Via Sacra da Criança e do Adolescente acontece no próximo dia 12

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02 de abril de 2019

A Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo realizará a Via Sacra da Criança e do Adolescente na sexta-feira, 12 de abril. Este ano o lema “Serás libertado pela direito e pela justiça” dialoga com as reflexões da CF 2019.

Em carta enviada aos párocos, administradores paroquiais da Arquidiocese de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, falou sobre a relevância social do evento e da importância da valorização da vida.

LEIA A ÍNTEGRA DA CARTA

 

 

“A Via Sacra é momento forte em de defesa da vida, sobretudo de crianças e adolescentes. Um tempo de testemunho público da nossa fé na grande Metrópole e de anunciar que o Reino de Deus chegou para transformar as relações humanas e sociais para serem respeitosas, justas, solidárias e fraternas, escreveu o Cardeal.

 

PROPÓSITOS

A Via Sacra da Criança e do Adolescente terá início às 8h30, na Praça da Sé, com a bênção inicial e a primeira estação. Em seguida, haverá uma caminhada pelas ruas do centro da cidade.

Nas estações, ocorrerão atos em memória dos crimes ambientais (recordando os rompimentos das barragens nas cidade mineiras de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, 2019), das vítimas da chacina ocorrida na Escola Estadual de Suzano (SP).

Também será dado destaque para os problemas decorrentes da ausência de Políticas Públicas de saneamento básico, moradia, saúde, educação, segurança e amparo à infância e adolescência na cidade de São Paulo.

Outros detalhes sobre a iniciativa podem ser obtidos pelo telefone (11) 3105-0722 ou pelo e-mail pastoraldomenor@gmail.com, com Sueli Camargo ou Ivan Bezerra.

 

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Papa assina carta para os jovens: ‘Cristo vive’

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28 de março de 2019

Em visita ao Santuário Mariano de Loreto, na Itália, o Papa Francisco assinou um documento dedicado especialmente aos jovens. Christus vivit, em Latim, ou “Cristo vive”, em Português, é uma exortação apostólica póssinodal na forma de uma carta aos jovens de hoje.

Embora tenha sido assinado na segunda-feira, 25, o documento só será publicado em 2 de abril. É a data do aniversário de morte de São João Paulo II, escolha proposital que, segundo o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, demonstra o importante laço entre dois pontífices muito amados pela juventude.

 

NOS PASSOS DO SÍNODO

A exortação é o principal resultado documental da reflexão do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A assembleia geral foi realizada em outubro de 2018, mas o debate começou ao menos um ano antes.

Esse também foi o primeiro Sínodo que incluiu uma reunião pré-sinodal, na qual 300 jovens foram a Roma e deixaram um documento que serviu de base para o Sínodo. Agora, espera-se que cada igreja particular – dioceses, paróquias, movimentos – também leve o tema da juventude ao centro dos encontros e aplique os resultados do Sínodo.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida já está organizando um evento pós-sinodal: uma conferência a ser realizada em junho deste ano, na Itália, reunindo jovens indicados pelos bispos de vários países, visando a concretizar as diretrizes do Sínodo.

 

NAS MÃOS DE MARIA

Francisco escolheu assinar o texto em Loreto (foto) e colocar nas mãos de Maria os jovens do mundo inteiro. No famoso santuário italiano, há uma chamada “casa de Maria”, venerada por muitos fiéis como residência da Virgem. Segundo uma tradição popular local, a casa de Maria foi levada pelos anjos da Terra Santa até a Itália.

Nesse local, disse o Papa, vê-se claramente que Maria continua a falar para todas as gerações, acompanhando cada um na busca da própria vocação. “Por isso, eu quis assinar aqui a exortação apostólica, fruto do Sínodo dedicado aos jovens”, mencionou durante a missa.

 

LEVAR O EVANGELHO A TODOS

“No evento da Anunciação, aparece a dinâmica da vocação expressa nos três momentos que marcaram o Sínodo: escuta da Palavra-projeto de Deus; discernimento; e decisão”, disse. A “casa de Maria”, continuou, também é casa das famílias e dos doentes.

“Deus, por meio de Maria, confia- -nos uma missão neste tempo: levar o Evangelho da paz e da vida aos nossos contemporâneos, frequentemente distraídos, atraídos por interesses terrenos ou imersos em um clima de aridez espiritual”, afirmou o Papa.

“Precisamos de pessoas simples, sábias, humildes e corajosas, pobres e generosas”, como Maria, “que acolham o Evangelho sem reservas na própria vida”, completou.

 

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Cardeal escreve Carta Pastoral sobre o 1º sínodo arquidiocesano

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13 de fevereiro de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, escreveu à Arquidiocese de São Paulo uma Carta Pastoral, datada na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2019. 

Intitulada “Sínodo arquidiocesano de São Paulo, 2018-2020 – caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, a Carta é endereçada aos bispos auxiliares, padres, diáconos, religiosos e religiosas e a todos os cristãos leigos e leigas e suas organizações.

A Carta tem o objetivo de rever o caminho já realizado durante o sínodo e apontar os novos passos que devem ser dados em 2019. O texto contém muitas citações retiradas das cartas escritas por São Paulo Apóstolo e sugestões de como organizar ações pastorais e conhecer melhor a história das paróquias e dos seus padroeiros.

 

ALEGRIA

Inspirado em São Paulo Apóstolo, que em muitas de suas cartas, saúda a comunidade, o Cardeal demonstra grande alegria em escrever uma Carta sobre o sínodo arquidiocesano.

“É com grande alegria que me dirijo a todos, por meio desta Carta Pastoral, para tratar do primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo, “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para toda a Arquidiocese de São Paulo e para todas as realidades que a integram e expressam. Confiados na graça de Deus, já percorremos o primeiro ano do caminho sinodal, previsto para três anos. O Espírito Santo há de nos assistir nas etapas que ainda temos pela frente, sobretudo para alcançarmos as metas e propósitos do sínodo. Estamos semeando; a seu tempo, os frutos aparecerão”, afirma o Cardeal.

 

CONVERSÃO E RENOVAÇÃO MISSIONÁRIA

Dom Odilo recorda que o chamado à conversão é um convite constante da Igreja e que o próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, teve esse objetivo.

“Não é de hoje que a Igreja nos convida à conversão pessoal e também à conversão pastoral e eclesial. O próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, foi um grande e solene chamado à Igreja para renovar-se na missão, estando atenta às novas circunstâncias e realidades culturais, sociais e religiosas vividas pela sociedade e pela própria Igreja”, escreveu Dom Odilo.

O Arcebispo enumerou, em sua Carta, alguns desses eventos e documentos:

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a “evangelização no mundo contemporâneo” (1975), do qual resultou a extraordinária Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de São Paulo VI.

• Os sínodos sobre a catequese (Catechesi Tradendae, 1979) e sobre a ação missionária da Igreja (Redemptoris Missio, 1990), de São João Paulo II.

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo contemporâneo (Christifideles Laici, 1988), sobre a vocação sacerdotal, a vida e o ministério dos presbíteros (Pastores Dabo Vobis, 1992), sobre a missão dos bispos (Pastores Gregis, 2001), sobre a vocação especial dos religiosos e religiosas (Vita Consecrata, 1996) e sobre a família (Amoris Laetitia, 2014-2015) e também o sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” (2018).

• O Papa Francisco, depois do sínodo sobre a “nova evangelização para a transmissão da fé cristã” (2012), na sua primeira Exortação Apostólica (Evangelii Gaudium, 2013), conclamou novamente a Igreja inteira a se renovar na missão evangelizadora. 

 

A IGREJA DE SÃO PAULO

Ao referir-se à Arquidiocese, o Cardeal faz um questionamento: “Será que a preocupação com a “nova evangelização” e a “conversão pastoral e missionária” já chegou às nossas comunidades e conseguiu mudar alguma coisa nas bases concretas da nossa Igreja em São Paulo?”. E convida as comunidades a uma reflexão: “Perguntemo-nos: o que ficou e mudou em nossas comunidades a partir da Conferência de Aparecida, em 2007?”

Por se tratar do primeiro sínodo arquidiocesano, o Cardeal recordou algumas das questões centrais que, em 2018, ajudaram as paróquias a conhecerem suas próprias realidades e contextos em que estão inseridas.

• Quem somos nós, como Igreja Católica?

• Qual é a nossa missão?

• Como está sendo realizada essa missão nas nossas comunidades?

• Como se encontra a nossa comunidade?

“O levantamento paroquial feito pelos Párocos e outros corresponsáveis pelas paróquias mostrou com realismo que estão em curso mudanças aceleradas e preocupantes”, afirmou Dom Odilo, que recordou também que, no primeiro ano do sínodo arquidiocesano, foi feita uma ampla pesquisa de campo sobre a realidade religiosa e pastoral em todas as 297 paróquias territoriais de nossa Arquidiocese.

Supervisionada e apoiada tecnicamente por especialistas da PUC-SP, a pesquisa contou com cerca de 300 voluntários treinados e bem orientados, que percorreram cada uma das paróquias e fizeram mais de 20 mil visitas domiciliares para entrevistar católicos e não católicos.

A carta será distribuída nas paróquias e está disponível integralmente no site da Arquidiocese de São Paulo.

 

E AGORA?

No segundo ano do sínodo, os trabalhos das assembleias sinodais nas regiões episcopais serão abertos solenemente no dia 30 de março de 2019, com uma grande concentração sinodal em cada Região. Também farão o mesmo caminho os vicariatos ambientais do Povo da Rua, da Educação e Universidade e da Comunicação.

Dom Odilo informou que a Comissão de Coordenação Geral já preparou um instrumento de trabalho e uma metodologia própria para as assembleias sinodais nesses âmbitos da nossa Arquidiocese.

Porém, o Arcebispo enfatizou que as paróquias devem continuar seu caminho sinodal em 2019. “As paróquias, com todas as suas realidades e expressões, continuam a avançar no caminho sinodal, motivadas pelo tema e o lema do sínodo e pelas realidades já percebidas sobre a situação pastoral e religiosa das paróquias e comunidades durante o primeiro ano do sínodo”, disse Dom Odilo

Na Carta, o Cardeal explicou que cada paróquia deve promover uma assembleia paroquial ampliada ainda no primeiro semestre de 2019, para expor os resultados do levantamento paroquial feito em 2018 e da pesquisa de campo sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e de toda a Arquidiocese de São Paulo.

CONHECER A PRÓPRIA HISTÓRIA

Um dos convites para 2019 é também o de que cada paróquia possa se empenhar em conhecer a própria história. “Convidamos todas as paróquias e comunidades a conhecerem melhor a si mesmas”, afirmou o Cardeal.

Além disso, Dom Odilo ressaltou a importância de cada paróquia começar a tomar conhecimento e consciência mais aprofundada daquilo que a pesquisa de campo e também o levantamento paroquial revelaram sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e da Arquidiocese.

“O objetivo dessa ação, além de ser cultural, é sobretudo pedagógico e evangelizador: conhecer a história da própria paróquia deveria levar as pessoas a sentirem-se mais ligadas a essa história e a amar a comunidade paroquial de pertença”, aponta a Carta.

 

SANTOS PADROEIROS E OS TÍTULOS DAS PARÓQUIAS

No objetivo de conhecer a própria história, o Cardeal explicou que a tradição de dar nomes de santos padroeiros às paróquias ou títulos relativos à fé católica é uma prática antiga na Igreja e possui diversos significados importantes e bonitos.

“Os títulos paroquiais relativos a algum artigo da nossa profissão de fé equivalem a um testemunho e proclamação pública de nossa fé”, disse Dom Odilo.

Ele exortou os fiéis a conhecerem melhor os santos padroeiros e os títulos das paróquias, o que pode ajudar o povo a descobrir e valorizar mais esse tesouro. “A partir dos santos padroeiros e dos títulos paroquiais, cada paróquia pode descobrir e valorizar mais o seu carisma próprio, partindo do testemunho do padroeiro, ou do significado e da importância do título para a vivência cristã dos paroquianos”, continuou Dom Odilo.

Sobre a vida dos santos, o Cardeal disse ainda que “a melhor forma de valorizar e honrar os santos é acolher e divulgar o testemunho de suas vidas, de seu amor a Deus e ao próximo e sua perseverança na fé, mesmo em meio a dificuldades. Os santos não são mitos criados pela fantasia! São pessoas históricas, que enfrentaram dificuldades e lutas para serem fiéis a Deus e à graça do Batismo”.

 

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Abusos na Igreja: a carta do Papa aos fiéis

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20 de agosto de 2018

«Um membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele» (1 Co 12, 26). O Papa Francisco se inspirou nas palavras do Apóstolo Paulo para divulgar esta segunda-feira, 20, uma carta a todo o Povo de Deus a respeito de denúncias de abusos cometidos por parte de clérigos e pessoas consagradas.  

Este crime, afirma o Pontífice, “gera profundas feridas de dor e impotência” nas vítimas, em suas famílias e na inteira comunidade de fiéis ou não.

“A dor das vítimas e das suas famílias é também a nossa dor, por isso é preciso reafirmar mais uma vez o nosso compromisso em garantir a proteção de menores e de adultos em situações de vulnerabilidade.”

 

Pensilvânia

Francisco cita de modo especial o relatório divulgado nos dias passados sobre os casos cometidos no Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

"Sentimos vergonha quando percebemos que o nosso estilo de vida contradisse e contradiz aquilo que proclamamos com a nossa voz”, escreve o Papa. Ele fala ainda de negligência, abandono e arrependimento e cita as palavras do então Cardeal Ratzinger quando, na Via-Sacra de 2005, denunciou a “sujeira” que há na Igreja.

Para o Pontífice, a dimensão e a gravidade dos acontecimentos obrigam a assumir esse fato de maneira global e comunitária.

 

Solidariedade

Não é suficiente tomar conhecimento do que aconteceu, mas como Povo de Deus, “somos desafiados a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito. Se no passado a omissão pôde tornar-se uma forma de resposta, hoje queremos que seja a solidariedade”.

O Papa explica o que entende por solidariedade: proteger e resgatar as vítimas da sua dor; denunciar tudo o que possa comprometer a integridade de qualquer pessoa; lutar contra todas as formas de corrupção, especialmente a espiritual.

“O chamado de Paulo para sofrer com quem sofre é o melhor antídoto contra qualquer tentativa de continuar reproduzindo entre nós as palavras de Caim: «Sou, porventura, o guardião do meu irmão?» (Gn 4, 9).”

 

Reconhecimento aos esforços

Francisco reconhece “o esforço e o trabalho que são feitos em diferentes partes do mundo para garantir e gerar as mediações necessárias que proporcionem segurança e protejam a integridade de crianças e de adultos em situação de vulnerabilidade, bem como a implementação da ‘tolerância zero’ e de modos de prestar contas por parte de todos aqueles que realizem ou acobertem esses crimes”.

O Papa reconhece ainda o atraso em aplicar essas medidas e sanções tão necessárias, mas está confiante de que elas ajudarão a garantir uma maior cultura do cuidado no presente e no futuro.

 

Oração e penitência

O Pontífice faz também um convite a todos os fiéis: oração e penitência.

“Convido todo o Povo Santo fiel de Deus ao exercício penitencial da oração e do jejum, seguindo o mandato do Senhor, que desperte a nossa consciência, a nossa solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o ‘nunca mais’ a qualquer tipo e forma de abuso. ”

Na raiz desses problemas, Francisco observa um modo anômalo de entender a autoridade na Igreja: clericalismo.

Favorecido tanto pelos próprios sacerdotes como pelos leigos, o clericalismo “gera uma ruptura no corpo eclesial que beneficia e ajuda a perpetuar muitos dos males que denunciamos hoje. Dizer não ao abuso, é dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo”.

Além da oração e do jejum, o Papa chama em causa o sentimento de pertença: “Essa consciência de nos sentirmos parte de um povo e de uma história comum nos permitirá reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro”.

 

Atrocidades

Por fim, Francisco usa a palavra “atrocidade”.

“É imperativo que nós, como Igreja, possamos reconhecer e condenar, com dor e vergonha, as atrocidades cometidas por pessoas consagradas, clérigos, e inclusive por todos aqueles que tinham a missão de assistir e cuidar dos mais vulneráveis. Peçamos perdão pelos pecados, nossos e dos outros.”

E através da atitude de oração e penitência, fazer crescer em nós o dom da compaixão, da justiça, da prevenção e da reparação.

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D. Fisichella nos 25 anos da Veritatis Splendor: quem critica o Papa não é fiel à tradição católica

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07 de agosto de 2018

Amedeo Lomonaco - Cidade do Vaticano

Carta Encíclica Veritatis Splendor reflete sobre questões fundamentais do ensinamento moral da Igreja e expõe "as razões de um ensinamento moral alicerçado na Sagrada Escritura e na viva Tradição Apostólica". "É preciso – lê-se no documento - que o homem de hoje se volte novamente para Cristo, para ter dele a resposta sobre o que é bom e o que é mal."

Nesta entrevista ao Vatican News, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o arcebispo Rino Fisichella recorda os aspectos mais relevantes deste Encíclica e salienta que não há nenhum "pretexto para contestar o Magistério do Papa Francisco à luz do magistério precedente".

R. - Veritatis Splendor, a Encíclica de João Paulo II, em um transformado contexto cultural muito determinado por um secularismo e, por consequência, também por um forte relativismo filosófico, apresenta - como indica também o título de uma obra de von Balthasar "Pontos fixos" - os pontos fundamentais que permanecem como referências à doutrina cristã.

A propósito de pontos fixos, o que entende o Papa João Paulo II quando fala de verdades imutáveis, de normas morais universais?

R. - Antes de tudo, quando falamos da verdade, devemos sempre ter dela um conceito dinâmico. A verdade não é uma dimensão fixista. A verdade, para os cristãos, é antes de tudo aquela Palavra viva que o Senhor nos deixou. Não esqueçamos Jesus que diz: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Portanto, a dimensão da verdade se abre para um encontro pessoal: é a verdade do Evangelho, é a verdade representada pela pessoa de Jesus Cristo. Tudo aquilo que é o conteúdo que Jesus quis transmitir aos seus discípulos e que dos apóstolos chega até nós, é uma verdade que se abre mais e mais para a descoberta do mistério que foi revelado. Existem alguns pontos fundamentais que permanecem como marcos no ensino dogmático e moral da Igreja. Esses são elementos que permanecem na sua imutabilidade. Obviamente, tudo isso depois requer dos teólogos - como também a Encíclica Vertiatis Splendor - um grande trabalho de interpretação. A norma imutável é baseada na verdade do Evangelho. Aquele princípio de instância que está inserido, permanece em sua validade, em seu critério de juízo que continuamente, porém, deve ser aberto pela descoberta da verdade da Palavra de Deus.

Ou seja, estamos diante de um dinamismo de verdades permanentes, firmemente ligadas à Tradição. Então há uma continuidade que se renova sempre ...

 

R. - Absolutamente. A Igreja Católica não pode aceitar, na minha opinião, uma ideia de verdade fechada em si mesma. A verdade, por sua própria natureza, refere-se à fidelidade e também à liberdade: "A verdade vos libertará". Uma verdade que se abre sempre mais é uma verdade que faz descobrir também a cada crente, a cada homem, uma liberdade mais profunda. Isso, porém, também requer uma fidelidade. O elo entre a fidelidade e a verdade é um elo típico da concepção bíblica da verdade.

 

Essa leitura da verdade requer, portanto, fidelidade. Alguns setores da Igreja criticam o Papa Francisco porque, na opinião deles, ele se distancia da doutrina católica e referem-se, em particular, justamente à Veritatis Splendor. O que responder?

R. - O magistério nunca deve ser usado instrumentalmente para se colocar um contraste no desenvolvimento da doutrina. Quando há um uso instrumental, temo então que não exista o desejo de uma descoberta da verdade e que também não exista uma fidelidade à tradição da Igreja. Penso que não exista nenhum ponto de apoio para poder contestar o magistério do Papa Francisco à luz do magistério precedente. É preciso reiterar, pelo contrário, quanta continuidade há no desenvolvimento. Penso, no entanto, que também é importante ler atentamente todo o magistério do Papa Francisco e não somente algum pronunciamento: o mosaico é dado pelo conjunto das peças, não por uma única peça.

O Magistério do Papa Francisco é portanto um mosaico que não pode ser lido apenas com um olhar sobre uma peça isolada. Qual é então o rosto geral deste ensinamento, este ensinamento assim elevado por parte do Papa Francisco?

R. - O de uma grande abertura na obra de evangelização. O de não antecipar a norma ao anúncio. Parece-me que os grandes elementos necessariamente são estes: o encontro com a pessoa de Jesus, o anúncio constante que a Igreja deve fazer, que os pastores são chamados a fazer para chegar a todos. Esta é a ideia da Igreja em saída, e portanto, também a capacidade - como diz a Evangelii Gaudium - de acompanhar-se com o nosso contemporâneo, caminhando ao lado dele para compreendê-lo, para entender realmente aquelas que são as instâncias, e às vezes também, talvez, dar um passo atrás. Portanto, emerge esta dimensão unida à necessidade de misericórdia. O Jubileu da Misericórdia foi um sinal concreto de como o Papa Francisco identifica e direciona seu Pontificado.

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