Monsenhor Marco Frisina conduz congresso sobre música sacra em São Paulo

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21 de março de 2019

Monsenhor Marco Frisina, italiano, compositor e maestro de música sacra, conhecido internacionalmente, está no Brasil entre os dias 8 e 23 e passará pela Capital Paulista e as cidades de Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Aparecida (SP), para uma programação que inclui conferências, concertos e celebrações.

Organizado pelo Pateo do Collegio, pela Schola Cantorum e pelo Coro da Arquidiocese de Campinas (SP), o Congresso de Música Sacra aconteceu entre os dias 15 e 17, no Colégio São Luís, na Avenida Paulista, e reuniu cerca de 600 participantes de diferentes lugares do Brasil e também de outras nacionalidades.

Na noite de sábado, 16, os participantes puderam acompanhar um concerto de música sacra e, no domingo, participaram da missa conclusiva presidida pelo Padre Alberto Contieri, Reitor do Colégio São Luís e do Pateo do Collegio.

 

IGREJA, CORPO DE CRISTO

Em suas conferências, Monsenhor Frisina falou sobre temas como a oração dos salmos, cantados pelos hebreus e incorporados à tradição cristã; a diferença entre música sacra e música litúrgica e a tradição dos cantos gregorianos.

“Qual a diferença entre a liturgia do templo e a liturgia cristã? Lembram-se de quando Jesus encontra a samaritana no templo? Este será o vosso culto espiritual. Por isso, Jesus diz que devemos rezar em espírito e em verdade. É Deus que nos salva, não nossas iniciativas”, recordou o Monsenhor em uma de suas conferências.

Sobre a dimensão da Igreja, corpo de Cristo, na celebração eucarística, o Monsenhor explicou que, pelo Batismo, o cristão passa a ser parte desse corpo. “Nós rezamos como se fôssemos Jesus, por isso dizemos as palavras que Ele disse e rezamos com a oração de Jesus. Nós temos em nós a potência de Cristo, ou seja, o amor de Cristo vivo em nós e o poder de Deus, porque o amor é onipotente.”

“Na missa, realizamos aquilo que somos, ou seja, assumimos a identidade de filhos de Deus e, então, tornamo-nos sempre mais corpo de Cristo. Este corpo, a Igreja, é o lugar em que Deus entra em relação com o mundo, porque o corpo é um lugar físico em que entramos em diálogo com o mundo”, explicou o Monsenhor.

 

CRISTO CANTA E PREGA EM NÓS

“O corpo é um instrumento de relação. Não se pode amar sem corpo. Por isso, Jesus teve um corpo, para amar até o fim. Nós somos Deus que entra em relação com o mundo, porque somos corpo de Deus ressuscitado. Esse é o mistério de Deus na Eucaristia. Esta é a relação entre Deus e o mundo”, disse o Monsenhor Marco Frisina.

Ele salientou que para a música litúrgica alcançar seu objetivo, a assembleia e os membros do coro devem ter consciência deste mistério. “Quando cantamos na liturgia, não estamos fazendo um espetáculo, mas exprimindo aquilo que somos. Cristo canta e prega em nós e estamos junto Dele como aqueles que cantam. Por isso, não se pode cantar qualquer coisa.”

“Na liturgia, escolhemos os salmos aptos para cada tempo litúrgico e pregamos com os salmos. Exprimimos em canto nossa experiência de Deus, que se torna experiência concreta de Deus em nós. Quando Paulo diz: ‘Não sou mais eu que vivo, mas Cristo que vive em mim’, é porque o cristão faz da sua vida um canto de honra a Deus”, continuou o Sacerdote.

“Cantar não significa nunca se exibir ou embelezar a liturgia com o nosso canto; significa, em vez disso, testemunhar com tudo de si a nossa fé e o nosso amor. A música eleva os corações e nos une aos nossos irmãos, fazendo-os experimentar o milagre da comunhão”, disse o Monsenhor.

 

FORMAÇÃO E ESPIRITUALIDADE

Danillo e Rita Del Chiaro, maestros do Coro da Paróquia Nossa Senhora do Brasil e do Coral Del Chiaro, participaram do Congresso junto com os coralistas da Paróquia. “A experiência com Monsenhor Frisina foi algo muito tocante e profundo. Além de um compositor extremamente competente e talentoso, conhecemos o Frisina sacerdote, exercendo seu ministério”, disse Rita, em entrevista à reportagem.

Danillo e Rita já conheciam a linha de trabalho do Monsenhor Frisina e utilizavam suas composições e, por isso, afirmaram que os coralistas sentiram bastante familiaridade com as músicas apresentadas durante o Congresso.

“A formação que este grande e experiente maestro nos forneceu foi sobretudo espiritual. Quanto mais estudamos, percebemos o quanto a liturgia católica e a música litúrgica têm uma riqueza inesgotável”, afirmou Rita.

 

BIOGRAFIA

Nascido em Roma, em 1954, Marco Frisina diplomou-se em Composição no Conservatorio di Santa Cecilia. Depois de ter completado os estudos teológicos,especializou-se em Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico. Ordenado sacerdote em 1982, desde então exerce o seu ministério na Diocese de Roma. É presidente da Comissão Diocesana para a Arte Sacra e os Bens Culturais, consultor do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e Reitor da Basílica de Santa Cecília no Trastevere. Ministrou cursos na Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma e no Pontifício Instituto de Música Sacra do Vaticano.

Em 1984, fundou – e ainda dirige – o Coro da Diocese de Roma, com o qual anima as mais importantes liturgias diocesanas, algumas das quais presididas pelo Santo Padre.

Na sua produção musical, estão também algumas obras para o teatro, entre elas “La Divina Commedia. L’opera”, primeira transposição musical da obra-prima dantesca da qual é autor e idealizador, e que estreou em 2007.

Possivelmente, sua composição mais popular, considerado o vedadeiro hit e hino informal é “Jesus Christ, you are my life” que é cantado sempre durante o encontro do Papa com os jovens.

Fonte: Pateo do Collegio
 

CD ‘Eis-me aqui, Senhor’ resgata a tradição dos corais de canto litúrgico

O CD “Eis-me aqui, Senhor”, gravado nos estúdios Paulinas-COMEP em São Paulo, reuniu os corais da Arquidiocese de Campinas (SP) e Schola Cantorum do Pateo do Collegio para gravar as composições de Monsenhor Frisina em Português.

Essa coletânea de cantos foi traduzida pela primeira vez para o Português e conta com obras como o canto “Eis-me aqui, que dá nome ao CD. Outro destaque é o hino composto em homenagem a Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

 

CORO DA ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS

O Coro da Arquidiocese de Campinas foi fundado em 2008 sob a direção de Clayton Dias e tornou-se referência e inspiração para novos coros no Brasil. É filiado à Associação Internacional de Estudos de Canto Gregoriano (AISCGre).

 

SCHOLA CANTORUM DO PATEO DO COLLEGIO 

A Schola Cantorum foi fundada em 2005 pelo Padre Carlos Alberto Contieri, sj, e é composta por membros da Comunidade do Pateo do Collegio. Desde 2009, está sob a direção do mestre de capela e organista titular do Pateo do Collegio, Felipe Bernardo.

Com informações de Paulinas-COMEP

 

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‘Por meio das músicas e dos cantos se dá voz também à oração’

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04 de dezembro de 2018

Mais de 8 mil cantores e músicos se reuniram em Roma entre os dias 23 e 25 no 3º Encontro Internacional dos Corais no Vaticano. O evento, realizado na Sala Paulo VI, foi promovido pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, em colaboração com a ONG Nova Opera. Em audiência privada, o Papa Francisco disse aos coralistas que a Igreja é chamada a estar próxima dos fiéis por meio da música “na alegria e na tristeza”. 

“A música e o canto de vocês são um verdadeiro instrumento de evangelização, na medida em que vocês se tornam testemunhas da profundidade da Palavra de Deus, que toca o coração das pessoas e permite a celebração dos sacramentos, em especial a Eucaristia, e faz perceber a beleza do Paraíso”, refletiu o Papa. 

Agradecendo aos cantores e músicos o bonito trabalho que realizam, ele os alertou, porém, para a tentação que podem sofrer, de tentar ser os protagonistas das celebrações litúrgicas, roubando equivocadamente a atenção que se deve aos sacramentos. Ele recomendou, ainda, uma valorização especial à piedade popular nas comunidades da Igreja. 

“A piedade popular sabe rezar criativamente, sabe cantar criativamente”, observou. “O canto leva adiante essa piedade. Por meio das músicas e dos cantos se dá voz também à oração e, desse modo, forma-se um verdadeiro coral internacional, no qual, em uníssono, sobemao Pai todos os louvores e a glória do seu povo”, disse o Pontífice.

Nesse sentido, o Santo Padre continuou seu alerta dizendo: “Todavia, não caiam na tentação de um protagonismo que ofusca o empenho de vocês e humilha a participação ativa do povo na oração”. Ele revelou que se sente “entristecido” quando, em algumas cerimônias, “canta-se tão bem, mas o povo não pode cantar aquelas coisas”. 

Portanto, os músicos e cantores católicos não devem “desvalorizar as outras expressões da espiritualidade popular”, e devem sempre levar adiante a “beleza do Evangelho que ainda fascina e torna possível crer e confiar no amor do Pai”.

 

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Quando a orquestra vai ao hospital

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17 de novembro de 2018

Quinze músicos preparam seus instrumentos e fazem uma apresentação com duração aproximada de uma hora para pacientes e toda a equipe médica e funcionários dos hospitais Há 13 anos, sob a regência do médico Samir Rahme, a Orquestra do Limiar protagoniza o projeto “Música nos Hospitais”. 

A iniciativa é da Associação Paulista de Medicina (APM), com aprovação do Programa Nacional de Cultura (Pronac), do Ministério da Cultura, e, atualmente, com o patrocínio do Aché Cultural, pertencente ao Aché Laboratórios Farmacêuticos.

A música vai ganhando espaço nos corredores dos hospitais e encontrando ouvidos atentos e perspicazes. “É um programa diferenciado e muito bonito. É como se a gente acendesse um incenso musical e proporcionasse um momento de beleza e reflexão”, disse Samir Rahme, em entrevista à rádio 9 de Julho.

Após a apresentação principal, que acontece no hall do hospital ou em outro espaço como a capela, os músicos da Orquestra de Câmara dividem-se em quatro grupos e vão até os andares para tocar seus instrumentos àqueles pacientes e funcionários que não puderam se deslocar para a apresentação principal.

Com o projeto, a APM propõe uma atividade mais leve e prazerosa dentro da rotina hospitalar, levando a alegria e os benefícios da música aos pacientes, funcionários e frequentadores. É uma oportunidade de proporcionar contato com a cultura por meio da realização de concertos de música erudita e instrumental, uma vez que se trata de uma orquestra de cordas.

Estudos publicados pela Associação Americana de Musicoterapia e pela Federação Mundial de Musicoterapia indicam os efeitos positivos da música no funcionamento do organismo. As pesquisas confirmam que as atividades musicais melhoram o humor, potencializam a expressão e favorecem o aprendizado.

 

PELO BRASIL

A programação é 100% gratuita e, até o fim de 2018 o projeto “Música nos Hospitais” terá acontecido em 13 instituições nos Estados de São Paulo, Bahia e Ceará. “A gente viajava com a orquestra até dois anos atrás e pretendemos voltar a viajar em breve. Já nos apresentamos em todas as cidades do Estado de São Paulo e em 12 capitais brasileiras, além de outras cidades do interior”, explicou Samir. “Quando chegamos a um hospital pela primeira vez, sempre há aquele ar de desconfiança e medo, mas no fim do concerto, a pergunta é sempre a mesma: ‘Quando vocês vão voltar?’”, continuou.

Desde 2004, o programa foi realizado 176 vezes, em 21 cidades espalhadas pelo Brasil, contemplando 68 hospitais e reunindo cerca de 60 mil pessoas – entre médicos, enfermeiros, funcionários, pacientes e familiares. Ao longo desses anos, a APM, juntamente com seus parceiros, buscou impactar positivamente o dia a dia das pessoas nos hospitais e, dessa forma, ampliar também o gosto pela música erudita.

 

REPERTÓRIO

Samir explicou que o repertório é escolhido cuidadosamente por ele mesmo e as apresentações são compostas por peças e arranjos específicos para cordas. “Escolho músicas que toquem o coração das pessoas, que falem às almas delas. A música tem tudo o que a gente precisa: ela tem melodia, acontece no tempo, assim como a vida. Normalmente, começamos o programa com grandes mestres que souberam lidar com a matemática musical, como Vivaldi, Bach, Villa Lobos e Mozart. A música de Mozart está em todas as apresentações, pois são peças cheias de leveza e que provocam envolvimento. A música dele faz a alma dançar”, con- tinuou o médico. O repertório é composto também por músicas mais populares, como arranjos de Beatles para orquestras e compositores brasileiros.

 

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA

Fundada em 1930, a APM é uma entidade representativa dos médicos do Estado de São Paulo. Sem fins lucrativos, de utilidade pública e com cerca de 30 mil associados, tem o objetivo de identificar e enfrentar os grandes desafios da Medicina na atualidade. Além do Música nos Hospitais, a APM apoia diversos programas culturais abertos ao público, como exposições de arte, programas musicais, cinema e debates.

 

 

ORQUESTRA DO LIMIAR

Fundada em 2002 pelo maestro e médico Samir Rahme, que é formado em Composição e Regência pela Unesp, a Orquestra  do Limiar, desde a sua criação esob o lema “Música para a Alma”, apresenta concertos de música instrumental e erudita em con- gressos, eventos e hospitais.

Regência: Samir Rahme
Spalla: Marcos Scheffel

Violinos: Kleberson Buzo, Gabriel Gorun, Luiz Gustavo Nascimento, Marcela Sarudiansky, Wassi Carneiro, Jair Guarnieri,Tiago Paganini e Nikolay Iliev Iliev

Violas: Everton de Souza e Daniele Benedecte

Violoncelos: Fábio Petrucelli e Mayara Alencar
Contrabaixo: Thiago Hessel

 

PRÓXIMOS CONCERTOS

(As apresentações são abertas ao público e gratuitas. Não há necessidade de inscrição nem retirada de ingressos com antecedência).

 

QUARTA, 21, ÁS 12H ENSAIO ABERTO

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo - Octavio Frias de Oliveira – Hall de Entrada (Avenida Doutor Arnaldo, 251 - Cerqueira César - São Paulo/SP)

 

QUARTA, 28, ÁS 11H ENSAIO ABERTO

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo - Octavio Frias de Oliveira - Hall de Entrada

(Avenida Doutor Arnaldo, 251 - Cerqueira César - São Paulo/SP)

 

QUARTA, 5 DE DEZEMBRO, ÁS 12H30 ENSAIO ABERTO

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (INCOR) - Marquise - Térreo - Bloco II

(Avenida Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 44 – Cerqueira César - São Paulo/SP)

 

QUARTA, 12 DE DEZEMBRO, ÁS 11H ENSAIO ABERTO

GRAACC - Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer - Brinquedoteca Seninha - 3o andar

(Rua Pedro de Toledo, 572 - Vila Clementino - São Paulo/SP)

 
(Colaborou: Larissa Freitas/rádio 9 de Julho)
 
 

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Canções do álbum ‘Eis-me aqui, Senhor’ serão executadas na Igreja do Pateo do Collegio

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01 de novembro de 2018

“Os louvores de Deus abrem o nosso coração à beleza do Senhor e nos ajudam a elevar a alma em direção a Ele, com a oração cantada que envolve a alma, o coração, a mente e o corpo, trazendo-os à presença de Deus”, disse monsenhor Marco Frisina sobre o CD “Eis- me aqui, Senhor”, gravado nos estúdios Paulinas-COMEP, que reuniu o Coro da Arquidiocese de Campinas e Schola Cantorum do Pateo do Collegio.

Frisina é um padre católico italiano, compositor, diretor da Pastoral Worship Center do Vaticano e autor de músicas que fizeram parte da trilha sonora de grandes filmes e de canções interpretadas por corais de todo o mundo.

O autor, que estará no Brasil em março de 2019, descreve a importância do canto na liturgia: “Cantar não significa nunca se exibir ou embelezar a liturgia com o nosso canto; significa, em vez disso, testemunhar com tudo de si a nossa fé e o nosso amor. A música eleva os corações e nos une aos nossos irmãos, fazendo-os experimentar o milagre da comunhão. O canto molda em nós a imagem do orante perfeito, daquele que faz da própria vida um canto de amor a Deus”.

Um dos destaques do CD é o hino composto em homenagem a padroeira do Brasil. Uma súplica à mãe de Deus para que intervenha por nossas mazelas e proteja a nossa nação.

O álbum “Eis-me aqui, Senhor”, da gravadora Paulinas-COMEP, lançado em parceria com o Coro da Arquidiocese de Campinas e com a Schola Cantorum do Pateo do Collegio, chega às plataformas digitais e às Paulinas Livrarias de todo o Brasil.

Para celebrar e agradecer este novo trabalho, a Schola Cantorum convida para a Missa em Ação de Graças no dia 21 de outubro, às 10h, na Igreja do Pateo do Colégio. A missa contará com as canções do álbum em sua liturgia, acompanhada pelo órgão de tubos da igreja.

A Schola Cantorum, fundada em 2005 pelo Pe. Carlos Alberto Contieri, sj, é composta por membros da Comunidade do Pateo do Collegio, local de fundação da cidade de São Paulo. Por meio do canto na liturgia e de concertos de música sacra, a Schola se tornou referência de qualidade neste cenário. Desde 2009, está sob a direção do mestre de capela e organista titular do Pateo do Collegio, Felipe Bernardo.

(Com informações Schola Cantorum do Pateo do Collegio)

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Adolescentes da Basílica do Carmo cantam com Roger Waters

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11 de outubro de 2018

Os shows de Roger Waters em São Paulo, nos dias 10 e 11 de outubro, tiveram a participação especial de 12 adolescentes Centro de Convivência da Criança e do Adolescente da Basílica Nossa Senhora do Carmo, em Bela Vista. Eles foram convidados pela produção do evento para comporem o coro de crianças da parte 2 da música "Another Brick In The Wall”.

Após o contato inicial com a obra social, feito por e-mail, houve a seleção dos jovens na instituição. A diretora do Centro, Jaqueline Paixão, conta como foram as etapas:

“O processo seletivo foi realizado logo após termos recebido o convite da produtora T4F. Nos pediram que selecionássemos 12 adolescentes, com idades de 12 anos a 14 anos. A escolha foi realizada a partir da participação de ensaios e aulas práticas de dança realizadas pelo professor Renan Marangoni, tendo como critérios o interesse, empenho e desempenho para com a ação proposta. Após a seleção dos 12, eles começaram os ensaios da coreografia com o Renan e preparação vocal e aulas de Inglês com o professor voluntário Alexandre Aragão. A produtora Carol Rheinheimer acompanhou os ensaios via vídeos e nos últimos dias, pessoalmente Os ensaios duraram dois meses.”

Participaram do grupo que se apresentou no Allianz Parque: Andresa Kelly da Silva Santana, 12 anos; Bianca dos Santos Pereira, 12 anos; Kaique Vieira de Lima, 13 anos; Gabriela Lima Dias, 14 anos; João Pedro Baião Leal; 14 anos; Júlia Katheleen, 13 anos; Maria Beatriz dias Pontes, 13 anos; Maria Eduarda de Almeida Paz, 12 anos; Polyana Oliveira da Silva, 14 anos; Pedro Henrique Feliciano da Silva Lima, 14 anos; Ruan Pablo Araújo Teixeira, 13 anos; Rakel Ágata de Oliveira Gonçalves, 14 anos; e Yasmin Vitória Saraiva De Matos, 14 anos.

“A participação dos nossos adolescentes em show de rock dessa proporção trouxe a eles uma experiência fantástica em relação a ampliação do repertório cultural. Do ponto de vista social, vejo também a oportunidade como ímpar na vida deles, pois segundo os seus familiares eles não teriam condições de ir ao um show como esse”, afirmou Jaqueline.

Este é o sentimento que mais os adolescentes expressam ao serem indagados sobre o que representou essa experiência para eles.

Kaique Vieira se disse impactado com tamanha alegria que viveu durante a preparação e, especialmente, no dia da apresentação. Ele participou do show na quarta-feira, dia 10. “Participar desse show do Roger Waters foi uma surpresa muito grande. Estou muito feliz, meu coração está acelerado”.

Bianca dos Santos complementou: “Estamos muito felizes porque não é todo mundo que tem uma oportunidade como essa. Eu só tenho a agradecer ao Roger e ao CCA Nossa Senhora do Carmo”.

A participação de adolescentes de obras sociais ou escolas locais nos shows é uma iniciativa de Roger que se repete há três turnês. No Brasil a experiência acontecerá também nas demais apresentações do artista: em Brasília (dia 13, no estádio Mané Garrincha), em Salvador (dia 17, na arena Fonte Nova), em Belo Horizonte (dia 21, no Mineirão), no Rio de Janeiro (dia 24, no Maracanã), em Curitiba (no dia 27, no Estádio Couto Pereira) e em Porto Alegre (dia 30, no estádio Beira-Rio). Também em Belo Horizonte e no Rio os adolescentes escolhidos participam de obras sociais mantidas pela Província Carmelitana de Santo Elias, da Ordem do Carmo.

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São Paulo enCANTADA

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24 de janeiro de 2018

Uma das mais conhecidas canções sobre a cidade São Paulo, “Sampa”, em que as avenidas Ipiranga e São João ficaram eternizadas na composição de Caetano Veloso, está longe de ser a única que declara o amor pela maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo. “São mais de 3 mil títulos”, contou ao O SÃO PAULO , Assis Ângelo, jornalista, estudioso da cultura popular brasileira e fundador do Instituto Memória Brasil (IMB). 

Durante mais de 20 anos, o paraibano de João Pessoa pesquisou sobre as canções que falam da Capital Paulista, dos seus pontos turísticos ou de seus bairros, e chegou a um total de mais de 7 mil autores. Agraciado com o Título de Cidadão Paulistano, em 1998, Assis está reunindo todo esse material para “doar” a São Paulo, como ele mesmo disse, o “Roteiro Musical da cidade de São Paulo – pequena enciclopédia da música brasileira”, com a organização de um acervo que existe há mais de 40 anos.

“Quero escrever uma enciclopédia incluindo títulos, autores e contando a história de cada música, incluindo o gênero, quem fez, quando e o porquê. Esse é um grande desejo meu, um belo projeto”, continuou Assis, que tem 65 anos e mora no bairro de Campos Elíseos. 

A primeira música dedicada à Capital Paulista é de 1917/1918. “Há cem anos, Alberto Marino compunha a valsa choro ‘Rapaziada do Brás’, que era originalmente instrumental e ganhou letra em 1960, com os versos de Alberto Marino Júnior. Aliás, o bairro do Brás é o mais cantado, seguido pela Mooca. O disco foi gravado de modo independente pelo próprio compositor, em 1927”, contou Assis.

Outra canção que também foi gravada de modo instrumental, em 1922, e só posteriormente ganhou letra é o Hino Nacional Brasileiro. “É o primeiro hino do País que fala de um bairro, o Ipiranga”, recordou o Pesquisador. 

Tom Zé é o compositor com maior número de canções sobre a cidade. O baiano de Irará é autor de “São, São Paulo” e de “Augusta, Angélica e Consolação”. As ruas e avenidas lembradas por Tom Zé também são muitas vezes citadas por compositores de diferentes estilos musicais. Carol Naine, uma das indicadas para o Prêmio da Música Brasileira em 2017, compôs “Consolação” e “Passo Torto”; um projeto dos músicos Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes fez “Samuel”, uma música que retrata a rua Augusta sob o olhar de um garoto que mora na periferia da cidade. “Tem um mano tocando ali/ Nem é tão diferente assim/ Nem é longe de casa aqui”, diz a canção. É na Augusta também que se contextualiza a canção “Rua Augusta”, considerada um dos primeiros hinos do rock brasileiro nos anos 1960. A música foi o maior sucesso de Ronnie Cord (Ronaldo Cordovil), um dos ídolos do período pré-Jovem Guarda e foi regravada por Raul Seixas. 

 

ECLÉTICA

É por ali, entre a Augusta, a Consolação e a Paulista que Fábio de Lima Martin, 32, passa grande parte dos seus dias. Ele nasceu na zona Sul de São Paulo, mas morou até os 25 anos na zona Norte. Com os fones no ouvido, ele vai de casa até o trabalho, a pé ou de bicicleta, e tem um gosto musical extremamente eclético, como ele mesmo disse à reportagem. “Acho que eu tenho a mesma personalidade da cidade de São Paulo”, disse sorrindo, em mais um dia de trabalho na Produtora 8 milímetros.

Mais velho de quatro irmãos, Fábio viveu sua primeira infância no Mandaqui até os 4 anos de idade. Dos 4 aos 11, no Jardim Brasil, e dos 11 até os 25, no Jardim São Paulo. “Acho que a zona Norte tem vida própria e eu não queria mesmo sair de lá, mas a vida da gente dá voltas e hoje não quero sair da Vila Mariana, onde moro”, contou. 

Formado em Fotografia, Fábio disse que foi no Jardim São Paulo que começou a “tomar posse” da cidade onde nasceu. “Brincava na rua e ia para a escola sozinho e, desde então, percebi o quanto a confusão paulistana fazia parte de mim. Aliás, tenho muito orgulho de dizer que nasci aqui”, continuou ele. Os cafés e bares da Augusta e as diferentes opções de salas de cinema e teatro na Paulista são os lugares preferidos desse paulistano filho de paulistanos, que disse “não ter vontade nenhuma de morar fora de Sampa, a não ser por períodos curtos, para ter outras experiências profissionais”. 

Ao ser perguntado sobre as músicas que embalam sua experiência com a cidade, Fábio teve dificuldades em decidir. “É complicado, pois eu gosto de tanta coisa”, brincou. Talvez por isso, o cantor e compositor Criolo afirmou que “Não dá pra descrever numa linda frase de um postal tão doce/ Cuidado com doce/ São Paulo é um buquê/ Buquês são flores mortas num lindo arranjo”. Crítico, com sua música “Não Existe Amor em SP”, Criolo faz um retrato marcante da Capital Paulista. 

“São Paulo é a cidade mais cantada em verso e prosa e, naturalmente, em todas as notas musicais. São artistas do Brasil inteiro e alguns do exterior que aqui passaram e deixaram suas marcas com partituras e em discos gravados.  ‘Baião no Brás’, de Luiz Gonzaga com Humberto Teixeira é um exemplo disso.  Ary Barroso, mineiro de Ubá, também compôs sobre São Paulo. Tom Jobim é autor de ‘Te amo São Paulo’ e Paulo Vanzolini, paulistano, é compositor de ‘Ronda’, samba canção que a Inezita Barroso gravou em seu primeiro disco, em 1953. Isso sem contar o grande Adoniran Barbosa, que teve suas músicas gravadas pelos Demônios da Garoa”, citou Ângelo Assis.

Assim, a eclética São Paulo continua a encantar quem nela vive ou por aqui passa. Ela é esta complexa cidade repleta de tons e letras diferentes, que assustam e atraem ao mesmo tempo.

 

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