Nova presidência do Celam realiza primeira reunião

Por
07 de junho de 2019

Eleita na XXXVII Assembleia Ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), em maio, a nova presidência do organismo reuniu-se pela primeira vez entre os dias 4 e 5 junho, em Bogotá, na Colômbia.

A partir da reunião teve início oficial a agenda de trabalhos do novo quadriênio. Entre os participantes estiveram o Presidente do Celam, Monsenhor Héctor Miguel Cabrejos Vidarte; o Primeiro Vice-Presidente, Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; o Segundo Vice-Presidente, Cardeal Leopoldo José Brenes; além do presidente do Conselho do Conselho de Assuntos Econômicos, Monsenhor Rogelio Cabrera López; e o Secretário Geral, Monsenhor Juan Carlos Cárdenas Toro.

No primeiro dia de trabalhos, a nova presidência saudou os secretários executivos e os funcionários do Celam. Também ouviram os informes do ex-secretário-geral, Monsenhor Juan Espinoza Jiménez, que apresentou uma avaliação do último quadriênio e tratou de maneira específica da projeção do que será a nova sede do Celam, atualmente em construção. Também foram feitos informes sobre a situação econômica do Conselho Episcopal Latino-Americano.

No segundo dia da reunião, os participantes dialogaram sobre as conclusões da Assembleia realizada em maio, o que permitirá estabelecer um conjunto de propostas para aplicar as disposições da Assembleia e definir a data de reunião com o grupo de oito bispos eleitos para assessor a presidência do processo de reestruturação do Celam.

Os participantes também refletiram sobre os encargos pastorais dos secretários executivos e do secretário geral adjunto, assim como as instâncias de investigações e bem como órgãos de pesquisa e de colaboração acadêmica, como o Observatório Sócio - Pastoral e a Assessoria de Imprensa.

O encontro foi concluído com um visita aos participantes do Núncio Apostólico da Colômbia, o Monsenhor Luis Mariano Montemayor.

Comente

Celam: organismo de comunhão, reflexão, colaboração e serviço do episcopado da América Latina

Por
28 de mai de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, foi eleito Primeiro Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), durante a 37ª Assembleia Ordinária do organismo, realizada entre os dias 13 e 18, em Tegucigalpa, Honduras. Dom Odilo participou da Assembleia do Celam como representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Organismo, cargo para o qual foi eleito no dia 9, durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP).

O evento do episcopado latino-americano teve o objetivo de “discernir os sinais dos tempos que marcam a realidade da América Latina e do Caribe, para projetar o novo quadriênio compreendido entre 2019 e 2023 à luz da natureza sinodal da Igreja”.

Desde 2009, o Cardeal Scherer é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), organismo da Santa Sé instituído pelo Papa Pio XII em 1958, com a finalidade de aconselhar e ajudar as dioceses do subcontinente a aprofundar as questões doutrinais e pastorais próprias da Igreja nessa região. Dom Odilo também foi SecretárioGeral adjunto da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina, realizada em maio de 2007, em Aparecida.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom Odilo explicou, de maneira sintética, a natureza e missão do Celam na Igreja da América Latina. Confira:

O SÃO PAULOO que é o Celam?

Cardeal Odilo Pedro Scherer – O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) é um organismo de comunhão, reflexão, colaboração e serviço do Episcopado da América Latina e do Caribe, expressão e instrumento da colegialidade dos bispos deste subcontinente americano.

Isso então equivale a uma conferência episcopal?

Não é a mesma coisa. As conferências episcopais, como a CNBB, congregam os bispos de um determinado país e possuem competências previstas no Direito Canônico. Diversamente, o Celam é um Conselho que une conferências episcopais, e não os bispos individualmente.

Quem participa do Celam?

O Celam reúne as conferências episcopais de todos os países da América, exceto as dos Estados Unidos e Canadá. As conferências que são membros do Celam agrupam-se em quatro grandes regiões: México e América Central, Caribe, países bolivarianos e Cone Sul (Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile).

Não sendo uma Conferência Episcopal, mas um conselho, que tipo de missão e competências possui o Celam?

São várias, como a promoção do exercício da colegialidade episcopal, da comunhão e da comunicação entre as conferências episcopais; o estudo das questões de interesse comum para as conferências episcopais da área; a elaboração de critérios e linhas comuns para a ação pastoral; a promoção de iniciativas de interesse geral; o assessoramento às conferências episcopais que o solicitarem; o incentivo à comunhão hierárquica e à colaboração entre as conferências episcopais; a preparação das conferências gerais do episcopado da América Latina e do Caribe; e o acompanhamento e a implementação de suas conclusões.

Como o Celam desempenha essas suas competências?

Existe uma presidência e um secretariado executivo, com sede em Bogotá, na Colômbia. Há um plano quadrienalde metas e ações e, a cada dois anos, acontecem as assembleias gerais ordinárias, durante as quais se acompanha a execução do plano quadrienal do Celam. Das assembleias gerais, participam também os presidentes e os delegados de cada Conferência Episcopal membro. O secretariado executivo coordena o trabalho de cada um dos departamentos executivos que expressam as várias linhas de ação do Celam.

O Celam possui, portanto, um plano de ação, com projetos definidos a serem executados?

Sim. No presente, o Celam possui ao menos nove departamentos (catequese, família, ação social, formação e outros). Cada departamento possui um bispo presidente, que faz equipe com mais alguns bispos e acompanha as ações próprias do departamento.

Quais são as grandes questões acompanhadas pelo Celam a partir da recente assembleia geral, que também foi eletiva?

A Assembleia decidiu promover uma restruturação do Celam, para que este corresponda melhor às necessidades e desafios gerais da Igreja. Nas áreas de ação, constam a promoção da justiça e caridade, a evangelização missionária, a formação do clero e dos leigos, a dignidade humana, as questões ambientais, a família e a vida, a paz e o diálogo ecumênico e inter-religioso, o diálogo com o mundo e a cultura. Já se passaram 12 anos desde a 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em Aparecida em 2007.

Já seria chegado o tempo de uma nova Conferência Geral?

A conferencia de Aparecida foi muito rica de impulsos para a vida e a missão da Igreja neste Continente e também em outras partes do mundo. Creio que ainda temos muito a trabalhar para que as indicações da Conferência de Aparecida sejam mais plenamente acolhidas em nossa Igreja. Mesmo assim, muitas questões novas já apareceram em nosso Continente nesses 12 anos transcorridos após a Conferência de Aparecida e já se começa a sugerir que seria oportuno pensar numa nova Conferência Geral.

 

Comente

Encontro do Celam promove reflexão sobre a iniciação à vida cristã na América Latina

Por
18 de março de 2019

A cidade de Puebla de los Ángeles, no México, recebe de 18 a 22 de março a I Semana Latino-Americana sobre a Iniciação à Vida Cristã. O evento é promovido pelo Departamento de Missão e Espiritualidade do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e tem a presença do arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Antônio Peruzzo, e do assessor da Comissão, padre Antônio Marcos Depizzoli.

Várias temáticas no contexto da iniciação à vida cristã estão na pauta do encontro para serem discutidas, refletidas e aprofundadas, a partir da metodologia contemplar – discernir – propor. Na primeira parte, os aspectos de mudança de época e crise na transmissão da fé. Na segunda, perspectivas da iniciação à vida cristã: bíblica, com reflexão conduzida por dom Peruzzo; Patrística e Pastoral a do Magistério Latino-americano, considerando o processo evangelizador da Igreja, o processo de formação dos discípulos missionários e o Rito de Iniciação Cristã de Adultos (RICA).

A terceira parte da metodologia, que compreende o “propor”, os participantes terão um painel para discutir os elementos de um itinerário de iniciação cristã, considerando o processo, a pessoa, a introdução a Jesus e à vida da Igreja, a mediação da Palavra e dos Sacramentos, a mudança de atitude e testemunho de comunidade.

A semana de iniciação à vida cristã também contará em sua dinâmica com momentos de trabalho em grupos, celebrações, como a dos 40 anos da III Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, missa na basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, momentos culturais e a conclusão com a Eucaristia com renovação das promessas batismais e envio missionário.

LEIA TAMBÉM

Medellín completa 50 anos

América Latina precisa de ‘uma política boa e nobre’

Comente

Leigos da América latina e do Caribe se reúnem em Congresso

Por
01 de novembro de 2018

Leigos e leigas de todo mundo irão participar do Congresso Continental de Laicos que acontece de 2 a 4 de novembro, no Centro de formação Mariápolis, em São Paulo. O evento é uma organização do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, juntamente com a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, responsável pelo processo organizativo e operacional desse evento no país.

Em 2017, o CELAM organizou três pré-congressos sobre os leigos nas regiões: Cone Sul (Buenos Aires), países bolivarianos (Chosica, Peru) e CAMEXPA (San Salvador). Representantes dos Conselhos nacionais participaram e tiveram a oportunidade de aprofundar a carta escrita pelo Papa Francisco dirigida para a Pontifícia Comissão para a América Latina em 2016, e que resultaram no Congresso Continental que ocorrerá em novembro. “Cristãos leigos e leigas sujeitos da Igreja e da sociedade a serviço do reino”, concluiu Marilza.

O objetivo geral do ano do Laicato é: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

(Com informações Carol Franco)

Comente

Medellín completa 50 anos

Por
17 de mai de 2018

A II Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) foi solenemente inaugurada em um sábado, 24 de agosto de 1968, na Catedral Metropolitana de Bogotá, na Colômbia, com discurso do Papa Paulo VI. A notícia foi publicada no jornal O SÃO PAULO à época, com repercussão dos bispos brasileiros que participaram da Conferência.

Entre eles, Dom Avelar Brandão, então Arcebispo de Teresina (PI) e Presidente do Celam, que, ainda no início da Conferência, pediu aos bispos para não adotarem posições radicais. “Somos todos irmãos”, disse o Bispo brasileiro “e a Igreja não pode ter linhas que corram em forma paralela, sem jamais se encontrarem”, afirmou o Bispo. 

O fato é que Medellín, Conferência da qual participaram cerca de 4 mil pessoas, foi um marco para a Igreja na América Latina e, com ela, afirma-se que, efetivamente, o Concílio Vaticano II (1962-1965) encontrou espaço nas igrejas particulares latino-americanas.

Em outro texto publicado no O SÃO PAULO , em agosto de 1968, o Cardeal Juan Landazuri Ricketts, então Arcebispo de Lima, no Peru, e um dos três presidentes da reunião do Celam, afirmou: “Por que não o dizer? Nossa mentalidade e formação, nossa maneira de pensar e agir são diversas, inclusive alguns pareçam discordantes, mas, talvez, não é esta a hora da claridade? Estamos reunidos para aplicar o espírito do Vaticano II que continua despertando esperanças por toda parte”.

A continuidade do Concílio Vaticano II e as conclusões da Conferência – que terminou no dia 6 de setembro de 1968 – marcaram uma posição inteiramente inovadora para a Igreja na América Latina. 

O Cardeal Rossi, então Arcebispo de São Paulo, também salientou esse sentimento de novidade, quando afirmou em texto publicado no Semanário da Arquidiocese: “Iniciou-se uma nova era na Igreja da América Latina em que o espírito eclesial e de colegialidade episcopal saiu fortalecido em nosso continente. Contribuiu o Brasil com especial quinhão para esse êxito, graças à sua delegação, em que se quis levar em conta também a representatividade das diversas regiões do nosso País”.

 

UM ANO DE TRANSFORMAÇÕES

Padre José Oscar Beozzo, Doutor em História Social e coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular, recordou também que a Conferência de Medellín aconteceu em um ano de transformações em todo o mundo. 

“Já em janeiro de 1968, o mundo surpreendeu-se quando a ofensiva do Tet, no Vietnã, ficou conhecida pela ofensiva às tropas norte-americanas. No Brasil, o regime militar ganhou força nas ruas do País e as prisões e torturas aconteceram de forma violenta, precedendo o Ato AI-5. Já em Praga, na Europa, ficou conhecida a Primavera de Praga, com a liberalização política na Tchecoslováquia. Enfim, Medellín aconteceu no meio desses movimentos em todo o mundo e isso não pode ser ignorado”, salientou Beozzo.

Ele também recordou que o Beato Paulo VI criou a Pontifícia Comissão Justiça e Paz e escreveu a encíclica Populorum Progressio . “Tais ações foram, de alguma maneira, uma resposta aos bispos latino-americanos que pediram ao Papa uma atenção especial da Igreja acerca da realidade latino-americana, sobretudo no que se refere à pobreza e às injustiças sociais”, continuou. 

Em 2018, comemora-se os 50 anos da Conferência de Medellín, que significou um ponto de partida para a construção de uma identidade eclesial no continente. Com Medellín, o Concílio Vaticano II teve uma recepção criativa, com raízes espirituais profundas. 

‘O episcopado em Medellín assumiu como imperativo de ação a consolidação da justiça, a promoção da paz, a educação libertadora e uma Igreja pobre em defesa dos empobrecidos’

(Padre Ney de Souza)
 

MEMÓRIA, PROFETISMO E ESPERANÇA

Em entrevista à reportagem, Padre Ney de Souza, Professor da PUC-SP e autor do livro “Medellín - memória, profetismo e esperança na América Latina”, publicado pela editora Vozes , afirmou que na América Latina a recepção do Vaticano II aconteceu a partir dos diversos níveis eclesiais. “Em certos momentos com dinamismo maior e em outros com passos lentos. Desde a liturgia até o ecumenismo, perpassando pela eclesiologia, pelo laicato, pelo episcopado e pela formação do clero, não faltaram esforços para consumar o Concílio convocado de maneira imprevista e surpreendente pelo Papa João XXIII.”

Padre Ney recordou que Medellín foi fruto da gestão realizada pelo então Presidente do Celam, Dom Manuel Larrain, Bispo de Talca, no Chile. “A sua intenção era propiciar um aggiornamento (atualização) da Igreja latino-americana, mediante a aplicação do espírito e orientação do Vaticano II. Como se sabe, Dom Larrain faleceu em 1966 e foi Dom Avelar Brandão Vilela, à época Arcebispo de Teresina (PI), que o sucedeu na Presidência do Celam e tocou adiante o projeto”, explicou. 

 

PAULO VI

Padre Ney lembrou que o próprio Papa Paulo VI veio à América Latina para inaugurar a Conferência de Medellín: “Nos três dias previstos para sua estada em Bogotá, realizou 21 alocuções a diferentes públicos. No discurso de abertura da Conferência, o Bispo de Roma frisou que, com sua presença, inaugurava-se ‘um novo período da vida eclesiástica’ na América Latina. Em vias de iniciar as atividades de Medellín, dirigiu-se aos bispos com um claro intuito de orientá-los. Escolheu em sua admoestação três pontos a serem refletidos com o episcopado: espiritual, pastoral e social.” 

Padre Ney recordou ainda os principais temas tratados pelo Papa em seu discurso. “No que se refere ao espiritual, Paulo VI instigou os bispos a viverem com intensidade os mistérios divinos antes de dispensá-los aos outros. Na mesma linha, chamou a atenção para certa desconfiança vigente em relação à fé, bem como a adesão a ‘filosofias da moda, muitas vezes tão simplistas quanto confusas’, inclusive de teólogos. Disse, ainda, que cabe ao episcopado, para o bem espiritual dos fiéis, promover a reforma litúrgica e a formação espiritual do povo de Deus”, comentou.

“Na ótica pastoral, o Papa afirmou em sua alocução que ‘encontramo-nos no campo da caridade’. Exortou o episcopado a continuar a reflexão e assegurou que ‘a caridade com o próximo depende da caridade com Deus e os alertou contra as tendências que denomina de secularizantes e pragmáticas do Cristianismo, bem como uma visão dualista da Igreja, em que a carismática prescinde da institucional que já é expressão superada do Cristianismo. Nesse sentido, para aplainar visões distorcidas do Cristianismo, prosseguiu o discurso, duas categorias merecem especial caridade e atenção: os sacerdotes e a juventude. Sem prescindir das outras categorias: ‘trabalhadores do campo, da indústria e similares’”, destacou  Padre Ney. 

O Padre concluiu sua reflexão falando sobre a situação social extrema que vivia a população na América Latina. “O extremo empobrecimento da população, as injustas condições de vida e a violência institucionalizada que grassavam entre a população era marca que definia a realidade deste território. É nesse sentido que o episcopado em Medellín assumiu como imperativo de ação a consolidação da justiça, a promoção da paz, a educação libertadora e uma Igreja pobre em defesa dos empobrecidos.” 

 

Sínodo da Igreja em São Paulo no horizonte do eixo Medellín-Aparecida

Na sexta-feira, 11, na conclusão da Semana Teológica que aconteceu nos campi Ipiranga e Santana da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da PUC-SP, falou-se sobre o sínodo arquidiocesano de São Paulo. Na mesa de debates, Cônego Antonio Manzatto, Doutor em Teologia e Professor da PUC-SP; Cônego Sergio Conrado, Pároco da Paróquia São Gabriel Arcanjo e Professor Emérito da PUC-SP; e Padre Tarcísio Mesquita, Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, falaram sobre o sínodo como um momento privilegiado para a Igreja em São Paulo.

Cônego Manzatto recordou que, para os bispos que participaram da Conferência, Medellín não foi somente uma reunião estratégica para pensar questões pastorais a partir do Concílio Vaticano II, mas marcou um modo novo de ser Igreja. “Situamo-nos num horizonte teológico-pastoral, que se desenvolve a partir de práticas eclesiais concretas, numa Igreja que vive a fé de maneira concreta, pois não há como fazer uma separação entre reflexão teológica e prática eclesial”, disse, ao introduzir o tema.

Cônego Sergio Conrado, por sua vez, afirmou que a Arquidiocese de São Paulo não poderia fazer outra coisa pós-Medellín a não ser abraçar a Conferência. “Foi uma assembleia de bispos, voltada para as Igrejas locais, e que valorizou as Igrejas locais em suas necessidades”, disse. Ele recordou, ainda, algumas questões que foram e continuam sendo essenciais para a missão da Igreja, como a questão do pluralismo religioso, a crise dos valores morais, a distância cada vez maior entre pobres e ricos, e fez uma provocação que, segundo ele, precisa ser atenciosamente contemplada pelo sínodo. “Como ouviremos os que não participam das paróquias e comunidades? Quem vai ouvi-los? Isso é muito importante para garantir que nosso sínodo não seja só um olhar para dentro”, reforçou.

Padre Tarcísio Mesquita salientou o fato de o sínodo ser um caminho de comunhão, conversão e renovação. “Queremos sair das nossas estruturas para ouvir a todos. A ideia é que todos possam fazer-se ouvir, sobretudo aqueles que trabalham nas periferias, as urbanas e as existenciais. O nosso centro da cidade, por exemplo, é uma grande periferia”, explicou.

“Se nosso sínodo conseguir renovar nossos quadros de agentes de pastoral que ocupem lugar nos presídios, nas periferias existenciais e geográficas, nos edifícios, nos cortiços, o sínodo terá tido êxito. É necessário que leigos e leigas, membros do clero e religiosos sejam exemplares no ouvir e no agir, uma Igreja que escuta e uma Igreja servidora”, continuou Padre Tarcísio.

 

Comente

América Latina precisa de ‘uma política boa e nobre’

Por
07 de dezembro de 2017

A participação dos leigos católicos na vida política foi o tema de um encontro internacional realizado em Bogotá, na Colômbia, entre os dias 1º e 3. O evento foi promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e pelo Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Arcebispos, bispos, senadores, prefeitos, ministros, ex-presidentes, embaixadores e responsáveis de estruturas nacionais de diversos países participaram do encontro convocado pelo Papa Francisco, que enviou uma vídeo-mensagem para o evento. 

Entre os 95 convidados estavam Felipe de Jesus Calderón Hinojosa, Ex-Presidente do México; José María Leyes, Prefeito de Cochabamba, na Bolívia; Felipe Pérez Martí, Ex-Ministro do Planejamento e Desenvolvimento da Venezuela; Yamila Johanny Osorio Delgado, Governador Regional de Arequipa, no Peru; e Bernardo Bátiz Vázquez, fundador do Partido Morena de México. Também participaram o Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina; o Cardeal Rubén Salazar, Arcebispo de Bogotá e Presidente do Celam; o Cardeal Gregorio Rosa Chávez, Bispo Auxiliar de San Salvador, em El Salvador; o Cardeal José Francisco Robles Ortega, Arcebispo de Guadalajara, no México; o Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília (DF) e Presidente da CNBB; e o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e membro da CAL.

 

Mártires do bem comum

Considerada a maior de seu Pontificado, a vídeo-mensagem do Papa Francisco, com cerca de 20 minutos, iniciou-se a partir da citação de seus predecessores, que se referiam à política como uma “alta forma de caridade”, ou seja, um serviço inestimável de dedicação ao bem comum da sociedade. 

O Pontífice ressaltou, ainda, que “a política é, antes de tudo, serviço”, não de ambições e interesses pessoais ou de prepotência de facções e nem de autocracia e totalitarismos. Segundo Francisco, os políticos devem imitar o exemplo de Jesus que “veio para servir e não para ser servido”. Segundo o Papa, esse serviço, às vezes, requer sacrifício e dedicação dos políticos, a ponto até de serem considerados “mártires” do bem comum. 

Tal serviço, na avaliação do Pontífice, não deve se contrapor ao poder, mas, ao contrário, o poder deve tender ao serviço. Por isso, é preciso cultivar o verdadeiro senso interior da justiça, do amor e do serviço. “Sentimos a necessidade de reabilitar a dignidade da política”, acrescentou Francisco, recordando o grande descrédito popular em relação à política e aos partidos políticos, por causa da corrupção, como também a falta de formação e inclusão de novas gerações políticas, para prestar, com paixão, serviço aos povos.

 

Política boa e nobre

O Bispo de Roma insistiu na necessidade de novas forças políticas que brilhem pela sua ética e cultura; que façam uso do diálogo democrático; que conjuguem a justiça com a misericórdia e a reconciliação; e que sejam solidárias com os sofrimentos e esperanças dos povos latino-americanos. 

“Quanto precisamos, hoje, na América Latina, de uma política boa e nobre! Quanto precisamos de protagonistas!”, exclamou o Papa, salientando que “o continente latino-americano necessita da defesa do dom da vida, em todas as suas fases e manifestações; precisa de crescimento industrial e tecnologia sustentável; precisa de políticas corajosas para enfrentar o desafio da pobreza, da desigualdade, da exclusão e do subdesenvolvimento”. 

O Santo Padre citou, ainda, a falta de uma educação integral e o restabelecimento do tecido familiar e social; de uma nova cultura do encontro e de uma democracia madura, que possa combater a corrupção, as colonizações ideológicas; de maior cuidado com a nossa casa comum; de uma maior integração econômica, cultural e política; e de respeito dos direitos humanos, da paz e da justiça. 

Citando o trecho conclusivo do Documento de Aparecida, sobre uma das grandes preocupações do episcopado latino-americano, Francisco destacou “a grande ausência, no âmbito político, de vozes e iniciativas de líderes católicos, de personalidade forte e de dedicação generosa, que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas".

O Papa concluiu sua vídeo-mensagem exortando aos leigos católicos a não permanecerem indiferentes na vida pública. Neste sentido, a Igreja caminha ao seu lado, com suas diretrizes em prol da dignidade humana, animando e promovendo a caridade e a fraternidade, o desejo do bem, da verdade e da justiça.

 

Cultura do encontro 

O Cardeal Marc Ouellet apontou para a necessidade de sincronizar recursos espirituais, intelectuais e materiais para uma cultura do encontro, de tal maneira que a política tenha assistência da Igreja pelo compromisso pastoral, para uma irradiação maior da comunhão católica no continente, pela multiplicação de experiências de diálogo entre pastores e políticos.

Ainda segundo o Presidente da CAL, é hora de uma América Latina ad extra , em saída, para estender o testemunho do continente cristão e garantir que o continente latino-americano não se deixe colonizar pelas ideologias e pela ideologia de gênero em particular, mas que tenha uma estratégia criativa, propositiva, a partir de famílias reais, unidas, verdadeiras igrejas domésticas.

 

Diálogo sincero

Para o Presidente do Celam, o evento foi uma oportunidade de políticos e bispos realizarem um diálogo sincero. “Estabeleceram-se linhas para o diálogo, o encontro e a comunhão sobre a base da justiça, a igualdade, o respeito aos direitos humanos, o desenvolvimento genuíno e a paz dos povos, que foram alguns dos assuntos abordados na discussão de três dias em espírito fraterno”, afirmou o Cardeal Salazar.

(Com informações do Celam e rádio Vaticano)

Comente

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.