‘Ratzinger é um teólogo que explicou a Palavra de Deus para toda a Igreja’

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05 de mai de 2019

Durante sua passagem por São Paulo para o lançamento do primeiro volume em Língua Portuguesa das “Obras Completas” (“Opera Omnia”) do teólogo Joseph Ratzinger, o Papa Emérito Bento XVI (leia mais na página 22), o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, concedeu entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO.

Fundador do Instituto Papa Bento XVI e responsável pela edição das “Opera Omnia” de Ratzinger, o Cardeal Müller destacou a relevância dos escritos do Pontífice alemão para o ensinamento da Teologia na atualidade, e a influência do pensamento do Papa Emérito na elaboração de documentos do Concílio Vaticano II, especialmente sobre a Revelação Divina e a natureza da Igreja. Os textos de Ratzinger também ajudaram na assimilação posterior do Concílio a partir do aprofundamento dos próprios documentos conciliares.

Considerando Ratzinger um dos grandes teólogos da história da Igreja, Dom Gerhard destacou a originalidade do pensamento ratzingeriano, que não ensinava apenas com os conceitos das salas de aula, mas de maneira compreensível para o público em geral. Leia a entrevista.

 

O SÃO PAULO - COMO FOI OTRABALHO DE ORGANIZAÇÃO DAS OBRAS DE RATZINGER?

Cardeal Gerhard Ludwig Müller – Foram muitos os livros, artigos e textos produzidos por Joseph Ratzinger ao longo de toda a sua vida como sacerdote, bispo e, sobretudo, professor de Teologia. No entanto, era necessária uma sistematização. Então, organizamos esses textos a partir dos grandes temas, a começar por seus trabalhos acadêmicos, como sua tese sobre Santo Agostinho e a dissertação sobre o pensamento de São Boaventura. Em seguida, seus trabalhos sobre os grandes aspectos da Teologia cristã, dogmática e fundamental, como a questão sobre Deus, a Cristologia, Soteriologia [sobre a salvação], Eclesiologia [sobre a Igreja], a Vida Eterna e a Liturgia. É importante ressaltar que esse não foi um esquema feito apenas por um editor, pois Bento XVI está vivo e concordou com a organização proposta.

 

EM QUE CONTEXTO HISTÓRICO SE DESENVOLVEU O PENSAMENTO TEOLÓGICO DE RATZINGER?

No século XIX, aconteceu uma reorganização da Teologia católica depois da grande ruptura causada pela secularização do Iluminismo e, em seguida, pelo desafio dos sistemas totalitários políticos com ideologias contrárias à fé. No século XX, especialmente depois da Primeira Guerra Mundial, houve uma mudança no estilo dos manuais da Neoescolástica, concentrando-se mais nos grandes desafios e nas questões filosóficas contemporâneas, como o existencialismo, o niilismo de Nietzsche, a crítica da religião, o naturalismo, a compreensão de que todas as religiões são uma expressão autônoma do ser humano, mas que não conduz à transcendência. Nesse período, desenvolveu-se uma nova forma de Teologia, com nomes como Henri-Marie de Lubac, Hans Urs von Balthasar, Romano Guardini e Ratzinger.

 

QUE ASPECTOS DA TEOLOGIA DE RATZINGER LHE CHAMAM MAIS A ATENÇÃO?

São tantos aspectos que é difícil destacar alguns. Considero muito importante a figura de Jesus que ele apresenta na “Introdução ao Cristianismo”. Também a obra “Jesus de Nazaré” é o núcleo de seu esforço para renovar não só a Teologia, mas tornar mais acessível o conhecimento e a fé na pessoa de Jesus Cristo, sobretudo pelas pessoas influenciadas pelo niilismo, pelo secularismo, pelo laicismo, pelo instrumentalismo, pela redução da razão ao funcionalismo. Ratzinger ressalta que somos chamados cristãos porque acreditamos em Jesus Cristo, Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

 

POR QUE INICIAR A PUBLICAÇÃO DAS OBRAS PELA TEOLOGIA DA LITURGIA?

Esse foi um pedido do próprio Papa Bento XVI, que quis sublinhar a absoluta importância da Liturgia. Essa “Opera Omnia” não é uma edição cronológica, mas temática. Ratzinger disse que o futuro da Igreja depende da Liturgia. Podemos escrever livros sobre Deus, discutir vários temas, desafios, mas a nossa relação com Deus não é teórica e ocorre em nível de encontro pessoal. Enquanto as outras religiões cristãs possuem culto, nós possuímos uma liturgia, algo muito diferente. O culto é apenas a expressão de sentimentos, ideias orientadas para uma transcendência. A Liturgia é uma direta consequência da encarnação. Deus veio até nós. Por isso, a Liturgia representa a “união hipostática” entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo. Não é uma expressão de meus próprios sentimentos e ideias individuais ou da sociedade, que mudam de uma fase da história a outra, não é uma “autodivinização” da humanidade.

 

COMO O TEÓLOGO RATZINGER PARTICIPOU E COLABOROU COM O CONCÍLIO VATICANO II?

Ele participou inicialmente como perito do Cardeal Joseph Frings, e depois de diversas comissões. Contribuiu na elaboração da Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, a partir da reflexão de seu trabalho sobre São Boaventura, que destaca que Revelação não é apenas uma informação da parte de Deus, mas um encontro. Deus se revela a nós e nossa resposta faz parte da Revelação, porque nossa incorporação na natureza humana de Jesus Cristo é uma resposta a essa Revelação.

O pensamento de Ratzinger também influenciou significativamente a Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium), no que diz respeito ao mistério da Igreja, ao unir as duas dimensões: a visível e a invisível, considerando-a “sacramento universal de salvação”, assim como no mistério da encarnação. Essa sacramentalidade conduz à communio (comunhão) não visível, mas real, com Deus.

 

E COMO ELE CONTRIBUIU NA ASSIMILAÇÃO DO CONCÍLIO APÓS SUA REALIZAÇÃO?

Ratzinger escreveu diversos comentários que contribuíram para a compreensão do Concílio a partir da unidade dos próprios documentos conciliares. Seus textos apresentavam os resultados do Concílio, estimulando o debate e a recepção. Em suas “Obras Completas”, há dois volumes sobre a Teologia do Concílio Vaticano II que ajudam a compreendê-lo em profundidade.

 

COMO DEFINIR O TEÓLOGO RATZINGER?

Joseph Ratzinger não foi apenas um professor na universidade, é um teólogo que explicou a Palavra de Deus para toda a Igreja. Destaco a originalidade de sua Teologia, além do fato de ser uma pessoa muito inteligente, um mestre da palavra e do estilo em sua língua materna, o Alemão. Ele não escreve apenas com os conceitos dos teólogos da sala de aula, mas, sim, de uma maneira compreensível para qualquer pessoa com uma boa formação geral. Por isso, tantos fiéis gostam de ler suas obras. Sua Teologia é tão profunda quanto a dos outros grandes nomes de sua época. No entanto, é mais compreensível para o público em geral. Por isso, ele é considerado um dos grandes teólogos da história da Igreja.

 

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Com Pedro, a Igreja confessa que Jesus é o seu fundador

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05 de mai de 2019

Na manhã do domingo, 28 de abril, a convite do Cardeal Odilo Pedro Scherer, o Cardeal Gerhard Müller presidiu a missa solene na Catedral da Sé.

Na homilia, proferida em Português, o Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé refletiu sobre a natureza e finalidade da Igreja. “Depois de ressuscitar dos mortos, ao mandar o Espírito Santo sobre os apóstolos e sobre toda a humanidade, Jesus concluiu a fundação da Igreja visível sobre a terra”, afirmou Dom Gerhard, referindo-se ao texto do Evangelho proclamado no 2º Domingo da Páscoa.

 

COMUNHÃO E MISSÃO

Recordando a Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, o Cardeal Müller enfatizou que comunhão e missão são dois “conceitoschave” para a existência e a vida do povo de Deus.

Dom Gerhard continuou a reflexão destacando que, na comunidade das dioceses ao redor do mundo, a Igreja romana tem uma função especial, pois ela mesma foi fundada por meio do sangue dos príncipes dos apóstolos, Pedro e Paulo. “Com Pedro e com seus sucessores, os papas, a Igreja confessa em todos os tempos que é Jesus o seu divino fundador. Ele é a palavra que se fez carne”, acrescentou o Cardeal Müller.

 

POVO DE DEUS

O Cardeal Müller destacou, ainda, que a solidariedade universal, para com os pobres, enfermos, perseguidos e desprezados, e a luta por justiça social, pela vida dos não nascidos e pelo direito à vida de todos os idosos até a sua morte natural, são fundadas no fato de os cristãos serem “os anunciadores do Evangelho da graça e da dignidade humana”.

“Em sentido teológico – e não superficialmente ideológico –, a Igreja é uma Igreja dos pobres e para os pobres”, afirmou, indicando que não somente a hierarquia, mas toda a Igreja, com seus fiéis e pastores, é chamada ao serviço do povo de Deus.

Por fim, o Cardeal Müller disse que “a missão da Igreja, dentro e fora de si mesma, no passado e no futuro, era e é algo diferente de um mero empenho caritativo”, é um sinal de esperança para toda a humanidade, para que todos, por meio de Cristo, tenham “vida em abundância”.

 

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Deus sempre é o centro da Liturgia

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10 de mai de 2019

O Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, visitou a Arquidiocese de São Paulo entre os dias 26 e 28 de abril para o lançamento do primeiro volume da coletânea das “Obras Completas” (“Opera Omnia”) do teólogo Joseph Ratzinger, o Papa Emérito Bento XVI.

Publicado pelas Edições CNBB, o volume tem como título “Teologia da Liturgia – O Fundamento Sacramental da Existência Cristã”. Esse também foi o tema das conferências que o Cardeal realizou na Faculdade de Teologia da PUC-SP, no Ipiranga, na sexta-feira, 26, e no Mosteiro de São Bento, no centro, no sábado, 27. 

O Cardeal Müller foi acolhido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente da Sociedade Ratzinger do Brasil, criada em 2017 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasl (CNBB), com a finalidade de traduzir e divulgar as obras de Bento XVI e promover atividades de estudo e pesquisa sobre seu pensamento teológico. Editor responsável pela tradução e organização da coleção dos escritos teológicos de Ratzinger em Língua Alemã, Dom Gerhard também realizou conferências em Porto Alegre (RS) e no Rio de Janeiro. 

 

A LITURGIA

Nas conferências, o Cardeal Müller explicou que, ao longo de sua vida acadêmica, o Papa Bento XVI sempre se esforçou por alcançar uma compreensão adequada da Liturgia. “O que está em debate não é a forma, o exterior do rito e alguns de seus detalhes, senão sua compreensão cristológica e a participação ativa na Liturgia no espírito teocêntrico”, afirmou.

“A congregação da Igreja em torno de Cristo, Palavra e sacramento, sobre o altar, é expressão da atualização do sacrifício de Cristo ao Pai, que inclui, também, a entrega de todos os membros deste corpo ao Pai. Dessa maneira, realiza-se a comunhão mais íntima do homem com Deus e com os seus semelhantes, em Cristo, a Palavra de Deus feita carne, e Senhor crucificado com seus braços estendidos, clamando ao Pai. A Liturgia sempre é teocêntrica, ou seja, Deus é o centro”, afirmou o Cardeal.

 

CORPO DE CRISTO

Ainda segundo o pensamento de Ratzinger, a Liturgia deve ser compreendida como expressão total e objetiva da vida da Igreja e um instrumento para a formação de um senso eclesial. “Na Liturgia, acontecem a união com Jesus Cristo, a impressão da Palavra de Deus na ação do homem e o direcionamento da vontade do coração humano pelo poder do Espírito Santo, o seguimento de Cristo, a experiência da comunidade dos fiéis, a manifestação da comunhão de vida com Cristo e com todos os membros do seu corpo”, ressaltou Müller. 

A Igreja é, portanto, a comunhão com Deus e com os demais fiéis como membros de seu corpo. “Não somos membros de uma mesma associação, mas de um mesmo corpo, que é Cristo. A Igreja oferece a si mesma ao ser oferecida por Cristo ao Pai”, continuou o Purpurado. 

 

REFORMA

Ao tratar da reforma litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II, o Cardeal Müller ressaltou que tal reforma não deve ser entendida como “uma ruptura com a Tradição”. 

“A contraposição da Teologia e Liturgia pré-conciliares e pós-conciliares é contrária à vida da Igreja e demonstra ser cada vez mais um instrumento ideológico que faz romper a unidade da Igreja na continuidade da sua tradição apostólica e a mediação histórica da Igreja na Revelação”, disse. 

Por essa razão, a Liturgia não deve ser transformada em “campo de experimentos e hipóteses teológicas”, pois possui a sua grandeza naquilo que ela mesma é e não naquilo que se realiza com ela. “A liturgia não é expressão da consciência da comunidade, é a Revelação acolhida na fé e, portanto, a sua medida é a fé da Igreja, o recipiente da Revelação”.

 

VALOR DE DOMINGO

Ao comentar a apresentação do Cardeal Müller, Dom Odilo recordou as palavras de Bento XVI no discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em 2007, no qual o Papa Emérito falou sobre a missa dominical como centro da vida cristã. 

“A participação dos pais com seus filhos na celebração eucarística dominical é uma pedagogia eficaz para comunicar a fé e um estreito vínculo que mantém a unidade entre eles”, diz o texto citado pelo Arcebispo. 

No discurso, Bento XVI reforça, ainda, a necessidade de os cristãos sentirem “que não seguem um personagem da história passada, mas Cristo vivo, presente no hoje e no agora de suas vidas”. 

 

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‘Somos os anunciadores do Evangelho da graça e da dignidade humana’

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28 de abril de 2019

O Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, presidiu missa na Catedral da Sé, na manhã deste domingo, 28. Ele está no Brasil para uma série de conferências realizadas no País por ocasião do lançamento do primeiro volume em língua Portuguesa das Obras Completas (Opera Omnia) do teólogo Joseph Ratzinger (Papa Emérito Bento XVI), das quais é responsável pela edição e organização em língua Alemã. 

O Cardeal Müller foi acolhido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente da Sociedade Ratzinger do Brasil, criada em 2017 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a finalidade de traduzir e divulgar as obras de Bento XVI e promover atividades de estudo e pesquisa sobre seu pensamento teológico. 

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IGREJA É MISSÃO

Na homilia, proferida em Português, o Cardeal Müller refletiu sobre a natureza e finalidade da Igreja. “Depois de ressuscitar dos mortos, ao mandar o Espírito Santo sobre os apóstolos e sobre toda a humanidade, Jesus concluiu a fundação da Igreja visível sobre a terra”, afirmou o Purpurado, referindo-se ao texto do Evangelho proclamado no Segundo Domingo da Páscoa. 

Müller ressaltou que a Igreja é “comunhão com a Santíssima Trindade” do mesmo modo em que ela é a continuação da missão de Cristo no mundo. “A sua tarefa é aquela de conduzir toda a humanidade à fé e através dos sacramentos, à glorificação e à adoração do Senhor”, acrescentou. 

Recordando a Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, o Cardeal alemão enfatizou que comunhão e missão são dos dois “conceitos-chave” para a existência e a vida do povo de Deus. 

COM PEDRO 

Dom Gerhard continuou a reflexão destacando que, na comunidade das dioceses ao redor do mundo a Igreja romana tem uma função especial, pois ela mesma foi fundada por meio do sangue dos príncipes dos apóstolos, Pedro e Paulo. “O seu bispo é o sucessor de Pedro, o qual foi colocado à frente dos outros apóstolos e instituído ‘o princípio e fundamento perpétuo e vivível da unidade de fé e comunhão’”, explicou, citando novamente o Concílio. 

“Com Pedro e com seus sucessores, os papas, a Igreja confessa em todos os tempos que é Jesus o seu divino fundador. Ele é a palavra que se fez carne”, acrescentou, o Cardeal. 

TODOS IRMÃOS

“Na Igreja, somos todos irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai celestial em seu Filho Jesus Cristo. Os cristãos da Coreia do Norte, a nós desconhecidos, são tão membros do Corpo de Cristo quanto os nossos amigos da paróquia, conhecidos desde os tempos da infância”, afirmou o Purpurado. 

O Cardeal Müller destacou, ainda, que as solidariedade universal para com os pobres, enfermos, perseguidos e desprezados, a luta por justiça social, pela vida dos não-nascidos e pelo direito à vida de todos os idosos até a sua morte natural, é fundada no fato de os cristãos serem “os anunciadores do Evangelho da graça e da dignidade humana”.

“Em sentido teológico – e não superficialmente ideológico –, a Igreja é uma Igreja dos pobres e para o pobres”, afirmou o Cardeal, indicando que não somente a hierarquia, mas toda a Igreja, com seus fiéis e pastores, é chamada ao serviço do povo de Deus. 

NOVA EVANGELIZAÇÃO

Dom Gerhard recordou que os últimos pontífices, com frequência e veemência, advertiram sobre a necessidade de nova evangelização  nos países de antiga cultura cristã. “Isso pode ser, também, estendido a países que já há 500 anos têm sido edificados na cultura cristã”, acrescentou, referindo-se o Brasil. 

“A Igreja não é uma religião civil. E, por quanto tantas pessoas se deixam enganar por pseudo-salvadores, a verdade permanece inalterada: a humanidade e seus produtos, como a ciência, a técnica, a economia e as riquezas, formas de poder e de governo, não podem dar respostas a soluções aos desafios existenciais. Somente Deus, que na sua Palavra, em Cristo, nos falou diretamente, somente Ele é a solução para o enigma que o ser humano é em si mesmo”, reforçou Müller. 

VERDADE E LUZ 

O Cardeal Müller afirmou, ainda, que Deus não é uma verdade parcial deste mundo, mas é a verdade em si mesma, aquela que conduz a todos os conhecimentos filosóficos, científicos orientando-os à justa luz. 

O Purpurado lembrou que, como em todos os tempos, também hoje se espalham “fagulhas de falso esplendor” que querem aprisionar as pessoas no “lodo do relativismo e do materialismo”. “São vozes que dizem que não existe nenhuma verdade que nos comprometa e nos dê limites objetivos”, afirmou. 

Em contraposição a essa mentalidade, o Cardeal enfatizou que Deus não possui somente verdades, mas ele mesmo é “a verdade que liberta o ser humano do cárcere do egocentrismo”. 

SINAL DE ESPERANÇA

Por fim, o Cardeal Müller afirmou que “a missão da Igreja, dentro e fora de si mesma, no passado e no futuro, era e é algo diferente de um mero empenho caritativo”. 

“Igreja de Deus será em todas as partes inclusive no Brasil, um sinal de esperança para toda a humanidade quando Cristo brilhar nela como luz para o mundo, para que nós, através dele, tenhamos vida, e vida em abundância”, concluiu. 


Leia a reportagem completa sobre a visita do Cardeal Müller a São Paulo na próxima edição do jornal O SÃO PAULO, em 01/05/2019. 
 

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