‘A Economia de Francisco’

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19 de julho de 2019

O Vaticano planeja, de 26 a 28 de março de 2020, um encontro de economistas, empresários e outros especialistas da área para pensar sobre como promover um sistema econômico mais humano. O evento ocorrerá na cidade de Assis (Itália), a pedido do Papa Francisco. E, também a pedido dele, muitos jovens comparecerão. As informações sobre o evento serão publicadas no site: www.francescoeconomy.org.
Pensando nisso, O SÃO PAULO conversou com o Padre jesuíta português Andreas Lind, formado em Economia e articulista do site “Ponto SJ”, para entender o que define o ensinamento do Papa Francisco sobre a economia. 

O São Paulo – Qual é o papel do dinheiro na vida do cristão?
Padre Andreas Lind – Jesus nos diz que não é possível servir “a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). Se vivermos com o objetivo de fazer cada vez mais dinheiro, usando das nossas forças, dos nossos talentos, das nossas relações, tendo em vista apenas esse fim, caímos na idolatria, porque nos tornamos escravos do dinheiro.
Isso não significa que o dinheiro seja mau em si mesmo, ou que as atividades empresariais lucrativas devam ser rejeitadas. Pelo contrário, devem ser estimuladas e postas a serviço do Reino, onde vigora a lei da caridade. O dinheiro é um meio indispensável para a nossa vida social e para o nosso desenvolvimento coletivo. Devemos saber geri-lo e partilhá-lo em prol do bem comum.

Então, como devemos interpretar a passagem do Evangelho: “é mais fácil passar um camelo numa agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mt 19,24)?
Eis uma passagem muito discutida pelos exegetas bíblicos, sobretudo no que diz respeito às palavras “agulha” e “camelo”, que provavelmente teriam significados, na cultura de Jesus, que hoje não abarcamos imediatamente.
No entanto, tendo em conta o contexto onde a citação surge, percebemos que essas palavras vêm no seguimento do apelo que Jesus lança ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” (Mt 19,21).
Jesus fala da dificuldade dos ricos em entrar no Reino, referindo-se a alguém que tem muito e que não é capaz de partilhar, a ponto de se fechar aos outros e de perder a comunhão com Jesus e com o próximo. Jesus não critica o fato de o jovem rico ter muitas coisas; apenas lamenta a falta de liberdade que o impede de partilhar.

Como podemos definir a “Economia do Papa Francisco”?
O Papa Francisco não pretende substituir os especialistas em economia. Limita-se a anunciar a Doutrina Social da Igreja, nomeadamente o princípio do “destino universal dos bens” e a “opção preferencial pelos pobres”. É por fidelidade à Igreja, e não a uma ideologia política, que o Papa denuncia o perigo de uma “economia que mata” (Evangelii Gaudium 53).
Com isso, ele procura colocar a economia a serviço do desenvolvimento integral do ser humano, em vez de o escravizar em função de um crescimento puramente financeiro, cujos beneficiários são poucos e cujos efeitos podem ser nefastos para as próximas gerações. Francisco não menospreza as potencialidades positivas da “atividade empresarial” (Laudato Si’ 129).
Denuncia apenas o perigo de se absolutizar a racionalidade que procura exclusivamente o lucro, mesmo em detrimento de outros valores que confluem para o desenvolvimento do homem e das suas sociedades. Creio que a influência da teologia argentina do povo explica o distanciamento, da parte de Francisco, quer do liberalismo, quer do socialismo marxista.

Por que a Igreja precisa falar de economia?
Para Marx, a religião é negativa – uma alienação – e nos afasta da realidade presente onde nos situamos: se a fé no Paraíso futuro nos imobilizar na miséria, na injustiça, ou nos incapacitar de lutar pela transformação da realidade presente, então a religião se reduz a um “ópio do povo”. 
Porém, antes de assumir a Cátedra de Pedro, Jorge Mario Bergoglio assumiu a seriedade dessa crítica (como fica claro no livro “Sobre el Cielo y la Tierra”, de 2012), enfatizando que, ao contrário do que diz Marx, a fé, como encontro com Jesus, nos compromete com a justiça no presente. A preocupação da Igreja com as questões econômicas ou políticas brota desse compromisso com o Reino de Deus ao qual Jesus nos chama sempre aqui e agora.

Qual a razão de o Papa convocar esse encontro em Assis?
Em primeiro lugar, inspirado na figura de São Francisco, para quem todas as criaturas eram como irmãs, o encontro “A Economia de Francisco” procura responder à urgência dos nossos tempos: hoje sentimos uma fragilidade coletiva pelo fato de o nosso sistema econômico, aliado a um estilo de vida excessivamente consumista, poder pôr em risco a sustentabilidade do planeta, a nossa “casa comum”.
Em segundo lugar, esse encontro se alarga para além da esfera meramente eclesial, pois a gravidade do problema exige a capacidade de unir sinergias, estabelecendo uma cooperação ou um diálogo entre pessoas de credos diferentes e entre diversas esferas da sociedade. 

Quais as semelhanças entre a Laudato si’, de Francisco, e a Caritas in veritate, de Bento XVI?
Francisco cita muito Bento XVI. Enquanto o atual Papa insiste muito na dimensão da “misericórdia”, o seu predecessor não se cansava de falar no “amor” (caritas). Ambos sonham com a possibilidade do dom, da gratuidade, ter um lugar nas relações econômicas. Concretamente, na Laudato Si’ (LS), a encíclica Caritas in Veritate (CV) é 12 vezes diretamente citada.
Por um lado, ambos chamam a atenção para a necessidade de mudar de “estilo de vida”, apelando à “responsabilidade social dos consumidores”, pois “comprar é sempre um ato moral” (LS, 206; CV, 66).
Por outro lado, em um nível mais macroeconômico, Bento XVI insiste nos temas perenes do atual pontificado: “Como afirmou Bento XVI, na linha desenvolvida até agora pela Doutrina Social da Igreja, «para o governo da economia mundial, para sanar as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e consequentes maiores desequilíbrios, para realizar um oportuno e integral desarmamento, a segurança alimentar e a paz, para garantir a salvaguarda do ambiente e para regulamentar os fluxos migratórios, urge a presença de uma verdadeira autoridade política mundial, delineada já pelo meu predecessor, João XXIII»” (LS175).

Como a Igreja nos propõe conciliar as liberdades individuais e a busca pelo bem comum?
Segundo o relato bíblico da Criação, Deus confere ao homem o mandato de “dominar” ou “administrar” os outros seres do mundo (cf. Gn 1, 26-28), por um lado, e, por outro, de agir como um jardineiro que “cultiva” e que “guarda” (cf. Gn 2,15).
A imagem do administrador, complementada com a figura do jardineiro, conduz-nos a um enorme respeito pelo planeta na multiplicidade dos seus seres. Não se trata de “dominar” e de “subjugar” o mundo com desdém, mas de estar afetivamente ligado a toda a criação, deixando-se surpreender pelo dom que é habitar o mundo e viver enquanto homem ou mulher.
Sendo assim filhos de Deus, devemos assumir a responsabilidade de exercer o dom da liberdade que temos na administração dos bens de que dispomos e com os quais vivem

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.

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“Quis ser padre para salvar minha família do inferno”

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07 de mai de 2019

A Diocese de Sobral (CE) existe há 100 anos e reúne outros municípios do entorno que somam cerca de 700 mil habitantes. Nessa região, ao norte do Estado do Ceará, o Padre Francisco Alves de Magalhães atua na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na pequena cidade de Frecheirinha, a 35 quilômetros de Sobral. A paróquia é extensa: possui 18 capelas e 28 comunidades, com 24 mil moradores. Nesse espaço, o Padre Magalhães consegue manter uma experiência paroquial viva, com missas, catequeses e demais atendimentos da Igreja. É um sacerdote itinerante dentro da sua própria paróquia. O carro se transforma na sua residência, tanto que ele já deixa uma toalha, escova de dentes, sabonete e algumas peças de roupas.

 

NUMA PARÓQUIA EXTENSA NO SERTÃO DO CEARÁ, O ACESSO ÀS COMUNIDADES É UM DESAFIO?

Sim, principalmente pelas condições climáticas. Passamos longos períodos de seca e, quando chove, sofremos com as enxurradas. A comunidade da Capela São José dos Teodoros, que fica no sertão de Frecheirinha, retrata bem esses dois desafios: nos anos em que chove, a comunidade fica ilhada por um rio, pois a travessia só pode ser realizada por canoa e, mesmo assim, é muito arriscada; e na seca, a dificuldade é com a poeira nas estradas e o rio se transforma num lamaçal. Eu tenho de celebrar a missa na própria margem do rio, porque a força da correnteza impede a travessia ou porque o lamaçal fica intransponível. Nas demais comunidades que não possuem capelas, eu tento priorizar as celebrações nas residências, pois isso me transporta para as origens da Igreja, quando a Eucaristia era celebrada nas casas. Aproveitamos o quintal ou o alpendre para reunir a família e a vizinhança, criando um vínculo ainda maior com a Igreja e entre os membros da comunidade.

 

O SENHOR É DESSA REGIÃO MESMO? COMO FOI A SUA VOCAÇÃO?

Meus bisavós eram escravos, numa cidade do Ceará chamada Baturité. Quando saiu a lei da abolição da escravatura, houve uma situação de incerteza entre os escravos, porque muitos ficaram sem rumo e sem nada. Meus bisavós tinham saído de Baturité para Redenção, que foi a primeira cidade brasileira a libertar todos os escravos, e de lá para Sobral, onde foi gerada minha família. Minha mãe conta que a bisavó sempre pedia: “Deus, dai-nos um padre para salvar a nossa família”, pois segundo a espiritualidade dela, na família que tivesse um padre, ninguém iria para o inferno. Isso acontecia porque diziam que os escravos não tinham alma, então com um padre na família, eles estariam salvos. Minha mãe cresceu com esse pedido da minha bisavó, e tentou ser freira, mas minha avó não deixou. Eu nasci, primogênito e, com seis anos, em 1976, meu pai me levou a uma missa. Quando chegamos na Igreja, eu vi o padre e perguntei: “Pai, quem é aquele homem e o que ele faz?”. Meu pai respondeu: “é um padre e ele reza por nós”. Eu pensei: é isso que eu quero ser! Eu quis ser padre para salvar a minha família do inferno e para rezar pelas pessoas. Esse foi o meu chamado.

 

QUAIS AS DIFICULDADES DA PARÓQUIA?

O município de Frecheirinha é pobre e vive exclusivamente da agricultura e pecuária. Quando o período é de seca, a situação fica muito crítica. Chegamos a ficar cinco anos sem chuva. Falta água, feijão, arroz, milho e a população acaba à mercê de empregos ligados à prefeitura, o que é sempre muito inconstante, pois depende do apoio ao prefeito e ao partido que está no poder. Temos algumas fábricas de confecção de roupas, que geram emprego e renda, e que poderiam ser mais incentivadas na região.

Mas, mesmo com esta instabilidade e pobreza, as pessoas são muito caridosas. Numa campanha da ACN para a República Centro-Africana, a comunidade arrecadou R$ 800 para enviar para Dom Juan José Aguirre, Bispo em missão no País. Eles ficaram muito comovidos com o trabalho, a coragem e a disposição do Bispo, sobretudo com o fato de que ele comprava as crianças capturadas pelos grupos rebeldes para salvá-las de mutilações, abusos e fuzilamentos. Essa quantia de R$ 800 é bastante significativa para a realidade de Frecheirinha. As pessoas não se conformavam que aquilo pudesse existir no mundo, e fizeram questão de enviar o que podiam, alegando: “Nós somos pobres, mas não vamos lavar as mãos diante de uma atrocidade dessas”

 

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Ataque contra Igreja durante missa

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02 de mai de 2019

O Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS), através de um tweet nesta quarta-feira (1), confirmou a morte da segunda vítima durante a onda de protestos pró e contra Maduro que começou ainda na terça-feira (30), depois que o presidente autoproclamado Juan Guaidó declarou ter apoio de militares e convocou a população às ruas para tentar derrubar o governo. Maduro falou em “golpe de Estado”, de querer iniciar uma guerra civil e também mobilizou milhares de apoiadores.

O número de feridos no país já passa de cem e, segundo dados da ONG, o número de manifestantes assassinados em ações contra o governo de Maduro este ano já passa de 50.

Ataque à Igreja e fiéis atingidos com gás lacrimogênio

O Bispo Mario Moronta de San Cristóbal, capital do Estado de Táchira, que fica na parte venezuelana da Cordilheira dos Andes, denunciou um grave episódio ocorrido na igreja local. Segundo nota divulgada pela Agência de Notícias Sir, um grupo da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) invadiu o local de culto em honra à Nossa Senhora de Fátima, quando estava terminando a celebração da Eucaristia nesta quarta-feira (1).

Segundo descrição de Dom Mario, dois guardas entraram na igreja de moto. O pároco, Pe. Jairo Clavijo, tentou fazê-los sair quando chegaram mais 40 guardas que tentaram entrar no local, guiados por um comandante. Começou, então, uma discussão, e os guardas lançaram bombas de gás lacrimogênio dentro da igreja. Muitos fiéis estavam no local, sobretudo, idosos. Uma religiosa se sentiu mal.

Evento grave de ataque contra a Igreja

Dom Mario, também vice-presidente da Conferência Episcopal do País, afirma que se trata “de um evento de suma gravidade e de um ataque contra a Igreja católica”. O bispo ainda responsabiliza as autoridades militares da região pelo ocorrido, um fato “intencional” feito por quem “não há o mínimo respeito pela dignidade humana e nenhum temor a Deus”. 

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Igreja se mobiliza para preservação de seu patrimônio artístico e cultural

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11 de fevereiro de 2019

O Brasil, desde o seu descobrimento, construiu um dos maiores acervos de bens culturais, históricos e artísticos da Igreja Católica. Nesses 500 anos de Terra da Santa Cruz, muita coisa foi construída e faz parte da fé, da história e da cultura do povo brasileiro.

Com o objetivo de apresentar o acervo construído pelo antigo Convento da Luz sob a ótica da zeladoria do patrimônio cultural, o Museu de Arte Sacra de São Paulo promove uma oficina nos dias 11, 12 e 13, com o tema “Mosteiro da Luz, 300 anos de aprendizado: Pedra, terra e pau construindo o patrimônio”.

 

CONSTRUINDO O PATRIMÔNIO

O curso será dividido em duas partes: uma introdução às questões próprias à preservação cultural, enfocando especialmente a trajetória da zeladoria do patrimônio, na qual se destaca o próprio Museu de Arte Sacra do Convento da Luz. Já na segunda parte, o edifício do Museu servirá como ponto de partida para a aprendizagem dos antigos saberes das artes e ofícios relacionados à arquitetura.

Desse modo, os conteúdos próprios relacionados à conservação e preservação cultural serão apresentados não como mera catalogação das técnicas construtivas, mas como um modo de proceder próprio dos antigos artífices, que faziam do seu engajamento com as ferramentas e as matérias-primas um modo de conhecer e reelaborar o mundo natural em seus próprios termos.

Assim, o curso tem por objetivo principal chamar a atenção e revalorizar tais práticas e rotinas do trabalho artesanal há muito relegadas ao esquecimento como parte de uma resposta aos impasses existentes no campo preservacionista entre conservação e restauro, arte e artesanato, memória e novos usos. A procura por inscrições foi intensa, por isso as vagas estão esgotadas, mas o Museu pretende realizar uma nova edição em breve.

 

INICIATIVAS DA IGREJA

Desde abril de 2017, faz parte dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Comissão Episcopal Pastoral Especial para os Bens Culturais da Igreja no Brasil, que tem como missão promover o conhecimento, a conservação, a valorização cultural e evangelizadora dos bens culturais e imateriais da Igreja.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis (RJ) e integrante da Comissão Especial Igreja se mobiliza para preservação de seu patrimônio artístico e cultural FLAVIO ROGÉRIO LOPES osaopaulo@uol.com.br pra os Bens Culturais da CNBB, falou sobre a principal função desta Comissão.

“Reconhecer a grandiosidade e a importância do patrimônio artístico cultural católico em todo o território brasileiro. Tal patrimônio naturalmente já é bastante conhecido, mas falta uma catalogação definitiva desse grande patrimônio: essa é a primeira motivação”, disse Dom Gregório.

 

PATRIMÔNIO BRASILEIRO

O Bispo destacou que a Igreja possui o maior patrimônio cultural particular do Brasil, e um dos principais motivos dessa catalogação é tornar público esse material, muitas vezes guardado e desconhecido.

“Nós queremos que as pessoas saibam que esse material não é apenas nosso, mas que pertence a todos. Então seria basicamente restaurar essas Igrejas e obras de arte e colocar à disposição da comunidade (...). Pois não é apenas um patrimônio religioso, mas um patrimônio que pertence à população brasileira”, destacou.

Dom Gregório recordou que a comissão da CNBB tem feito congressos, simpósios e conferências para que as dioceses, com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e dos demais órgãos fiscalizadores, realizem projetos para restauração.

“O conhecimento desse patrimônio nos faz conhecer nossa própria história, e um povo que não consegue enxergar a beleza de sua própria história não consegue construir um futuro que seja profícuo”, afirmou.

 

ACORDO BRASIL-SANTA SÉ

No acordo bilateral e internacional entre o Brasil e a Santa Sé, promulgado em 11 de fevereiro de 2010, estão vários elementos de interesse recíproco, como questões de educação, assistência à saúde, a preservação da liberdade religiosa e o reconhecimento das instituições eclesiais para que a Igreja possa se fazer presente na sociedade. Entres esses elementos de interesse recíproco, há no acordo um artigo que trata da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica no Brasil.

No artigo 6º do Acordo, está previsto que “o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constitui parte relevante do patrimônio cultural brasileiro”. Nesse sentido, o Estado brasileiro e a Santa Sé assumiram o compromisso de cooperação mútua para “salvaguardar, valorizar e promover o uso dos bens móveis e imóveis de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas que sejam consideradas pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico”

Já no artigo 7º do Acordo, o Brasil assegura as medidas necessárias para garantir a proteção dos lugares de culto da Igreja Católica, de suas liturgias, símbolos, imagens, objetos de culto, contra toda forma de violação, desrespeito e uso ilegítimo. “Nenhum edifício, dependência ou objeto afeto ao culto católico pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim”, diz o texto do Acordo.

“Para que essas coisas aconteçam com mais facilidade, nós temos o acordo Brasil-Santa Sé, que, nos termos dos artigos 6º e 7º, trata principalmente sobre o patrimônio artístico nacional. Então isso está garantido pela legislação federal, e, por outro lado, nos assegura este contato com as autoridades para que esse patrimônio seja conservado e restaurado”, concluiu o Bispo de Petrópolis (RJ).

(Colaborou: Fernando Geronazzo)
 

 

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A ação da Igreja em prol dos leprosos

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05 de fevereiro de 2019

No domingo, 27, foi comemorada a 66ª Jornada Mundial dos Leprosos. Segundo as estatísticas de seu mais recente anuário estatístico, a Igreja Católica gera 610 leprosários no mundo, a maioria deles na Ásia. Os países onde a presença da Igreja é mais intensa nessa área são a Índia (243 leprosários) e a Indonésia (63 leprosários).

A Igreja sempre assistiu os leprosos, que são frequentemente abandonados até mesmo por suas famílias, provendolhes não apenas o atendimento médico adequado e o auxílio espiritual de que todos os homens precisam, mas também a chance de serem reinseridos na sociedade. A gravidade da doença e as mutilações que ela provoca quando não é tratada a tempo fazem com que, em muitos países, os doentes sejam discriminados e marginalizados. Em todo o mundo, 80% dos casos de lepra estão concentrados em três países: Índia, Brasil e Indonésia.

Fonte: Fides

 

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Catedral sofre ataque terrorista durante missa dominical

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05 de fevereiro de 2019

A Catedral de Jolo, uma ilha no sul das Filipinas, foi o alvo de um atentado terrorista a bomba no domingo, 27. Uma primeira bomba explodiu durante a celebração da missa dominical e uma segunda bomba pouco depois, quando as autoridades chegaram ao local e entraram na igreja. Ao menos 20 pessoas foram mortas e 111 ficaram feridas.

A ilha de Jolo tem sido perturbada há anos pela presença de militantes do grupo terrorista Abu Sayyaf, que quer a independência do resto das Filipinas sob a lei islâmica. O grupo está na lista negra dos Estados Unidos e das Filipinas devido aos inúmeros ataques a bomba, sequestros e decapitações ao longo de vários anos. Em 1997, Dom Benjamin de Jesus, Bispo de Daet, foi baleado em frente à Catedral.

Fonte: AP
 

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Primeira nova igreja desde 1959

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05 de fevereiro de 2019

No sábado, 26, a primeira nova igreja católica a ser construída em Cuba desde a revolução comunista de 1959 foi inaugurada. A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Sandino, é uma das três igrejas autorizadas pelo governo como parte de um diálogo para melhorar as relações entre o governo cubano e o Vaticano. A construção foi viabilizada em grande parte pela ajuda financeira da Igreja de São Lourenço, uma paróquia católica da cidade de Tampa, na Flórida (EUA). “Esta é uma ponte entre Tampa e Cuba”, afirmou o Padre Ramon Hernandez, sacerdote que nasceu em Cuba e vive em Tampa.

Fonte: AP
 

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Sentir-se em casa, mesmo a mais de 4 mil km do Brasil

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22 de janeiro de 2019

O País que em 2019 recebe a Jornada Mundial da Juventude concentrou seus esforços para que peregrinos de todo o mundo pudessem ser bem recebidos antes mesmo da abertura oficial da JMJ nesta terça-feira, 22, e, desta forma, vivam intensamente os dias do evento que termina no domingo, 27, com missa presidida pelo Papa Francisco.

DESEMBARQUE

Um grupo de peregrinos da Freguesia do Ó, da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia, chegou ao Panamá no dia 12 de janeiro e foi recebido pelos moradores de um bairro chamado Tanara, no Distrito de Chepo. Dentre eles está Diego Brigatto: “É uma comunidade muito simples, mas muito acolhedora. Todos se conhecem e muitos são familiares ou grandes amigos”, contou ao O SÃO PAULO.

Houve por parte dos meios de comunicação local uma grande divulgação. Dessa forma, todos puderam compreender a grandiosidade da jornada e por isso a população local faz de tudo para que os peregrinos se sintam, verdadeiramente, em casa.

“Sempre muito animados e acolhedores. Fazendo o máximo para nos deixar felizes e em casa. A polícia local e os responsáveis perguntam por nós a cada 20 minutos e querem saber sempre por onde estamos”, completou Diego.

CAMINHANDO POR CHEPO

Diego explicou que as casas, diferentes do que está habituado em São Paulo, não possuem portões, pois a população vive em clima de segurança. Entretanto, ele pôde perceber que o maior desafio da cidade diz respeito ao seu saneamento básico: “Eles ficam muito tristes por um país banhado por dois mares e com muita água doce ainda não ter água encanada em muitos locais”, reiterou.

Como sinal de gesto concreto, o grupo pretende dialogar com o prefeito local, sobre a importância da água e do bom uso dos recursos financeiros.

TERCEIRA JMJ

O Panamá é a terceira cidade em que Diego visita em virtude da JMJ. Ele esteve no Rio de Janeiro em 2013, e em Cracóvia, na Polônia, em 2016.

Diego afirmou que a relação dos jovens brasileiros com a JMJ mudou após os dias na cidade maravilhosa: “A Jornada no Brasil foi muito importante para os jovens brasileiros conhecerem o evento. Fez perceber que não estamos sozinhos e que a Igreja Católica é viva e ativa no mundo todo”.

Após a primeira experiência vivida no próprio País, ele que também é membro do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo, decidiu unir esforços com outros jovens de sua comunidade paroquial para vivenciar mais essa oportunidade de renovação: “Participar da Jornada dá um novo gás para viver a vida em comunidade”, concluiu.

CORES LATINAS

O povo brasileiro sempre foi conhecido por sua alegria e forma diferenciada de receber a todos. A tantos quilômetros de distância, a professora de francês Lívia Miranda, 29, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários, da Região Episcopal Sé, destacou que desde que chegou ao Panamá, no dia 14, percebeu a cordialidade com que os panamenhos lidam com os peregrinos e a felicidade em receber um evento desta magnitude.

O colorido das ruas deixa tudo mais divertido segundo ela, que está no Panamá como voluntária, e desde outubro contribui com o conteúdo para o site oficial da jornada: “É a JMJ da América Latina. Somos a maioria”. Lívia também enfatizou sobre a enorme divisão entre a grande cidade e problemas sociais que pode ver em uma semana de Jornada.  

DESDE MADRID

“A JMJ é um grande sinal de esperança para o mundo. Entendi isso quando acompanhei as notícias da JMJ de Madrid, em 2011. Quando o Brasil foi anunciado, não tive dúvidas de me inscrever como voluntária para poder ajudar na realização desse milagre dos nossos tempos”, explicou. Ela foi voluntária também em Cracóvia e em 2019 faz parte do grupo da comunicação.

Inspirada no lema da JMJ de 2019, Lívia espera que as experiências vividas ao longo de tantos dias continuem ressoando em todo jovens e comunidades para um concreto compromisso com Deus.

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Relato de um seminarista da Igreja ‘subterrânea’

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04 de dezembro de 2018

Um diácono da Igreja “subterrânea”, que faz seus estudos na Europa, compartilhou sua história recentemente sob o pseudônimo Wang Jie. Ele não pôde divulgar seu nome verdadeiro porque as autoridades chinesas podem impedi-lo de retornar ao País se souberem que está se preparando para ser ordenado sacerdote

Wang nasceu em uma região pagã da China. Sua família nunca tinha ouvido falar da Igreja Católica até o dia em que sua mãe ficou doente. Pensando tratar-se de um centro de atendimento médico, os familiares a levaram até uma igreja. Depois que sua mãe se recuperou, a família retornou para agradecer e foi pouco a pouco tomando contato com a fé: “nós víamos a coisa como um milagre, então, queríamos conhecer a fé; Deus nos conduziu até aquela casa”, contou o Diácono. Todos foram batizados quando Wang tinha 8 anos.

A família não podia praticar abertamente a fé, já que o governo chinês só tolera o catolicismo da Igreja Patriótica, controlada pelo Partido Comunista. Quando sua mãe ficou grávida de uma segunda criança, a família teve que registrar o bebê junto com outro recém-nascido, alegando serem gêmeos, para escapar das severas punições previstas aos que infringem a política do filho único, ainda vigente na época.

Seus pais conheceram um sacerdote que era reitor de seminário. Ele explicou-lhes que os seminaristas tinham que mudar de endereço a cada três ou quatro meses para não serem descobertos pelas autoridades. Eles ofereceram, então, a própria casa, na qual os seminaristas poderiam viver no andar de baixo. Isso durou dez anos. Foi o exemplo deles que levou Wang a discernir a vocação sacerdotal. Ele tomou a decisão após ter acompanhado um seminarista para dar aulas de catecismo.

“Quando voltei para casa, foi como se algo tivesse incendiado meu coração. Disse a meus pais que queria ser sacerdote”, contou Wang. “Hoje sou um diácono e nenhuma palavra pode expressar a profunda alegria que tenho no coração”.

A vida dos católicos chineses não é fácil. A missa é celebrada em casas de famílias e os fiéis devem ter o cuidado de não falar da fé explicitamente, porque as autoridades podem estar à escuta. Wang considera, no entanto, que viver a fé sob o risco de prisão vale a pena: “queremos a verdade, e é isso que é necessário fazer, a qualquer custo”, explicou.

Fonte: CNA
 

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Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração tem igreja e altar dedicados

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12 de novembro de 2018

Na noite deste domingo, 11, Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu missa solene com rito de dedicação da igreja e do altar da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Vila Formosa. A celebração marcou o início das comemorações dos 80 anos de criação da paróquia. 

A missa foi concelebrada pelo Pároco, Padre Reuberson Ferreira, e demais Missionários do Sagrado Coração, congregação responsável pela Paróquia.  

Na homilia, Dom Odilo chamou a atenção para a beleza da liturgia de dedicação de um templo, que recorda ao povo que a Igreja, povo de Deus, é edificada sobre a rocha que é o próprio Cristo, tendo os apóstolos como colunas. “Este templo que dedicamos a Deus é imagem do verdadeiro templo que somos nós... A dedicação desta igreja recorda a nossa vocação como Igreja de Deus. Somos consagrados a Deus, pertencemos a ele. Deus habita em nós”, disse.

Popularmente conhecida como “santuário” de devoção dos fiéis, a Igreja Nossa Senhora do Sagrado Coração foi construída na década de 1940 e início de 1950, anos após a criação da paróquia, em 13 de novembro de 1939. Desde aquela época peregrinavam milhares de fiéis devotos de Nossa Senhora do Sagrado Coração. 

Embora fosse tão antigo, o templo ainda não havia sido dedicado, o que foi feito agora após um restauro. 

Leia a reportagem completa na próxima edição do jornal O SÃO PAULO
 

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