Vida mais digna, meio ambiente melhor

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24 de novembro de 2019

O Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem (Recifran) foi criado há 15 anos, em São Paulo, com o objetivo de possibilitar ações formativas e de inclusão no mercado de trabalho para pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social e nas ruas da cidade. Além da questão social e humana, outra 
preocupação é contribuir com o meio ambiente por meio da reciclagem. Assim, cerca de 20 toneladas de resíduos sólidos são reciclados mensalmente.
Muitos participantes deixam a situa-
ção de rua e restabelecem vínculos familiares e comunitários. Para isso, é feito um acompanhamento individual e de formação coletiva para sua reinclusão. Um dos grandes desafios do Recifran atualmente é conseguir concretizar novas parcerias para melhorar a estrutura física do serviço, pois é um projeto que necessita de apoio e doações para se manter. 

COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA 

A Associação Reciclázaro, fundada em 1997, pelo Padre José Carlos Spínola, também atua nas áreas de reinclusão social, meio ambiente e geração de renda. Um dos projetos é o “Coleta Seletiva Solidária”, que promove novas oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio da coleta e venda de materiais, contribuindo com a conservação do ambiente e com a melhoria da qualidade de vida de toda a população.
Também há um programa de educação ambiental nas escolas, prédios, igrejas e empresas de São Paulo, que posteriormente separam o lixo e 
doam-no à Associação. Após a primeira classificação, os materiais são repassados à cooperativa Recicla Butantã, principal parceiro do projeto, que os comercializa e gera renda para todos os cooperados. 
A Reciclázaro também possui um centro de formação profissional para jovens, adultos e idosos, que, ao mesmo tempo em que promove e desenvolve conhecimentos nas áreas de Jardinagem e Conservação Ambiental, forma multiplicadores para agirem na comunidade em defesa do meio ambiente urbano.

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Por uma vila mais limpa

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24 de novembro de 2019

Uma rotatória na Vila Santa Inês, em Ermelino Matarazzo, zona Leste, não era utilizada, pois, por anos, foi um ponto de descarte irregular do lixo doméstico, entulho e tudo o mais que já não era útil para os moradores do local.
A imagem não só empobrecia a paisagem como também fazia com que crianças, jovens e adultos pensassem que aquele lugar e outras ruas da comunidade poderiam ser utilizadas como lixões a céu aberto. A realidade incomodou Ionilton Aragão, que passou a dialogar com os outros moradores para que colocassem o lixo na rua apenas nos dias e horários certos de coleta.
Aos poucos, essa iniciativa comunitária mudou hábitos e levou à criação de projeto de educação ambiental, em dezembro de 2011, com o nome de “Varre Vila”.
Mais do que a conscientização sobre eliminar os chamados “pontos viciados de lixo” (locais em que o descarte é feito sem hora nem dia marcados), os moradores perceberam que, se cada um varresse a própria calçada, não existiria qualquer vestígio de sujeira nas ruas do bairro. Assim é feito desde então.
Aragão, que é coordenador-geral do projeto, explicou à reportagem que todo o trabalho é realizado firmando, com moradores, escolas, serviços de saúde, igrejas locais e empresas de limpeza urbana da cidade, um compromisso que coloca em discussão o problema evidente da coleta de lixo nas periferias também para o poder público.

MULTIPLICAR
O “Varre Vila” já foi implantado nos bairros de Itaim Paulista, Guaianases e São Miguel Paulista, todos na zona Leste, e nos municípios paulistas de Guarulhos e Cubatão. Em  dezembro, deve chegar a Curitiba (PR). 
Foi difundido, ainda, com a criação de outros dois projetos “Vila Limpa”, no Bom Retiro, região central, que durou de novembro de 2018 a maio deste ano; e o “Nossa Vila Limpa”, no Jardim Elisa Maria, zona Noroeste, de novembro de 2015 a junho de 2018. Este último foi decontinuado devido ao término dos contratos com empresas de limpeza urbana da cidade, ocorrido no mesmo ano.
Segundo Aragão, mesmo com a finalização do “Nossa Vila Limpa”, o que foi vivenciado no local ainda reverbera na comunidade, mas seu fim significou a interrupção de um trabalho que tem como base uma mudança de comportamento, pensada continuamente. 

PARTICIPAÇÃO POPULAR
Juliana Lopes Silva, que é consultora em Gestão Empresarial e atuou, entre dezembro de 2015 e junho de 2018, como colaboradora do “Nossa Vila Limpa”, reiterou que no Jardim Elisa Maria o processo de transformação era feito de forma comunitária, pensando em soluções viáveis para todos e que os bairros Jardim Vista Alegre, Vila Icaraí, Jardim Paraná, também na zona Noroeste, e Vila Nova Jaguaré, na zona Oeste, vinham sendo contemplados com a iniciativa. 
O essencial, de acordo com Juliana, era fazer com que o morador entendesse que o bairro é uma extensão da própria casa. Reuniões nas ruas e com pedreiros locais aconteciam constantemente, para falar da importância do descarte correto de lixo orgânico e entulho.
 “Os moradores sentem que valeu a pena, pois o projeto, para além da limpeza urbana, trabalhou pertencimento: o córrego por onde eu passo, a praça por onde eu ando, a rua por onde eu vou, também me pertencem. Então, parte dos moradores continua varrendo a sua porta e descartando o lixo no dia e horário corretos”, salientou Juliana.

O QUE DIZ A PREFEITURA 
A reportagem solicitou à Amlurb respostas sobre o motivo pelo qual o “Nossa Vila Limpa” foi encerrado e questionou sobre quais políticas públicas existem na cidade de São Paulo para a retirada e fiscalização dos pontos viciados de lixo.
Em nota, a Amlurb afirmou que “realiza um trabalho permanente de educação ambiental com entrega de informativos, a fim de orientar a população sobre a importância do lixo e da separação dos materiais recicláveis, além de iniciativas com a comunidade como o Recicla Sampa, Varre Vila e Vila Limpa”. 
Também explicou os objetivos do projeto “Varre Vila”, já citados nesta reportagem. Limitou-se a dizer que o “Projeto Vila Limpa”, no Bom Retiro, “foi concluído em maio deste ano, mas nada impede que futuramente venha a ser prolongado em outras comunidades”. Não houve resposta ao questionamento da permanência da atuação do “Nossa Vila Limpa”. 
Sobre as políticas públicas para os pontos viciados, a Prefeitura informou que, entre 2016 e 2018, a adesão dos munícipes nos ecopontos cresceu cerca de 30% e que, nos últimos anos, o município vem combatendo o descarte irregular nas ruas e já calcula uma diminuição de 35% de pontos viciados. 

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Lixo: responsabilidade compartilhada para um problema em comum

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24 de novembro de 2019

Com mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo é a metrópole campeã brasileira na produção de lixo. Diariamente, são cerca de 20 mil toneladas de resíduos (lixo residencial, de saúde, restos de feiras, podas de árvores, entulho etc.). Deste total, 12 mil são de coleta domiciliar. 

RESÍDUOS COMUNS 
A coleta do lixo nos domicílios paulistanos, bem como a destinação e tratamento dos resíduos coletados, é de responsabilidade da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). 
O serviço de coleta domiciliar comum porta a porta está presente em 100% das vias, cobrindo os 96 distritos do município de São Paulo, sendo realizado por meio de duas concessionárias responsáveis. 
Empresas que geram 200 litros de lixo ou mais por dia devem realizar a sua própria gestão de resíduos, contratando uma empresa especializada na coleta, tratamento adequado e destinação final do material. 

ATERROS SANITÁRIOS
Após o recolhimento, os resíduos são encaminhados aos aterros sanitários para destinação e tratamento corretos. A capital dispõe de dois aterros, um na zona Leste e outro na zona Norte, além de enviar lixo para o Aterro Sanitário de Caieiras, na região metropolitana. 
Segundo a Prefeitura, essas áreas contam com garantias de proteção ao meio ambiente. Todo resíduo colocado é coberto com camadas de solo, não ficando, portanto, exposto a céu aberto. Após o esgotamento dos aterros, o espaço é totalmente coberto, e, depois que o nível de contaminação for praticamente zerado, ela poderá ser utilizada como área de lazer.

RECICLAGEM 
Grande parte do lixo levado aos aterros poderia ser reciclada. Contudo, isso acontece com apenas 7% de todos os resíduos coletados na cidade. 
De acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: Meio Ambiente”, divulgada em maio pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, 61% dos paulistanos afirmam separar o lixo reciclável do não reciclável. 
A fim de conscientizar a população para separar o lixo reciclável em casa e informá-la sobre os pontos e horários de coleta, a Amlurb lançou a plataforma 
on-line “Recicla Sampa”. 

COLETA SELETIVA 
A Prefeitura de São Paulo informa que há coleta seletiva domiciliar em, atualmente, 75% das vias. A meta é que, até 2020, o atendimento atinja 100% da cidade. 
Para moradores de regiões que ainda não são contempladas com a coleta seletiva, existem 102 ecopontos e cerca de 1,5 mil lixeiras — Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), próximos a estações do Metrô, terminais de ônibus e entrada de parques.
Os resíduos recicláveis são destinados prioritariamente às 25 cooperativas de reciclagem habilitadas e depois às centrais mecanizadas de triagem. Ao todo, são coletadas cerca de 280 toneladas de recicláveis por dia, uma média de 7 mil por mês. 

ENTULHOS 
Na capital paulista, a lei proíbe a deposição de entulho – resíduo gerado pelas atividades de construção civil ou de reformas – em vias e logradouros públicos e permite que cada imóvel gerador encaminhe o máximo de 50kg de entulho por dia para ser recolhido pela Prefeitura por meio da coleta domiciliar convencional, desde que os resíduos estejam devidamente acondicionados. 
Outra opção é encaminhar o entulho aos ecopontos, para o descarte gratuito diário de até 1m³, que são aproximadamente 18 sacos de entulhos, madeiras, podas de árvores e grandes objetos. Para quantidades superiores de entulho, é necessária a contratação do serviço legalizado de transportadores que operam com caçambas. 
O descarte irregular de lixo e de entulho é considerado crime ambiental, passível de multa de R$ 18.420,79. 

(Com informações de G1 e Projeto 32xSP)

BOAS PRÁTICAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

As pessoas, inevitavelmente, produzem lixo, mas a quantidade está diretamente relacionada ao seu modo de vida e hábitos. 
O “Guia Pedagógico do Lixo”, subsídio produzido pela Secretaria do Meio Ambiente e pela Coordenadoria de Educação Ambiental do Estado de São Paulo, apresenta informações e orientações para reduzir, reutilizar e reciclar resíduos que geralmente são jogados no lixo  

EXEMPLOS NO MUNDO
A Alemanha é a líder mundial em tecnologias e políticas de resíduos sólidos. Hoje, menos de 1% dos resíduos é enviado para aterros. Estima-se que 13% dos produtos comprados pela indústria alemã sejam feitos a partir de matérias-primas recicladas. Várias universidades oferecem formação em gestão de resíduos, além de cursos técnicos profissionalizantes. 
Em Estocolmo, na Suécia, onde 100% dos domicílios contam com coleta seletiva, as residências têm um sistema que dispõe de lixeiras conectadas a uma rede de tubos que conduzem os resíduos a uma área de coleta. Por esse sistema, os diferentes tipos de resíduos não são misturados durante a coleta e há uma economia de 30% a 40% dos gastos municipais com o serviço de coleta.
A meta traçada pela cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, é zerar, até 2020, a remessa de resíduos sólidos para os aterros sanitários. Para isso, a prefeitura local investiu na educação ambiental e na pesquisa de novas tecnologias que permitam o reaproveitamento dos materiais descartados pela população.
A cidade também implantou programas para reciclagem e compostagem de quase todo o resíduo produzido, introduzindo incentivos econômicos (quem faz mais compostagem paga menor taxa de lixo). Além disso, as sacolas de plástico foram proibidas no comércio. 


(Com informações de Agência Senado)

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