Incêndio destrói Catedral de Notre-Dame

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17 de abril de 2019

As autoridades francesas investigam as possíveis causas do incêndio de grandes proporções que destruiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, na França, na segunda-feira, 15.

O fogo teve início por volta das 18h50 locais (13h50 no horário de Brasília), poucos minutos depois de a igreja ser fechada para visitação. As chamas surgiram na parte superior da construção, onde eram realizados trabalhos de restauração. Cerca de uma hora após o início das chamas, a torre central do templo, de 93 metros de altura, desabou.

Até o momento, é descartada a possibilidade de que as causas sejam criminosas ou de que se trate de um atentado terrorista. Segundo a agência AFP, os bombeiros acreditam que o fogo está “potencialmente relacionado” com os trabalhos de restauração pelos quais passava o edifício medieval.

No ano passado, a Igreja Católica na França lançou um apelo urgente pela mobilização de fundos para salvar o templo, que estava começando a desmoronar.

 

REPERCUSSÃO

“A Santa Sé acolheu com choque e tristeza a notícia do terrível incêndio que devastou a Catedral de Notre-Dame, símbolo da cristandade na França e no mundo”, afirmou o Diretor Interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.

O comunicado ressaltou, ainda, que a Santa Sé expressa solidariedade aos católicos franceses e à população de Paris. “Garantimos as nossas orações aos bombeiros e aos que estão fazendo o possível para fazer frente a essa dramática situação”, acrescenta o texto.

Via Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou o ocorrido. “Meus pensamentos estão com todos os católicos franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite em ver esta parte de nós queimar”, disse.

O Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, convidou à oração e pediu aos párocos da capital francesa que toquem os sinos de suas igrejas.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, também lamentou, pela redes sociais, o incêndio. “Que tristeza imensa, ver a Catedral Notre- -Dame de Paris ser consumida pelas chamas! Um desastre e perda incalculável para a cultura e o testemunho do Cristianismo na História!”, manifestou.

 

O TEMPLO

A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora (em francês: Cathédrale métropolitaine Notre-Dame) é o principal local de culto católico em Paris. Teve sua construção iniciada em 1163 e levou 180 anos para ser concluída.

Localizado na Île de la Cité (uma pequena ilha no centro de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena), na praça de mesmo nome, o templo representa uma das construções góticas mais famosas do mundo. Notre-Dame recebia anualmente cerca de 13 milhões de turistas e fiéis de todas as partes do mundo.

De acordo com a lei francesa sobre a separação entre Estado e Igreja, de 1905, o edifício é de propriedade do Estado francês, como todas as outras catedrais construídas pelo Reino da França, e seu uso é atribuído à Igreja Católica.

 

RESTAUROS

Basílica menor desde 1805 e patrimônio mundial da Unesco desde 1991, a Catedral foi restaurada diversas vezes em seus mais de oito séculos de existência.

Notre-Dame passou por um processo de restauro em 1801 para celebrar um acordo entre a França e a Santa Sé e para a coroação de Napoleão Bonaparte, em 1804. Mas, em 1831, voltou a ser saqueada e teve seus vitrais quebrados.

Em 1844, a construção passou por um novo restauro, conduzida pelos arquitetos Eugène Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassuss, que morreria em 1857. A restauração, que respeitou materiais, estilos e épocas, estendeu-se durante mais de duas décadas.

O grande órgão da catedral, um dos mais famosos do gênero no mundo, foi restaurado entre 1990 e 1992. Também foi realizada uma limpeza na fachada, que durou mais de dez anos.

 

TESTEMUNHA DA HISTÓRIA

Desde sua fundação, a Catedral testemunhou os mais importantes eventos na história da França, como o nascimento de 80 reis, dois imperadores e cinco repúblicas. O templo foi saqueado e quase demolido durante a Revolução Francesa.

Na década de 1450, correu em Notre-Dame o processo de reabilitação da mártir Santa Joana d’Arc (1412-1431). No fim das duas guerras mundiais, no século XX, a Catedral acolheu as celebrações que marcaram o fim dos conflitos. Seus sinos anunciaram a liberação da França da ocupação nazista, em 25 de agosto de 1944.

(Com informações de Vatican News, UOL, G1, La Croix, AFP e EFE)

 

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Fogo consome Catedral de Notre-Dame

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15 de abril de 2019

Um incêndio de grandes proporções destruiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, na Franca, nesta segunda-feira, 15. As autoridades francesas tratam o episódio como acidente e, até o momento, descartam a possibilidade de que as causas sejam criminosas ou que se trate de um atentado terrorista. Segundo a agência AFP, os bombeiros acreditam que o fogo está “potencialmente relacionado” com os trabalhos de restauração pelo qual passava o edifício medieval.

O fogo teve início por volta das 18h50 locais (13h50 no horário de Brasília), poucos minutos depois de a Igreja ser fechada para visitação. As chamas surgiram na parte superior da construção, onde eram realizados trabalhos de restauração. Cerca de uma hora após o início das chamas, a torre central da igreja, de 93 metros de altura, desabou.

DESTRUIÇÃO

O porta-voz da Catedral, André Finot, declarou que pela intensidade das chamas que consomem o templo “não restará nada” da construção. 

A procuradoria francesa já abriu uma investigação para determinar o que iniciou o fogo.

REPERCUSSÃO

Via Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou o ocorrido. “Notre-Dame de Paris em chamas. Emoção de uma nação inteira. Meus Pensamento estão com todos os católicos franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite em ver esta parte de nós queimar”, disse. 

Segundo o jornal La Croix, o presidente da Conferência Episcopal Francesa, Dom Eric Moulin-Beaufort, afirmou ter recebido com horror a notícia do incêndio. “Eu fui ordenado nesta catedral. Esse lugar representa tantos eventos. Este drama nos lembra que nada nesta terra é feito para durar para sempre”, afirmou, manifestando solidariedade para com a Arquidiocese de Paris, que celebraria a Missa do Crisma com todo o clero na Catedral na manhã desta quinta-feira, 18. 

O TEMPLO

A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora (em francês: Cathédrale métropolitaine Notre-Dame) é o principal local de culto católico em Paris e teve sua construção iniciada em 1163.

Localizado no coração da capital francesa, na praça de mesmo nome, o templo representa uma das construções góticas mais famosas do mundo. Basílica Menor desde 1805 e Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991, Notre Dame recebe anualmente cerca de 13 milhões de turistas e fiéis de todas as partes do mundo.

No ano passado, a Igreja Católica na França lançou um apelo urgente pela mobilização de fundos para salvar o templo, que estava começando a desmoronar.

(Com informações de Vatican News, UOL, O Globo, La Croix, AFP e EFE)

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O pior incêndio da história

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26 de novembro de 2018

O Estado da Califórnia atravessa o pior incêndio de sua história. No norte do estado, o incêndio “Camp”, que começou no dia 8, já tinha matado pelo menos 77 pessoas e destruído mais de 10 mil casas até a tarde da terça-feira, 20. Mais de 1,2 mil pessoas ainda estão desaparecidas, o que significa que o número real de mortos pode ser bem maior. 

A área total atingida pelo fogo é superior a 600 quilômetros quadrados. O fogo tem avançado rapidamente, consumindo o equivalente a um estádio de futebol por segundo.

O Papa Francisco ofereceu “uma oração especial para os que foram atingidos pelos incêndios que estão flagelando a Califórnia”, pelas vítimas e famílias afetadas e para que Deus ajude os que estão envolvidos nos trabalhos de resgate e combate ao fogo. 

Fontes: ACI/ CBS/ NY Times/ CNN/ AP News
 

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Começa em todo o país a 12ª Primavera dos Museus

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17 de setembro de 2018

Duas semanas após o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, é realizada a 12ª Primavera dos Museus, que começa nesta segunda-feira, 17, com programação em vários locais do país até o próximo dia 23. Mais de 900 instituições participam, promovendo  2.787 eventos.

Com o tema “Celebrando a Educação em Museus”, a proposta é incentivar a reflexão sobre as atribuições presentes em um museu, como educar e contribuir no despertar de interesse para diferentes áreas do conhecimento, a vida em sociedade, a importância das memórias e o valor do patrimônio cultural musealizado. 

Durante o evento, haverá o lançamento e a divulgação do Caderno da Política Nacional de Educação Museal (Pnem), no Museu Casa Histórica de Alcântara (MA), no Museu Vitor Meirelles (SC) e no Museu das Missões (RS). 

No Rio de Janeiro, o Museu Histórico Nacional realiza, nesta segunda-feira, 17, as oficinas A Aplicabilidade da Política Nacional de Educação Museal e Baú da História da Educação Museal para profissionais da área.

Em Minas Gerais, o Museu da Inconfidência promove, de 18 a 21 de setembro, o 1º Seminário de Educação em Museus de Ouro Preto (MG). O evento vai reunir diversos profissionais para debater questões e desafios sobre o tema.

 

Marcos e aberturas

Os museus brasileiros promovem ações educativas desde 1818, com a criação do Museu Nacional, então Museu Real  – que em 2018 celebra seus 200 anos. Desde então, o interesse e o debate sobre esse tema só têm se disseminado e aprofundado.

Este ano será comemorado o aniversário de 60 anos da Declaração do Rio de Janeiro, resultado de seminário regional realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1958, considerada marco internacional para o setor.

 

Momento

A 12ª Primavera dos Museus ocorre no momento em que autoridades públicas federais, estaduais e municipais, em parceria com organismos internacionais e instituições estrangeiras, buscam estratégias para definir o processo de recuperação e restauro do Museu Nacional do Rio.

No último dia 2,  um incêndio, que é alvo de investigações, destruiu o Museu Nacional, queimando 90% do acervo. O episódio provocou reações de pesquisadores, professores e estudantes que advertiram sobre a necessidade de mais investimentos no setor.

Representantes de vários países e museus estrangeiros, como o Louvre na França, colocaram-se à disposição para colaborar no processo de recuperação e reconstrução do Museu Nacional e dos acervos.

 

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E depois do incêndio...

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14 de setembro de 2018

O Governo Federal anunciou, na última semana, uma série de medidas para tentar melhorar a gestão de museus, arquivos e outras instituições que lidam com acervos, após o incêndio que destruiu, no dia 2, o prédio e 90% dos 20 milhões de itens do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o maior e mais antigo do País, criado em 1818, atualmente gerido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Uma das ações é o lançamento pelo BNDES de um edital para obter R$ 25 milhões para projetos de segurança, combate e prevenção de incêndios em diferentes locais que lidam com acervos. A arrecadação será por meio da Lei Rouanet, que permite ao doador destinar parte dos recursos que seriam deduzidos no imposto de renda para atividades culturais.

Também será editada uma medida provisória para criar fundos patrimoniais com recursos privados, cujos rendimentos serão revertidos para o Museu Nacional e outras instituições.

 

APOIO FINANCEIRO E MATERIAL

O Governo Federal também tem se reunido com empresários em busca de ajuda financeira para o Museu Nacional. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e a Federação Brasileira de Bancos já anunciaram que vão colaborar.

Autoridades da China, Chile, Egito, França, México, Portugal também se dispuseram a ajudar tecnicamente na reconstrução do Museu Nacional, e o governo da Alemanha enviará ao Brasil uma verba emergencial de até R$ 4,8 milhões.

 

ETAPAS DE RECUPERAÇÃO

Na segunda-feira, 10, começaram as obras de contenção e os procedimentos para manter a estrutura do prédio segura. A ação será coordenada por uma força- -tarefa montada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com o acompanhamento de técnicos da Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Para essa primeira etapa, o Governo Federal vai liberar R$ 10 milhões. A fase seguinte será a elaboração dos projetos básico e executivo para a reconstrução do Museu e a aquisição de equipamentos. Depois, será feita a obra de recuperação do prédio e, por fim, a reconstituição do acervo, com os itens recuperados e outros que forem adquiridos.

 

GESTÃO DOS MUSEU

O incêndio no Rio de Janeiro reacendeu discussões sobre a gestão dos museus no País. Políticas públicas específicas de âmbito nacional para essa finalidade começaram no ano de 2003, com a criação do Departamento de Museus no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2009, o departamento foi transformado no Ibram, autarquia vinculada ao Ministério Cultura.

Em nota publicada em seu site no dia 4, o Ibram afirma que tem feito publicações, seminários e oficinas sobre a gestão de museus, além de um planejamento global, com atenção para a necessidade de um plano museológico e de gestão de riscos para cada unidade. Além disso, desde 2013, implementa o Programa de Gestão de Riscos ao Patrimônio Musealizado Brasileiro, “que estabelece parâmetros técnicos para a formulação de planos de gerenciamento de riscos para os museus, e promove a articulação entre as diferentes instituições e organizações que compartilham esta responsabilidade pública”

O Ibram reconhece, porém, que existem unidades em processo de requalificação arquitetônica e que apenas dois dos 30 museus que administra diretamente possuem Autos de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB): “Todas as demais unidades estão em processo de obtenção do documento, que demanda uma série de intervenções complexas, que necessitam articular o atendimento às diferentes legislações estaduais de proteção e combate a incêndio e o respeito às restrições das legislações de tombamento, uma vez que todos esses museus funcionam em edifícios históricos tombados pelo Iphan”.

 

PROBLEMAS PRÁTICOS

Há décadas, a historiadora e museóloga Cecília Machado estuda a gestão dos museus brasileiros. Professora do curso de pós-graduação em Gestão de Acervos Museológicos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ela avaliou que falta ao País experiência técnica e política, além de investimentos.

Cecília disse ao O SÃO PAULO que o Brasil tem publicado uma série de subsídios sobre boas práticas museológicas, mas que só isso não é suficiente. “O que o Estado não está fazendo é financiar qualquer tipo de ação, o que é uma falha grave”, disse.

De acordo com a historiadora, é preciso que haja ações coordenadas no que se refere à segurança. “O Corpo de Bombeiros deveria estar junto com os projetos executivos dos museus, que deveriam não só estar alinhados com a lei, mas com a prática. Se o bombeiro fala, ‘aqui tem que ter um hidrante’, e o museólogo fala, ‘mas aqui a gente tem um móvel tombado, essa parede não pode ser cortada’, isso deveria ser estudado em conjunto, pois o bombeiro tem a capacitação técnica para apontar qual é o problema, o engenheiro vai dialogar uma solução e o museólogo vai apontar quais são as necessidades. Isso só existe no papel, em protocolos publicados”, lamentou.

Cecília também lembrou que praticamente não há fiscalização quanto ao seguimento desses protocolos e que, quando se aplica alguma punição, “as multas não são pagas, as intimações são ignoradas e o edifício cai”, sintetizou.

 

DESINTERESSE?

Cecília acredita que o descaso com a gestão dos museus no País seja parte de “uma política pública brasileira de apagamento de memória”

Em nota, no dia 4, o Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico do Ibram pediu maior sensibilização dos governos e da sociedade com a gestão dos museus: “Que essa tragédia, de contornos irreversíveis, sensibilize as autoridades deste País para o quanto as instituições museológicas precisam ser levadas a sério, para que não sejam sistematicamente constrangidas com as reduções orçamentárias e com a impossibilidade de manutenção de quadros estáveis de profissionais especializados, entre outros abandonos, como temos testemunhado ao longo de décadas”.

 

O QUE APRENDER DE OUTROS PAÍSES?

Não faltam exemplos de sucesso na gestão de museus em outros países e que podem servir de modelo ao Brasil.

Na Inglaterra, o Museu Britânico foi completamente renovado em 2002. Em algumas janelas, há dispositivos automáticos para que elas se fechem automaticamente em caso de incêndio. Na França, todo grande museu conta com uma equipe do Corpo de Bombeiros 24 horas por dia.

Já a Suíça é referência quanto à fiscalização das condições dos museus e na prevenção de incêndios. Nos prédios milenares onde já houve algum problema, uma equipe multidisciplinar cuida da reconstrução com um projeto hidráulico, elétrico e arquitetônico. “Uma vez a cada três meses, eles fazem uma simulação de evacuação dos edifícios históricos e todos os funcionários de um museu sabem como têm de proceder e conseguem a evacuação de 80% do local. No Brasil, essa simulação é anual, isso quando há”, comentou Cecília Machado.

(Com informações de G1, TV Globo, Ibram, Planalto e Agência Brasil)

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Memória nacional e centro de pesquisas reduzidos a cinzas em incêndio no Rio

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07 de setembro de 2018

Uma perda irreparável é o consenso entre todas as autoridades, pesquisadores e especialistas em relação ao incêndio que atingiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, no domingo, 2. Mais antiga instituição científica e importantíssimo centro de história natural do País, o Museu completou 200 anos de existência em junho passado. No entanto, o que deveria ter sido motivo de comemoração se revelou agora uma situação de completo abandono.

Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), seu acervo era considerado um dos mais importantes da América Latina, com mais de 20 milhões de itens catalogados. A história do Museu sempre teve estreita ligação com a história do Brasil imperial, a começar pelo local onde funcionava: construído em 1803, o prédio pertencera inicialmente a um comerciante português e serviu de residência à família real portuguesa quando de sua chegada ao Brasil, em 1808 (em decorrência da fuga das perseguições napoleônicas a Portugal) até 1889, quando foi proclamada a República. Segundo a historiadora Flávia Miguel de Souza, Dom Pedro II e a Princesa Isabel nasceram lá. Fundado por Dom João VI em 1818, o Museu passou a ocupar as dependências do prédio em 1892.

Considerado o 5º melhor museu de antropologia do mundo e detentor de um acervo que era disputado por instituições internacionais (vide box abaixo), o Museu Nacional era do mesmo porte dos museus de Smithsonian (Estados Unidos) e do Louvre (França), segundo o antropólogo Roberto DaMatta, que lá trabalhara por quase 30 anos, quando o deixou em 1986. “Todo mundo está falando de descaso: isso não é a causa, é a consequência de uma sociedade complacente com a ignorância”, afirma.

Essa proximidade com personagens importantes da história do Brasil e o considerável legado que abrigava não impediram que o Museu chegasse ao seu bicentenário com goteiras, infiltrações, salas vazias e problemas nas instalações elétricas. Também não possuía estrutura antifogo, nem seguro, nem hidrantes com água, nem detectores de fumaça, além de estar completamente infestado por cupins, retrato que denota que a verba destinada à sua manutenção era cada vez mais escassa e insuficiente, assim como a consciência das autoridades em reconhecer e preservar um bem público e seu valoroso patrimônio para as futuras gerações.

Os visitantes que tiveram a oportunidade de comparecer ao Museu Nacional sempre se deparavam com esta inscrição em sua entrada:

“Todos que por aqui passem protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir o seu próprio futuro”.

Muito mais que um valioso documento ali presente, o acervo do Museu abrigava itens importantíssimos para a preservação da memória nacional e para as pesquisas científicas no Brasil. Entre eles, algumas das mais destacadas preciosidades:

Pergaminho datado do século XI, com manuscritos em Grego sobre os quatro Evangelhos, considerado o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina;

A Bíblia de Mogúncia, Alemanha, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Shoffer, ex-sócios de Gutenberg;

A crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados, tidos como um dos mais antigos em livro impresso;

A Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569, obra monumental do mais renomado impressor do século XVI, Cristóvão Plantim;

A primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572;

A primeira edição da “Arte da Gramática da Língua Portuguesa”, escrita por São José de Anchieta, em 1595;

O “Rerum per octennium...Brasilia”, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores, desenhadas por Frans Prost;

Exemplar completo da famosa “Encyclopédie Française”, uma das obras de referência para a Revolução Francesa;

O primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601;

Exemplar único e raríssimo do livro publicado em 1605 pelo autor Hrabanus Maurus, que criou o caça-palavra em forma de poesia visual;

O fóssil de 12 mil anos de Luzia, o mais antigo encontrado nas Américas até hoje;

Os afrescos de Pompeia;

O documento de assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil;

O sarcófago de Sha-Amun-Em-Su, um dos únicos que nunca foram abertos;

O acervo da botânica Bertha Lutz;

O maior dinossauro brasileiro já montado, com ossos originais;

O Angaturama limai, o maior carnívoro brasileiro;

Fósseis de plantas já extintas;

O trono do rei Abandozan, do reino africano de Daomé, datado do século XVIII;

O prédio onde foi assinada a independência do Brasil.

 

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Incêndio destruiu acervo único sobre história africana, diz curadora

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04 de setembro de 2018

Kumbukumbu é uma palavra da língua africana swahili que resgata uma dimensão do passado que abre caminho para o futuro. Por esse simbolismo, a expressão dava nome à exposição sobre a arte africana do Museu Nacional, uma das que foram completamente destruídas pelo incêndio de domingo, 2, no Rio de Janeiro.

Entre as 185 peças expostas e consumidas pelo fogo estava o Trono de Daomé, reino africano que traficou pessoas escravizadas e tinha o Brasil como um de seus principais comparsas. 

A sandália e a toca real também estavam expostas como registros do reino que deixou de existir ao ser dominado pelos franceses em 1904.

As peças foram um presente do Rei Adandozan a D. João VI, em 1811, e estava no acervo do museu desde sua fundação. Essa coleção faz parte de um acervo com um total de 700 peças, que inclui o que estava na reserva técnica.

Praticamente tudo se perdeu, segundo a curadora da exposição, Mariza Soares. O catálogo da exposição está disponível online.

Tecidos alaka, feitos em tear na costa ocidental da África na primeira metade do século XX, são outras peças de destaque da exposição, que também contava com uma presa de marfim esculpida no século XIX na Bacia do Rio Congo. A presa de elefante era considerada uma das maiores já expostas em um museu.

 

Resistência das religiões

Uma das partes mais importantes da exposição era a que contava pouco da resistência das religiões de matriz africana no Brasil, com objetos ritualísticos do candomblé, que foram confiscados pela polícia do Rio de Janeiro desde o império, quando a prática da religião era proibida por lei.

Diretor do Museu Nacional durante o Século XIX, Ladislau Netto pediu à Polícia da Corte que encaminhasse os objetos apreendidos para estudo no museu, e assim começou a se formar a coleção que preservava antigas técnicas de metalurgia e da arte em madeira que confeccionaram os materiais usados nas práticas religiosas da última geração de africanos traficados para Brasil e de seus descendentes diretos.

A exposição contava ainda com importantes estatuetas de orixás esculpidos em madeira pelo artista popular Afonso de Santa Isabel e adicionadas ao acervo entre 1940 e 1950.

Os objetos faziam parte da coleção de Heloisa Alberto Torres, ex-diretora do museu que viajou à Bahia no Século XX para reunir objetos das principais casas de candomblé do recôncavo baiano.

A curadora da Kumbukumbu conta que o trabalho feito na montagem da exposição buscou revalorizar a cultura africana e, ao mesmo tempo, discutir as relações raciais no Brasil, país que mais demorou a abolir a escravidão.

"Foi uma oportunidade incrível justamente para a gente recuperar toda uma discussão a respeito das relações raciais no Brasil, da importância do estudo da história da África para se entender o Brasil, de se discutir a questão da escravidão e como ela impacta de forma muito negativa a sociedade brasileira", lembrou a pesquisadora, enquanto acompanhava o trabalho dos bombeiros nos escombros do Museu Nacional.

 

Museu suburbano

Apesar de ser famoso por ter abrigado a residência da família imperial, o Museu Nacional é parte do subúrbio carioca, e a Quinta da Boa Vista, onde ele fica, é uma das principais áreas de lazer dessa região da cidade.

Localizado na zona norte do Rio de Janeiro e vizinho de comunidades como a Mangueira e o Tuiuti, o Museu Nacional recebia muitas visitas de escolas públicas e tinha acesso fácil para moradores da periferia, que podiam usar o trem e o metrô para chegar ao local partindo de diversos pontos da zona oeste, zona norte e Baixada Fluminense.

"Buscamos trazer também uma discussão sobre a pobreza no Brasil, onde a população negra é um percentual imenso da população pobre, da população carcerária e da população assassinada", disse a curadora, que lamentou a destruição de um acervo que tinha características únicas, mesmo se comparado a grandes museus do mundo.

"A nossa coleção tinha uma parte que chegou como um presente para Dom João, então era uma coleção muito antiga e muito valiosa. A gente pode recuperar um inventário do que existiu, mas o que existiu está perdido. Agora e para todas as gerações que virão".

Professor da etnologia, departamento que abrigava a exposição, Antônio Carlos de Souza Lima acrescenta que também foram perdidas peças indígenas de tribos que não existem mais, artefatos maoris, jades indianas e até uma armadura samurai.

"A perda da etnologia é irreparável. Isso é resultado de décadas de descaso das elites políticas. É um retrato do que a elite financeira e política pensa do que é o Brasil", finalizou.

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Igreja do Rosário dos Homens Pretos é reaberta no Largo do Paissandu

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29 de agosto de 2018

No domingo, 19, Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, presidiu missa que marcou a reabertura da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu. 

Nos últimos três meses, a Igreja esteve fechada ao público a fim de socorrer as famílias desabrigadas após o incêndio do edifício Wilson Paes que, até o início de agosto, ficaram acampadas no Largo do Paissandu. 

No início da celebração eucarística, Dom Eduardo agradeceu aos membros da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e o Padre Lázaro Fernandes, Capelão, a dedicação durante o período de interdição e o apoio aos desabrigados: “Quero colocar a todos no altar do Senhor, junto com o pão e o vinho, cada trabalho, cada momento dedicado a esse esforço conjunto, que é para o bem da sociedade, para o bem das famílias”. 

Denise Vitoriano, 62, que há 20 anos participa da Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Pretos, expressou sua alegria pela reabertura da Igreja: “É fantástico ver a comunidade novamente reunida, reencontrar os amigos e irmãos que todos os domingos estão aqui; tudo isso fez muita falta na nossa vida”. 

Na sexta-feira, 10, os desabrigados que ocupavam o Largo do Paissandu deixaram o local após o diálogo que perdurava há semanas com a Prefeitura de São Paulo. A saída aconteceu de forma voluntária após um longo período de negociações. As famílias foram encaminhadas para espaços dedicados aos núcleos familiares, no centro da cidade. 

Agentes da prefeitura iniciaram a retirada de colchões e cobertores. Em seguida, foi feita a limpeza da praça. Estima-se que os acampamentos eram mantidos por moradores de rua que não pertenciam ao grupo do prédio incendiado. As vítimas do edifício Wilson Paes deixaram o local quando o auxílio moradia de R$400,00 começou a ser pago.

 

HISTÓRIA

A construção da Igreja do Rosário dos Homens Pretos surge pelo esforço daqueles que até hoje dão ânimo à comunidade no centro de São Paulo. Em 1721, uma pequena capela foi construída no vale do Anhangabaú. Em 1728, a Câmara de Vereadores de São Paulo cedeu um terreno para a construção de uma igreja maior, a pedido da Irmandade. No início, era realizada a festa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, composta por celebração de missa solene, seguida das congadas (festa do congo) – que tinha como objetivo rememorar as tradições antigas dos escravos.

Após a revitalização do Largo do Rosário, prevista pela lei 698, de 24 de dezembro de 1903, uma nova Igreja foi construída em um terreno cedido pela prefeitura no Largo do Paissandu.  

(Colaborou Fernando Geronazzo)
 

 

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Incêndio paralisa produção em refinaria da Petrobras

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20 de agosto de 2018

A Petrobras informou hoje, 19, que um incêndio ocorrido esta madrugada em um dos setores da Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, levou a estatal a paralisar as atividades em toda a unidade, por medida de segurança.

A paralisação, no entanto, não vai prejudicar o abastecimento de derivados no país, uma vez que há outras unidades da empresa em operação e estoques de combustível suficiente para atender à demanda do mercado.

Segundo nota da empresa, as equipes de emergência da Petrobras e o Corpo de Bombeiros continuam no local realizando os trabalhos de rescaldo. Não houve feridos durante o incidente.

"A produção foi preventivamente paralisada e uma comissão será instaurada para avaliar as causas da ocorrência", diz a nota.

Segundo a assessoria da Petrobras, a companhia ainda está avaliando as dimensões do incêndio, os danos às instalações e o tempo de duração da paralisação, bem como possíveis prejuízos à estatal.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que já enviou equipes ao local do acidente e as causas estão sendo apuradas. A ANP também disse que "não há risco de desabastecimento".

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Incêndio em asilo no Chile deixa pelo menos 10 mortos

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14 de agosto de 2018

Pelo menos dez idosas morreram em um incêndio que afetou na madrugada desta terça-feira um asilo na cidade de Chiguayante, no sul do Chile, segundo informaram fontes de bombeiros e as autoridades da região.

O fogo, cujo origem é investigada, começou às 3h30 local em um dos quartos da "Casa de Repouso Santa Marta", da citada cidade, a cerca de 530 quilômetros de Santiago, na região de Biobío e várias vítimas tinham problemas para se deslocar, precisaram as fontes.

"Temos dez pessoas mortas", disse aos jornalistas o intendente (governador) da região, Jorge Ulloa, que é voluntário do Corpo de Bombeiros e colaborou previamente na extinção das chamas do estabelecimento, no qual havia 42 idosos, dos quais 13 estavam no quarto acidentado, todas mulheres.

Destas últimas, apenas três conseguiram escapar das chamas pelos seus próprios meios, sendo que uma sofreu queimaduras em uma perna e foi internada no hospital da cidade.

José Garrido, guarda do recinto, que acionou os alarmes, disse à rádio "Cooperativa" que escutou "um forte estrondo" antes do incêndio.

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