Congresso internacional aborda direitos humanos à luz da Doutrina Social da Igreja

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27 de setembro de 2018

“Diante da globalização da indiferença, a alternativa é humana”. Essas palavras do Papa Francisco, ditas a representantes de movimentos populares, no Vaticano, em 2016, inspiraram o tema do 3º Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja, promovido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), entre os dias 19 e 21, no campus Santa Terezinha do Unisal, na zona Norte da Capital Paulista.

Com o tema “Os Direitos Humanos à luz da Doutrina Social da Igreja”, o congresso aconteceu paralelamente ao 4º Simpósio Internacional do Programa de Estudos Pós-Graduados em Teologia da PUC-SP e ao 43º Congresso Brasileiro de Teologia Moral. 

Dentre os conferencistas nacionais e internacionais, destacaram-se o Cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, em Honduras, e o Padre Bruno-Marie Duffé, Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé.

 

GLOBALIZAÇÃO DA INDIFERENÇA

Essa expressão foi usada pela primeira vez pelo Papa Francisco na Quaresma de 2015, ao dizer que a “atitude egoísta” atingiu um nível mundial. “O Papa nos faz perceber que a indiferença, que o coração indiferente, ultrapassou o âmbito individual e assumiu uma dimensão global”, afirmou o Cardeal Maradiaga, em sua conferência.

Depois de fazer um breve histórico da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em 2018 comemora 70 anos, Dom Óscar levantou a questão: “Os direitos humanos são realmente uma alternativa humana à globalização da indiferença?” Para ele, isso só é possível se for colocado um acento sobre a palavra “humano” antes de sublinhar “direito”, tendo como ponto de partida a antropologia cristã. Ele explicou, ainda, que o fundamento natural dos direitos se revela mais sólido se considerado à luz da encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, como ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

Ao refletir sobre o tema, Padre Bruno-Marie Duffé afirmou que a indiferença é a atitude característica do individualismo que põe a referência essencial de pensamento e de comportamento na proteção dos interesses pessoais e, por isso, não olha para o outro. Ele enfatizou que, para enfrentar concretamente a indiferença, é preciso tomar os quatro princípios da Doutrina Social da Igreja: dignidade da pessoa humana, subsidiariedade, solidariedade e bem comum.

Recordando o Concílio Vaticano II, Padre Bruno-Marie destacou que a Constituição Pastoral Gaudium et Spes se inicia ressaltando o sentimento de solidariedade que existe no coração da vida cristã: “As alegrias e as esperanças, 
as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”. 

Ainda segundo o Sacerdote, a atenção e proximidade dos cristãos aos que sofrem é condição de credibilidade do testemunho da Igreja. “Não há, de um lado, a Evangelização e, do outro, a ação social. A Doutrina Social é uma proposta do Evangelho”.

 

PERIGO DA DETURPAÇÃO DOS DIREITOS

Ao justificar a importância de uma abordagem antropológica dos direitos humanos, o Cardeal Maradiaga explicou que para propor direitos é preciso, antes, possuir clara a identidade do ser humano. “Toda vez que se desvia do que o ser humano é, aparecem reivindicações de direitos que, ao invés de garantir a dignidade da pessoa humana, a pervertem ou até mesmo a anulam”, acrescentou, chamando a atenção para o risco de “formulações que deturpam os direitos humanos”, como a legalização do aborto, sob o argumento da garantia de um “direito da mulher sobre o próprio corpo”. 

“Todos esses eufemismos são prova de que o conceito de ‘direito’ se desviou, desencarnou-se ao se tonar inumano”, afirmou.

Dom Óscar também alertou para o risco de tais direitos serem utilizados como justificação para uma defesa exacerbada dos direitos individuais. Ele também condenou o “reducionismo de certas ideologias” que se aplicam sobre os direitos humanos, dando como exemplo a ideologia de gênero. “Os direitos humanos não brotam de um argumento de consenso ou resultado das maiorias”, completou. 

Nesse sentido, o Arcebispo hondurenho acrescentou que, da compreensão dos direitos humanos à luz de uma antropologia cristã, passa-se naturalmente para a moral cristã, uma vez que “não importa apenas o que o ser humano é chamado a ser, mas também o que deve fazer, sua conduta segundo o bem e a verdade”. 

 “Como cristãos, não podemos ficar indiferentes diante dos direitos que são continuamente atacados, como os direitos da mulher e da infância, dos povos indígenas, dos migrantes, os direitos à educação, saúde, água potável, liberdade de credo, morada digna, salários justos, nem fechar os olhos quando os direitos já integrados no sistema jurídico de muitos países voltam a ser questionados e até enfraquecidos, como o direito à vida”, reforçou o Cardeal. 

Maradiaga recordou que a Doutrina Social da Igreja sempre ensinou que os direitos humanos são universais e complementares entre si. “Isso significa que ou se aceita tudo ou nenhum. Essa unidade se justifica à luz da unidade da pessoa humana, que se fundamenta, por sua vez, na vocação de realizar-se como imagem e semelhança de Deus”, completou. 

 

TEMA OPORTUNO

Na cerimônia de abertura, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Grão Chanceler da PUC-SP, enfatizou que a missão das instituições católicas é promover a reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja. Ele também considerou muito oportuno o tema desta edição do evento. “Este é um tema sempre atual, que permite muitas abordagens. Nós estamos aqui para olhar a questão dos direitos humanos à luz da fé, daquilo que é a Palavra de Deus, daquilo que é o ensinamento da Igreja”, disse. 

Dom Odilo destacou, ainda, que se os direitos do homem não encontram o seu fundamento naquilo que é a dignidade básica do ser humano, não se poderia mais falar de direitos universais. “Eles seriam simplesmente objetos de deliberações de assembleias, em que a maioria decide o que seriam direitos ou não”, acrescentou, recordando as palavras do Papa Emérito Bento XVI, na Encíclica Caritas in veritate.

 

LEIA TAMBÉM: 'O que move a igreja na defesa dos direitos humanos não é uma ideologia’

 

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Maior estátua de São Charbel

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03 de setembro de 2017

Uma grande estátua de São Charbel (foto) foi instalada na cidade de Faraya. A estátua mede 23 metros de altura e 9 metros de largura. É a maior estátua de São Charbel do mundo. A área ao redor da estátua pode conter 6 mil pessoas e será utilizada para a celebração de missas a céu aberto.

São Charbel Makhlouf nasceu em 1828, em uma família de camponeses católicos maronitas. Contra a vontade de sua família, São Charbel decidiu entrar para a vida religiosa. Em 1859, foi ordenado sacerdote e em 1875 decidiu viver como eremita. Até a sua morte, no dia 24 de dezembro de 1898, São Charbel viveu uma vida de oração e penitência, recebendo os fiéis que vinham procurá-lo para aprender a se aproximar de Deus.

São Charbel realizou inúmeros milagres, antes e depois de sua morte. Foi canonizado em 1977 pelo Beato Paulo VI, e seu túmulo é um local de peregrinação muito frequentado até hoje.

Fontes: La Croix, Fides, The 961 e Asia News

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Ex-morador de rua e viciado hoje é sacerdote

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02 de setembro de 2017

Claude Paradis foi morar em Montreal 25 anos atrás. Sozinho e desempregado, ele acabou se deixando levar pelo desespero. Morando nas ruas, Claude se tornou um viciado em álcool e em drogas: primeiro cocaína, depois crack. Em um dado momento, Claude pensou em cometer suicídio. Mas, ao passar por uma velha igreja, movido por algum tipo de instinto, decidiu entrar. Foi quando ele encontrou Deus e percebeu que não queria realmente morrer, mas tornar-se um homem da Igreja.

Desse momento em diante, Claude lutou para vencer seus vícios e decidiu dedicar o resto de sua vida a serviço dos pobres: “Nas ruas é onde quero estar até a minha morte”. Ele fundou uma associação, a Notre Dame de la Rue (Nossa Senhora da Rua), e hoje é sacerdote. Padre Claude não traz apenas ajuda material aos pobres, mas também espiritual. Ele ministra os sacramentos e procura acompanhar os que vivem em situações difíceis. “Nossa missão é especialmente a de encorajar. Diferentemente dos abrigos, nós vamos até as pessoas, como um serviço porta a porta. Nós conversamos com elas e algumas vezes rezamos juntos antes que voltem à dureza das ruas”, explicou.

Fonte: CNA
 

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Papa Francisco envia mensagem aos reunidos no Rio

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14 de julho de 2017

O II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades foi aberto na manhã de quinta-feira, 13, no auditório do Edifício João Paulo II, bairro da Glória. A mesa de abertura foi composta por Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona e presidente da Fundação Antoni Gaudi para as grandes cidades, e Vicente Andreu Grillo, representante do Ministério do Meio Ambiente e diretor-presidente da Agência Nacional de Águas.

O congresso é organizado pela Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, localizada em Barcelona, na Espanha, cujo objetivo é contribuir para a humanização dos grandes centros urbanos. A instituição nasceu logo após a Conferência Internacional das Grandes Cidades, em Barcelona e Roma, em 2015.

 

 

Importância e questões chaves

Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, falou sobre a importância do Congresso focado na Laudato Si', em entrevista exclusiva ao Portal da Arquidiocese do Rio.

“Considero que tem uma grande importância, que para a Igreja é absolutamente necessário, porque está a serviço das pessoas e porque a humanização das grandes cidades é um tema atualíssimo e de futuro. Não podemos esquecer que 52% da população mundial vive em grandes cidades. E - creio que vocês saibam até melhor - no Brasil, 80% já vive em grandes cidades. Portanto, o mundo está se urbanizando, aumentam as grandes cidades, as grandes urbes, com o perigo de uma grande desumanização nesses conglomerados demográficos. Então, era necessário trabalhar, temos que trabalhar todos, o Papa Francisco, na sua encíclica Laudato si', exorta a todos, chama a todos, convida a todos a trabalhar, porque todos somos responsáveis no serviço da criação e, portanto também, de humanizar as grandes cidades”, declarou o Cardeal.

Disse ainda que considera este um tema muito atual e também futuro. “Tratam-se de dois aspectos importantíssimos: o meio ambiente e a ecologia, com tudo o que estamos falando da mudança climática e etc. E isso afeta tanto as pessoas, toda a humanidade, toda criação, e as cidades, porque aumentaram!”

Segundo Dom Orani Tempesta, as três questões chave são água, ar e resíduos, pois todas as outras situações de cunho ambiental giram em torno desses elementos. “Tivemos de escolher alguns passos para falar de Meio Ambiente, então, resolvemos discorrer sobre a água, o ar e os resíduos, porque são os três principais componentes dessa questão. Os demais problemas que existem, giram em torno desses três eixos que são fundamentais em relação ao meio ambiente”, declarou.

Finalizou completando que, “ao mesmo tempo, vemos que há uma cidade e uma mentalidade doente, que não respeita a vida e sofre com essas consequências. Se não respeitamos a vida no seu nascimento, não respeitamos também depois; são consequências daquilo que vivemos e percebemos os resultados de opções tomadas. Creio que a igreja deve atuar na conscientização, além de abordar soluções políticas, econômicas, sociais. A sociedade tomou um caminho errado e devemos fazer a diferença”

 

 

A Mensagem do Papa

O Pontifice enviou uma mensagem a todos os participantes do Congresso reforçando que a encíclica discutida apresenta diversas necessidades físicas que o homem de hoje tem nas grandes cidades e que precisam ser enfeitadas com respeito, responsabilidade e relação.

De acordo com Francisco, são esses os três "R" que permitem atuar de forma mais conjunta diante dos deveres mais vitais da convivência.

 

O II Congresso acontece de 13 a 15 de julho, no Rio de Janeiro.

 

Leia a mensagem do Papa na integra

(Com informações ArquRio)

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