Arquidiocese realiza encontro sobre música sacra litúrgica

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12 de abril de 2019

Com a citação “Recitai entre vós salmos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo coração os louvores do Senhor” (Ef 5,19), a Comissão Arquidiocesana de Liturgia (CAL), que tem como Assistente Eclesiástico o Padre Helmo Cesar Faccioli, realizou no sábado, 6, o primeiro Encontro Arquidiocesano de Canto Litúrgico, no Centro Pastoral São José, no bairro do Belém.

Participaram cerca de 180 pessoas ligadas à música sacra litúrgica que atuam nas celebrações das paróquias da Arquidiocese de São Paulo.

Após a oração inicial e a acolhida conduzida pelo Padre Helmo, o Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral Metropolitana de São Paulo, professor e especialista em Liturgia, assessorou a primeira parte do encontro.

Padre Baronto indicou que as músicas litúrgicas são feitas para Deus, por Deus e em oração, e que estão sintonizadas obrigatoriamente com o Ano Litúrgico.

A música está ligada também ao rito, por exemplo, do Batismo, das Ordenações ou das Exéquias. Desse modo, as equipes de música das paróquias não podem determinar os cantos das celebrações longe das equipes de Liturgia. A decisão, tendo como base a Liturgia, deve ser conjunta.

Na segunda parte do encontro, a assessoria foi prestada pelo Maestro Delphim Porto, da São Paulo Schola Cantorum. Ele desenvolveu os “Princípios do Canto na Liturgia”, baseados na Retórica Sacra.

A terceira e última parte da atividade foi destinada a orientações, recomendações e esclarecimento de dúvidas dos participantes.

A partir do encontro, a CAL irá providenciar um cadastro de contato com os responsáveis pela música litúrgica nas paróquias, capelas e comunidades da Arquidiocese de São Paulo.

 

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PUC-SP oferece curso de introdução ao canto gregoriano

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08 de janeiro de 2019

Com o objetivo de tornar mais conhecido uma das modalidades de música mais antigas da Igreja Católica, será oferecido, de 28 a 31 de janeiro, na Faculdade de Teologia da PUC-SP, um curso de extensão cultural de Introdução ao Canto Gregoriano e à Polifonia Sacra, em parceria com a São Paulo Schola Cantorum

Segundo Delphim Rezende Porto, regente da São Paulo Schola Cantorum e um dos coordenadores do curso, a formação tem o objetivo de tornar mais conhecido essa modalidade de canto, oferecendo subsídios teóricos e práticos, mostrando que o canto gregoriano é acessível a todas as comunidades eclesiais. “Entendemos que o caminho não é apenas restaurar o acervo de canto gregoriano em nossas igrejas, algo que já fazemos, mas coloca-la novamente à serviço de nossas celebrações. Para isso, é importante que haja formação”, destacou. 

CANTO GREGORIANO

Embora seja popularmente chamado de canto gregoriano, o nome mais adequado para esse estilo musical é o cantochão. “Até o século XIX, ninguém falava em canto gregoriano, mas em cantochão, ou, do latim, cantos planos, que era justamente a música cujo ritmo é o da palavra”, explicou Delphin. Essa prática foi herdada da tradição judaica da récita dos salmos. “Nessa modalidade, a música é muito menos importante do que o texto. Isso é muito significativo, porque, para o culto, a música deve estar em segundo plano e, ao mesmo tempo, consegue criar uma atmosfera que conecta o fiel com o sagrado e aprofunda a meditação da Palavra de Deus”, acrescentou.

TÉCNICA

Do ponto de vista técnico, o gregoriano trabalha com “modos”, ou seja, diferentes escalas musicais, que retratam diferentes atmosfera que descrevem o sentido próprio do texto entoado, distinguindo por exemplo um “Glória”, hino de louvor da missa, de um “Kyrie”, ato penitencial. 
Ao contrário do que muitos imaginam, o cantochão não usa apenas o latim como idioma em suas composições. “Há uma grande produção de cantos em latim, uma vez que essa é a língua oficial do rito romano. Mas o cantochão pode ser utilizado para textos em vernáculo”, destacou o Professor, mencionando que há mosteiros em diversos países, inclusive no Brasil, em que o Ofício Divino é entoado com as línguas locais usando essas melodias. 

POLIFONIA SACRA

Outra tradição legada pelos antigos cristãos é a prática do canto com o registro de harmonias que permitem o desenvolvimento de determinado texto de uma maneira potencializada a partir de várias vozes com tonalidades diferentes. “Esse estilo de canto permite que homens e mulheres possam cantar juntos, em harmonia, cada um no seu próprio tom. Há pessoas que têm a voz mais aguda e outras, mais graves. Na polifonia, é possível combinar essas diferenças de maneira muito equilibrada e o resultado sonoro é impressionante”, observou Delphin. 

PRIVILÉGIO DA VOZ 

Esses estilos de canto não apenas privilegiam a palavra meditada como também a voz dos fiéis que entoam suas melodias. Tanto que o órgão foi introduzido nas celebrações cristãs tardiamente. “Até o ano 1000, não se admitia instrumentos musicais nos cultos cristãos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, porque os instrumentos sempre foram associados aos ambientes profanos”, explicou o Professor. 

O órgão só foi admitido pelo fato de ter a capacidade de “imitar a onipotência de Deus”. “Se sustentarmos um acorde do órgão ele permanece enquanto a mão estiver no teclado. Enquanto em outros instrumentos isso não é possível. Assim como Deus não muda, o acorde também não”. 
O gregoriano é um canto comunitário, mesmo quando se canta sozinho nunca é para exibição, mas é sempre para valorizar a dimensão da oração. Outros estilos musicais têm mais dificuldades de retratar essa dimensão sacra de maneira objetiva. 

CANTO DA IGREJA

“Não há dúvidas que o canto gregoriano é da Igreja. Outros estilos se baseiam na música comercial e não foram feitos especificamente para conduzir ao mistério sagrado ou retratar o divino de algum modo”, acrescentou o Regente, lembrando que essa modalidade musical era exclusiva na liturgia da Igreja até bem recentemente. O Concílio Vaticano II, por meio da Constituição Sacrossantum Concilium, sobre a liturgia, afirma: “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar”. 
“Muitos santos celebraram missas com essas músicas. Muitos deles se converteram meditando a Palavra de Deus por meio desses cantos. As grandes catedrais e as comunidades mais simples cantavam assim, justamente pelo fato de o cantochão estar ligado ao texto. Quando um padre, hoje, entoa o Evangelho na missa, ele está usando uma forma de canto plano. Isso faz com que o texto ganhe mais dignidade, solenidade, do que se fosse apenas lido”, recordou o Regente.  

BELEZA

Outro objetivo do curso é mostrar que essas modalidades de canto são acessíveis às comunidades eclesiais. Delphin Resende chama a atenção para o risco de uma noção “utilitarista” da música pela música na liturgia. “Sim, precisa-se cantar uma música na celebração. Mas precisa ser uma música bonita, porque Deus é belo. Precisamos deixar o utilitarismo de uma música que precisa cumprir uma função, para permitir que a Palavra de Deus se desenvolva de uma maneira mais ampla”, acentuou. 

“O nosso repertório católico é tão bom que um ateu faz em salas de concerto, cobra ingressos e as salas ficam lotadas. Muitas vezes, nossas comunidades são valorizam nossa música”, salientou o Regente. No entanto, Delphin reconhece que existe uma demanda por esse tipo de música sacra, mas como há pouco conhecimento e formação, nem sempre isso se viabiliza.  

PÚBLICO ALVO

O curso é destinado a músicos, clérigos, agentes pastorais e demais interessados no tema são bem-vindos. Por ser um curso de extensão cultural, não há obrigatoriedade de possuir diploma de cursos superior para frequentá-lo. 
Embora se recomende conhecimentos musicais e litúrgicos prévios, não há impedimento para quem não tem tais conhecimento. É importante, no entanto, ter disposição para cantar e praticar exercícios vocais. 

Serão ofertadas 24 horas de atividades presenciais e 6 horas na modalidade de ensino à distância (EAD), completando um total de 30h. Segundo os organizadores, há inscritos de todo o Brasil. 

INFORMAÇÕES

Outras informações sobre inscrições e valores estão disponíveis no link: http://liturgiacatolica.com.br/cursos

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