Dom Valmor Oliveira de Azevedo faz balanço da 100ª reunião do Conselho Permanente

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29 de novembro de 2019

Terminada a 100ª reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que aconteceu em Brasília (DF), de 26 a 28 de novembro, o Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da entidade, Dom Walmor Oliveira de Azevedo fez um balanço dos debates e encaminhamentos do encontro.

Em um vídeo gravado com exclusividade pela assessoria de imprensa da entidade, Dom Walmor compartilha a preocupação dos bispos com a assessoria política e análise da conjuntura social e eclesial. “Não podemos caminhar sem conhecer a realidade, ela nos desafia. Precisamos conhecê-la para darmos respostas à luz dos valores intocáveis e inegociáveis do Evangelho”, disse.

Na ocasião, Dom Walmor compartilhou a experiência “bonita” dos testemunhos de irmãs de várias congregações no Haiti com os mais pobres. “Ouvimos de nossos irmãos bispos experiências missionárias importantes e, ao mesmo tempo, a experiência bonita de uma igreja viva missionária presente”, afirmou.

O Arcebispo destacou também a importância do trabalho com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. “Estamos nós agora empenhados a fazer da Igreja casa da Palavra, casa do Pão, casa da Missão e casa da Caridade”, disse. E por isso, dom Walmor salientou que os bispos escolheram como temática da 58ª Assembleia Geral da CNBB, a ser realizada em abril de 2020: “Evangelizar pelo anúncio da Palavra de Deus”.

Por fim, outro assunto de destaque citado no vídeo por Dom Walmor é a atuação da Comissão Especial para a Tutela de Menores. “Estamos realizando esse trabalho grande de enfrentar o crime da pedofilia e como Igreja darmos a resposta que devemos”, garantiu. Outros temas como a criação do regional Leste 3 e a importância do Conselho Episcopal Latino-Americano, o Celam, foram abordados pelo Arcebispo.

Confira, abaixo, o vídeo na íntegra:

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Nomeação para o Brasil

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11 de julho de 2018

O Santo Padre na quarta-feira, 11, nomeou para a Arquidiocese de Fortaleza dois novos bispos auxiliares. Padre Júlio Cesar Souza de Jesus, incardinado na Arquidiocese de Teresina no Piauí e Padre Valdemir Vicente Andrade Santos, incardinado na Arquidiocese de Aracaju em Sergipe.

 

Dom Júlio Cesar Souza de Jesus 

O Rev. Júlio César Souza de Jesus nasceu em 27 de julho de 1971 em Goiânia no Estado de Goiás. Concluiu seus estudos em Filosofia na Universidade Estadual do Ceará (1991-1993) e os de Teologia no Seminário Maior de Teresina (1994-1997). Obteve então uma Licenciatura em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (2005-2007).

Foi ordenado sacerdote em 27 de junho de 1998 para a Arquidiocese de Teresina, onde ocupou os seguintes cargos: Pároco de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Demerval Lobão (1998-2006) e de Santa Luzia em Teresina (2009) -2014), Vice-Reitor do Seminário Maior para os alunos de Filosofia (2007-2013). Atualmente é pároco na Paróquia  Menino Jesus de Praga em Teresina, professor do Seminário Maior, Diretor Espiritual e professor da Escola Diaconal.

 

Dom Valdemir Vicente Andrade Santos

O Rev.do Valdemir Vicente Andrade Santos nasceu em 05 de janeiro de 1973 a Aracajú, em Sergipe. Completou seus estudos em Filosofia no Seminário Maior de Aracaju (1997). Foi então enviado à Roma, onde obteve a Licenciatura (2001) e Licença (2003) em Teologia no Ateneu Regina Apostolorum dos Legionários de Cristo.

Ele foi ordenado sacerdote dia 24 de agosto de 2001 e foi incardinado na Arquidiocese de Aracaju, no qual  ocupou os seguintes cargos: Pároco em Aracaju nas paróquia de "São Francisco de Assis" (2003-2006) e "Nossa Senhora de Fátima "(2010-2013), Administrador Paroquial de" Nossa Senhora da Soledade " em Aracaju (2004), Professor no Seminário Maior (2004), Reitor do Seminário Menor (2006-2010),  Representante clero local (2010-2014 ) e, finalmente, chanceler (2014-2016). Além disso, foi Vigário paroquial na paróquia de São José esposo de Maria na diocese de Albano, Itália (2001-2003). Atualmente é vigário geral e pároco da "Nossa Senhora de Lourdes" em Aracaju.

 

História da Arquidiocese de Fortaleza

A diocese do Ceará foi criada em 1853 por um decreto do Imperador Dom Pedro II. No ano seguinte, em 6 de junho de 1854, o papa Pio IX expediu a Bula Pro animarum salute, criando a Diocese nos trâmites da Igreja. As dioceses só podiam ser criadas pelo papa após o decreto imperial. A bula papal só foi oficializada em 1860, depois de sete anos de briga entre Vaticano e o Estado brasileiro. Desmembrada de Olinda, a Diocese era quase todo o território da Província do Ceará.

Civilmente, o Ceará já se havia emancipado da Província de Pernambuco desde 1799. Eclesiasticamente, até 1854, era apenas Vigararia Forânea da Diocese de Olinda. O território da nova Diocese era quase o mesmo do atual Estado do Ceará. Faltavam apenas as paróquias de Crateús e Independência, ligadas a São Luis do Maranhão.

A população da Diocese, neste tempo, calculava-se em 650.000 habitantes. A população era quase totalmente católica, pois o recenseamento de 1888 registra apenas cento e cinqüenta protestantes e uma dúzia de judeus. A cidade de Fortaleza constava de cerca de 9.000 habitantes.

Nessa época havia na Diocese 34 paróquias e um curato. O número de igrejas era de 78 e o de capelas 11, em toda a província do Ceará.

Antes de ser diocese, o Bispo de Olinda (e antes dele o da Bahia) nomeava Visitadores Eclesiásticos para a Vigararia do Ceará. O primeiro desses visitadores foi Frei Félix Machado Freire (1735) e último foi Padre Antonio Pinto de Mendonça (1844 a 1881).

O primeiro bispo da Diocese foi Dom Luis Antonio dos Santos.

A Diocese do Ceará, com a criação das Dioceses de Crato e Sobral, foi elevada a Arquidiocese de Fortaleza, em 10 de novembro de 1915, pela Bula “Catholicae Religionis Bonum”do Papa Bento XV. Em 1939, deu-se criação da Diocese de Limoeiro do Norte; em 1960, criação da Diocese de Iguatu e em 1963 foi criada da Diocese de Crateús e em 1971 as Diocese de Itapipoca, Quixadá e Tianguá.

A Arquidiocese de Fortaleza terminou o ano de 2010 com 104 paróquias e 12 áreas pastorais, sendo 57 paróquias e 8 áreas pastorais no município de Fortaleza (4 Regiões Episcopais), e 47 paróquias e 5 áreas pastorais distribuídas em outros 30 municípios (5 Regiões Episcopais), em um raio de cerca de 100 Km no entorno de Fortaleza.

 

Datas importantes

  • 1607 – Chegada dos primeiros missionários jesuítas. Padre Francisco Pinto e padre Luís Figueira.
  • 1608 – Fundação do primeiro aldeamento missionário da Ibiapaba – Aldeia de São Lourenço e martírio do padre Francisco Pinto.
  • 1611 – Chegada do padre Baltazar João Correia junto com a expedição de Martim Soares Moreno.
  • 1649 – Estabelecimento de uma missão protestante, aos cuidados do pastor inglês Tomás Kemp durante a segunda tentativa de ocupação holandesa.
  • 1654 – Martírio do pastor Tomás Kemp na revolta indígena que sucedeu a expulsão da Companhia das Índias Ocidentais do Recife.
  • 1656 – Os jesuítas Pedro Pedrosa e Antonio Ribeiro retomam a evangelização dos índios do Ceará. 
  • 1660 – O padre Antônio Vieira visita pessoalmente a Ibiapaba.
  • 1758 – A Companhia de Jesus é expulsa do Brasil por ordem do Marquês de Pombal. As aldeias jesuítas do Ceará, entre elas os atuais bairros de Parangaba, Messejana, e as cidades de Caucaia, Viçosa, Baturité entre outras, passam à categoria de Vilas Reais.
  • 1853 – Lei Geral nº 693 autoriza o governo imperial a solicitar da Santa Sé a criação do bispado do Ceará, desmembrado do bispado de Olinda.
  • 1859 – O padre Luís Antônio dos Santos é nomeado primeiro bispo do Ceará.
  • 1861 – Instalação do bispado e posse do primeiro bispo.
  • 1864 – Fundação do Seminário da Prainha.
  • 1870 – A Igreja do Ceará participa, pela primeira vez, de um Concílio Ecumênico, na pessoa de dom Luís Antonio dos Santos (Concílio Vaticano I)
  • 1881 – Chegada do missionário presbiteriano, Rev. De Lacy Wordlaw.
  • 1889 – Acontecem os primeiros fenômenos religiosos em Juazeiro envolvendo o padre Cícero Romão Batista.
  • 1914 – Elevação da diocese do Ceará à categoria de arquidiocese. Criação da diocese do Crato.
  • 1915 – Criação da diocese de Sobral.
  • 1938 – Criação da diocese de Limoeiro.
  • 1961 – Criação da diocese de Iguatu.
  • 1964 – Criação da diocese de Crateús.
  • 1971 – Criação das dioceses de Quixadá, Tianguá e Itapipoca.
  • 1973 – Nomeação de dom Aloísio Lorscheider para arcebispo de Fortaleza.
  • 1976 – Dom Aloísio é criado e publicado cardeal pelo papa Paulo VI
  • 1978 – Dom Aloísio é o primeiro bispo do Ceará a participar de dois conclaves.
  • 1980 – O papa João Paulo II visita o Ceará.
  • 1995 – Dom Aloísio pede transferência para a arquidiocese de Aparecida por motivos de saúde.
  • 1996 – Dom Cláudio Hummes é nomeado arcebispo de Fortaleza.
  • 1998 – Dom Cláudio é transferido para a arquidiocese de São Paulo.
  • 1999 – Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques é nomeado arcebispo de Fortaleza.

 

(Com informações Arquidiocese de Fortaleza)

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Leigos são sujeitos e não beneficiários da missão da Igreja

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16 de março de 2018

A vida e a missão dos cristãos leigos na Igreja e na sociedade foram a temática do Simpósio do Ano Nacional do Laicato, realizado pela Arquidiocese de São Paulo nos dias 10 e 11, no campus Santana da PUC-SP.   

O evento reuniu representantes das diferentes organizações dos leigos presentes na Igreja em São Paulo – pastorais, movimentos, associações, novas comunidades e demais organismos – para aprofundarem o estudo do Documento 105 da CNBB, com o título “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – Sal da terra e luz do mundo (Mt, 13-14)”. Aprovado em 2016, o Documento foi trabalhado nas assembleias da CNBB em 2014 e 2015. 

O Simpósio contou com três conferências que apresentaram cada um dos três capítulos do Documento. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, aprofundou o primeiro capítulo – “O cristão leigo, sujeito na Igreja e no mundo: esperanças e angústias”; Vinícius Rodrigues Simões, Coordenador Estadual da Renovação Carismática Católica (RCC) no Rio de Janeiro, falou sobre o segundo capítulo – “Sujeito eclesial: discípulos-missionários e cidadãos do mundo”; e Cláudio Zorzan, Professor da Faculdade de Teologia da PUC de Campinas (SP), tratou do terceiro capítulo – “Ação transformadora na Igreja e no mundo”.

Antes de falar propriamente do Documento 105, Dom Odilo apresentou uma contextualização sobre a vocação dos leigos na Igreja a partir do Concílio Vaticano II, especialmente da Constituição Dogmática Lumen Gentium . Ele recordou que os leigos sempre participaram da vida eclesial de muitas formas, não só a partir do Concílio, citando, por exemplo, a Ação Católica, organização laical que reunia os fiéis a partir dos seus diferentes âmbitos de atuação na sociedade. 

 

SUJEITOS ECLESIAIS

Segundo Dom Odilo, o Vaticano II retomou a presença e atuação do leigo na vida da Igreja a partir de um novo enfoque, ao reforçar o papel de todos os batizados na Igreja compreendida enquanto povo de Deus. “A vida e a missão da Igreja precisam ser assumidas por todos os batizados, superando uma ideia, que ainda não está superada, de que a Igreja não é uma organização do clero no qual os fiéis leigos são os beneficiários, os assistidos por essa Igreja. Usando outra linguagem, é como se a Igreja fosse uma espécie de mercado e o restante do povo fosse o freguês”, chamou a atenção.

Ainda sobre esse aspecto, o Arcebispo salientou que no corpo de Cristo, que é Igreja, existem diferentes carismas e responsabilidades, dentre os quais os dos ministros ordenados, que exercem a missão de Jesus Cristo, pastor e sacerdote, em favor de todo o povo de Deus. Nesse sentido, o Cardeal condenou uma compreensão equivocada da relação entre clero e leigos a partir de uma ideia de diferenças de classes, na qual a hierarquia é vista como uma “classe dominante” e o restante do povo seria a “classe dominada”. 

O Cardeal Scherer explicou que o objetivo do Documento 105 é reafirmar que o leigo é sujeito eclesial, não parte passiva da Igreja, nem objeto apenas da evangelização, mas membro vivo e participativo. 

DESTAQUES DO DOCUMENTO 105

“Queremos recordar e insistir que o primeiro campo e âmbito da missão do cristão leigo é o mundo. A realidade temporal é o campo próprio da ação evangelizadora e transformadora que compete aos leigos.” (63)

“Os cristãos leigos são chamados a serem os olhos, os ouvidos, as mãos, a boca, o coração de Cristo na Igreja e no mundo.” (102)

“O cristão leigo é o verdadeiro sujeito eclesial mediante sua dignidade de batizado, vivendo fielmente sua condição de filho de Deus na fé, aberto ao diálogo, à colaboração e à corresponsabilidade com os pastores.” (119)

“Não é preciso ‘sair’ da Igreja para ‘ir’ ao mundo, como não é preciso ‘sair’ do mundo para ‘entrar’ e ‘viver’ na Igreja.” (166)

Outra característica importante do texto é afirmar a índole secular da missão dos leigos, isto é, sua presença e atuação no meio do mundo, no trabalho, na família, na educação, na cultura, nas ciências, na política e na transformação da sociedade, sem deixar de lado a missão interna da Igreja. “Leigos são a base da Igreja, como fermento na massa e sal da terra, que dá o sabor próprio do Evangelho, do Reino de Deus em todas as instâncias e realidades do mundo”, disse. 

 

CONSCIENTIZAÇÃO

Membro da Comissão Arquidiocesana para o Ano Nacional do Laicato e uma das organizadoras do Simpósio, Elisabete dos Santos destacou ao O SÃO PAULO que o Documento 105 demonstra a preocupação da CNBB para que todos os católicos se conscientizem sobre o valor e a missão dos leigos. Citando o sacerdote italiano Virginio Rotondi, Elisabete salientou que o cristão leigo, muitas vezes, “fica em cima do muro, de braços cruzados para ver o mundo lá embaixo, quando, na verdade, deve estar no meio do mundo para transformá-lo”.

 

 

 

 

 

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Amazônia representa urgente desafio missionário para a Igreja

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02 de fevereiro de 2018

Após retornar de sua visita de dez dias a comunidades da Diocese de Alto Solimões (AM), no início de janeiro, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, falou das suas impressões sobre a realidade eclesial da Amazônia e destacou que é necessário intensificar a evangelização e a formação do povo para que a Igreja na região tenha um verdadeiro “rosto amazônico”. Dom Odilo ressaltou, ainda, a importância da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, convocada pelo Papa Francisco para 2019. Confira a entrevista. 

 

O SÃO PAULO – ESSA NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ QUE O SENHOR VISITOU A AMAZÔNIA. COMO FORAM AS VISITAS ANTERIORES?

Dom Odilo Pedro Scherer – Tenho muito interesse em conhecer a Amazônia, sua natureza, seu povo e a Igreja presente nessa imensa região. Já tive a oportunidade de passar temporadas em várias dioceses, sempre em áreas diferentes, de Rondônia ao Pará. Sempre foram ocasiões interessantes para conhecer e apreciar a grande região amazônica.

 

QUE REALIDADE O SENHOR ENCONTROU NESSA ÚLTIMA VISITA?

Estive por dez dias na Diocese de Alto Solimões (AM), na fronteira com a Colômbia e o Peru, a cerca de 1.500 km de distância a oeste Manaus. Impressiona a vastidão e a exuberância da floresta intocada, a imensidão dos rios, a escassez da população, a diversidade de etnias indígenas, as distâncias a percorrer dentro da Diocese, o trabalho missionário dos Capuchinhos realizado ali com enorme dedicação e o heroísmo por mais de cem anos, a vivacidade e a alegria das comunidades eclesiais e dos missionários ali presentes, primeiro dos quais é o bispo, Dom Adolfo Zon Pereira, missionário xaveriano.

 

COMO VIVE O POVO DESSA REGIÃO AMAZÔNICA?

O povo é formado de caboclos ribeirinhos e de indígenas; esses vivem, na maior parte, nas suas reservas delimitadas e conservam sua língua e seus costumes, mesmo mantendo contatos constantes com o restante da população. Ainda há alguns grupos indígenas isolados, sem contato, sobretudo na região do rio Javari, na divisa com o Peru. Há também um bom número de peruanos na área. O povo vive de maneira simples, mas já possui certo nível de conforto nas casas; não falta a televisão, o telefone celular é acessível em todas as cidadezinhas e aldeias maiores, mas o acesso à internet já é bem menos eficiente. Nas cidadezinhas, o ar condicionado está por toda parte. Em Tabatinga, sede da Diocese, há um comércio básico bastante bom, como também os serviços básicos de educação e saúde.

 

QUAL É A SITUAÇÃO DA IGREJA NA DIOCESE DE ALTO SOLIMÕES?

A evangelização começou ali já no início do século XVII, com os missionários jesuítas, que organizaram reduções com os indígenas também naquelas regiões extremas da Amazônia, que ainda não pertenciam ao Brasil. Mas, com a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, a evangelização e a presença da Igreja perdeu força na região e só foi retomada com maior vigor no início do século XX, com a criação do Vicariato Apostólico de Alto Solimões, confiado à Ordem dos Franciscanos Capuchinhos. Por mais de cem anos, os bispos foram sempre capuchinhos; o bispo atual é o primeiro que não é dessa Ordem religiosa. Há uma evangelização de base bastante estendida, com comunidades organizadas por toda parte. O clero, os religiosos e religiosas são escassos, e a Diocese depende de ajuda externa, inclusive material. Há um fervilhar de grupos neopentecostais, aos quais aderem 32% da população.  Os católicos são 56% da população. A Diocese está investindo na formação de mais comunidades nas áreas urbanas, com igrejas e lideranças formadas. Percebe-se um discreto otimismo em relação à ação da Igreja católica, que goza de credibilidade e da estima geral do povo, também por causa da proximidade do povo e da sua ação social.

 

O PAPA BEATO PAULO VI UMA VEZ AFIRMOU QUE CRISTO APONTA PARA AMAZÔNIA. POR QUE A IGREJA PRECISA VOLTAR AS ATENÇÕES PARA ESSA REGIÃO?

Essa palavra do Papa Beato Paulo VI foi um grande incentivo para o desenvolvimento de iniciativas missionárias da Igreja do Brasil inteiro para a Amazônia. No passado, as prelazias e dioceses da Amazônia contaram quase exclusivamente com a ajuda de missionários vindos de fora do Brasil, por meio das congregações e ordens missionárias. Atualmente, esse quadro está muito mudado, e as dioceses da Amazônia já não recebem mais essa ajuda externa com a mesma intensidade. Por isso, foi necessário, e continua sendo, que a Igreja do Brasil assumisse um compromisso eclesial solidário em relação às Igrejas missionárias da Amazônia. E isso continua e deverá intensificar-se ainda mais com a realização do sínodo da região Pan-amazônica. A região amazônica representa um urgente desafio missionário para a nossa Igreja. Ali, perdemos muitos fieis para o proselitismo neopentecostal e para o indiferentismo religioso, que também chegou lá...

 

FALA-SE DA NECESSIDADE DE UMA IGREJA COM “ROSTO AMAZÔNICO”. NA OPINIÃO DO SENHOR, O QUE SIGNIFICARIA ISSO?

A Igreja tem o rosto do seu povo e da cultura desse povo. Creio que, em boa parte, esse rosto já existe. Na minha visita, encontrei traços muito próprios desse “rosto amazônico”, inclusive com celebrações e catequeses feitas nas línguas indígenas locais. O próprio bispo emérito, Dom Alcimar, é filho de seringueiros, nascido em Benjamim Constant (AM), na fronteira com o Peru. Há diversos padres e religiosos também nascidos na Amazônia. De toda forma, ainda é preciso avançar mais e isso significa, a meu ver, que o clero, os religiosos e os agentes pastorais sejam membros das próprias populações locais. Para chegar a isso, é necessário intensificar a evangelização e a formação do povo e das lideranças eclesiais.

 

O PAPA CONVOCOU UMA ASSEMBLEIA ESPECIAL, PARA A PAN-AMAZÔNIA, DO SÍNODO DOS BISPOS. O QUE SE ESPERA QUE SEJA TRATADO NESSA ASSEMBLEIA?

Por enquanto, temos apenas o anúncio do sínodo e ainda falta o tema e o lema dessa assembleia do sínodo, que imprimem, geralmente, uma orientação para este. Há muitas expectativas ainda vagas, mas se espera muito que ele possa dar novo impulso à Igreja na Amazônia. Na minha opinião, o sínodo para a Amazônia terá três focos principais: o homem na Amazônia; a natureza e o ecossistema amazônico; a vida e a missão da Igreja na Amazônia.

 

As opiniões expressas na seção “com a palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.
 

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Cardeal Odilo Pedro Scherer visita a Arquidiocese de Manaus

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30 de janeiro de 2018

Após visita à Diocese de Alto Solimões, no Estado do Amazonas, ao longo de dez dias no início deste mês, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, esteve na Arquidiocese de Manaus.

Na sexta-feira, 19, Dom Odilo foi à sede da Comunidade Aliança de Misericórdia na capital do Amazonas e presidiu missa na Paróquia São Sebastião, durante a novena realizada em honra ao padroeiro. No sábado, 20, o Cardeal Scherer visitou as instalações da rádio Rio Mar, pertencente àquela Arquidiocese, na companhia de Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo de Manaus.

Ao falar de sua visita à região amazônica, Dom Odilo afirmou que sempre gosta de ir pessoalmente aos lugares para conhecer e perceber a situação, ter um conhecimento mais próximo da realidade do povo e da missão da Igreja em cada região.

“Eu não tinha ido ainda à Diocese de Alto Solimões, mas não é a primeira vez na Amazônia. Hoje, o mundo inteiro está preocupado e torcendo para que a Amazônia, no seu conjunto, seja cuidada, preservada. A missão requer, muitas vezes, sacrifícios que os nossos missionários já estão oferecendo, muitas vezes no desconforto, nas poucas condições de cuidado com a saúde, do ritmo lento dos trabalhos, pois as coisas tem de acontecer no ritmo da natureza, das águas, e, portanto, para mim, foi importante ter ido àquela região para ver de perto, conhecer de perto a realidade e não simplesmente avaliar de longe, à distância”, destacou o Cardeal em entrevista á rádio Rio Mar.

Dom Odilo também fez menção ao projeto Sul 1-Norte 1, pelo qual o Regional Sul 1 da CNBB, desde 1994, colabora com a missão da Igreja na Amazônia. “A Arquidiocese de São Paulo também tem presença missionária em mais de uma parte aqui na Amazônia”, comentou o Arcebispo de São Paulo.

Em seu artigo "Visita à Igreja na Amazônia"Dom Odilo falou sobre a realidade que encontrou na Diocese de Alto Solimões. A íntegra do artigo pode ser lida em http://www. osaopaulo.org.br/colunas/visita-a-igreja-na-amazonia.

(Com informações da Arquidiocese de Manaus)

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Dom Esmeraldo e padre Maurício celebram em Campo de Refugiados em Moçambique

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05 de outubro de 2017

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Maurício da Silva Jardim, estão em Moçambique, na África. Em visita aos missionários brasileiros no país, dom Esmeraldo e padre Maurício celebraram nesta quarta-feira, 4 de outubro, no Campo de Refugiados de Maratane, na Arquidiocese de Nampula.

Leia a notícia na íntegra no site das Pontifícias Obras Missionárias

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'Novos bispos irão conhecer complexidade da Igreja no Brasil', diz dom Jaime Spengler

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14 de agosto de 2017

Vinte e quatro recém-nomeados bispos pelo papa Francisco estão reunidos na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), a partir desta segunda-feira, 14 de agosto até o dia 18, para o “Encontro para Novos Bispos”. Os novos membros do episcopado da Igreja no Brasil foram nomeados desde agosto do ano passado. Esta é a 28º edição do evento promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.

Segundo o presidente da Comissão, dom Jaime Spengler, esta é uma oportunidade dos novos bispos terem um contato mais intenso com a sede da CNBB. Para ele, o momento é também de integração do grupo recém-nomeado e, ao mesmo tempo, uma possibilidade de juntos abordarem alguns aspectos e temas que fazem parte do ministério do bispo. “Certamente irão conhecer a complexidade da Igreja presente no Brasil e isso ajuda é claro”, finaliza dom Jaime.

Padre Deusmar Jesus da Silva, assessor da Comissão, explica que durante a semana os novos bispos terão contato com temas pertinentes ao ministério episcopal como, por exemplo, a liturgia no mistério, a questão do Direito Canônico, a partilha que deve existir entre as dioceses e outros assuntos de cunho relevante.

O assessor reitera ainda que o grupo terá a oportunidade de conhecer o Centro Cultural Missionário (CCM), as Pontifícias Obras Missionárias (POM) e também o Congresso Nacional. “Além de tudo iremos fazer também uma visita à Nunciatura Apostólica, onde os bispos nomeados poderão desfrutar de um dia de encontro com o Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello. Lá estudarão um tema junto ao Núncio no exercício do ministério”, completa.

O “Encontro para Novos Bispos” ocorre anualmente na sede da CNBB. Este é o ano em que a Comissão promove o evento para o maior número de bispos nomeados. Isto porque no ano anterior, em 2016, participaram um total de 20 bispos. “Neste ano chegamos a 24 bispos. Esta é a grande novidade, um número grande de bispos, e percebemos que estamos sempre nos aprimorando para atender esta demanda”, salienta padre Deusmar.

Agenda de exposições

Durante a semana, além das visitas, o grupo contará com uma série de palestras. Para isso, vários bispos foram convidados para expor seus conhecimentos sobre determinados assuntos. Nesta segunda, 14, o arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo falará sobre “O Bispo e a sua Missão”.

Na terça, os recém-nomeados contarão com uma palestra sobre “A solidariedade e Partilha na Igreja do Brasil”, ministrada por dom César Teixeira. Na quinta, 17, dom Edmar Perón falará sobre “Liturgia”.

Novos Bispos

Saiba quem são os novos bispos participantes do encontro, e suas respectivas dioceses:

Dom Edmilson Tadeu Canavarros – Bispo Auxiliar de Manaus – AM

Dom José Roberto Silva Carvalho – Bispo de Caetité – BA

Dom Wellington de Queiroz Vieira – Bispo Prelado de Cristalândia – TO

Dom Joel Portella Amado – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Paulo Alves Romão – Bispos Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Frei Rubival Cabral Brito – Bispo de Grajaú – MA

Dom Argemiro de Azevedo – Bispo de Assis – SP

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda – Bispo Auxiliar de belo Horizonte – MG

Dom Geovane Luís da Silva – Bispo Auxiliar de Belo Horizonte – MG

Dom Edilson Soares Nobre – Bispo de Oeiras – PI

Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira – Bispo de Tianguá – CE

Dom Vicente de Paula Ferreira – Bispo Auxiliar de belo Horizonte – MG

Dom Carlos Rômulo Gonçalves e Silva – Bispo Coadjutor de Montenegro – RS

Dom Edivalter Andrade – Bispo de Floriano – PI

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira – Bispo da Prelazia de Itacoatiara – AM

Dom Bruno Elizeu Versari – Bispo Coadjutor de Campo Mourão – PR

Dom André Vital Félix da Silva – Bispo de Limoeiro do Norte – CE

Dom Jacy Diniz Rocha – Bispo de São Luiz de Cáceres – MT

Dom Luiz Antonio Lopes Ricci – Bispo Auxiliar de Niterói – RJ

Dom Francisco Cota de Oliveira – Bispo Auxiliar de Curitiba – PR

Dom Amilton Manoel da Silva – Bispo Auxiliar de Curitiba – PR

Dom Juarez Delorto Secco – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Francisco de Assis Gabriel dos Santos – Bispo de campo Maior – PI

Dom Antonio de Assis Ribeiro – Bispo Auxiliar de Belém do Pará – PA

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