‘São José Operário acolheu a vontade de Deus’

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01 de mai de 2019

As flores de girassol que decoravam o altar anunciavam que a manhã desta quarta-feira, 1 º de maio,  era de festa na Catedral da Sé, com missa presidida pelo Padre Tarcísio Mesquita, coordenador de pastoral da Arquidiocese de São Paulo. O feriado pelo Dia do Trabalhador é também a data em que a Igreja celebra a solenidade de São José Operário.

Na homilia, Padre Tarcísio recordou a generosidade de Deus em entregar seu filho unigênito para a salvação do mundo, como narrado pelo evangelista João. E disse que Cristo mesmo quando criança já tinha o mundo para si, e São José, assim como na imagem colocada ao lado do altar, carregava o menino Jesus em seus braços: “São José acolheu a vontade de Deus”, continuou.

Padre Tarcísio afirmou, ainda, que o maior presente de Deus para seu povo é Jesus, o mesmo que é filho do carpinteiro, e explicou que os doutores da lei à época consideravam que o filho de um carpinteiro não poderia ter tamanho conhecimento das escrituras.

TRABALHO QUE EDIFICA A CASA

Sobre o Dia do Trabalhador, o ordenador de pastoral lembrou-se dos trabalhadores que ajudaram a construir a cidade de São Paulo, sobretudo, dos migrantes que aqui chegaram em busca de novas oportunidades: “Mãos calejadas, sotaques e historias. Desempregados e preocupados com o pão de cada dia de sua família, o mesmo pão que pedimos em oração”, exortou.

O Sacerdote disse que José, o Nazareno, também precisou trabalhar para proteger Jesus que mesmo um bebê já corria risco de vida e que, por isso, é necessário que homens e mulheres sejam inspirados pelo exemplo do Pai de Jesus no cuidado com seus filhos.

“Devemos nos inspirar na figura de São José, que, certamente, dedicou com trabalho árduo em participar da promessa de Deus que tanto amou o mundo, e nos tem em seus braços”.

SÃO JOSÉ, PROTETOR DA FAMÍLIA

São José era noivo de Maria, quando, em sonho, ouviu do Anjo do Senhor que ele seria o pai adotivo do filho de Deus. Obediente, dedicou sua vida a família e aos cuidados com sua esposa e de Jesus.

Por isso, o pediu que São José interceda pelas famílias e pelas mulheres, que hoje tanto sofrem ao serem vitimas de inúmeras violências.

DIA DO TRABALHADOR

Após a celebração eucarística, membros da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo seguiram em caminhada até o Vale do Anhangabaú, onde realizaram um ato em defesa aos diretos dos trabalhadores.

Na tarde da terça-feira, 30 de abril, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota pelo Dia do Trabalhador. No documento, o episcopado brasileiro demonstrou preocupação principalmente com as pessoas que, atualmente, têm dificuldades em se recolocar no mercado de trabalho.

IMAGEM PEREGRINA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A quarta-feira foi também marcada pela chegada da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda diretamente de Portugal. Antes do início da missa na Catedral da Sé, a imagem foi levada em procissão pelo Rancho Folclórico Pedro Homem de Mello ao altar da Catedral.

Às 11h15, houve um momento Mariano com a recitação do Santo Terço. Após a missa das 12h, a imagem será levada para o Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima, próximo à estação Sumaré do metrô. Em13 de maio dia de Nossa Senhora de Fátima, haverá missa de hora em hora até às 20h no Santuário.

 

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CNBB divulga mensagem por ocasião do Dia do trabalhador e da trabalhadora do Brasil

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30 de abril de 2019

Por ocasião do 1º de maio – data em que se celebra o Dia do Trabalhador (a), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga mensagem aos trabalhadores e às trabalhadoras brasileiros e se une eles manifestando-lhes estima, solidariedade e gratidão.

A mensagem afirma a urgência de assegurar o direito ao trabalho e reafirma “a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras, de modo a garantir seu justo sustento e de suas famílias, combatendo o desemprego, o trabalho escravo, a precarização das relações de trabalho e a perda de direitos trabalhistas, dentre outros problemas que têm causado tanto sofrimento ao povo brasileiro”.

Ainda segundo o documento, a presidência da CNBB manifesta, de modo especial, a preocupação com o grave problema do desemprego. “A flexibilização de direitos dos trabalhadores, institucionalizada pela lei 13.467 de 2017, como solução para superar  a crise, mostrou-se ineficiente. Além de suscitar questionamentos éticos, o desemprego aumentou e já são mais de treze milhões de desempregados. O Estado não pode abrir mão do seu papel de mediador das relações trabalhistas, numa sociedade democrática”.

Leia a íntegra da Mensagem:

Mensagem por ocasião do 1º de maio: Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

“Do trabalho de tuas mãos comerás, serás feliz, tudo irá bem” (Sl 128,2)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através de sua Presidência, iluminada pela Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio, manifestando-lhes estima, solidariedade e gratidão.

O trabalho digno, para além de cumprir a necessária tarefa de prover as necessidades materiais, “constitui uma dimensão fundamental da existência do ser humano sobre a terra” (Laborem Exercens, 4) e de sua participação na obra do Criador. Urge assegurar o direito ao trabalho e reafirmar a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras, de modo a garantir seu justo sustento e de suas famílias, combatendo o desemprego, o trabalho escravo, a precarização das relações de trabalho e a perda de direitos trabalhistas, dentre outros problemas que têm causado tanto sofrimento ao povo brasileiro. Para tanto, é indispensável a atuação dos Poderes Públicos, bem como a participação da sociedade civil: empresários, sindicatos, igrejas, trabalhadores e trabalhadoras. Neste esforço, como ensina o Papa Francisco, “é preciso reconhecer um grande mérito àqueles empresários que, apesar de tudo, não deixaram de se comprometer, de investir e arriscar para garantir o emprego” (Papa Francisco, 22 de setembro de 2013). Ao mesmo tempo, devemos reconhecer o valor dos sindicatos, expressão do perfil profético da sociedade (Papa Francisco, 28 de junho de 2017).

Reafirmamos o princípio orientador da Doutrina Social da Igreja sobre a primazia do trabalho e do bem comum sobre o lucro e o capital. Nos nossos dias, difunde-se o paradigma da utilidade econômica como princípio das relações sociais e, por isso, de trabalho, almejando a maior quantidade possível de lucro, imediatamente e a todo o custo, em detrimento da dignidade e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Manifestamos, de modo especial, a nossa preocupação com o grave problema do desemprego. A flexibilização de direitos dos trabalhadores, institucionalizada pela lei 13.467 de 2017, como solução para superar  a crise, mostrou-se ineficiente. Além de suscitar questionamentos éticos, o desemprego aumentou e já são mais de treze milhões de desempregados. O Estado não pode abrir mão do seu papel de mediador das relações trabalhistas, numa sociedade democrática.

A participação dos trabalhadores e dos sindicatos, na discussão da Previdência social, é fundamental para a preservação da dignidade dos trabalhadores e de sua justa e digna aposentadoria, especialmente dos que se encontram mais fragilizados na sociedade. Reconhecer a necessidade de avaliar o sistema não permite desistir da lógica da solidariedade e da proteção social através da capitalização, como propõe a PEC 06/2019. Também não é ético desconstitucionalizar regras da Previdência, inseridas na Constituição de 1988.

Nosso olhar volta-se também para os jovens. Segundo o Papa Francisco, o desemprego juvenil é a “primeira e mais grave” forma de exclusão e de marginalização dos jovens (Christus Vivit, 270). A impossibilidade de trabalho gera a perda do sentido da vida e, consequentemente, leva à pobreza e à marginalização.

Incentivamos os trabalhadores e trabalhadoras e as suas organizações a colaborarem ativamente na construção de uma economia justa e de uma sociedade democrática.

Trabalhadores e trabalhadoras, sobre cada um de vocês e de suas famílias, suplicamos as bênçãos de Deus, pela intercessão de São José Operário e Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

 

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo U. Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Brasília-DF, 1º de maio de 2019

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