Não caia neste golpe!

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15 de março de 2019

Quem nunca recebeu uma ligação estranha de alguém dizendo que é um primo que se encontra na estrada e precisa de ajuda? Essas ligações parecem acontecer justamente em momentos em que você está na rua, numa situação em que não pode dispor de toda a atenção para compreender a questão.

Do outro lado da linha, com indícios comuns a todos, a pessoa tenta obter o máximo de informações possíveis, como nomes e até endereços e, em geral, pede ajuda financeira, por meio de depósitos ou até mesmo que as pessoas se desloquem para prestar a suposta ajuda.

Os golpes, por telefone, cartas e boletos, e-mails ou presenciais e aqueles de roubos de dados e senha são cada vez mais comuns e acontecem com pessoas de diferentes idades e classes sociais.

Quais pais não ficam desesperados quando alguém pelo telefone simula um sequestro do filho ou da filha que saiu para se divertir com os amigos? E quem não se mobiliza para ajudar um parente distante cujo carro quebrou na estrada a caminho da cidade ou estado em que você mora?

Até as pessoas mais cuidadosas podem acabar sendo vítimas de golpes de hackers que conseguem não somente senhas e acessos, mas todos os dados e documentos que estejam armazenados em notebooks ou computadores pessoais. É só estar na rede que há riscos. Os golpes virtuais, no entanto, estão longe de ser os únicos.

 

O SÃO PAULO

O próprio semanário da Arquidiocese, O SÃO PAULO, está passando por um. Tem se apresentado nas paróquias e comunidades religiosas um homem que se diz funcionário do jornal para renovar assinaturas e cobrar mensalidades. O fato é que a Fundação Metropolitana Paulista, mantenedora do jornal e dos demais meios de comunicação da Arquidiocese, não envia cobradores e faz toda a cobrança por meio de transferência bancária, depósitos ou boletos, encaminhados pelo setor responsável de assinaturas do jornal.

Recentemente, o Padre Zacarias José de Carvalho Paiva, Coordenador da Cúria Metropolitana de São Paulo, enviou um comunicado aos párocos e administradores paroquiais e também às comunidades religiosas alertando sobre a fraude. Mas até o fechamento desta edição, a pessoa que está aplicando o golpe ainda não foi identificada. O telefone para contato, em caso de dúvidas, é (11) 3660-3700.

 

CUIDADO, SEMPRE!

Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em Tecnologia e Inovação, com atuação profissional em mais de 25 países, falou à reportagem sobre os tipos de golpe que são mais frequentes no mundo virtual e como eles têm se diversificado ao longo dos anos, devido às novas tecnologias.

“Continuam sendo muito comuns os golpes de phishing, ou seja, a pessoa joga uma isca para outra pegar. Essa isca, em geral, é um e-mail, SMS ou até mesmo uma mensagem pelo WhatsApp, que leva a pessoa a clicar num link e fornecer seus dados ou acessar sites falsos e realizar ali transações bancárias”, explicou Arthur.

Ele comentou ainda que os golpes foram se modificando na medida em que evoluem as formas de comunicação.

“Se antes você recebia o boleto pelo Correio, hoje ele vem por meio de códigos numa mensagem de WhatsApp”, disse.

Sobre as formas de evitar esse tipo de problema, o Professor afirmou que é essencial sempre verificar a fonte da mensagem, ligar para sua agência bancária antes de fornecer qualquer informação e tentar sempre procurar os canais oficiais para fazer atualizações ou transações.

Ter cuidado ao digitar senhas em lugares públicos, não entregar o cartão de crédito a desconhecidos nem fornecer dados bancários e o número do CPF a estranhos são atitudes simples que podem ajudar na prevenção de fraudes.

 

Os 4 golpes mais comuns contra idosos

Os idosos acabam sendo o foco de várias quadrilhas que atuam aplicando golpes, sobretudo aqueles realizados pessoalmente ou pelo telefone. Em alguns casos, a rotina dos idosos é vigiada e é colhido o maior número possível de dados antes que os criminosos entrem em ação. Por isso, é fundamental, sempre que possível, que os idosos sejam acompanhados nas idas ao banco ou realização de compras.

 

1 TROCA DE CARTÃO

Como muitos idosos têm mais dificuldades de lidar com equipamentos e caixas eletrônicos, eles podem facilmente ter seus cartões clonados ou trocados por pessoas que instalam dispositivos para reter cartões em caixas eletrônicos ou oferecem ajuda, até mesmo dentro das agências bancárias.

Por isso, não se deve aceitar ajuda de estranhos, mas só dos funcionários das próprias agências. Para verificar se não há nada de errado com o caixa eletrônico, é preciso prestar atenção no aspecto das peças, se elas estão bem fixadas, se a cor e tonalidade do caixa, em relação aos demais do mesmo local, são iguais. Se apenas um caixa estiver funcionando e todos os outros estiverem desligados, também é recomendável procurar outro local, pois os criminosos costumam desligar todos os outros caixas e deixar funcionando apenas o modificado.

 

2 CHAMADAS TELEFÔNICAS FALSA

Chamadas telefônicas falsas também são muito comuns. Pessoas com problemas de saúde, como mal de Parkinson, Alzheimer e outras doenças que afetam o sistema nervoso, também podem ser mais suscetíveis a golpes. É importante alertar os idosos a não atenderem números desconhecidos e terem outro canal de contato com os familiares, caso isso aconteça.

 

3 COMPRA EQUIVOCADA

Esse golpe também costuma acontecer pelo telefone. Uma pessoa liga e comunica que uma compra de valor elevado foi feita com o cartão de crédito do cliente e solicita dados, como nome, endereço e as senhas bancárias, por exemplo, aproveitando para coletar o máximo de informações pessoais. Com as informações, podem realizar compras na internet, fazer transferências ou cometer outros crimes.

 

4 SAIDINHA DE BANCO

Esse golpe está cada vez mais difundido no Brasil. Golpistas se aproximam das vítimas das mais diversas maneiras e podem anunciar imediatamente um assalto ou, então, se identificar como um funcionário do banco e realizar o furto. Por isso, o ideal é ir às agências em horários com mais movimento e evitar conversar com estranhos.

Fonte: www.clickhelp.com.br
 

Golpes contra dioceses, paróquias e casas religiosas

As paróquias, comunidades e casas religiosas também passam por situações semelhantes. Grande parte das fraudes acontecem por meio de pessoas que prometem doações às igrejas. Padre João Luiz Miqueletti, Pároco da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, da Região Episcopal Santana, contou à reportagem de uma situação em que uma mulher veio até ele oferecendo a doação de um dinheiro da venda de um terreno que ela possuía no Nordeste.

“Ela queria o número da minha conta e disse que iria ao Nordeste vender o terreno, mas que precisava do dinheiro da passagem”, contou o Padre, que não caiu no golpe, mas disse que a mulher tentou aplicar o mesmo golpe em outra paróquia da Região.

Em 2017, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), que produz o Anuário Católico do Brasil, alertou para um golpe em que supostas empresas maliciosas entravam em contato com dioceses e paróquias afirmando que elas estavam em débito por ter adquirido o Anuário Católico e que, caso a dívida não fosse paga, ela seria protestada.

 

ENGENHARIA SOCIAL

Arthur Igreja, da FGV, disse ainda à reportagem que bancos e governos têm trabalhado intensamente para tornar os ambientes virtuais mais seguros. “Os bancos investem muito para tentar evitar esse tipo de golpe e, além disso, a integração com governos e empresas privadas e o desenvolvimento de inteligência artificial são as principais iniciativas nesse setor”, disse.

Além disso, é importante que as pessoas tenham conhecimento dos métodos utilizados pela Engenharia Social, ou seja, campanhas que ajudem as pessoas a ter comportamentos mais seguros e perceber quando alguém está tentando persuadi-las com técnicas para obter informações confidenciais ou sigilosas.

 

RECEITA FEDERAL

Em tempo de declaração de Imposto de Renda, é fundamental também ter cuidado com ligações, e-mails, mensagens e sites falsos. A Receita Federal alertou com uma notícia no seu site, publicada em 7 de março, sobre a existência de páginas na internet que simulam o site oficial da instituição. Tais páginas, embora visualmente muito semelhantes aos originais, são falsas e, portanto, não são fontes confiáveis de informações. Esses sites usam artifícios para roubar dados e senhas.

A Receita deu uma dica importante para verificar se o endereço (URL), assim como o de todos os sites governamentais, é falso ou não. Os oficiais devem terminar com a extensão “.gov.br”.

São exemplos de endereços válidos:

http://receita.economia.gov.br

http://www.receita.fazenda.gov.br

http://cav.receita.fazenda.gov.br

idg.receita.fazenda.gov.br

 

E-MAILS FALSOS

E-mails falsos em nome da Receita são enviados aos usuários com mensagens que tentam obter ilegalmente informações. Alguns avisam sobre possíveis erros na declaração do Imposto de Renda ou cobram débitos que não existem.

Com timbres oficiais da Receita, os e-mails misturam instruções verdadeiras e falsas e contêm links que são a porta de entrada para vírus e códigos no computador.

A Receita esclarece que não envia mensagens via e-mail sem a autorização do contribuinte, nem autoriza terceiros a enviar mensagens em seu nome. Sua única forma de comunicação eletrônica é por meio do portal e-CAC.

Além dos e-mails, a Receita alerta para um golpe de regularização de dados por correspondência. O contribuinte recebe em casa uma carta com a marca da Receita, que contém um site para acessar e atualizar os dados bancários. Ao acessar esse site, o contribuinte está sujeito a vírus e a códigos maliciosos.

Cuidado com o que posta nas redes

Quem nunca, ao realizar uma viagem dos sonhos, postou no Facebook ou no Instagram uma foto da passagem? O que muita gente não sabe é que ali, na passagem, existem códigos e dados que podem servir de isca para criminosos digitais. E não só isso. Fotografias de cartões de crédito, ainda que só uma parte do cartão, ou de documentos também podem facilitar a vida dos criminosos. Além disso, é importante não dar a localização de lugares que são frequentados constantemente. Para os pais, vale a dica de nunca postar fotos dos filhos com uniforme escolar ou de instituições frequentadas por eles.

 

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