Francisco leva mensagem de paz à Bulgária e à Macedônia do Norte

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09 de mai de 2019

O Papa Francisco concluiu na terça-feira, 7, sua viagem apostólica à Bulgária e à Macedônia do Norte, a 29ª viagem internacional de seu pontificado. Ele desembarcou em Sófia, capital do País, no domingo, 5, sendo acolhido pelo presidente Rumen Radev

Como fez seu predecessor, São João Paulo II, na visita em maio de 2002, Francisco visitou a Catedral Patriarcal Ortodoxa de São Alexander Nevsky, para uma oração privada diante do trono dos Santos Cirilo e Metódio.

 

PONTE ENTRE ORIENTE E OCIDENTE

Depois de ser acolhido com as palavras de boas-vindas de Rumen Radev, Francisco fez seu primeiro discurso no País, expressando sua alegria por se encontrar na Bulgária, para confirmar seus irmãos na fé e encorajá-los no caminho e testemunho de vida cristã.

O Papa encorajou os governantes da Bulgária a continuar a criar condições para que, sobretudo os jovens, não sejam obrigados a emigrar. “Que esta terra fértil pelo trabalho humilde de tantas gerações e aberta aos intercâmbios culturais e comerciais, integrada à União Europeia e com sólidos laços com a Rússia e a Turquia – possa oferecer aos seus filhos um futuro de esperança!”, concluiu o Pontífice.

Ao encontrar-se com a comunidade católica da Bulgária, na Igreja São Miguel Arcanjo, em Rakovsky, o Papa motivou os fiéis a não se cansar de ser “uma Igreja que continua a gerar, por entre contradições, amarguras e necessidades, os filhos de que esta terra precisa hoje, no começo do século XXI, mantendo um ouvido atento ao Evangelho, e o outro ao coração do seu povo”.

 

COM O PATRIARCA

O Papa Francisco encontrou o Patriarca ortodoxo de toda a Bulgária, Sua Santidade Neofit, acompanhado de metropolitas e bispos ortodoxos. Ao saudar o Patriarca, o Santo Padre afirmou que as feridas abertas entre os cristãos ao longo da história são “dolorosos golpes infligidos no Corpo de Cristo, que é a Igreja”.

O Pontífice destacou que o ecumenismo se manifesta, sobretudo, de três maneiras: pelo sangue, pelo pobre e pela missão. Francisco lembrou-se dos cristãos que continuam a sofrer por causa da fé, dizendo que são como sementes que crescem e dão frutos. Recordando o exemplo dos Santos Cirilo e Metódio, “apóstolos eslavos”, o Papa afirmou: “Missão e comunhão: duas palavras sempre presentes na vida dos dois Santos e que iluminam o nosso caminho para crescermos em fraternidade. O ecumenismo da missão”, disse.

 

EUCARISTIA

Na Bulgária, o Papa Francisco presidiu duas missas. A primeira delas foi na Praça Knyaz Alexandar I, em Sófia. Nessa ocasião, ele recordou o povo que ser cristão é um chamado a ter confiança que o amor de Deus é maior do que qualquer limite ou pecado.

Na segunda-feira, 6, o Santo Padre presidiu missa na Igreja do Sagrado Coração, em Rakovsky, onde 245 crianças receberam a primeira Comunhão. “Jesus está vivo e está aqui conosco. Não O vemos com estes olhos, mas O vemos com os olhos da fé”, disse o Papa às crianças. “Fazer a primeira Comunhão significa querer estar cada dia mais unido a Jesus, crescer na amizade com Ele e desejar que também os outros possam gozar da alegria que Jesus nos quer dar”, acrescentou.

 

MACEDÔNIA

Na terça-feira, 7, o Papa foi acolhido na capital da Macedônia do Norte, Skopje, pelo presidente da República, Gjorge Ivanov. Francisco é o primeiro Pontífice Romano a visitar o país independente da antiga Iugoslávia em 1991.

Ao saudar as autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, o Santo Padre afirmou que o patrimônio mais precioso e válido daquele País “é a composição multiétnica e multirreligiosa da fisionomia do seu povo”.

“Quero ainda salientar o generoso esforço feito pelo seu País (…) para acolher e prestar assistência ao grande número de migrantes e refugiados vindos de vários países do Oriente Médio: fugiam da guerra ou de condições de pobreza extrema”, continuou o Pontífice.

 

MADRE TERESA

Na breve visita, o Pontífice presidiu uma missa campal, encontrou-se com sacerdotes e religiosas e participou de um encontro ecumênico e inter-religioso com os jovens.

O Papa também visitou o memorial dedicado à “ilustre compatriota” do povo da Macedônia, Santa Teresa de Calcutá. No local, Francisco fez uma oração especial pedindo a intercessão da Santa para “sermos sinal de amor e esperança no nosso tempo, que vê tantos indigentes, abandonados marginalizados e migrantes. Faça com que o nosso amor não seja só palavras, mas seja eficaz e verdadeiro”.

 

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Quaresma 2019: converter-nos para fazer da criação um jardim, não um deserto

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26 de fevereiro de 2019

O tema da criação inspirou a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2019.

O texto foi divulgado esta terça-feira (26/02) na Sala de Imprensa da Santa Sé, com o título “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus”, extraído de Romanos 8,19.

O Pontífice oferece algumas propostas de reflexão para acompanharem o caminho de conversão nesta Quaresma.

 

A redenção da criação

O Pontífice destaca que a criação se beneficia da redenção do homem quando este vive como filho de Deus, isto é, como pessoa redimida. Neste mundo, porém, adverte Francisco, “a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte”.

 

A força destruidora do pecado

Com efeito, prossegue o Papa, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo, das outras criaturas, mas também de nós mesmos. Isso leva a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo desejos incontrolados.

“ Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais. ”

A aparição do mal no meio dos homens interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, a ponto de o jardim se transformar num deserto.
Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, explica o Papa, a sentir-se o seu senhor absoluto. Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco.

“O pecado, manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.”

 

A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus. E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

A Quaresma chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos.

“ Queridos irmãos e irmãs, a ‘quaresma’ do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus. Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação. ”

“Não deixemos que passe em vão este tempo favorável!”, é o apelo final do Papa.

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Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

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01 de janeiro de 2019

"Paz para esta casa!" Com estes votos o Papa Francisco inicia o novo ano e abre a sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, divulgada nesta terça-feira, 18, em vista da recorrência do próximo 1º de janeiro. São as palavras com as quais Jesus envia os apóstolos em missão e a casa da qual fala, é "toda família, comunidade, todo país, todo continente" e é também "a nossa casa comum", da qual Deus nos confia os cuidados.

O desafio da boa política

O coração da mensagem, datada de 8 de dezembro de 2018, é a estreita relação entre a paz e a política da qual Francisco descreve potencialidades e vícios na perspectiva presente e futura, colocando ambas em um  "desafio" diário, em um "grande projeto" fundado "na responsabilidade recíproca e na interdependência dos seres humanos".

A paz, como uma "flor frágil que tenta florescer no meio das pedras de violência" - escreve o Papa, citando o poeta Charles Peguy – se choca com "abusos" e "injustiças", "marginalização e destruição" que a política provoca, quando "não é vivida como um serviço à comunidade".

A boa política, por outro lado, é um "veículo fundamental para construir cidadania e obras" e, se "implementada no respeito fundamental da vida, liberdade e dignidade", pode se tornar uma "forma eminente de caridade".

Caridade e virtude por uma política a serviço da paz e dos direitos

E se a ação do homem é sustentada e inspirada pela caridade, recorda Francisco citando Caritas in Veritate de Bento XVI - "contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus para a qual avança a história da família humana".

É um programa em que os políticos de todas as afiliações podem encontrar-se, contanto que operem para o bem da família humana, praticando virtudes que “sujeitam-se ao bom agir político”: justiça, equidade, respeito, sinceridade, honestidade, lealdade.

O bom político é - conforme descrito pelas bem-aventuranças do cardeal vietnamita François Xavier Nguyễn Vãn Thuận que o Papa retoma - quem tem a consciência de seu papel, quem é coerente, credível, capaz de ouvir, corajoso e comprometido com a unidade e a mudança radical. Disto a certeza expressa na Mensagem de que "a boa política está a serviço da paz".

Virtudes e vícios da política

Mas a política não é feita apenas de virtudes e de respeito pelos direitos humanos fundamentais. Francisco dedica um parágrafo de sua Mensagem aos "vícios" que "enfraquecem o ideal de uma autêntica democracia". São aquele que ele define "inépcia pessoal", "distorções no meio ambiente e nas instituições", sobretudo a corrupção e, em seguida, o não respeito das regras, a justificação do poder com a força, a xenofobia, o racismo: eles "tiram credibilidade aos sistemas", são “a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social".

Política, jovens e confiança no outro

Mas há também outro aspecto vicioso da política que o Papa destaca e que tem a ver com o futuro e os jovens. Quando o exercício do poder político - escreve ele - visa apenas "salvaguardar os interesses de certos indivíduos", o futuro "fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por ser verem condenados a permanecer à margem".

Quando, por outro lado, a política é concretamente traduzida em encorajar jovens talentos e vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e “torna-se uma confiança dinâmica". Uma política está, portanto, a serviço da paz - afirma Francisco. - se reconhece os carismas de cada pessoa entendida como "uma promessa que pode liberar novas energias".

Necessidade de artesãos da paz

Mas o clima de confiança, é a consideração do Pontífice, não é "sempre fácil", em particular "nestes tempos". A esse respeito, Francisco recorda o "medo do outro" generalizado, os "fechamentos", "os nacionalismos" que marcam a política de hoje,  colocando em discussão a fraternidade de que nosso mundo globalizado tanto necessita. Disto a referência a "artesãos da paz" e autênticos "mensageiros" de Deus que animam nossas sociedades.

A este desejo se soma também, por parte do Papa, um apelo - cem anos após o fim da Primeira Guerra Mundial - de cessar com a "proliferação descontrolada de armas" e com a "escalada em termos de intimidação".

Recordam-nos a paz – diz o Pontífice-  especialmente as muitas crianças vítimas da guerra . “A paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. 

A política da paz inspirada no Magnificat

O afresco que emerge da Mensagem do Papa conclui-se no último parágrafo com ênfase na relação entre direitos e deveres, para reiterar que - como nos recorda o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos - o "grande projeto político da paz" baseia-se na "responsabilidade recíproca e na interdependência dos seres humanos".

Isso nos desafia no compromisso diário e nos pede uma "conversão de coração e da alma". Para aqueles que querem se comprometer na "política da paz", o Papa sugere por fim o espírito do Magnificat que Maria canta em nome de todos os homens:  A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (...), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).

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Papa recorda que Direitos Humanos reconhecem dignidade da pessoa

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13 de dezembro de 2018

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do congresso internacional intitulado “Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões, negações”. No texto, ele diz que os direitos humanos reconhecem “a igual dignidade de toda pessoa humana, da qual derivam direitos e liberdades fundamentais que, radicados na natureza da pessoa humana – unidade inseparável de corpo e alma – são universais, indivisíveis, interdependentes e interconexas”. 

O evento aconteceu no contexto dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do 25º aniversário da Declaração e do Programa de Ação de Viena. “No ano em que se celebram esses significativos aniversários, parece oportuna uma reflexão aprofundada sobre o fundamento e o respeito dos direitos do homem no mundo contemporâneo, reflexão que, eu espero, seja prenúncio de um renovado empenho em favor da defesa da dignidade humana, com especial atenção aos membros mais vulneráveis da comunidade”, acrescentou Francisco. 

Ele lamentou, entretanto, as diversas formas de injustiças que ainda existem no mundo, “nutridos por visões antropológicas redutivas e por um modelo econômico fundado sobre o lucro, que não hesita em desfrutar, em descartar e, além disso, em matar o homem”. Francisco recordou que enquanto parte da humanidade vive na opulência, outra tem sua dignidade desprezada. 

“Penso sobretudo nos nascituros, a quem é negado o direito de vir ao mundo; àqueles que não têm acesso aos meios indispensáveis para uma vida digna; àqueles que são excluídos de uma educação adequada; a quem é injustamente privado do trabalho ou obrigado a trabalhar como um escravo; àqueles que são detidos em condições desumanas, que sofrem torturas, ou a quem é negada a possibilidade de se redimir; às vítimas de desaparecimentos forçados e às suas famílias”, resumiu. 

Ele citou, também, quem vive no contexto de conflitos armados e dos “mercadores de morte”; e pediu que todas as pessoas, no contexto em que vivem, procurem “contribuir com coragem e determinação com o respeito dos direitos fundamentais de cada pessoa, especialmente aquelas ‘invisíveis’”. 

 

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Migrantes são vítimas da cultura do descarte, enfermidade do mundo contemporâneo

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04 de dezembro de 2018

Os migrantes, refugiados e desabrigados são “ignorados, explorados, violados e abusados em silêncio”, vítimas das inúmeras injustiças da atual cultura do descarte, que é uma enfermidade contemporânea. Assim escreveu o Papa Francisco em mensagem enviada a o “Foro Social de Migraciones 2018”, um evento organizado na Cidade do México, no Méxoco, entre os dias 2 e 4, buscando promover um novo conceito de migração, isto é, a ideia de que a mobilidade humana é parte de um processo permanente.

No texto, Francisco diz que o primeiro passo para superar tais injustiças é dar voz aos que não a têm. Depois, “é necessário identificar pautas de solução concretas e viáveis, esclarecendo papéis e responsabilidades de todos os atores”, diz a mensagem.

“No âmbito migratório, a transformação se alimenta da resiliência dos migrantes, refugiados e desabrigados, e aproveita suas capacidades e aspirações para a construção de sociedades inclusivas, justas, solidárias, capazes de restituir a dignidade àqueles que vivem com grande incerteza e que não conseguem sonhar com um mundo melhor”, escreveu o Pontífice.

Francisco defende, ainda, uma urgente colaboração da comunidade internacional para lidar com a questão migratória em âmbito regional e global, com pactos bilaterais e multilaterais entre os países. Para isso, a Seção Migrantes e Refugiados, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano, elaborou um documento com “20 Pontos de Ação para os Pactos mundiais”

Conforme observa o Pontífice, os pactos mundiais sobre migração constituem “um marco de referência para desenvolver propostas políticas e colocar em prática medidas concretas”.

 

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As felicitações do Papa pelas festividades da comunidade judaica

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18 de setembro de 2018

“Que o Altíssimo nos abençoe com o dom da paz e desperte em nós um maior compromisso de promovê-la incansavelmente ".

Estes são os votos do Papa Francisco ao Rabino Chefe de Roma Rav Riccardo Di Segni e à Comunidade Judaica, pelas festividades de Rosh Ha Shanà (Ano Novo Judaico), Yom Kipur e Sukkot (Festa das Cabanas).

"Por ocasião das solenes recorrências de Rosh Ha-Shanah, Yom Kippur e Sukkot, tenho o prazer de oferecer a senhor e à comunidade judaica de Roma minhas mais  inceras felicitações”,  escreve o Pontífice na mensagem divulgada esta terça-feira, 18, pela comunidade judaica de Roma.

"Faço votos cordialmente que as iminentes festividades, reavivando a memória dos benefícios recebidos do Altíssimo, sejam para as Comunidades judaicas no mundo uma fonte de ulteriores graças e de espiritual consolação".

"Que em sua bondade infinita, fortaleça nossos laços de amizade em todos os lugares e o desejo de favorecer um constante diálogo para o bem de todos. Shalom Alechem ".

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Presidência da CNBB lança mensagem pelo 7 de setembro

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06 de setembro de 2018

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião do Dia da Pátria, a ser celebrado em 7 de Setembro, faz chegar a todos os brasileiros e brasileiras sua mensagem de ânimo e esperança por um Brasil justo, solidário, ético e fraterno.

No documento, assinado pelos três membros que integram a presidência da entidade, os prelados afirmam que apesar do cenário de desencanto, justificável pela má conduta de grande parte dos atores políticos, as eleições trazem a possibilidade e a força de mudar os rumos da nação brasileira. “Longe de nos desanimar, essa realidade nos desafia e nos põe em estado de vigilância”, diz o texto.

 

Leia a íntegra abaixo:

 

A força transformadora de um Povo

O que nós esperamos são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça” (2P 3,13)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, por ocasião do Dia da Pátria, faz chegar a todos os brasileiros e brasileiras sua mensagem de ânimo e esperança por um Brasil justo, solidário, ético e fraterno. A Igreja une sua voz à dos que, em defesa da vida e da dignidade de cada pessoa, denunciam a desigualdade que gera violência e sustenta privilégios, contrariando o Evangelho e a justiça social.

Nossas esperanças se renovam com as eleições que se aproximam. Apesar do cenário de desencanto e desalento, justificável pela má conduta de grande parte dos atores políticos, as eleições trazem a possibilidade e a força de mudar os rumos da nação brasileira. A escolha, através do voto consciente e livre, dos que hão de governar o País é um dos caminhos eficazes para a construção do Brasil que seja para todos. Mais que direito, o voto é um dever. É expressão de cidadania, tradução de nossa corresponsabilidade na busca do bem comum e compromisso de quem crê numa nação igualitária, livre da pobreza, da miséria, da exclusão, da corrupção e capaz de superar a violência.

A fé que caracteriza o povo brasileiro alimenta sua alegria e seu otimismo, sem alienálo da dura realidade nacional, assinalada por uma crise política, econômica, social que, ancorada na falta de ética e na corrupção, se alastra e se prolonga indefinidamente. Suas consequências são sentidas, particularmente, pelos mais pobres, crianças e jovens, idosos, estudantes, pessoas em situação de rua, enfermos, encarcerados, desempregados, trabalhadores e trabalhadoras, aposentados, populações indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos e tantos outros que carregam o peso do descompromisso com o bem comum de grande parte das lideranças políticas, muitas delas, inclusive, pleiteando reeleição.

Longe de nos desanimar, essa realidade nos desafia e nos põe em estado de vigilância. “Todos sentimos necessidade de reabilitar a dignidade da política” (Papa Francisco - Bogotá, dezembro 2017). Está em nossas mãos colaborar para que isso aconteça, participando das eleições, que desempenham papel fundamental na sociedade democrática. O Estado Democrático de Direito, a ser fortalecido e defendido sempre mais, não condiz com atitudes como o autoritarismo, o fundamentalismo e a intolerância. Ao contrário, requer a convivência respeitosa entre as pessoas e a efetivação dos direitos fundamentais da população, especialmente dos empobrecidos e fragilizados, com os investimentos necessários na saúde, educação, na segurança pública e na cultura. “A perda de direitos e de conquistas sociais, resultado de uma economia que submete a política aos interesses do mercado, tem aumentado o número dos pobres e dos que vivem em situação de vulnerabilidade” (CNBB, Eleições 2018: Compromisso e Esperança).

Nas eleições de outubro, o eleitor avalie com seriedade cada candidato, cada candidata, suas promessas, sua campanha, as alianças de seu partido e sua atuação política passada. “O bem maior do País, para além das ideologias e interesses particulares, deve conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos, quanto de eleitores” (CNBB, Eleições 2018: Compromisso e Esperança). Especial atenção merece a escolha dos senadores e deputados, que constituem o Poder Legislativo. No Congresso Nacional e nas Assembleis Legislativas é que se votam as leis que podem ajudar ou prejudicar o povo. Anular o voto ou votar em branco favorece o pior político, enfraquece a democracia e põe em risco a oportunidade de purificar a política. A cidadania, no entanto, não se esgota no voto. É preciso continuar acompanhando os eleitos, cobrando-lhes o cumprimento de seu dever de servir o povo.

A CNBB exorta a população brasileira “a fazer desse momento difícil uma oportunidade de crescimento, abandonando os caminhos da intolerância, do desânimo e do desencanto” (CNBB, Eleições 2018: Compromisso e Esperança). Nesse dia também, em que se realiza o Grito dos Excluídos, lembra às comunidades católicas, a necessidade dos “leigos católicos não permaneçam indiferentes à vida pública, nem fechados nos seus templos” (Papa Francisco - Bogotá, dezembro 2017), mas sejam “sal da terra” e “luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14), conforme o lema deste Ano Nacional do Laicato.

Suplicamos as bênçãos de Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do Brasil, para que a nossa Pátria seja soberana, justa e fraterna.

Brasília-DF, 07 de setembro de 2018

Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB Dom Murilo
 
Dom Murilo S. R. Krieger SCJ, Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
 
Dom Leonardo Ulrich Steiner OFM, Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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Papa: A busca da verdade é o mais radical antídoto ao vírus da falsidade

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24 de janeiro de 2018

Nesta quarta-feira, 24 de janeiro, festa de São Francisco de Sales, padroeiro da imprensa católica, foi divulgada por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais a mensagem do Papa Francisco aos comunicadores de todo o mundo. O tema é: "A verdade vos tornará livres (Jo 8,32). Fake News e jornalismo de paz".

Numa mensagem articulada em 4 pontos, o Papa Francisco pede aos homens da comunicação que voltem aos fundamentos de sua profissão, ou melhor, à sua “missão”: “ser guardiões das notícias”.

O tema da mensagem é de grande atualidade, no entanto, o Papa recorda que já em 1972 o seu predecessor Paulo VI escolhera para o Dia das Comunicações Sociais o tema da informação “a serviço da verdade”.

Precisamos de um jornalismo que “não queime as notícias”, mas busque sempre a verdade e seja sempre “comprometido a indicar soluções alternativas às “escalation” do clamor e da violência verbal”.

 

A desinformação desacredita as pessoas e fomenta conflitos

Na primeira parte da Mensagem, o Papa analisa o fenômeno das “fake news”. As falsas notícias, observa, visam “enganar e até mesmo manipular o destinatário”. Observa que às vezes sua difusão visa “influenciar as escolhas políticas e favorecer os lucros económicos”. Hoje em dia, sua difusão “pode contar com um uso manipulador das redes sociais” que tornam “virais” as notícias falsas.

O drama da desinformação, adverte Francesco, é “o descrédito do outro, a sua representação como inimigo” que pode até mesmo “fomentar conflitos”. Francisco destaca que muitas vezes afunda suas raízes “na sede de poder” que “se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração”.

 

Fake news baseiam-se na “lógica da serpente”, nunca são inofensivas

Todos, exorta a Mensagem, somos chamados a contrastar essas falsidades e chamar a atenção para as “iniciativas educativas” que ajudam a “não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento”. E aqui o Papa, voltando ao Livro do Gênesis, observa que, na base das notícias falas, há a “lógica da serpente” que, de alguma forma, tornou-se “artífice da primeira fake news”.

O tentador, lê-se na Mensagem, “assume uma aparência credível” e concentra-se "na sedução que abre caminho no coração do homem com argumentos falsos e sedutores”. Precisamente como as notícias falsas. Este episódio bíblico mostra que “nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas”, já que também “uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.

 

A busca da verdade é o mais radical antídoto ao vírus da falsidade

“Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras – escreve Francisco citando Dostoevskij, autor que muito aprecia - chega ao ponto de já não poder distinguir a verdade”. E precisamente a verdade, sublinha a Mensagem, é o antídoto mais radical ao “vírus da falsidade”.

Portanto, ampliando o horizonte, o Papa enfatiza que a “libertação da falsidade e a busca do relacionamento” são os “dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis”.

 

O jornalista seja “guardião das notícias”, vencendo a lógica do scoop

As pessoas e não as estratégias, sublinha o Papa, são o melhor “antídoto contra falsidades”. As pessoas, acrescenta, que “livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade”. Evidencia assim a responsabilidade dos jornalistas ao informar.

O jornalista, observa a Mensagem, é o “guardião das notícias” e tem a tarefa, “no frenesi das notícias e na voragem dos “scoop”, de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a “audience”, mas as pessoas”.

 

Promover um jornalismo de paz que cria comunhão

A Mensagem de Francisco termina com um forte apelo para um “jornalismo da paz”. Não se trata, adverte, de um "jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves”, mas de um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a “slogans” sensacionais e a declarações bombásticas”. Serve, escreve o Papa, um jornalismo “feito por pessoas para as pessoas, um jornalismo como “serviço”, que dê voz a quem não tem voz.

O documento se conclui com uma oração inspirada em São Francisco. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão, é a invocação do Papa, “onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; e onde houver falsidade, fazei que levemos verdade”.

 

(Alessandro Gisotti e Silvonei José - Vatican News)

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Tweet aos avós: comunicar o patrimônio de humanidade e fé

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26 de julho de 2017

“Quanto são importantes os avós na vida da família para comunicar o patrimônio de humanidade e fé essencial para cada sociedade!”.

Com o tweet publicado esta quarta-feira, 26 de julho, dia em que a Igreja recorda São Joaquim e Santa Ana, o Papa Francisco enfatiza mais uma vez o papel desempenhado pelos avós no seio da família e da sociedade, também na transmissão da fé.

Desde o início de seu Pontificado, Francisco insiste na importância deste “arco da vida” que liga a infância e juventude - repletas de ímpetos de mudança – com a velhice, cheia de sabedoria.

Não faltaram iniciativas nestes anos como o Dia dos Idosos, realizado na Praça São Pedro em 2014, assim como a série de catequeses a eles dedicadas.

Na Audiência Geral de 11 de março de 2015, Francisco falou que a velhice é uma vocação:

“A velhice é uma vocação. Não é ainda o momento de “tirar os remos do barco”. Este período da vida é diferente dos precedentes, não há dúvida; devemos também “criá-lo” um pouco, porque as nossas sociedades não estão prontas, espiritualmente e moralmente, para dar a isso, a esse momento da vida, o seu pleno valor. Uma vez, de fato, não era assim normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E mesmo a espiritualidade cristã foi pega um pouco de surpresa e se trata de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam os testemunhos de santos e santas idosos!”

Na mesma ocasião, o Papa exortou os avós a seguirem os passos de Simeão e Santa Ana, dois “anciãos extraordinários”, acrescentando:

“Tornemo-nos também nós um pouco poetas da oração: tomemos gosto por procurar palavras nossas, reapropriemo-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos idosos e dos avós é um dom para a Igreja, é uma riqueza! Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída. Alguém deve, então, cantar, também para eles, cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles!”

Não poucas vezes, especialmente nas homilias das Missas na Casa Santa Marta, Bergoglio recordou de sua avó, uma pessoa fundamental para a sua vida de fé e familiar.

“As palavras dos avós têm algo de especial para os jovens. E eles sabem disso. As palavras que a minha vó me entregou por escrito, no dia de minha ordenação sacerdotal, eu as levo ainda comigo, sempre, no breviário, e as leio e me faz bem”.

“Aos avós que receberam a bênção de verem os netos  – disse o Papa em outra ocasião – foi confiada a tarefa de transmitir a experiência de vida, a história da família e partilhar com simplicidade a sabedoria e a fé, que é a herança mais preciosa”. “Bem-aventuradas as famílias que têm os avós próximos! O avô é pai duas vezes e a avó é mãe duas vezes”.

Ao celebrar os 25 anos de ordenação episcopal com uma missa concelebrada com os Cardeais na Capela Paulina no Vaticano em 27 de junho, o Papa ressaltava que “não somos gerontes, somos avôs... (...) Avôs para quais os netos olham e esperam de nós a experiência sobre o sentido da vida. Avôs não fechados...(...) Somos avôs chamados a sonhar e dar o nosso sonho à juventude de hoje, que necessita disso, porque tirarão dos nossos sonhos a força para profetizar e levar avante a sua missão.”

Assim, neste Dia dos Avós, podemos refletir sobre outra frase tão repetida por Francisco: “Um povo que não respeita os avós é um povo sem memória, e consequentemente sem futuro”.  

(JE)

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