Capela do Hospital Infantil Menino Jesus é reaberta

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15 de novembro de 2019

Com 80 anos de história, a Capela do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na Bela Vista, foi reinaugurada na quinta-feira, 7, após uma década fechada.
A reabertura foi possível graças à revitalização financiada pelo grupo de voluntárias do Hospital Sírio-Libanês, instituição responsável pela gestão do hospital municipal. 
A reinauguração contou com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, que presidiu uma missa e abençoou o templo. Participaram da missa responsáveis pelo hospital, profissionais da saúde, as benfeitoras e pais dos pacientes. 

ESPAÇO SAGRADO
A Capela tem sua origem no antigo Sanatório Esperança, de 1939, que depois se tornou o Hospital Menino Jesus. Porém, devido à falta de manutenção e conservação, o templo foi desativado. 
Padre Fernando da Silva Moreira, Capelão do Hospital Sírio-Libanês, que também atende no Hospital Menino Jesus, explicou ao O SÃO PAULO que, com a Capela desativada, as missas semanais do hospital eram celebradas no corredor. Contudo, faltava um ambiente adequado para que as pessoas pudessem se recolher em oração. 
“A capela é importante para os pais dos pacientes, sobretudo em tratamentos mais longos e agudos. É um lugar sagrado onde a pessoa pode recobrar as suas forças e encontrar o conforto de Deus”, afirmou o Capelão. 

REFÚGIO EM DEUS
O Hospital Menino Jesus atende crianças de todo o Brasil para o tratamento de diversas doenças, com especial atenção aos programas voltados para a correção de lábio leporino, hepatologias e reabilitação intestinal. 
“A maioria das crianças literalmente mora no hospital, assim como seus pais. Por isso, a possibilidade de sair do ambiente hospitalar cotidiano e entrar em um lugar para recolhimento e oração alivia, traz esperança, para que a mãe possa outra vez estar junto de seu filho”, acrescentou o Padre. 
O Capelão relatou exemplos como o de uma mãe que acompanha o filho em reabilitação intestinal e, todos os dias, vai à igreja próxima ao hospital para participar da missa. “Houve outra mãe que, quando eu falei que a capela seria reinaugurada em breve, disse-me: ‘Graças a Deus, agora eu vou poder chorar sozinha’. Não havia um lugar dentro do hospital para que as pessoas pudessem ter esse recolhimento pessoal”, contou Padre Fernando, ressaltando que a assistência religiosa também faz parte do processo de humanização das instituições de saúde e dos tratamentos. 

GRATIDÃO
Cláudio Soares dos Santos acompanha sua filha, Ester Soares Silva, 6, internada há sete meses no hospital para a reabilitação intestinal, devido a uma doença chamada pseudo-obstrução. 
O pai manifestou alegria pela reabertura da capela e agradeceu o trabalho da capelania. “Desde que ela nasceu com esse problema de saúde, passamos por diversas dificuldades em que só o tratamento médico não seria suficiente se não tivéssemos a presença de Deus junto de nós para recobrarmos a esperança”, relatou.
Para Antonio Carlos Madeira de Arruda, superintendente médico do Hospital Menino Jesus, “em um ambiente hospitalar, a presença de Deus e da fé é fundamental, faz parte do tratamento, é essencial para que as pessoas encontrem forças para lutar contra doenças, às vezes, graves, de difícil solução”. 

SAÚDE HUMANIZADA
A médica Denise Silvia Adamo trabalha no Hospital Menino Jesus desde 1990. Ela ressaltou que a assistência religiosa é essencial para a instituição de saúde. “Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica, trabalhamos com crianças em estado muito grave que, muitas vezes, ultrapassam a nossa capacidade humana de tratamento”, afirmou, recordando os inúmeros casos de crianças que foram batizadas na UTI e que, depois, sobreviveram.
A presença do capelão e dos ministros é fundamental para a humanização da saúde não só para os pacientes e seus pais, como também para os profissionais. “É muito difícil lidar com o sofrimento humano, ainda mais de crianças. Por isso, todos precisamos do suporte da fé e dessas pessoas que nos ajudam nesse trabalho. Agora, temos novamente um lugar onde também nós, médicos, podemos rezar e pedir a Deus forças.”
Sacerdote há 23 anos, Padre Fernando enfatizou que a experiência como capelão hospitalar enriquece muito seu ministério. “Trabalhar em um hospital é ter contato com três realidades: a vida, a morte e o milagre. Isso nos enriquece como sacerdote, porque nos ajuda a ser cada vez mais humanos e mais próximos do divino, podendo olhar para as pessoas com os olhos e a compaixão de Deus, colocar-se ao lado do outro nesta caminhada, que não é solitária, mas feita como comunidade”, disse. 

SOLIDARIEDADE
As doações que viabilizaram a reabertura da capela vieram da loja das voluntárias que funciona no Sírio-Libanês, que tem como uma das responsáveis a senhora Anna Maria Tuma Zacharias. 
A iniciativa da loja surgiu ao perceberem que, na época, não havia nada no entorno do hospital para que as pessoas pudessem adquirir produtos para suas necessidades básicas, dos pacientes e dos acompanhantes. A loja, então, começou vendendo produtos de higiene pessoal e, aos poucos, cresceu. “De um pequeno balcão, cresceu e hoje vendemos de tudo. É como uma loja de conveniência”, explicou a voluntária.  
Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos produtos é revertido para a responsabilidade social do hospital. Atualmente, colaboram diretamente na loja 120 voluntárias, que se revezam em vários períodos. 

MISSÃO DA IGREJA
Dom Odilo agradeceu o apoio de todos os que se envolveram para tornar possível a revitalização da capela e ressaltou o esforço da Igreja em São Paulo para estar presente da melhor forma possível nos hospitais e espaços de cuidado da saúde na cidade. 
O Cardeal Scherer recordou que o cuidado aos enfermos faz parte do início da Igreja, quando os apóstolos foram enviados por Cristo para curá-los. Ele explicou, ainda, que as palavras “cuidar, curar e salvar” têm o mesmo significado no idioma falado por Jesus, que sempre teve uma atenção especial pelos doentes. 
Dom Odilo também dirigiu uma palavra de incentivo a todos os profissionais da saúde, bem como aos que trabalham na administração da instituição. “Junto com as habilidades profissionais, coloquem sempre uma dose de amor, carinho e atenção pessoal. É muito importante para a recuperação do doente. Isso toca o profundo do coração, da alma das pessoas”, exortou o Cardeal aos profissionais.
Por fim, o Arcebispo recordou que cada criança atendida é um menino Jesus que sofre e que necessita de cuidado, atenção e amor. “Que o Menino Jesus olhe sempre, com muito carinho, para este hospital”, concluiu.

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A curiosa história da Capela Santa Cruz das Almas dos Enforcados

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20 de setembro de 2018

No dia 10, Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, na Região Episcopal Sé, presidiu missa na Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados, localizada na Praça da Liberdade. O Capelão, Padre Enivaldo Santos do Vale, foi um dos concelebrantes.

Quem anda pela parte oriental da cidade talvez não note a capela no número 238, da famosa praça que deu nome a região, ou saiba o motivo do nome da Igreja “Capela de Santa Cruz das Almas dos Enforcados”.

Em parte isto se dá a uma prática comum que havia no Brasil de aplicar a pena capital para certos crimes. Mas o que liga esta capela aos enforcados é a história de Francisco José das Chagas.

Tudo aconteceu cerca de um ano antes da declaração da independência. No ano 1821, o quartel da rua Santa Catarina, protagonizou a “Revolta Nativista”, que eventualmente levou a separação de Portugal.

A revolta reivindicava o pagamento de salários já atrasados a cinco anos e a igualdade de tratamento entre soldados brasileiros e portugueses. “Chaguinhas” foi preso e, apesar dos pedidos por clemência, foi condenado a morte, o que chocou toda a cidade.

Onde hoje é a Praça da Liberdade, foi erguida uma forca e Chaguinhas foi condenado a morte. Duas vezes a corda arrebentou. Na primeira o povo clamou “Liberdade!”, na segunda “Milagre!”

A terceira corda não falhou, mas o réu ainda mostrava sinais vitais e por isso foi morto a pauladas. Francisco José das Chagas veio a falecer no dia 20 de setembro de 1821. Uma cruz foi erguida no lugar de sua morte e velas foram acesas em volta. Em 1887 a capela foi fundada em sua memória.

HORÁRIOS DE MISSAS

Segunda-feira: 7h, 8h, 9h, 10h, 12h, 15h, 17h, 18h e 19h

Terça-feira a Sexta-feira: 08h, 12h e 18h

Sábado: 8h, 10h e 12h

Domingo e Feriado: 8h, 10h e 11h30

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