A Virgem Maria leva nossas carências e necessidades até Jesus

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22 de outubro de 2019

O Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida, do Ipiranga, celebrou, no sábado, 12, a 77ª  Festa da Padroeira.
A igreja matriz da Paróquia criada, em 1942, foi elevada a santuário há dois anos pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. De Roma, onde participou da cerimônia de canonização da Irmã Dulce dos Pobres, no domingo, 13,  o Arcebispo enviou um convite ao povo da Arquidiocese para participar das celebrações no Santuário.
Foram 11 missas, mais de 30 padres, 15 diáconos e seminaristas, das casas de Teologia e Filosofia, e mais de 400 leigos que se organizaram para preparar e celebrar a festa.
Também participaram das missas Dom Eduardo Vieira dos Santos, Dom Jorge Pierozan, Dom Devair Araújo da Fonseca e Dom José Roberto Fortes Palau, Bispos Auxiliares da Arquidiocese de São Paulo.
A missa campal, que lotou a rua em frente ao Santuário, foi presidida por Dom José Roberto, e teve a coroação de Nossa Senhora Aparecida feita por crianças.
Na homilia, Dom José Roberto falou sobre como a Virgem Maria intercede por todos a Deus. “Ela leva até Jesus as nossas carências, nossas necessidades. Mesmo quando não pedimos ou nem sequer percebemos os riscos que corremos, ela intercede por nós.” O Bispo também falou sobre a humildade testemunhada por Maria, exemplo a ser seguido por todos os fiéis. “O melhor presente que podemos dar a Nossa Senhora Aparecida é ser bons filhos, e  o  filho bom assimila as virtudes da mãe. Que a Virgem Maria interceda por nós, que transforme a água da nossa tristeza em vinho de alegria”, afirmou. 
Durante a festa, o Santuário pôde acolher as forças vivas da Arquidiocese, como a Pastoral da Saúde, com o seu trabalho nos hospitais.
O Reitor e Pároco acolheu e agradeceu a participação de todos e colocou o Santuário à disposição da Arquidiocese.

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‘Aqui estão vossos devotos, ó, Senhora Aparecida!’

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31 de outubro de 2019

De norte a sul do País, encontram-se, em muitas casas, imagens de Nossa Senhora Aparecida, em torno das quais famílias inteiras se unem para rezar o Terço e fiéis realizam suas orações pessoais. De geração em geração, essa devoção perdura há mais de 300 anos no Brasil.
Em 1717, em uma simples casa de pau a pique, foi construído o primeiro altar que abrigou a imagem de Nossa Senhora da Conceição, encontrada no Rio Paraíba do Sul pelos pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves. O altar era feito com um caixote de madeira e rodeado por velas. Logo a população local passou a se reunir diariamente para a oração do Terço e para pedir a intercessão da Senhora que apareceu nas águas, Nossa Senhora Aparecida. 

EM FAMÍLIA

Assim que a imagem foi encontrada, os pescadores decidiram que ela permaneceria na casa de Felipe Pedroso, por ser o mais velho. “Ele ficou com a imagem durante 15 anos. Quando Felipe a entregou a seu filho, Atanásio Pedroso, ele reunia sua família e vizinhos para rezar o Terço. Foi então que aconteceu o milagre das velas e teve início a devoção popular”, detalhou ao O SÃO PAULO Tereza Pasin, historiadora do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
Em uma noite, durante a oração do Terço, a vela se apagou. A filha do pescador, chamada Silvana, que estava ajoelhada, levantou-se para acendê-la, mas esta se acendeu sozinha. Toda a família ficou surpresa. Ao saber do ocorrido, o Padre José Alves Vilela foi até o local e mandou construir a primeira capela. Logo a notícia se espalhou.
“Naquele momento, a devoção a Nossa Senhora Aparecida tornou-se popular. Não era mais em uma casa, não era mais em uma capelinha. Então, percebeu-se a necessidade da construção de uma igreja, pois, com o crescente número de fiéis, a capela foi se tornando cada vez menor diante da quantidade de devotos”, reforçou a historiadora.

PADROEIRA DO BRASIL

Tereza recordou que, em 1732, o local ficou conhecido como Sítio das Romarias, tamanho o número de pessoas que visitavam a imagem e atribuíam inúmeros milagres de Deus pela intercessão da Virgem Maria. “Posso afirmar que Nossa Senhora Aparecida nunca ficou um dia sem receber os seus filhos romeiros, pois as romarias sempre vieram”, reforçou.
“A cada ano, a devoção foi crescendo. Em 1904, Nossa Senhora Aparecida foi coroada Rainha do Brasil, devido ao número de devotos que já possuía de norte a sul, de leste a oeste do País. Em 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor, a primeira do Brasil; e, em 1930, Nossa Senhora Aparecida recebeu o título de Padroeira do Brasil”, concluiu Tereza.
Anualmente, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebe, em média, 12 milhões de peregrinos. De ônibus, de carro, a pé, a cavalo, motocicleta ou bicicleta, homens e mulheres, de diferentes idades, vão ao maior santuário mariano do mundo, atraídos por uma experiência de fé nascida em torno daquela pequena imagem da Virgem Maria de apenas 40cm de altura.

CAMINHANDO COM FÉ

Quem trafega pela Via Dutra, uma das mais movimentadas rodovias do País, não raro se depara com romeiros a caminho do Santuário Nacional, em especial nos dias próximos à festa da Padroeira do Brasil.
Na última semana, um desses grupos em romaria era da cidade de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Entre os dias 7 e 11, cerca de 360 pessoas peregrinaram da Paróquia São Judas Tadeu, do bairro Campestre, até Aparecida, caminhando entre 35km e 40km por dia. 
Entre esses romeiros estava Angela Ferreira, que, pelo segundo ano, foi a pé de Santo André a Aparecida. “É sempre a realização de um sonho e uma gratidão por tantas graças e bênçãos que já tive em minha vida pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida”, contou à reportagem, citando três destas graças alcançadas: os 30 anos de casada, a vida do esposo após sofrer um infarto há dois anos e a saúde do filho, que escapou de um acidente de carro, há sete anos, quando por pouco não perdeu completamente a visão. “Quando eu soube do acidente, coloquei meu filho nas mãos de Nossa Senhora, pedi que ela o abençoasse, o cobrisse com seu manto e o protegesse de todo o mal.”
Além de testemunhar outras histórias de gratidão à Mãe Aparecida, Angela contou que a peregrinação a Aparecida reavivou em si a esperança na humanidade, por causa da solidariedade que os romeiros recebem até a chegada aos pés da imagem da Padroeira. “Eu passei a crer mais no ser humano, porque vejo ao longo da romaria quantas pessoas boas ainda existem no mundo, pessoas que saem das suas casas e vêm para a rodovia ajudar a gente”, disse, relatando que os romeiros receberam doações de água, frutas e refeições prontas, além de espaços para descansar e cuidados clínicos de voluntários ao longo da estrada. 

MÃE DE TODOS

Em Aparecida, o coração maternal de Maria também abriga romeiros famosos. A mesma Via Dutra por onde passaram os peregrinos de Santo André na última semana, há 20 anos foi o caminho da peregrinação a pé do humorista Renato Aragão, que na ocasião comemorou os 50 anos de seu personagem mais famoso, Didi Mocó. “Nossa Senhora Aparecida, minha Mãe, me fez levitar na estrada e chegar até aqui”, disse em uma das missas de outubro de 1999, quando concluiu a peregrinação de 170km com uma réplica da imagem de Padroeira do Brasil que carregou em uma mochila nas costas. 
Muitos outros famosos já estiveram aos pés da imagem original de Nossa Senhora Aparecida: o jogador Ronaldo Nazário agradeceu a recuperação de uma bem-sucedida cirurgia no joelho às vésperas da Copa de 2002. Também o ator Murilo Rosa, que interpretou um personagem no filme “Aparecida: O Milagre”, já disse em entrevistas ter se emocionado ao gravar cenas do filme no Santuário Nacional; e o sambista Neguinho da Beija-Flor também contou sobre sua devoção à Mãe Aparecida, após o filho ser atingido por uma bala perdida. “Ele ficou muito tempo internado e eu, que não tinha devoção, procurei Nossa Senhora Aparecida pela cura dele e ela me atendeu. Desde então, ela ganhou toda a minha devoção”, relatou, recordando ainda ter voltado ao templo mariano para agradecer a cura de um câncer no intestino. 
Na Sala das Promessas do Santuário Nacional, fotografias, brinquedos, miniaturas de automóveis e de aviões, roupas, de anônimos e famosos, além de peças de cera alusivas a partes do corpo que foram curadas pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida também são o sinal da devoção dos brasileiros à Mãe Aparecida.  

UMA PRECE EM FORMA DE ARTE

Sentado no chão de sua casa, apoiando-se em uma mesa pequena, Renato Teixeira compôs, em 1977, a música “Romaria”. As estrofes - a princípio registradas apenas na memória do compositor – tornaram-se o hino da devoção dos brasileiros a Nossa Senhora Aparecida.
O nome traduz seu sentido original de não ser, apenas, um louvor, mas um retrato e descrição dos fiéis que admiram e que caminham até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida para renovar sua fé.
“Romaria” é a melodia ecoada por milhares de peregrinos há mais de quatro décadas e se tornou a 23ª composição mais regravada da história da música popular brasileira, fato que evidencia sua popularidade e caráter devocional.
O sucesso, entretanto, só se concretizou após três anos de sua criação, com a interpretação da cantora Elis Regina. Antes, outros artistas rejeitaram a canção.

INSPIRAÇÃO

De família católica, Renato Teixeira nasceu em Ubatuba (SP) e costumava frequentar a cidade de Aparecida, na Basílica Menor. 
Aos 14 anos, mudou-se para a cidade de Taubaté, também no Vale do Paraíba. A proximidade entre os municípios fez com que o músico fosse, por muitas vezes, testemunha da manifestação da fé e devoção a Nossa Senhora Aparecida, por meio das inúmeras romarias que viu a caminho do Santuário Nacional. 
“Duas coisas me impressionavam muito na adolescência: as velas penduradas nas portas das lojas e que formavam lindos desenhos e, principalmente, a expressão da crença dos peregrinos que iam até lá para cumprir promessas - ver homens carregando a cruz e olhar a fé no rosto das pessoas era o que me impressionava mais. O personagem da música é realmente o romeiro, principalmente o simples e humilde”, salientou o músico, em entrevista à reportagem.

OLHAR PARA O SIMPLES

Como fio condutor para contar essa história, ele observou a vida da pessoa simples do campo, expressando em algumas frases essas particularidades, ao citar, por exemplo a algibeira (bolsa lateral fechada com nó forte e colocada normalmente em animais) e o fruto jiló, para rememorar os momentos amargos e difíceis do cotidiano, que são também o principal motivo para as orações e preces feitas à Virgem Maria.
Os versos que narram a chegada de romeiros ao maior templo mariano do mundo enaltecem, com simplicidade, que a fé pode ser revelada pelos olhos de quem verdadeiramente crê, como em sua última estrofe, quando, por três vezes, é repetido a frase “meu olhar”.
“Esse é o grande momento da música, quando o romeiro chega e não é preciso saber rezar para estar perto de Nossa Senhora Aparecida. Quando você se aproxima, ela faz você se reencontrar consigo mesmo, esse é o seu grande milagre”, continuou. 

GRATIDÃO

Renato contou à reportagem que o Santuário é um de seus lugares favoritos e que sempre leva consigo uma imagem da Padroeira. Ele afirmou, ainda, que a música por si só é uma oração e que “Romaria” é uma manifestação do respeito a um dos símbolos mais importantes para os brasileiros. 
Segundo o compositor, foi a partir dessa tradição e devoção que o Brasil passou a se reconhecer como uma nação.

NOSSA SENHORA APARECIDA NAS ARTES

MÚSICAS
“Romaria” (Renato Teixeira)
“A Padroeira” (Joana)
“Nossa Senhora do Brasil” (Padre Marcelo Rossi e Bruno e Marrone)
“Viva a Mãe de Deus e Nossa” (Joana)
“À Senhora Aparecida” 
(Padre Zezinho)
“Nossa Senhora” (Roberto Carlos)

CINEMA
“O Milagre das Águas” (1987)
“A Travessia da Serra 
que Chora” (2008)
“Aparecida: O Milagre” (2010)

NOVELA
“A Padroeira” (2001)

TEATRO 
“Aparecida – O musical” (2019)

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