Ao menos 220 cristãos são presos por ‘blasfêmia’

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22 de fevereiro de 2019

Um dos casos mais famosos de perseguição anticristã é o de Asia Bibi, que ficou na prisão durante nove anos por ter supostamente blasfemado contra Maomé. Mas Asia Bibi é apenas um caso entre muitos: atualmente, existem pelo menos 220 cristãos no País presos por crimes de blasfêmia contra o profeta do Islã.

A denúncia foi feita pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, da Itália, que visitou o Paquistão e pôde comprovar a situação dos cristãos presos. Segundo Cecil Chaudhry, diretor da Comissão Nacional de Justiça e Paz, as decisões judiciais demoram cada vez mais porque os juízes “têm medo de errar e também de serem atacados por fundamentalistas” muçulmanos.

Fonte: ACI
 

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Cristãos autênticos não têm medo de se abrir ao próximo

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27 de dezembro de 2018

“O Papa Francisco, junto com toda a Igreja, confia em vocês”. Assim começa a mensagem do Papa, assinada pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Pietro Parolin, aos participantes do 41º Encontro Europeu dos Jovens, organizado pela Comunidade Ecumênica de Taizé.

O evento será realizado em Madri, na Espanha, entre os dias 28 de dezembro de 2018 e 1º de janeiro de 2019.

Jamais perder o gosto de sonhar junto

Na mensagem, o Papa exorta a juventude a “jamais perder o gosto pelo reencontro, pela amizade, o sonhar junto, caminhar com os outros, porque os cristãos autênticos não têm medo de se abrir ao próximo, de dividir seus próprios espaços os transformando em espaços de fraternidade”.

Construtor de pontes entre Igrejas, religiões e povos

O Papa também convida toda a juventude a abrir um espaço ao Senhor em sua vida e a descobrir que, graças à amizade com Jesus, “é possível viver uma hospitalidade generosa, aprender a crescer com as diferenças dos outros e a frutificar os próprios talentos para se transformar em construtor de pontes entre as Igrejas, as religiões e os povos”.

Por fim, Francisco pede que os jovens sigam o exemplo de Maria, cujo “amor cheio de audácia e orientado para o dom de ajudar” os estimule a viver concretamente “a caridade que nos impulsiona a amar a Deus acima de tudo e de nós mesmos, a amar as pessoas com as quais dividimos o cotidiano”.

Abrir as portas em espírito de acolhida cristã

O Encontro Europeu dos Jovens deverá reunir milhares de pessoas, provenientes de diversos países. O tema que o Irmão Alois (foto), Prior da Comunidade de Taizé, escolheu para este ano é: “Não nos esqueçamos da hospitalidade”.

Cerca de 170 paróquias e milhares de famílias anfitriãs em Madri abrirão as portas das suas casas aos jovens peregrinos europeus, em espírito de acolhida cristã.

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Cristãos são torturados por ‘apostasia’

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04 de dezembro de 2018

No dia 13 de outubro, os serviços nacionais de segurança de Nyala, ao sul de Darfur, prenderam 12 fiéis – incluindo um pastor – de uma igreja local. Nove deles ficaram retidos durante vários dias. No dia 21, oito desses nove foram libertados depois de terem sido forçados a renegar sua fé cristã e aceitar o Islã. O pastor recusou-se a renegar a fé e foi acusado de “apostasia” (do Islã), segundo o artigo 126 do ato criminal de 1991. Ele foi libertado sob fiança. 

Os fiéis relataram que foram submetidos a torturas e tratamento desumano. Quatro deles tiveram que ser hospitalizados para tratar dos ferimentos. E o sofrimento não acabou: se o pastor for condenado por apostasia, ele pode receber a pena de morte. 

O Centro Africano para Estudos sobre a Justiça e a Paz pediu às autoridades que respeitem a liberdade religiosa dos cristãos, conforme o texto constitucional de 2005, e que abandonem as acusações de apostasia contra o pastor de Darfur.

Fonte: Fides
 

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A desconhecida perseguição nazista a clérigos católicos

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13 de agosto de 2018

Editora contexto/Divulgação

Europa, década de 1920: a vida transcorria em relativa calma num continente ainda assustado com os desdobramentos da 1ª Guerra Mundial, ocorrida poucos anos antes. O Tratado de Versalhes, documento assinado em 1919 e que poria fim ao conflito de grandes proporções na região, impôs à derrotada Alemanha uma série de exigências políticas e militares, como também lhe atribuiu a responsabilidade pela eclosão do confronto e o pagamento de uma vultosa indenização de 269 bilhões de marcos aos vencedores. 

Isso fez nascer naquele país um sentimento de revanchismo e revolta entre a população, que passou a viver numa sociedade marcada por forte crise moral e econômica, com inflação, desemprego e desvalorização do marco alemão, terreno fértil para o surgimento e crescimento do nazismo, cujo partido venceria as eleições de março de 1933 e conduziria, posteriormente, a nação germânica a um novo conflito armado, a 2ª  Guerra Mundial. 

Dachau (lê-se “darrau”), Alemanha, década de 1930: cidade do sul do País, a apenas 17 quilômetros de Munique, no Estado da Bavária: conhecida por sua atmosfera particular, propícia à inspiração dos artistas da época e dedicada às suas musas, Dachau é, às vésperas da 2ª Grande Guerra, um lugar sedutor e tipicamente bávaro, onde se expressa a arte de viver. 

É nesse bucólico e insuspeito local, no entanto, que os nazistas inauguram, no terreno de uma fábrica de munições abandonada, o protótipo de seus campos de concentração, em 22 de março de 1933, que viriam a marcar para sempre a história da humanidade em decorrência da crueldade e dos horrores ali perpetrados. 

Inicialmente destinado a abrigar prisioneiros políticos, o campo de Dachau vê, ao longo do tempo, que sua população começa a se diversificar com a chegada de testemunhas de Jeová, homossexuais e aqueles que o vocabulário nazista chama de “parasitas” e “antissociais”. A estes, vêm somar-se também criminosos das mais diversas esferas de periculosidade. 

Por fim, o que não se esperava é que o novo contingente que Dachau passaria a acolher, a partir de 1938, seria o de religiosos, também considerados indesejados e hostis ao regime nazista. À medida que a Alemanha invadia novos territórios, ficava claro que o objetivo da detenção dos clérigos era desestabilizar comunidades tradicionais que tinham a Igreja e os líderes religiosos como pilares de sua organização. 

É justamente nesse cenário, que retrata a inusitada presença de clérigos num campo de concentração, que o jornalista e historiador francês Guillaume Zeller escreveu o livro “O Pavilhão dos Padres”, lançado recentemente no Brasil, em  Português, pela editora Contexto.

 

CRISTÃOS ASSASSINADOS 

Segundo o autor, 2.579 padres, seminaristas e monges católicos, juntamente com 141 protestantes e padres ortodoxos, foram deportados para Dachau, entre 1938 e 1945. E, dos 2.720 religiosos que testemunharam as condições inumanas daquele local, 1.034 tiveram suas vidas interrompidas ali dentro. “Jamais, ao longo da história, nem mesmo nos piores momentos do terror francês ou da perseguição comunista, tantos sacerdotes, religiosos e seminaristas foram assassinados em um espaço tão restrito”, afirma Zeller. 

Esses homens da Igreja experimentaram o mesmo sofrimento que os leigos ali presos e, embora os soldados nazistas buscassem continuamente humilhar e fazer com que os detidos se enfrentassem, a maioria dos sacerdotes não caía nessa armadilha e procurava salvaguardar sua humanidade por meio da oração, sacramentos, apoio aos doentes e moribundos, lições secretas de Teologia, formação pastoral e fidelidade à hierarquia da Igreja. 

 

TESTEMUNHO DE FÉ

Fruto de pesquisas meticulosas, “O Pavilhão dos Padres” oferece um registro completo do cotidiano dos sacerdotes em Dachau, as muitas indignidades e tormentos que sofreram, o uso de padres como cobaias para experiências médicas horrendas - que deixaram muitos mutilados ou mortos -, as atividades religiosas clandestinas, realizadas com grande risco pessoal. 

A verdade é que todos eles foram forçados a viver suas vocações no calvário que os nazistas criaram. Em alguns casos, a metáfora do Calvário tornou-se uma realidade, como no caso do padre que recebeu a ordem de fazer uma coroa de arame farpado e usá-la, enquanto prisioneiros judeus eram forçados a zombar dele e cuspir-lhe, num cenário horrendo, adornado também com um grotesco discurso. 

Longe de querer atribuir àqueles personagens reais uma aura de santidade exacerbada, é preciso enfatizar que em nenhum momento o autor se deixa levar pelo sentimentalismo, não se furtando a dar a imagem completa de como era a vida no pavilhão dos sacerdotes, incluindo até mesmo os detalhes menos edificantes. Como exemplo, a terrível política em torno da capela de Dachau, que era dominada pelos agentes da SS (uma das principais divisões do exército nazista), a fim de controlar quem tinha acesso ao recinto, traz uma leitura angustiante para os católicos. Os sacerdotes não alemães foram, por um tempo, excluídos do uso da capela, o que significa que os padres poloneses tiveram a comunhão negada por seus confrades alemães e passaram a celebrar a missa em segredo. 

Embora as situações de extremos maus-tratos fossem frequentes, diversos casos de heroísmo e santidade não deixavam de acontecer: no inverno de 1944, quando os prisioneiros foram exterminados por uma epidemia de tifo, enquanto os soldados nazistas e os kapos (guardas do campo que eram também prisioneiros) não entravam nos pavilhões infectados, dezenas de padres iam voluntariamente, conscientes dos riscos que corriam, cuidar dos moribundos e os consolar. 

Em última análise, são os muitos exemplos de coragem e solidariedade que impedem que o livro se torne simplesmente um catálogo de atrocidades. O martírio de Maximiliano Kolbe (vide box ao lado) em Auschwitz é amplamente conhecido, mas até recentemente, menos foi dito sobre os muitos mártires de Dachau que foram mortos. O livro de Zeller é um testamento muito necessário para as testemunhas e mártires esquecidos da agressão nazista e suas consequências. E o legado deixado por “O Pavilhão dos Padres” é o sentimento avassalador de esperança que o leitor pode levar consigo.
 

 

SANTOS CATÓLICOS QUE DERAM A VIDA EM CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

 

SÃO MAXIMILIANO KOLBE

 Polonês católico, morava em Varsóvia desde 1921. Tinha mulher e dois filhos e, como soldado, defendera o seu país durante a invasão nazista de setembro de 1939. Capturado e mandado com a família para o inferno de Auschwitz, em setembro de 1940, foi escolhido ao mero acaso para ser executado após a fuga de outro prisioneiro. Seu desespero ao pensar no futuro da família foi ouvido pelo Padre Maximiliano Kolbe, também ele prisioneiro no campo de concentração, e o resultado é bem conhecido: o sacerdote se ofereceu para trocar de lugar com aquele homem e foi martirizado para que ele sobrevivesse. Foi canonizado por São João Paulo II em 10 de outubro de 1982.

SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ (EDITH STEIN)

Edith Stein, de origem judia, teve, certa ocasião, uma grande mudança em sua crença, ao ler um livro de Santa Teresa d’Ávila quando estava na casa de uma amiga. A leitura a absorveu de tal forma que ela leu a noite toda e sentiu-se tocada por Deus. Mais tarde, converteu-se ao catolicismo, tornando-se freira Carmelita Descalça. Edith foi a segunda mulher a defender uma tese de doutorado em Filosofia na Alemanha, foi discípula e depois assistente de Edmund Husserl, o fundador da Fenomenologia. Morreu aos 51 anos, no campo de concentração de Auschwitz. Em 11 de outubro de 1998, foi canonizada por São João Paulo II, como Santa Teresa Benedita da Cruz.

 

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