Francisco: ‘Os pobres são preciosos aos olhos de Deus’

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22 de novembro de 2019

Preciosos aos olhos de Deus, os pobres “não falam a língua do eu”. Na missa do Dia Mundial dos Pobres, no domingo, 17, o Papa Francisco afirmou que os pobres nos ensinam a ser “mendicantes diante de Deus”.
Da mesma forma que os pobres pedem a ajuda material oferecida pelos outros, todas as pessoas necessitam de outra ajuda, esta imaterial: o amor que vem de Deus – refletiu o Pontífice. Após a missa, ele almoçou com 1,5 mil pessoas carentes, no Vaticano.
“A presença dos pobres nos reporta ao clima do Evangelho, em que são bem-
-aventurados os pobres em espírito (Mt 5,3)”, disse o Santo Padre, na homilia. Portanto, a acolhida que alguém dá aos pobres é a mesma que espera ter de Deus.
“Que beleza se os pobres ocupassem no nosso coração o lugar que têm no coração de Deus!”, disse. “Servindo os pobres, aprendemos os gostos de Jesus, compreendemos quais são coisas que restam e quais são as coisas que passam.”

O AMOR PERMANECE
Refletindo sobre o Evangelho segundo São Lucas, no qual Jesus diz que não restará “pedra sobre pedra” no templo de Jerusalém (Lc 21,6), o Papa Francisco explicou que a mensagem de Cristo nos ajuda a colocar a atenção sobre as coisas que realmente importam na vida.
“Ele nos diz que quase tudo passará. Quase tudo, mas não tudo”, observou Francisco. “Passam as coisas penúltimas, que às vezes parecem definitivas, mas não são. São realidades grandiosas, como os nossos templos, e terrificantes, como os terremotos, sinais no céu e guerras sobre a terra. Para nós, parecem fatos na primeira página, mas o Senhor os coloca na segunda”, continuou.
O amor de Deus, porém, permanecerá para sempre, disse o Papa, “e o pobre que pede meu amor o traz consigo. Os pobres nos facilitam o acesso ao céu”.

PRESSA E PERSEVERANÇA

Uma das tentações que dificultam o processo de ver as coisas que realmente permanecem é a pressa. Jesus não difunde alarmismos ou medo, “pois isso paralisa o coração e a mente”.
Enquanto, muitas vezes, as pessoas querem saber de tudo e muito rapidamente, atentas às últimas novidades, Jesus fala das coisas que duram para sempre. “Atraídos pelo último clamor, não encontramos tempo para Deus e para o irmão que vive ao nosso lado”, alertou o Papa.
Nesta correria, os outros são deixados para trás, muitos dos quais são “descartados” na sociedade: os idosos, os nascituros, os deficientes e os pobres.
Jesus apresenta a perseverança como remédio: “Perseverança é ir adiante cada dia com os olhos fixos sobre aquilo que não passa: o Senhor e o próximo”, exortou Francisco. “É por isso que a perseverança é o dom de Deus com o qual se conservam todos os seus outros dons.”

SAIR DO PRÓPRIO ‘EU’
A tentação de que as pessoas se fecham em si mesmas, chamada pelo Papa da “tentação do eu”, as afasta do exemplo de Jesus.
“A Palavra de Deus nos incentiva a uma caridade não hipócrita, a dar a quem não pode nos restituir, a servir sem buscar recompensas e trocas”, acrescentou o Santo Padre.
E lançou o seguinte questionamento: “Eu ajudo alguém de quem não posso receber? Eu, cristão, tenho ao menos um amigo pobre?” Francisco recordou, assim, que o cristão, discípulo de Jesus, não é o discípulo do “eu”. Em vez disso, é o discípulo do “tu”.

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Enxergar Cristo na pessoa do pobre

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10 de novembro de 2019

São Vicente de Paulo atuou com amor e zelo em relação aos mais pobres na França. Seu exemplo inspirou o nascimento da Sociedade São Vicente de Paulo pelo Beato Frederico Ozanan, há mais de 200 anos, também na França. A dedicação do Sacerdote francês, porém, ultrapassou os limites geográficos de Paris e, hoje, inúmeros religiosos vicentinos dedicam suas vidas à caridade com os mais vulneráveis. 
O vice-presidente da Conferência João Batista – grupo da Sociedade de São Vicente de Paulo, que atua na Paróquia Santa Luzia, do Setor Pastoral Freguesia do Ó, da Região Brasilândia –, Matheus Maciel, explicou à reportagem que o princípio fundamental do trabalho realizado com entrega de cestas básicas e medicamento, visitas missionárias e acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade social é o de contribuir com uma “mudança sistêmica”, fazendo com que a pessoa beneficiada se transforme em protagonista da sua realidade, resgatando, com isso, sua dignidade pessoal, profissional e religiosa.
Sua primeira visita missionária aconteceu a uma família que tinha seis crianças e que morava em uma casa de apenas um cômodo. Uma das crianças estava, por um motivo que ele não sabe explicar, pintada de azul, entretanto, mesmo com esta coloração, ele sentiu que aquela menina era invisível, o que segundo ele, fez despertar sua vocação vicentina.
Matheus Maciel rememorou, ainda, uma frase de São Vicente de Paulo para falar do carisma vicentino: “Amemos a Deus, meus irmãos, mas amemos à custa do suor dos nossos rostos e da força dos nossos braços”, e concluiu dizendo que “nós visitamos o Cristo Eucarístico na Comunhão, mas também o Cristo sofredor na pessoa do pobre”.


(Colaborou: Jenniffer Silva)

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Uma receita de solidariedade

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10 de novembro de 2019

Nas proximidades da Comunidade Cristo Ressuscitado, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Região Episcopal Brasilândia, há uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA). Não é raro que as pessoas, após a passagem pelo médico, tenham uma receita de medicamentos e não encontrem todos eles disponíveis gratuitamente. 
Diante dessa necessidade, paroquianos da referida  Paróquia criaram há quase quatro décadas uma farmácia comunitária, com sede na Comunidade Cristo Ressuscitado, no bairro Ladeira Rosa, para distribuir gratuitamente medicamentos àqueles que mais necessitam.
Weltina Lima, que atua na Pastoral da Saúde e nos trabalhos da farmácia, explicou que os medicamentos são doados por moradores e fiéis da igreja na maioria das vezes, mas também há laboratórios que colaboram, inclusive com remédios de valor elevado e, por vezes, não disponíveis na rede pública. 
A farmácia funciona diariamente das 14h às 17h. Profissionais de enfermagem voluntários analisam as receitas e garantem os cuidados necessários para a manutenção e distribuição dos medicamentos. A ação se estende a bairros próximos, fazendo com que o movimento ao longo de toda a semana seja intenso.
“Nós não imaginamos a farmácia fechada, pois a demanda é grande. É um trabalho muito bonito feito por toda a Paróquia. Quem procura são pessoas carentes que precisam. Estamos aqui para ajudar os pobres e fazer um trabalho de caridade”, concluiu Weltina. 
Doações de medicamentos podem ser feitas diretamente na farmácia comunitária: Rua Campo Alegre de Minas, 244, Ladeira Rosa. 

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Um olhar sobre a pobreza no Brasil

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10 de novembro de 2019

Para 55 milhões de brasileiros, quase sempre a renda obtida com o trabalho formal ou informal ao fim do mês é insuficiente para cobrir, por exemplo, todos os gastos da família com moradia, alimentação, educação, saúde, itens de higiene e transporte.
Esses brasileiros, que representam 26,5% da população do País, estão mapeados na Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles são pobres, ou seja, sobrevivem com menos US$ 5,50 por dia, conforme a padronização do Banco Mundial. Há, porém, quem esteja em situação ainda pior: 15,2 milhões de pessoas, segundo o mesmo estudo, estão em extrema pobreza, dispondo de menos de US$ 1,90 por dia para sobreviver, o que, em 2017 (ano de referência da análise), equivalia a R$ 140 mensais. Além disso, em 2016, eram 13,5 milhões de pessoas nessa condição, ou seja, o cenário piorou. 

CONCENTRAÇÃO DE RENDA

Do total de riquezas geradas no País, 0,8% está em posse dos 10% com menor renda, enquanto os 10% com maiores rendimentos concentram 43,1% dos recursos.
O IBGE ainda fez outro comparativo: em 2018, 1% da população mais rica recebeu 33,8 vezes mais que a remuneração dos 50% mais pobres, um índice recorde. O primeiro grupo aferiu rendimento médio de R$ 27.744 mensais, ante R$ 820 (menos que um salário mínimo) do segundo grupo.

E O ESTADO COM ISSO?

Combater a pobreza e as desigualdades no País não é um gesto de benevolência da União, mas sim um dever, expresso em, ao menos, dois artigos da Constituição: o Artigo 3º, III, indica que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. Já no Artigo 23, X, consta como um dos deveres do Estado brasileiro “combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos”. 

PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA

Nas últimas décadas, por meio de programas de transferência de renda, em especial o Bolsa Família, criado em 2004, tem se tentado melhorar o panorama da pobreza.
Atualmente, todas as famílias com renda por pessoa de até R$ 89 mensais ou com renda per capita de R$ 89,01 a R$ 178 que tenham crianças ou adolescentes de até 17 anos na sua composição podem requerer o Bolsa Família. Hoje há 13,5 milhões de famílias beneficiadas, recebendo R$ 189,21 mensais.
Este ano, pela primeira vez, haverá o pagamento do 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família. De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, a meta não é que eles sejam sempre dependentes do programa, mas que se criem condições “para que essas famílias, no futuro, não precisem mais do Bolsa Família. O maior programa social que a gente pode ter em um País é ter menos gente precisando de apoio na área da assistência social”. 

EMPREGO E APOIO

Cerca de 60% da população economicamente ativa do Brasil – 120 milhões de pessoas – está em idade produtiva. No entanto, a taxa atual de desempregados no País está em 11,8% do total da população. 
Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em 17 de outubro, recomenda aos países que conciliem o apoio de renda às famílias mais pobres com as chamadas políticas ativas do mercado de trabalho, tais como treinamento, orientação profissional e apoio a startups. “O emprego remunerado continua sendo a maneira mais confiável de escapar da pobreza”, indica o relatório, mostrando, ainda, que as pessoas que recebem o apoio combinado dessas políticas têm maiores chances de encontrar um emprego e melhorar sua condição de vida.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                (Com informações de IBGE, OIT, ONU, Planalto e Correio Braziliense)
 

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Papa: os pobres não são lixo humano, precisam do nosso amor

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13 de junho de 2019

A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19): as palavras do salmista são o tema escolhido pelo Papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em 17 de novembro.

Esta celebração instituída pelo Pontífice é fruto do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e se realiza no domingo anterior ao da festa de Cristo Rei.

Não aprendemos com a história

Em sua mensagem para a edição deste ano, Francisco faz uma comparação entre a situação do pobre no tempo do salmista e a situação atual e constata que pouco mudou.

“ Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus. ”

Francisco cita as “muitas formas de novas escravidões”, como famílias obrigadas a deixar a sua terra; órfãos que perderam os pais; jovens em busca duma realização profissional; vítimas de tantas formas de violência, da prostituição à droga; sem esquecer os milhões de migrantes instrumentalizados para uso político.

Lixeira humana

O Papa fala também das periferias de nossas cidades, repletas de pessoas que vagueiam pelas ruas, em busca de alimento. “Tendo-se tornado eles próprios parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo.”

Não obstante a descrição de injustiça e sofrimento no salmo, há uma definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado.

“Na Escritura, o pobre é o homem da confiança!”, escreve o Pontífice.

“É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar.”

Compromisso intrínseco ao Evangelho

Jesus, por sua vez, não teve medo de Se identificar com cada um deles. Francisco então adverte: esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação.

Sobretudo num período como o nosso, prossegue o Papa, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. “É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.”

Francisco recorda que a promoção dos pobres, mesmo social, não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. Como exemplo, o Santo Padre cita Jean Vanier, que faleceu recentemente, e o define como um “grande apóstolo dos pobres”.

Mudança de mentalidade

Por ocasião deste Dia Mundial, Francisco não pede somente iniciativas de assistência, mas faz votos de que aumente em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade.

“Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efêmero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.”

Em sua mensagem, o Pontífice não deixa de enaltecer o trabalho de inúmeros voluntários pelo mundo, mas recorda que os pobres não precisam somente de uma “sopa quente ou de um sanduíche”. “Precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor...”

Eis então a exortação final do Papa:

“ A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. ”

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