financiar a construção da igreja que iria abrigar a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Campanhas do tijolo, do alumínio, do livro de ouro, rifas de carros vêm facilmente à memória dos moradores mais antigos do bairro, como Maria Aparecida, que se regozija por fazer parte de uma grande obra de Deus e de homens em honra à Padroeira do Brasil.

 

Maria: importante para os católicos e para a Igreja

Na homilia da celebração, Dom Odilo destacou momentos significativos do Ano Mariano Nacional, que se concluía, como a carta pastoral “Viva a Mãe de Deus e nossa”, que serviu de motivação e orientação para a vivência do Ano Mariano; e as visitas às paróquias e comunidades da Arquidiocese de São Paulo da imagem peregrina da Padroeira do Brasil.  O Cardeal afirmou que para a Igreja, a Santíssima Virgem Maria foi a verdadeira discípula de Jesus Cristo e, por isso, modelo para o discipulado com seu testemunho de oração, de escuta da Palavra de Deus e de união de sua vida à vida de Jesus. 

Pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Dom Odilo exortou que o novo Santuário seja “um sinal de esperança para o povo, sinal de consolo, sinal de conforto na hora da dor, e também um sinal de alegria e solidariedade fraterna”, finalizou. 

 

Novo santuário: 75 anos de história no Ipiranga

O Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida é uma das edificações mais antigas do bairro do Ipiranga, que traz na identidade as marcas da história do Brasil. O templo da rua Labatut faz parte do patrimônio artístico e cultural da região e da cidade. De estilo gótico, é uma verdadeira obra de arte e considerada, por isso, monumento histórico da Capital, conforme decreto municipal 4.104, de 19 dezembro de 1958. 

O Coordenador de Pastoral da Região Ipiranga, Padre Pedro Luiz Amorim, considera que a igreja “é um verdadeiro monumento, um esforço do povo e do padre, uma igreja que demorou mais de 30 anos para ser construída... e que mostra, justamente, a comunhão do povo, esse sinal de um povo que ama muito a Igreja, ama muito a Mãe de Nosso Senhor e que, por isso, se esforçou muito para ter o melhor lugar para receber essa herança do Congresso Eucarístico Nacional”. 

Morador do bairro há 35 anos, o Padre José Oscar Beozzo, que também é historiador, concelebrou a missa do dia 12. Ele afirma que a igreja é um marco do Congresso Eucarístico de 1942 e acredita que a grande mudança com a elevação a Santuário é que “a vocação de animar a devoção a Nossa Senhora Aparecida agora se estende a todo o território da Arquidiocese”. 

 

Igreja: povo de Deus 

Apenas no dia 12 de outubro, mais de 30 mil pessoas passaram pelo local para reverenciar Nossa Senhora Aparecida, de acordo com o Padre Anísio Hilário. “Com a elevação a Santuário, a atenção e os serviços aos romeiros vão concentrarse, sobretudo, nas bênçãos, celebrações, confissões e gestos de caridade”, destacou o Sacerdote que atualmente conta com o auxílio do Vigário, Padre Messias de Moraes. 

A primeira obra do novo Santuário já está em andamento: a sala dos milagres, espaço onde os objetos deixados pelos devotos, além de cartas contando milagres atribuídos a Nossa Senhora, entre tantas outras recordações, serão expostos. 

Com uma comunidade bastante atuante, toda a festa, que teve início com a novena no dia 3, foi preparada pelo Conselho de Pastoral. O casal Antônio Mota e Maria Cristina, que coordena a Pastoral Catequética, está na função há quatro anos e comemora os frutos da dedicação: no início, a Pastoral atendia 23 crianças e hoje são 150. Antônio, 56, considera que o resultado positivo do trabalho se deva à integração das famílias à Iniciação a Vida Cristã.  Morador do bairro há 40 anos, o Coordenador observa a vocação peregrina da Igreja há muito tempo e diz que as pessoas lá chegam com muita fé, do Panamá, do Chile, da Argentina, para citar alguns exemplos. “Com essa bênção, espero que possamos receber ainda mais os peregrinos”, comemora. 

Maria da Conceição, 60, integra a Pastoral da Caridade. Devota de Nossa Senhora Aparecida, encontrou na Paróquia um espaço e acolhida para vivenciar a herança de fé transmitida pelo pai, desde que chegou da cidade de Lins (SP). Com olhos marejados pelas lembranças despertadas das idas ao Santuário Nacional, no Vale do Paraíba, ela alargou um sorriso ao contar da alegria de pertencer a uma comunidade fraterna que todos os meses assiste 120 famílias carentes com cestas básicas, fruto das doações. 

 

A Arquiudiocese de São Paulo tem 6 santuários:

-  Nossa Senhora Aparecida (Ipiranga)
- Santa Edwiges (Ipiranga)
- São Judas Tadeu (Ipiranga)
- Sagrado Coração de Jesus (Sé)
- Nossa Senhora de Fátima (Sé)
- São Francisco (Sé)
 

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Em testemunho de fé, arquidiocese festeja os 300 anos da Mãe Aparecida

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25 de outubro de 2017

A Arquidiocese de São Paulo celebrou solenemente os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, com uma missa campal no Largo Santa Ifigênia, no centro da cidade, na manhã da quinta-feira, 12. 

Trazida em carreata desde a Ponte do Piqueri, na zona Noroeste, a imagem peregrina da Padroeira do Brasil foi acolhida com uma salva de palmas pelos fiéis. Desde setembro, a imagem foi levada em procissão pelas águas do rio Tietê a 11 cidades paulistas, no projeto Tietê Esperança Aparecida. 

“Em todo lugar que a imagem passou, houve essa manifestação de fé, de esperança e de alegria. Esse projeto tem como objetivo dizer que o rio Tietê não é esgoto, onde se joga tudo que não presta, mas sim um presente de Deus, que tem de ser cuidado pelo governo e por todos nós”, disse, ao O SÃO PAULO , o Padre Palmiro Carlos Paes, criador e organizador da iniciativa desde 2004. 

 

Nossa Senhora junto aos fiéis e à Igreja

“A imagem de Nossa Senhora Aparecida está no meio do povo, é parte do povo de Deus”, disse o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, no começo da missa, quando também lembrou que os católicos não adoram imagens marianas ou de santos: “Nós as honramos, veneramos, mas não as adoramos, pois adoramos só a Deus”.

O Arcebispo, na homilia, lembrou que Maria intercede junto a Deus por toda a humanidade e pela Igreja, e convida ao seguimento a Cristo. “Ela nunca vai querer tomar o lugar de Deus ou de Jesus, pois sabe que é intercessora. É a Mãe mestra, catequista e evangelizadora, que sempre nos ajuda a acertar o passo. Por isso, recorrendo a Ela, somos levados a ser melhores cristãos, pessoas mais éticas e corretas, pessoas de fé, que realizam o bem na vida”, afirmou.

 

Profanação da fé e cuidado com as crianças

Ainda na homilia, Dom Odilo criticou, de modo enfático, os recentes episódios de profanações aos símbolos da fé católica, alguns como supostas manifestações de “arte”. 

“As imagens sagradas representam Maria, Nosso Senhor Jesus Cristo e os santos. Elas são uma forma de visibilizar aquilo que cremos e que temos afeto. Por isso, as profanações das imagens sagradas, dos objetos de devoção, da Eucaristia e do crucifixo, devem ser profundamente questionadas publicamente, também na Justiça, porque a nossa Constituição protege os objetos de culto, as devoções e as expressões religiosas. A profanação ofende profundamente a Deus e as pessoas que creem. Por isso, digo hoje, publicamente e claramente: não podemos aceitar!”, enfatizou.

Fazendo menção ao Dia das Crianças, o Cardeal lamentou “a exposição de crianças a situações inconvenientes e fora de propósito”, como nos recentes episódios de intervenções consideradas artísticas. Ele lembrou, ainda, que é dever do Estado e da sociedade garantir o bem estar das crianças, e fez um pedido aos pais: “Pelos seus filhos, em primeiro lugar, vocês respondem diante da sociedade e diante de Deus. Não terceirizem seus filhos! Não terceirizem a responsabilidade pela educação dos seus filhos!” 

 

Com Maria pelas ruas do centro 

Na parte final da celebração, foi lido o decreto de aprovação do Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida (leia mais na página 12), e o Cardeal rezou para que a Padroeira do Brasil interceda pelas necessidades do povo brasileiro, pelo fim da corrupção no País e para que as decisões políticas sejam sempre tomadas em favor da população.

Após a missa, durante quase uma hora, aconteceu a procissão com a imagem da Padroeira pelo centro da cidade, concluída no Vale do Anhangabaú, onde Dom Odilo rezou com os fiéis a oração de Consagração a Nossa Senhora Aparecida e pediu a intercessão da Virgem Maria pelo bom êxito do sínodo arquidiocesano. 

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Campeões e devotos da Padroeira do Brasil

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15 de outubro de 2017

Nas arquibancadas, campos, pistas e quadras não é incomum ver quem peça “a ajuda dos céus” na hora de uma competição esportiva. No Brasil, esse pedido muitas vezes vem acompanhado de alguma oração a Nossa Senhora Aparecida. Apresentamos, a seguir, algumas dessas histórias de devoção.

 

Santuário Nacional de Aparecida

A gratidão do ‘Fenômeno’ a Nossa Senhora

Superação é palavra chave na vida de Ronaldo Nazário de Souza, um dos maiores jogadores da história do futebol. Por três vezes, o ‘Fenômeno’ viu sua carreira perto do fim, mas, com muito esforço e fé, conseguiu superar os desafios.

Em 2002, a participação do jogador na Copa do Mundo era incerta, devido a lesões no joelho. Na véspera do Mundial, Ronaldo visitou o Santuário Nacional de Aparecida, onde rezou, acendeu velas e fez uma promessa para Padroeira do Brasil. O atleta foi para a Copa realizada no Japão e na Coreia do Sul e de lá voltou com a equipe pentacampeã mundial de futebol, sendo o artilheiro da competi- ção, com oito gols. De quebra, ainda foi escolhido como o melhor jogador do mundo naquele ano pela Fif

Em julho do mesmo ano, o ‘Fenômeno’ voltou ao Santuário e deixou uma peça de cera em formato de seu joelho, uma camisa autografada e a bola da Copa como forma de agradecimento. Recebeu de presente na ocasião uma réplica da imagem da Padroeira. Recentemente, o jogador esteve na Casa da Mãe Aparecida para inauguração do Museu de Cera, onde está retratado em uma das esculturas.

 

Arquivo pessoal

Campeã de atletismo carrega a devoção no sobrenome

Adriana Aparecida, esportista do atletismo, tem uma forte ligação com Nossa Senhora Aparecida e não é apenas pelo nome escolhido por sua mãe para homenagear a Padroeira do Brasil. A proximidade é também geográfica, já que a atleta nasceu e vive com a família na cidade de Cruzeiro (SP), no Vale do Paraíba, que fica a 50km de Aparecida.

Com um começo de carreira de bons resultados, Adriana fraturou o tornozelo esquerdo em 2005 e precisou realizar uma cirurgia. A fase de recuperação não estava apresentando o resultado esperado. Ela ficou dois anos afastada do esporte, sem conseguir treinar e competir, perdeu patrocinadores e enfrentou uma depressão, chegando até a pensar que sua carreira tinha acabado.

A atleta superou esse período apegada em sua devoção a Santo Antonio de Sant´Anna Galvão e a Nossa Senhora Aparecida. Ao retomar a carreira, foi medalhista de ouro nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, em 2011, e de Toronto, no Canadá, em 2015.

Após essa última conquista, a esportista, que já disputou edições dos Jogos Olímpicos, correu de sua cidade natal até o Santuário de Aparecida. Na Sala das Promessas, ela deixou itens em agradecimento pelas graças alcançadas, um deles o troféu que conquistou na Corrida de São Silvestre de 2004, além de fotos, tênis de competições e uniformes das olímpiadas que participou.

Ainda hoje, sempre que retorna de uma competição importante, ela vai ao Santuário para agradecer à Padroeira do Brasil.

 

Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Outras histórias de devotos

O atual técnico da seleção brasileira de futebol, Tite, também é um fervoroso devoto de Nossa Senhora Aparecida. Diariamente, ele realiza suas orações pedindo a intercessão de Nossa Senhora, especialmente nos dias de jogos.

Na Sala das Promessas do Santuário Nacional de Aparecida, há outros ex-votos deixados por atletas de diversas modalidades, como uma réplica do capacete e um par de luvas de Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1, morto em 1994. O também piloto Hélio Castroneves, da Fórmula Indy, que já foi campeão das 500 milhas de Indianápolis, trouxe em agradecimento um par de botas que está exposto no local.

 
(Colaborou: Daniel Gomes)
(Com informações dos portais G1 e A12)

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