Primeira missa é celebrada depois de incêndio em Notre-Dame

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26 de junho de 2019

No sábado, 15, o Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, celebrou a primeira missa na Catedral de Notre-Dame após incêndio de 15 de abril deste ano. A missa aconteceu na Capela do Santo Sepulcro, que não foi afetada pelo fogo. A Capela guardava as relíquias da Paixão de Cristo que foram resgatadas do fogo. Diversos sacerdotes concelebraram.

Na homilia, Dom Michel enfatizou que a Catedral não é simplesmente uma herança cultural da França, mas é um lugar para adorar a Deus. “Dedicação vem de dedicatio, que significa ‘consagração’. A dedicação é a consagração da igreja para a sagrada liturgia. O que celebramos todos os anos no dia da consagração é a razão profunda da construção de Notre-Dame: para manifestar o impulso interno do homem em direção a Deus”, disse o Arcebispo.

“A Catedral nasceu da fé de nossos ancestrais. Ela mostra a fé na bondade deCristo, seu amor maior que o ódio, sua vida mais forte que a morte, bem como a ternura de nossos antepassados em relação à Virgem Maria”, afirmou.

O Arcebispo salientou a impossibilidade de separar o aspecto cultural e o religioso da Catedral: “Pode alguém por pura ignorância ou ideologia separar cultura e culto? A própria etimologia demonstra a forte ligação que existe entre ambos. Eu enfatizo fortemente: uma cultura sem culto torna-se uma não cultura”.

Aproximadamente 30 pessoas assistiram à missa, todas usando capacetes de segurança, incluindo os celebrantes

Fontes: ACI Digital/ National Catholic Service

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Prédios que possibilitam o encontro entre história, cultura e presente

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20 de mai de 2019

Todos os anos, desde 1977, celebra-se em 18 de maio o Dia Internacional dos Museus. A data que é uma proposta do Conselho Internacional de Museus (organismo da UNESCO) prevê que esses espaços ofereçam a população atividades diferenciadas, de valorização da cultura e da história mundial em suas respectivas localidades e modalidades.

ENCONTRO DE GERAÇÕES 

Diferentemente do que muitos possam imaginar, esses prédios não são responsáveis apenas por resguardar relíquias históricas, mas sim, conservar o patrimônio de uma determinada nação, além de contribuir com a economia criativa das cidades por meio do turismo, é também responsável por fornecer atividades e cursos e auxiliar com debates na esfera social ao atuar como plataformas de discussão sobre questões sociais complexas e ao encorajar a participação pública.

O Instituto Brasileiro de Museus defini os locais como: “lugar em que sensações, ideias e imagens de pronto irradiadas por objetos e referenciais ali reunidos iluminam valores essenciais para o ser humano”.

EM MEIO AO JARDIM EUROPA

A Rua Portugal, nº 43, no tradicional bairro do Jardim Europa, Zona Oeste da capital paulistana, acolhe há quase sete décadas as história e heranças culturais deixados e idealizados por Ema Gordon Klabin.

Apaixonada por viagens e arte, Ema esteve muito conectada com a produção artística mundial, e em aproximadamente quarenta anos, reuniu uma coleção direcionada para esta tipologia, transformando sua residência na sede da Fundação Ema Klabin. Segundo Cristiane Alves, Coordenadora do educativo da Casa-Museu Ema Klabin trata-se de uma coleção que tem mobiliário, objetos de arte, cultura, arte decorativa, objeto aritmógrafo.

Falecida em 1994, Ema reuniu 20% da coleção disponível na Casa-Museu. Após sua morte se iniciou o processo de catalogação e transformação de sua residência para um museu, assim como era o seu desejo.

Atualmente, a Fundação Ema Klabin além de realizar visitações, oferece também cursos e palestras todos os sábados às 11h, sobre história da arte e espetáculos musicais. A programação completa você pode acompanhar no site

ESPAÇO PLURAL

Para Cristiane, o Dia Internacional de Museus é uma oportunidade de divulgar e dialogar com as diferentes programações desses espaços contemplando, desta forma, diferentes públicos: “Essa data celebra, legitima e reforça esse trabalho que os museus vêm realizando de torna-los acessíveis, plurais em suas programações e cada vez mais, convidar esse público para dentro dos museus e para dialogar com os acervos”, salientou.

A coordenadora da fundação enfatizou, ainda, da grande resistência dos espaços culturais em se manter mesmo com as limitações principalmente em angariar fundos para manter sua equipe e programação. Ela reiterou do importante esforço demostrado pelas equipes que se preocupam em presentear esse patrimônio.

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‘O que temos de mais precioso para oferecer é Jesus’

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11 de fevereiro de 2019

A Celebração Eucarística na Festa da Apresentação do Senhor e no 23º Dia Mundial da Vida Religiosa Consagrada reuniu religiosos e religiosas de São Paulo na Capela dedicada à Madre Cabrini, do Colégio Madre Cabrini, localizado na Vila Mariana. A missa, no sábado, 2, foi presidida por Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Episcopal Santana e referencial da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

O Dia Mundial da Vida Consagrada foi instituído em 1997, por São João Paulo II. “A celebração do Dia da Vida Consagrada pretende ajudar a Igreja inteira a valorizar sempre mais o testemunho das pessoas que escolheram seguir a Cristo mais de perto, mediante a prática dos conselhos evangélicos e, ao mesmo tempo, quer ser para as pessoas consagradas uma ocasião propícia para renovar os propósitos e reavivar os sentimentos que devem inspirar a sua doação ao Senhor”, escreveu o Papa à época.

 

JESUS, O CONSAGRADO DO PAI

Em sua homilia, Dom Sergio recordou que a Festa da Apresentação do Senhor, celebrada a cada 2 de fevereiro pela Igreja, é um momento particular na vida da Sagrada Família, que se esforçava para cumprir tudo o que determinava a Lei.

“O texto de Malaquias sugere uma bonita profecia, que provavelmente estava na mente do povo da época, que tem, em Jesus, a graça de vê-la cumprida. Ele, Jesus, se submete à Lei, como todos os outros. Estamos diante de um mistério, em que a Igreja celebra o consagrado do pai, Jesus, aquele que ilumina toda a história da humanidade. Jesus, ainda menino, é visto pelos olhos de Simeão e Ana”, recordou Dom Sergio.

O Bispo disse ainda que “o entusiasmo de Simeão foi tão forte, que, a partir de então, para ele tanto fez viver ou morrer. Ana, uma mulher sábia, soube, igualmente, interpretar aquele momento, pois esperava ansiosamente o Messias. Ela tem como recompensa da sua espera encontrar-se com o menino Jesus”rer. Ana, uma mulher sábia, soube, igualmente, interpretar aquele momento, pois esperava ansiosamente o Messias. Ela tem como recompensa da sua espera encontrar-se com o menino Jesus”

 

COLOCAR-SE DIANTE DO SENHOR

“Nós somos contemporâneos dos magos, de Simeão e Ana, dos pastores. Por isso, queridos consagrados e consagradas, que cada um possa se colocar aos pés de Maria e, assim como Simeão, pedir a Maria para segurar Jesus nos braços. Que cada um possa voltar ao centro da sua consagração. Mostrar as obras é algo muito bonito, o mais importante, porém, é colocar-se diante do Senhor”, continuou Dom Sergio.

O Bispo falou também sobre o valor da oração. “Precisamos de prolongados tempos de oração e renúncia de nós mesmos para viver a expectativa da vinda do Senhor. Precisamos viver na expectativa de que o Senhor nos responde e acompanha cada um de nós. O que temos de mais precioso para oferecer aos jovens não são as constituições, é Jesus!”.

 

GRATIDÃO

Padre Rubens Pedro Cabral, OMI, coordenador da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) São Paulo, agradeceu a todos, sobretudo aos religiosos pela incansável dedicação para a construção do Reino de Deus. “Religiosos e religiosas celebram o desafio de construir a paz. Nas escolas, nas paróquias, nas atividades específicas em ambulatórios e hospitais. Quanto bem vocês fazem para a melhoria da vida de crianças, jovens, idosos, pessoas que estão em dificuldades. Que não percamos nosso entusiasmo, para corresponder aos desígnios de Deus”, disse.

O Coordenador informou sobre a reunião ampliada da Conferência que acontecerá no dia 22 de fevereiro, na sede da CRB. “O tema tratado será o Direito Canônico e a Vida Religiosa, e estão convidados provinciais das Congregações Religiosas ou seus representantes”, explicou Padre Rubens.

 

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Dia da Consciência Negra é celebrado com missa em Perus

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28 de novembro de 2018

“Formamos a Igreja viva, que caminha para o Reino do Senhor; Vivendo em comunidade, nós faremos este mundo ser melhor”. Este é o refrão do cântico “Celebremos com alegria nosso encontro”, que deu início à missa realizada no dia 20, no Dia da Consciência Negra, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, da Paróquia São José, no Setor Perus.

A missa, organizada com esforços de leigos e leigas, foi presidida pelo Padre Tamrat Markos Mitore, natural da Etiópia, no continente africano, e animada pelos Missionários da Consolata. 

Padre Markos, na homilia, compartilhou experiências de sua vida pastoral e ressaltou que todos devem estar abertos para acolher e ser acolhidos pelos outros. O Sacerdote ainda convidou outros missionários para falar sobre suas origens, culturas e relação com o Brasil.

Após a missa, houve um café comunitário e, posteriormente, um almoço na Comunidade São João XXIII, também no Jardim do Russo, em Perus.
 

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A Igreja ensina a rezar por aqueles que já morreram

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02 de novembro de 2018

Por que rezamos pelos mortos? A Igreja Católica ensina que os católicos devem lembrar e citar os mortos durante as celebrações eucarísticas e em suas preces individuais e que este é um compromisso de todos os que esperam na terra a vinda definitiva de Cristo no momento da morte. Os ritos das exéquias, realizados enquanto os familiares se reúnem para velar e rezar pelos seus entes queridos ou mesmo durante o sepultamento ensinam que, acima de tudo, deve prevalecer a esperança na Ressurreição.

Ao longo dos anos, muitas tradições foram sendo incorporadas ao velório e ao sepultamento, de acordo com a realidade cultural de cada país ou região. Nos primeiros tempos do Cristianismo, por exemplo, os cristãos construíam igrejas sobre os túmulos dos santos e mártires e, assim, mantinham viva não só a memória daqueles santos, mas também a esperança na vida eterna. 

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, ao falar sobre vida e morte, recorda o autor Monteiro Lobato, quando dá voz à personagem Emília: “A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais […] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre? – perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Para a Igreja Católica, porém, muito mais do que uma hipótese, há um caminho de encontro após a morte. Encontro com o próprio Deus e encontro com a Igreja triunfante, composta por aqueles que, tendo passado por esta vida, alcançaram, junto do Pai, a salvação eterna.

Em seu texto, publicado no site franciscanos.org, Frei Medella, que é autor do livro “Há vida após o luto”, recorda o livro da Sabedoria, quando afirma que “a vida dos justos está nas mãos de Deus” (Sb 3,1). “A justiça é um bem divino e o ser humano que pauta sua vida na busca e no cultivo dela se aproxima cada vez mais de Deus. Não é à toa que, no livro de Jeremias, Deus aparece designado como “Senhor, nossa justiça” (Jr 23,6)”, afirma o Franciscano. 

Ele continua sua reflexão salientando que “quem vive justamente parte como justo e é acolhido com amor pelo Senhor. Importante é lembrar que viver retamente não significa passar pela existência sem cometer erros. Mais importante do que evitá-los a qualquer preço, às vezes à custa de um escrúpulo paralisante, é cultivar, cada um em si, um autorreconhecimento das próprias limitações e, apesar delas, seguir em frente, com confiança na misericórdia de Deus”. 

 

O DIA DOS FIÉIS DEFUNTOS

“Para os cristãos, a visita ao cemitério e a recordação dos falecidos possuem um significado a mais. Nós recordamos os nossos falecidos diante de Deus, expressando nossa fé em Deus salvador e Senhor da vida e da morte. Ele nos chamou à existência, não apenas para experimentar um pouco de vida, mas para nos dar vida em plenitude. Deus quer que nós vivamos”, explicou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, em artigo publicado no jornal O SÃO PAULO, na edição de 1º de novembro de 2017.

Ele continua sua reflexão afirmando que os túmulos dos falecidos são, ao mesmo tempo, guardiães da morte e anunciadores da esperança de vida. “Por isso, a visita ao cemitério deve ser acompanhada de oração com fé e de serena esperança. Somos chamados à vida e não estamos acorrentados à morte. Levar flores aos túmulos é sinal de homenagem, mas também é anúncio de esperança.” 

A fé na ressurreição dos mortos é parte central do anúncio do Evangelho e dos ensinamentos mais sólidos da fé cristã. E é importante lembrar que não se trata de uma homenagem aos falecidos ou culto aos mortos. A missa, no dia dos fiéis defuntos ou em outra ocasião, como no sétimo dia após a morte, no trigésimo dia ou mesmo 12 meses após a morte ou em qualquer outro momento, pode ser oferecida a Deus “em sufrágio”, ou seja, em favor da salvação dos falecidos. 

 

A MEMÓRIA

O Catecismo da Igreja Católica, dos artigos 1680 a 1690, fala sobre os funerais cristãos e indica que “todos os sacramentos, principalmente os da iniciação cristã, têm por finalidade a última Páscoa do Filho de Deus, aquela que, pela morte, o fez entrar na vida do Reino”. 

O Catecismo recorda que, “desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus”. 

“Ao apresentarmos a Deus nossas súplicas pelos que adormeceram, ainda que fossem pecadores, nós apresentamos o Cristo imolado por nossos pecados, tomando propício, para eles e para nós, o Deus amigo dos homens”, continua o Catecismo. 

 

E A MISSA DE 7º DIA?

Dois são os objetivos principais da Igreja ao realizar o rito das exéquias: “exprimir a comunhão com o defunto e fazer a comunidade reunida participar das exéquias e lhe anunciar a vida eterna”. As missas – de corpo presente ou as de aniversário de sétimo ou trigésimo dia – também são, de acordo com o Catecismo, “um acontecimento que deve fazer ultrapassar as perspectivas deste mundo e levar os fiéis às verdadeiras perspectivas da fé em Cristo Ressuscitado”.

 

SOBRE A CREMAÇÃO DOS CORPOS

No dia 25 de outubro de 2016, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu a Instrução Ad resurgendum cum Christo (para ressuscitar com Cristo), sobre o sepultamento dos falecidos e a conservação das cinzas da cremação. 

O então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, explicou que a norma vigente em matéria de cremação de cadáveres é regulada pelo Código de Direito Canônico e diz que “a Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã”. A Igreja recomenda, contudo, que os corpos dos falecidos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado.

 

CONSERVAÇÃO DAS CINZAS

A Igreja orienta que, independentemente da escolha feita, enterro do corpo ou cremação, não se pode ofender os ritos próprios, ou seja, comportamentos e ritos que envolvam concepções errôneas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fusão com a mãe natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reencarnação; seja ainda, como a libertação definitiva da “prisão” do corpo;

As cinzas devem ser conservadas, por norma, em um lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, em uma igreja ou em um lugar especialmente dedicado a esse fim, determinado pela autoridade eclesiástica. A conservação das cinzas em casa não é consentida. Somente a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais poderão autorizar a conservação das cinzas em casa em casos especiais; 

As cinzas, por sua vez, também não podem ser divididas entre núcleos ou membros familiares, e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de sua conservação; 

Por fim, não é permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra, na água ou em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda, a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalheria ou em outros objetos.

Fontes: A12, Franciscanos.org, O SÃO PAULO
 

Algumas considerações sobre a morte na perspectiva cristã

 Elemento constituinte da existência humana, a morte com frequência se apresenta como desafio, principalmente quando diz respeito a alguém de convívio próximo. 

 Na perspectiva cristã, não obstante o sofrimento, os questionamentos e a saudade, a Ressurreição de Cristo é o grande alento de força e esperança que enche de luz e dá sentido à partida deste mundo. 

 A presença ministerial nestas ocasiões não se refere somente à figura do ministro ordenado – embora este deva ser o primeiro a nutrir em si e na comunidade essa postura de companheirismo –, mas de toda a comunidade, que, sob iluminação do Espírito Santo, organiza-se inteligentemente para dar uma resposta viva, ativa e eficaz a todos que atravessam esses difíceis momentos.

 Como momento crucial da história individual da pessoa e do grupo humano à qual ela pertence, a morte demanda, por parte da Igreja, um olhar pastoral repleto de carinho e atenção, que leve em conta as diferentes circunstâncias e situações em que tal fenômeno ocorre. 

 A atuação pastoral nesses casos requer sensibilidade, disposição e testemunho. 

 Jesus Cristo conferiu sentido à morte por sua Ressurreição. Seguindo seus passos, a comunidade cristã busca e sonha contemplar a partida deste mundo como um novo nascimento para a existência plena e definitiva junto ao Senhor.

(Com informações do Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, autor do livro “Há vida após o luto” )
 

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Os caminhos que mostram o carisma de um povo

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07 de outubro de 2018

“As conversas de calçada, os ‘causos’ de assombração. Em riba de um caminhão, a mudança inesperada. Manicure faladeira, o gado magro e mufino. As novenas para o divino, pedido para chover. Um “forrózinho” para dançar, que também é nosso hino, quer dançar? Eu lhe ensino, até o suor descer. Pirão grosso e caldo fino, “para mó do caba comer” Tem milho verde cozido, castanha feita na brasa. Igreja tocando o sino, no final do entardecer. Tudo isso faz bater um coração nordestino”.

Os versos do cordel escrito em 8 de outubro de 2017, pelo poeta cearense Bráulio Bessa traduzem em algumas palavras tudo aquilo que, segundo o poeta, faz bater um coração nordestino. A homenagem marca a data em que se celebra o Dia do Nordestino.

A instituição deste dia aconteceu em 2009, na cidade de São Paulo, local de maior migração nordestina do País, pela lei municipal nº 14.952, no ano do centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense, Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909-2002).

UM POVO MIGRANTE

O Estado de São Paulo é o principal destino de migrantes vindos da região Nordeste. Em 2015, eles eram 5,6 milhões de pessoas, o que corresponde a 12,66% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. A migração nordestina para o Estado, especialmente para a Capital, foi um fenômeno social marcante na história deste povo ao longo do século XX, sobretudo na década de 1930, quando o número de estrangeiros vindos para São Paulo foi superado pela migração nacional, dos quais, a maioria, vindos do Nordeste.

Na primeira metade de 1950, a migração se intensificou, considerando que, à época, São Paulo estava em um acelerado processo de desenvolvimento econômico industrial, em contraposição ao Nordeste, que ainda estava em situação econômica precária.

Tratava-se de uma economia estagnada, com uma agricultura pouco diversificada, grandes latifundiários, concentração de renda e indústria pouco diversificada e com baixa produtividade. Outro fator a ser considerado era o clima da região que não favorecia o plantio e proporcionava longos períodos de estiagem.

Estas características acentuavam as desigualdades regionais, o que criou um cenário propício ao êxodo desta população em direção a São Paulo que, por sua vez, precisava de mão de obra para seu desenvolvimento. Muitos nordestinos migraram não apenas para os campos paulistas, mas principalmente para os conglomerados urbanos.

HÁ 43 ANOS

O refrão da música “Lamento de um Nordestino” ecoa na voz do paraibano de Brejo do Cruz, Zé Ramalho, sobre a decisão, muitas vezes difícil, de deixar sua casa para ir em busca de novas oportunidades. As palavras dão força a esperança de um dia retornar e do saber de estar longe da sua fonte de alegria.

Com o coração partido, a entrada no ônibus foi a cena que fez parte dos muitos que de lá vieram. Os motivos são muitos, seja pela oportunidade de trabalho ou simplesmente pelo sonho de viver na cidade grande.

Maria Gorete Ricardo, vinda de Poção, no interior de Pernambuco, hoje com 60 anos, é aposentada. Sua fala mansa, o sorriso na voz, a risada alta, não deixam dúvidas que ainda há muito do Nordeste nela, que vive em São Paulo há 43 anos.

Após completar 18 anos e terminar o Ensino Médio, viver em uma cidade grande era um sonho. Mesmo assim, o início foi de saudade e lágrimas. Antes da vinda definitiva, viveu em Sorocaba (SP) dos 11 aos 12 anos.

CORAÇÃO NORDESTIVO

“O nordestino é um povo carismático, unido. São acolhedores com pessoas de fora. Qualquer um que chegue no Nordeste, de qualquer lugar, é bem acolhido. É uma felicidade imensa. Você chega na casa de alguém, e ela não sabe o que fazer para agradar”.

É assim que a pernambucana descreveu ao O SÃO PAULO sobre a cultura da chegada, comum por aquelas terras. De fato, não é difícil se apegar aos que de lá chegam. A maneira com que eles acolhem é, verdadeiramente, incomum ao restante do País.

Aposentada e, por isso, ficando mais tempo em casa, Gorete sente ainda mais forte as lembranças de sua terra e dos parentes: “Sinto falta da minha família. Quando a saudade aperta, ligo para o meu irmão, falo com ele quase todos os dias”. Ela vê na Paróquia Santa Teresinha, no Bosque da Saúde, ao qual faz parte, uma forma de sentir a família e cidade próximas – Poção, é muito conhecida pela religiosidade.

As comidas são para ela motivo de rememorar a infância. Gorete contou que quando tem a oportunidade de voltar para visitar seus familiares, aproveita para viver e experimentar tudo que gosta. Das frutas tiradas do pé, da carne assada na brasa – ela afirmou ainda que esses são os principais motivos que fazem seu coração nordestino bater.

NA FORMA DE FALAR

Seja no Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte ou Sergipe, os 1.561.177km² de extensão guardam inúmeras particularidades desta terra rica e cheia de beleza.

A forma de falar vai chegando e, quando nos damos conta, os paulistanos conhecidos por supostamente serem “sem sotaque”, já estão pronunciando um provável “Oxi”. Não é difícil ouvir um “mainha” pelas ruas da cidade.

“Oxente”, pode significar muitas coisas, mais o principal deles é algo que causa espanto. Já “Virado no mói de coentro”, é dito para aquelas pessoas que, digamos, estão com tudo em cima.

Para os apressadinhos, eles costumam dar um conselho: “Avia”, que em bom Português pede para que o outro se apresse. “Arengar” é o verbo utilizado para dizer que alguém está brigando ou discutindo. “Massa” é dito para descrever fatos e sentimentos considerados muito bons, usado principalmente pelos baianos.

NORDESTE EM SÃO PAULO

Na capital que recebe o maior número de nordestinos do Brasil, alguns lugares contribuírem para manter viva o cheiro da roça, o barulho do fogão a lenha e o sotaque que é para lá de gostoso de ouvir:

(Colaborou Flavio Rogério Lopes)

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‘Todos necessitamos dar e receber hospitalidade, mas somente Deus é o anfitrião’

 

 

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‘Leitura Contínua da palavra’ acontece em 71 locais de São paulo

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30 de setembro de 2018

“Fazer silêncio diante de alguém que simplesmente lê é colocar-se diante da presença do próprio Deus”, disse Padre Simone Bernardi, do Arsenal da Esperança, durante a celebração de encerramento da 8ª edição da Leitura Contínua da Palavra. 

A iniciativa, promovida pelo Arsenal da Esperança, foi concluída na tarde do sábado, 22, com a reunião da comunidade na sede da instituição, no bairro da Mooca, para a leitura do Deuteronômio, último livro do Pentateuco, seguida da celebração eucarística. 

O evento contou com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que fez a leitura do capítulo 32 do livro do Deuteronômio. “Foi muito bonito ver que o Cardeal veio aqui ler um capítulo, mesmo diante dos muitos compromissos que ele tinha. Sentimo-nos em comunhão com toda a Arquidiocese”, disse Padre Simone.

À comunidade do Arsenal, o Cardeal expressou alegria pela iniciativa que levou a escuta da Palavra de Deus a cerca de 1,5 mil pessoas em 71 locais, e exortou que mais comunidades ousem e possam também incentivar a leitura da Bíblia. Dom Odilo resgatou a origem dessa iniciativa, quando a 12ª Assembleia do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro de 2008, quis dar um novo impulso à leitura, ao estudo e ao amor à Palavra de Deus. O Arcebispo recordou, também, que ele foi um dos leitores em Roma, juntamente com o primeiro ministro italiano e o ator Roberto Benigni. “Foi um momento bonito ver a Bíblia lida por todos”, afirmou.

 

COMUNHÃO

Padre Simone salientou que a 8ª edição da Leitura Contínua da Palavra foi um momento de grande comunhão com toda a Arquidiocese. “Houve uma escola no Pari em que todas as pessoas foram convidadas a ler. Foram centenas de pessoas. Hoje de manhã, estivemos, por exemplo, numa feira livre do Brás. E, por mais que alguns fossem lugares barulhentos, em cada um deles pudemos ver frutos que nasceram a partir da Palavra de Deus”, disse. 

“Vimos acontecer muitos encontros. Quando lemos a Bíblia no Chá do Padre, por exemplo, um senhor colocou-se à disposição para ler, e uma mulher, deficiente visual, pediu que ele lesse um pouco mais alto, porque queria escutar bem a Palavra de Deus. Assim, a leitura dos textos bíblicos proporcionou encontros de pessoas que jamais se viram, mas que estavam juntos para ler, escutar e rezar”, continuou Padre Simone. 

Marcelo Augusto Maiurana, 32, é missionário leigo e trabalha junto à Pastoral Carcerária no Hospital Penitenciário do Estado de São Paulo. “Realizamos um momento de Leitura Contínua da Palavra em uma das alas. Ali, a realidade é complexa, e muitos dos homens têm complicações sérias de saúde. Vinte deles tiveram interesse em participar conosco da leitura do capítulo 11 do livro de Levítico. Cada um leu um versículo”, contou Marcelo.

O Missionário disse que foi um momento diferente dos que são realizados regularmente no Hospital, porque eles salientaram, sobretudo, a questão da comunhão: “Eles gostaram bastante e sentiram que estavam sendo envolvidos numa iniciativa que aconteceu para além dos muros. Ficaram muito felizes em saber que são parte de uma comunidade cristã.” Na ocasião, foram doadas 20 bíblias pela Cúria da Região Episcopal Santana.

A Leitura Contínua da Palavra teve início na sexta-feira, 14, na sede do Arsenal da Esperança, e aconteceu em várias paróquias, comunidades, universidades, colégios, congregações religiosas, centros hospitalares, livrarias católicas, condomínios e outros espaços públicos e privados. 

 

ARSENAL DA ESPERANÇA

O Arsenal da Esperança Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida é uma instituição fundada em 1996, por iniciativa de Ernesto Olivero e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. Localizado nas instalações da antiga Hospedaria de Imigrantes, o Arsenal é habitado pela Fraternidade da Esperança, uma comunidade de casais e consagrados fundada em 1964, na Itália, pelo próprio Ernesto Olivero e por sua esposa. 

Há 22 anos, a porta do Arsenal da Esperança abre diariamente para 1,2 mil homens que se encontram em dificuldades, jovens e adultos que sofrem pela falta de trabalho, casa, alimentação, saúde e família. 

Neste período de funcionamento ininterrupto, o Arsenal da Esperança hospedou mais de 57 mil pessoas, oferecendo-lhes 8.861.319 noites de hospitalidade, 22,616 mil refeições, 2.608.000 atendimentos pelo serviço social interno e 253.130 consultas médicas.

Para informações sobre doações ou voluntariado, ligue (11) 2292-0977 ou envie um e-mail para: arsenaldaespe ranca@sermig.org.br.

(Colaborou: Cleide Barbosa/rádio 9 de Julho)
 


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Adultos e jovens são crismados na Paróquia São Judas Tadeu

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19 de setembro de 2018

Na tarde do domingo, 16, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, conferiu o sacramento da Confirmação a 46 jovens e adultos durante missa na Paróquia São Judas Tadeu, no Setor Pereira Barreto.

Concelebraram os Padres Pedro Almeida, secretário de Dom Odilo, Antônio Leite Barbosa Júnior, Pároco, e Armênio Nogueira, Vigário Paroquial. A organização da missa teve intensa participação das pastorais.

“Pelo sacramento da Crisma, vocês se tornam membros efetivos adultos da nossa Igreja, da Igreja Católica, e por isso, diante do bispo e de toda a comunidade, renovam a profissão da fé, do Batismo, compromisso do bom cristão recebido no Batismo. Além disso, recebem um dom especial, o dom do Espírito Santo, para poderem, com a ajuda dele, viver como bons cristãos”, disse o Arcebispo na homilia.

Ao final da celebração, Dom Odilo abençoou o restauro do painel de arca sacra, feito pelo artista Cláudio Pastro.

 

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Paróquia Nossa Senhora das Dores celebra o primeiro dia do Tríduo em homenagem a Nossa Senhora das Dores

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19 de setembro de 2018

No dia 13, a Paróquia Nossa Senhora das Dores, cujo Pároco é o Cônego Antônio Aparecido Pereira, celebrou o primeiro dia do Tríduo em homenagem a Nossa Senhora das Dores, em cuja ocasião presidiu Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo na Região Santana.

 

ORIGEM DAS HOMENAGENS

O culto à Nossa Senhora das Dores iniciou-se no ano 1221 no Mosteiro de Schönau, na então Germânia, hoje, Alemanha. A festa de Nossa Senhora das Dores como hoje a conhecemos, celebrada em 15 de setembro, teve início em Florença, na Itália, no ano de 1239 através da Ordem dos Servos de Maria, uma ordem profundamente mariana.

 

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Nossa Senhora das Dores é representada com um semblante de dor e sofrimento, tendo sete espadas ferindo seu imaculado coração. Às vezes, uma só espada transpassa seu coração, simbolizando todas as dores que ela sofreu. Ela é também representada com uma expressão sofrida diante da Cruz, contemplando o filho morto. Foi daí que se originou o hino medieval chamado Stabat Mater Dolorosa (Estava a Mãe Dolorosa). Ela ainda é representada segurando Jesus morto nos braços, depois de seu corpo ser descido da Cruz, dando assim origem à famosa escultura chamada Pietà.

 

AS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

1.       A profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas, 2, 34-35)

2.       A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus, 2, 13-21);

3.       O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas, 2, 41-51);

4.       O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas, 23, 27-31);

5.       O sofrimento e morte de Jesus na Cruz (João, 19, 25-27);

6.       Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus, 27, 55-61);

7.       O sepultamento do corpo do filho no Santo Sepulcro (Lucas, 23, 55-56).


(Com informações de Cruz Terra Santa e  Paróquia Nossa Senhora das Dores)
 

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Exaltar a Santa Cruz é celebrar o Cristo vitorioso

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18 de setembro de 2018

Na sexta-feira, 14, segundo o calendário litúrgico, a Igreja do mundo todo celebra a Exaltação da Santa Cruz. Essa festa remonta às origens do Cristianismo, propriamente em Jerusalém, e relaciona- -se à dedicação das basílicas do Gólgota e do Santo Sepulcro, constituídas pelo imperador Constantino em 13 de setembro de 335. No dia seguinte a esse acontecimento, mostravam-se as relíquias da Santa Cruz. Tal fato guarda, portanto, estreita relação com a Sexta-feira Santa: Jesus foi condenado à morte de cruz, carregou-a sobre os ombros até o Calvário, nela foi pregado, levantado da terra e ali deu sua vida por toda a humanidade, tornando-a instrumento da salvação eterna.

 

O SENTIDO DA CRUCIFIXÃO

No tempo de Jesus, os romanos utilizavam a crucifixão, considerada a mais cruel de todas as penas, para punir aqueles que lhes faziam oposição, como escravos rebeldes, criminosos violentos e subversivos políticos.

Reservada, portanto, aos piores delinquentes, o objetivo da crucifixão era proporcionar uma morte vagarosa, aterradora e dolorosa. Assim, à cruz eram associadas indignidade e vergonha, e, consequentemente, o condenado era tido como marginalizado, verdadeira imagem da repulsa e abominação. Ser sentenciado à morte de cruz significava ser condenado ao esquecimento histórico, ou seja, a memória e toda existência de quem recebia tal pena deveriam ser exterminadas juntamente com sua vida. O Antigo Testamento indicava que quem fosse crucificado era visto como desgraçado, amaldiçoado pelo próprio Deus (Dt 21,23).

Por que, então, a cruz, um instrumento tão intimamente associado ao sofrimento e a tantas características inumanas, deve ser exaltada?

 

 

 

NOVO SIGNIFICADO

As Sagradas Escrituras, ao responderem a esse questionamento, ensinam que “a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: Nele está nossa vida e ressurreição; foi Ele que nos salvou e libertou” (Gl 6,14). Isso significa que, justamente por meio da Santa Cruz, um instrumento tido até então com uma conotação tão indigna, degradante e depreciativa, Jesus foi capaz de oferecer, de forma única e perpétua, redenção e salvação, ao vencer o pecado e a morte, ressuscitar e ascender gloriosamente aos céus. Assim, enaltecer a Santa Cruz é celebrar o Cristo vitorioso, pleno cumpridor de sua missão como reconciliador da humanidade perante Deus.

 

O SOFRIMENTO À LUZ DA PAIXÃO

Quando Jesus diz que para segui-lo é necessário abandonar tudo, renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz, é evidente que se deve ter sempre presente a questão do sofrimento que, cedo ou tarde, aparecerá na vida de cada ser humano. Muitas vezes, as cruzes, ao traduzirem-se em sofrimento concreto, apresentam-se das mais diversas maneiras: doença, pobreza, incompreensão, cansaço, dor, perda, desprezo, desilusão... Como entender tais sofrimentos à luz da Paixão de Cristo?

 

A RESPOSTA DE UM SANTO

São João Paulo II, há quase 35 anos, publicava a carta apostólica Salvifici Doloris, sobre o sentido cristão do sofrimento humano, e buscava oferecer respostas. Nela, o Santo do nosso tempo afirma que “na Cruz de Cristo não somente se cumpriu a Redenção mediante o sofrimento, mas também o sofrimento humano foi redimido.” Ele continua a meditar acerca do mistério da dor e parte da pergunta que todo ser humano faz a si mesmo: Por que o mal? E imediatamente ressalta que toda e qualquer explicação se mostra insuficiente e inadequada: “o homem, em seu sofrimento, permanece um mistério intangível. No entanto, Cristo nos faz entrar no mistério e nos faz descobrir o porquê do sofrimento”. Todavia, por vezes, é preciso “um longo tempo para que essa resposta comece a ser perceptível”.

A sua resposta é, acima de tudo, um chamado: “Cristo não explica abstratamente as razões do sofrimento, porém, em primeiro lugar, diz: ‘Segue-me!’ Vem! Com o teu sofrimento, toma parte desta obra de salvação do mundo, que se realiza por meio de meu sofrimento! Por meio de minha Cruz.” Assim, “na medida em que o homem toma a sua cruz, unindo-se espiritualmente à Cruz de Cristo, revela-se diante dele o sentido salvífico do sofrimento… E, então, o homem encontra em seu sofrimento a paz interior e, até mesmo, a alegria espiritual”, continua o Santo.

 

ATITUDE FECUNDA

O Pontífice destaca ainda que “a superação do sentido de inutilidade do sofrimento, que não somente consome o homem dentro de si mesmo, mas parece torná-lo um peso para os outros, torna-se, então, fonte de alegria. A descoberta do sentido salvífico do sofrimento em união com Cristo transforma essa sensação deprimente.” A dor vivida com Jesus serve verdadeiramente para a salvação dos irmãos: “portanto, não somente é útil para os outros, mais que isso, realiza um serviço insubstituível.” Enxergar as situações dessa forma encontra suas bases no paradoxo que é o Evangelho: “as fontes da força divina brotam justamente em meio à fraqueza humana”

Por fim, quem vence é o bem, conclui São João Paulo II. Porém, somente por meio da fé na ressurreição, o homem encontra “uma luz completamente nova, que o ajuda a caminhar em meio à intensa escuridão” do sofrimento e do mal

 

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