Papa nomeia o Cardeal Hummes como relator geral do Sínodo para a Pan-Amazônia

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04 de mai de 2019

O Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes foi nomeado pelo Papa Francisco neste sábado, 4, como relator geral do Sínodo Pan-Amazônico.

Esta Assembleia Especial acontecerá no Vaticano, entre os dias 6 a 27 de outubro, com o tema “Amazônia: novos caminho para a Igreja e por uma ecologia integral”.

Também foram nomeados como secretários especiais Dom David Martinez de Aguirre Guinea, O.P, Vigário Apostólico de Puerto Maldonado, no Peru; e o Monsenhor Michael Zcerny, S.J, Subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Gratidão

Em entrevista ao portal da CNBB, Dom Claudio disse receber a notícia com o sentimento de responsabilidade porque o Sínodo é muito importante e poderá ser histórico. “Eu agradeço ao Papa a confiança na gente, em mim, e quero dar o meu melhor para realizar este serviço”, afirmou.

A nomeação para o cargo de relator geral, para o Cardeal Hummes, não significa nenhuma distinção especial. “Os nove países temos as mesmas responsabilidades e esperanças e estamos fazendo o nosso melhor para que este sínodo seja frutuoso”, afirmou.

Dom Claudio disse estar feliz por prestar este serviço em função do grande amor à Amazônia e a todo o processo já desenvolvido desde a convocação do Sínodo pelo Papa Francisco, em 2017. Ele ressaltou o papel que a Repam vem desenvolvendo de preparação junto com os bispos de toda a Pan-Amazônia e da Secretaria-Geral dos Sínodos, órgão do Vaticano.

O Arcebispo Emérito de São Paulo referiu-se, principalmente, ao trabalho de escuta da população amazônica, de seus sonhos e temores do futuro, especialmente dos indígenas que, em sua avaliação, estão sendo ameaçados. Estas escutas vão redefinir, segundo ele, a presença da Igreja junto a estas populações ameaçadas em seus territórios.

(Com informações da CNBB e Vatican News)

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Com o clero arquidiocesano, Cardeal Hummes comemora 60 anos de sacerdócio

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08 de agosto de 2018

O Cardeal Cláudio Hummes comemorou na quarta feira, 8, os 60 anos de sua ordenação sacerdotal celebrando a Santa Missa com o clero da Arquidiocese de São Paulo, reunido em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), para o 16º curso de atualização teológica e pastoral.

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No início da cerimônia, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, saudou o Cardeal Hummes, que nesta quarta-feira comemora 84 anos de vida, e traçou o histórico de vida ministerial de Dom Cláudio: frei franciscano, Bispo de Santo André – atuando ativamente como defensor da democracia em tempos de ditadura militar, Arcebispo de Fortaleza, Arcebispo de Arquidiocese de São Paulo (hoje emérito), Presidente Emérito da Congregação para o Clero e atual Presidente da Comissão da CNBB para a Amazônia.

Com humildade própria de um franciscano, Dom Cláudio, durante o ato penitencial da Santa Missa, pediu perdão a Deus pelos pecados que possa ter cometido ao longo de seu ministério. Em sua homilia, recordou que Jesus Cristo atua por meio dos padres, e que é preciso viver este ministério com alegria de quem se sabe ser amado por Deus com predileção.

A IGREJA E O SACERDÓCIO

“A Igreja deve imensamente aos padres. Caminha com os pés dos padres. Quando os padres param, a Igreja para. Quando os padres caminham, a Igreja também caminha. Por isso, o padre não pode se acomodar. Tem que estar em saída”, afirmou.

Dirigindo-se aos padres, exortou: “Somos pastores de nossas comunidades. Não basta jogar as sementes do Evangelho da janela da casa paroquial, esperando que dê frutos. É preciso sair, ir ao encontro das pessoas. A Igreja precisa de maior proximidade com e entre as pessoas. Vencendo cansaços, voltar às periferias, cansando-se para o povo. Esse cansaço provoca alegria” .

BIOGRAFIA

O Cardeal Cláudio Hummes, OFM, nasceu em Montenegro (RS), em 8 de agosto de 1934. Foi ordenado padre em Divinópolis (MG), em 3 de agosto de 1958, pertencendo à Ordem Franciscana dos Frades Menores.

Foi eleito bispo pelo Beato Paulo VI, em 1975, exercendo o episcopado na Diocese de Santo André (SP), de 1975 a 1996, quando foi nomeado por São João Paulo II como Arcebispo de Fortaleza (CE), onde permaneceu até abril de 1998, quando foi nomeado 0 6º Arcebispo de São Paulo, tomando posse em 23 de maio daquele ano.

Foi criado Cardeal Presbítero do Título de Santo Antônio de Pádua na Vila Merulana em 21 de fevereiro de 2001, por São João Paulo II.

Em 30 de outubro de 2006, foi nomeado Prefeito da Congregação Para o Clero, no Vaticano. Em 7 de outubro de 2010, o Papa Bento XVI aceitou seu pedido de Renúncia por limite de idade.

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Cardeal Hummes: Sínodo sobre a Pan-Amazônia pode ser de novos horizontes à Igreja

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18 de abril de 2018

A preparação do Sínodo dos Bispos sobre a Pan-Amazônia, convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2019, no Vaticano, foi um dos assuntos em destaque na coletiva de imprensa da tarde desta quarta-feira, 18, em Aparecida (SP), durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB.

O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), falou aos jornalistas sobre os preparativos do Sínodo que “pode se tornar realmente um momento histórico para a Igreja universal e não apenas para a Igreja na Amazônia. Pode ser um momento de grandes mudanças e de novos horizontes da Igreja na sua caminhada na história da sociedade humana”, afirmou.

Dom Cláudio afirmou que os primeiros interlocutores do sínodo são os indígenas e o povo simples ribeirinho, “todos aqueles que trabalham no interior da Amazônia, o povo mais pobre e mais esquecido”, a quem a Igreja deve chegar para que escute o que eles têm a dizer.

Encontros com o Papa

O Presidente da Repam lembrou do recente encontro que o Papa teve no Vaticano, nos dias 12 e 13 deste mês, com os membros do conselho que está preparando o Sínodo: “Nos dois dias de trabalho, o Papa estava presente praticamente todo tempo, sentado conosco, ouvindo o que estava sendo proposto, porque esse momento será para preparar um documento, que desperte no público em geral, portanto na comunidade das igrejas na diocese, o interesse pelo Sínodo, dando a oportunidade para que todos possam falar sobre isso”.

Dom Cláudio lembrou que o Papa já tinha se encontrado com bispos, padres e indígenas da região em Puerto Maldonado, no Peru, durante a visita apostólica que realizou àquele país em janeiro deste ano. “Foi realmente fundamental aquele encontro. Agora, devemos continuar com pequenos encontros regionais locais e haverá um grande programa para isso”.

Desafios

O Arcebispo Emérito de São Paulo disse que o olhar da Igreja para a Amazônia deve ser tanto missionário quanto de preocupação com uma área ameaçada pelo desmatamento, pelos grandes projetos, pela mineração e pela agropecuária.

“Como defender essa Amazônia, os rios, as matas, as biodiversidades, e os próprios povos originários que estão ali? Como, de fato, ajudar para que eles não sejam atropelados, destruídos e degradados? E como é que a Igreja, sendo uma luz e guia, pode anunciar Jesus Cristo, dentro dessa problemática?”, foram alguns dos pontos elencados por Dom Cláudio.

De uma ‘Igreja indigenista a uma Igreja indígena’

O Cardeal Hummes também afirmou que o Sínodo em 2019 colocará em reflexão o rosto local da Igreja na Amazônia, que precisa envolver um maior número de agentes pastorais que sejam da própria população e um clero de nascidos na região, com vistas a manter a frequência na vivência dos sacramentos.

“Se pensa muito em um clero indígena, um clero que nasça de dentro das próprias comunidades, que fica ali, pois já é dali”, afirmou, complementando: “Fala-se de uma Igreja indigenista. Significa uma Igreja que defende os indígenas, que está do lado dos indígenas, uma Igreja que luta pelos direitos dos indígenas. E nós precisamos passar de uma Igreja indigenista a uma Igreja indígena, ou seja, uma Igreja que nasce de dentro dos próprios indígenas, onde eles são os sujeitos da sua história religiosa, são os pastores e, portanto, fazem a história religiosa do seu povo. A igreja deve brotar de um próprio povo, da cultura desse povo, da história desse povo, identificando-se com esse povo a partir do próprio povo que crê em Jesus Cristo. É por aí que esperamos deste Sínodo”.

Região Pan-Amazônia

Com um território de aproximadamente 6,9 milhões de quilômetros quadrados, a Pan-Amazônia compreende o Brasil (67%), Peru (13%), Bolívia (11%), Colômbia (6%), Equador (2%), Venezuela (1%), além de Suriname, Guiana e Guiana Francesa, que somam 0,15% do restante do território.

Na região habitam mais de 30 milhões de pessoas, sendo 2.779.478 indígenas pertencentes a 390 povos autóctones e 137 povos “isolados” (não contatados). São pessoas que falam 240 línguas diferentes, pertencentes a 49 ramos linguísticos. Atualmente, a Igreja se organiza na região em 56 circunscrições eclesiásticas, entre arquidioceses, dioceses e prelazias.

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