Igreja empenha suas forças e recursos em vista da propagação da fé

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25 de outubro de 2019

O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927, tendo sido instituído no ano anterior pelo Papa Pio XI. A data nasceu com o objetivo de mobilizar os católicos de todo o mundo a se unir no penúltimo domingo do mês de outubro para rezar e ajudar materialmente a propagação da fé nas terras mais distantes. 
Contudo, a preocupação missionária da Igreja não se resume a essa data. Desde o início do Cristianismo, os apóstolos e seus sucessores se empenharam em cumprir o mandato de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). 

EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS
A cooperação missionária acontece de três formas:  pela oração, pelo sacrifício e pelo testemunho de vida, que acompanham os missionários mundo afora; por meio da ajuda material dos projetos missionários e, principalmente, colocando-se à disposição para servir na missão ad gentes. 
Para isso, a Igreja conta com um organismo da Cúria Romana voltado exclusivamente para a propagação da fé: a Congregação para a Evangelização dos Povos. Criada em 1622 pelo Papa Gregório XV, esse dicastério inicialmente era chamado de Propaganda Fide (Propaganda da Fé) e desde a sua criação tem sido o instrumento ordinário e exclusivo do Romano Pontífice e da Santa Sé, para o exercício da jurisdição sobre todas as missões e a cooperação missionária.
A tarefa primordial desse dicastério é coordenar todas as forças missionárias, proporcionar diretrizes para as missões, promover a formação do clero, incentivar a fundação de novos institutos missionários e prover as ajudas materiais às atividades missionárias pelo mundo. 
Atualmente, o Prefeito dessa Congregação é o cardeal italiano Fernando Filoni. Entre os anos 1970 e 1984, o cargo foi exercido pelo Cardeal Agnelo Rossi, anteriormente Arcebispo de São Paulo. 

PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS 
Associada à Congregação para a Evangelização dos Povos, existem as Pontifícias Obras Missionárias (POM), organismos oficiais da Igreja Católica que atuam em diversos países para intensificar a animação, a formação e a cooperação missionária. 
Três dessas obras – Propagação da Fé, Infância e Adolescência Missionária, e São Pedro Apóstolo – nasceram na França para atender às necessidades missionárias locais e, em 1922, foram declaradas, posteriormente, pontifícias pelo Papa Pio XI. 
A quarta obra, União Missionária do Clero, surgiu na Itália, e foi declarada pontifícia em 28 de outubro de 1956, com o decreto do Papa Pio XII. 
Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2019, o Papa Francisco destacou as POM como uma rede global que apoia o Pontífice “no seu compromisso missionário, prestam o seu serviço à universalidade eclesial mediante a oração, alma da missão, e a caridade dos cristãos espalhados pelo mundo inteiro”. 

ARQUIVO, MUSEU E TIPOGRAFIA
Desde o início de sua existência, a Congregação para a Evangelização dos Povos se preocupou com a organização de informações sobre as iniciativas missionárias realizadas pela Igreja em todo o mundo. Isso deu origem ao Arquivo Histórico da Propaganda Fide, aberto hoje aos estudiosos de todo o mundo, e o Museu Missionário, localizado em Roma, que reúne materiais de 400 anos de história. 
Em 1626, a Propaganda Fide inaugurou uma Tipografia Poliglota, para imprimir livros nas diversas línguas dos países de missão. Desde 1909, o departamento está ligado à Tipografia Vaticana. 

FORMaÇÃO DE MISSIONÁRIOS
Fundado pelo Papa Urbano VIII, em 1627, o Pontifício Colégio Urbano surgiu com o objetivo de acolher e formar os seminaristas dos países de missão. O colégio preparou gerações de sacerdotes autóctones e a maioria dos bispos das novas Igrejas particulares, que, hoje, na sua maioria, promovem a formação do próprio clero nos numerosos seminários locais.
A Congregação para a Evangelização dos Povos também mantém o Centro Internacional de Animação Missionária, onde se realizam cursos de espiritualidade, de exercícios espirituais, de atualização, aberto aos sacerdotes, religiosos e leigos que desejam aprofundar a própria vocação ou inspiração missionária.

Pontifícia Obra Missionária para a Propagação da Fé – Fundada por Pauline Marie Jaricot, em 1822, visa a suscitar o compromisso pela evangelização universal em todo o povo de Deus e promover, nas Igrejas locais, a ajuda tanto espiritual quanto material.
Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária – Fundada pelo Bispo de Nancy (França), Dom Carlos de Forbin-Janson, em 1843, auxilia os educadores a despertar gradualmente a consciência missionária nas crianças e adolescentes, animando-os a partilhar a fé e os seus bens materiais com as crianças das regiões mais necessitadas; ajuda, também, a promover as vocações missionárias desde a infância.
Pontifícia Obra Missionária de São Pedro Apóstolo – Fundada por Joana Bigard e sua mãe, Stephanie, em 1889, visa a sensibilizar o povo cristão acerca da importância do clero local nos territórios de missão, convidando-o a colaborar espiritual e materialmente na formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada.
Pontifícia União Missionária – Fundada pelo Beato Padre Paolo Manna, em 1916, visa à sensibilização missionária dos sacerdotes, dos seminaristas e da vida consagrada masculina e feminina. Esta obra é como que a alma das outras obras, porque se ocupa especificamente com a formação missionária.

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'Jesus Cristo é a resposta para tudo’

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16 de outubro de 2019

Leiden, pequena cidade a 60 quilômetros ao sul de Amsterdã, capital da Holanda, é o local onde nasceu e cresceu o Padre Michel Remery, 46, sacerdote há 15 anos, responsável por um projeto que se tornou grandioso e alcança o mundo todo, graças às facilidades da internet.

Trata-se do projeto “Tuitando com Deus”, que deu origem ao livro homônimo, já traduzido para o português e outras 21 línguas, cujo foco é a evangelização da juventude.

Por meio da utilização de uma linguagem de fácil compreensão e da abordagem expressa dos assuntos que mais suscitam dificuldades entre os jovens, o intuito do projeto, que inclui o livro, site, aplicativo e conteúdo nas redes sociais (Twitter, YouTube, Facebook e Instagram), é elucidar os mais diversos questionamentos que os jovens têm em relação à própria fé e, assim, aproximá-los da Igreja.

A fim de dar suporte ao projeto e estendê-lo para o futuro, há atualmente uma equipe de trabalho voluntário, composta por mais de cem jovens, de 37 nacionalidades, cujos integrantes, além de viverem cada qual em seu país de origem, em sua grande maioria não se conhecem pessoalmente. Assim, as ações para manter o projeto ativo são decididas, coordenadas e executadas remotamente, por meio da conexão de todos a um ambiente on-line.

Em recente passagem pelo Brasil, Padre Michel Remery concedeu entrevista ao  O São Paulo:

O SÃO PAULO: Como surgiu a ideia do projeto “Tuitando com Deus”? E o que o levou a escrever o livro?

Pe. Michel: Na verdade, nunca pensei em escrever o livro ou iniciar o projeto. Comecei a dialogar com os jovens que tinham muitas perguntas e a intenção era abordar cada uma delas, de maneira sistemática. Então começamos a realizar encontros duas vezes por semana e, em cada um deles, abordávamos uma nova questão.

O SÃO PAULO: Onde estavam esses jovens? Eram seus paroquianos?

Pe. Michel: Sim. Naquela época, eu era vigário em algumas paróquias de Leiden e, ao término das missas dominicais, tinha o hábito de cumprimentar as pessoas dizendo “Tenha um ótimo domingo”, e os jovens começaram a me fazer algumas perguntas. Começamos a debater esses questionamentos de forma mais extensiva, durante os encontros semanais, sendo que as indagações eram as mais diferentes possíveis. São elas as perguntas reais que agora podem ser encontradas no livro, por exemplo, a respeito do Big Bang, da criação do mundo, entre outras.

O SÃO PAULO: Então foi sendo feita uma coletânea dessas perguntas?

Pe. Michel: Sim, eu dizia aos jovens: “Enviem-me todas as suas perguntas” e fiquei surpreso quando recebi mais de uma centena de questionamentos desse pequeno grupo de paroquianos. Então começamos a nos encontrar e debater essas questões e o grupo começou a crescer, contando com pelo menos 25 pessoas o tempo todo. Ao fim de cada encontro, os jovens me diziam: “A síntese que você nos deu hoje a respeito do que debatemos é muito interessante. Por que você não a escreve para nós?”. Assim, comecei a escrevê-las, tirar cópias e distribuí-las entre eles. Dessa forma, essas cópias acabaram por dar origem ao livro, ou seja, graças a esses jovens, essa obra se tornou possível.

Depois, quando o livro já estava a caminho de se tornar uma realidade, os jovens questionaram: “Quem carrega livros hoje em dia? Ninguém! É algo ultrapassado!”. Então, como todo mundo utiliza telefone celular atualmente, surgiu a ideia de criar um aplicativo para esse fim. Além disso, é fato que, se hoje você não possui um site, você praticamente não existe. Assim, desenvolvemos também um site com todo o conteúdo do projeto.

Como queríamos contar também com uma forma de comunicação mais direta, decidimos utilizar as redes sociais, onde sempre postamos algo a fim de ajudar as pessoas a refletir e tornar sua tomada de decisão possível. Também temos produzido vídeos nos quais explicamos diversos aspectos da fé católica. Esse é o projeto “Tuitando com Deus” hoje, que originalmente nasceu de um pequeno grupo de jovens paroquianos, na Holanda.

O SÃO PAULO: Hoje o senhor conta com a contribuição dos jovens dos mais diversos países?

Pe. Michel: Sim! Na época em que o livro começou a ser escrito, com a colaboração dos jovens de uma simples paróquia holandesa, eu nunca poderia imaginar que aquelas perguntas e suas respostas, naquela ocasião, seriam, hoje, as mesmas das pessoas ao redor do mundo. Hoje posso dizer que temos uma equipe internacional de jovens, dos mais variados países, conectada por diversos meios (redes sociais, Skype, entre outros), sendo que a maioria de seus integrantes nunca se encontrou pessoalmente. As únicas condições para fazer parte dela é o interesse em conhecer melhor Jesus, ajudando-nos com o projeto, e falar inglês, porque precisamos de uma língua própria que facilite a nossa comunicação. Dessa forma, o livro existe, porém todo o material adicional tem sido desenvolvido por jovens espalhados por todo o mundo. 

O SÃO PAULO: O senhor considera que a concretização, o crescimento e a internacionalização do projeto se devem à utilização das redes sociais?

Pe. Michel: Penso que o grande trunfo do projeto em relação ao seu rápido crescimento se deve, em primeiro lugar, ao fato de que não são os meus questionamentos que discutimos, não é aquilo que eu quero falar, mas falamos sobre os questionamentos dos jovens, que são os mesmos ao redor de todo o mundo.

Creio que o primeiro erro do livro esteja na capa, por trazer somente meu nome como autor. Uma vez que houve a ajuda de centenas de jovens em sua elaboração, penso que o correto seria trazer os nomes de todos eles também.

A verdade é que os jovens releram o que elaborei, apontaram palavras de difícil compreensão ou que estavam faltando, ou ainda ideias que não estavam claras, além de perguntas e argumentos para embasar porque determinado pensamento é verdadeiro, entre outros.

A primeira coisa a ser levada em consideração [em relação ao rápido crescimento do projeto] é que os jovens estavam envolvidos desde o princípio; a segunda é que estávamos procurando razões pelas quais acreditamos [em algo]; e, a terceira, é que, desde o começo, a regra básica é que toda e qualquer pergunta era permitida, sem nenhum tabu.

Em muitos casos, as pessoas veem a Igreja como a única a ter permissão para falar a respeito de determinados assuntos que outros nem ousam mencionar. Nós podemos falar sobre tudo: somente precisamos de tempo para desenvolver os argumentos; e nós o tivemos durante nossos encontros. Assim, todo questionamento é permitido e a única regra é que ele seja respeitoso em relação às outras pessoas que podem ter opiniões distintas.

Em virtude dessas premissas, tivemos diálogos maravilhosos, até mesmo em relação a tópicos controversos, em que as pessoas normalmente têm opiniões divergentes. E o mais bonito de se ver é que, em alguns dos tópicos que estávamos discutindo, começamos com uma enorme oposição no grupo em relação a ideias e argumentos e, em muitos casos, passo a passo, as pessoas se convenciam de que o ensinamento da Igreja é a resposta mais lógica. Porque, acredito, cada pergunta é conectada a outra. Se tomarmos a pergunta “Um cristão pode portar uma arma?”, por exemplo, veremos, por fim, que se trata do amor que Deus tem por cada ser humano e, por isso, não se pode supor que uma pessoa possa tirar a vida de seu semelhante. Dessa maneira, se atentarmos para o real amor que Deus tem por cada um de nós, encontraremos a resposta para qualquer questionamento que tivermos. 

Em toda questão que discutirmos, por fim, seremos capazes de enxergar a imagem lógica da nossa fé, ou seja, como tudo está interconectado, como é possível, baseado numa questão prática e concreta, chegar às bases de nossa fé e mostrar como Deus está presente em tudo.

E uma coisa muito importante: não pode haver tabus. Se houver tabus, como, ao se dizer, por exemplo: “Não podemos falar a respeito de sexo”, significa que, quando se exclui certos tópicos da discussão, perde-se a autenticidade e a credibilidade.

Nos nossos encontros, minha atividade de moderação na abordagem dos assuntos era justamente não deixar que vários deles fossem discutidos ao mesmo tempo, de uma vez, num único dia. Por exemplo, temas como a Criação e outros mais difíceis, relacionados à Teologia Moral, eram propostos para discussão nas semanas seguintes, justamente para que fossem abordados com a devida profundidade.

A meta sempre foi abordar todos os questionamentos e sempre permitir que diferentes opiniões fossem apresentadas. Nunca disse a ninguém que se sentisse obrigado a acreditar em determinada coisa. Sempre partilhei minha fé, minha fé baseada na Igreja, nos argumentos que a Igreja ensinou e escreveu ao longo do tempo, a fim de ajudar com que os argumentos apresentados fizessem sentido.

Outro ponto importante: os jovens não estão acostumados a serem ouvidos pelos outros. Eles têm que fazer aquilo que seus pais lhes dizem, eles têm que ouvir e repetir o que seus professores lhes apresentam na escola, e sempre que lhes são pedidas a opinião acerca de alguma coisa, frequentemente não há interesse em ouvir suas respostas.

Na plataforma do projeto “Tuitando com Deus”, os jovens podem realmente dizer aquilo que pensam. Isso lhes soa estranho no começo, sobretudo porque não estão acostumados a ter quem os ouça.

O SÃO PAULO: Então se pode perceber que nesse ambiente eles se sentem livres para perguntar e dizer o que quiserem?

Pe. Michel: Sim, outro elemento importante é que eles se tornam capazes de desenvolver seu próprio pensamento. Eles não estão acostumados a ter suas próprias ideias, porque suas ideias hoje são as de seus pais, eles vivem a repetir algo fortemente: “Não, eu não acredito nisso porque meu pai diz que não se deve...”. Quando questionados “por que você segue tal coisa?” ou “por que você acha que tal coisa é importante?”, a resposta é, invariavelmente: “Na verdade eu não sei!”.

Não se trata de um conhecimento intelectual, algo que se aprende para ser decorado, mas sim algo que se torna parte de sua vida, de seu coração, de suas mãos, de seus pés, de uma vivência prática da fé.  

É muito saudável, portanto, que os jovens desenvolvam seus próprios pontos de vista, seus próprios pensamentos. Às vezes os jovens se colocam em oposição a seus pais apenas para mostrar que não acreditam, ou seja, o que estão tentando fazer é ver como essa situação se encaixa no que diz respeito à fé.

Muitos jovens, sobretudo aqueles não crentes, encontraram sua vocação por meio do trabalho que estamos fazendo. Assim, como recebemos diversas respostas e todos são muito bem-vindos a nossas discussões abertas, muitas pessoas estão crescendo na sua fé.

É bonito ver que hoje nosso projeto funciona exatamente do mesmo modo que funcionava no começo, em muitos lugares, obviamente de diferentes formas: às vezes um sacerdote se utiliza do material para falar a um grupo, às vezes um grupo de jovens se senta para discutir juntos um dos tópicos constantes no livro, ou um grupo utiliza o aplicativo para se aprofundar num determinado assunto, ou alguém começa a assistir a uma série de vídeos no YouTube.

O SÃO PAULO:  A fim de atender a quais necessidades esse material pode ser utilizado?

Pe. Michel: Esse material pode ser utilizado de diversas maneiras, tanto pelos jovens como pelos padres, ou em conjunto por ambos, como nas formações de preparação para a Crisma, para uso com adultos, entre outros. Na verdade, percebemos um crescente interesse pelo livro por parte dos adultos, justamente porque muito o adquirem para uso próprio, para aprender, da mesma forma que muitos pais e avós o compram para presentear seus filhos e netos, respectivamente, e assim estimular neles o despertar e a vivência da fé. Também há pessoas que formam grupos de reflexão e se baseiam nas informações do livro para estudar e aprender.

Percebemos que, hoje, todo o material desenvolvido não é utilizado somente por jovens, mas por pessoas de todas as idades, alcançando gerações mais velhas, não havendo, portanto, uma limitação de idade.  

Não reivindico para mim a propriedade do projeto. O que me deixa feliz é perceber as pessoas se aproximando de Deus. Assim, isso não diz respeito a mim nem à minha equipe, mas sim ao fato de as pessoas estarem, por meio dos vídeos e dos livros, se encontrando com Deus. Eu não estou aqui para vender coisas e sim para trazer uma Pessoa às pessoas. Não gosto de dizer que estou vendendo Jesus, mas sim que estou promovendo Jesus, estou falando a respeito dele, estou trazendo pessoas a ele.

O SÃO PAULO: Quais são os grandes desafios de se evangelizar pela internet hoje?

Pe. Michel: Quando se está on-line, pode-se navegar numa rede social, num canal de vídeos, num aplicativo de troca de mensagens e tantas outras possibilidades. A internet tem muitas vozes hoje, muita gente dando sua opinião a respeito de tudo. A opinião da Igreja também é uma no meio de várias.

Nós não temos uma autoridade por nós mesmos quando estamos on-line, somos somente uma voz. Ainda assim, penso ser muito importante a nossa presença porque a nossa voz é uma voz confiável. Não devemos, portanto, falar de assuntos da Igreja, mas sim a respeito do que realmente importa: o relacionamento de cada ser humano com Deus, porque é por isso que nós existimos. Trazer as pessoas para Deus, ser um canal de Deus para as pessoas.

O desafio é que, além de haver muitas vozes, nossa credibilidade, às vezes, não é muito boa. Sejamos honestos: há padres, bispos, irmãs que se comportam mal e eles são a primeira imagem que vemos. Na Igreja há também leigos que se comportam mal e são conhecidos e chamados de católicos por todos. Muitas coisas estão erradas.

Temos que ser capazes de dar um testemunho pessoal, não chamando a atenção para nós mesmos, nossos erros, nossos pecados, mas sim para nosso Jesus Cristo pessoal, aquele com quem, um dia, nós nos encontramos de verdade. Na nossa imperfeição, tentar trazer às pessoas a autenticidade que frequentemente falta ao mundo humano. As pessoas frequentemente estão usando muita “maquiagem”, com o intuito de se esconder atrás de uma certa imagem, criada por si mesmas.

Se nós, católicos, começarmos a ser cada vez mais nós mesmos, cada vez mais  autênticos quando estivermos on-line, essa situação irá mudar. Um exemplo é Elisabel, uma jovem da Estônia [país do Leste europeu visitado pelo Papa Francisco em setembro de 2018], que deu um testemunho ao Pontífice naquela ocasião, o qual presenciei: “Eu era ateia, nunca tive nenhum relacionamento com Deus, porém encontrei alguns cristãos on-line que eram tão plenos da presença de Deus que cheguei a pedir para conhecê-los para que me batizassem”.

A verdadeira interconexão de cristãos católicos on-line está permitindo encontrar uma série de pessoas que está afastada ou ainda não conhece a Deus. Como católicos, somos mais de 1 bilhão de pessoas. Isso dá cerca de 1/6 da população do planeta. Imagine se todo esse contingente de católicos começar a se comportar on-line da mesma maneira que se supõe que se comporte quando não está on-line, aí teremos grandes e maravilhosos testemunhos.

O problema é que, em nossa abordagem, estamos acostumados a olhar para nossos padres, nossos bispos e nossas irmãs religiosas como aqueles que receberam um chamado a fim de contribuir com a Igreja e esquecemos que todos nós também recebemos, de outra forma, tal chamado para igualmente contribuir com ela. Se calcularmos o número de padres, bispos, irmãs, religiosos e consagrados, teremos 0,3% de toda a população católica. Assim, não trabalharemos de forma eficiente se não colocarmos os 99,97% de nossa capacidade para trabalhar.

Assim, precisamos encontrar meios de expressar a nossa fé, para ser mais claros em relação àquilo em que acreditamos e dar testemunho real do que vivemos. Não se trata de querer saber tudo, mas se trata de saber uma coisa: o amor de Jesus por cada ser humano.

O SÃO PAULO: É possível perceber a sede que os jovens sentem, essa necessidade do despertar interior num primeiro momento para, posteriormente, ansiar pela pessoa de Cristo? O que o senhor diria a eles?

Pe. Michel:  Sim, é perfeitamente perceptível a sede que os jovens sentem, porém, em sua grande maioria, eles nem inferem que têm essa sede. Em minhas conversas com os jovens, eles frequentemente começam com o que é importante para si mesmos e que impacta o momento presente. Isso pode ser, por exemplo, a morte de sua avó, e então eles dizem: “Se Deus de fato existe, como pôde permitir que um acontecimento terrível como esse acontecesse?”. Ou estão preocupados com o futuro de seu animal de estimação: “Meu animal de estimação irá para o céu também?”. Ou então estão preocupados com seus resultados na escola: “Tenho estudado tanto e não sei como pode ter sido o meu desempenho nas provas”. Tudo isso são questionamentos a respeito das coisas que eles levam em conta na vida.

Eles também se preocupam com o que as outras pessoas podem pensar a seu respeito, estão preocupados com a imagem que as outras pessoas fazem deles. Tudo isso faz com que sua relação com as outras pessoas se torne um pouco complicada: “O que a outra pessoa pensa de mim? Será que me visto adequadamente? Será que me apresentei da forma correta?”

A nossa sociedade cobra muito das pessoas e isso é decorrência desse novo mundo em que vivemos, que supõe que todas as pessoas estejam on-line e, portanto, contatáveis o tempo todo. Assim, se eu não curtir uma foto de um amigo que também está on-line, ele poderá pensar que me esqueci dele. Dessa forma, há uma pressão e uma expectativa muito grandes para se viver à altura do que se espera de nós.

Eu encontro muitos jovens que estão com depressão. Em minhas conversas com eles, percebo elementos que denotam depressão, justamente em decorrência das altas expectativas envolvidas em todos os relacionamentos, sejam elas reais, sejam pressupostas.

O que os jovens estão procurando de fato são novas relações. Para se viver a felicidade em família, para se encontrar a paz, para encontrar um relacionamento verdadeiro, hoje, não é fácil. Também porque confiar em outro ser humano é um desafio e nós vemos a dificuldade e todos os perigos on-line que tornam desagradáveis ou mesmo tristes essas experiências, fazendo com que os jovens sejam cautelosos em seus relacionamentos. 

Outro ponto importante é que a secularização também conduziu as pessoas a uma maneira superficial de encarar os relacionamentos íntimos. O casamento não é mais considerado como algo que seria bom para as pessoas.

Os relacionamentos hoje tendem a se tornar cada vez mais raros. Se você não sabe exatamente o que é ter uma relação apropriada de amizade com alguém, alguém com quem você possa simplesmente conversar a respeito de tudo, alguém em quem possa confiar, aconteça o que acontecer, se você não tiver essa experiência, torna-se muito difícil entender, em todos os sentidos, que Deus quer se tornar o seu melhor amigo.

O SÃO PAULO: Se o senhor percebe que as pessoas têm essa dificuldade de confiar umas nas outras, o que fazer para que possam confiar em Deus?

Pe. Michel: Se nos voltarmos para nós mesmos, veremos que existe essa desconfiança entre relacionamentos reais, porque é algo inerente a todo ser humano. Nós inclusive sabemos, e eu acredito profundamente, que cada ser humano tem um anseio por Deus, embora não o conheçamos, não saibamos o seu nome, não saibamos onde está.

Para nós, Jesus Cristo é o amigo mais confiável, a companhia mais confiável, o pai mais confiável, a mãe, o irmão, dependendo de qual for a melhor imagem para você. E assim nós poderemos ajudar, até mesmo se não conhecerem relacionamentos perfeitos em suas vidas, a encontrar um relacionamento perfeito com Deus. Especialmente porque não existe em nossa vida diária, ao menos Deus nos permitirá encontrar o verdadeiro relacionamento. Isso, porém, requer coragem porque você tem que se entregar e, em muitos casos, entrar em uma luta interior entre aquilo que você sabe que no mais profundo do seu ser é verdadeiro, que, no fim, Deus o ama, e dar esse passo, por causa das más experiências nos relacionamentos humanos e também por causa da falta de testemunhos dos próprios católicos, em muitos casos.

Não se pode ver Deus, é impossível tocá-lo. Então você tem que experimentá-lo de uma maneira que não é a maneira que vivemos no nosso dia a dia, pois esta é muito superficial, e para encontrar Deus é preciso ir até seu ser interior, encontrar seu mais profundo ser, porque Deus está em nós, em todo ser humano.

É essencial perceber o quanto a mensagem de Jesus pode mudar a vida de indivíduos, de jovens e também de pessoas de mais idade, porém sobretudo os jovens, que estão crescendo e se tornando de fato quem são, têm que se tornar a criança dos adultos, a qual se tornará pai ou mãe e assim assumirá responsabilidades por si mesma, terá ideias por si mesma,  tomará  decisões por si mesma. Se conseguirem isso com Deus, a vida diária ficará muito mais perfeita, mais realizada; talvez não sejam capazes de perceber que a vida se torna também mais fácil, porém, nós podemos afirmar: como nossa vida é muito melhor e, não importa o que aconteça, Deus sempre estará lá para nos amar, nos acompanhar e nos reunir.

Muita gente tem imagens distorcidas de Deus e acreditam que Ele só se faz presente para checar e punir. Acredito que Deus não está nem um pouco interessado em nossos pecados. Deus é o perfeito amor e é totalmente o oposto do pecado. Ele está preocupado em nos ajudar para que nos levantemos novamente.

Ele sempre nos perdoa para que possamos alcançá-lo, justamente porque o pecado nos faz ficar distantes dele, porém seu amor faz com que nos reaproximemos, por meio do seu perdão. Penso que devemos tomar cuidado com imagens distorcidas de Deus, porque, de certa forma, somos chamados a viver como cristãos, porém se começarmos pelo lado errado, iremos dar ouvidos aos velhos preceitos e a obedecer a antigos mandamentos.

Em outras palavras, se prestarmos atenção à maneira como as pessoas olham para a Igreja, parece não haver espaço para a justiça nunca. É muito triste isso. Se você cresceu como cristão católico, você aprendeu como responder ao amor de Deus, você percebe o quantos os Mandamentos são úteis, porém precisamos dar um grande sim para nos comunicarmos, um grande sim para a vida, um grande sim para o amor, um sim para a presença de Deus, e a partir de então você será capaz de começar a entender melhor a fé.  

Acredito que nós precisamos considerar até que ponto estamos falando de Jesus. Nós iniciamos o nosso caminho pelo lado correto e, por isso, é preciso perguntar: como estamos vivendo a nossa fé? Nunca perfeitamente, claro, mas tentamos cada vez mais fazer o nosso melhor para progredir.

O SÃO PAULO: Sabemos que “Tuitando com Deus” foi seu primeiro projeto e já há um segundo em andamento. Poderia nos adiantar do que se trata essa nova iniciativa?

Pe. Michel: Como você já sabe, “Tuitando com Deus” é um livro, um site, um aplicativo, vídeos e conteúdo nas redes sociais, algo que você já conhece. O novo projeto também tem a mesma estrutura, com uma pequena diferença, que nós percebemos: há novas questões sendo enviadas, além das 200 já presentes no livro do primeiro projeto, com situações da vida diária como o uso de tatuagens e piercings, como Deus pode me ajudar quando estou deprimido, ou como posso utilizar os meios on-line para evangelizar.

Também percebemos nas redes sociais um apelo muito grande em relação à vida dos santos, com muitas curtidas daquilo que é vinculado a eles. As pessoas gostam muito de se inspirar na vida daqueles que foram santos. As pessoas são carentes de bons exemplos, gostam de saber das histórias de vida daqueles que conseguiram viver de uma maneira que muitas delas não conseguem. Penso também que é esse o contexto pelo qual as pessoas ficam furiosas quando alguém se comporta mal na igreja. Essas pessoas têm o desejo de se tornar santas. Assim, baseados nas perguntas que nos têm chegado, no fascínio exercido pelos santos, além de sua popularidade, e nas conversas que temos tido com os jovens, descobrimos que fazer algum projeto envolvendo os santos e suas histórias de vida seria uma opção acertada.

Assim, com a participação de uma grande equipe formada por jovens, começamos a desenvolver o novo projeto cujo nome é “On-line com os santos”. A ideia é que, por meio de um aplicativo, já disponível agora para download pelas lojas on-line, você consiga localizar o perfil do santo desejado nas redes sociais, como se fosse um Facebook dos santos, sendo que é como se fossem eles mesmos a fazer postagens a respeito do que acontece no seu dia a dia. Assim, por exemplo, um deles pode ter postado: “Hoje estava no jardim, meditando em Deus, e cheguei à conclusão de que o Senhor é maravilhoso”. Ou então: “Estou travando uma batalha porque não tenho conseguido viver de acordo com minha vida cristã”.

Dessa forma, diversas considerações postadas pelo próprio santo retratado, além de um pequeno vídeo no qual ele também aparece como que interagindo com que o assiste. A mesma imagem do santo encontrada no vídeo interativo pode ser encontrada também no livro homônimo.

O livro possui página dupla e por meio dele, logo num primeiro contato, pode-se aprender alguma coisa a respeito da vida do santo. Essa obra encontra-se disponível atualmente em inglês e romeno, sendo que seu conteúdo já está em produção para uma terceira língua; a versão em português, embora ainda não tenha sido iniciada, será contemplada futuramente, dado o grande interesse despertado pelos brasileiros até agora. 

O aplicativo já está disponível e mais material está em desenvolvimento para ele, sendo que, posteriormente, o livro acaba sendo um material de apoio.

O SÃO PAULO: Quais as impressões de alguém como o senhor que veio a São Paulo pela primeira vez? O que está achando da experiência de estar aqui em nossa cidade?

Pe. Michel: Tenho adorado estar aqui porque as pessoas sempre demonstram felicidade e alegria genuínas. Até mesmo na Igreja, durante as celebrações, é possível sentir que o povo aqui é muito alegre! Chamou-me a atenção o fato de as pessoas aqui nos receberem com os braços literalmente abertos! Sou estrangeiro, sou de fora, porém, mesmo assim, recebi esse tratamento tão bom!

Outra coisa que me chamou a atenção é quantidade de pratos diferentes que vocês comem aqui. Percebi que terei que voltar uma segunda vez porque foi simplesmente impossível experimentar tudo!

As pessoas aqui são realmente muito sinceras naquilo que dizem e penso que isso é muito positivo!

O SÃO PAULO: O senhor gostaria de deixar uma mensagem ao povo brasileiro?

Pe. Michel: Claro! Gostaria de convidar todos os brasileiros para que tirassem um minuto de seu tempo para considerar o seguinte: o que é mais importante para você e para a sua vida pessoal? Não permaneça na superfície, você poderá de alguma coisa prática para fazer, independentemente do que seja, porém reflita sobre o que pode ser mais importante para a sua existência. E posso ver que, neste caso, a resposta só pode ser Jesus Cristo. E tenho confiança de que seja, porque todo ser humano é convidado a realizar-se, agora ou futuramente. Nunca tenha medo dos questionamentos que você possa ter, porque há respostas a serem encontradas e, no fim, Jesus Cristo é a resposta para tudo, sejam as dificuldades, sejam as alegrias, sejam os sonhos da sua vida!

 

 

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Selos comemorativos dos 100 anos da cripta da Catedral da Sé

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05 de setembro de 2019

Por ocasião dos 100 anos da inauguração da cripta da Catedral da Sé, ocorrida em 16 de janeiro de 1919, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) fará uma emissão comemorativa de 180 mil selos, de seis diferentes tipos. 


Todos trarão na parte superior o característico teto da cripta, formado por abóbodas de tijolinhos aparentes. Em dois dos selos, estará retratada a escadaria que dá acesso à cripta, localizada sete metros abaixo do nível da Praça da Sé. Outros dois reproduzirão esculturas que representam Jó e São Jerônimo: simbolizam a morte e a ressurreição, e foram esculpidas em mármore Carrara pelo escultor paulista Francisco Leopoldo e Silva, especialmente para o edifício. O altar da cripta também será retratado. Por fim, marcando a presença das importantes personalidades cujos restos mortais estão abrigados na cripta centenária, um dos selos trará a reprodução da medalha que orna o túmulo de Dom Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo de São Paulo entre 1908 e 1938 e responsável pelo desenvolvimento do projeto de construção e início das obras da Catedral.


No edital para a emissão dos selos, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, apresentou uma breve história da cripta: “Foi a primeira parte concluída do novo templo na reformulada Praça da Sé – que substituía o antigo largo de mesmo nome, quatro vezes menor”. Por causa do enorme crescimento experimentado com o sucesso da economia do café, “a simplicidade da antiga catedral, de estilo barroco e construída em taipa de pilão, não parecia mais adequada à grandeza da cidade”. Além dos túmulos dos bispos e arcebispos que governaram São Paulo, a cripta conta com “a presença de outros personagens importantes para a história da cidade e do País”, como o cacique Tibiriçá e o regente imperial Diogo Antônio Feijó.


“Quando lançou a ideia de construir uma nova catedral para São Paulo, Dom Duarte proferiu um discurso em sua residência afirmando que os católicos paulistas gostariam de uma catedral grandiosa ‘que, testemunhando a fartura dos nossos recursos materiais, seja também hino de ação de graças a Deus Nosso Senhor’”.


Dom Odilo, em consonância com seu predecessor, expressou o desejo de que a Catedral continue sendo a casa de Deus que habita esta cidade.
 

(Com informações de Correios)

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Em Moçambique, a vivência de um caminho de fraternidade

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16 de outubro de 2019

Desde que ingressou na Fraternidade O Caminho, há 16 anos, Frei Boaventura dos Pobres de Jesus Cristo, PJC, cultivou “um grande ardor de poder sair em missão” no Brasil ou no exterior.


Após vivenciar diferentes realidades missionárias nos Estados do Pará, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraná, São Paulo, Piauí e Rio de Janeiro, e também no Paraguai, Bolívia, Chile e Argentina, o Frei está, há 16 meses, na Diocese de Pemba, em Moçambique. Sua ida aconteceu após um convite do Regional Sul 1 para que a Fraternidade O Caminho ficasse responsável por um dos projetos da Missão África-Pemba, mantida pelas dioceses do Regional em resposta a um apelo de Dom Luís Fernando Lisboa, Bispo de Pemba.


Formada por consagrados, sacerdotes e leigos, a Fraternidade surgiu em 2001, na periferia da zona Sul de São Paulo, com o propósito de resgatar jovens entregues às drogas. “Sempre foi um sonho da Fraternidade poder servir em terras distantes e dialogar com culturas diferentes. E, também, como missionário, era o meu grande sonho”, contou, ao O SÃO PAULO, o Frade paulistano de 35 anos de idade. 

De coração aberto e sempre confiante na providência divina 


Em Moçambique, a Fraternidade O Caminho tem sua base de missão na aldeia de Nangade, distante 400km de Pemba. Frei Boaventura e a Irmã Hadasse coordenam as atividades, que incluem a responsabilidade por uma paróquia com 63 comunidades e a manutenção de uma escola de educação infantil para crianças de 4 a 5 anos e de um centro de nutrição, criados por causa dos altos índices de analfabetismo e de desnutrição infantil. Esses ambientes foram inaugurados pelo Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em 16 de agosto, durante a visita missionária pastoral que realizou a Pemba. 


“Os desafios foram diversos no início da missão, uma vez que estávamos indo para um lugar onde seríamos os primeiros a morar como missionários, além de ser uma zona de risco, devido aos muitos ataques que enfrentamos nesta região. Não dispúnhamos de nenhuma estrutura. Iniciamos do zero”, contou o Frade. Ele assegurou que os missionários sempre mantiveram plena confiança na Providência Divina e no “grande amor que temos pelos pobres e pelo Reino de Deus”. 

Realidade social e religiosa


As orações, a Liturgia das Horas, a realização dos serviços domésticos e os momentos de convivência em comunidade são parte das atividades diárias dos dois frades e das quatro irmãs da Fraternidade O Caminho em Moçambique.


“Não existe uma rotina, pois estamos vivendo em uma missão na África, em uma aldeia. A cada momento, somos surpreendidos com uma situação diferente”, relatou o Frade. “Encontramos o rosto de Cristo em um povo que sofre a pobreza, a precariedade na saúde, no estudo, sem contar os grandes desafios sociais que tudo isso permite à população”, comentou.

Um povo feliz e que deseja assumir a fé 


Em Nangade, como assegurou Frei Boaventura, os missionários não têm encontrado resistências aos trabalhos que realizam, “mas no restante do continente, é de conhecimento de muitos que existem muitas realidades resistentes, como a perseguição religiosa”. O Frade afirmou que em Moçambique “existe um povo sedento de Deus e que deseja assumir a fé. Porém, há poucos recursos, o que nos impede de avançar. A messe é grande, mas os operários são poucos”.


As adversidades, porém, não desmotivam os missionários. “Não há como estar aqui e viver junto com o povo e não amar e querer doar a sua vida por aqueles que o Senhor nos confia”, comentou o Frade.


No dia que regressar ao Brasil, ele está certo que voltará “com um coração grato a Deus por tudo o que Ele me possibilitou viver e aprender de um povo feliz, as mais belas riquezas humanas”, entre as quais, “que não precisamos de coisas para ter a felicidade, mas é necessário somente ter um ao outro e desfrutar das possibilidades que temos”. 
 

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Papa Francisco abençoa 6 mil Terços para a Síria

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16 de outubro de 2019

O Papa Francisco abençoou 6 mil Terços destinados à Síria durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, em 15 de agosto, na Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Os Terços serão dados aos cristãos na Síria que tiveram familiares sequestrados ou assassinados na guerra civil que se estende desde 2011. A iniciativa do Santo Padre foi o gesto para apoiar e incentivar a campanha ecumênica “Consola meu povo”, promovida pela ACN em conjunto com igrejas católicas e ortodoxas na Síria. “Os Terços, feitos por iniciativa da ACN, são um sinal da minha proximidade aos nossos irmãos e irmãs na Síria. Continuamos a rezar o Rosário pela paz no Oriente Médio e em todo o mundo”, disse o Papa Francisco.


A campanha “Consola meu povo” irá distribuir os Terços abençoados pelo Papa entre diferentes comunidades cristãs na Síria, em 15 de setembro, na ocasião da festa de Nossa Senhora das Dores. O objetivo da campanha é homenagear as vítimas da recente guerra civil e oferecer apoio espiritual e conforto aos parentes das vítimas.


Thomas Heine-Geldern, presidente-executivo da ACN, e alguns diretores de escritórios europeus da entidade se encontraram com o Papa Francisco na Casa Santa Marta, no Vaticano, antes do Angelus, quando o Santo Padre elogiou o trabalho da ACN e desta iniciativa ecumênica: “Agradeço à ACN por tudo o que faz. Quando rezamos pelas pessoas na Síria, chegamos perto delas”, disse o Sumo Pontífice.


O Presidente da ACN disse que estava profundamente comovido com o gesto do Papa. “O Santo Padre manifestou em várias ocasiões o seu apoio e aprovação pelo nosso empenho na Síria e no Oriente Médio. Para as famílias das vítimas da guerra, esses Terços abençoados são um sinal de que o Papa e toda a Igreja estão com eles em oração. Esta é uma grande fonte de conforto”, disse.


Desde o início do conflito em 2011, o apoio aos cristãos na Síria tem sido uma prioridade da ACN, conforme mencionou o presidente Heine-Geldern. Graças à generosidade dos benfeitores, a entidade pôde apoiar um total de 850 projetos no País, permitindo que muitas famílias cristãs permanecessem em suas casas, em vez de emigrar. “O dinheiro é importante, mas não é suficiente. Assim como a ajuda material, as pessoas na Síria necessitam de apoio espiritual e moral, pois vivem numa situação desesperadora. Juntamente com os nossos benfeitores em todo o mundo, a ACN está empenhada em ajudá-las”, concluiu Heine-Geldern.


A campanha “Consola meu povo” acontecerá em várias cidades da Síria, no dia 15 de setembro. Haverá orações comemorativas e procissões, e os fiéis cristãos rezarão pelos mortos e pelo consolo e apoio de suas famílias. Os Terços, que foram feitos em Belém e Damasco e abençoados pelo Papa Francisco como um sinal especial de apoio espiritual, serão entregues àqueles que perderam familiares sequestrados ou mortos durante a guerra. E em 15 de setembro, o Papa Francisco voltará a associar-se à iniciativa, abençoando um ícone de Nossa Senhora das Dores, Consoladora dos sírios.

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‘Precisamos de uma investigação independente acerca dos ataques’

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16 de outubro de 2019

Procurando estabelecer a justiça e a verdade, os Bispos da Conferência Episcopal do Sri Lanka, por meio de carta-denúncia, requisitaram uma investigação “independente e imparcial” sobre os ataques contra igrejas ocorridos no País na Páscoa deste ano. Há aproximadamente quatro meses, três igrejas e três hotéis na cidade de Colombo foram alvo de ataques terroristas que vitimaram 263 pessoas e machucaram outras 600. 


Prelados da Igreja, que já criticavam as investigações conduzidas pelo governo, novamente demonstraram descontentamento com a ineficiência da Polícia. Na ocasião, 14 bispos do País assinaram o Comunicado da Conferência Episcopal.


A carta-denúncia enfatiza que “embora apreciáveis os vários esforços de restauração das igrejas realizados por parte do governo, o mais importante é fazer justiça levando os responsáveis perante a lei rapidamente”. Segundo os Prelados, os ataques de abril ainda causam medo nos fiéis quando se dirigem às igrejas do País. 


A crítica dos bispos ocorreu poucos dias depois que o Primeiro-Ministro do País, Ranil Wickremesinghe, admitiu culpa do governo por sua ineficiência em impedir os ataques. Entretanto, o Primeiro-Ministro culpou apenas dois altos funcionários do alto escalão do governo, que foram afastados do cargo para serem presos.  


Os Prelados notaram, entretanto, que as investigações não podem se limitar aos responsáveis pela omissão do governo, mas devem descobrir os mandantes dos ataques, quais foram suas motivações e seus cúmplices. Os Bispos lamentaram que nas investigações “não há sinal positivo algum que aponta nessa direção”. 
 

Fontes: Vatican News/ Asia News

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"Vim para Pemba movido pela fé, e pela fé sou mantido’

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16 de outubro de 2019

Durante a visita pastoral à Diocese de Pemba, em Moçambique, o Cardeal Scherer, juntamente com a comitiva que o acompanhou, visitou, entre outras, a Missão de Mazeze. O nome da missão corresponde ao do distrito onde está assentada, 204km distante de Pemba, principal município e capital política da Província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. 


Mazeze reúne 25 aldeias e é lá que trabalha o Padre Salvador Maria Rodrigues de Brito, um dos sacerdotes brasileiros enviados pelo Regional Sul 1 da CNBB à Diocese de Pemba, por meio do Projeto Missão África-Pemba. 


Jovem de 36 anos, oito anos de ordenado, pertencente à Diocese de Guarulhos (SP), Padre Salvador chegou a Moçambique em fevereiro de 2017 a convite de Dom Luís Fernando Lisboa. Desde então, é o responsável pela Área Pastoral Nossa Senhora da África, em Mazeze, e Administrador da Paróquia Santa Marta, localizada no Distrito de Mecuf, região de maioria muçulmana. As duas comunidades estão 70km distante uma da outra, o que faz com que o Padre Salvador esteja domingo sim, domingo não, em cada uma delas. Ele contribui ainda como diretor espiritual do seminário diocesano. 

Protagonismo dos leigos


Em entrevista ao jornal O SÃO PAULO, o jovem sacerdote falou sobre o importante papel dos leigos na evangelização e transmissão da fé católica em Moçambique, sobretudo logo após a instauração do governo marxista na década de 1970. 


Segundo conta, os leigos da Diocese de Pemba têm um papel fundamental para a vida das comunidades: são eles que catequizam, organizam grupos de oração e círculos bíblicos e, onde não há padres, reúnem os fiéis para a celebração da Palavra aos domingos.


Esse protagonismo laico foi fortalecido durante a Revolução que levou Moçambique à independência de Portugal. Na ocasião, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), de ideologia marxista, expulsou os portugueses do País e com eles, todos os missionários. Igrejas, conventos, escolas e instituições católicas foram confiscadas pelo governo marxista que se instalou. 


“Frente a essa situação, os leigos católicos assumiram a responsabilidade de dar continuidade ao que os missionários tinham implantado. Para tanto, reuniam-se em assembleias e grupos de oração, escondiam imagens de santos na terra, transportavam a Eucaristia das sedes episcopais para as suas comunidades, tudo na maior clandestinidade e fazendo frente à arbitrariedade e perseguição religiosa imposta pelo novo governo”, contou o Sacerdote à reportagem.

Testemunho de fé
A vocação missionária do Padre Salvador foi despertada quando ele era ainda um jovem vocacionado. O testemunho de seu Pároco, Padre Guilherme Mayer, missionário proveniente da Alemanha, na Paróquia de Santo Antônio de Pilão Arcado, da Diocese de Juazeiro, na Bahia, foi determinante. 


“Em pleno sertão da Bahia, Padre Guilherme percorria quilômetros em estrada de terra, evangelizando, visitando doentes, formando núcleos de oração e formação, levando as pessoas até Deus e sendo, para elas, a presença de Jesus Cristo. Fui batizado por ele. Padre Guilherme fundou ainda creches, postos de saúde e construiu as primeiras cisternas com ajuda financeira da Alemanha, onde ‘passava o chapéu’”, contou.


Como seminarista, Salvador realizou diversas experiências de missões populares, participou de congressos missionários e encontros estaduais promovidos pelo Conselho Missionário Nacional do Celam (Comina) e de uma missão de 40 dias no sertão da Bahia, realizada pela Diocese de Guarulhos (SP). Uma vez ordenado sacerdote, ajudou no desenvolvimento de diversos programas de missões populares em sua própria diocese.


“Vim para Pemba movido pela fé, e pela fé sou mantido. A fé mantém minha esperança viva e isso me faz perseverar, confiando sempre em Jesus Cristo. Ele é a maior razão de eu estar aqui. Com Ele, por Ele e para Ele. Reconduzir todas as coisas para Deus e ajudar a implantar o Seu Reino é a minha razão de viver.”


Alegria, fé, acolhimento, esforço para receber os sacramentos, piedade cristã, superação são algumas das palavras usadas pelo jovem missionário para descrever seu encanto com o povo moçambicano. 


Não há dúvida de que esse vibrante Sacerdote, de olhar profundo e sorriso aberto, segue os mesmos passos de seu primeiro mentor espiritual. (MR)

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Mentalidade urbana exige uma pastoral mais missionária e sinodal

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16 de agosto de 2019

Urbanidade, missionariedade e sinodalidade foram as palavras-chave que pautaram as reflexões do 17º Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral do Clero da Arquidiocese de São Paulo, realizado entre os dias 5 e 8, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP). 
O assessor principal do evento foi Dom Joel Portella Amado, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele integrou a comissão de elaboração das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas na última Assembleia Geral da CNBB, em maio, tendo como foco a “Igreja na cidade”. 


Doutor em Teologia Pastoral, Dom Joel realizou seus estudos principalmente nos temas de evangelização, inculturação, pastoral urbana, teologia e urbanização. Para o clero arquidiocesano, ele desenvolveu a temática levando em conta o contexto vivido pela Igreja em São Paulo com a realização do sínodo arquidiocesano. 


“A Arquidiocese de São Paulo vivencia um tempo muito bonito com o sínodo. No momento, vive a fase de analisar as consultas. Torna-se, portanto, necessário voltar-se para um instrumental que ajude a interagir com as informações coletadas”, afirmou o Bispo em entrevista ao O SÃO PAULO.

PASTORAL URBANA?
O Secretário-Geral explicou, ainda, que essa reflexão vai além da compreensão usual de “pastoral urbana”, cujo conceito possui vários significados, sendo o mais usual aquele que identifica urbano e cidade. “Nesse sentido, ela [a pastoral urbana] seria, então, o modo como a Igreja vive sua missão nas metrópoles ou megalópoles, as cidades imensas demograficamente e com um estilo próprio de viver. Esse sentido não é satisfatório para explicar a realidade”, afirmou.


“As atuais Diretrizes, ainda em sua fase de preparação, enfrentaram esse problema, pois, se identificamos, sem mais, urbano com cidade, corremos o risco de passar a ideia de que o mundo chamado de rural está totalmente de fora. Para superar esse risco, as Diretrizes chamaram a atenção para o fato de que o mundo atual está se tornando cada vez mais urbano. E isso não apenas porque as pessoas estão migrando do campo para as cidades, mas também, e acima de tudo, porque a mentalidade e o jeito de lidar com a vida que se gesta nas megalópoles se espalham por todos os ambientes, em especial com a ajuda dos meios de comunicação, notadamente a internet”, ressaltou o Assessor. 

URBANIDADE E MISSIONARIEDADE
Por essa razão, ele usa o termo urbanidade, como “um jeito de compreender a vida e lidar com ela, que acontece de modo mais intenso nas grandes cidades e que se espalha pelos outros ambientes que não são cidades imensas”. Esse modo de vida é caracterizado, dizendo de modo resumido, por alguns fatores: individualização, pluralização e mobilidade, entre outros”, acrescentou Dom Joel.


Como consequência, essa mentalidade exige da Igreja uma outra maneira de compreender e concretizar sua missão. “A Igreja é sempre missionária. Não pode deixar de ser. Muda, porém, o jeito como ela vive sua missão. A missionariedade marcada pela urbanidade implica, entre outros aspectos, anunciar Jesus Cristo e possibilitar a vida de comunidade tão própria dos que O seguem”, frisou o Bispo.

SINODALIDADE
Uma vez que a urbanidade afeta a missionariedade, isso exige a sinodalidade. “Esta expressão é a forma como hoje estamos abordando a comunhão das diversas formas de viver a beleza da experiência de Igreja. São Paulo utilizou a imagem do corpo. Na época do Concílio Vaticano II, falou-se, por exemplo, em colegialidade. Falou-se, também, em eclesiologia de comunhão. Atualmente, a partir das indicações feitas pelo Papa Francisco desde 2013, quando iniciou seu pontificado, temos falado em sinodalidade”, explicou Dom Joel.


“Num mundo cada vez mais urbano e, por isso mesmo, cada vez mais plural, é preciso que a missionariedade seja concretizada de modo também plural, diversificado. Só que essa pluralização não é suficiente. Deve-se encontrar a unidade. A sinodalidade é esse caminhar juntos rumo a um objetivo comum”, completou o Secretário-Geral.

DESAFIOS
Sobre os desafios da pastoral nos grandes centros urbanos, Dom Joel enumerou alguns considerados mais importantes e urgentes. O primeiro deles é “apresentar Jesus Cristo e despertar, acima de tudo pelo testemunho, o fascínio por segui-Lo na comunidade eclesial”. 
“Em segundo lugar, é preciso que a pastoral acompanhe os ritmos de tempo e espaço da vida nas grandes cidades. As comunidades necessitam se multiplicar, capilarizando-se, mas, também, adaptando-se aos ritmos de tempo das pessoas” indicou. 


Dom Joel Portella também chamou a atenção para os desafios da pobreza e da violência. “A Igreja, ao concretizar sua missionariedade nas grandes cidades, precisa ser um instrumento de solidariedade, reconciliação e paz”.

MASSAS E COMUNIDADES
Durante sua apresentação, o Bispo recordou aos padres a respeito da existência de dois grandes caminhos na ação evangelizadora nas grandes cidades. “Um caminho é o do trabalho com as multidões, o trabalho, como se costumava dizer, com as massas. O outro caminho é o das pequenas comunidades. Esses dois trabalhos não são opcionais, no sentido de que se pode fazer um ou outro”, afirmou.


“As Igrejas nas grandes cidades necessitam seguir por esses dois caminhos, articulando-os. Não há como ficar apenas com o trabalho em grandes eventos sem pequenas comunidades que forneçam o suporte, nem há como ficar somente com o trabalho em pequenas comunidades sem a presença maior na cidade, presença que fala à própria cidade e ajuda as pequenas comunidades a se fortalecerem em si e entre si”, concluiu Dom Joel.

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Clero é chamado a engajar-se pelas vocações na Arquidiocese

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09 de agosto de 2019

Na sexta-feira, 2, a Paróquia São Carlos Borromeu, na Região Episcopal Belém, acolheu os padres da Arquidiocese de São Paulo para a tradicional confraternização do clero. Esse encontro acontece anualmente em virtude das comemorações do Dia do Padre, celebrado em 4 de agosto, em memória à data de falecimento de São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes. 


Com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, dos bispos auxiliares da Arquidiocese – Dom Devair Araújo da Fonseca, Dom Eduardo Vieira dos Santos, Dom José Benedito Cardoso, Dom José Roberto Fortes Palau, Dom Luiz Carlos Dias, além do Monsenhor Jorge Pierozan, recém-nomeado bispo auxiliar – e de diversos sacerdotes, diáconos permanentes e seminaristas, o encontro foi marcado pelo estímulo à vivência do sínodo arquidiocesano e pela necessidade de se fomentar as vocações na Arquidiocese de São Paulo. 


Por meio de um convite a refletir o que já foi realizado até aqui e também para pedir ao Senhor as disposições necessárias ao seguimento no caminho exigido para atender às necessidades da Igreja em São Paulo, o momento de oração foi aberto com o Hino do sínodo arquidiocesano, e seguido da acolhida de Dom Odilo a todos os presentes. Na sequência, cantou-se o Salmo 23 e proclamou-se o Evangelho, com a passagem bíblica a respeito de ser “sal da terra e luz do mundo”.

Animação vocacional
A reflexão seguinte ficou sob a responsabilidade do Padre José Carlos dos Anjos, Animador Vocacional da Arquidiocese, que se dirigiu a todo o clero, pedindo que cada um se tornasse um animador vocacional e incentivasse os jovens a discernir seu possível chamado ao ministério ordenado e à vida religiosa, tão necessários para se prover a Igreja de mais homens e mulheres santos, que se disponham a trabalhar pelo Reino de Deus.  


Posteriormente, Dom Odilo relembrou que o mês de agosto é dedicado às vocações em geral e não somente àquelas referentes ao ministério ordenado, isto é, também à família, ao casamento, à vida religiosa e consagrada e aos diversos ministérios laicais na Igreja. Destacou, ainda, a responsabilidade de todos no processo de discernimento relacionado à vocação ao ministério ordenado e à vida religiosa e consagrada. 


“A iniciativa da CNBB ao proclamar agosto como mês vocacional deve aprofundar em todas as comunidades da Igreja a consciência vocacional, ou seja, todas elas são chamadas a apoiar e incentivar as vocações, a partir de si mesmas, em seus contextos e realidades. Dessa forma, deve haver consciência das próprias comunidades a respeito da importância de participar dessa preocupação com as vocações”, afirmou o Arcebispo. 

Pré-Congresso Vocacional
Dom Odilo evidenciou ainda a iniciativa da Arquidiocese com a realização do Pré-Congresso Vocacional, no Colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, nos dias 2 e 3 (leia mais na página 11), em preparação ao 4º Congresso Vocacional do Brasil, que acontecerá em Aparecida (SP), em setembro. “Os desafios atuais para se despertar as vocações sacerdotais e religiosas nos nossos jovens são muitos, justamente porque hoje há muitos apelos do mundo que podem desviá-los do caminho. É preciso ajudá-los de forma concreta a discernir seu chamado”, concluiu.  


Após o momento oracional, todos foram convidados pelo Padre Fausto Marinho Carvalho Filho, membro do Conselho de Presbíteros da Arquidiocese de São Paulo, e pelo Padre Christian Uptmoor, Administrador Paroquial da Paróquia São Carlos Borromeu, a participar de um brunch de confraternização no salão paroquial.
 

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Mais de 200 mil católicos abandonam a Igreja na Alemanha em 2018

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26 de julho de 2019

Nesta sexta-feira, 19, a Conferência Episcopal Alemã publicou os dados sobre a variação do número de cristãos do País. Em 2018, a Igreja Católica perdeu pouco mais de 216 mil membros na Alemanha (aproximadamente 168 mil em 2017), enquanto nas denominações protestantes a perda foi de cerca de 220 mil membros.
Atualmente, 23 milhões de alemães se declaram católicos, de um total de 83 milhões de habitantes. Considerando os aproximadamente 21 milhões de protestantes, do total da população da Alemanha, 53% são cristãos.
Quanto aos sacramentos, houve um ligeiro aumento no número de matrimônios em relação ao ano de 2017, mas queda no número de batismos e de primeiras comunhões.
Ademais, passaram a fazer parte da Igreja Católica 2.442 pessoas em 2018 (em 2017, 2.647), e retornaram a ela após um período de abandono 6.303 (em 2017, 6.685).
A exatidão das estatísticas deriva do fato de que parte dos impostos são revertidos de acordo com as respectivas indicações fiscais. Assim, aproximadamente 9% da renda tributável dos cristãos é revertida para as Igrejas.
De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Freiburg, essa tendência de declínio tende a persistir, e a previsão é de que o número de pessoas pertencentes à Igreja Católica ou ao luteranismo (principal denominação protestante na Alemanha) se reduza pela metade até 2060. Os principais motivos para tal queda seriam os adultos que abandonam a fé, o menor número de batismos e o envelhecimento da população.
 

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