Desmatamento na Amazônia aumenta 60%

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04 de julho de 2019

Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que o desmatamento na Amazônia cresceu 60% em junho deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.


Os dados indicam que a perda de mata nativa, em junho de 2019, equivale a 762,3 km². No mesmo mês de 2018, a área desmatada foi de 488,4 km². 


Realizando uma comparação mês a mês, entre 2018 e 2019, os números permaneceram estáveis até abril. Posteriormente, houve um aumento de 247,2 km² a 735,8 km² de floresta desmatada.


Esses números preocupam os organizadores da pesquisa, pois colocam em risco o cumprimento de uma das metas do Brasil no Acordo de Paris, que é de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. (JS)
 

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Um Sínodo que se desenvolve em torno da vida dos povos, da Igreja e do planeta

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26 de junho de 2019

A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos apresentou, na segunda-feira, 17, o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia. O texto foi apresentado aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos; Dom Fábio Fabene, Subsecretário do Sínodo dos Bispos; e o Padre Humberto Miguel Yáñez, professor ordinário de Teologia Moral da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

O Documento é resultado de um processo de escuta que teve início com a visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018; prosseguiu com a consulta ao povo de Deus em toda a Região Amazônica por todo o ano e se concluiu com a segunda reunião do Conselho Pré-Sinodal, em maio passado.

Com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”, o Sínodo acontecerá de 6 a 27 de outubro, no Vaticano.

“O material, oriundo desta ampla consulta, foi objeto de um estudo atento e seleção por parte da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que, com ajuda de especialistas qualifica dos, trabalhou na elaboração de um projeto de Instrumento de Trabalho. O grupo de redação deste texto foi formado por alguns especialistas provenientes da Região Pan-Amazônica e de outros residentes em Roma, mas com competência sobre a temática sinodal”, disse o Cardeal Lorenzo Baldisseri, da Secretaria da Congregação para os Bispos, um dos dicastérios da Cúria Romana, no Vaticano, durante a apresentação do Documento.

 O celibato não está em questão

Um dos temas tratados pelo Instrumento de Trabalho do Sínodo para a Amazônia que ganhou destaque nos noticiários internacionais diz respeito à busca de alternativas para assegurar a celebração dos sacramentos nas comunidades, especialmente da Eucaristia. “Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja”, o Documento destaca que, para as áreas mais remotas da região, seja estudada a possibilidade da ordenação sacerdotal de homens idosos, de preferência indígenas, conhecidos em sua comunidade, “mesmo que já tenham uma família constituída e estável”. Na apresentação do texto, o Subsecretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fábio Fabene, esclareceu aos jornalistas que o Instrumento de Trabalho expõe o que as consultas sinodais revelaram sobre o “grande sofrimento” que os povos amazônicos vivem com a falta do sacramento da Eucaristia.

DÁDIVA PARA A IGREJA

Nesse sentido, Dom Fábio salientou que não se está em discussão o celibato, tanto que o parágrafo do documento começa ressaltando- -o como uma dádiva para a Igreja. “O que se aborda é a possibilidade, em caráter excepcional, de ordenar homens idosos da comunidade, que eventualmente já tenham famílias constituídas, como existe, por exemplo, nas Igrejas de rito oriental, com a finalidade de assegurar os sacramentos”, reforçou.

O Bispo recordou, ainda, a afirmação feita pelo Papa Francisco aos jornalistas a bordo do voo de retorno do Panamá, em 28 janeiro, quando foi questionado sobre esse assunto. O Pontífice enfatizou que, pessoalmente, não concorda com a permissão do celibato opcional. Embora tenha reconhecido que existe alguma possibilidade dessa permissão em lugares distantes, quando há necessidade pastoral.

O Santo Padre reiterou que não mudará a disciplina sobre o celibato dos padres. “É algo que está em discussão entre os teólogos, não há decisão minha [...]. Não me sinto à vontade diante de Deus com essa decisão”, ressaltou Francisco, na ocasião.

                                                                                         

O Instrumento de Trabalho afirma que o Sínodo da Amazônia é um “sinal dos tempos” no qual o Espírito Santo abre novos caminhos que são discernidos por meio de um diálogo recíproco entre todo o povo de Deus. “Trata-se de uma grande oportunidade para que a Igreja possa descobrir a presença encarnada e ativa de Deus: nas mais diferentes manifestações da criação; na espiritualidade dos povos originários; nas expressões da religiosidade popular; nas diferenciadas organizações populares que resistem aos grandes projetos; e na proposta de uma economia produtiva, sustentável e solidária que respeita a natureza”, continua o texto.

VIDA AMEAÇADA

Chama-se a atenção para a ameaça que a vida vem sofrendo pela destruição e exploração ambiental e pela violação sistemática dos direitos humanos elementares de sua população. “De modo especial, a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios”, diz o texto. “Atualmente, a mudança climática e o aumento da intervenção humana (desmatamento, incêndios e alteração no uso do solo) estão levando a Amazônia rumo a um ponto de não retorno, com altas taxas de desmatamento, deslocamento forçado da população e contaminação, pondo em perigo seus ecossistemas e exercendo pressão sobre as culturas locais”, destaca o Documento.

PERIFERIAS

O Instrumento de Trabalho analisa também a situação dos Povos Indígenas em Isolamento Voluntário (PIAV). Segundo dados de instituições especializadas da Igreja, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no território da Amazônia existem de 110 a 130 diferentes “povos livres”, que vivem à margem da sociedade ou em contato esporádico com ela.

MIGRAÇÃO

O Documento constata que, na Amazônia, o fenômeno migratório em busca de uma vida melhor tem sido uma constante histórica. As causas apontadas são sociopolíticas, climáticas, de perseguição étnica e econômicas. “A agressão contra o meio ambiente, em nome do ‘desenvolvimento’, piorou dramaticamente a qualidade de vida dos povos amazônicos, tanto das populações urbanas como rurais, devido à contaminação e perda de fertilidade do território”, enfatiza o Instrumento.

URBANIZAÇÃO

A Amazônia se encontra entre as regiões com maior mobilidade interna e internacional na América Latina. De acordo com as estatísticas, a população urbana da Amazônia aumentou de modo exponencial; atualmente, de 70% a 80% da população reside nas cidades que recebem permanentemente um elevado número de pessoas e não conseguem proporcionar os serviços básicos dos quais os migrantes necessitam. Não obstante tenha acompanhado esse fluxo migratório, a Igreja deixou no interior da Amazônia vazios pastorais que devem ser preenchidos.

ROSTO AMAZÔNICO

“Os novos caminhos para a pastoral da Amazônia exigem que se ‘relance com fidelidade e audácia’ a missão da Igreja no território e que se aprofunde o ‘processo de inculturação’”, afirma o Instrumento de Trabalho, ao falar da necessidade de haver um “rosto amazônico” para essa região. “A [Constituição] Sacrosanctum Concilium (nn. 37-40, 65, 77 e 81) propõe a inculturação da liturgia nos povos indígenas. Sem dúvida, a diversidade cultural não ameaça a unidade da Igreja, mas expressa sua catolicidade genuína, mostrando ‘a beleza deste rosto pluriforme’”, diz o texto, citando a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco.

VOCAÇÕES AUTÓCTONES

As consultas sinodais chamaram a atenção para a necessidade de promover vocações autóctones de homens e mulheres, como resposta às necessidades de atenção pastoral e sacramental. “Trata-se de indígenas que anunciem a indígenas a partir de um profundo conhecimento de sua cultura e de sua língua, capazes de comunicar a mensagem do Evangelho com a força e a eficácia de quem dispõe de uma bagagem cultural.”

O Documento ressalta, ainda, o pedido de valorização do papel dos leigos como protagonistas de uma Igreja em saída, de modo especial as mulheres, cuja presença não é sempre adequadamente considerada. O texto reconhece que, também no âmbito da vida consagrada, as religiosas são uma presença significativa na região amazônica.

ECUMENISMO

O texto ressalta o fenômeno do crescimento das recentes igrejas evangélicas de origem pentecostal, especialmente nas periferias. Também sublinha que determinados grupos “propagam uma teologia da prosperidade” e tendências fatalistas, que, por meio do medo ou mediante a busca do sucesso, “influenciam negativamente os grupos amazônicos”. Sugere-se, ainda, a necessidade de “procurar elementos comuns por meio de encontros periódicos para trabalhar juntos pelo cuidado da Casa Comum, e para lutar de forma conjunta pelo bem comum face às agressões externas”.

CONCLUSÃO

O Documento termina expressando o desejo de que o Sínodo para a Amazônia “seja uma expressão concreta da sinodalidade de uma Igreja em saída, para que a vida plena que Jesus veio trazer ao mundo (cf. Jo 10,10) chegue a todos, especialmente aos pobres”.

(Com informações de Vatican News

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6a. Coletiva de Imprensa discute o Sínodo Pan-Amazônico e Mês Missionário Extraordinário

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07 de mai de 2019

Antes do anúncio da definição dos primeiros postos na eleição da coordenação da CNBBpara os próximos quatro anos, o 6º dia Assembleia Geral da CNBB discutiu o Sínodo para a Pan-Amazônia e o Mês missionário extraordinário. A coletiva desta segunda-feira (6) contou com a presença do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP), Dom Odelir José Magri, Bispo de Chapecó (SC) e coordenador do grupo de trabalho do Mês Missionário, e do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e relator geral do Sínodo Pan-Amazônico.

Dom Raymundo Damasceno iniciou a coletiva destacando a reunião que, diferente de outros anos, vai eleger o presidente, dois vice-presidentes, o secretário-geral e 12 coordenadores das comissões episcopais. "Essa primeira parte nos prepara o processo eleitoral. Fizemos um balanço dos quatro últimos anos, estudamos as próximas diretrizes e vamos seguir com o processo de votação. Não existem chapas. É uma missão que cada bispo se coloca no espírito de serviço para qualquer um dos cargos." enalteceu.

Mês missionário extraordinário

"Devemos celebrar a missão dentro da Igreja. É preciso despertar a consciência além das comunidades". Assim, Dom Odelir José Magri, resumiu sua função à frente dos trabalhos do Mês Missionário no Brasil, que ocorre em outubro de 2019. Com o tema ‘Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo’, o religioso destacou a ação pioneira de Papa Francisco ao convocar um mês missionário mundial para a Igreja Católica. "Em diversas oportunidades foram discutidos e refletidos a importância e o valor das missões, mas pela primeira vez a Igreja do mundo todo está focada em testemunhar, incentivar e viver o tema".

Dom Odelir enfatizou ainda que a mensagem pode ser dissipada de diversas formas. "Não devemos criar novas agendas dentro da nossa Igreja para trabalhar e, sim, integrar o tema nas reuniões. Discutir nas dioceses, acrescentar o conteúdo nas catequeses, na Semana da Família, no Dia da Juventude etc. Agregar às formações a temática das missões".

"Encontrar novos caminhos para Amazônia"

O Cardeal Dom Cláudio Hummes foi nomeado, pelo Papa Francisco como relator geral do Sínodo Pan-Amazônico e é responsável por encontrar novos caminhos para Amazônia. "O Papa Francisco insiste que busquemos alternativas. Não devemos traçar os mesmos caminhos do que não deu certo. O Sínodo deve enfrentar as surpresas da caminhada. A Igreja está a serviço da humanidade, por isso, a importância de debater esse tema.", destaca.

Dom Cláudio alertou sobre a grave crise ambiental vivida no mundo. "A Igreja tem tarefas novas e mais urgentes para tratar. Já iniciamos a fase das consultas nas bases, dentro das comunidades carentes, indígenas e dioceses. Contamos com grande ajuda das comunidades e da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica). E finaliza: "Nosso papel é defender a vida e, como diz o Santo Padre, o território da Amazônia e os povos nunca estiveram tão ameaçados. As ações nunca foram tão agressivas e o desmatamento tão grande".

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Comissão para Amazônia se encontra para avaliação de 2017

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21 de dezembro de 2017

O presidente, os bispos e a assessora que integram a Comissão Episcopal Especial para a Amazônia se reuniram na terça-feira, 19, na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para fazer um balanço das ações em 2017 e projetar as iniciativas de 2018, ano que antecederá o Sínodo para a Pan-Amazônia, anunciado pelo Papa Francisco.

De acordo com o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Comissão especial para a Amazônia, 2017 foi um ano com um programa muito intenso para a Pan-Amazônia e não apenas da Amazônia brasileira.

Sínodo buscará ‘rosto amazônico’ da Igreja

“Tivemos um contato muito especial com os bispos da África sobre a Rede da Bacia do Rio Congo. Eu pessoalmente avalio como um bom trabalho que a equipe fez e também de todas as pessoas que eles movimentaram, sobretudo dos seminários realizados sobre a Laudato Si’, disse Dom Claudio à CNBB.

Segundo o Cardeal, todo o trabalho desenvolvido tanto pela Comissão para a Amazônia quando da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) foram decisivos para sensibilizar o Papa Francisco a realizar o Sínodo especial dos bispos sobre a Pan-Amazônia, em 2019.

(Com informações de CNBB)

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