Bispo alerta para onda de violência fora de controle em Moçambique

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08 de novembro de 2019

O Bispo da Diocese de Pemba, em Moçambique, Dom Luís Fernando Lisboa, definiu como fora de controle a situação do norte do país africano, onde têm ocorrido inúmeros ataques violentos de autoria ainda desconhecida.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o prelado brasileiro, que pastoreia a Igreja em Pemba desde 2013, afirmou que, ainda que existam iniciativas das forças de segurança de Moçambique no local em resposta a uma série de ataques contra a população, a situação está descontrolada.

Dom Luís Fernando acrescentou que “alguns teimam” em dizer que a situação está sob controle, mas “não é verdade”. Ele destacou, ainda, que o sentimento de medo da população é evidente. Os campos agrícolas estão ficando abandonados e, como consequência disso, já se fala em fome nessa região de Moçambique.

“Tenho visitado as comunidades e sinto que algo muito triste vai acontecer. Haverá fome em Cabo Delgado porque nas regiões onde estão acontecendo os ataques as pessoas não estão mais trabalhando nos campos por medo”, diz Dom Fernando.

ATAQUES

O Bispo relatou que uma sucessão de ataques teve início há cerca de dois anos, sendo que  não se sabe quem são os responsáveis pela onda de violência.

Para Dom Luís Fernando, “a verdade é que o inimigo não tem rosto”. Apesar das iniciativas e da presença na região de pessoas das forças de segurança, “os ataques continuam de uma forma violenta. Queimam casas, as pessoas ficam sem moradia. Matam pessoas inocentes, pessoas que trabalham na agricultura. Ultimamente estão atacando veículos do transporte público, uma tristeza muito grande”, disse ainda.

POSSÍVEIS AUTORES

Há uma crescente convicção de que a região norte de Moçambique está na mira de grupos extremistas “jihadistas”. Em setembro, o grupo Estado Islâmico (EI) tinha reivindicado pela primeira vez um ataque a uma “vila cristã”.

Em uma mensagem publicada na internet no dia 26 de setembro, os extremistas se referem ao ataque ao “posto do exército moçambicano” ocorrido dias antes em Mbau. Um jornal local, a Carta de Moçambique, descreveu um “cenário de terror” e de “desespero total”, com Mbau transformada, depois do ataque, em uma aldeia fantasma.

Antes de Mbau foram registrados ataques também em Quitejaro e Cobre. No comunicado publicado na internet, Quiterajo foi classificada pelo EI como “vila cristã”. Disseram que “os soldados do califado” deixaram muitos mortos nessa ação militar. Anteriormente, em quatro de junho, o EI tinha reivindicado outro ataque no norte do país.

MEDO E INCERTEZA

Desde outubro de 2017 a região de Cabo Delgado tem sido palco de diversos ataques extremamente violentos. Calcula-se que já tenham morrido cerca 300 pessoas nesses ataques. Eles visam especialmente regiões relativamente isoladas, havendo o registro de aldeias praticamente destruídas.

Em agosto, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, fez uma visita missionária a Pemba, para acompanhar o trabalho dos missionários brasileiros mantidos pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Nessa ocasião, Dom Odilo relatou que chegou a passar por povoados que haviam sofrido ataques recentemente. “Vimos os barracos queimados e os rastros de destruição”, chamou a atenção o Cardeal, destacando o clima de incerteza e medo da população, em um país onde sempre houve uma convivência pacífica e harmoniosa entre cristãos e muçulmanos. Por essa razão, existe a suspeita de que se trate de uma ação de extremistas islâmicos possivelmente vindos da Tanzânia. Outra desconfiança é de que os ataques sejam motivados por grupos interessados nas terras da região, onde recentemente foram encontradas riquezas minerais. Contudo, ainda não foram encontrados rastros dos autores. 

HISTÓRICO DE CONFLITOS

O povo moçambicano vive esse novo drama pouco tempo após o processo de reconciliação do país, que viveu uma guerra civil por décadas.

Ex-colônia de Portugal, Moçambique obteve a independência em 1975, após quase dez anos de conflito. Contudo, explodiu uma guerra civil entre as forças governamentais (Frelimo), e o movimento rebelde da oposição (Renamo). Nos 16 anos de combates morreram um milhão de pessoas, algumas de fome e milhares por ferimentos ou mutilações causadas por explosões de minas. Cerca de milhões de cidadãos foram obrigados a fugir de suas casas.

A guerra civil terminou oficialmente em 4 de outubro de 1992, em Roma, com a assinatura do Acordo Geral de Paz, pelo então presidente da república Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama, então presidente da Renamo.

Em agosto deste ano, foi assinado um novo acordo no Parque Nacional da Gorongosa para pôr fim à violência que não tinha diminuído apesar do acordo anterior. Tal acordo foi firmado às vésperas visita do Papa Francisco ao país, realizada em setembro, na qual ele fez um forte apelo à esperança, paz e reconciliação.

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Missão África- Pemba

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16 de outubro de 2019

Seis dias, 2.500km percorridos entre idas e vindas de Pemba, sede da diocese pastoreada por Dom Luís Fernando Lisboa, até cada uma das missões, conventos, paróquias, comunidades, centros sociais, hospitais, escolas, comunidades religiosas e aldeias visitadas pela comitiva do Regional Sul 1 da CNBB, em visita pastoral às missões que fazem parte do Projeto Missão África-Pemba. 


A visita pastoral aconteceu entre os dias 13 e 18 e teve como objetivo principal ir ao encontro, acompanhar e animar os missionários brasileiros atuantes nas três missões mantidas pelas dioceses do Estado de São Paulo na Diocese de Pemba, localizada na Província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, próximo da fronteira com a Tanzânia.


A comitiva foi liderada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Representante do Regional Sul 1 da CNBB, que reúne todas as dioceses do Estado de São Paulo. Acompanharam o Cardeal, entre outros, Marcos Antônio Domingues, diácono permanente da Arquidiocese de São Paulo e Secretário-Administrativo do Regional Sul 1, e Antônio Evangelista, Secretário-Executivo da Cáritas Regional. 
Uma equipe de jornalistas da TV Canção Nova acompanhou e documentou toda a visita pastoral.

Igreja em saída

Diácono Domingues, como é conhecido, é o gestor do projeto missionário batizado Missão África-Pemba, criado em abril de 2017, quando Dom Luís Fernando se reuniu com a Comissão Episcopal Representativa (Conser) do Regional Sul 1. Desse encontro, surgiu uma parceria do Regional Sul 1 com a Diocese de Pemba, pela qual as dioceses do Estado de São Paulo assumiram o compromisso de apoiar as missões na diocese africana, cuja extensão equivale à metade de todo o Estado de São Paulo. 


O apoio é realizado com o envio de missionários e ajuda financeira: 12 missionários entre padres, religiosos(as) e leigos(as) já foram enviados e estão em ação, entre os quais, o casal Cesar Henrique Campos, 61, e Roseani de Campos, 61, recém-chegados e que atuarão na Missão de Metoro, onde trabalha o Padre Adriano Ferreira Rodrigues, 41, sacerdote da Diocese de Jundiaí (SP) e que há dois anos atua em Moçambique. 


Ao todo, o Regional Sul 1 da CNBB está mantendo três missões na Diocese: Missão de Metoro – distante 80km de Pemba; Missão de Mazeze – distante 204Km; Missão de Nangade – distante 400km. Cada uma dessas missões atende dezenas de comunidades e aldeias, com grandes distâncias entre elas. 


Segundo informou à reportagem o Diácono Domingues, no primeiro ano foram investidos pouco mais de R$ 600 mil na compra de veículos – os missionários precisam percorrer grandes distâncias –, reformas de edificações, manutenção e sustento das estruturas das missões e dos missionários, além da assistência à população local, muito pobre. Os recursos investidos são provenientes de um fundo missionário para o qual contribuem anualmente todas as dioceses do Regional Sul 1, além de arrecadações obtidas por meio de campanhas veiculadas pelas mídias. 

As dores da África 

Pobreza, falta de saneamento básico, desnutrição, maternidade precoce, analfabetismo, sistema de saúde pública extremamente precário, violência, exploração do trabalho em minas de metais e pedras preciosas, prostituição, malária, lepra, Aids. Essas são algumas das realidades encontradas e que desafiam o ânimo e a criatividade dos missionários em solo africano, que não medem esforços para ir em socorro da população.


Em Mazeze, a religiosa boliviana Irmã Teresa, da Congregação das Filhas de Jesus, especializou-se em Medicina Natural e abriu um centro de saúde, onde trata febres, dores, diarreias, problemas digestivos e até mesmo depressão, tudo à base de medicamentos produzidos no próprio local com ervas plantadas em uma horta. “Temos muitos doentes e poucos postos hospitalares e médicos. Esse foi o modo que encontramos para socorrer essa população”, explicou a Religiosa em entrevista ao O SÃO PAULO. 


Em Nangade está instalada a Missão de São Miguel Arcanjo, onde atuam missionários brasileiros da Fraternidade O Caminho. A fim de combater a fome e a desnutrição infantil aguda, os religiosos criaram um centro de nutrição e fizeram um convênio com o posto hospitalar local. 


“Percebemos que os doentes não prosseguiam com os tratamentos, porque o hospital não oferece alimentação para os seus pacientes. Assim, fizemos um acordo que nos permite entrar no hospital para alimentá-los”, contou à reportagem a Irmã Hadassa, uma das responsáveis pela missão. 


Os religiosos inauguraram também uma escola de educação infantil, em início de funcionamento, que já atende 32 crianças. Lá, além de receberem alimentação e serem higienizadas, as crianças são preparadas para conseguir acompanhar o ensino fundamental. Significa que os missionários estão, literalmente, implantando em Moçambique a pré-escola. 


A língua oficial de Moçambique é o Português. Como nas aldeias predomina o uso das línguas nativas, muitas crianças desistem de estudar porque não conseguem acompanhar as aulas nas escolas, administradas sempre no idioma oficial. 


Dom Luís Fernando Lisboa contou à reportagem que a Igreja Católica, além de levar o Evangelho, desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento de Moçambique e para a promoção humana dos moçambicanos. “Boa parte das escolas de ensino básico e secundário é uma iniciativa da Igreja Católica mantida com a ajuda do Estado”, afirmou. O Bispo disse ainda que o índice de analfabetos em sua Diocese é altíssimo, “atinge quase metade da população”. 


No Distrito de Metoro, concentra-se a segunda maior população da área de abrangência da Diocese de Pemba (220 mil habitantes). Lá, o forte da missão é educação, catequese e evangelização. A missão católica local mantém uma das poucas escolas a oferecer ensino secundário (corresponde ao ensino médio no Brasil). 


“A paróquia já é bem consolidada e possui uma catequese que se tornou referência na Diocese”, afirmou o Padre Adriano Ferreira Rodrigues, Pároco da Paróquia Cristo Rei – a paróquia é parte da missão – e que todos os dias reserva parte de seu tempo para visitar os moradores das aldeias próximas – são 60 no total. Para tanto, Padre Adriano em pouco tempo aprendeu a falar Macua, um dos muitos idiomas nativos – fala-se de 30 – existentes em Moçambique. 


A igreja paroquial da missão de Metoro também é uma inovação. Idealizada por um sacerdote espanhol que era formado em Arquitetura, foi construída com lonas no lugar de paredes, o que permite a entrada de luz natural.

Fé, esperança e caridade

As missões católicas em Pemba influenciam sem medo e positivamente as culturas locais. Preservam o que nelas é bom, ao mesmo tempo em que as pacificam, elevam, dignificam, humanizam e divinizam. Tudo isso se observa no esforço de elevação moral, na transmissão de padrões de higiene, na melhoria das construções, no aprimoramento das leis (a Igreja influenciou em uma lei recente que proíbe o casamento de menores de 18 anos), nos projetos educacionais, na evangelização. Se as dores da África são uma consequência do pecado, a presença e a ação dos missionários católicos são uma viva expressão do amor de Deus e de redenção humana.


 A liturgia inculturada em Moçambique é piedosa, natural, solene, limpa, sem sincretismos. Ajoelham-se durante o ato de contrição, mantêm silêncio profundo durante a Liturgia da Palavra, prestam atenção e reagem às homilias, ofertam generosamente o que têm, comungam com extremo respeito e devoção.


Os missionários que atuam na África são religiosos simples, homens e mulheres que revelam profunda vida interior. Não se perdem em ideias ou teorias. Têm em mente a profunda verdade de que são chamados a ser presença do amor de Deus na vida dos mais carentes e necessitados. 


São homens e mulheres: padres, religiosos, religiosas, leigos e leigas, casados, viúvos e solteiros que têm os olhos erguidos para o alto, o coração e as esperanças assentadas em Deus. Eles desejam o Céu para si e para os outros. Abraçam a vida pobre na terra como um dom, enquanto que no exercício puro e simples da caridade, se enriquecem do amor de Deus.
 

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Cardeal Odilo Pedro Scherer despede-se de Pemba

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19 de agosto de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer concluiu a sua visita pastoral à Diocese de Pemba, em Moçambique, com uma Santa Missa celebrada na Catedral daquela diocese, no domingo, 18, na Solenidade da Assunção da Virgem Maria.

No início da celebração, Dom Luís Fernando Lisboa, missionário em Pemba há 17 anos e bispo da diocese há seis, saudou o Arcebispo de São Paulo, agradecendo a sua presença e pelo apoio que a diocese recebe dos bispos do Estado de São Paulo com o envio de missionários.

A missa foi celebrada em Português, idioma oficial de Moçambique. Já os cantos da liturgia foram executados pelo coro de mulheres da Catedral, em idioma nativo Macua, e embalada por belas melodias e coreografias próprias do povo moçambicano.

‘Celebramos a mesma fé’

Em sua homilia, Dom Odilo explicou o significado da solenidade litúrgica celebrada.

“Que bonito é que nós, aqui na África, bem como os católicos na Europa, América, Ásia e Oceania, celebramos todos a mesma fé e neste dia, a assunção de Maria ao céu. Com essa festa, a Igreja nos anuncia a nossa própria salvação e a esperança certa da ressurreição. Segundo a tradição da Igreja ensina, pelos méritos de Cristo, Maria, ao ser gerada ,foi preservada do pecado. Em sua dormência, teve seu corpo preservado da corrupção da carne e foi elevada por Deus à glória do céu em corpo e alma”.

“A festa de hoje nos dá a firme esperança e certeza na ressurreição. Essa certeza é o que nos consola e anima diante de nosso caminhar na terra, por vezes, marcado por muitas dificuldades, sofrimentos e privações”.

Refletindo sobre o texto do Livro do Apocalipse de São João, Dom Odilo explicou que o dragão que aparece na leitura é uma representação do mal. Um dia ele será vencido. A mulher vestida de sol é Maria, mas é também a Igreja e seus filhos, os quais o dragão persegue e quer devorar. Esses filhos somos nós, membros da Igreja; são todos os cristãos perseguidos, de todos os tempos.

‘O bem supremo para nós é Deus’

“Deus um dia fará a justiça plena. Nós cristãos, em nosso peregrinar, devemos lutar por justiça, para a superação da pobreza, da fome, das doenças. Contudo, não esqueçamos que o bem supremo para nós é Deus, é vida eterna”.

Dom Odilo explicou que a Igreja é missionária e realiza missões, porque tem a convicção que Jesus Cristo e o Evangelho é um bem para todos e para todas as culturas e povos. “Deus quer que todos se salvem”, afirmou. “Por essa causa vivem os missionários. Por essa causa, muitos mártires entregaram as suas vidas na certeza de que Deus é a verdadeira Vida”, concluiu.

Ao final da missa, Dom Luís Fernando Lisboa apresentou à comunidade católica de Pemba os missionários provenientes do Estado de São Paulo e, mais uma vez, agradeceu todas a ajuda que a Diocese tem recebido.

Na tarde do domingo, Dom Odilo dirigiu-se para Maputo, capital de Moçambique, onde realizará visita à Missão desenvolvida pela Aliança de Misericórdia em um dos bairros mais carentes da cidade.

(Com informações do Padre Michelino Roberto)

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'Vocês certamente alegram o coração de Deus'

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17 de agosto de 2019

A comitiva da Regional Sul 1 da CNBB encerrou a visita pastoral na Paróquia do Menino Jesus de Imbhua, com uma missa celebrada na Aldeia de Nanganda, no sábado, 17. 

Na região, vive o povo da etnia Maconde, principal protagonista da revolução que na década de 1970 culminou com a independência de Moçambique, até então colônia de Portugal.

A missa foi presidida pelo Cardeal Scherer, Arcebispo de São Paulo, que foi calorosamente recebido com cantos de boas-vindas. Um coral com cerca de 70 vozes, ao ritmo de uma coreografia solene, piedosa e envolvente, animou a Santa Missa, também essa celebrada à sombra de uma mangueira. Todos os cantos foram em língua nativa Maconde.

Missionários trazem Jesus e a alegria

No inicio da missa, Dom Odilo saudou os líderes da aldeia, os missionários locais e explicou que está fazendo uma visita missionaria a várias missões da Diocese de Pemba. Ele agradeceu à população local a calorosa acolhida que recebeu. Disse que veio para confirmá-los na fé e, também, que a visita é importante para conseguir mais ajudas para as missões.

Foi a primeira vez que a paróquia recebeu a visita de um Cardeal.

Na homilia, Dom Odilo destacou que há muitas gerações, missionários vieram a para a África, de longe, da Europa, e trouxeram para cá Jesus e a semente do Evangelho.

“O Evangelho narra a visita de Maria a sua prima Isabel. Foi uma visita missionária, pois Maria levou consigo Jesus e, com Ele, a alegria. Assim também fizeram os missionários na África, e assim continuam a fazer os nossos missionários brasileiros que hoje estão no vosso meio: trazem Jesus e, com Ele, a alegria”, disse o Cardeal.

“Jesus é a nossa vida. Vida eterna, que nunca acaba. Essa certeza é o que motiva a Igreja a enviar missionários para todo o mundo”, prosseguiu.

“Hoje, a África não apenas recebe missionários, mas também os envia. Se nos tempos passados o continente europeu enviou missionário para todas as partes do mundo, hoje é ela que os recebe, provenientes tanto da África quanto da América. O mundo precisa de missionários africanos”, concluiu.

Expressão de generosidade

No ofertório, os fiéis trouxeram os frutos da terra e do seu trabalho: cocos, mandioca, milho, feijão, aves e legumes. Não foram ofertas simbólicas, mas expressão da generosidade de um povo que, mesmo sendo pobre, expressa, dessa forma, a sua gratidão a Deus e aos missionários. Um povo que não aceita comparecer diante de Deus de mãos vazias.

Ao fim do ofertório, o Cardeal Scherer agradeceu e abençoou os ofertantes: “Obrigado pelas vossas ofertas. Foi um gesto muito bonito! Que Deus abençoe a vossa terra, os vossos campos. Que tenhais boas colheitas para que nunca vos falte o alimento”.

Cerca de 500 pessoas participaram da celebração eucarística, incluindo representantes das comunidades muçulmana e evangélica.

Ao final da missa, Dom Odilo agradeceu à piedade, as belas músicas e danças da missa em honra a Deus. “Vou contar em São Paulo como vocês rezam bem na missa. Vocês certamente alegram o coração de Deus e o coração de Nossa Senhora”.

(Com informações do Padre Michelino Roberto)

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Cardeal Odilo Scherer: ‘Vocês são os templos vivos de Deus’

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16 de agosto de 2019

No quarto dia de visita pastoral à Diocese de Pemba, em Moçambique, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, inaugurou duas obras sociais: os projetos Santa Clara e São Francisco de Assis. Também abençoou a construção da futura igreja paroquial, em Nangade, nas proximidades da fronteira com a Tanzânia.

Os projetos estão sendo instalados pelos missionários brasileiros da Fraternidade O Caminho, na Missão São Miguel Arcanjo.

TEMPLOS VIVOS

Em pouco mais de um ano de presença e com a ajuda das dioceses do Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo), os missionários liderados pela Irmã Hadasse, 43, e o Frei Boaventura dos Pobres de Jesus, 35, já criaram uma escola de educação infantil (projeto Santa Clara), um centro de nutrição (Projeto São Francisco), e já ergueram as paredes de uma igreja que será a futura paróquia.

“Estas são as paredes do templo paroquial que vocês estão construindo. Elas são as paredes, vocês são a Igreja de Cristo. Vocês são os templos vivos de Deus”, disse o Cardeal, no momento da bênção da igreja em construção.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Irmã Hadasse contou que a ideia de criar um centro de nutrição veio do desejo de salvar da morte crianças em grave situação de desnutrição. Assim, fizeram um convênio com um posto hospitalar local.

“Muitas das crianças que atendemos são soropositivas, o que agrava muito a situação. A pobreza é grande, mas a esperança deste povo é maior”, afirmou a religiosa.

TESTEMUNHO DA FÉ NAS ADVERSIDADES

Antes de chegar em Nangade, Dom Odilo visitou a Missão de Macumia, local fortemente afetado pelo ciclone que em março fez grandes estragos em Moçambique.

A Igreja local – São João Bosco – que completa 60 anos em 2019, foi parcialmente destruída e completamente destelhada.

Na Missão de Macuia atua um pequeno grupo de religiosas da Congregação das Carmelitas Teresas de São José e  três religiosos da Congregação dos Padres Cavanis. Além da Igreja, há um centro social e uma escola secundária.

A região é também uma das que recentemente sofreram com ataques realizados por grupo terrorista desconhecido, que na semana passada invadiu e queimou todas as casas e celeiros de uma aldeia próxima da missão. Os moradores conseguiram fugir e não houve mortos.

(Com informações do Padre Michelino Roberto)

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Cardeal Scherer faz visita pastoral a missões apoiadas pelo Regional Sul 1

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18 de agosto de 2019

No prosseguimento da visita pastoral às missões apoiadas pela Regional Sul 1 da CNBB em Moçambique, no continente africano, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, esteve nesta quinta-feira, 15, na Missão de Mazeze, distante 200km da cidade de Pemba.

No caminho, membros das comunidades católicas das Aldeias de Muamula, Moege e Milapande, todas localizadas no município de Chiuri, esperavam à beira da estrada para dar boas-vindas a Dom Odilo e aos brasileiros que o acompanham nessa visita.

A MISSÃO

A Missão de Mazeze leva o nome do posto administrativo onde está localizada. Foi instalada no bairro de Mirepane, no município de Chiuri, tendo sido iniciada em 2017, quando Dom Luís Fernando Lisboa criou no local a Área Pastoral Nossa Senhora da África.

Ainda não foi construído um templo para reunir fiéis, mas possui uma comunidade católica grande, piedosa e bastante atuante, o que compensa de longe a precariedade física.

ATUAÇÃO PASTORAL

A implantação de pastorais é recente e está acontecendo gradualmente, graças ao trabalho e a oração do Padre Salvador Brito, sacerdote da Diocese de Guarulhos. Ele está há dois anos em missão na Diocese de Pemba.

Enquanto a Igreja não é construída, o Padre celebra a Santa Missa na varanda de uma pequena construção feita de barro, madeira e capim, com o povo reunido e sentado a sombra de uma grande mangueira. E foi lá, sob a sombra da mangueira, que o Cardeal Scherer, emocionado, presidiu a missa da Solenidade de Nossa Senhora da Assunção.

Aproximadamente 300 famílias vivem ao entorno da Missão de Mazeze, metade das quais são muçulmanos. Já a Área Pastoral Nossa Senhora da África engloba outras 25 aldeias.

(Com informações do Padre Michelino Roberto)

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Cardeal Scherer realiza visita missionária em Pemba, Moçambique

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18 de agosto de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, realiza até 21 de agosto uma visita missionária à Diocese de Pemba, em Moçambique, no continente africano, como representante da presidência do Regional Sul 1 da CNBB.

O objetivo da visita é acompanhar de perto as missões mantidas pela CNBB na região, além de motivar os missionários brasileiros.

A Regional Sul 1 da CNBB mantém três projetos missionários na Diocese de Pemba. Ao todo, 12 brasileiros entre padres, religiosos(as) e leigos(as) participam do projeto batizado Missão Africa-Pemba, nas aldeias de Nangade, Mazeze e Metoro.

A Diocese de Pemba tem como bispo Dom Luís Fernando Lisboa, brasileiro radicado em Moçambique há 17 anos, seis como bispo. Possui 2,1 milhão de habitantes, 22 paróquias, cada qual com dezenas de capelas e comunidades espalhadas em aldeias.

Dom Luís Fernando, em entrevista ao O SÃO PAULO, conta que a Igreja Católica em Moçambique desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da população. Segundo o Bispo, milhares de pessoas nunca pisaram em uma escola. O sistema público de ensino é bastante precário, chegando a ter até cem alunos em uma única sala de aula.

“Nas pequenas aldeias, é oferecido somente o primeiro estágio do ensino fundamental. Nas aldeias médias, o ensino vai ate o segundo estágio, e somente nas grandes cidades há o ensino médio. Cerca de 40 % da população é analfabeta. Grande parte da rede de ensino disponível é mantida pela Igreja Católica, com subsídios do Estado”, explicou o Bispo.

Missão de São Jose

Em seu segundo dia de visita, na terça-feira, 13, Dom Odilo conheceu a Missão de São Jose. Fundada em 1934 por missionários Monfortinos e localizada no município-distrito de Montepuez,  a missão comporta o Santuário Nossa Senhora de Fatima, centro de peregrinação e sede da paróquia local; o Seminário Propedêutico São Paulo Apóstolo e a Escola Comunitária Secundaria Dom Bosco, uma das poucas em Moçambique a oferecer o ensino médio. Atualmente, a escola atende cerca de 400 jovens com até 25 anos.

Com 220 mil habitantes, Montepuez é a segunda maior cidade de Pemba.

Na chegada, Dom Odilo e a equipe que o acompanha foram recebidos pelos seminaristas com um canto de boas -vindas. Após conhecer todo o complexo da missão, o Cardeal presidiu a Santa Missa, cantada pelos seminaristas em Makua, um dos mais de 30 idiomas nativos falado em Moçambique.

Em sua homilia, o Cardeal Scherer, falando dos mártires São Ponciano, Papa; e Santo Hipólito, Presbítero, cuja memoria foi celebrada, recordou a todos que a Igreja Católica, ao longo dos séculos, sofreu e tem sofrido diversas perseguições, incluindo o martírio de Papas, mas nem por isso acabou. “A Igreja pertence a Jesus Cristo”, recordou.

Pemba tem sofrido violentos ataques nos últimos meses. Um grupo de homens invadiu quatro aldeias durante a noite, matando seus moradores e incendiando as suas casas. Nenhum grupo reclamou a autoria.

“Estamos diante de um inimigo invisível”, afirmou Dom Luís Fernando à reportagem. O Bispo não acredita que os ataques tenham motivação religiosa, mas sim, econômica. Suspeita que visam afastar a população local da região, rica em gases e derivados de petróleo.  

A missa foi concelebrada por Dom Luís Fernando, pelo Padre Dinis, Reitor do Seminário Propedêutico, pelos sacerdotes brasileiros em missão na região e pelo Diretor do Jornal O SÃO PAULO, Padre Michelino Roberto, que acompanha Dom Odilo nessa visita missionaria. Participaram ainda o Diácono Marco Domingues, Secretario Administrativo da Regional Sul 1; jornalistas da TV Canção Nova, além de um grupo de leigos que fazem parte da missão.

CLIQUE E VEJA AS FOTOS DA VISITA DE DOM ODILO À MISSÃO SÃO JOSÉ

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Após ciclone, ajuda humanitária enviada para Moçambique ainda é insuficiente

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16 de mai de 2019

“Vejo, todos os dias, um povo que, diante da dor e do sofrimento, tem a coragem de recomeçar e a força de lutar por dias melhores, pois é assolado de muitas formas: pobreza, calamidades naturais, desafios na saúde e diferentes tipos de conflitos. Mas, mesmo assim, é capaz de celebrar a vida na firme esperança de que dias melhores estão por vir. Ver a beleza de um povo que vive uma triste lembrança da guerra do passado, a luta do presente e a grande e desejada esperança, de um futuro de paz e dias melhores, é marcante para mim”

A frase é do Frei Boaventura dos Pobres de Jesus Cristo, 36, do Instituto dos Pobres de Jesus Cristo, que é paulistano e está em Moçambique há um ano e doismeses, como missionário enviado pelo Instituto do qual faz parte.

Após a passagem do ciclone que atingiu a região norte do País, no dia 27 de abril, o Frade falou ao jornal O SÃO PAULO sobre a ajuda humanitária que tem chegado a Moçambique, e como os brasileiros podem colaborar com as pessoas afetadas, que já somam 254 mil.

Ao todo, 45 pessoas morreram com a ocorrência deste fenômeno climático em Moçambique, que, pela primeira vez, foi atingido por dois ciclones na mesma época chuvosa (de novembro a abril). Em março, outro ciclone atingiu a região central do País e deixou mais de mil mortos.

 

O SÃO PAULO – COMO TEM SIDO O DIA A DIA DA MISSÃO EM MOÇAMBIQUE?

Frei Boaventura dos Pobres de Jesus Cristo – Nossa equipe missionária é composta por quatro pessoas. Um padre, que sou eu; um religioso e duas irmãs religiosas. Assumimos, desde que chegamos a Moçambique, uma missão ao norte da província de Cabo Delgado, situada já na fronteira com a Tanzânia. Somos os primeiros missionários a residir no local de nossa missão. Nosso dia a dia é marcado por surpresas. Difícil dizer que existe uma rotina, pois, além dos horários que marcam o dia de um religioso, somos surpreendidos por muitas realidades: socorrer pessoas doentes por causa de casos graves de malária, cólera e tantas outras; visitar pessoas abandonadas pela sociedade e pelas famílias; acompanhar doentes que foram mutilados no tempo da guerra; fazer curativos por ocasiões diversas; atender as pessoas que vêm de outras aldeias para conversar e pedir ajuda; além de todos os serviços pastorais de nossa Paróquia, que possui 63 comunidades, divididas em um território de 200km de um extremo ao outro.

 

QUAL É A SITUAÇÃO DAS PESSOAS APÓS O CICLONE?

O ciclone foi um fato inédito, pois em menos de dois meses o centro do País passava por momentos de ganho de forças para se reestabelecer de um ciclone que devastou grande parte das províncias do centro e depois chegou até nós. Posso dizer que foram muitos estragos. Há poucos dias, quando passávamos nas estradas e pelas cidades mais atingidas, vimos o desespero das pessoas que perderam tudo: casas, bens, alimentos, plantações... Além de tudo, constatamos que 90% de três distritos, por causa da entrada do ciclone por terra, ficaram destruídos e vulneráveis em todos os sentidos, levando a óbito, até o presente momento, 45 pessoas. Nos distritos ao redor, as pessoas sentiram as consequências com ventos muito fortes e chuvas intensas que levaram casas ao chão, com grande número de árvores e postes de luz caídos, além de cortes em muitas estradas, até mesmo a queda de uma ponte que liga a região norte da província à cidade de Pemba. Na cidade, próxima do mar, houve muitos pontos de alagamento e destruição, levando muitas famílias a perder tudo e a necessitar de abrigos até a recuperação do básico para viver. Há, também, elevado aumento dos casos de cólera.

 

AS PESSOAS FORAM AVISADAS SOBRE A POSSIBILIDADE DE UM CICLONE?

Graças a esta previsão, houve por parte de toda a Igreja Católica, instituições e órgãos do Governo uma grande mobilização e um grande movimento que teve o objetivo de avisar o povo em áreas de risco da necessidade de deixar os lugares, além de disponibilizar escolas e até mesmo os templos das Igrejas Católicas para servir de abrigo. Muitos cuidados foram tomados para evitar danos ainda maiores.

 

QUAIS AS PRINCIPAIS NECESSIDADES DAS PESSOAS HOJE?

As principais necessidades são de recursos que possibilitem às pessoas reconstruir suas casas e ter acesso a alimentos, água potável e roupas, e voluntários que possam orientar a população a se manter calma. Também profissionais que possam atender os doentes e feridos.

 

COMO TEM CHEGADO A AJUDA HUMANITÁRIA? É SUFICIENTE?

A ajuda humanitária tem chegado por meio do governo da província e do País. Mas não é suficiente. A situação se agrava devido às condições das estradas, e faltam meios que possibilitem o acesso aos lugares mais longínquos.

 

O MUNDO DEMOROU A SE VOLTAR PARA ESSA CATÁSTROFE EM MOÇAMBIQUE. A QUE O SENHOR ATRIBUI ISSO?

Creio que a África enfrenta muitas dificuldades em diversas áreas e situações. Diante de tantas tragédias que acontecem hoje, o mundo se acostuma a olhar de maneira indiferente para essas realidades e a cruzar os braços, por ver que estão muito distantes. Digo por experiência que ouvir falar somente de um desastre natural ou olhar fotos é bem diferente de estar com o povo que sofre e viver com ele todas essas realidades.

 

COMO OS BRASILEIROS PODEM AJUDAR?

A Diocese de Pemba e a Cáritas diocesana têm disponibilizado contas bancárias para esse fim.
 

SOS CÁRITAS

Para organizar a solidariedade brasileira com as populações atingidas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira lançaram a campanha SOS África. O SOS África conclama a sociedade brasileira, as dioceses, paróquias, comunidades, congregações religiosas, colégios e todas as pessoas de boa vontade para uma grande corrente de oração e solidariedade em favor das pessoas atingidas pelo ciclone. Os recursos arrecadados serão utilizados para ações de socorro imediato, como a disponibilização de água potável, alimentos, roupas, cobertores, kits de higiene, remédios, primeiros socorros e tendas, que serão coordenadas pela Cáritas Internacional, um organismo da Santa Sé. Com a solidariedade de cada pessoa, a Cáritas Internacional quer ainda ajudar na reconstrução de moradias e na melhoria dos meios de vida das populações afetadas.

Três contas bancárias que são geridas pela Cáritas Brasileira estão disponíveis para doações. Para DOC e TED, o CNPJ da Cáritas Brasileira é: 33.654.419/0001-16.

Banco do Brasil

Agência: 0452-9

Conta Corrente: 49.667-7

Caixa Econômica Federal

Agência: 1041 – Operação: 003

Conta Corrente: 4322-3

Santander

Agência: 3100

Conta Corrente: 13.061645-0

 

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Ajuda humanitária a Moçambique, Malawi e Zimbábue

Por
28 de março de 2019

O Papa Francisco doou 150 mil euros (R$ 660 mil) a Moçambique, Zimbábue e Malawi, três países africanos duramente atingidos pelo ciclone Idai. Regiões foram devastadas e o número de mortos pode chegar aos milhares. Há pelo menos 1 milhão de pessoas desabrigadas, feridas ou que passam fome.

De acordo com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, por meio do qual foi enviada a doação, a cidade de Beira, em Moçambique, foi arrasada pelo ciclone, que comprometeu redes hídricas, elétricas e sanitárias.

O Papa expressou sua dor e “confia as vítimas e famílias à misericórdia de Deus”. Diversas instituições da Igreja precisam de dinheiro para a reconstrução dos lugares, entre elas a Cáritas e a Fazenda da Esperança, que recebem doações em seus sites ou por depósitos bancários.

 

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