A verdadeira fraternidade nasce no encontro com Cristo

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21 de fevereiro de 2020

No Brasil, a Quaresma é marcada pela realização da Campanha da Fraternidade, que convida os católicos a prestar uma maior atenção à solidariedade, ao próximo e à transformação da sociedade, no âmbito do espírito de conversão e mudança de vida próprio desse tempo litúrgico da Igreja. 
Para uma vivência autenticamente cristã da fraternidade, é necessário compreender esse termo a partir do mandamento divino do amor ao próximo. Nesse sentido, também deve ser entendido o espírito cristão da caridade e da solidariedade.
Outro aspecto a ser considerado é o da filiação divina, uma vez que a fraternidade é um termo derivado da palavra latina frater, que significa “irmão”. É Jesus que ensina todos a chamarem Deus de Pai e afirma: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). 

‘ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?’
O compromisso para com o irmão aparece já no início da Sagrada Escritura, no episódio do assassinato de Abel por Caim. A pergunta feita por Deus a Caim –  “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9) – confirma essa corresponsabilidade pelo bem do próximo. 
O amor ao próximo tem como fundamento o amor ao próprio Deus. “Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e a nosso próximo como a nós mesmos por amor a Deus. Ela é o ‘vínculo da perfeição’ (Cl 3,14) e a forma de todas as virtudes”, ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC 1844). A doutrina cristã também ensina que o Decálogo deve ser interpretado à luz desse duplo e único mandamento da caridade, plenitude da lei.
“Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus ‘até o fim’ (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem”, ressalta o Catecismo (CIC 1823).

UNIDADE DO AMOR
Outro aspecto que ilumina a vivência da fraternidade cristã é a compreensão de que todas as pessoas são chamadas ao mesmo fim: o próprio Deus. “Existe certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem estabelecer entre si, na verdade e no amor. O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus” (CIC 1878).
O Papa Francisco confirmou isso quando salientou que as duas dimensões do amor, para com Deus e para com o próximo, em sua unidade, caracterizam o discípulo de Cristo. “Amar a Deus quer dizer investir nossas energias todos os dias para ser seus colaboradores no serviço ao próximo sem reservas, no buscar perdoar sem limites e no cultivar relações de comunhão e de fraternidade”, exortou o Pontífice, durante a oração do Angelus em 4 de novembro de 2018.   

CARIDADE 
O Catecismo reforça, ainda, que o princípio da solidariedade, enunciado sob o nome de “caridade social”, é uma exigência direta da fraternidade humana e cristã. “Um erro, ‘hoje amplamente difundido, é o esquecimento desta lei da solidariedade humana e da caridade, ditada e imposta tanto pela comunidade de origem e pela igualdade da natureza racional em todos os homens, seja qual for o povo à qual pertençam, como também pelo sacrifício redentor oferecido por Jesus Cristo no altar da cruz a seu Pai celeste, em prol da humanidade pecadora’” (CIC 1939). 
Desse modo, a fraternidade cristã não se resume à “simpatia” que se tem pelas pessoas do mesmo grupo, mas extrapola esse parâmetro e abrange especialmente os mais necessitados. 
“O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais nada para cada um dos fiéis, mas o é também para a comunidade eclesial inteira”, afirma o Papa Emérito Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est (2005). 
“A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário. Ao mesmo tempo, porém, a caritas-ágape estende-se para além das fronteiras da Igreja; a parábola do bom samaritano permanece como critério de medida, impondo a universalidade do amor que se inclina para o necessitado encontrado ‘por acaso’ (cf. Lc 10,31), seja ele quem for”, acrescenta Bento XVI. 

COMUNHÃO 
Outro princípio que ilumina a compressão da fraternidade é a comunhão, destacada na experiência dos primeiros cristãos. “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um” (At 2, 44-45).
Contudo, nesse mesmo capítulo, o livro dos Atos dos Apóstolos explica onde estava alicerçada essa vida fraterna: “Perseverantes e bem unidos, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46). 

ENCONTRO COM CRISTO
Ao longo da História, foram muitos os homens e mulheres que compreenderam o princípio cristão da fraternidade e serviram aos irmãos a partir de um verdadeiro encontro pessoal com Cristo. 
Um dos célebres exemplos é o de São Francisco de Assis, cuja biografia conta que, em 1026, quando estava passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que, pelo aspecto físico, sempre lhe causava repugnância. De repente, Francisco decidiu parar e colocar algumas moedas nas mãos do leproso e lhe deu um beijo, movido pelas palavras de Jesus: “Tudo o que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a mim que o fazeis” (Mt 10,42).
O amor e a doação de São Francisco aos mais pobres partia de uma experiência profunda com Deus, que lhe permitia enxergar o próprio Cristo em cada pessoa, sobretudo os mais pobres. 

VER O SENHOR
Experiência semelhante de encontro com Deus por meio do próximo foi vivida por Santa Teresa de Calcutá, quando, em 1946, durante uma viagem de trem, se deparou com um irmão pobre de rua que lhe disse: “Tenho sede!”. 
A Santa contou que ouviu do fundo de seu coração o próprio Cristo que a chamava. 
“Eu vejo Jesus em cada ser humano. Eu digo para mim mesma: este é Jesus com fome, eu tenho que alimentá-lo. Este é Jesus doente. Este tem lepra ou gangrena; eu tenho que lavá-lo e cuidar dele. Eu sirvo porque eu amo Jesus”, afirmou a Santa.

DOAÇÃO 
Outro exemplo contemporâneo de amor ao próximo é o do Bem-Aventurado Pier Giorgio Frassati, jovem estudante italiano que nasceu em 1901. Aos 17 anos, ingressou na Sociedade São Vicente de Paulo (Vicentinos) e dedicou a maior parte do seu tempo livre ao serviço dos doentes e necessitados e à difusão da Doutrina Social da Igreja entre estudantes e trabalhadores. 
Em sua biografia, relata-se que sua caridade consistia em uma entrega de si mesmo, sustentada diariamente pela Eucaristia, com frequentes adorações noturnas, a meditação do hino à caridade, de São Paulo, e as palavras de Santa Catarina de Sena. “Jesus me visita a cada manhã na Comunhão e eu lhe respondo da pobre maneira que posso fazê-lo: visitando os pobres”, dizia Frassati.  
Em 1923, ele afirmou a um grupo de estudantes: “Sintamos em nós a íntegra força do nosso amor cristão que nos torna irmãos para além dos confins de todas as nações”.

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Em Moçambique, a vivência de um caminho de fraternidade

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16 de outubro de 2019

Desde que ingressou na Fraternidade O Caminho, há 16 anos, Frei Boaventura dos Pobres de Jesus Cristo, PJC, cultivou “um grande ardor de poder sair em missão” no Brasil ou no exterior.


Após vivenciar diferentes realidades missionárias nos Estados do Pará, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraná, São Paulo, Piauí e Rio de Janeiro, e também no Paraguai, Bolívia, Chile e Argentina, o Frei está, há 16 meses, na Diocese de Pemba, em Moçambique. Sua ida aconteceu após um convite do Regional Sul 1 para que a Fraternidade O Caminho ficasse responsável por um dos projetos da Missão África-Pemba, mantida pelas dioceses do Regional em resposta a um apelo de Dom Luís Fernando Lisboa, Bispo de Pemba.


Formada por consagrados, sacerdotes e leigos, a Fraternidade surgiu em 2001, na periferia da zona Sul de São Paulo, com o propósito de resgatar jovens entregues às drogas. “Sempre foi um sonho da Fraternidade poder servir em terras distantes e dialogar com culturas diferentes. E, também, como missionário, era o meu grande sonho”, contou, ao O SÃO PAULO, o Frade paulistano de 35 anos de idade. 

De coração aberto e sempre confiante na providência divina 


Em Moçambique, a Fraternidade O Caminho tem sua base de missão na aldeia de Nangade, distante 400km de Pemba. Frei Boaventura e a Irmã Hadasse coordenam as atividades, que incluem a responsabilidade por uma paróquia com 63 comunidades e a manutenção de uma escola de educação infantil para crianças de 4 a 5 anos e de um centro de nutrição, criados por causa dos altos índices de analfabetismo e de desnutrição infantil. Esses ambientes foram inaugurados pelo Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em 16 de agosto, durante a visita missionária pastoral que realizou a Pemba. 


“Os desafios foram diversos no início da missão, uma vez que estávamos indo para um lugar onde seríamos os primeiros a morar como missionários, além de ser uma zona de risco, devido aos muitos ataques que enfrentamos nesta região. Não dispúnhamos de nenhuma estrutura. Iniciamos do zero”, contou o Frade. Ele assegurou que os missionários sempre mantiveram plena confiança na Providência Divina e no “grande amor que temos pelos pobres e pelo Reino de Deus”. 

Realidade social e religiosa


As orações, a Liturgia das Horas, a realização dos serviços domésticos e os momentos de convivência em comunidade são parte das atividades diárias dos dois frades e das quatro irmãs da Fraternidade O Caminho em Moçambique.


“Não existe uma rotina, pois estamos vivendo em uma missão na África, em uma aldeia. A cada momento, somos surpreendidos com uma situação diferente”, relatou o Frade. “Encontramos o rosto de Cristo em um povo que sofre a pobreza, a precariedade na saúde, no estudo, sem contar os grandes desafios sociais que tudo isso permite à população”, comentou.

Um povo feliz e que deseja assumir a fé 


Em Nangade, como assegurou Frei Boaventura, os missionários não têm encontrado resistências aos trabalhos que realizam, “mas no restante do continente, é de conhecimento de muitos que existem muitas realidades resistentes, como a perseguição religiosa”. O Frade afirmou que em Moçambique “existe um povo sedento de Deus e que deseja assumir a fé. Porém, há poucos recursos, o que nos impede de avançar. A messe é grande, mas os operários são poucos”.


As adversidades, porém, não desmotivam os missionários. “Não há como estar aqui e viver junto com o povo e não amar e querer doar a sua vida por aqueles que o Senhor nos confia”, comentou o Frade.


No dia que regressar ao Brasil, ele está certo que voltará “com um coração grato a Deus por tudo o que Ele me possibilitou viver e aprender de um povo feliz, as mais belas riquezas humanas”, entre as quais, “que não precisamos de coisas para ter a felicidade, mas é necessário somente ter um ao outro e desfrutar das possibilidades que temos”. 
 

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A inclusão é um ato de amor e de fraternidade com o que é diferente

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12 de junho de 2019

O dicionário Aurélio traz para a palavra inclusão diferentes significados. Um deles exprime o próprio verbo incluir, transformando a palavra em uma ação efetiva de envolvimento e aproximação. Mais do que buscar no volumoso livro de significados um sentido para este termo, o que de fato é essencial sobre o assunto é utilizar-se do verbo, agindo para a envoltura de relações com quem nasceu especialmente incomum.

UMA CONTRUÇÃO A VÁRIAS MÃOS

Foi a partir do projeto de mestrado da pesquisadora Elaine Seiffert, sob orientação do professor Doutor Douglas Paulesky Juliani, que nasceu o portal educaçãoinclusiva.org. em Florianópolis (SC). A plataforma on-line prevê agrupar diferentes práticas educacionais inclusivas.

Após a concepção do site, foram convidados outros membros para compor o projeto, que ainda precisou de um ano para a finalização de seu desenvolvimento. Atualmente, o projeto passa pela fase de coleta de experiências educacionais inclusivas, quando educadores que atuam nesta abordagem podem acessar a plataforma e relatar os trabalhos desenvolvidos, explorando a metodologia, quantidade de alunos que participaram, a temática e conteúdo da aula e materiais utilizados.

“O projeto nasceu de uma dissertação de mestrado, mas depois nós temos um trabalho orgânico, muitas pessoas têm se colocado como voluntários, pessoas de fora de Florianópolis. É muito gratificante ver o projeto se tornar um movimento da sociedade”, reiterou Douglas.

DIFICULDADES EM AVANÇAR COM O TEMA

O professor falou à reportagem, que mesmo que existam avanços quanto a educação inclusiva, e que uma legislação garanta esse direito, os profissionais ainda apresentam uma certa dificuldade: “É uma temática recente, até certo ponto, um tanto quanto polêmica e, culturalmente, a nossa sociedade tem um certo desconhecimento em lidar com as singularidades presentes nos espaços formativos”, continuo.

Para ele, a manutenção desta plataforma é também motivada para construir uma mudança cultural na sociedade, quanto ao preconceito, até mesmo dos próprios pais que têm filhos com necessidades especiais e, que por isso, acreditam que estas crianças não possuem condições de frequentar diferentes espaços, fomentando cada vez mais o estímulo da diferença: “Abrindo cada vez mais os nossos espaços à diversidade, a questão da empatia, em todos esses aspectos para de fato incluir os nossos estudantes”, falou.

Por fim, o professor fez um convite a todos os educadores que trabalham com educação inclusiva para disponibilizarem no site do projeto suas experiências, para que desta forma, uma grande rede de compartilhamento seja desenvolvida.

ACOLHIMENTO EM DIVERSOS IDIOMAS

A rede CNA de ensino de idiomas iniciou um trabalho de inclusão, quando em 2008, elaborou um material didático em Braile, lançado pela editora CNA. No decorrer desses nove anos, outras demandas surgiram e, por isso, no fim do mês de maio aconteceu o lançamento do primeiro volume da série “Entender para incluir”, que apresenta um material formativo sobre déficit de atenção e imperatividade, dislexia, autismo e Síndrome de Down.

Marcelo Barros, que há 30 anos é professor e diretor de educação da CNA, falou à reportagem que não se sabe, ainda, a periodicidade e quantos edições do material serão lançados.

O diretor, porém, rememorou a revista Entornos e Contornos, publicada pela primeira vez em 2007: “Nós pensamos que seria uma coisa bastante curta e para se ter uma ideia, nós já estamos no 10º volume. Acreditamos que o ‘Entender para incluir’ seguirá um caminho bastante parecido. Ele irá existir enquanto for útil para ampliar o conhecimento acadêmico e escolar sobre essas necessidades especiais”.

Para dar identidade ao projeto, foram convidados especialistas que já tenham lidado com alguma dessas necessidades na educação e, partir disso, construir os próximos volumes do guia.

O material é todo disponibilizado para download no portal público do CNA, que é o cna.com.

Barros reconheceu que este tema, é, porém, pouco trabalhado entre as escolas de idiomas, com isto, torna-se ainda mais necessário chamar a atenção para aquilo que é também um dos valores da rede de escolas, o protagonismo e a ousadia e, desta forma, estar atento para as novas demandas que surgem frequentemente.

EVANGELIZAÇÃO

O Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizará o segundo Simpósio sobre Catequese Inclusiva em 24 de agosto. O Padre Alexander Silva, Articulador da Catequese Inclusiva no Regional Sul 1 da CNBB, salientou que o encontro contará com a presença de catequistas de todo o estado de São Paulo.

Padre Alexandre explicou, ainda, que Dom Ricardo Hoepers, Bispo de Rio Grande (RS) e referencial da Comissão para Família da CNBB Nacional, é um dos convidados. Além disto, afirmou que o dia de atividades contemplará uma palestra cujo tema é “Metodologia: Aspectos Pastorais e Familiares para uma viver a Catequese Inclusiva” e oficinas sobre diferentes necessidades especiais.

As inscrições podem ser feitas pelo site da CNBB do Regional Sul 1. O valor é de R$ 25,00, incluindo café e almoço.

As atividades se iniciam às 8h e seguem até às 16h30, no Centro Pastoral São José, na Região Episcopal Belém da Arquidiocese de São Paulo.

O evento está sendo organizado pela Equipe de Catequese Inclusiva do Regional Sul 1, em parceria com a Comissão de Animação Bíblico-Catequética do regional, que tem como referencial Dom Milton Kenan Junior, Bispo de Barretos (SP). O coordenador da Comissão de Animação Bíblico-Catequética é o Padre Marcelo Machado.

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Na Romênia, Francisco faz apelo por unidade e fraternidade

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11 de junho de 2019

“Caminhemos juntos” foi o lema da 30ª Viagem Apostólica Internacional do Papa Francisco, que teve como destino a Romênia, entre os dias 31 de maio e 2 de junho. 
Durante os três dias de viagem ao País do Leste Europeu, o Pontífice teve uma intensa programação, passando por Bucareste, Sumuleu Ciuc, Iasi e Blaj. Ele encontrou-se com autoridades civis e religiosas e visitou diferentes comunidades católicas, que representam 7% da população do País de maioria cristã ortodoxa (86%).

A SERVIÇO DO BEM COMUM 
Logo após sua chegada à capital, Bucareste, na sexta-feira, 31 de maio, o Santo Padre foi recebido pelo presidente romeno, Klaus Werner Iohannis, no Palácio Presidencial. Em seu primeiro discurso, Francisco recordou a visita de São João Paulo II ao País, há 20 anos, e afirmou que a Igreja Católica quer se colocar a serviço da dignidade e do bem comum. 
O Pontífice relembrou os 30 anos da libertação da Romênia do regime comunista, que oprimia a liberdade civil e religiosa, e elogiou a reconstrução do País e o trabalho feito por meio “do pluralismo das forças políticas e sociais e do seu diálogo mútuo por meio do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do País no mais amplo cenário internacional”.
“É necessário caminhar juntos e que todos se comprometam, convictamente, a não renunciar à vocação mais nobre a que deve aspirar um Estado: ocupar-se do bem comum do seu povo”, afirmou o Papa. 

HERANÇA COMUM
O Papa Francisco foi recebido pelo Patriarca Ortodoxo Daniel Ciobotea, com o qual teve uma reunião privada, seguida de encontro com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena. 
Após a saudação de boas-vindas do Patriarca, o Pontífice fez um discurso, no qual recordou que os vínculos de fé que unem as duas Igrejas remontam aos apóstolos e “lembram-nos que existe uma fraternidade do sangue que nos antecede e que, ao longo dos séculos, como uma silenciosa corrente vivificante, nunca cessou de irrigar e sustentar o nosso caminho”. 
O Papa também disse que os sofrimentos e martírios sofridos por todos “é uma herança comum, que nos chama a não nos distanciarmos do irmão que a partilha”. 

SANTUÁRIO MARIANO
No sábado, dia 1º, o Papa presidiu missa no Santuário de Șumuleu Ciuc com a participação de cerca de 100 mil pessoas. Francisco ressaltou que “se, em Caná da Galileia, Maria intercedeu a Jesus para que realizasse o primeiro milagre, em cada santuário vela e intercede não só diante do seu Filho, mas também diante de cada um de nós, para não deixarmos que nos seja roubada a fraternidade pelas vozes e feridas que alimentam a divisão e a fragmentação”.

BEATIFICAÇÃO DE MÁRTIRES
No domingo, 2, o Santo Padre beatificou sete bispos greco-católicos mártires romenos, durante a Divina Liturgia, celebrada no Campo da Liberdade, em Blaj.
Os bispos Vasile Aftenie, Valeriu Traian Frenţiu, Ioan Suciu, Tit Liviu Chinezu, Ioan Bălan, Alexandru Rosu e Iuliu Hossu derramaram sangue por resistirem à perseguição do regime comunista nas décadas de 1950 e 1960. 
Na homilia, o Pontífice sublinhou que os mártires demonstraram uma fé e um amor exemplares pelo seu povo ao suportar “a feroz opressão do regime”. “Esses pastores, mártires da fé, recuperaram e deixaram ao povo romeno uma herança preciosa que podemos resumir em duas palavras: liberdade e misericórdia”, afirmou. 

COM OS CIGANOS
O último compromisso do Papa Francisco na Romênia foi o encontro com a comunidade cigana em Blaj.
“Em nome da Igreja, peço perdão, ao Senhor e a vocês, por todas as vezes que, ao longo da história, os discriminamos, maltratamos ou os consideramos de forma errada, com o olhar de Caim em vez do de Abel, e não fomos capazes de reconhecê-los, apreciá-los e defendê-los na sua peculiaridade”, manifestou o Papa. 

PRECE PELA EUROPA 
Na coletiva com os jornalistas a bordo do voo de volta para Roma, no domingo, o Papa fez um apelo pela unidade da Europa. O Pontífice ressaltou que os políticos que fazem apologia ao medo estão ameaçando a existência da União Europeia e fazendo com que o continente perca “o objetivo de trabalhar em conjunto”.
“Estamos vendo fronteiras na Europa, e isso não é bom. É verdade que cada país tem a sua própria identidade e deve preservá-la, mas, por favor, que a Europa não se deixe vencer pelo pessimismo e pelas ideologias”, completou.

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Mostra Cultural destaca proposta da CF 2018

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22 de agosto de 2018

O Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, sediou no sábado, 18, a 12ª Mostra Cultural, organizada pela Região Episcopal Lapa, com assessoria do Padre Geraldo Pereira, e a participação do Vigário Episcopal da Região Lapa, Padre Jorge Pierozan (Padre Rocha), e do Assistente Eclesiástico da Pastoral da Região, Padre Antonio Francisco Ribeiro, reunindo aproximadamente 400 pessoas. 

A atividade contou com a presença de paróquias, diversas pastorais, instituições de ensino e outras entidades. O tema da Campanha da Fraternidade deste ano, “Educando para fraternidade, superando a violência, promovendo a paz”, foi a base para exposição de trabalhos de crianças, jovens, adultos e idosos, que apresentavam nos painéis suas reflexões a respeito da proposta da CF 2018. Além da exposição, houve teatro, coral e apresentações musicais pelos participantes do evento, e a Pastoral da Comunicação da Região Lapa divulgou a realização do III Concurso de Fotografia da Região.

Em conversa com a Pastoral da Comunicação Regional presente ao evento, o Padre Antônio Francisco Ribeiro, afirmou que a “Mostra Cultural é fruto da Campanha da Fraternidade e do empenho dos cristãos que buscam mobilizar a sociedade, sendo uma oportunidade de expor o que vivemos e aprendemos em nossa vida como cristãos”. Ao final foram distribuídos troféus e certificados aos participantes.

 

 

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