‘Jesus não abandonou sua Igreja, mas caminha com ela’

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01 de março de 2018

“Deus nos concede esta graça especial e, ao mesmo tempo, confia uma imensa tarefa à nossa generosa colaboração”, afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, na celebração de abertura do primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo, no sábado, 24, no Centro de Eventos São Luís, na Consolação. 

Dom Odilo partiu do relato sobre o encontro de Jesus ressuscitado com os dois discípulos de Emaús – Evangelho de São Lucas (Lc 24,13-35) – para refletir a experiência de “caminhar juntos”, significado da palavra “sínodo”. “Haviam feito uma bela experiência de ‘sínodo’, caminhando com Jesus, convivendo e aprendendo com Ele, unidos e irmanados por Ele”, destacou.

Leia também: 'Mais de 2 mil pessoas participam da abertura do sínodo arquidiocesano'
O que você precisa saber sobre o caminho sinodal?

“Talvez nos encontramos em São Paulo (e não somente aqui) na condição dos discípulos de Emaús: perda do encantamento pela vida cristã e pela própria Igreja; desmotivação paralisante, que leva à apatia diante dos desafios enfrentados pela Igreja, e não são poucos! Tudo fica parecendo difícil, e que não vale a pena tentar mais nada. Pode ser que nos fixamos em esquemas mentais, pastorais ou até teológicos equivocados ou, pelo menos, não adequados para os tempos e as circunstâncias atuais, com medo do novo e do surpreendente de Deus no caminho dinâmico da Igreja...”, acrescentou o Cardeal. 

Em seguida, o Arcebispo apontou alguns “sintomas preocupantes” diante dos quais a Igreja em São Paulo se apresenta: “O esvaziamento da prática dominical e da procura de vários sacramentos; a quase ausência de crianças e jovens nas nossas comunidades, a pouca expressão da Catequese; certa burocratização de nossas paróquias e da ação pastoral, com excesso de estrutura, sem alcançar o foco daquilo que deveria ser a nossa ação evangelizadora; dispersão das energias pastorais, fraca incidência dos católicos na vida social, política e cultural e na formação da opinião pública; certo desânimo de pastores e fiéis, acompanhado de azedume e críticas amargas aos irmãos e à própria Igreja; tendência individualista acentuada, que se manifesta no descompromisso com a comunidade de fé e no modo subjetivo e relativista de  acolher os ensinamentos e orientações da Igreja; evasão de católicos para outras denominações cristãs, ou abandono total da vinculação com a Igreja e da fé...”. 

 

ARDOR MISSIONÁRIO

Diante desses sintomas, a Arquidiocese é interpelada. “Vamos continuar como estamos, sem tomar conhecimento das lacunas na evangelização e dos riscos de esvaziamento de nossas comunidades, fazendo de conta que nada mudou e tudo continua como sempre foi? Vamos continuar a fazer uma pastoral de mera conservação, ou queremos avançar para uma impostação mais missionária da nossa ação eclesial? Já avançamos algo na ‘conversão missionária’ e na ‘Igreja em saída’, à qual o Papa Francisco nos convoca?”, indagou Dom Odilo. 

O Cardeal Scherer reconheceu que, ao longo do tempo, não foi pequeno o esforço realizado na Arquidiocese para tornar a Igreja verdadeiramente presente e operante na imensa metrópole. “Nossa Arquidiocese tem feito seus planos de pastoral, traduzindo em prioridades e urgências pastorais aquilo que temos a fazer nesta cidade. Tudo isso, porém, pode ficar ‘letra morta’ e sem efeito, se não chegar efetivamente às bases do povo de Deus e sem uma verdadeira ‘conversão’ de nossa mentalidade e de nossa cultura pastoral”, continuou. 

“‘Deus habita esta Cidade: somos suas testemunhas!’, nesta metrópole, que começou com uma missão religiosa, uma escola, uma igreja, um altar e uma proposta de sociedade baseada nos critérios do Evangelho de Jesus, não podemos ficar ‘sumidos’. Acreditamos na força do testemunho cristão e católico, realizado de muitos modos e por muitos”, enfatizou o Arcebispo. 

Por fim, Dom Odilo afirmou que, no caminho do sínodo, todos perceberão que, assim como com os discípulos de Emaús, Jesus não abandonou sua Igreja, mas caminha com ela, renova-a por meio da constante ação do Espírito Santo, “na alegria de crer e de proclamar a Boa Nova do Evangelho à cidade mediante o testemunho da vida cristã e eclesial”.


 

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‘Qual a diferença entre o sínodo e o primeiro congresso de leigos, realizado em 2010?’

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26 de fevereiro de 2018

“Como parte da conversão pastoral da Igreja, também se faz necessária uma nova consciência cristã e eclesial do laicato e expressões novas de sua participação na missão da Igreja, segundo a condição que lhes é própria.” (Cardeal Odilo Pedro Scherer, 19.01.10). 

O Congresso de Leigos foi uma ocasião de grande importância eclesial, que convidou todo o laicato a refletir sobre sua vida e missão. Como membros da Igreja, os leigos estão envolvidos com as diversas atividades pastorais e testemunham no mundo a sua fé. A organização do laicato é fundamental, e se muitos já estão envolvidos nas atividades eclesiais, outros ainda não despertaram para essa exigência batismal, e, portanto, o primeiro congresso foi uma oportunidade de convocação, de tomada de consciência e de envio dos leigos. A Conferência de Aparecida e o 10º Plano de Pastoral foram documentos 
importantes e que nortearam os trabalhos do congresso de leigos, chamando a atenção para a necessidade de conversão pastoral.

O sínodo é uma convocação mais ampla, que envolve todo o clero e os leigos, além dos organismos e organizações que compõe a estrutura da Arquidiocese. Com o sínodo, deveremos fazer um longo processo de revisão de nossas comunidades e de todas as atividades e ações pastorais. O objetivo desse trabalho é olhar para a realidade da nossa Igreja, reafirmando aquilo que fazemos bem e descobrindo o que podemos melhorar e atualizar para continuar a evangelizar na grande cidade. 

 

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A Arquidiocese de São Paulo atenta à superação da violência

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14 de fevereiro de 2018

Com o tema “Fraternidade e a superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8), a Igreja no Brasil proclama, na Campanha da Fraternidade 2018, que a violência é um mal, não é digna do homem e deve sempre ser vista como algo inaceitável para a solução dos problemas.

O secretário executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Luís Fernando da Silva, explicou que um dos objetivos da CF 2018 é apresentar iniciativas no Brasil que ajudem a combater a violência.

Na tarde da quarta-feira, 14, às 13h30, uma ação nas escadarias da Catedral da Sé marcará a abertura da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de São Paulo, chamando a atenção aos tipos de violência enfrentada na cidade e ao fato de que todos são filhos do mesmo Pai e, portanto, irmãos.

Segundo Márcia Castro, da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese, “a apresentação nas escadarias da Catedral será protagonizada por jovens das seis regiões episcopais da Arquidiocese de São Paulo.”

Na sequência, haverá uma missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Odilo Pedro Scherer, na qual representantes das regiões episcopais levarão informações de como as mesmas irão assumir a Campanha dentro da própria realidade.

“Cada Região com seu jeito, com a sua forma de caminhar, tem uma equipe que vai incentivar e disseminar o material e principalmente motivar que a Campanha da Fraternidade seja assumida não apenas durante a Quaresma, que é seu tempo mais forte, mas durante todo ano”, completou Márcia.

 

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Celebração abrirá sínodo arquidiocesano em 24 de fevereiro

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09 de fevereiro de 2018

No dia 24 de fevereiro, às 14h30, no Colégio São Luís, zona Sul, acontecerá a abertura da celebração do sínodo arquidiocesano de São Paulo. Em carta enviada ao clero e aos coordenadores de grupos sinodais, no dia 9 de janeiro, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, explicou que o encontro será dedicado à primeira etapa do sínodo no âmbito das paróquias, “que são as organizações da base da Igreja”.  

O evento não será uma missa, mas um encontro celebrativo dividido em dois momentos. No primeiro, serão dadas orientações gerais sobre o sínodo e sobre os materiais preparados para o sínodo nas paróquias. “Por isso mesmo, a participação de todos os acima indicados é muito importante, para que possamos iniciar bem os trabalhos do sínodo. Convido muito especialmente todos os padres das paróquias”, afirmou Dom Odilo.

Num segundo momento, haverá a solene invocação do Espírito Santo, a acolhida da Palavra de Deus e a consagração dos trabalhos do sínodo a Nossa Senhora, ao apóstolo São Paulo e aos Santos Padroeiros das comunidades paroquiais da Arquidiocese. “No final, será feito um grande envio para a celebração do sínodo, a começar pelas paróquias ao longo de 2018”, acrescentou o Cardeal.

 

COMISSÕES PAROQUIAIS

O Arcebispo reforçou, ainda, que, conforme o Regulamento do sínodo, as paróquias precisam, sem demora, organizar a sua Comissão Paroquial do sínodo que, sob a coordenação do Pároco ou Administrador Paroquial, deve preparar o que lhe compete para o bom encaminhamento dos trabalhos sinodais na paróquia ao longo do ano. “A Comissão deverá ser composta por pessoas capazes e dispostas a animar o sínodo na paróquia”, reiterou.

Na etapa paroquial do sínodo, o povo deverá ser estimulado a fazer uma reunião mensal de grupo, seguindo o roteiro preparado pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo. Essa etapa ocorrerá entre fevereiro e outubro. “No final de cada roteiro de reunião, haverá algumas questões ou perguntas, que o grupo deverá discutir, levando sua contribuição por escrito, após cada reunião, para a Comissão Paroquial do sínodo. Assim, a paróquia vai recolhendo as contribuições dos grupos, ao longo do ano, para preparar a assembleia paroquial do sínodo, a ser realizada entre o final de outubro e o início de novembro”, orientou Dom Odilo.

Divulgação

Dia 24 de fevereiro, a partir das 14h, no Colégio São Luís (rua Luís Coelho, 323, próximo à estação Consolação do Metrô)

LEVANTAMENTO DA REALIDADE

Nos meses de julho e agosto, deverá ser feito um levantamento sobre a realidade paroquial, a partir de um roteiro que está sendo preparado pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo. “Para esse levantamento, as paróquias deverão ter muitos voluntários para saírem a campo; eles serão oportunamente treinados e capacitados pela Secretaria Geral do sínodo, em maio/junho, para fazerem esse levantamento com bom fruto”, continou o Cardeal.

Em outubro, até o início de novembro, deverão acontecer as assembleias do sínodo nas paróquias. Para essas assembleias, ainda vai ser preparado e aprovado um regulamento específico pela Comissão de Coordenação Geral. “A assembleia paroquial do sínodo deverá ser bem preparada ao longo do ano pela Comissão Paroquial e poderá ter diversas sessões. Tenho a certeza de que não vai faltar assunto! O resultado das assembleias deverá ser entregue até o final de novembro à Secretaria do sínodo em cada Região e Vicariato Episcopal”.

Começaram a ser distribuídos nas paróquias o cartaz do sínodo e o roteiro das reuniões dos grupos paroquiais do sínodo. Uma vela personalizada acompanhará cada grupo em suas reuniões. “Os textos para as reuniões deverão ser distribuídos apenas para os participantes de cada grupo organizado do sínodo na paróquia, após a celebração arquidiocesana de abertura do sínodo”.

 

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A Catedral da Sé em diálogo com a metrópole

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08 de fevereiro de 2018

Tocar uma pedra e descobrir, por meio de um painel interativo, onde ela foi utilizada na construção da Catedral da Sé, dentro de um museu histórico, é apenas um dos muitos projetos que estão sendo pensados para tornar a Catedral, localizada no coração de São Paulo, um lugar que concentre informações sobre a construção da própria igreja, da praça e da cidade para fiéis e turistas de modo geral. 

No dia 25 de janeiro, quando a cidade de São Paulo chegou ao seu 464º aniversário e a Catedral 64 anos de inauguração, foi pensada uma série de atividades que marcasse a data, já tradicionalmente comemorada pelos paulistanos de diferentes maneiras. 

Em entrevista ao O SÃO PAULO , Camilo Cassoli, consultor responsável pela captação de recursos e ação cultural da Catedral da Sé, falou sobre ações que já estão sendo realizadas e muitas outras que serão implementadas a médio e longo prazo. Uma delas é justamente um museu permanente que conte a história da construção da Catedral da Sé, as mudanças na Praça e, ao mesmo tempo, o crescimento da cidade ao seu entorno.

No dia do aniversário da cidade, após a missa, as pessoas puderam prestigiar, gratuitamente, um concerto da Bachiana Filarmônica Sesi-SP, sob a direção do Maestro, internacionalmente reconhecido, João Carlos Martins e, posteriormente, as que adquiriram o convite, um Brunch especial que incluía a oportunidade de visitar as torres e a cúpula da Catedral, considerada o maior templo neogótico do País.

MÚSICA, MAESTRO!

Pelo terceiro ano consecutivo, a Bachiana Filarmônica Sesi-SP se apresentou na Catedral da Sé, por ocasião do dia 25 de janeiro. Dessa vez, o Maestro, além de conduzir um repertório surpresa, tocou ao piano algumas peças, entre elas uma de Mozart, e regeu outras como ‘Jesus alegria dos homens’, de Bach, compositor que dá nome à orquestra, Beethoven, Vila Lobos, e ‘Trem das Onze’, de Adoniram Barbosa, durante a qual o Maestro convidou o público para cantar junto. 

Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO , João Carlos Martins, pianista e maestro, fundador da Fundação Bachiana e considerado por mídias internacionais um dos maiores intérpretes de Bach do século XX, disse que considera ‘Trem das Onze’ um hino de São Paulo e que vive, junto à sua orquestra, a missão de difundir a música clássica. “É normal acontecerem concertos dentro das igrejas e, no Brasil, estamos aplicando isso em muitas cidades do interior, mostrando que aqueles fiéis que vão à igreja, depois voltam para uma sala de concerto. É uma missão que a Bachiana tem e que estamos tentando cumprir tendo como carro chefe a Catedral da Sé”, disse. 

João Carlos, que começou sua carreira como maestro, após problemas físicos que dificultaram suas execuções ao piano, enfatizou que só existe – ou deveria existir – um tipo de música, aquela de bom gosto. “Quando a música é de bom gosto, pode ser popular ou de qualquer gênero, eu sempre estou ao lado e apoiando. Eu só não gosto quando a música não tem nenhum fundamento emocional, nem nenhuma mensagem.”

Além disso, o Maestro salientou que está na música sacra a origem da música. “Tudo começa com o canto gregoriano que depois, no renascimento, foi ganhando forma. A música ocidental, com um sistema temperado, tem em Bach seu maior compositor.” Ao ser perguntado sobre seu desejo para a cidade de São Paulo, João Carlos Martins disse que os cidadãos paulistanos estão precisando de esperança. “Desejo que a esperança faça parte de todos os habitantes de São Paulo, é isso que nós precisamos: esperança.” 

Foi a terceira vez, também, que Cesar Miranda, spalla e violinista da Bachiana, apresentou-se na Catedral da Sé. Ele, que faz os solos de violino nas apresentações, é o braço direito do maestro e disse que é sempre uma experiência única tocar dentro da igreja. “A Catedral é belíssima e é muito bom tocar dentro dela e sentir a alegria do local”, afirmou Cesar, que estudou violino de forma independente.

Para Camilo, os concertos são atividades muito interessantes, e o objetivo é que eles se tornem parte de uma agenda fixa de eventos. “Queremos aproveitar a posição geográfica e também histórica da Catedral na cidade para trazer outras pessoas e, com estes eventos, ajudar na manutenção do próprio templo”, explicou. 

À MESA!

Pela quarta vez, em momentos pontuais e com cardápios variados, a Catedral abriu as portas para acolher um evento que traz para os espaços internos da igreja um momento de descontração e cultura: o Brunch . “É uma forma de manter contato com pessoas que podem apoiar os projetos e colaborar na viabilização do evento, com patrocínios e troca de serviços, além da oportunidade de participar das celebrações e conhecer espaços que ainda não estão abertos ao público”, continuou Camilo, que falou ainda sobre outras modalidades de eventos que estão sendo pensados para atingir públicos variados. Na atual, com chefes de cozinha que assinam o cardápio, a participação no Brunch tem o custo médio de R$ 200,00. 

Para André Ahn, que está à frente do restaurante Clos, na Vila Nova Conceição, há dois anos, este foi um dos eventos mais importantes da sua trajetória como chefe de cozinha. “Foi uma grande honra e uma imensa felicidade ter sido convidado para cozinhar em espaços anexos do templo da  Catedral da Sé, ainda mais no aniversário da cidade. Comemorar esse dia num evento para a cidade, num símbolo como a Catedral da Sé, é realmente muito especial”, afirmou.

Aos 35 anos, o paulista de Santos (SP) pensou num cardápio que dialogasse com o espaço. Por isso, no menu formado por uma entrada com oito tipos de canapés, utilizou em cada receita um ingrediente que decora a Catedral, como jabuticaba, laranja, caju, baunilha e amendoim. Além disso, as sobremesas foram feitas a partir de biscoitos e licores que são vendidos, diariamente, na lojinha que fica na entrada da igreja e que são produzidos dentro de mosteiros e casas de congregações religiosas. 

No dia 25, uma equipe com cerca de 40 pessoas serviu aproximadamente 140 convidados, que além de participarem da missa e do concerto com João Carlos Martins, puderam apreciar os pratos pensados por André e conhecer melhor os espaços da Catedral. 

Na quarta edição, o ‘Brunch na Catedral da Sé’ - que teve à frente o chefe de cozinha André Ahn -
faz parte dos projetos culturais que estão sendo pensados para que se desenvolvam na Catedral,
atividades que dialoguem com o centro da cidade, como concertos, oficinas e a criação de um
museu histórico;  além da venda de produtos com a marca oficial

CENTRO CULTURAL E RELIGIOSO

Uma nova marca da Catedral foi criada e com ela já estão sendo desenvolvidos produtos específicos como cadernos e canetas. “Pelo fato de a Catedral ser uma construção relativamente recente em relação à outras catedrais, temos muitas imagens de sua construção. Já foram realizadas, por exemplo, a reprodução de fotos em padrão museológico, com certificado de autenticidade, que as tornam obras de arte e que estão sendo comercializadas. A partir dessas fotos, pretendemos produzir cadernos, camisetas, por exemplo, que sejam mais acessíveis ao público e que possam ser adquiridos por quem quer uma lembrança da Catedral ou até mesmo pela internet, por pessoas que nunca a conheceram”, explicou Camilo. 

Outra ação, que promete transformar a relação das pessoas com o espaço é a criação de um museu histórico. “Tudo está em estágio inicial, a ideia é ter um museu permanente e também com exposições temporárias. Existem 400 metros entre o Pateo do Collegio e a Catedral e são 450 anos de história da cidade que separam estes dois marcos. Quando a Catedral é inaugurada, em 1954, São Paulo já é uma megalópole. Contar a história da Catedral é contar a história de São Paulo, incluindo não só a explosão ocupacional, mas das diferentes culturas que a construíram, de muitos lugares diferentes do mundo”, continuou Camilo, que falou também sobre os investimentos em tecnologia que precisam ser realizados e para os quais a equipe ainda está no processo de captação de recursos.

Outras ações, como a restauração do órgão estão contempladas neste grande projeto. O objetivo, contudo, é o diálogo com o entorno e a manutenção do próprio templo que hoje não é autossuficiente e não consegue manter-se com o que arrecada com doações e o dízimo dos fiéis. 

“Queremos atrair pessoas para fazer da Catedral um lugar de acolhida e de convergência das pessoas no centro da cidade. É claro que a grande oferta que a Catedral faz é do Evangelho, do encontro com Deus, seja pela pregação da Palavra, seja pelo acolhimento na igreja.  Nós queremos que muitas pessoas, se sentindo aqui acolhidas e seguras, comecem a vir também para participar das celebrações”, enfatizou Padre Luiz Eduardo Baronto, atual cura da Catedral. Ele salientou também que os projetos têm em vista a manutenção da Catedral.

 

PROJETOS SOCIAIS

Sobre o diálogo com o entorno, sobretudo em relação às pessoas em situação de rua que ficam, em grande número, na Praça da Sé, Camilo disse “que quanto melhor a Catedral estiver, isso refletirá na Praça e vice-versa”.  

Em parceria com a ‘Projeto Vida Nova’, que será inaugurado ainda este ano e manterá um prédio localizado em frente à Catedral, pretende-se desenvolver ações que incidam diretamente na vida das pessoas, como a geração de renda e oficinais musicais e artísticas. “Fala-se muito sobre a questão da revitalização do centro e essa é uma ação da Catedral que não pode estar isolada, mas acontece juntamente com ações do poder público e também da iniciativa privada. Tanto do ponto de vista cristão quanto do ponto de vista social, é importante que a Catedral e a Praça caminhem juntas em termos de melhoria e que esta seja uma ação sólida e permanente”, explicou Camilo Cassoli. 

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‘Somos chamados a testemunhar a presença de Deus nesta cidade’

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01 de fevereiro de 2018

Na Solenidade da Conversão de São Paulo Apóstolo, celebrada pela Igreja em todo o mundo na quinta-feira, 25, a cidade de São Paulo comemorou também o seu 464º aniversário de fundação. Após o ato cívico, em frente ao Pateo do Collegio, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu missa na Catedral da Sé, às 9h. Autoridades civis e religiosas uniram-se a uma multidão de cerca de três mil fiéis que lotaram a Catedral. 

No início da celebração, Dom Odilo saudou a todos os presentes e os que acompanharam a missa pelos meios de comunicação, pela rádio 9 de Julho e pela TV Canção Nova , e falou também sobre a necessidade de rezar nas intenções da cidade.

“Queremos colocar em Deus a boa vontade e o esforço de todos os que fazem parte desta cidade e todas as organizações da sociedade que querem o bem desta cidade, e nós o fazemos pedindo a intercessão de São Paulo”, afirmou o Cardeal. 

Na homilia, o Arcebispo lembrou que a data da fundação de São Paulo corresponde ao dia da primeira missa na inauguração da missão. “Nós o recordamos com satisfação e vemos nestas circunstâncias também uma sinalização evangelizadora dos primeiros missionários e fundadores de São Paulo. Somos chamados a testemunhar a presença de Deus nesta cidade e, a partir dessas circunstâncias, reconhecer a identidade da nossa missão.” 

“Nunca cessaremos de admirar a conversão de São Paulo: de inimigo da cruz de Cristo e perseguidor dos cristãos, tornou-se discípulo ardoroso do crucificado e membro da comunidade cristã, que antes perseguia. Sua conversão significou uma mudança radical em sua vida!”, continuou Dom Odilo.

Ainda sobre o Apóstolo Paulo, o Cardeal salientou o quanto ele “pode nos ensinar”. Dom Odilo explicou que “Saulo ouviu com atenção a voz de Cristo e foi invadido por uma luz nova, tão intensa que o deixou cego por um momento. Quis conhecer quem o chamava – ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele quis saber o que devia fazer – ‘que devo fazer, Senhor?’ Reconheceu que estava errado e precisava mudar de direção, para reorientar sua vida. Aceitou ser instruído no Evangelho e se tornou o grande evangelizador, ‘mestre das nações’ e missionário”. 

No contexto do sínodo arquidiocesano (2018-2020), o Arcebispo insistiu que é necessário fazer “um caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. E salientou que, “todos somos chamados a ouvir, com renovada atenção a voz de Deus que nos fala de tantas formas. Esse exercício nos ajudará a perceber de forma nova a vida e a missão da Igreja nessa metrópole”. 

“Estamos, certamente, trabalhando muito pela Igreja em nossa dedicação diária. Mas não basta fazer ‘como sempre fez’: é preciso fazer como se faz necessário, aqui e agora, diante das circunstâncias mudadas e dos novos desafios e urgências postas à missão da Igreja em São Paulo. A via da Igreja acontece num tempo e no espaço e num ambiente sociocultural específico”, disse ele. 

Por fim, o Cardeal falou sobre a necessidade de escutar com atenção a voz de Deus que “chega por meio da Palavra da Sagrada Escritura” e da “atenção ao Espírito”. 

Mas como identificar a presença do Espírito de Deus, a que é necessário prestar sempre muita atenção? O Cardeal indica alguns caminhos:

•  “O Espírito de Deus fala por meio da voz da Igreja, em tantos documentos e personagens, postos à frente da comunidade”;

•  “O Espírito de Deus também fala à Igreja por meio das situações e circunstâncias do mundo e da humanidade”;

•  “O Espírito de Deus também fala pelas situações religiosas mudadas e, preocupantes, de nossa Igreja nesta Metrópole”. 

“Ao comemorar a festa de São Paulo, nossa Arquidiocese volta-se para este grande Apóstolo, que viveu uma profunda ‘conversão missionária’, pedindo a sua intercessão em favor do nosso sínodo arquidiocesano. A seu exemplo, também nós tenhamos a mesma disposição de ouvir a voz de Deus, que nos fala de muitas maneiras sobre a vida e a missão de nossa Igreja em São Paulo”, pediu o Arcebispo. 

No fim da celebração, todos rezaram a oração do sínodo e cantaram em frente à imagem de São Paulo Apóstolo. Logo após a missa, os fiéis puderam também participar de um concerto em homenagem à cidade, sob a direção do Maestro João Carlos Martins.
 

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‘Quando as decisões do sínodo serão postas em prática?’

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29 de janeiro de 2018

O Regulamento do sínodo, no número 21, diz que: “Concluídos os trabalhos da assembleia sinodal arquidiocesana, caberá à Secretaria Executiva do sínodo proceder à redação final das conclusões sinodais e apresentá-las ao Arcebispo de São Paulo, a quem compete promulgar e fazer implementar as diretrizes e indicações sinodais.” 

A última etapa do sínodo será a redação final e a promulgação das conclusões sinodais. Esse trabalho será o resultado de todos os esforços anteriores, das repostas aos questionários, das assembleias regionais e dos vicariatos e das votações na assembleia sinodal. As reflexões e os pontos levantados durante os três anos, como os novos desafios, vão fazer parte desse documento que vai nortear a vida pastoral da Arquidiocese. 

Depois que as conclusões do sínodo forem proclamadas pelo Arcebispo, as paróquias e comunidades deverão fazer o processo de acolhida das conclusões. Pode-se dizer que, quando o sínodo for concluído, terá início a fase de implantação, e essa será mais longa e duradoura. É importante ressaltar que a riqueza do sínodo não está apenas nas conclusões, mas no processo sinodal. Durante o caminho até a assembleia do sínodo, as comunidades paroquiais e as pastorais vão ter a oportunidade de rever e avaliar a sua ação pastoral, e, portanto, já poderão colher frutos do processo sinodal. Quanto maior e melhor for a participação de cada um em sua comunidade, melhores serão as conclusões do sínodo para a vida e a evangelização da grande cidade.

 

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Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus (1Cor 1,1)

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24 de janeiro de 2018

A luz que alcançou o Apóstolo Paulo na estrada de Damasco foi a mesma que o acompanhou durante toda a sua vida como seguidor de Cristo. De judeu convicto e perseguidor de cristãos, Paulo transformouse num comprometido anunciador do Evangelho. 

“Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo”. Gl 1, 11-12

Esse momento crucial na vida de Paulo foi evidenciado por ele mesmo na Carta aos Gálatas (1,15-16). Cônego Celso Pedro da Silva, biblista e colaborador do Jornal O SÃO PAULO, recordou que Paulo fez isso expressando-se em três sentenças: -  “Aquele que me separou desde o seio materno e me chamou pela sua graça”. -  “Houve por bem revelar em mim o seu Filho”. -  “Para que eu o evangelizasse entre os gentios”. “O Pai, que escolheu e chamou Paulo, revelou nele Jesus Cristo. 

Não revelou para ele, mas revelou nele. Antes de tudo, Paulo tem uma visão interior de Jesus Cristo. Começa a existir uma relação pessoal entre Paulo e Jesus, e a partir daí ele se torna um companheiro de trabalho inseparável de Jesus. Em Paulo, conversão e vocação se dão no mesmo momento. Tudo aconteceu para que Paulo anunciasse Jesus entre os pagãos”, disse o Cônego.

O cuidado de Paulo com os membros das comunidades foi, sem dúvida, uma das marcas da missão paulina. É possível ver, em cada um dos seus escritos, como ele chamava pelo nome os líderes comunitários e conhecia bem aqueles que com ele colaboravam. Na primeira carta aos Tessalonissenses, por exemplo, Paulo diz que amou tanto a comunidade, a ponto de estar disposto a “comunicar o Evangelho” e a dar a própria vida por ela. “É uma complementação que ele faz dos dois sentidos do verbo metadídomi: comunicar é igual a dar a vida. E a doação é motivada pelo amor. Para ele, portanto, animar a comunidade é amar a ponto de dar a vida”, explicou Irmã Maria Inês Carniato, paulina, em um texto de aprofundamento sobre a missão de Paulo, cedido à reportagem.  

“Assim, em nossa ternura por vós, desejávamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida, porquanto nos sois muito queridos.” 1Ts 2,8 

É importante salientar que toda a ação missionária de Paulo partiu de um amor incondicional pelo Mestre que o derrubou de suas convicções e o levou a viver de maneira totalmente nova. Paulo, que chegou a apedrejar e perseguir os seguidores do Caminho - como eram chamados aqueles que acreditavam em Jesus –, viveu uma reviravolta que não foi conduzida por outra pessoa, senão pelo próprio Jesus. Aquele encontro na estrada de Damasco seria decisivo. Uma luz que o fez “cair por terra”, perder a visão e recomeçar do zero, guiado pelas mãos de pessoas que ele mal conhecia. 

“Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ Saulo disse: ‘Quem és, Senhor?’ Respondeu ele: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues.’” At 9, 3-5 

Exatamente por ter vivido essa experiência pessoal, é que Paulo, em toda a sua atividade missionária, soube fazer com que as comunidades sintonizassem com a ação do Espírito Santo e se deixassem conduzir por ela. 

“Agora vos rogamos irmãos, que acateis com apreço aqueles que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam.” 1Ts 5,12 

Diante disso, pode-se deduzir que o grande desejo de Paulo era o de que as comunidades se deixassem conduzir pela graça de Deus, sem desvios ou mal-entendidos, e que, ao mesmo tempo, elas se tornassem, como ele, testemunhas e comunicadoras do Evangelho. Para o Apóstolo, não havia outra possibilidade senão o deixar-se conduzir pela vontade de Deus, não de maneira passiva, mas ativamente. 

“Deus é que realiza em vós tanto o querer como o fazer, segundo a sua santa vontade [...]. Estou plenamente certo de que Aquele que começou em vós a boa obra a levará a termo, até o dia de Cristo Jesus. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, pois vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa do Evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo.”  Fl 2,13; 1, 6-7

Em resumo, em sua atividade pastoral, Paulo tinha como parâmetro de vida cristã a sua própria experiência de conversão e generosamente pensava que todos os convertidos veriam o essencial e se entregariam radicalmente a Jesus Cristo, como ele mesmo fez. “À medida que suas expectativas foram sendo postas à prova por fatos não previstos, ele foi amadurecendo como pastor e tornou-se mais realista. Compreendeu que a animação das comunidades dependia também da presença, da palavra e do testemunho dele”, explicou Irmã Maria Inês, sobre o caminho de amadurecimento feito pelo próprio Paulo. 

As circunstâncias fizeram Paulo compreender que sua missão era mais do que anunciar o Evangelho e formar comunidades novas. Era, acima de tudo, animar, acompanhar na fé e ser ele próprio a imagem viva do Cristo, o modelo a ser seguido.  Ao escrever aos filipenses, ele diz: 

“O que aprendestes, recebestes, ouvistes de mim, tudo isso ponde em prática.”  Fl 4,9

 O Apóstolo Paulo encontrou em Cristo e na moral cristã um caminho de maturidade espiritual que o emancipou dos rigores do legalismo farisaico, de inibições e tabus religiosos – obrigatoriedade da circuncisão para ser cristão, convívio com pagãos, normas alimentares, regras ritualísticas de purificação, para citar alguns exemplos.  Paulo desfrutou com autoridade a liberdade cristã, o que lhe permitiu transitar em diferentes ambientes e culturas para apresentar a Jesus Cristo. Por isso, dirá aos gálatas: 

“Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” Gl 5,1

E essa liberdade, para Paulo, era a certeza de que agora sim estava no caminho certo. Vivendo para Cristo e esquecendo-se de tudo mais, também ele morreu no abandono - como Jesus – depois de anos preso em Roma, onde desejou ir para se encontrar com uma comunidade que não conhecia, a não ser por cartas. Sua vida, ressuscitada como a do Mestre, foi transformada pelo Espírito em texto bíblico, Palavra viva, eficaz e eterna, comunicação de Deus para todos os povos. 

 

PAULO E O SÍNODO ARQUIDIOCESANO

Entre 2018 e 2020, a Arquidiocese de São Paulo vive o sínodo arquidiocesano, convocado pelo Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano. “O sínodo, como qualquer outra atividade pastoral da Igreja, deve recuperar o conceito de comunidade, aquela que torna Cristo presente, e que se torna sempre mais consciência crítica do mundo em que vive. Em seu atelier, no centro comercial de Corinto, Paulo trabalhava com suas mãos e entrava em contato com pessoas que ele ouvia. O sínodo deve ter grande orelhas para ouvir o clamor da cidade. Ouvir é necessário para não anularmos o objetivo que temos em mente”, afirmou o Cônego Celso Pedro.

A comunidade é, sem dúvida, o lugar do encontro com Jesus, ao mesmo tempo que as ruas e o caos da cidade são, igualmente, lugares de missão e encontro com as pessoas deste tempo. 

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, escrita pelo Papa Francisco no primeiro ano do seu pontificado, em 2013, ele afirma sonhar com uma opção eclesial missionária  que transforme a Igreja. 

“Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída” . EG 26-27

Paulo, o Padroeiro da Capital Paulista e da Arquidiocese de São Paulo, foi capaz de inculturar o Evangelho no seu tempo, de atravessar não somente as fronteiras geográficas, mas até mesmo de subir a outros púlpitos, de outros deuses, para anunciar, com firmeza, aquilo em que acreditava. Fez isso com grande inteligência e humildade, enfatizando sempre que era o responsável pelo próprio sustento e que confiava nas pessoas que decidissem, como ele, não colocar em primeiro lugar seus próprios interesses.

“Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis. Alegraivos com os que se alegram; chorai com os que choram. Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens.” Rm 12, 14-18 

Assim, com humildade, mas fortemente marcado pela certeza do seu chamado a ser apóstolo de Jesus, Paulo, que viveu no seu tempo dramas tão complexos quanto aqueles que existem hoje, conseguiu não somente viver a missão de anunciar o Evangelho e animar as comunidades, mas, em um determinado momento, compreendeu que ele mesmo foi se configurando a Jesus e tornando-se um com Ele, para o bem de todos os que, como ele, acreditavam em Jesus como aquele que veio para ensinar o caminho do amor. 

“Agora, me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. [...]A respeito da caridade fraterna, não temos necessidade de vos escrever, porquanto vós mesmos aprendestes de Deus a vos amar uns aos outros.” Cl 1,24; 1Ts 4,9

É CRISTO QUE VIVE EM MIM 

Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou por Sua graça. Quando Ele resolveu revelar em mim o seu Filho, para que eu o anunciasse. (Gl 1,15-16)
Agradeço àquele que me deu força, a Jesus Cristo nosso Senhor, que me considerou digno de confiança, tomando-me para o seu serviço. (1Tm 1,12)
Não que eu já tenha conquistado o prêmio ou que já tenha chegado à perfeição; apenas continuo  correndo para conquistá-lo, porque eu também fui conquistado por Jesus Cristo. (Fl 3, 12)
Irmãos, sede meus imitadores. (Fl 3,17)
Completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e  os mesmos pensamentos. (Fl 2,2)
Fui morto na cruz com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. (Gl 2, 19-20)
Ainda que tenha de derramar o meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu me alegro e vos felicito. Vós outros, também, alegrai-vos e regozijai-vos comigo. (Fl 2, 17-18)
Que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco. Que Ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus. (1Ts 3, 12-13)
A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco.  (Rm 13,8)

 

 

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Somos testemunhas da presença de Deus na cidade?

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24 de janeiro de 2018

A cidade de São Paulo completará 464 anos de fundação, na quinta-feira, 25, em um momento em que a Igreja reflete sobre sua vida e missão na maior metrópole do Brasil, durante o primeiro sínodo arquidiocesano. 

“Qual é a missão da Igreja em cada uma das 303 paróquias de nossa Arquidiocese, presentes nos inúmeros bairros de nossa imensa Cidade?”. Essa é umas das reflexões propostas pelo subsídio que norteará os trabalhos sinodais nas paróquias ao longo de 2018. 

Convocado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, em junho de 2017, o sínodo arquidiocesano pretende promover um caminho de comunhão, conversão e renovação missionária à luz do lema “Deus habita esta cidade, somos suas testemunhas”. 

“Durante esta primeira etapa do sínodo, somos convidados a uma ampla tomada de consciência e avaliação sobre a presença e atuação evangelizadora de nossa comunidade e de cada comunidade paroquial da Arquidiocese. Estamos sendo testemunhas verdadeiras da presença de Deus na Cidade?”, destaca Dom Odilo, na apresentação do subsídio. 

O roteiro, elaborado por uma equipe de peritos do sínodo, propõe um encontro celebrativo que marque o início dos trabalhos paroquias, que acontecerão em março, após a celebração de abertura oficial do sínodo, em 24 de fevereiro, no Colégio São Luiz, na zona Sul. Também é prevista a realização, em âmbito paroquial, de sete reuniões em grupos, de abril a outubro, nas quais serão abordados temas referentes às diversas dimensões da vida e da missão da própria Igreja, que estão presentes também na paróquia. “O que é a paróquia e qual é sua missão? A paróquia e seu serviço à Palavra de Deus, à caridade pastoral, à santificação do Povo de Deus”, destacou o Cardeal Scherer. 

 

PARÓQUIA: FACE VISÍVEL DA IGREJA

“Cada paróquia, comunidade de comunidades, é o lugar de viver concretamente a comunhão com Deus e os irmãos. Ela é a face visível da Igreja, formada de pessoas, famílias, organizações e serviços dentro de um determinado território da Arquidiocese”, ressalta o subsídio ao convidar os paroquianos a tomarem consciência de que a comunidade paroquial é o local onde cada fiel vive a sua fé, acolhe e anuncia a Palavra de Deus, testemunha a vida nova recebida nos sacramentos e vive a fé, a esperança e a caridade. 

Nesse sentido, a comunidade paroquial não pode se fechar em si mesma, mas deve também viver em comunhão com as outras paróquias e com a Arquidiocese inteira. “Ela precisa expandir-se em missão, indo ao encontro de todos e acolhendo a todos, como fez Jesus, o Bom Pastor”, diz o texto.

 

MISSIONARIEDADE

A dimensão missionária é fundamental na vida da paróquia e deve estar presente em todas as suas ações e organizações. O 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral reforça que “a paróquia que não é missionária envelhece em pouco tempo”. Por isso, as iniciativas, preocupações e programas pastorais “devem estar impregnados pelo anseio e o compromisso de anunciar Jesus Cristo”. 

Como reforça o subsídio sinodal, a principal missão da paróquia é promover e assegurar o anúncio da Boa Nova da Palavra de Deus “para chamar as pessoas para Deus, alimentar e formar a fé dos fiéis nos caminhos do Senhor, nas diversas etapas de sua vida”. O texto reforça, ainda, que a comunidade paroquial tem a missão de mostrar a todos o caminho da vida santa, pela pregação do Evangelho e a formação cristã e a celebração dos sacramentos. Em outras palavras, “a paróquia é lugar de santificação”.

 

TESTEMUNHO DA MISERICÓRDIA

“Será que a nossa comunidade paroquial se destaca em nosso bairro pela prática das obras de misericórdia, conforme o exemplo e a recomendação de Jesus, o Bom Pastor?”, indaga o texto, ao recordar que um dos grandes testemunhos eclesiais, ao longo da história, é o compromisso com a pessoa humana e com a vida, mediante o cuidado dos doentes, pobres, feridos e submetidos à violência ou ameaça de morte.
 

URGENTE RENOVAÇÃO

Tomando como base o Documento de Aparecida, o subsídio recorda que a conversão pastoral, pessoal e comunitária se dá por um encontro pessoal e profundo com Jesus Cristo. “Ninguém será missionário nem vai renovar nada na Igreja, sem esse renovado encontro com Cristo e na escuta do Espirito Santo”. 

No anúncio e convocação do sínodo, o Cardeal Scherer recordou que há “uma urgente necessidade de renovar a evangelização e a vida pastoral em nossa Arquidiocese. A mudança de época em curso na sociedade e na cultura também atinge fortemente a vida eclesial e seus efeitos aparecem numa persistente crise de fé religiosa, numa adesão sempre menor à vida eclesial e no progressivo abandono da Igreja e até da fé cristã”. Nesse aspecto, os paroquianos são convidados a refletir sobre a necessidade de a Igreja viver em estado permanente de missão. “A consciência e a ação missionária devem impregnar todas as organizações paroquiais e ações pastorais”, destaca o texto, a partir do 12º Plano de Pastoral. 

“Será que nossa paróquia está sendo um claro sinal de que Deus habita nesta parte da Cidade? Será que precisamos rever nossas ações e avaliar nossas organizações paroquiais, para termos melhores condições de realizar bem a missão de levar a alegria do Evangelho a esta parte da grande Metrópole?”, provoca o subsídio, enfatizando que a presença de tantos cristãos, discípulos de Cristo, entre os habitantes de São Paulo, pode e deve ajudar esta Cidade a ser mais humana, solidária e respeitosa com as pessoas. “Uma cidade digna de Deus e dos filhos de Deus que nela habitam”.
 

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‘O sínodo vai acabar com as regiões episcopais?’

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22 de janeiro de 2018

Para esclarecer essa dúvida, vamos partir da definição de diocese que está no direito canônico, que é a norma que regulamenta a organização da Igreja: “A diocese é a porção do povo de Deus que é confiada ao Bispo para ser apascentada com a cooperação do presbitério, de tal modo que, aderindo ao seu pastor e por este congregada no Espírito Santo, mediante o Evangelho e a Eucaristia, constitua a Igreja particular, onde verdadeiramente se encontra e atua a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica.” (Cân. 369). Uma arquidiocese, por sua vez, recebe este nome por ser uma importante diocese, em razão de seu tamanho ou por motivos históricos.

Dentro das dioceses, nesse caso na Arquidiocese, existem estruturas e uma organização para facilitar o trabalho pastoral: as regiões episcopais. Elas foram criadas para dividir o trabalho, facilitando as iniciativas pastorais, mas elas não são como dioceses. Cada região episcopal tem um bispo auxiliar 
ou padre designado para coordenar os trabalhos, mas é preciso esclarecer que só há um bispo diocesano, nesse caso o Arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer.

Estamos apenas no início dos trabalhos sinodais, por isso ainda não é possível dizer o que vai ou não acontecer com as regiões episcopais. O que sabemos é que elas são estruturas dentro da Arquidiocese e que servem para o trabalho pastoral. É possível que no caminho sinodal as reflexões sobre a ação pastoral apontem outros rumos, em função dos novos desafios, mas isso ainda é parte do processo. Por isso, é muito importante a participação de todos, pois nossas reflexões e nossas contribuições vão ajudar a melhorar e consolidar a ação da Igreja na grande cidade.

 
Você tem dúvidas sobre o sínodo arquidiocesano? Envie sua pergunta para osaopaulo@uol.com.br
Acompanhe também os  boletins semanais sobre o sínodo na rádio 9 de Julho: às quintas-feiras,
nos programas “Igreja em Notícias”,das 7h30 às 8h, e “Ciranda da Comunidade”, das 18h30 às 19h
 

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