Após restauro, sinos da Igreja Nossa Senhora da Paz são reinaugurados

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18 de dezembro de 2019

Na Baixada do Glicério, região central da capital paulista, voltaram a ser ouvidas as badaladas dos sinos da igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora da Paz, reinaugurados na segunda-feira, 16.  
Depois de passarem por um restauro, os sinos foram abençoados pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que presidiu uma missa em seguida. 
Os três sinos foram instalados no fim da década de 1950. O maior deles pesa 350kg. Antes do restauro, funcionavam parcialmente e a estrutura que os sustentava na torre estava comprometida.
O trabalho de restauro foi feito pela Fábrica de Sinos de Piracicaba e patrocinado pelo Grupo Comolatti. “Realizamos um trabalho de revitalização da estrutura, restauração dos sinos e do sistema de automação”, explicou Marcos Marcelo de Campos Angeli, responsável pela tarefa. 
“Foi realizado um belo trabalho e somos muito gratos por isso. É um presente não somente para a nossa igreja, mas para a cidade”, afirmou o Pároco, Padre Antenor João Dalla Vecchia.   

ORIGEM MILENAR
Inventado na China há cerca de 4,6 mil anos, o sino é um instrumento de percussão utilizado para comunicação, para marcar as horas e avisar os trabalhadores acerca do fim do turno de trabalho. 
Os sinos começaram a ser usados pelos cristãos por volta do século V, em mosteiros na região da Campânia, no sul da Itália, vindo daí o nome “campana” como sinônimo de sino. Ao longo dos séculos, tornaram-se o principal símbolo nas torres das igrejas, para chamar os fiéis para as missas ou anunciar um acontecimento importante da comunidade. 

SINAL DA PRESENÇA DE DEUS 
“Na metrópole, em meio ao barulho de tantas vozes, temos que fazer o possível para que a presença da Igreja seja percebida na cidade. Nós estamos aqui”, afirmou o Cardeal Scherer, ao falar do valor simbólico dos sinos. 
“O sino é um sinal da voz de Deus que chama, que toca as consciências para a vivência da fé”, acrescentou o Arcebispo, recordando, também, que a Paróquia Nossa Senhora da Paz é conhecida por seu trabalho de acolhida aos migrantes e, por isso, o sino é também um sinal da solidariedade realizada nessa comunidade.

PATROCÍNIO
Já virou uma tradição do Grupo Comolatti patrocinar o restauro de sinos de igrejas em São Paulo. “Nós realizávamos campanhas de arrecadação de alimentos e agasalhos na Paróquia São Januário [San Gennaro], que fica próxima da sede da nossa empresa. Certa vez, perguntei ao Pároco se a Paróquia precisava de mais alguma ajuda. Então, ele nos pediu patrocínio para os sinos da torre nova que estava sendo construída”, contou Sergio Comolatti, presidente do grupo empresarial.
A partir daí, foram feitos os restauros dos sinos de outras paróquias. Em 12 anos, já foram 13 igrejas que tiveram seus sinos restaurados, entre as quais, a igreja matriz as Paróquias São Vito e Bom Jesus do Brás, a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e o Mosteiro de São Bento, no Centro. Em 2010, foi restaurado o carrilhão de 61 sinos da Catedral da Sé, o maior da América Latina e, em 2011, o carrilhão da Igreja Nossa Senhora do Brasil.  
“Proporcionar o restauro dos sinos da Igreja Nossa Senhora da Paz nos dá muita alegria. Esta Paróquia significa muito para a nossa família, pois meu pai a frequentava quando veio da Itália”, afirmou Sergio.

IGREJA HISTÓRICA 
Construída pela comunidade italiana, em 1940, a Igreja da Paz, como é mais conhecida, é sede da paróquia territorial de mesmo nome e das paróquias pessoais dos fiéis italianos e latino-americanos.  O templo possui um rico acervo cultural desconhecido pela maioria dos paulistanos.
Suas paredes são decoradas com afrescos de grandes dimensões. As pinturas são de autoria de Fulvio Pennacchi (1905-1992), artista ítalo-brasileiro nascido na Toscana, ligado ao grupo Santa Helena – de nomes como Volpi, Rebolo e Graciano. 
O projeto, concretizado entre 1942 e 1945, inclui 31 afrescos de Pennacchi, sendo os mais destacados os 22 murais. Entre estes, destacam-se o do lado esquerdo, que retrata a cena da natividade da Virgem, e o do outro lado, sobre o nascimento do Menino Jesus. 
No presbitério, há um afresco com Cristo Crucificado de mais de seis metros de altura. Ao lado direito do altar-mor, está o afresco da Anunciação do Senhor e, à esquerda, na capela do Santíssimo, a ceia de Emaús e o Bom Pastor. 

RECORDAÇÃO
Paulo Pennacchi, 63, é o quinto dos oito filhos do artista plástico. Ele relatou ao O SÃO PAULO que a Paróquia Nossa Senhora da Paz tem um significado especial para a sua família. “Os batismos, casamentos e outras celebrações da nossa família sempre aconteceram nesta igreja. Meu pai tinha uma ligação muito forte com esta comunidade”, contou. 
O filho de Pennacchi recordou, também, que o trabalho realizado por seu pai não foi simples. “O processo de pintura desses afrescos, por exemplo, é muito complexo, pois precisa ser feito enquanto o cimento e a cal ainda estão molhados. Meu pai subia nos andaimes para pintar essas obras imensas. Sem contar as peças de cerâmica, como as da Via-Sacra. Sempre me emociono quando entro aqui e vejo tudo isso”, disse.

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Aos 80 anos, paróquias são a presença da Igreja em diferentes bairros da capital

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13 de dezembro de 2019

No ano de 1939, diversas comunidades de fiéis foram elevadas a paróquias na cidade de São Paulo. Dentre estas, 17 ainda hoje pertencem à Arquidiocese de São Paulo e completam 80 anos em 2019. Outras estão em dioceses que foram desmembradas da Arquidiocese posteriormente.
O grande responsável por essa reformulação pastoral foi Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva. Nascido em Araxá (MG), em 6 de janeiro de 1901, ele foi Arcebispo de São Paulo entre 17 de setembro de 1939 e 27 de agosto de 1943, quando morreu, aos 42 anos, no Rio de Janeiro (RJ), em um desastre aéreo.

EXPANSÃO PASTORAL 
No início do século XX, muitas dessas comunidades já se reuniam para a celebração da Palavra, a oração do Terço, novenas e ações sociais. As pequenas capelas aos poucos cresciam com o apoio dos fiéis. Missas eram celebradas nelas por padres de igrejas vizinhas.
Grande parte das paróquias foi construída em terrenos doados por famílias que alcançaram graças. Essas igrejas foram distribuídas pelos bairros próximos da região central da cidade, nas regiões periféricas e pelos bairros mais altos ou afastados.
“Quando assumiu a Arquidiocese, Dom José Gaspar procurou unificar a linha de atuação de todos os párocos, criou paróquias e decanatos [conjunto de paróquias que lembram os atuais setores], procurando iniciar um trabalho pastoral conjunto. Esses decanatos eram percorridos periodicamente por visitadores diocesanos”, escreveu o Padre Ney de Souza, no livro “Catolicismo em São Paulo: 450 Anos de Presença da Igreja Católica em São Paulo”, da editora Paulinas.

ESPALHADAS PELAS REGIÕES
“Casarões esparsos. Árvores e bicas de água aqui e ali; descampados, pequenos morros e pirambeiras. Longe, via-se a estrada por onde passavam boiadas. Mais ao longe, o alto do Sumaré; mais distante ainda, o Campo das Perdizes; por toda parte, sanhaços, pardais, paturis, nhambus; e arbustos carregados de araçás.”
O descritivo, no site da Arquidiocese de São Paulo, refere-se ao entorno da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, criada em 13 de novembro de 1939, e indica o ambiente bucólico da São Paulo da primeira metade do século XX, bem diferente do atual cenário urbanizado onde estão instaladas as paróquias criadas naquele ano. 
Além da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, foram criadas outras seis paróquias, hoje pertencentes à Região Episcopal Sé: no centro da cidade, as Paróquias Nossa Senhora do Carmo, Imaculada Conceição, Santo Eduardo e Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas, e, na zona Oeste, a São Gabriel Arcanjo e a São Paulo da Cruz.
Na zona Leste, na Região Episcopal Belém, foram criadas as paróquias Nossa Senhora do Sagrado Coração, Nossa Senhora de Sião, São Paulo Apóstolo, Nossa Senhora de Lourdes e Santo Emídio. 
Na Região Episcopal Lapa, a única paróquia criada foi Santo Estêvão Rei, na zona Oeste. Na zona Norte, Dom José Gaspar erigiu quatro paróquias: Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Consolata, Nossa Senhora da Anunciação e Santo Antônio, todas atualmente na Região Episcopal Santana. 

SEMPRE COM ESPERANÇA
O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu missas em algumas dessas paróquias que celebram o jubileu de carvalho (80 anos). Nas homilias, ele ressaltou que essas paróquias foram criadas durante o período da II Guerra Mundial (1939-1945) e que, mesmo com a situação difícil pela qual o mundo passava, os católicos não desanimaram.
“Por mais difícil que tenha sido o tempo da construção da paróquia, o povo nunca perdeu a esperança. A Igreja sempre caminha na esperança e com a graça de Deus”, afirmou Dom Odilo, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, durante missa em ação de graças pelos 80 anos de criação.
O Arcebispo também motivou os fiéis nas comunidades a se inspirarem no testemunho dos que os precederam para continuar a construir uma Igreja viva e presente na cidade. “Se nós fizermos a nossa parte, Deus fará o restante. Coragem! Com esperança, olhem para frente, confiem na graça de Deus”, completou o Cardeal.

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Paróquia Santo Antônio: 80 anos de testemunho da fé no bairro do Limão

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06 de dezembro de 2019


Na movimentada Avenida Professor Celestino Bourroul, na zona Norte, em meio ao fluxo contínuo de veículos, está instalada, entre comércios e prédios, a igreja matriz da Paróquia Santo Antônio do Limão.
O atual cenário do entorno é bem diferente do que foi encontrado pela Irmã Márcia Aparecida de Oliveira, leiga consagrada dos carmelitas descalços, quando para ali se mudou com seus pais, aos 2 anos de idade, em 1951: “Aqui não existia praticamente nada. Basicamente, a igreja, alguns colégios e poucas casas. A Ponte do Limão ficava aqui em frente e era de madeira, bem precária. Quando chovia, inundava tudo, pois era uma área de várzea”, recordou ao O SÃO PAULO.

DA PEQUENA CAPELA AO GRANDE TEMPLO
O terreno onde hoje está a Paróquia foi adquirido pelas primeiras famílias católicas do bairro. Nele se construiu, em 1933, uma pequena capela, que recebeu o nome de Santa Cruz. Com o aumento do número de fiéis, a Capela foi elevada a Paróquia, em 19 de novembro de 1939, por decreto do então Arcebispo Metropolitano, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva. 
Padre Vitorino Gandara Mendes, primeiro Pároco, mobilizou os fiéis para a construção de um novo templo, que somente seria inaugurado em 1956, ainda sem o reboco e a pintura externa.
Daqueles primeiros anos, Irmã Márcia lembra-se da criação do Coral Santa Cecília, em 1944, que ainda hoje anima as missas; dos atendimentos voluntários de saúde uma vez por semana em um salão da igreja; dos jogos de futebol do time do bairro, o Açucena, no terreno atrás do templo; das quermesses nas ruas; e das sessões do Cine Ozanan, que era mantido no território paroquial e gerenciado por seu pai, José Duarte de Oliveira. 
Padre Vitorino faleceria em abril de 1979, após 40 anos à frente da Paróquia. Os que o sucederam deram continuidade ao zelo do templo e atualizaram a dinâmica pastoral, entre eles o hoje Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antonio Carlos Rossi Keller, que esteve à frente da Paróquia entre 1986 e 2008.

EM AÇÃO DE GRAÇAS
De acordo com o atual Pároco, Padre Marcos Luís Erustes Polônio, todos os padres que em algum momento tiveram vínculo com a Paróquia Santo Antônio presidiram missas na festa de 80 anos, que começou em 3 de novembro e terminou no domingo, dia 1º.
Alguns bispos também presidiram as missas dominicais das 19h durante a festa: o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; Dom Edmilson Amador Caetano, Bispo de Guarulhos (SP); Dom Jorge Pierozan, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana; e Dom Edgard Madi, Bispo Maronita no Brasil.

‘SOMOS 80’
Este foi o tema adotado para o jubileu e que pôde ser visto estampado nas camisetas usadas pelos paroquianos ao longo das missas. 
Como marco dos 80 anos, aconteceu, no dia 19 de novembro, a inauguração da nova pintura da cúpula acima do presbitério: uma representação do Cristo Pantocrator.
“Demos este presente à igreja: a pintura da cúpula, com um Cristo Pantocrator, inspirado na Catedral de Monreale, na Sicília, Itália. Trata-se de um mosaico do século IV da primeira era cristã. Fizemos uma releitura desse mosaico, com a professora Cristina Corso, do Museu de Arte Sacra de São Paulo”, explicou o Padre Marcos. 
Para viabilizar a pintura, os paroquianos foram chamados a contribuir financeiramente e ganharam como lembrança um prato com o mesmo ícone que está na cúpula. 

TRANSMISSÃO DA FÉ
A pintura da cúpula foi abençoada pelo Cardeal Scherer, na missa que presidiu em 24 de novembro, concelebrada pelos Padres Marcos e Cristian Evangelista, Vigário Paroquial. 
Na ocasião, o Arcebispo Metropolitano ressaltou que a Paróquia Santo Antônio tem acumulada uma bonita experiência de fé, que deve ser transmitida às novas gerações.
“Nesta missa, convido que coloquemos no altar de Deus toda essa história, todo o bem já realizado, os nossos propósitos, nossas boas intenções de fazermos hoje a nossa parte, de sermos aqueles que vivem a fé, e que ajudemos outros para que depois de nós continuem a fazer isso”, afirmou na homilia, em que também chamou a todos à responsabilidade de testemunhar a fé, a esperança e a caridade cristã. 
 “Continuem firmes, comemorando, festejando a memória, prospectando frutos para o futuro”, exortou o Cardeal, ao término da missa. 

‘IGREJA EM SAÍDA’ E ESPERANÇA
Atualmente, a Paróquia Santo Antônio tem aproximadamente 40 pastorais, movimentos e grupos, entre os quais as pastorais Litúrgica, Catequética, do Dízimo, da Acolhida, Familiar, da Terceira Idade, da Comunicação, os Vicentinos, o Terço dos Homens e as comunidades do Caminho Neocatecumenal.
Uma das principais preocupações é trazer à Paróquia os católicos do bairro que não vão regularmente às missas. Uma das iniciativas com esse propósito aconteceu em outubro, durante o Mês Missionário Extraordinário. 
“A cada domingo daquele mês, uma equipe pastoral ia às praças principais do bairro do Limão para fazer a leitura do Evangelho, cantar, e, ao término, o Padre abençoava as pessoas. Também saímos de casa em casa levando um livrinho de oração, nos identificando como da Paróquia, informando os horários de missas e de atendimentos. A iniciativa foi um sucesso, fomos bem acolhidos nas casas e nas ruas, e rendeu frutos, com pessoas que passaram a ir às missas”, detalhou, ao O SÃO PAULO, Eugênio Luís Bei, 59, coordenador da Pastoral Catequética e paroquiano desde a infância. 
Bei afirmou que, durante a etapa paroquial do sínodo arquidiocesano, foi identificado que significativa parcela de moradores do bairro se declara católica, mas não vai à Paróquia, e acaba sendo sondada para ingressar em igrejas evangélicas. 
No entender do Padre Marcos, o desafio evangelizador da Paróquia Santo Antônio é comum ao enfrentado por outras paróquias da Arquidiocese: “São Paulo é uma megalópole em que as pessoas encontram pouco tempo a ser dedicado a Deus. É uma cidade de gente que acorda cedo para trabalhar e chega tarde do serviço. Assim, o desafio é manter unidas as famílias, colocar no coração das pessoas a importância de que tenham a Deus por primeiro e que passem a fé aos filhos”.
O Pároco acredita que, ao chegar aos 80 anos, a Paróquia alcançou a maturidade espiritual e que, por isso, tem esperança de que se possa ver “cada vez mais os frutos de uma comunidade unida em prol da evangelização e dos valores cristãos”, concluiu.

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Leigos são corresponsáveis pela missão da Igreja no mundo

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28 de novembro de 2019

No domingo, 24, Solenidade de Cristo Rei, a Igreja no Brasil também celebrou o Dia Nacional do Leigo. Na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu missa na qual saudou os fiéis leigos e suas várias organizações, que “de muitas formas, realizam a sua vocação de cristãos batizados e participam da vida e da missão da Igreja”.  
“Vocês, leigos, são membros da Igreja, fazem parte desta que é a comunidade dos discípulos de Jesus Cristo, comunidade missionária enviada ao mundo: vida familiar, no mundo da educação, do trabalho, da comunicação, da arte e da cultura, da política, da administração, da justiça e muitos campos de atuação. Vocês são ministros de Jesus Cristo no meio do mundo”, destacou Dom Odilo. 

SAL, FERMENTO E LUZ
O Arcebispo enfatizou que todos os batizados, sobretudo os leigos, nos seus mais variados âmbitos de atuação, são chamados a ser sal, fermento e luz do Evangelho na sociedade, a partir do testemunho da fé. 
“A nossa fé deve significar algo para a nossa vida social, senão, ela é apenas um enfeite, torna-se irrelevante, sem sabor, não é sal; torna-se inexpressiva, não é mais fermento; não mais ilumina, apaga-se a luz. Nossas convicções cristãs devem estar presentes na transformação do mundo”, continuou Dom Odilo. 

VOCAÇÃO BATISMAL
A Constituição Dogmática Lumen Gentium define os leigos como “todos os cristãos, com exceção dos membros da ordem sacra ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos em povo de Deus e feitos participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, e exercem, pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão” (LG 31). 
Na Exortação Apostólica Christifidelis Laici (1988), São João Paulo II salientou que, em virtude da comum dignidade batismal, o fiel leigo é corresponsável, juntamente com os ministros ordenados e com os religiosos, pela missão da Igreja. Contudo, possui uma modalidade que o distingue e lhe é peculiar: a índole secular, apontada pelo Concílio Vaticano II. 

TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE
Sobre esse aspecto, o Papa Francisco alertou, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013), para o risco de o compromisso laical não ser refletido na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e econômico, limitando-se, muitas vezes, às tarefas no seio da Igreja, sem um empenho real pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade. “A formação dos leigos e a evangelização das categorias profissionais e intelectuais constituem um importante desafio pastoral”. 
O Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), publicado em 2016, que tem como tema “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, insiste na tomada de consciência de que o primeiro campo e âmbito da missão do cristão leigo é o mundo. “A realidade temporal é o campo próprio da ação evangelizadora e transformadora que compete aos leigos”, diz o documento. 

ORGANIZAÇÕES 
Para corresponderem a essa missão específica, muitos leigos se reúnem a partir de sua área de atuação profissional, a fim de comprovarem e atuarem na sociedade a partir do testemunho dos valores e da identidade cristãs. 
Um desses exemplos é a União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp), criada em 2012, com o objetivo de contribuir na atividade judiciária, legislativa e administrativa, ocupando-se das questões do mundo contemporâneo, sob a ótica dos princípios da ética católica. A Ujucasp discute e coloca em foco os valores da família, da vida, da dignidade humana e do bem comum.
Outra organização laical é a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa de São Paulo (ADCE-SP), entidade sem fins lucrativos que congrega empresários, dirigentes e empreendedores cristãos, com o propósito de estudar, difundir e aplicar na atividade econômica os princípios da Doutrina Social da Igreja, pela formação dos empreendedores e lideranças empresariais. 

CARIDADE
Ao longo da história da Igreja, os leigos realizaram sua vocação própria ao se reunirem para organizar ações caritativas e assistenciais aos mais pobres, como é o caso da Sociedade São Vicente de Paulo, fundada em 1833, na França, por um grupo de universitários católicos que tinham à frente o Bem-Aventurado Frederico Ozanan.  
Recentemente, o jornal O SÃO PAULO também mostrou o exemplo da Casa Santa Teresinha, inaugurada em outubro, a partir do empenho e organização de leigos católicos para atender crianças, adolescentes e jovens portadores de genodermatoses, doenças de pele incuráveis.
Desse modo, como afirma o Documento 105, “os cristãos leigos são chamados a serem os olhos, os ouvidos, as mãos, a boca, o coração de Cristo na Igreja e no mundo.”

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Povo da rua deseja fazer parte da vida e da missão da Igreja

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27 de novembro de 2019

O Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua realizou, no dia 20, a segunda e última sessão de sua assembleia do sínodo arquidiocesano. 
O encontro, realizado na Casa de Oração do Povo da Rua, no bairro da Luz, reuniu agentes da pastoral, representantes de novas comunidades e movimentos que atuam com a população de rua. Além disso, participaram pessoas em situação de rua que puderam apresentar propostas para serem encaminhadas à próxima etapa do caminho sinodal, a assembleia arquidiocesana, em 2020. 
“Nós tivemos o trabalho da primeira sessão, em maio, que foi precedido por um questionário realizado com as pessoas em situação de rua para entender o mundo religioso dessa parcela da população. A partir daí, foram indicadas propostas para a Arquidiocese de São Paulo na perspectiva da conversão e renovação missionária destacada pelo sínodo”, explicou o Padre Júlio Renato 
Lancellotti, Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua. 

PROPOSTAS
Em linhas gerais, as propostas reforçam o desejo das pessoas em situação de rua de serem valorizadas como membros da Igreja local. “Uma proposta concreta é que toda paróquia considere como seus paroquianos as pessoas em situação de rua que estão em sua área de abrangência. Portanto, eles não estão pedindo nada fora do normal, mas sim que sejam acolhidos efetivamente como parte da comunidade eclesial”, ressaltou o Vigário Episcopal.
Além de questões de atendimento básico, como acesso à água potável e banheiros nas paróquias e comunidades, o povo da rua pediu maior comprometimento das paróquias em conhecer sua realidade e ajudá-los concretamente na garantia de seus direitos e respeito à dignidade. Mesmo as paróquias que não tenham condições de oferecer serviço de assistência social e médica, devem indicar e encaminhar aqueles que as procurarem para tais serviços. 

EVANGELIZAÇÃO
De igual modo, foi pedido que seja oferecido, como a todo paroquiano, assistência religiosa à população em situação de rua, como maior acesso à vida sacramental e pastoral. 
Nesse sentido, uma das propostas destaca que seja oferecida Catequese e evangelização específica a partir da realidade dessas pessoas em vista de seu desenvolvimento integral. Também foi sugerido que os grupos que atuam com a população de rua reflitam sobre o Evangelho e a ajude a concretizá-lo em suas vidas. 

OUVIDORIA
Outra proposta é a da criação de uma ouvidoria para o povo da rua, com o objetivo de ser um canal para que as reclamações, observações e sugestões cheguem à Igreja e sejam efetivamente encaminhadas. “Seria uma oportunidade de tomarmos conhecimento das dificuldades que a população em situação de rua tem para acessar os serviços de atendimento”, comentou o Padre Tarcisio Marques Mesquita, Secretário-Geral do sínodo arquidiocesano. 
Também foi pedido que as comunidades se empenhem em ações concretas contra qualquer tipo de discriminação sofrida pelo povo da rua, independentemente de sua condição pessoal de vida. Da mesma forma, que haja comprometimento em denunciar casos de violência e violação de direitos fundamentais. “São pessoas que rezam, que lutam e trabalham, que sofrem e são agredidas, discriminadas e abandonadas. São nossos irmãos”, afirmou o Padre Júlio, ao se referir ao povo da rua. 

PRÓXIMOS PASSOS
O Vigário Episcopal explicou, também, que essas propostas serão sistematizadas para serem encaminhadas à Secretaria Geral do sínodo e compor o material de reflexão na etapa de 2020. Também serão indicados cinco representantes do Vicariato para a Assembleia Arquidiocesana. 
Padre Tarcisio elogiou o trabalho realizado na assembleia pelos participantes, bem como as propostas, sobretudo porque comprometem cada comunidade paroquial a tomar consciência e fazer sua parte por essa parcela da população. “Nossas paróquias precisam ser lugares de todos, abertas para acolher a todas as pessoas”, concluiu.

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Capela do Hospital Infantil Menino Jesus é reaberta

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15 de novembro de 2019

Com 80 anos de história, a Capela do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na Bela Vista, foi reinaugurada na quinta-feira, 7, após uma década fechada.
A reabertura foi possível graças à revitalização financiada pelo grupo de voluntárias do Hospital Sírio-Libanês, instituição responsável pela gestão do hospital municipal. 
A reinauguração contou com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, que presidiu uma missa e abençoou o templo. Participaram da missa responsáveis pelo hospital, profissionais da saúde, as benfeitoras e pais dos pacientes. 

ESPAÇO SAGRADO
A Capela tem sua origem no antigo Sanatório Esperança, de 1939, que depois se tornou o Hospital Menino Jesus. Porém, devido à falta de manutenção e conservação, o templo foi desativado. 
Padre Fernando da Silva Moreira, Capelão do Hospital Sírio-Libanês, que também atende no Hospital Menino Jesus, explicou ao O SÃO PAULO que, com a Capela desativada, as missas semanais do hospital eram celebradas no corredor. Contudo, faltava um ambiente adequado para que as pessoas pudessem se recolher em oração. 
“A capela é importante para os pais dos pacientes, sobretudo em tratamentos mais longos e agudos. É um lugar sagrado onde a pessoa pode recobrar as suas forças e encontrar o conforto de Deus”, afirmou o Capelão. 

REFÚGIO EM DEUS
O Hospital Menino Jesus atende crianças de todo o Brasil para o tratamento de diversas doenças, com especial atenção aos programas voltados para a correção de lábio leporino, hepatologias e reabilitação intestinal. 
“A maioria das crianças literalmente mora no hospital, assim como seus pais. Por isso, a possibilidade de sair do ambiente hospitalar cotidiano e entrar em um lugar para recolhimento e oração alivia, traz esperança, para que a mãe possa outra vez estar junto de seu filho”, acrescentou o Padre. 
O Capelão relatou exemplos como o de uma mãe que acompanha o filho em reabilitação intestinal e, todos os dias, vai à igreja próxima ao hospital para participar da missa. “Houve outra mãe que, quando eu falei que a capela seria reinaugurada em breve, disse-me: ‘Graças a Deus, agora eu vou poder chorar sozinha’. Não havia um lugar dentro do hospital para que as pessoas pudessem ter esse recolhimento pessoal”, contou Padre Fernando, ressaltando que a assistência religiosa também faz parte do processo de humanização das instituições de saúde e dos tratamentos. 

GRATIDÃO
Cláudio Soares dos Santos acompanha sua filha, Ester Soares Silva, 6, internada há sete meses no hospital para a reabilitação intestinal, devido a uma doença chamada pseudo-obstrução. 
O pai manifestou alegria pela reabertura da capela e agradeceu o trabalho da capelania. “Desde que ela nasceu com esse problema de saúde, passamos por diversas dificuldades em que só o tratamento médico não seria suficiente se não tivéssemos a presença de Deus junto de nós para recobrarmos a esperança”, relatou.
Para Antonio Carlos Madeira de Arruda, superintendente médico do Hospital Menino Jesus, “em um ambiente hospitalar, a presença de Deus e da fé é fundamental, faz parte do tratamento, é essencial para que as pessoas encontrem forças para lutar contra doenças, às vezes, graves, de difícil solução”. 

SAÚDE HUMANIZADA
A médica Denise Silvia Adamo trabalha no Hospital Menino Jesus desde 1990. Ela ressaltou que a assistência religiosa é essencial para a instituição de saúde. “Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica, trabalhamos com crianças em estado muito grave que, muitas vezes, ultrapassam a nossa capacidade humana de tratamento”, afirmou, recordando os inúmeros casos de crianças que foram batizadas na UTI e que, depois, sobreviveram.
A presença do capelão e dos ministros é fundamental para a humanização da saúde não só para os pacientes e seus pais, como também para os profissionais. “É muito difícil lidar com o sofrimento humano, ainda mais de crianças. Por isso, todos precisamos do suporte da fé e dessas pessoas que nos ajudam nesse trabalho. Agora, temos novamente um lugar onde também nós, médicos, podemos rezar e pedir a Deus forças.”
Sacerdote há 23 anos, Padre Fernando enfatizou que a experiência como capelão hospitalar enriquece muito seu ministério. “Trabalhar em um hospital é ter contato com três realidades: a vida, a morte e o milagre. Isso nos enriquece como sacerdote, porque nos ajuda a ser cada vez mais humanos e mais próximos do divino, podendo olhar para as pessoas com os olhos e a compaixão de Deus, colocar-se ao lado do outro nesta caminhada, que não é solitária, mas feita como comunidade”, disse. 

SOLIDARIEDADE
As doações que viabilizaram a reabertura da capela vieram da loja das voluntárias que funciona no Sírio-Libanês, que tem como uma das responsáveis a senhora Anna Maria Tuma Zacharias. 
A iniciativa da loja surgiu ao perceberem que, na época, não havia nada no entorno do hospital para que as pessoas pudessem adquirir produtos para suas necessidades básicas, dos pacientes e dos acompanhantes. A loja, então, começou vendendo produtos de higiene pessoal e, aos poucos, cresceu. “De um pequeno balcão, cresceu e hoje vendemos de tudo. É como uma loja de conveniência”, explicou a voluntária.  
Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos produtos é revertido para a responsabilidade social do hospital. Atualmente, colaboram diretamente na loja 120 voluntárias, que se revezam em vários períodos. 

MISSÃO DA IGREJA
Dom Odilo agradeceu o apoio de todos os que se envolveram para tornar possível a revitalização da capela e ressaltou o esforço da Igreja em São Paulo para estar presente da melhor forma possível nos hospitais e espaços de cuidado da saúde na cidade. 
O Cardeal Scherer recordou que o cuidado aos enfermos faz parte do início da Igreja, quando os apóstolos foram enviados por Cristo para curá-los. Ele explicou, ainda, que as palavras “cuidar, curar e salvar” têm o mesmo significado no idioma falado por Jesus, que sempre teve uma atenção especial pelos doentes. 
Dom Odilo também dirigiu uma palavra de incentivo a todos os profissionais da saúde, bem como aos que trabalham na administração da instituição. “Junto com as habilidades profissionais, coloquem sempre uma dose de amor, carinho e atenção pessoal. É muito importante para a recuperação do doente. Isso toca o profundo do coração, da alma das pessoas”, exortou o Cardeal aos profissionais.
Por fim, o Arcebispo recordou que cada criança atendida é um menino Jesus que sofre e que necessita de cuidado, atenção e amor. “Que o Menino Jesus olhe sempre, com muito carinho, para este hospital”, concluiu.

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Comunidade católica resiste à demolição de igreja pelo governo

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07 de novembro de 2019

Na tentativa de defender uma igreja da demolição, fiéis católicos da província chinesa de Hebei se entrincheiraram no templo e se recusaram a sair, durante todo o dia 31 de outubro. Eles permaneceram na igreja desde as seis horas da manhã e saíram apenas de madrugada, após negociação com as autoridades. 
O protesto não violento incluiu jejum e oração por parte dos fiéis e começou quando funcionários da província apareceram para derrubar a igreja, que, segundo as autoridades, não tinha permissão para funcionar. O Pároco e os fiéis se recusaram a sair, e padres e membros de outras comunidades se juntaram ao protesto para impedir a demolição do templo.
“A Polícia local bloqueou a igreja e proibiu qualquer um de sair ou entrar. Mesmo a comida não era permitida como forma de coerção dos padres e fiéis para abandonar o protesto”, afirmou um paroquiano. 
À tarde, quase todos os padres da Diocese de Hebei chegaram à cena para apoiar e negociar com as autoridades. As negociações se estenderam noite adentro, enquanto os fiéis se revezavam em turnos para fazer guarda, caso a Polícia desejasse removê-los, conforme afirmou o mesmo paroquiano. 
Depois de longas horas de negociação, as autoridades prometeram prover um terreno alternativo para a reconstrução do templo e 200 mil yuans (aproximadamente R$ 115 mil) em compensação. 
Os padres também demandaram que o novo terreno fosse dado imediatamente. A demolição da igreja começou depois do fim das negociações, mas não ficou claro se o novo terreno foi de fato disponibilizado. 
O governo chinês afirmou que está programada a demolição de mais 40 igrejas. Nos últimos meses, cinco igrejas chinesas foram fechadas devido à falta de permissão do governo ou porque não conseguiram cumprir todas as condições impostas por ele. 
Padre Pedro, da Diocese de Hebei, disse que, se o governo permanecer com seu intento de derrubar os templos, ele não apenas dará um golpe terrível na Igreja no país, mas poderá causar tensões religiosas que poderiam resultar em uma agitação social. 


Fontes: Uca.news/ Aleteia/ Asia News

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Com novo templo, Paróquia Nossa Senhora das Graças renova ardor missionário

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07 de novembro de 2019

Afixadas lado a lado em uma das paredes próximas à entrada da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Antonieta, Região Episcopal Belém, a pedra fundamental da igreja matriz, datada de 19 de maio de 1985, e a placa de inauguração, posta em 13 de outubro, recordam a todos que chegam que o templo levou 34 anos para ser concluído. 
Erigida em 1954, a Paróquia Nossa Senhora das Graças teve uma primeira capela, de 49m2, inaugurada em 1958, e que foi sendo expandida ao longo dos anos. Em 1985, decidiu-se pela demolição da igreja e a construção de um novo templo. 
“Naquela época, gastamos muito dinheiro com a fundação do terreno. Fazíamos mutirão de trabalho aos fins de semana, carregávamos latas de concreto nas costas para encher a fundação e fazer a primeira laje do salão”, recordou, ao O SÃO PAULO, o paroquiano Luiz Augusto Pereira, 57.
A não finalização das obras, porém, fez com que muitas pessoas se afastassem da Paróquia, o que culminou na desarticulação das pastorais e no esvaziamento das missas. 

RECOMEÇO
Ao assumir como Pároco, em outubro de 2018, Padre Valdir João Silveira, inicialmente, inteirou-se sobre a situação das obras. Depois, montou uma equipe para viabilizar sua conclusão, o que aconteceu em pouco mais de cinco meses, graças a doações diversas, utilização dos recursos já existentes e atividades feitas para arrecadar verbas. 
“Fizemos festa da Feijoada, Macarronada, Panqueca, e muitas outras ações. Lançamos o carnê da construção para que as pessoas doem mensalmente e também algumas rifas, como a de um ovo de Páscoa”, detalhou Zaira Maria Nonato, 65, que integra a equipe de obras. 
Segundo o Padre Valdir, a retomada da construção e as ações de divulgação fizeram com que as pessoas retornassem à igreja. “Colocamos um carro de som passando pelas ruas próximas da Paróquia e perto da feira do bairro para anunciar as atividades da igreja. Também conseguimos afixar nos comércios a divulgação de inscrições para os sacramentos”, contou o Sacerdote, destacando, ainda, o engajamento dos jovens que disseminaram pelas redes sociais informações sobre as atividades da Paróquia. 

A NOVA IGREJA
Do chão ao teto, à exceção do sistema de som, tudo é novo na igreja matriz, incluindo a imagem do Cristo Crucificado, feita em fibra de vidro; um painel em porcelana 3D atrás da imagem; o presbitério, que possui rampas de acesso para cadeirantes (assim como há na entrada da igreja); a pintura e o revestimento externo; a Capela do Santíssimo Sacramento; e as imagens nas laterais do interior do templo, entre estas uma de Santa Dulce dos Pobres. 
E foi justamente no dia de canonização da Santa, em 13 de outubro, que houve a inauguração, celebrada por Dom Luiz Carlos Dias, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém. Já a dedicação do templo e do altar aconteceu no domingo, 3, em missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. 
“Tenham a certeza de que esta reinauguração é um testemunho que vocês estão dando aqui no bairro, um testemunho de apego à fé católica. Certamente, vocês poderão chamar muitas pessoas para que voltem à igreja”, afirmou Dom Odilo, no início da missa. 

DEDICAÇAO Á DEUS
O rito de dedicação foi iniciado com a bênção da água, aspergida sobre os fiéis, o templo e o altar. Na sequência, o Lecionário foi depositado sobre o ambão. Após a homilia, houve a Ladainha de Todos os Santos. Depois, mencionou-se que a relíquia de Santa Dulce dos Pobres já tinha sido depositada no altar quando da edificação do presbitério. Houve, ainda, a prece de dedicação do templo e do altar; a unção do altar e das paredes da igreja com o óleo do Crisma; a incensação do altar, da igreja e da assembleia de fiéis; acendimento das velas nas quatro cruzes das paredes do templo, bem como das velas que margeiam o altar, que depois foi revestido e teve as laterais ornamentadas com flores. 
“O altar consagrado, dedicado a Deus, não é mais uma mesa qualquer, é a mesa dedicada à celebração da Eucaristia e às coisas sagradas”, ressaltou o Arcebispo. 

TEMPOS VIVOS
Na homilia, o Cardeal Scherer lembrou que Deus fala à comunidade no templo, especialmente no domingo, o Dia do Senhor, e que a missão de todos é chamar mais pessoas para que façam parte da comunidade de fé. 
Dom Odilo afirmou, ainda, que, a partir do Batismo, cada pessoa é templo de Deus, e que, como recorda São Paulo Apóstolo, “o templo de Deus é santo e deve ser tratado com respeito, com dignidade. Eis porque somos chamados à vida santa, uma vida digna, para não profanar em nós nem nos outros a dignidade de pessoas humanas”.
O Arcebispo recordou, ainda, que a comunidade paroquial deve se manter unida em torno de Cristo, fundamento da Igreja; do altar; da Palavra de Deus e do sacerdote, “que em nome de Jesus é o pastor da comunidade”, e igualmente em comunhão com o Papa. 

ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO 
O Cardeal afirmou que agora que o templo físico está construído, os paroquianos têm a missão de continuar, em espírito missionário, “a edificar a Igreja viva, reunir, congregar a comunidade, na unidade da fé, da esperança e da caridade, nos serviços pastorais, na ajuda com o Padre, para que no bairro essa igreja seja sinal da família de Deus que está aqui”. 
Por ocasião do Mês Missionário Extraordinário, celebrado em outubro, a Paróquia estabeleceu como prioridade a visita às famílias, especialmente àquelas que ainda não estão na igreja. 
“Definimos um tema para a nossa Paróquia, que é basicamente ‘Chamar os que estão afastados’, pois temos mais de 15 mil católicos no bairro, mas à nossa igreja, com as quatro missas no fim de semana, vêm de 800 a 900 pessoas. Onde estão os outros?”, afirmou à reportagem, Edilson Alves de Oliveira, 53, paroquiano que atua em diferentes pastorais.
De acordo com o Padre Valdir, desde que assumiu a Paróquia, foram feitas reestruturações nas pastorais, com a montagem de equipes de liturgia e de canto para todas as missas, início de grupos de jovens, Coroinhas, Pré-Catequese, Perseverança e Terço dos Homens, além da ampliação dos grupos de rua, Apostolado da Oração e das Pastorais da Limpeza e do Dízimo. Também há maior procura pelos sacramentos do Batismo, primeira Comunhão e Matrimônio.
E, se depender da animação dos paroquianos demonstrada na missa do último domingo, a Paróquia Nossa Senhora das Graças cumprirá a missão de evangelizar na Vila Antonieta:  “Espero que  sejamos sempre uma igreja acolhedora para aqueles que chegarem pela primeira vez e para os que retornam. Que, ao passarem aqui em frente, todos sejam atraídos a entrar e sentir a paz de Deus que está nesta igreja, que ficou muito bonita”, expressou Luiz Augusto Pereira.

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Regional Sul 1 da CNBB realiza 41ª Assembleia das Igrejas Particulares

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30 de outubro de 2019

Bispos, padres e agentes de pastoral das dioceses do estado de São Paulo que formam o Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estiveram reunidos entre os dias 25 e 27, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), para a realização da 41ª Assembleia das Igrejas Particulares.
O objetivo do encontro foi a reflexão e aprofundamento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para o quadriênio de 2019 e 2023, indicações para a evangelização no contexto urbano e relatos dos projetos missionários motivados pelo Regional Sul 1. 
Dom Leomar Antônio Brustolin, Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS), assessorou o primeiro dia do evento, que, ao todo, reuniu cerca de 230 participantes, segundo os organizadores.
No primeiro dia, lembrou-se, ainda, da festa litúrgica de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, celebrada na mesma data. A missa em memória ao Santo encerrou as atividades da sexta-feira. 

PRESENÇA DA IGREJA 
No sábado, Padre Vânio da Silva, que pertence ao clero da Arquidiocese de Florianópolis (SC), falou sobre as indicações para a evangelização no contexto da cultura urbana e a vivência da espiritualidade, mesmo nos grandes centros.
O Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, partilhou sua experiência missionária na Diocese de Pemba, em Moçambique, continente africano, durante o mês de agosto, em que integrou uma comitiva organizada pelo Regional Sul 1.
Dom Benedito Beni dos Santos, que é Administrador Apostólico da Diocese de Lorena (SP), salientou as atividades do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, concluído no domingo, 27, em Roma. 
Para finalizar os trabalhos do sábado, aconteceu a recitação do Terço missionário e uma coleta para as obras do Regional na Amazônia e na África.

NOVO SECRETÁRIO-EXECUTIVO 
Durante o segundo dia dos trabalhos, o Presidente do Regional Sul 1, Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes (SP), anunciou o nome do novo Secretário-Executivo do Regional, o Padre Walter Merlugo Júnior, da Diocese de Bragança Paulista (SP). 
Nascido em Rio Claro, no interior do estado, em 4 de março de 1972, ele foi ordenado sacerdote em 2014, e, atualmente, exerce a função de Pároco da Paróquia Santo Antônio, na cidade de Vargem (SP) e é Assessor das Pastorais Sociais da Diocese de Bragança Paulista (SP).
“Primeiramente, estou surpreso e, também, feliz por esta missão. Sou grato a Deus e à Presidência do Regional pela confiança em mim depositada e me coloco a serviço da Igreja”, expressou o novo Secretário-Executivo.

CONCLUSÃO DOS TRABALHOS 
Na manhã do domingo, 27, aconteceu a missa presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, no Santuário Nacional. Houve, também, a consagração da ação evangelizadora das dioceses do estado de São Paulo a Nossa Senhora Aparecida. 
Ao fim da celebração, os envolvidos apresentaram, em plenária, suas indicações pastorais para a evangelização nos centros urbanos.
Durante o encerramento da assembleia, Dom Pedro Luiz Stringhini reiterou: “Continuemos nosso trabalho de unidade a fim de que nossas comunidades eclesiais se tornem cada vez mais missionárias”. (JS)


(Com informações do Regional Sul 1da CNBB)

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Igreja empenha suas forças e recursos em vista da propagação da fé

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25 de outubro de 2019

O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927, tendo sido instituído no ano anterior pelo Papa Pio XI. A data nasceu com o objetivo de mobilizar os católicos de todo o mundo a se unir no penúltimo domingo do mês de outubro para rezar e ajudar materialmente a propagação da fé nas terras mais distantes. 
Contudo, a preocupação missionária da Igreja não se resume a essa data. Desde o início do Cristianismo, os apóstolos e seus sucessores se empenharam em cumprir o mandato de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). 

EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS
A cooperação missionária acontece de três formas:  pela oração, pelo sacrifício e pelo testemunho de vida, que acompanham os missionários mundo afora; por meio da ajuda material dos projetos missionários e, principalmente, colocando-se à disposição para servir na missão ad gentes. 
Para isso, a Igreja conta com um organismo da Cúria Romana voltado exclusivamente para a propagação da fé: a Congregação para a Evangelização dos Povos. Criada em 1622 pelo Papa Gregório XV, esse dicastério inicialmente era chamado de Propaganda Fide (Propaganda da Fé) e desde a sua criação tem sido o instrumento ordinário e exclusivo do Romano Pontífice e da Santa Sé, para o exercício da jurisdição sobre todas as missões e a cooperação missionária.
A tarefa primordial desse dicastério é coordenar todas as forças missionárias, proporcionar diretrizes para as missões, promover a formação do clero, incentivar a fundação de novos institutos missionários e prover as ajudas materiais às atividades missionárias pelo mundo. 
Atualmente, o Prefeito dessa Congregação é o cardeal italiano Fernando Filoni. Entre os anos 1970 e 1984, o cargo foi exercido pelo Cardeal Agnelo Rossi, anteriormente Arcebispo de São Paulo. 

PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS 
Associada à Congregação para a Evangelização dos Povos, existem as Pontifícias Obras Missionárias (POM), organismos oficiais da Igreja Católica que atuam em diversos países para intensificar a animação, a formação e a cooperação missionária. 
Três dessas obras – Propagação da Fé, Infância e Adolescência Missionária, e São Pedro Apóstolo – nasceram na França para atender às necessidades missionárias locais e, em 1922, foram declaradas, posteriormente, pontifícias pelo Papa Pio XI. 
A quarta obra, União Missionária do Clero, surgiu na Itália, e foi declarada pontifícia em 28 de outubro de 1956, com o decreto do Papa Pio XII. 
Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2019, o Papa Francisco destacou as POM como uma rede global que apoia o Pontífice “no seu compromisso missionário, prestam o seu serviço à universalidade eclesial mediante a oração, alma da missão, e a caridade dos cristãos espalhados pelo mundo inteiro”. 

ARQUIVO, MUSEU E TIPOGRAFIA
Desde o início de sua existência, a Congregação para a Evangelização dos Povos se preocupou com a organização de informações sobre as iniciativas missionárias realizadas pela Igreja em todo o mundo. Isso deu origem ao Arquivo Histórico da Propaganda Fide, aberto hoje aos estudiosos de todo o mundo, e o Museu Missionário, localizado em Roma, que reúne materiais de 400 anos de história. 
Em 1626, a Propaganda Fide inaugurou uma Tipografia Poliglota, para imprimir livros nas diversas línguas dos países de missão. Desde 1909, o departamento está ligado à Tipografia Vaticana. 

FORMaÇÃO DE MISSIONÁRIOS
Fundado pelo Papa Urbano VIII, em 1627, o Pontifício Colégio Urbano surgiu com o objetivo de acolher e formar os seminaristas dos países de missão. O colégio preparou gerações de sacerdotes autóctones e a maioria dos bispos das novas Igrejas particulares, que, hoje, na sua maioria, promovem a formação do próprio clero nos numerosos seminários locais.
A Congregação para a Evangelização dos Povos também mantém o Centro Internacional de Animação Missionária, onde se realizam cursos de espiritualidade, de exercícios espirituais, de atualização, aberto aos sacerdotes, religiosos e leigos que desejam aprofundar a própria vocação ou inspiração missionária.

Pontifícia Obra Missionária para a Propagação da Fé – Fundada por Pauline Marie Jaricot, em 1822, visa a suscitar o compromisso pela evangelização universal em todo o povo de Deus e promover, nas Igrejas locais, a ajuda tanto espiritual quanto material.
Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária – Fundada pelo Bispo de Nancy (França), Dom Carlos de Forbin-Janson, em 1843, auxilia os educadores a despertar gradualmente a consciência missionária nas crianças e adolescentes, animando-os a partilhar a fé e os seus bens materiais com as crianças das regiões mais necessitadas; ajuda, também, a promover as vocações missionárias desde a infância.
Pontifícia Obra Missionária de São Pedro Apóstolo – Fundada por Joana Bigard e sua mãe, Stephanie, em 1889, visa a sensibilizar o povo cristão acerca da importância do clero local nos territórios de missão, convidando-o a colaborar espiritual e materialmente na formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada.
Pontifícia União Missionária – Fundada pelo Beato Padre Paolo Manna, em 1916, visa à sensibilização missionária dos sacerdotes, dos seminaristas e da vida consagrada masculina e feminina. Esta obra é como que a alma das outras obras, porque se ocupa especificamente com a formação missionária.

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