Vaticano desmente que políticos latino-americanos tenham contas no IOR

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23 de outubro de 2019

O Vatican News divulgou novamente, nesta quarta-feira, 23, o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, publicado em 11 de janeiro, que desmente falsas notícias sobre a existência de contas bancárias atribuídas a presidentes e ex-presidentes de países latino-americanos no Instituto para as Obras de Religião (IOR), mais conhecido como o “Banco do Vaticano”.  

Na ocasião, o então diretor interino da Sala de Imprensa, Alessandro Gisotti, atestou a falsidade das informações publicadas pelo jornal El Expediente, em reportagem de 9 de janeiro. O artigo dizia que no IOR havia contas atribuídas ao ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, o ex-presidente do Brasil Luis Inácio Lula da Silva, o ex-presidente da Bolívia Evo Morales, o ex-presidente euatoriano Rafael Correa, o ex-presidente cubano Raúl Castro, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

 “Depois de verificar com as autoridades competentes, posso afirmar que nenhuma das pessoas mencionadas no artigo de El Expediente jamais teve uma conta bancária no IOR, nem a possui atualmente, nem possui assinaturas de delegados em nome de terceiros, nem teria – devido às novas normas adotadas pelo Instituto – algum título para realizar alguma operação”, informou Gisotti.

Essa fake news voltou a viralizar nas redes sociais no Brasil nos últimos dias, em função da entrevista de um “suposto diácono” argentino, de posse dos mesmos documentos apresentados pela divulgados pela anterior. “Os documentos apresentados como evidência são falsos. O IOR se reserva o direito de tomar medidas legais”, afirmou o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

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Para presidente da CBL, falta de leitura favorece notícias falsas

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26 de outubro de 2018

Em  8 de novembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, será realizada a 60ª edição do Prêmio Jabuti - considerado o principal reconhecimento e a mais tradicional honraria aos livros e aos escritores no Brasil. 

A realização de um evento literário por seis décadas no País é um marco. De acordo com a pesquisa Retrato da Leitura, 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. O Banco Mundial estima, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que os estudantes brasileiros podem demorar mais de dois séculos e meio para ter a mesma proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o mercado editorial encolheu 21% entre 2006 e 2017. 

O primeiro Prêmio Jabuti, entregue em 1959, foi concedido para a obra “Gabriela Cravo e Canela”, do escritor Jorge Amado que, anos antes, na ditadura do Estado Novo (1937-1945), teve seus livros queimados em praça pública. A obra do escritor baiano foi o primeiro livro lido pelo menino Luís Antonio Torelli, hoje editor e presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), entidade responsável pelo Prêmio Jabuti. 

“Num país com poucas livrarias e com pouco acesso ao livro, fica quase impossível ter um programa de formação de leitores se as pessoas não têm onde buscar o livro. As bibliotecas cumprem essa lacuna. Não é só construir. É preciso um acervo que convide e que seja atraente”, afirmou.

O especialista destacou ainda a importância da leitura e do conhecimento para o combate à disseminação de notícias falsas ( fake news ). “As pessoas formam opinião sem checar o que recebem, a origem dos dados ou quem é que está publicando. Quando você tem um pouco de conteúdo, proporcionado pela leitura, vê que aquilo não tem nenhum fundamento”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil
 

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FAKE NEWS: Como identificar e não compartilhar

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19 de outubro de 2018

É fake! Não é fake! Nunca como hoje a expressão fake news foi tão utilizada no Brasil. Do Inglês, o termo é utilizado para designar notícias falsas ou retiradas do contexto para produzir outro sentido. Em alguns casos, uma notícia falsa, compartilhada em redes sociais como o Facebook ou Instagram ou ainda em correntes e grupos pelo WhatsApp, pode ter consequências que colocam em risco a vida das pessoas.

As fake news já fazem parte do cenário que impede a população de se proteger de doenças como febre amarela, gripe e sarampo. Boatos espalhados pelo WhatsApp, Twitter e Facebook têm influenciado na queda do alcance das campanhas de vacinação no Brasil desde 2016, segundo o Ministério da Saúde. Algumas dessas notícias associam as vacinas aos altos índices de autismo ou déficit de atenção em crianças, por exemplo.

 

CAUSAS

Mas, por que, afinal, uma pessoa cria ou espalha uma notícia falsa, sabendo que pode prejudicar milhares de pessoas? Segundo o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB), Paulo José Araújo da Cunha, o hábito de usar notícias falsas indica uma “compulsão” por mentir e enganar os outros. “Do lado contrário, quem compartilha as mentiras geralmente acredita no que está lendo e o faz com boas intenções. Além disso, o advento da internet e redes sociais apenas facilitou esse processo - que é, aliás, muito antigo”, explicou Paulo José, em matéria publicada no site do Ministério da Saúde.

As redes sociais são terreno fértil para a difusão de notícias falsas por diferentes motivos. Alguns criadores desses conteúdos buscam divulgar uma ideia ou atacar uma pessoa, partido ou instituição. Outros têm motivação econômica, uma vez que a grande circulação de uma publicação gera interações, o que pode se traduzir em dinheiro a partir da lógica de veiculação de anúncios nessas plataformas. Foi o caso, por exemplo, de jovens da Macedônia que criaram perfis para difundir notícias falsas nas eleições dos Estados Unidos da América, em 2016, obtendo com isso uma  fonte de renda. 

 

PROJETOS

Se, por um lado, a internet promove a democratização de notícias, por outro, ela tem sido uma ferramenta para espalhar mentiras que, ao serem repetidas milhares e milhares de vezes, acabam soando como verdade. Empresas como a Google e o próprio Facebook têm desenvolvido campanhas e estratégias para barrar o crescimento das fake news. A Google anunciou em vídeo no seu canal oficial do YouTube um novo projeto para fomentar o jornalismo de qualidade em todo mundo. O Google News Initiative é um esforço da empresa em combater a desinformação e assegurar que as empresas consigam propagar bom jornalismo. 

O segundo objetivo é ajudar os sites de notícias a continuar a crescer da perspectiva de negócios, e o último é a criação de novas ferramentas que ajudem jornalistas na produção de notícias. 

Em termos de busca, uma das ferramentas utilizadas para propagar fake news, a empresa comunicou que está trabalhando para treinar o sistema para conseguir identificar notícias falsas e ajustá-lo para mostrar somente os bons resultados ao usuário. Essa iformação foi publicada pelo Canal Tech

Por parte do Governo Federal, grande parcela dos projetos apresentados propõem regras de dois tipos: ou criminalizam os usuários que produzem ou difundem as chamadas notícias falsas ou impõem às plataformas digitais (como Facebook, Google e Instagram) a obrigação de fiscalizar o conteúdo que circula em seu interior, sujeitando essas empresas a multas caso não removam mensagens falsas ou consideradas prejudiciais. Mas ainda não há um consenso sobre a questão.

A Polícia Federal criou um grupo de fiscalização durante as eleições. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral estuda desenvolver um canal, em parceria com a imprensa, para identificar e punir quem publica informações falsas.

7 dicas para não cair nesta armadilha

1) NÃO LEIA SÓ O TÍTULO

Uma estratégia muito utilizada pelos criadores de conteúdo falso na internet é apelar para títulos bombásticos. Ler o texto completo é um passo básico para evitar compartilhar fake news.

2) VERIFIQUE O AUTOR

Ver quem escreveu determinado texto é importante para dar credibilidade ao que está sendo veiculado.

3) VEJA SE CONHECE O SITE

Não deixe de olhar a página onde está a notícia. Navegar mais no site ajuda a analisar sua credibilidade.

4) OBSERVE SE O TEXTO CONTÉM ERROS ORTOGRÁFICOS

As reportagens jornalísticas prezam pelo bom vocabulário e pelo uso correto das normas gramaticais. Por outro lado, os sites com notícias falsas ou mensagens divulgadas pelo whatsapp tendem a apresentar uma escrita fora do padrão, com erros de Português ou quantidade exagerada de adjetivos.

5) OLHE A DATA DE PUBLICAÇÃO

Identifique quando a notícia foi publicada. Muitas vezes, o texto está simplesmente fora de contexto.

6) SAIA DA BOLHA DA REDE SOCIAL

Para estar bem informado, o eleitor deve ler e acompanhar o noticiário não somente nas redes sociais.

7) TOME CUIDADO COM O SENSACIONALISMO

As fake news tendem a conter palavras ou frases que despertam emoções ou mexem com as crenças das pessoas, atingindo um maior potencial de divulgação e compartilhamento nas redes sociais.

Fonte: www.infograficos.estadao.com.br
 

EDUCAÇÃO

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) revelou que as fake news se espalham seis vezes mais rápido do que notícias verdadeiras. Além disso, o estudo aponta que 70% das informações falsas têm mais chance de serem replicadas. Esther Wojcicki, professora e educadora norte-americana com 50 anos de experiência na área, descreve a importância da checagem para combater as fake news. A matéria foi publicada em maio, na página da Época Negócios. 

“A primeira coisa que eu indico é a verificação de fontes. Depois, eu digo que é importante compartilhar somente o que você leu e entendeu”, disse Esther. No texto, ela explica também que o termo “fake news” foi popularizado em 2016, quando a Rússia foi acusada de difundir fatos inverídicos para influenciar a disputa presidencial nos Estados Unidos, em benefício de Donald Trump. Desde então, notícias falsas sobre o Brexit, a independência da Catalunha, o programa nuclear da Coreia do Norte e até mesmo de políticos brasileiros ganharam espaço na internet. 

“Quando as crianças são ‘donas’ do próprio conhecimento, elas dão mais valor e aprendem melhor”, ressaltou Esther, que estimula os jovens ao pensamento crítico, à criatividade e à colaboração, além de, claro, impulsioná-los a buscar dados corretamente.

 

SENSO CRÍTICO

Publicada no site de Infográficos do jornal O Estado de S. Paulo, a reportagem recorda que é preciso fazer um esforço coletivo pela alfabetização digital.

“Tem de vir da grande imprensa, do professor, da família, de todos os lados”, afirmou a diretora da Agência Lupa , Cristina Tardáguila, em texto publicado. A reportagem recorda também um estudo realizado pela Universidade de Stanford. A pesquisa apontou, em julho deste ano, que estudantes norte-americanos tiveram problema para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet. Dentre 7.804 alunos dos ensinos Fundamental, Médio e Superior, 40% não conseguiram detectar fake news.

Daniel Schwabe, professor do Departamento de Informática da PUC-Rio, afirmou que nesse cenário de novos canais, há uma certa vulnerabilidade porque não se sabe mediar a absorção da informação que se recebe. “É necessário criar uma cultura de questionamento”, enfatizou. 

Em sua mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco insistiu no papel do jornalista e do Jornalismo que deve estar comprometido com a verdade. “Penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionalistas e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um Jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação.”

 

PEÇA AJUDA!

Se, mesmo conferindo dados como o site em que foi publicada uma notícia, a data, o autor e o vocabulário, ainda surgirem dúvidas, há sites que ajudam a descobrir se aquela notícia é falsa ou não. É o caso de agências como a Lupa, Aos Fatos e Boatos.org. Basta digitar o título da matéria ou o conteúdo a que ela se refere. 

 

LUPA

Criada pela Revista Piauí em parceria com a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas e com a Rede Um Brasil, a Lupa é a primeira agência especializada em fact-checking do Brasil. Atua desde 2015 com o noticiário nacional e internacional em diversos formatos, como texto, vídeo e áudio.


AOS FATOS

Membros da Rede Internacional de Investigadores, os criadores do Aos Fatos têm compromisso com a verdade e investigam com seriedade os assuntos mais comentados na internet. Além disso, em janeiro, em parceria com o Facebook, o Aos Fatos criou o projeto Fátima, um bot no Messenger que auxilia os usuários a trafegar entre as informações na internet. Aos Fatos também classifica as notícias, que são categorizadas como verdadeiras, imprecisas, exageradas, contraditórias, insustentáveis e falsas.

 

BOATOS.org

Criado e mantido por diversas vozes vindas de grandes empresas jornalísticas, como Edgard Matsuki, que já trabalhou no UOL e na EBC, e Carol Lira, também fruto da EBC, o site tem o propósito de investigar qualquer tipo de notícia que circule na rede e que tenha aparência e procedência duvidosa.

Fonte: Grano studio.com
 
 

O PAPA FRANCISCO E AS FAKE NEWS

A mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2018 foi sobre “Fake News e Jornalismo de Paz”, e aponta quatro caminhos para evitar ser vítima ou até mesmo divulgar notícias falsas.

  1. QUE HÁ DE FALSO NAS NOTÍCIAS FALSAS?

 

A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas, mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários. A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao fato de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogêneos e impermeáveis a perspectivas e opiniões divergentes. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos.

 

  1. COMO PODEMOS RECONHECÊ-LAS?

 

Nenhum de nós pode se eximir da responsabilidade de contrastar essas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos deliberadamente evasivos e sutilmente enganadores, valendo-se, por vezes, de mecanismos refinados. A prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a lógica da serpente, capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós.

 

  1. A VERDADE VOS TORNARÁ LIVRES (JO 8,32)

 

Dostoievski deixou escrito algo de notável neste sentido: “Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo” (Os irmãos Karamazov, II, 2). O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor.

 

  1. A PAZ É A VERDADEIRA NOTÍCIA

 

O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, por meio da fadiga de um diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem.


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Estudo aponta queda na disseminação de notícias falsas no Facebook

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18 de setembro de 2018

Interações com perfis disseminadores de notícias falsas caíram no Facebook nos últimos dois anos, mas cresceram no Twitter, segundo um artigo publicado por pesquisadores em um estudo sobre desinformação da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Os autores analisaram 570 sites dos Estados Unidos classificados por eles como produtores de conteúdo falso entre janeiro de 2015 e julho de 2018. As fontes de conteúdos falsos foram comparados com páginas e perfis de veículos tradicionais e pequenos de mídia bem como de cobertura segmentada em temas como negócios e cultura.

Segundo a análise, o engajamento (likes, compartilhamentos e comentários) com mensagens desses sites cresceu entre janeiro de 2015 e os meses finais de 2016, logo após as eleições presidenciais dos Estados Unidos. O grupo de sites estudado teve nível de engajamento semelhante às 38 principais páginas de mídia verificadas na pesquisa.

A partir de 2017, as interações caíram mais de 50% no Facebook. No fim de 2016, a plataforma chegou a ter picos de 200 milhões de interações por mês no conjunto dos sites analisados. A média caiu para 70 milhões de engajamentos por mês. “Embora as evidências sejam longe de definitivas, nós vemos como consistente a ideia de que a magnitude geral do problema da desinformação pode ter reduzido, pelo menos temporariamente, e que os esforços do Facebook após as eleições de 2016 para limitar a difusão de desinformação podem ter tido um impacto significativo”, dizem os autores no texto.

Desde dezembro de 2016, o Facebook anunciou um conjunto de medidas que teriam como objetivo barrar a difusão de desinformação dentro da plataforma. Foram celebrados acordos com agências de checagem, marcação de conteúdos como falsos, redução do alcance dessas mensagens e derrubada de contas falsas.

Apesar disso, os pesquisadores alertam que os níveis de engajamento com notícias falsas continuam altos e que o Facebook tem um papel importante nessa disseminação. O número de 70 milhões de interações por mês nesses sites de notícias falsas foi considerado pelos autores uma média considerável de reações, compartilhamentos e outras formas de circulação de conteúdos enganosos.

 

Twitter

Já no Twitter, entre 2017 e 2018 os autores do estudo identificaram uma ampliação de reações, compartilhamentos e outras formas de interação com mensagens enganosas. Enquanto a média mensal de compartilhamentos estava em 2 milhões em janeiro de 2015, em julho de 2018 ela havia chegado a quase 6 milhões por mês.

Na comparação de interações entre Facebook e Twitter, a proporção teve uma queda considerável, saindo de 45:1 (45 engajamentos no Facebook para 1 compartilhamento no Twitter) em 2016 para 15:1 no meio de 2018.

No início do mês, o diretor executivo do Twitter, Jack Dorsey, depôs a um comitê do Senado dos Estados Unidos quando admitiu que a empresa não lidou adequadamente com o problema da desinformação e que não estava preparada para o fenômeno. A plataforma vem focando sua atuação na derrubada de contas falsas, não tendo adotado medidas como a identificação de conteúdos questionados por agências de checagem, como Facebook e Google.

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O Papa, as fake news e o ato de confiança nos jornalistas

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30 de agosto de 2018

A cena é a habitual da quarta-feira na Praça São Pedro. O Papa conclui a sua catequese, concede a sua bênção e cumprimenta algumas pessoas que foram admitidas no chamado "beija mão". Da praça ergue-se um coro, são fiéis que festejam alguém querido a eles, que pessoalmente está saudando o Santo Padre. Na manhã desta quarta-feira, ocorreu que os crismandos da diocese de Lucca entoaram um coro cantando o nome "Italo", nome de seu bispo, Dom Italo Castellano, que estava cumprimentando o Papa Francisco.

Tudo normal se não fosse que alguém se disse convicto de ter ouvido um coro que exaltava Viganò, o ex-núncio nos EUA, autor do conhecido documento de acusação contra o Papa. A notícia é daquelas que fazem clamor, de primeira página. Pena que seja falsa. Para notar isso seria basicamente suficiente ouvir atentamente o vídeo do Vatican News no Youtube, portanto acessível a todos, para perceber que, apesar de não saber que era para "Italo", certamente aquele coro não era para "Viganò". O fato é que em poucos minutos a "notícia" se tornou viral nas mídias sociais e a partir daí – como cada vez mais acontece - passa  à informação main stream. Aparentemente sem filtros.

Em alguns sites de jornais, portanto, lemos que o Papa foi contestado pelos fiéis na Praça São Pedro, que exaltavam o "grande acusador" Carlo Maria Viganò. A verdadeira notícia surge em breve, graças ao profissionalismo daqueles que se dão ao trabalho de ouvir novamente o áudio e "descobrir" a presença na Praça São Pedro do grupo de fiéis da cidade de Lucca que, durante algumas horas, graças a esta fake news se tornaram "famosas" mesmo sem querer. A história, que tem alguns aspectos surrealistas e para alguns aspectos até mesmo cômicos, é na verdade o sintoma perturbador de um sistema midiático que, na busca exasperada do scoop da notícia, não analisa os fatos, mas os dobra  para o que parece ser a expectativa do seu público.

Precisamente o Papa Francisco, na sua última Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, explicou eloquentemente quais são as dinâmicas que levam à propagação de falsas notícias como esta. A eficácia das fake news, observa o Papa, "é devido principalmente à sua natureza mimética, isto é, à capacidade de parecer plausível. Em segundo lugar, essas notícias falsas, falsas mas prováveis, são cativantes, no sentido de que são capazes de capturar a atenção dos destinatários ". O Papa observa em seguida um "uso manipulador das redes sociais," as notícias falsas "ganham uma tal visibilidade que até mesmo as desmentidas das com autoridade dificilmente conseguem conter os danos." O que está em jogo? O que preocupa o Papa? Para Francisco, as "razões econômicas e oportunistas da desinformação estão enraizadas na sede de poder” que "nos faz vítimas de um imbróglio muito mais trágico de cada singular manifestação: o do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração ".

Desde o início de seu Pontificado, Francisco manifestou uma grande confiança nos operadores da informação. Uma confiança reafirmada ano após ano, concedendo numerosas entrevistas também a meios de comunicação que não têm nenhum poder - como a revisita dos sem-casa de Milão ou à rádio de uma favela argentina - e nunca evitando as perguntas dos jornalistas, mesmo as mais desconfortáveis. Um ato de confiança (e de responsabilidade) que renovou aos jornalistas precisamente no documento de Viganò. "Vocês têm a capacidade jornalística suficiente para tirar as conclusões", disse o Papa no voo de volta da Irlanda, "é um ato de confiança". Uma confiança que recorda a essência da profissão jornalística que busca a verdade e não a fabrica.

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Encontro de formação sobre fake news na Paróquia São Luís Gonzaga

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22 de agosto de 2018

No domingo, 19, na Paróquia São Luis Gonzaga, Setor Pastoral Pereira Barreto, os jovens crismandos participaram de discussões sob o tema fake news (notícias falsas) e o compromisso cristão. A temática foi conduzida por integrantes da Pastoral da Comunicação da Paróquia, que usaram como base para a mensagem enviada pelo Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, sobre o tema “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32) - Fake news e jornalismo de paz”.


 

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Eleição com maioria de votos nulos e brancos é válida?

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21 de agosto de 2018

Como toda ‘fake news’ (notícia falsa), esta chegou pelo WhatsApp sem identificação de autoria: “Você sabe como eliminar 90% dos políticos corruptos de uma única vez? Preste muita atenção: você sabe para que serve o voto nulo? Se numa eleição houver maioria de ‘votos nulos’, é obrigatório haver nova eleição com candidatos diferentes daqueles que participaram da primeira!!! Segundo a legislação brasileira, se a eleição tiver 51% de votos nulos, o pleito é anulado e novas eleições têm que ser convocadas imediatamente; e os candidatos não eleitos ficarão impossibilitados de concorrer nessa nova eleição!!! É disso que o Brasil precisa: Um susto nessa gente! Nulo neles!”. 

Não se deixe enganar: é mentirosa esta e qualquer outra “notícia” que informe que com maioria de votos brancos e nulos se anula uma eleição. 

No Código Eleitoral (lei 4737/65), o capítulo VI, que trata das nulidades da votação, não prevê nada nesse sentido. O que tem acontecido é uma interpretação equivocada do artigo 224, que afirma o seguinte: “Se a nulidade atingir mais da metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado, e nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 a 40 dias”.

A nulidade prevista nesse artigo é somente para os votos declarados nulos por decisão judicial e não se refere ao somatório de votos nulos e brancos dados nas urnas. Assim, por exemplo, se um candidato vencedor for cassado pela Justiça por compra de votos ou por outras irregularidades eleitorais, devem ser convocadas novas eleições. Isso aconteceu neste ano no Tocantins: em março, a chapa formada por Marcelo Miranda (MDB) e sua vice, Cláudia Lélis (PV), vencedora do pleito para governador em 2014 com 51,3% dos votos válidos, foi cassada por prática de caixa 2. Por isso, no último mês de junho, os eleitores dos Tocantins precisaram voltar às urnas para eleger um novo governador. O escolhido foi Mauro Carlesse (PHS) que seguirá no cargo até dezembro. 

Lembre-se: somente os votos válidos são considerados para a contagem final dos eleitos. Nulos e brancos são sempre descartados em todas as eleições, independentemente do cargo em disputa. 

Sobre este assunto, vale, ainda, a menção a um trecho da cartilha de orientação política “Os cristãos e as Eleições 2018”, produzida pelo Regional Sul 2 da CNBB: “Votar nulo ou branco é como a atitude de Pilatos, que lavou as mãos. A melhor forma de protestar contra os corruptos é votar num bom candidato e depois acompanhar e fiscalizar os eleitos”.

(Com informações do TRE-RJ e cartilha “Os cristãos e as Eleições 2018”)
 

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Fake news e jornalismo de paz

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04 de mai de 2018

No mundo atual, o jornalista não desempenha só uma profissão, mas uma missão.” A frase do Papa Francisco foi citada durante o evento “Caiu na rede – comemorando o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais”, a partir da mensagem do Pontífice para a ocasião: “A verdade vos tornará livres – Fake news e jornalismo de paz”. 

Para refletir sobre o tema e celebrar a data, a Arquidiocese de São Paulo, em parceria com as Irmãs Paulinas e apoio da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana (Pascom), da Revista Família Cristã, do Serviço Pastoral da Comunicação e da gravadora e editora musical Paulinas-Comep, realizou um debate em 26 de abril, no Auditório Paulo Apóstolo, na Vila Mariana. O 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado por toda a Igreja na Festa da Ascensão do Senhor, que em 2018 será em 13 de maio. 

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, participaram da mesa, junto a Márcio Campos, repórter do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e Glaucya Tavares, mestra em Comunicação com especialização em Marketing. O debate foi mediado pela Irmã Helena Corazza, doutora em Comunicação pela USP e religiosa da Congregação das Irmãs Paulinas. 

‘A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas, mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração.’
Papa Francisco

Em sua fala, Dom Odilo recordou que os jornalistas são os primeiros destinatários da mensagem do Papa. “O Papa inicia sua reflexão perguntando ‘o que são as fake news ?’. Francisco fala sobre as fake news de hoje que são tantas, sobretudo quando temos bilhões de comunicadores e, portanto, as notícias falsas têm um grande potencial destruidor”, afirmou. 

Ele explicou que as notícias falsas são comunicação de inverdades e não são inocentes.

“Notícias falsas podem gerar guerras, podem ganhar eleições e causar danos morais, econômicos, criar desassossegos sociais e não contribuir para a paz e a convivência. O Papa convida a não produzir notícias falsas. A verdade liberta e quem busca a verdade não tem o que temer, quem caminha na verdade não tropeça. Sejamos também nós promotores da paz”, continou o Cardeal.

Dom Devair, por sua vez, ao falar sobre a preparação do evento, comentou que “nem tudo o que cai na rede é peixe”. Ela insistiu na importância de “ter a capacidade de duvidar sempre”. 

‘No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos.’
Papa Francisco
 

 

VAIDADE

Márcio Campos convidou os participantes a fazer um exercício e a pensar sobre o quanto a vaidade pessoal pode gerar ou apoiar notícias falsas. “Quando temos o hábito de só curtir e compartilhar aquilo com o que concordamos, sem pensar se o que compartilhamos é bom ou não, é bem possível que cometamos erros, inspirados pelo nosso egoísmo”, disse. 

Sobre o fazer jornalístico, Márcio enfatizou que a primícia básica do jornalista é a verdade. “A notícia pode ter vários lados, mas não pode deixar de ter a verdade. Nós, na busca pela verdade, erramos. Se a empresa é séria, ela corrige. Eu não tenho compromisso com o erro. Mas, quando erro, peço desculpas”, comentou Márcio.

‘Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.’ 
Papa Francisco
 

Ele recordou também que a notícia falsa envolve dinheiro e reputação. “Uma vez que ela coloca em cheque a integridade das pessoas, a notícia falsa pode causar muitos danos. Nós que somos comunicadores temos a responsabilidade de fazer esse exercício diário”, explicou Márcio Mozer.

 

IMPACTO DAS NOTÍCIAS FALSAS

Ao falar sobre a comunicação institucional, Glaucya salientou que uma das grandes forças é integrar as pessoas que estão dentro da instituição ou organização. “A cultura do diálogo pode eliminar muitas notícias falsas, porque quando as pessoas que fazem parte de uma organização estão bem informadas, elas serão porta-vozes e não contribuirão para difundir notícias falsas.” 

Em relação ao fortalecimento da comunicação interna, a Mestra em Comunicação e Professora da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação insistiu que a comunicação interna é a marca, a identidade, a cara da instituição ou organização em relação ao mundo digital. “Quando se fortalece esse tipo de comunicação, a informação gera a cultura do diálogo, que é fundamental para que todos os envolvidos possam saber o que está acontecendo, quais as metas e os planos para atingir suas metas. Eu daria duas dicas: a primeira é a integração; as partes se conversarem constantemente (pequenas conversas semanais, produtivas); a segunda é o compartilhamento com o público externo, com verdade e transparência. Eu me comunico só quando eu quero vender um produto ou ideia? Ou me comunico com consistência?”, questionou. 

‘São louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento.’
Papa Francisco

Outra questão importante na gestão de crises apresentada por Glaucya refere-se às informações compartilhadas. Ela comentou que 60% dos brasileiros confiam na mídia tradicional e que o País é o segundo do mundo que mais confia nesta. Outro dado significativo é o de que uma notícia falsa tem 70% de chances a mais de ser compartilhada do que uma verdadeira. “Para enfraquecer as fake news é preciso dar notícias verdadeiras e pertinentes. Em comunicação, não dá para se esconder”, continuou Glaucya.

‘O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceitual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindoas verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, desvendar a realidade [...]. O único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único verdadeiro é o Deus vivo.’
Papa Francisco

 

JORNALISMO DE PAZ

Além da questão das notícias falsas, um aspecto intensamente abordado pelo Papa em sua mensagem é a do Jornalismo de paz. “Para mim, um jornalista de paz é aquele que se coloca a serviço da sociedade, do bem comum. Quando o veículo deseja ajudar as pessoas a serem melhores e a, com esperança, construírem um mundo melhor, estamos falando de um Jornalismo de paz. Aquele Jornalismo que se determina a levar a verdade, com transparência, sem manipulação. Sempre numa lógica de esperança e nunca numa lógica de morte, violência e da cultura do ódio”, explicou Glaucya ao O SÃO PAULO.

Embora em alguns casos existam outros fatores envolvidos na publicação de uma notícia, Glaucya salientou a relevância de o jornalista expor, com coerência, todos os fatos apurados. “O jornalista tem de buscar, naquilo que ele entrega, uma cultura de paz e não a propagação de uma informação unilateral. Ele pode se posicionar e fazer suas escolhas”, afirmou. 

Quando fala sobre a profissão e a missão do jornalista, o Papa Francisco afirma que “o melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, por meio da fadiga de um diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias”.

 

GRUPO IR AO POVO

O “Grupo ir ao Povo” participou do evento sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais com músicas relacionadas à comunicação. Criado pelo Padre Zezinho (José Fernandes de Oliveira), o grupo tem uma formação familiar e existe há 18 anos. Beto, Betinho, Ana Clara, Tiago e Giba (nomes artísticos da família Oliveira) colocam a serviço da comunidade e da canção católica suas experiências, talentos e dedicação. Com um repertório riquíssimo e variado, disponibilizam um serviço às dioceses que procuram artistas que cantem solidariedade, justiça e paz, privilegiando a Doutrina Social da Igreja. 

‘Para discernir a verdade, é  preciso examinar aquilo que favorece  a comunhão e promove o bem e  aquilo que, ao invés, tende a isolar,  dividir e contrapor.’
Papa Francisco

 

PARA NÃO CAIR NA SEDUÇÃO DAS FAKE NEWS

Em sua mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações, o Papa Francisco define a expressão fake news como a “desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos”. 

“Quando falamos de critérios para não cair na sedução das fake news , estamos falando tanto do ponto de vista do não se enganar, mas também não compactuar”, explicou Glaucya à reportagem. Ao ser perguntada sobre o fato de alguns grupos serem mais suscetíveis a compartilhar esse tipo de notícias, a Docente explicou que, em geral, são as pessoas que têm menos acesso à informação, à leitura e a outros meios mais confiáveis. “Eles não têm acesso a uma informação de qualidade que gera um pensamento crítico e, muitas vezes, a manipulação acontece nas grandes e nas pequenas mídias. Em qualquer blog, site, tevê ou rádio pode existir também tipos diferentes de manipulação”, explicou.

‘Por isso, desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo bonzinho, que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos.’
Papa Francisco

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  • Conferir a fonte;
  • Prestar atenção nas narrativas (quando elas são exageradas,   taxadas, preconceituosas, é preciso duvidar);
  • Abrir o link, ver se o site existe mesmo;
  •  Nunca compartilhar, se você não tiver certeza.

 

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FAKE NEWS: O que isso tem a ver comigo?

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06 de fevereiro de 2018

Quando chega ao grupo de WhatsApp de sua família, ou em seu perfil na rede social, uma notícia bombástica sobre o momento político ou, por exemplo, alguma denúncia a respeito da eficácia da vacina contra a febre-amarela distribuída nos postos de saúde, ou até mesmo alguma declaração polêmica atribuída ao Papa Francisco, qual é a sua primeira atitude: ler, verificar a sua veracidade, ou compartilhá-la imediatamente com os amigos?

É diante de situações comuns como essas que se disseminam as chamadas fake news, objeto da mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, publicada no dia 24. Essas notícias falsas, no entanto, não nascem de repente, mas são fruto de um contexto potencializado pelas redes sociais digitais chamado “pós-verdade”. Eleita palavra do ano em 2016 pelo dicionário britânico Oxford, a “pós-verdade” ganhou relevância nas mídias após a ampla veiculação de notícias falsas durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Post-truth (pós-verdade): relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais”, define o verbete do termo no dicionário. Em outras palavras, é quando os fatos importam menos do que aquilo em que as pessoas escolhem acreditar, ou seja, “quando a verdade é substituída pela opinião”.

 

DISSEMINAÇÃO

Para a Pollyana Ferrari, Professora de Jornalismo da PUC-SP e pesquisadora em Comunicação Digital, as redes sociais, principais fontes de informação da atualidade, colaboraram para a disseminação em larga escala das notícias falsas. “Muito rapidamente se dissemina e se produz notícias falsas hoje em dia. Existe uma polarização de vozes nas redes e isso favorece ainda mais para essa prática”, explicou Ferrari, ao O SÃO PAULO. Ela iniciou sua pesquisa sobre o tema para seu pós-doutorado pela Universidade Beira Interior, em Portugal. 

A Professora destacou, no entanto, que o fenômeno das fake news não é novo. “Notícias falsas criadas por interesse pessoal, partidário, econômico, sempre existiram. Quando dizíamos a ‘imprensa marrom’ ou os tabloides sensacionalistas, nos referíamos a isso. Mas nas redes sociais o alcance é muito maior e mais rápido”. 
 

BOLHAS

Um dos fatores que potencializaram a propagação de fake news são as chamadas bolhas das redes sociais, geradas pelos algoritmos dos desenvolvedores dessas mídias, que fazem com que o usuário receba em seus perfis cada vez mais informações relacionadas aos seus gostos e interesses pessoais. “Quanto mais eu gosto de um tema, mais ele aparece na minha rede, seja a pesquisa de um produto, ou um assunto de viagem. Isso vai crescendo como uma avalanche”, salientou Ferrari. 

Na avaliação da Especialista, essas bolhas fazem com que as pessoas se isolem cada vez mais em grupos pequenos nos quais não se toleram opiniões divergentes. Isso favorece a crescente polarização de ideias que se vê nas redes sociais. “Quando alguém diz ‘não brigo mais no Facebook, porque fiz uma limpeza dos meus amigos e agora só falo com quem pensa igual a mim’, é muito ruim, porque todo mundo não é igual”. 

O Papa Francisco reforça essa ideia quando afirma que a dificuldade em desvendar e erradicar as fake news se deve também ao fato de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais “homogêneos e impermeáveis a perspectivas e opiniões divergentes”. “Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas”.

 

OPINIÃO NÃO É FATO

Pollyana Ferrari apontou a parcela de responsabilidade do jornalismo, que, nos últimos 15 anos, teria se distanciado da sua essência quando priorizou o chamado jornalismo opinativo. “Jornalismo sempre foi prestação de serviço. Não existe duas verdades. Sob a justificativa de adotarem um viés editorial, os veículos acabaram virando opinativos, jornalismo de colunista”.

Esse também é chamado de “jornalismo de aspas”, isto é, aquele no qual o repórter é enviado pelos editores com o compromisso de retornar para a redação com uma declaração de alguém que corresponda aos interesses editoriais. “Mas quem disse que o que a pessoa falou é verdade?”, questionou Ferrari, que considera que o excesso de opinião empobreceu o jornalismo. “A opinião não se checa. Mas opiniões não são fatos. Cada pessoa pode ter suas próprias opiniões, mas não seus próprios fatos”, continuou. 

 

EM BUSCA DE LIKES

É preciso ter claro que não são apenas fake news aquelas notícias completamente falsas, mas também as informações construídas de modo que a opinião de quem a produz são mais valorizada do que a verdade dos fatos, geralmente para atender a interesses políticos, ideológicos e até comerciais. 

Nesse aspecto, com o objetivo de obter “cliques”, “curtidas”, em seus perfis ou páginas, muitos veículos manipulam manchetes, títulos ou informações completas, quando não produzem notícias totalmente falsas em meio a outras verdadeiras em busca de mais acessos e maior audiência.

O mesmo fenômeno acontece com os indivíduos que compartilham as informações sem verificarem sua autenticidade pelo simples desejo de obterem mais likes, mais repercussão e visibilidade. “Quando comecei a pesquisar sobre as fake news, percebi que o lastro com o real está se perdendo, e a ‘persona digital’ tem falado mais alto. Sem perceber, a mentira vai tomando conta de tudo”, alertou Ferrari. 

 

COMBATE

Há uma discussão mundial sobre a necessidade de uma legislação que combata as fake news. Na Alemanha, por exemplo, quem compartilhar notícias falsas será multado. Redes como o Facebook se consideram empresas “pós-mídia”, uma vez que não produzem informações ou conteúdos jornalísticos, que é de responsabilidade dos que utilizam a plataforma. Isso aumenta a responsabilidade dos usuários.

Recentemente, os desenvolvedores do Facebook anunciaram novas mudanças nos algoritmos da rede sob o argumento de permitirem que as pessoas voltem a acessar mais conteúdos compartilhados por seus amigos e familiares do que de páginas institucionais ou de veículos de jornalismo. Essa medida pode ser interpretada como uma tentativa de diminuir o crescimento das bolhas, mas a professora da PUC acredita que isso também pode ser uma tentativa da rede social de Mark Zuckerberg ingressar em países como a China, onde há um grande controle do acesso à internet, ou para se adaptarem às propostas de regulamentação de combate às notícias falsas em outros países.

RESPONSABILIDADE PESSOAL

Assim como na mensagem de Francisco, a Professora da PUC-SP reforçou a necessidade de se batalhar por um mundo onde o senso crítico prevaleça. “É um momento muito rico e oportuno para discutir sobre ética e senso crítico. Temos que discutir sobre verdade, critérios éticos na escola, na universidade, na Igreja, no clube. Como disse o Papa, é a verdade que liberta”, afirmou Ferrari.

O primeiro conselho da Especialista é “desconfie de tudo”. “Todo mundo precisa ser um ‘checador’ de fatos. Ao receber a foto de algum fato político, por exemplo, antes de ser do partido que gosta ou não, verifique se essa imagem corresponde à realidade, se não foi manipulada. Temos que aprender a checar o tempo todo. E quando for falso, não compartilhemos e avisemos para as pessoas que é mentira, independentemente se é algo que eu gosto ou não”, indicou. 

“Compartilhamos fake news porque, na maioria das vezes, nem sequer clicamos no texto que recebemos”, acrescentou a Professora, explicando que o cérebro precisa de um a quatro minutos para absorver uma informação nova. Imagine o tempo que o dedo leva para curtir ou compartilhar uma notícia na tela do smartphone”. 


CHECAGEM DE FATOS

Para auxiliar na verificação das notícias, surgiram em vários países serviços de Fact-Checking (checagem de fatos) que, por meio do cruzamento de dados, analisam notícias e declarações feitas por fontes citadas nas matérias, informando o grau de veracidade dos dados. O Instituto Poynter, líder mundial em jornalismo, com sede nos Estados Unidos, por exemplo, elaborou um código de princípios para sua Rede Internacional de FactChecking, que vem sendo adotado por diversos veículos noticiosos.

No Brasil, as agências Pública, Aos Fatos e Lupa integram a rede internacional de checagem de fatos.  

Código internacional de príncípios do Fact-Checking

UM COMPROMISSO DE APARTIDARISMO E EQUIDADE

Checamos declarações usando os mesmos parâmetros para todas as nossas checagens. Não concentramos nossas checagens em um só lado do espectro político-ideológico. Seguimos o mesmo método em todas as nossas checagens e permitimos que as evidências ditem nossas conclusões. Não advogamos por agendas políticas ou declaramos preferência ideológica em assuntos que checamos.

UM COMPROMISSO PELA TRANSPARÊNCIA DAS FONTES

Queremos que nossos leitores tenham autonomia para comprovar o que apuramos. Fornecemos acesso às nossas fontes detalhadamente, para que os nossos leitores possam replicar nosso trabalho — à exceção de casos em que a segurança da fonte esteja sob ameaça. Nessa hipótese, oferecemos o máximo de detalhes que for possível.

UM COMPROMISSO PELA TRANSPARÊNCIA DE FINANCIAMENTO E ORGANIZAÇÃO

Somos transparentes em relação à origem do nosso dinheiro. Se aceitamos financiamento de outras organizações, asseguramos que nossos financiadores não tenham influência sobre as conclusões de nossas reportagens. Detalhamos o histórico profissional de todos os principais membros da nossa organização e explicamos nossa estrutura organizacional e nossa situação jurídica. Também indicamos claramente maneiras de nossos leitores entrarem em contato conosco.

UM COMPROMISSO COM TRANSPARÊNCIA DE MÉTODO

Explicamos nossa metodologia: como selecionamos, pesquisamos, escrevemos, publicamos e corrigimos nossas checagens. Encorajamos nossos leitores a nos mandar temas para checagem e somos transparentes a respeito de como e por que checamos determinados fatos.

UM COMPROMISSO COM CORREÇÕES FRANCAS E AMPLAS

Temos uma política pública de correções e a seguimos escrupulosamente. Corrigimos com clareza e transparência, de acordo com nossas práticas públicas. Divulgamos o resultado final, de modo que nossos leitores tenham acesso à versão corrigida.

 

PRINCIPAIS SITES DE FAKE NEWS DO BRASIL 

Um levantamento feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), com base em critérios de um grupo de estudo da Universidade de São Paulo (USP), identificou os maiores sites de notícias do Brasil que disseminam informações falsas, não-checadas ou boatos pela internet, as chamadas notícias de "pós-verdades".

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/

* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/ 

* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/ 

* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/ 

* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/ 

* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/ 

* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/ 

* Implicante: http://www.implicante.org/ 

* JornaLivre: https://jornalivre.com/ 

* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/

(fonte: Isso é Notícia)
 

 

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Fake news são fonte de preconceito e desinformação

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06 de fevereiro de 2018

A recente proliferação de notícias falsas na internet e nas mídias tradicionais, as chamadas fake news , relaciona-se com a manipulação de informações para objetivos políticos e com a falta de abertura ao diálogo com o outro. Assim analisa o Papa Francisco em sua mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada na quarta-feira, 24. “As notícias falsas revelam a presença de atitudes que são, ao mesmo tempo, intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se aumentarem a arrogância e o ódio”, escreve. “O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, até uma demonização que pode fomentar conflitos.” 

Leia tabém: "FAKE NEWS: O que isso tem a ver comigo?"

A mensagem procura definir o que é o fenômeno das fake news , intensificado por causa das mídias sociais, ajudar a reconhecê-las e a encontrar um apoio no Evangelho. Por isso, o trecho bíblico que inspira o Dia Mundial das Comunicações deste ano é “A verdade os fará livres”, do Evangelho segundo São João (8,32).

Diz o Papa: “O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-nos purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é só uma realidade conceitual, que se refere ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas.” Segundo ele, a verdade leva a pensar e tem a ver com a vida inteira. “O único verdadeiramente confiável e digno de confiança, com o qual se pode contar, ou seja, ‘verdadeiro’, é o Deus vivente”, escreve. 

E acrescenta: “Educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem ‘mordendo a isca’ em cada tentação ”. 

Nesse contexto, o Papa Francisco pede um jornalismo de paz, isto é, “sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas”. Para ele, o jornalismo deve ser “feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas”.
 

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