"Dê amor, doe calor"

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12 de julho de 2019

Há mais de dez anos, a Arquidiocese de São Paulo, a Caritas Arquidiocesana de São Paulo, o jornal O SÃO PAULO e a rádio 9 de Julho atuam em conjunto para a realização da Campanha do Agasalho, com objetivo de ajudar a amenizar o frio das pessoas em situação de rua ou em outras condições de vulnerabilidade social. 
“Dê amor, doe calor” foi o tema escolhido para a campanha de 2019, que pretende, além de arrecadar doações, provocar a reflexão sobre o gesto da solidariedade cristã, que pode salvar a vida de muitas pessoas durante o inverno.
De acordo com o Padre Marcelo Maróstica, Diretor da Caritas Arquidiocesana, o objetivo é criar uma grande rede de solidariedade na Arquidiocese e envolver as paróquias, comunidades, pastorais, associações, grupos, movimentos, organizações da Igreja, bem como os colégios católicos e todas as pessoas de boa vontade. 
“Diante da realidade que vivemos, despertar para a solidariedade é uma ação muito importante, pois sabemos que vem crescendo, na cidade de São Paulo, o número de pessoas em situação de rua, abandonadas, com condições indignas de moradia, migrantes e refugiados sem residência fixa”, recordou Padre Marcelo. 
Além disso, ele salientou que a Campanha pretende motivar membros dos grupos das paróquias, comunidades e colégios para que, ao receberem as doações, possam conhecer melhor a realidade que os circunda e realizar a entrega dos agasalhos arrecadados para instituições, famílias e até mesmo diretamente para as pessoas em situação de rua.

Doação não é descarte
Os itens de maior necessidade durante o inverno são casacos, cobertores, agasalhos, meias, gorros e, principalmente, roupas masculinas, para atender a grande maioria da população em situação de rua, que é composta por homens jovens.
As instituições que organizam as campanhas do agasalho, de modo geral, têm insistido que as roupas doadas devem estar em boas condições. 
“É importante que as doações sejam de boa qualidade. Realmente, muitas das coisas arrecadadas acabam se tornando lixo e não podem, nem ao menos, ser recicladas. Por isso, que as pessoas pensem em doar aquilo que elas gostariam de receber”, afirmou Padre Marcelo à reportagem. 

A solidariedade cristã
O capítulo 25 do Evangelho segundo São Mateus narra Jesus ensinando seus discípulos sobre a caridade para com o próximo, que é uma atitude de amor direcionada ao próprio Jesus: “Em verdade, vos digo que, quando a um destes pequeninos não o fizestes, não o fizestes a mim” (Mt 25,45).
No versículo 36, por sua vez, Jesus afirma: “Tive frio e me vestistes” (Mt 25,36). A caridade é uma das três virtudes teologais. Relacionada a ela está a atitude de partilha e amor para com o próximo, seja ele conhecido ou desconhecido. 
Em uma missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, em 16 de junho de 2015, o Papa Francisco, na homilia, falou sobre a solidariedade cristã, que deve ir muito além de um gesto de boa vontade: “Quando ajudamos os pobres, não fazemos obras de beneficência de modo cristão. Isso é bom, é humano – as obras de beneficência são coisas boas e humanas – mas esta não é a pobreza cristã. A pobreza cristã é dar do que é meu ao pobre, inclusive do que é necessário, e não o supérfluo, porque sei que ele me enriquece”.

                                                                                                                                                                        

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70 anos de amor e fidelidade: a história de Hilda e Ivo

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26 de junho de 2019

“Faz 70 anos que olho para ele.” A frase foi dita por Hilda, enquanto ela e o esposo, Ivo Picolo, posavam para as fotos no dia da visita da reportagem à casa do casal, na zona Norte da Capital Paulista. Com muito bom humor e gratidão, Hilda, 90, e Ivo, 92, contaram ao O SÃO PAULO um pouco da história de 70 anos de casamento e 74 de namoro. 


Ivo é filho de pai italiano, sobrevivente da 1ª Guerra Mundial, e a mãe, por sua vez, nasceu no interior de São Paulo. Hilda é filha de um paulista e de uma paranaense. Eles se conheceram, ainda adolescentes, na cidade de Assis (SP). Ivo cresceu como filho único – pois seus dois irmãos morreram ainda bem pequenos, e Hilda foi criada numa família de dez irmãos. 


Diferentes e cheios de sonhos, eles se casaram no dia 16 de junho de 1949, na Solenidade de Corpus Christi. “Nosso casamento carrega também uma triste lembrança, pois, na noite anterior à cerimônia, morreu o Padre Davi Corsu, que era nosso amigo e muito querido na cidade. Então, tivemos de mudar o horário do casamento e, no mesmo dia, além do velório e do sepultamento, aconteceu a procissão de Corpus Christi”, contou Ivo, que recorda, com alegria, as muitas histórias da cidade de Assis, lugar em que cresceu, casou-se e teve cinco filhos, até que veio para São Paulo em busca de trabalho.

Um namoro cheio de luz
Foi num dia de passeio que os dois se conheceram. “Naquele tempo, os rapazes ficavam de um lado da rua e as moças passavam do outro e, assim que nos vimos, começamos a conversar. O namoro iniciou em 1º de abril, um domingo de Páscoa”, contou Hilda. O jovem, porém, conquistou o coração da moça por causa de uma visita surpresa à cidade de Ourinhos (SP). 


“Eu tinha ido ajudar minha irmã, que havia dado à luz e achei que, quando voltasse, ele já estaria namorando outra pessoa, pois tínhamos conversado poucas vezes. Mas, para minha surpresa, ele veio a Ourinhos, no dia em que completava 18 anos, para celebrar seu aniversário comigo”, recordou Hilda, que lembrou, também, das procissões das quais participava ainda menina, quando acordava de madrugada para acompanhar as caminhadas. “Em Assis, morávamos perto da Catedral, e as moças vinham lavar os pés na casa dos meus pais antes de entrar na igreja”, contou Ivo.


Após quatro anos de namoro, decidiram se casar e, logo depois, viveram durante alguns anos na casa dos pais de Ivo, até a filha mais velha do casal chegar à idade escolar, quando procuraram uma casa mais perto da escola.


A lua de mel aconteceu na cidade de Aparecida (SP), visitada por eles muitas outras vezes. Ivo levava grupos de peregrinos a Aparecida e participou da celebração em que foi abençoada a pedra fundamental da Basílica. Hilda, por sua vez, visitou a cidade pela primeira vez durante a lua de mel. Ele, coroinha e congregado mariano, e ela, filha de Maria, viveram sempre devotamente e ensinaram aos filhos todos os valores cristãos que aprenderam com seus pais. 

Em São Paulo
Bancário, Ivo perdeu o emprego quando o banco em que trabalhava faliu. “Viemos para São Paulo e vi, num anúncio de jornal, uma vaga para trabalhar com títulos imobiliários. Fui até o local, que ficava bem perto da Praça da Sé, e qual não foi minha surpresa quando vi que o empregador era um ex-colega do banco em que trabalhei”, recordou. 


Por lá, o paulista ficou cerca de cinco anos. “Todos os dias, eu passava em frente à Catedral da Sé e sempre achei aquela igreja muito linda”, disse Ivo, que ainda guarda, na entrada da porta principal da casa, um crucifixo que ganhou de seu último empregador. 
Quando chegou a São Paulo, há cerca de 40 anos, a família estabeleceu-se no centro da cidade. “Morávamos nas ruas Paula Sousa e Tobias Barreto, e nossos filhos começaram a participar da Paróquia Santa Ifigênia. Ali, as meninas conheceram aqueles que hoje são seus respectivos maridos”, disse Hilda.


Nos dias seguintes à chegada a São Paulo, o casal participou de uma seresta em plena rua São Bento e chegou a conhecer nomes como Francisco Alves, que interpretou, pela primeira vez, músicas como “Ai, que saudades da Amélia” e “Aquarela do Brasil”. 
“Naquele tempo, ainda se podia andar à noite pelas ruas de São Paulo, e víamos, circulando pelo centro da cidade, muitos cantores famosos da época”, recordou. 

‘Sem amor, nada persiste’
 “Sem Deus, não conseguimos amar e, sem amor, nada persiste”, afirmou Hilda. Para Ivo, a vida é marcada por lutas e alegrias. Emocionados, com os olhos marejados, eles se recordaram ainda do filho, que morreu aos 32 anos, em um um acidente de carro, entre as cidades de São Paulo e Assis. “Na nossa história, que não tem nada de extraordinário, há muita luta, perdas de entes queridos e várias histórias bonitas e cheias de fé”, contou Ivo, que ainda guarda, com carinho, o capacete com marcas de balas que seu pai usou durante a guerra. 
Avós de dez netos e três bisnetos, Ivo e Hilda irão comemorar os 70 anos de MatrimÔnio durante uma celebração na Paróquia Santa Zita, na Vila Maria Alta, no dia 16 de junho, na Solenidade da Santíssima Trindade. “Agradecemos a Deus e rezamos por todos os casais”, disse Ivo. Hilda, por sua vez, perguntou: “O que será que vão preparar quando chegarem nossos 80 anos de casados?”  

 

 

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Testemunhas do amor e da esperança que transformam o ambiente hospitalar

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12 de mai de 2019

Em um hospital, não há dúvidas de que a UTI é um dos lugares mais temidos. Essa sigla é imediatamente associada a um lugar repleto de dor, sofrimento, em que a ideia da morte está sempre presente, ainda mais quando se trata de uma UTI neonatal ou pediátrica. Definitivamente, ninguém suporta a ideia de ao menos pensar em uma criança sofrendo.

No entanto, depois de frequentar esse ambiente por alguns dias, entende-se o verdadeiro sentido do nome: unidade de terapia intensiva. E, de fato, esse é um lugar onde tudo é vivido de forma bastante intensiva, inclusive o amor e a esperança.

 

IMERSÃO 

Ao entrar pela primeira vez em uma UTI pediátrica de um hospital em São Paulo, em meio ao som dos monitores de sinais vitais, choros, da movimentação de enfermeiras, uma cena chama atenção: junto aos leitos, em pé, com visível cansaço, mas sem perder a esperança, estão elas, as mães. Elas acariciam seus filhos, quando possível, pegam-nos no colo, mesmo que presos aos eletrodos e sondas, ou, então, apenas contemplam com o olhar seus pequenos intubados, sedados, aguardando uma reação.

Depois de dez dias acompanhando a recuperação do meu filho, de 8 meses, após uma cirurgia cardíaca, pude conhecer de perto a vida dessas mães da UTI. E esta reportagem, em vista do Dia das Mães, comemorado no domingo, 12, busca contar um pouco sobre o quanto essas mulheres vivem a maternidade de forma intensa e sobre o quanto presença delas torna o ambiente hospitalar mais humano.

 

SEGUNDA CASA

Fora da UTI, há uma sala de apoio para os acompanhantes, com banheiro, poltronas e uma televisão. Lá, alguns ficam alguns minutos para descansar um pouco, recobrar as forças e deixar as lágrimas contidas quando estão junto dos filhos. “Eles precisam que estejamos bem, firmes. Isso os ajuda a se sentirem mais seguros”, comentava uma mãe com outra, enquanto comia uma barra de cereais.

Também é possível ver pais que revezam com suas esposas e, quando há necessidade, autorizam a permanência dos avós. No entanto, na maioria, os acompanhantes são as mães, até por razões naturais, como a necessidade de amamentação e o maior vínculo que possuem com os filhos.

A maioria desses pais havia programado ficar alguns dias apenas, mas, devido a complicações na saúde dos filhos, estão lá há semanas ou até meses. Aquele lugar virou a extensão de suas casas, quando não passa a ser o único lugar onde vivem por longos períodos.

 

HISTÓRIAS

A professora de Física Tenille Martins Victoria, 33, aprendeu a ser mãe dentro da UTI do Hospital Sepaco, em São Paulo. Quando sua filha, Catarina, nasceu, em 3 de fevereiro de 2017, a menina foi encaminhada direto para a terapia intensiva, por causa de uma série de malformações no coração, diagnosticada durante a gestação. Foram 60 dias diretos na UTI. 

Com 40 dias de vida, Catarina foi ao centro cirúrgico para ser submetida à sua primeira cirurgia. No entanto, logo após a aplicação da anestesia, a bebê sofreu uma parada cardíaca. Tentaram reanimá-la por 13 minutos, sem sucesso, a ponto de ser declarado o seu óbito. Então, quando o cirurgião abriu o peito da bebê para verificar a causa da morte, o coração voltou a bater. “Até hoje, ele não sabe explicar como isso aconteceu”, relatou Tenille.

Depois disso, Catarina ficou mais 15 dias na UTI sem os pais saberem quais seriam as consequências dessa complicação. “A princípio, estimavam que ela demoraria uma semana para acordar e provavelmente ficaria com sequelas. Só que ela acordou menos de 48 horas depois da parada, como se nada tivesse acontecido”, contou a mãe.

A cirurgia foi finalmente realizada após um mês, sendo bem-sucedida. Com 8 meses, Catarina passou por uma nova cirurgia e, em outubro de 2018, aconteceu a terceira e mais complexa cirurgia com dez horas de duração, no Instituto do Coração (Incor).

 

VÍNCULOS

Vivendo tanto tempo “internadas” com seus filhos, é inevitável que essas mães criem laços com outras mães e seus filhos, gerando uma verdadeira rede de amizade e solidariedade.

Com Tenille não foi diferente. “Logo que entrei na UTI pela primeira vez, eu dei de cara com os dois bebês prematuros. Eram muito pequenos, deviam pesar entre 600 e 700 gramas, pele avermelhada. Eles ficavam nas incubadoras ao lado da Catarina”, recordou.

Os recém-nascidos eram filhos da analista jurídica Karen Cristina Bonfim Guerreiro, 39, e de Diego Guerreiro Paulo, 40. Ela teve uma gestação tranquila até a 24ª semana. Quando estava para completar 25 semanas, entrou em trabalho de parto e deu à luz os prematuros Théo e Miguel.

As duas mães ficaram muito próximas, uma dando força para a outra nessa jornada de alegrias e tristezas. No mesmo dia em que Tenille comemorava a notícia de que Catarina receberia alta da UTI, ela consolava a amiga que chorava a morte de um de seus gêmeos, Théo, que não resistiu às complicações da prematuridade.

 

UM DIA DE CADA VEZ

“Quando nós descobrimos a gravidez, imaginamos tudo diferente, bonito. De repente, descobrimos o oposto. Não pude ver minha filha no momento do parto, não houve visitas no quarto do hospital. Foram meses em imersão total na UTI, sem ver outras pessoas”, desabafou Tenille.

Em situações como essa, por mais que os familiares quisessem ajudar, havia um limite. Os pais são os únicos que podem viver tudo de maneira plena. “Eu praticamente não conversava com ninguém de fora, tirei todas as minhas redes sociais do ar. Vivia inteiramente para a minha filha”, acrescentou a professora.

Nesse sentido, o suporte do pai de Catarina, Welingthon Rogério Baptista, foi fundamental. “Ele se preocupava com a minha alimentação para poder aguentar tudo e também para produzir leite para ela. Ele revezava comigo na UTI e sempre buscamos estar juntos nos horários de visita, pois também era importante para nossa filha”, salientou Tenille.

A mãe da Catarina reforçou que na UTI cada instante é muito importante. “No momento, pode estar tudo bem e, em dez minutos, a situação pode se reverter. Cada dia era uma vitória. Falavam para mim que ela ia nascer e morrer, mas viveu um dia, depois outro... Eu aprendi a viver um dia de cada vez e aproveitá-lo ao máximo”, destacou.

 

PEQUENAS CONQUISTAS

Se para toda mãe cada etapa do desenvolvimento dos filhos é uma conquista, para as mães da UTI isso tem um significado mais especial, como o primeiro sorriso e as primeiras respostas a estímulos. “Não me esqueço da primeira vez que vi minha filha, horas depois do parto; da primeira vez que a peguei no colo, após quatro dias; o primeiro banho que pudemos dar, depois de mais de um mês”, recordou Tenille.

Mas, na UTI, também outros sinais de superação são motivo de alegria, como a reação positiva a uma medicação, a volta de uma intubação, o primeiro som emitido pelo bebê depois da sedação, a primeira urina sem sonda, a liberação da alimentação via sonda e a primeira amamentação no seio materno. Cada um desses passos é comemorado não somente pelos pais, como pelas enfermeiras e médicos.

A passagem por uma UTI também muda a maneira de ver os profissionais da saúde que ali se dedicam. “Eu imaginava que esses profissionais fossem mais técnicos e práticos. Eram carinhosos a ponto de uma bebê estar toda intubada e a mãe não poder pegá-la no colo; de repente, uma médica, que está em plantão há 36 horas, levantar- -se só para pegá-la no colo. Esse é o nível de carinho desses profissionais”, salientou.

Karen confirma o papel fundamental dos profissionais da UTI. “Mesmo nos momentos tristes, quando perdi meu Théo, eu recebi muito carinho dos médicos, enfermeiras, técnicas e fisioterapeutas”, ressaltou.

 

ESPERANÇA

Quando questionada sobre o que a movia para enfrentar tudo isso, Tenille foi enfática: “Minha filha e o desejo de tirá-la de lá”. Em relação à fé, a mãe revelou que era algo que ela não tinha até o dia que o coração de Catarina voltou a bater após a parada cardíaca no centro cirúrgico. “A Medicina não explica por que ela voltou. A partir dali, eu passei realmente a ter fé.”

A rápida resposta e desenvolvimento de Catarina ao tratamento também são motivos para comemoração da família. Ao contrário das expectativas dos médicos, ela sempre se desenvolveu antes do esperado. Hoje, com 2 anos e 3 meses, Catarina vive como uma criança normal, com o auxílio de medicamentos e acompanhamento médico periódico.

Apesar da dor da perda de um dos gêmeos, Karen não perdeu a fé e a esperança, e se dedicou inteiramente a Miguel, a quem define como seu “milagre”. Cada sinal de evolução do seu quadro lhe dava forças para continuar firme.

Miguel ficou com sequelas da prematuridade, a maior delas foi uma paralisia cerebral. Por conta disso, passa por inúmeras terapias. Mas a mãe faz questão de não ressaltar os aspectos negativos, olha sempre para as conquistas diárias. “Ele está se desenvolvendo no tempo dele. Essas crianças são tão fortes, são uma caixinha de surpresas”.

Para Tenille, é impossível passar pela UTI sem ter a vida transformada. “Todo mundo deveria passar uma semana em um lugar como esse, independentemente de ter um familiar ou não. A UTI nos torna pessoas melhores e mais humanas”, concluiu.

 

Benefícios da presença materna no hospital

Atualmente, especialistas reconhecem a importância da permanência dos pais no hospital e seu papel no envolvimento do processo terapêutico das crianças.

As crianças tendem a ficar transtornadas e angustiadas quando enfrentam a separação dos pais, e, quanto menor a idade, menor é a compreensão das razões dessa ausência. “A presença do acompanhante constitui fonte de proteção, apoio e segurança para o filho e possibilita um conjunto de estímulos agradáveis, tornando o ambiente da UTI menos agressivo”, ressalta um estudo da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (PR), feito com mães que tiveram filhos internados na UTI.

O estudo observou, ainda, que a liberação da permanência materna na UTI possibilita, “além do estreitamento do vínculo afetivo, a redução do estresse emocional tanto da criança como da família, e, como consequência, contribui para diminuir o tempo da internação hospitalar”.

 

AFETO E SEGURANÇA

Diante dos inevitáveis momentos de estresse da criança causados por vários fatores, como medo, dor, insegurança, longos períodos acordados, mudança de ambiente, notou-se que a família representada pela figura da mãe, além de fonte de afeto e segurança, age como mediadora e facilitadora da adaptação da criança ao ambiente hospitalar.

Em muitas instituições de saúde no Brasil e no exterior, a estrutura física das UTIs pediátricas é pensada apenas em função da criança. Aos poucos, as administrações hospitalares têm tomado consciência da importância de haver acomodações adequadas para os acompanhantes. De igual modo, os profissionais começam, na medida do possível, a envolver mais os pais nos cuidados básicos dos seus filhos internados, como na higiene pessoal, troca de fraldas e alimentação.

A participação das mães nessa terapia intensiva é, também, fundamental para dar segurança a elas e para dar continuidade aos cuidados dos filhos em casa após a alta hospitalar.

 

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Papa afirma que educar exige amor

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10 de abril de 2019

No sábado, 6, o Papa Francisco concluiu uma série de audiências ao receber, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 2,6 mil estudantes e professores do Colégio São Carlos de Milão, por ocasião dos seus 150 anos de atividades.

Fundada em Milão em 1869, trata-se de uma escola particular, cujo objetivo sempre foi “treinar almas ricas, com uma cultura saudável, preservando-as da falta de religião”. Um de seus alunos mais notáveis foi Achille Ratti, que depois se tornaria o Papa Pio XI.

No lugar do tradicional discurso, Francisco preferiu responder a algumas perguntas do público, formado por alunos, pais e professores.

 

DEUS NÃO FAZ DISTINÇÕES

A primeira pergunta foi feita pelo aluno Adriano: “O que nós e a escola podemos fazer concretamente pelas pessoas menos favorecidas que nós? Por que parece que Deus tem preferências?”

A resposta do Papa foi a seguinte: “Há perguntas que não têm nem terão respostas. Devemos nos habituar a isso (...). Somos nós quem fazemos distinções. Nós somos artífices das diferenças e, inclusive, diferenças de dor, de pobreza. Por que hoje no mundo existem tantas crianças famintas? Por que Deus faz esta distinção? Não! Quem o faz é o sistema econômico injusto.”

“Não se trata de ser comunista” – acrescentou Francisco –, “mas é o ensinamento de Jesus. Devemos sempre fazer perguntas incômodas. Nós cresceremos e nos tornaremos adultos com a inquietação no coração. E depois devemos estar conscientes de que somos nós que fazemos as distinções”.

 

CONCILIAR VALORES

A seguir, uma professora, Sílvia, disse ao Papa: “Como podemos transmitir melhor, aos nossos alunos, os valores enraizados na cultura cristã e conciliá-los com outras culturas?”

Francisco respondeu: “Aqui a palavra-chave é ‘enraizados’. E, para ter raízes, são necessárias duas coisas: consistência e memória. O mal de hoje, segundo os analistas, é – seguindo a escola de Bauman – a liquidez. (...) Regar as raízes com o trabalho, com o confronto com a realidade, mas crescer com a memória das raízes”.

 

EDUCAR COM AMOR

Uma terceira pergunta foi dirigida a Francisco por outra professora, Júlia: “Como nós, educadores e estudantes, podemos dar exemplo e testemunho da nossa nobre, mas difícil tarefa?”

Para o Papa, as palavras-chave são testemunho e sustento. O educador deve confrontar-se continuamente com a realidade, “sujar as mãos”, “arregaçar as mangas”. “O testemunho é não ter medo da realidade.” Já o sustento significa “doçura”. “Não se pode educar sem amor. Não é possível ensinar palavras sem gestos, e o primeiro gesto é o carinho: acariciar os corações, acariciar as almas. E a linguagem da carícia qual é? A persuasão. Educa-se não com escribas, não com segurança, mas com a paciência da persuasão. ”

 

'SÍNDROME DO NINHO VAZIO'

Por fim, a mãe de um aluno, Marta, também dirigiu sua palavra ao Papa, pedindo um parecer a respeito de como acompanhar e orientar seus filhos em suas escolhas futuras.

Francisco aconselhou os pais a não sofrerem da “síndrome do ninho vazio”. “Vocês, pais, não devem ter medo da solidão, não tenham medo! É uma solidão fecunda. E pensem nos muitos filhos que estão crescendo e estão fazendo outros ninhos, culturais, científicos, de comunhão política e social. É preciso proximidade com os filhos para ajudá-los a caminhar.”

Fonte: Vatican News
 

Francisco: ‘a Crisma é o sacramento da fortaleza, não do adeus à Igreja’

A tarde de domingo, 7, foi de oração, reflexão e festa para os fiéis da paróquia romana de São Júlio, situada no bairro de Monteverde, que recebeu a visita do Papa Francisco.

Ao responder a algumas perguntas, sendo uma delas a respeito das dúvidas acerca da fé, afirmou: “Devemos apostar numa coisa: na fidelidade de Jesus. Jesus é fiel, o único totalmente fiel. Não devemos ter medo da fidelidade”, disse o Papa a uma animadora catequética.

“Ensine os jovens a duvidar. Em Roma, diz-se que a Crisma é o sacramento do adeus; isso acontece porque os jovens não sabem como administrar as dúvidas. Mas a Crisma deve ser o sacramento da fortaleza que o Espírito Santo nos dá.”

O Papa confidenciou que chegou a duvidar da fé diante das calamidades e dos acontecimentos de sua vida, mas afirmou que não se sai sozinho das dúvidas, que é necessário a companhia de uma pessoa que ajude a ir avante, além da intimidade com Jesus.

Fonte: Vatican News
 

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Missa pela Pátria e pelo povo brasileiro: em vez de desigualdades, a lei do amor

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15 de setembro de 2018

Nas comemorações dos 196 anos da Independência do Brasil, na sexta-feira, 7, a Arquidiocese de São Paulo realizou a missa pela Pátria e pelo povo brasileiro, na Catedral da Sé, presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, e concelebrada pelo Padre Helmo Cesar Faccioli, Auxiliar do Cura da Catedral.

Dom Eduardo, na homilia, lembrou ser aquele um dia para rezar pelo bem da Pátria e do povo brasileiro e para pedir que Deus ilumine as autoridades, a fim de que governem não por estruturas de privilégios e injustiças, mas pela lei do amor.

“Para nós cristãos, a lei maior é a lei do amor. No amor, somos chamados a nos querer bem, a ser promotores da paz e da justiça, pois desigualdade gera violência. Olhemos para este país tão belo, tão maravilhoso, mas cheio de desigualdades, de privilégios, que dão margem para a injustiça social, a violência e a falta de amor, de solidariedade, de um bem querer. Hoje, somos chamados a rezar pelo nosso País, a rezar por aqueles que o lideram, que o dirigem, para que o façam não em busca de privilégios, não sob leis e estruturas antigas que matam, que oprimem, mas sob a lei do amor”, afirmou.

 

COMPROMISSO COM O PAÍS

O Bispo exortou que cada pessoa se questione sobre o que tem feito para combater as injustiças e privilégios, e assuma uma postura ativa diante dos problemas do País. 

“Rezemos para que a Palavra de Deus seja a nossa luz, a nossa força, para que nos oriente no caminho da justiça, da paz e da fraternidade. Que, por nossos trabalhos, por nossas ações, por nossa cooperação, o Brasil possa ser um país muito melhor”, disse.

Ao recordar a realização das eleições neste ano, Dom Eduardo mencionou a responsabilidade de todos os eleitores. “Que tenhamos responsabilidade, compromisso com aqueles que estão comprometidos com o bem dessa nação, com a luta do povo, com a vida, com a liberdade”, e lembrou que cada um é chamado a “rezar por este País, mas também a dar seu voto consciente, responsável”.

Ainda durante a missa na Catedral, houve a oração pelos governantes, pedindo a Deus que exerçam suas tarefas com o espírito de serviço, voltando-se ao bem do povo e do País, como promotores da paz e do zelo pelos direitos de todas as pessoas.

 

GRITO DOS EXCLUÍDOS

Dom Eduardo também recordou a realização da 24ª edição do Grito dos Excluídos, que aconteceu em 7 de setembro em muitas partes do Brasil (leia detalhes no box abaixo).

“A Igreja convida a todos para que se manifestem, para que saiam de uma ação passiva para uma postura ativa, manifestando seu desejo por liberdade, por justiça e por vida digna”, afirmou o Bispo, ao mencionar que a iniciativa conta com a participação de pastorais e organismos da Igreja.

Em São Paulo, o Grito dos Excluídos teve início às 10h no Largo do São Francisco e seguiu pelas ruas do centro da cidade. Em âmbito nacional, os principais atos foram em Aparecida (SP), onde também aconteceu a 31ª Romaria dos Trabalhadores (veja fotos abaixo).

No Santuário Nacional de Aparecida, os romeiros reuniram-se em frente à Tribuna Bento XVI, onde foram recebidos por Dom José Reginaldo Andrietta, Bispo de Jales (SP), que refletiu sobre a luta pelos direitos dos trabalhadores e por uma sociedade mais igualitária. Eles também participaram da missa presidida por Dom Francisco Biasin, Bispo de Barra do Piraí/ Volta Redonda (RJ). “Enquanto existir a desigualdade e excluídos, precisamos lutar pela melhoria de todos”, afirmou Dom Francisco.

24° GRITO DOS EXCLUÍDOS

Thiago Leon/A12                                                              Luciney Martins/O SÃO PAULO

APARECIDA (SP)                                                                                          SÃO PAULO (SP)

 

Tema: Vida em primeiro lugar

Lema: Desigualdade gera violência: basta de privilégios!

Objetivo: Valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor.

UM GRITO PARA:

- A defesa dos excluídos;

- A construção de espaços e o estímulo a ações organizadas para lutar por um projeto de sociedade mais igualitária;

- Denunciar as estruturas opressoras e injustas da sociedade;

- Exigir do Estado a garantia do acesso aos direitos básicos, como educação, segurança pública, transporte, alimentação saudável, saneamento básico e moradia; - Lutar contra a privatização de recursos naturais e contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores;

- Uma auditoria integral da dívida pública. E ainda para:

- Democratizar a comunicação;

- Acessar e universalizar direitos básicos previstos na Constituição de 1988;

- Combater as políticas de Estado que geram violência;

- Que o Brasil seja um país comprometido com o povo, livre da corrupção, e que tenha distribuição igualitária de renda;

- A participação política e emancipação popular; Fonte: cebsdobrasil.com.br (Colaborou: José Ferreira Filho)

 

Fonte: cebsdobrasil.com.br

(Colaborou: José Ferreira Filho)
 
 

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Os Papas e o 11 de setembro: o amor mais forte que o ódio

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11 de setembro de 2018

O dia 12 de setembro de 2001 foi uma quarta-feira. Pela manhã, a Praça São Pedro estava repleta de fiéis, como de costume, mas a atmosfera que se respirava não era de alegria, como sempre. Nos olhos das pessoas estavam ainda gravadas as imagens de terror do dia anterior: a queda das Torres Gêmeas, o avião batendo contra o Pentágono, as pessoas desesperadas que fugiam de um cenário infernal, poeira, sangue, mortos nas ruas. Foram as imagens que também João Paulo II, na residência de Castel Gandolfo, viu com desalento e angústia.

Karol Wojtyla - disse Joaquín Navarro-Valls - quis ir direto ao telefone expressar ao Presidente dos Estados Unidos sua tristeza e proximidade à cidadania, mas George W. Bush estava fora de alcance por razões de segurança. Assim, foi enviado um telegrama no qual o Papa falava de "horror", "ataques desumanos" e assegurava suas orações "nesta hora de sofrimento e provação".

 

Dia sombrio na história da humanidade, mas o ódio não prevalece

Um dos leitores na Praça enfatiza que a audiência é marcada pelos "eventos dramáticos" do dia anterior. "Só para criar um clima de recolhimento e oração - continua ele - o Santo Padre quer que não sejamos aplaudidos". A voz de Karol Wojtyla racha de emoção quando afirma que o 11 de setembro "foi um dia negro na história da humanidade, uma terrível afronta à dignidade do homem". E fazendo a pergunta angustiante que muitos têm em seu coração, ele questiona "como podem tais episódios de selvageria ocorrerem". No entanto, o futuro Santo não deixa espaço para o desespero estéril: “Mesmo no momento mais sombrio, "o fiel sabe que o mal e a morte não têm a última palavra", mesmo que "a força das trevas pareça prevalecer".

 

Nunca a religião seja usada como motivo de conflito

Alguns dias depois, estava agendada a visita de João Paulo II ao Cazaquistão, país de maioria muçulmana. Muitos aconselham o Papa a não cumprir o compromisso, considerado perigoso. "A religião - diz ele com palavras sinceras, em Astana - nunca deve ser usada como motivo de conflito". E convida "tanto cristãos como muçulmanos a rezar intensamente pelo Deus Todo-Poderoso que nos criou para que o bem fundamental da paz possa reinar no mundo". Um compromisso para o qual João Paulo II, idoso e enfermo, não poupa energias ao convocar, em janeiro de 2002, um novo Encontro de Religiões pela Paz em Assis, na esteira da histórica primeira reunião em 1986.

 

Trabalhemos por um mundo onde a paz e o amor reinem

Sete anos depois daquela terrível terça-feira de setembro, em 20 de abril de 2008, um Papa vai ao Ground Zero. Bento XVI opta por não fazer nenhum discurso. Encontra os parentes das vítimas e socorristas, os heróis daquele dia. Acende uma vela em memória de todas as vítimas em Nova York, Washington e do voo United 93. Reúnem-se em oração no centro da imensa cavidade onde ficavam as torres gêmeas. Sob um céu cinzento, que contrasta com a imagem do céu claro do dia dos ataques, o Pontífice se ajoelha - em um silêncio quase surreal, quebrado apenas pelo som das gaitas de foles do New York Fire Department – e invoca o Deus "de amor, compaixão e reconciliação". Bento XVI pede ao Senhor que traga a sua paz "ao nosso mundo violento", "paz no coração de todos os homens e mulheres e paz entre as nações da terra".

 

No Ground Zero, uma rosa branca sobre os nomes das vítimas

Outros sete anos se passam e, desta vez, o Papa Francisco encontra um cenário completamente diferente do seu antecessor. Onde estava a cratera do Ground Zero, agora existe o Memorial do 11 de Setembro, duas enormes piscinas construídas nos pontos exatos onde ficavam as Torres Gêmeas. Os nomes das 2974 vítimas de 90 nacionalidades diferentes estão gravados em bronze nos dois espelhos d’água que formam o núcleo do memorial.

Aqui, em 25 de setembro de 2015, Francisco, visivelmente emocionado, posa uma rosa branca antes de se recolher em oração. O céu desta vez lembra a manhã de 14 anos antes, mas para fazer sombra não há mais as Torres Gêmeas, mas a Torre da Liberdade, o arranha-céu mais alto dos Estados Unidos, inaugurada apenas alguns meses antes da visita papal. Como já fez Bento XVI, Francisco encontra os familiares das vítimas, os socorristas, acompanhados pelo arcebispo da cidade, Timothy Dolan. Esta visita também é caracterizada pelo silêncio. O único som: o rugido da água das grandes fontes do memorial.

 

Religiões são forças de paz, justiça e reconciliação

Juntamente com o momento da homenagem às vítimas, Francisco quer lançar - a partir de um lugar tão simbólico - um apelo para que as religiões trabalhem juntas pela paz e contra toda a exploração do nome de Deus. O espírito é o mesmo da iniciativa que São João Paulo II havia promovido alguns meses após o 11 de setembro com o Encontro de líderes religiosos em Assis. A imagem não poderia ser mais eloquente: o Papa, junto com um imã e um rabino, rezam juntos contra o terrorismo e contra a guerra. Meditações hindu, budista, sikh, cristã e muçulmana sobre a paz se sucedem. E ainda a oração judaica pelos mortos.

"Eu espero - diz Francisco - que nossa presença aqui seja um sinal poderoso de nosso anseio de compartilhar e reafirmar o desejo de sermos forças de reconciliação, forças de paz e justiça nesta comunidade e em todas as partes do mundo". O Papa insiste em banir os sentimentos de "ódio, vingança e rancor". Só assim, diz ele, podemos "pedir ao céu o dom de nos comprometermos com a causa da paz".

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Ame os teus inimigos

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06 de agosto de 2018

Myroslav Marynovych, um católico ucraniano, foi premiado em uma conferência do Napa Institute, entre os dias 11 e 15 de julho. Ele é vice-reitor da Universidade Católica Ucraniana, em Lviv, cofundador da Anestia Internacional da Ucrânica e membro fundador do Grupo Ucraniano Helsinki, responsável por monitorar as ações do governo soviético no respeito aos direitos humanos. O grupo Helsinki funcionou até 1981, quando todos os seus membros foram presos pelas autoridades soviéticas. Myroslav, no entanto, foi preso bem antes dessa data, em 1977, e enviado a um campo de trabalho forçado, onde permaneceu até 1984. 

Foi no campo de trabalho forçado que Myroslav aprendeu o que significa o amor aos inimigos. Foi quando estava na solitária que ele se surpreendeu cheio de ódio e revolta contra um dos guardas do campo: “Esta encarnação do ódio – sou eu? E o meu Cristianismo? Eu não queria me transformar num ‘homem de ódio’”, contou. Foi então que ele começou a rezar em sua cela e decidiu não deixar o ódio tomar conta de seu coração. “Eu posso dizer honestamente que o campo de trabalho forçado foi o melhor lugar para entender o que ‘ame o teu inimigo’ realmente significa”, assegurou.

Myroslav e seus companheiros de prisão conseguiram enviar secretamente uma carta a São João Paulo II, quando este fora recentemente eleito papa, pedindo orações e apoio. O Papa celebrou uma missa por eles e, quando a União Soviética se desmoronou e Myroslav foi libertado (após dez anos de prisão), o homem pôde agradecê-lo pessoalmente. “Sim, o regime soviético queria fazer da minha vida um inferno. No entanto, foi Deus quem transformou a experiência do campo em uma bênção”, concluiu. 

Fonte: CNA
 

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