Música no Museu! Recitais de piano aos domingos no MuBE

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06 de dezembro de 2019

São 7 mil metros quadrados, um projeto arquitetônico assinado por Paulo Mendes da Rocha e um imenso jardim de Roberto Burle Marx. Obras de Francisco Brennand, Sonia Ebling e Lygia Clarck, além da exposição inédita do artista Tony Cragg podem ser vistas no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), que tem entrada gratuita e conta com uma programação intensa de exposições, cursos e apresentações musicais. 
O MuBE, localizado na Rua Alemanha, 221, no Jardim Europa, impressiona pela beleza e grandiosidade, seja das obras, seja da estrutura em si. “O Museu foi criado a partir do desejo da sociedade, quando, em 1986, houve um concurso para a escolha do arquiteto que faria o projeto, no terreno concedido pela Prefeitura”, recordou Flavia Velloso, diretora do MuBE.
Em 1995, após quase dez anos, o sonho se tornaria realidade e o MuBE, um marco para a cidade de São Paulo, teria sua inauguração oficial. Reconhecido como um dos  projetos mais importantes do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o museu recebe visitas de estudantes de Arquitetura do mundo inteiro. 

 

MÚSICA PARA TODOS!
Quem visita o MuBE aos domingos pode prestigiar recitais de piano que acontecem, ininterruptamente, durante todo o ano. “Acredito que seja a única série de recitais da América Latina que mantém uma programação como a nossa”, disse, em entrevista ao O SÃO PAULO, Luiz Guilherme Pozzi, pianista, professor universitário de Música e curador dos recitais de piano do MuBE. 
Confortável e com capacidade para 192 pessoas, o Auditório Pedro Piva recebe, todos os domingos, às 16h, o público interessado em escutar boa música e aproveitar os diferentes espaços do museu.
“É uma experiência maravilhosa, pois, além de virem aos recitais, as pessoas podem almoçar no restaurante do museu, visitar as exposições ou ainda passear pelo jardim”, sugeriu Pozzi, que ressaltou, ainda, o fato de o auditório favorecer a participação de famílias com crianças, que podem facilmente se deslocar dentro do espaço, o que nem sempre é possível numa sala de concertos ou num teatro grande, por exemplo.
Estudantes de Música não pagam ingresso para participar dos recitais e há um cuidado, por parte da curadoria, para que a programação mescle peças eruditas e populares, além de dar oportunidade para pianistas iniciantes, ganhadores de concursos ou jovens que se apresentam em festivais, como o da cidade de Campos do Jordão, no interior de São Paulo.
“Na última temporada, não repetimos uma obra sequer e tivemos pianistas com idade entre 8 e 88 anos, o que mostra a pluralidade da música clássica e como ela é acessível a todos. Além disso, nos preocupamos com a duração dos concertos, que é um pouco mais curta, para que todos sintam-se bem durante a apresentação. Aqui tocaram, em 2019, nomes como Hercules Gomes e Eudóxia de Barros”, explicou Pozzi.
A última apresentação de 2019 acontecerá no domingo, 8, com o dueto formado por Pozzi e Baldini, violinista e spalla [o primeiro de cda instrumentista dos naipes de cordas de uma orquestra]da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). 
“Em março de 2020, teremos somente pianistas mulheres e, como fizemos em edições passadas, continuaremos a lançar obras de compositores brasileiros, fazendo com que o espaço se torne, sempre mais, referência para amantes da música, na cidade de São Paulo”, afirmou o curador.
Os ingressos para os recitais custam R$ 30 (R$ 15 a meia-entrada) e podem ser adquiridos antes de cada apresentação. A programação é divulgada semestralmente pela página do Facebook: 
facebook.com/recitaisdepianomube.

SOBRE O MUBES
Silêncio, uma grande estrutura erguida em concreto aparente abaixo do nível da rua e grandes áreas expositivas são características que tornam o MuBE um ambiente único na capital paulista. O lugar conta, também, com espaço gastronômico e loja de souvenirs. 
“Temos aqui uma das melhores feiras de antiguidades da capital”, informou Telmo Porto, conselheiro do museu. A Feira de Antiguidades de Design do MuBE acontece aos domingos, das 10h às 17h, e reúne expositores com peças exclusivas e cuidadosamente selecionadas. 
Porto destacou também a programação de cursos e as visitas mediadas oferecidas pelo museu, direcionadas a crianças, estudantes e grupos da terceira idade. “É uma instituição privada de interesse público e aberta à comunidade”, afirmou.
“Com curadoria de Cauê Alves, pretendemos, em 2021, apresentar uma antologia da escultura brasileira, com obras de diferentes épocas e escolas”, explicou Flavia Velloso. “Até lá, teremos exposições temporárias de escultores brasileiros, como Amilcar de Castro, artista mineiro que foi escultor, desenhista, diagramador, cenógrafo e poeta,  e cujo centenário de nascimento comemoramos no próximo ano”, completou. 
Com entrada gratuita, até o dia 1º de março, o público pode encantar-se com a exposição “Espécies Raras”, do escultor britânico, radicado na Alemanha, Tony Cragg. Conhecido internacionalmente como um dos mais importantes escultores da atualidade, o artista se diferencia pela pesquisa e trabalho com diferentes materiais, como madeira, bronze, vidro, aço e alumínio. Suas obras estão espalhadas também pelos jardins do museu e podem ser vistas pelas pessoas que passam pelos arredores do MuBE. 
“Além de ressaltar a beleza da escultura, o MuBE pretende ajudar a sociedade a pensar sobre a ocupação dos espaços e, por isso, está sempre em movimento”, disse Flavia, à frente do museu desde 2016.

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Museu Nacional busca recursos para reconstrução

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01 de novembro de 2018

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, solicitou à Câmara dos Deputados um repasse de R$ 56 milhões para reconstrução do prédio destruído por um incêndio no dia 2 de setembro. 

Kellner redigiu uma carta, entregue em audiência pública realizada na terça-feira, 30 de outubro, em Brasília (DF), na qual sugeriu a elaboração de uma emenda parlamentar que garanta o valor. Se aprovada, a quantia será destinada à reconstrução da parte histórica do Museu, incluindo o Palácio, sala do trono e fachada do prédio, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. 

No dia 25 de outubro, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Social e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) lançaram um edital em apoio a pesquisadores vinculados ao Museu Nacional. O objetivo é garantir a continuidade da produção acadêmica após o incêndio. 

Os recursos para o financiamento do edital somam R$ 3,132 milhões. A diretoria da fundação vai nomear um comitê especial de julgamento para o edital, que será responsável pela análise, julgamento e classificação das propostas.

Fonte: Agência Brasil 
 

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E depois do incêndio...

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14 de setembro de 2018

O Governo Federal anunciou, na última semana, uma série de medidas para tentar melhorar a gestão de museus, arquivos e outras instituições que lidam com acervos, após o incêndio que destruiu, no dia 2, o prédio e 90% dos 20 milhões de itens do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o maior e mais antigo do País, criado em 1818, atualmente gerido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Uma das ações é o lançamento pelo BNDES de um edital para obter R$ 25 milhões para projetos de segurança, combate e prevenção de incêndios em diferentes locais que lidam com acervos. A arrecadação será por meio da Lei Rouanet, que permite ao doador destinar parte dos recursos que seriam deduzidos no imposto de renda para atividades culturais.

Também será editada uma medida provisória para criar fundos patrimoniais com recursos privados, cujos rendimentos serão revertidos para o Museu Nacional e outras instituições.

 

APOIO FINANCEIRO E MATERIAL

O Governo Federal também tem se reunido com empresários em busca de ajuda financeira para o Museu Nacional. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e a Federação Brasileira de Bancos já anunciaram que vão colaborar.

Autoridades da China, Chile, Egito, França, México, Portugal também se dispuseram a ajudar tecnicamente na reconstrução do Museu Nacional, e o governo da Alemanha enviará ao Brasil uma verba emergencial de até R$ 4,8 milhões.

 

ETAPAS DE RECUPERAÇÃO

Na segunda-feira, 10, começaram as obras de contenção e os procedimentos para manter a estrutura do prédio segura. A ação será coordenada por uma força- -tarefa montada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com o acompanhamento de técnicos da Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Para essa primeira etapa, o Governo Federal vai liberar R$ 10 milhões. A fase seguinte será a elaboração dos projetos básico e executivo para a reconstrução do Museu e a aquisição de equipamentos. Depois, será feita a obra de recuperação do prédio e, por fim, a reconstituição do acervo, com os itens recuperados e outros que forem adquiridos.

 

GESTÃO DOS MUSEU

O incêndio no Rio de Janeiro reacendeu discussões sobre a gestão dos museus no País. Políticas públicas específicas de âmbito nacional para essa finalidade começaram no ano de 2003, com a criação do Departamento de Museus no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2009, o departamento foi transformado no Ibram, autarquia vinculada ao Ministério Cultura.

Em nota publicada em seu site no dia 4, o Ibram afirma que tem feito publicações, seminários e oficinas sobre a gestão de museus, além de um planejamento global, com atenção para a necessidade de um plano museológico e de gestão de riscos para cada unidade. Além disso, desde 2013, implementa o Programa de Gestão de Riscos ao Patrimônio Musealizado Brasileiro, “que estabelece parâmetros técnicos para a formulação de planos de gerenciamento de riscos para os museus, e promove a articulação entre as diferentes instituições e organizações que compartilham esta responsabilidade pública”

O Ibram reconhece, porém, que existem unidades em processo de requalificação arquitetônica e que apenas dois dos 30 museus que administra diretamente possuem Autos de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB): “Todas as demais unidades estão em processo de obtenção do documento, que demanda uma série de intervenções complexas, que necessitam articular o atendimento às diferentes legislações estaduais de proteção e combate a incêndio e o respeito às restrições das legislações de tombamento, uma vez que todos esses museus funcionam em edifícios históricos tombados pelo Iphan”.

 

PROBLEMAS PRÁTICOS

Há décadas, a historiadora e museóloga Cecília Machado estuda a gestão dos museus brasileiros. Professora do curso de pós-graduação em Gestão de Acervos Museológicos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ela avaliou que falta ao País experiência técnica e política, além de investimentos.

Cecília disse ao O SÃO PAULO que o Brasil tem publicado uma série de subsídios sobre boas práticas museológicas, mas que só isso não é suficiente. “O que o Estado não está fazendo é financiar qualquer tipo de ação, o que é uma falha grave”, disse.

De acordo com a historiadora, é preciso que haja ações coordenadas no que se refere à segurança. “O Corpo de Bombeiros deveria estar junto com os projetos executivos dos museus, que deveriam não só estar alinhados com a lei, mas com a prática. Se o bombeiro fala, ‘aqui tem que ter um hidrante’, e o museólogo fala, ‘mas aqui a gente tem um móvel tombado, essa parede não pode ser cortada’, isso deveria ser estudado em conjunto, pois o bombeiro tem a capacitação técnica para apontar qual é o problema, o engenheiro vai dialogar uma solução e o museólogo vai apontar quais são as necessidades. Isso só existe no papel, em protocolos publicados”, lamentou.

Cecília também lembrou que praticamente não há fiscalização quanto ao seguimento desses protocolos e que, quando se aplica alguma punição, “as multas não são pagas, as intimações são ignoradas e o edifício cai”, sintetizou.

 

DESINTERESSE?

Cecília acredita que o descaso com a gestão dos museus no País seja parte de “uma política pública brasileira de apagamento de memória”

Em nota, no dia 4, o Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico do Ibram pediu maior sensibilização dos governos e da sociedade com a gestão dos museus: “Que essa tragédia, de contornos irreversíveis, sensibilize as autoridades deste País para o quanto as instituições museológicas precisam ser levadas a sério, para que não sejam sistematicamente constrangidas com as reduções orçamentárias e com a impossibilidade de manutenção de quadros estáveis de profissionais especializados, entre outros abandonos, como temos testemunhado ao longo de décadas”.

 

O QUE APRENDER DE OUTROS PAÍSES?

Não faltam exemplos de sucesso na gestão de museus em outros países e que podem servir de modelo ao Brasil.

Na Inglaterra, o Museu Britânico foi completamente renovado em 2002. Em algumas janelas, há dispositivos automáticos para que elas se fechem automaticamente em caso de incêndio. Na França, todo grande museu conta com uma equipe do Corpo de Bombeiros 24 horas por dia.

Já a Suíça é referência quanto à fiscalização das condições dos museus e na prevenção de incêndios. Nos prédios milenares onde já houve algum problema, uma equipe multidisciplinar cuida da reconstrução com um projeto hidráulico, elétrico e arquitetônico. “Uma vez a cada três meses, eles fazem uma simulação de evacuação dos edifícios históricos e todos os funcionários de um museu sabem como têm de proceder e conseguem a evacuação de 80% do local. No Brasil, essa simulação é anual, isso quando há”, comentou Cecília Machado.

(Com informações de G1, TV Globo, Ibram, Planalto e Agência Brasil)

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Obras de contenção no Museu Nacional devem começar hoje

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10 de setembro de 2018

Uma semana depois do incêndio que atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, o prédio deverá ser cercado de tapumes para dar início às obras de contenção e procedimentos para manter a estrutura segura.

Amanhã, 11, são esperados os técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que vão auxiliar nos trabalhos.

As informações foram confirmadas pela vice-diretora do museu, Cristiana Serejo.

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, disse que a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros.

Na semana passada, autoridades federais confirmaram a colaboração do organismo internacional.

Com a colocação dos tapumes, começam as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo.

Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu, realizará esse trabalho, com apoio de engenheiros contratados para garantir a segurança nos escombros.

De acordo com Cristina Serejo, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio.

 

Etapas

A vice-diretora afirmou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo.

A expectativa é de que, no decorrer dessa semana, sejam liberados R$ 10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio.

A UFRJ prepara um termo de referência com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial.

Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar também doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos.

“O Museu Nacional está tentando se organizar”, disse.

 

*Com informações da Alana Gandra, do Rio de Janeiro

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Memória nacional e centro de pesquisas reduzidos a cinzas em incêndio no Rio

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07 de setembro de 2018

Uma perda irreparável é o consenso entre todas as autoridades, pesquisadores e especialistas em relação ao incêndio que atingiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, no domingo, 2. Mais antiga instituição científica e importantíssimo centro de história natural do País, o Museu completou 200 anos de existência em junho passado. No entanto, o que deveria ter sido motivo de comemoração se revelou agora uma situação de completo abandono.

Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), seu acervo era considerado um dos mais importantes da América Latina, com mais de 20 milhões de itens catalogados. A história do Museu sempre teve estreita ligação com a história do Brasil imperial, a começar pelo local onde funcionava: construído em 1803, o prédio pertencera inicialmente a um comerciante português e serviu de residência à família real portuguesa quando de sua chegada ao Brasil, em 1808 (em decorrência da fuga das perseguições napoleônicas a Portugal) até 1889, quando foi proclamada a República. Segundo a historiadora Flávia Miguel de Souza, Dom Pedro II e a Princesa Isabel nasceram lá. Fundado por Dom João VI em 1818, o Museu passou a ocupar as dependências do prédio em 1892.

Considerado o 5º melhor museu de antropologia do mundo e detentor de um acervo que era disputado por instituições internacionais (vide box abaixo), o Museu Nacional era do mesmo porte dos museus de Smithsonian (Estados Unidos) e do Louvre (França), segundo o antropólogo Roberto DaMatta, que lá trabalhara por quase 30 anos, quando o deixou em 1986. “Todo mundo está falando de descaso: isso não é a causa, é a consequência de uma sociedade complacente com a ignorância”, afirma.

Essa proximidade com personagens importantes da história do Brasil e o considerável legado que abrigava não impediram que o Museu chegasse ao seu bicentenário com goteiras, infiltrações, salas vazias e problemas nas instalações elétricas. Também não possuía estrutura antifogo, nem seguro, nem hidrantes com água, nem detectores de fumaça, além de estar completamente infestado por cupins, retrato que denota que a verba destinada à sua manutenção era cada vez mais escassa e insuficiente, assim como a consciência das autoridades em reconhecer e preservar um bem público e seu valoroso patrimônio para as futuras gerações.

Os visitantes que tiveram a oportunidade de comparecer ao Museu Nacional sempre se deparavam com esta inscrição em sua entrada:

“Todos que por aqui passem protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir o seu próprio futuro”.

Muito mais que um valioso documento ali presente, o acervo do Museu abrigava itens importantíssimos para a preservação da memória nacional e para as pesquisas científicas no Brasil. Entre eles, algumas das mais destacadas preciosidades:

Pergaminho datado do século XI, com manuscritos em Grego sobre os quatro Evangelhos, considerado o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina;

A Bíblia de Mogúncia, Alemanha, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Shoffer, ex-sócios de Gutenberg;

A crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados, tidos como um dos mais antigos em livro impresso;

A Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569, obra monumental do mais renomado impressor do século XVI, Cristóvão Plantim;

A primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572;

A primeira edição da “Arte da Gramática da Língua Portuguesa”, escrita por São José de Anchieta, em 1595;

O “Rerum per octennium...Brasilia”, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores, desenhadas por Frans Prost;

Exemplar completo da famosa “Encyclopédie Française”, uma das obras de referência para a Revolução Francesa;

O primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601;

Exemplar único e raríssimo do livro publicado em 1605 pelo autor Hrabanus Maurus, que criou o caça-palavra em forma de poesia visual;

O fóssil de 12 mil anos de Luzia, o mais antigo encontrado nas Américas até hoje;

Os afrescos de Pompeia;

O documento de assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil;

O sarcófago de Sha-Amun-Em-Su, um dos únicos que nunca foram abertos;

O acervo da botânica Bertha Lutz;

O maior dinossauro brasileiro já montado, com ossos originais;

O Angaturama limai, o maior carnívoro brasileiro;

Fósseis de plantas já extintas;

O trono do rei Abandozan, do reino africano de Daomé, datado do século XVIII;

O prédio onde foi assinada a independência do Brasil.

 

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Bancos e governo se reúnem para debater restauração do Museu Nacional

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05 de setembro de 2018

Após a destruição do Museu Nacional do Rio Janeiro por um incêndio há três dias, o presidente Michel Temer faz mais uma reunião nesta quarta-feira, 5, no Palácio do Planalto para discutir o assunto.

Ele chamou autoridades da cultura e representantes de instituições bancárias públicas e privadas na tentativa de organizar o grupo que vai atuar no processo de  restauração do museu.

Temer quer montar uma espécie de rede de apoio para reconstrução do Museu Nacional no menor tempo possível. As parcerias devem definir mecanismos para que as empresas se associem na reconstrução do edifício e na busca pela recomposição do acervo destruído pelas chamas.

Algumas das alternativas para viabilizar o projeto se baseiam na Lei Rouanet, principal política de incentivos fiscais. Pela lei, empresas e cidadãos (pessoas físicas) ao aplicarem em cultura, poderão ter dedução do Imposto de Renda.

O percentual disponível é de 6% do tributo para pessoas físicas e 4% de IRPJ para pessoas jurídicas.

Para o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, o ideal é definir recursos diretos do Orçamento da União de 2019.

Nas reuniões que participou ontem, 4, em Brasília, ele ressaltou a importância do edifício do museu por onde passaram os integrantes da família real brasileira e que a sociedade tem de contribuir nesse processo.

 

Integrantes

Devem participar da reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, e diretores da entidade e da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal Filho.

Também foram convidados os presidentes da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza, do Banco Safra, Rossano Maranhão Pinto, do Banco Santander, Sérgio Agapito Lires Rial, do Banco BTG Pactual, Roberto Balls Sallouti, do Banco Bradesco, Octavio de Lazari Junior, e do Itaú Unibanco, Cândido Botelho Bracher.

São esperados ainda o presidente em exercício da Petrobras, Rafael Mendes Gomes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Marcos Mantoan e Eneida Braga, uma das diretoras do órgão.

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PF usa scanner para criar maquete virtual do Museu Nacional

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05 de setembro de 2018

Peritos da Polícia Federal começaram hoje, 5, um trabalho de escaneamento do que sobrou da fachada do Museu Nacional. Os agentes estão no local para criar uma maquete virtual do prédio. Esta maquete em 3D será comparada com a estrutura antiga e, assim, os peritos esperam entender como o incêndio ocorreu.

O processo é feito com a ajuda de alguns equipamentos como scanners, posicionados em tripés e do tamanho próximo ao de um aparelho celular, e uma ferramenta em formato de circunferência branca que ajuda na captação das imagens tridimensionais.

Do lado de fora, a fachada do Museu Nacional parece firme, mas através de suas janelas e portais é possível ver o estrago: armários caídos, entulhos, cinzas e estruturas carbonizadas.

Dois carros da Polícia Federal estão no museu e pelo menos dez agentes atuam no local.

Caminhões dos bombeiros também estão a postos na Quinta da Boa Vista, embora não haja mais focos de fogo aparentes.

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Incêndio destruiu acervo único sobre história africana, diz curadora

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04 de setembro de 2018

Kumbukumbu é uma palavra da língua africana swahili que resgata uma dimensão do passado que abre caminho para o futuro. Por esse simbolismo, a expressão dava nome à exposição sobre a arte africana do Museu Nacional, uma das que foram completamente destruídas pelo incêndio de domingo, 2, no Rio de Janeiro.

Entre as 185 peças expostas e consumidas pelo fogo estava o Trono de Daomé, reino africano que traficou pessoas escravizadas e tinha o Brasil como um de seus principais comparsas. 

A sandália e a toca real também estavam expostas como registros do reino que deixou de existir ao ser dominado pelos franceses em 1904.

As peças foram um presente do Rei Adandozan a D. João VI, em 1811, e estava no acervo do museu desde sua fundação. Essa coleção faz parte de um acervo com um total de 700 peças, que inclui o que estava na reserva técnica.

Praticamente tudo se perdeu, segundo a curadora da exposição, Mariza Soares. O catálogo da exposição está disponível online.

Tecidos alaka, feitos em tear na costa ocidental da África na primeira metade do século XX, são outras peças de destaque da exposição, que também contava com uma presa de marfim esculpida no século XIX na Bacia do Rio Congo. A presa de elefante era considerada uma das maiores já expostas em um museu.

 

Resistência das religiões

Uma das partes mais importantes da exposição era a que contava pouco da resistência das religiões de matriz africana no Brasil, com objetos ritualísticos do candomblé, que foram confiscados pela polícia do Rio de Janeiro desde o império, quando a prática da religião era proibida por lei.

Diretor do Museu Nacional durante o Século XIX, Ladislau Netto pediu à Polícia da Corte que encaminhasse os objetos apreendidos para estudo no museu, e assim começou a se formar a coleção que preservava antigas técnicas de metalurgia e da arte em madeira que confeccionaram os materiais usados nas práticas religiosas da última geração de africanos traficados para Brasil e de seus descendentes diretos.

A exposição contava ainda com importantes estatuetas de orixás esculpidos em madeira pelo artista popular Afonso de Santa Isabel e adicionadas ao acervo entre 1940 e 1950.

Os objetos faziam parte da coleção de Heloisa Alberto Torres, ex-diretora do museu que viajou à Bahia no Século XX para reunir objetos das principais casas de candomblé do recôncavo baiano.

A curadora da Kumbukumbu conta que o trabalho feito na montagem da exposição buscou revalorizar a cultura africana e, ao mesmo tempo, discutir as relações raciais no Brasil, país que mais demorou a abolir a escravidão.

"Foi uma oportunidade incrível justamente para a gente recuperar toda uma discussão a respeito das relações raciais no Brasil, da importância do estudo da história da África para se entender o Brasil, de se discutir a questão da escravidão e como ela impacta de forma muito negativa a sociedade brasileira", lembrou a pesquisadora, enquanto acompanhava o trabalho dos bombeiros nos escombros do Museu Nacional.

 

Museu suburbano

Apesar de ser famoso por ter abrigado a residência da família imperial, o Museu Nacional é parte do subúrbio carioca, e a Quinta da Boa Vista, onde ele fica, é uma das principais áreas de lazer dessa região da cidade.

Localizado na zona norte do Rio de Janeiro e vizinho de comunidades como a Mangueira e o Tuiuti, o Museu Nacional recebia muitas visitas de escolas públicas e tinha acesso fácil para moradores da periferia, que podiam usar o trem e o metrô para chegar ao local partindo de diversos pontos da zona oeste, zona norte e Baixada Fluminense.

"Buscamos trazer também uma discussão sobre a pobreza no Brasil, onde a população negra é um percentual imenso da população pobre, da população carcerária e da população assassinada", disse a curadora, que lamentou a destruição de um acervo que tinha características únicas, mesmo se comparado a grandes museus do mundo.

"A nossa coleção tinha uma parte que chegou como um presente para Dom João, então era uma coleção muito antiga e muito valiosa. A gente pode recuperar um inventário do que existiu, mas o que existiu está perdido. Agora e para todas as gerações que virão".

Professor da etnologia, departamento que abrigava a exposição, Antônio Carlos de Souza Lima acrescenta que também foram perdidas peças indígenas de tribos que não existem mais, artefatos maoris, jades indianas e até uma armadura samurai.

"A perda da etnologia é irreparável. Isso é resultado de décadas de descaso das elites políticas. É um retrato do que a elite financeira e política pensa do que é o Brasil", finalizou.

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Museu da Cidade oferece atividades educativas durante a Jornada do Patrimônio 2018

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16 de agosto de 2018

Com o tema “Uma cidade, muitas mãos”, a 4ª edição da Jornada do Patrimônio, organizada pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria Municipal de Cultura oferece mais de 300 atividades distribuídas por toda a cidade. Para o evento, que acontece durante os dias 18 e 19 de agosto, o Educativo das Casas Históricas do Museu da Cidade preparou uma programação especial com roteiros, visitas guiadas, oficinas e brincadeiras.

Entre os destaques, está a oficina de pau a pique “Memórias da forma”, na Casa do Tatuapé, que acontece no sábado,18, e convida o público a conhecer um pouco mais sobre a técnica de construção tradicional, além de propor a criação de uma escultura coletiva a partir dessa prática. Neste mesmo dia, acontece na Casa Sertanista a atividade “Construindo o Brincar: Oficina de Peteca”, em que os participantes irão produzir uma peteca de palha de bananeira, modo como era feita pelos povos indígenas.

Já no domingo,19, a Casa da Imagem oferece uma visita guiada com os curadores da exposição “Equações da Metrópole”, que apresenta um panorama de 140 anos da história de São Paulo por mais de 100 fotografias do acervo. Além disso, no mesmo dia, o Sítio da Ressaca promove a oficina “Rejunte Poético”, que estimula os participantes a reescreverem narrativas artísticas, através da poesia escrita ou desenhada, de forma coletiva.

A programação completa com os horários e endereços está disponível no site da Secretária Municipal de Cultura

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